🐟 Peixes

Neon-verde

Paracheirodon simulans

Atualizado em

2 a 2,5 cmTamanho
Doce, ácida e escuraTipo de água
5 a 8 anosExpectativa de vida
Pacífico e de cardumeTemperamento
ModeradaDificuldade
Neon-verde de perfil mostrando faixa azul-esverdeada neon que cobre quase todo o corpo

O neon-verde (Paracheirodon simulans) é um tetra de água doce amazônico muito menor e mais delicado que o neon comum. Seu corpo quase todo coberto por uma faixa azul-esverdeada neon é o que o distingue imediatamente do neon (Paracheirodon innesi) e do cardinal.

Pacífico e de cardume, vive melhor em grupos de 10 ou mais indivíduos em aquários plantados de água escura e ácida. É sensível a variações bruscas de pH e temperatura, mas quando bem adaptado é longevo e exibe um brilho que nenhum outro tetra pequeno replica.

Também conhecido como: Neon-verde, Tetra neon-verde, Green neon tetra, Falso neon

Faz parte de: Peixes de Água Doce, Peixes para Aquário

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Galeria de fotos de Neon-verde

Neon-verde de perfil mostrando faixa azul-esverdeada neon que cobre quase todo o corpo
Neon-verde adulto em vista lateral com a faixa turquesa característica.
Close-up da cabeça e nadadeiras do neon-verde
Detalhe da cabeça e do brilho iridescente do neon-verde.
Cardume de neon-verde nadando em aquário plantado de água preta
Cardume de neon-verde em aquário plantado com troncos e folhas.
Neon-verde em habitat natural de igarapé de água preta com folhas no fundo
Habitat natural de água preta com folhas e troncos submersos.
Neon-verde se alimentando de náuplios de artêmia
Alimentação com presas microscópicas, base da dieta natural.
Comparação entre neon-verde, neon comum e cardinal mostrando diferenças da faixa
Diferença visual entre neon-verde, neon e cardinal pela extensão da faixa e do vermelho.
Ideal para

Ideal para aquaristas que já ciclaram o aquário e buscam um cardume amazônico autêntico para aquários plantados de 60 litros ou mais. Quem aprecia biótopo de água preta, luz suave e comportamento sincronizado de cardume vai valorizar seu brilho turquesa intenso.

Pode não ser ideal para

Pode não ser ideal para quem está montando o primeiro aquário sem testes de pH e GH ou para aquários pequenos de até 30 litros. Também não funciona bem com peixes grandes, agitados ou que exigem água dura e alcalina, nem para quem não pode manter trocas semanais e quarentena.

Como cuidar

Aquário
Mínimo 60 litros para 10 a 12 peixes; aquário longo, com tampa, plantas, troncos e folhas secas
Água
Temperatura 24 a 28 °C, pH 4,5 a 6,8, GH 1 a 6, filtragem suave e trocas semanais de 20 a 30%
Alimentação
Micro-grânulos e flocos finos 1 a 2x ao dia + artêmia, dáfnias ou cyclops 2 a 3x por semana
Convivência
Manter em cardume de 10+; companheiros pacíficos de água ácida; evitar peixes grandes ou beliscadores

Perfil rápido de Neon-verde

Estado de conservação

LC
Pouco preocupante

Espécie amplamente distribuída em rios de água preta da Amazônia e Orinoco.

População
Estável
Protegido por
Não

Vida útil

Em aquário
5 a 8 anos com água estável, ácida e alimentação variada
Na natureza
2 a 4 anos, com alta predação e variação sazonal

Reprodução

Tipo de reprodução
Ovípara, desova livre entre plantas finas
Fecundidade
80 a 150 ovos por desova
Cuidado parental
Nenhum; pais predam ovos e larvas
Incubação
24 a 36 horas até a eclosão, mais 3 a 4 dias até nado livre

Habitat

Ambientes

  • Igarapés de água preta
  • Igapós e florestas alagadas
  • Rios de várzea com troncos e folhas submersas

Biomas

  • Amazônia

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Microcrustáceos
  • Larvas de insetos aquáticos
  • Zooplâncton

Outros alimentos

  • Vermes microscópicos
  • Rações micro-granuladas
  • Náuplios de artêmia

Encontrado em 3 países

  • Brasil
  • Colômbia
  • Venezuela

Como animal de estimação

Adequação para aquário
Alta para aquários plantados de água doce ácida
Legalidade no Brasil
Permitida; exemplares selvagens e de criação disponíveis no comércio
Nível de cuidado
Moderado; exige aquário ciclado e parâmetros estáveis
Aquisição
Disponibilidade variável; mais raro que neon comum e cardinal

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Actinopterygii
Ordem
Characiformes
Família
Characidae
Gênero
Paracheirodon
Espécie
Paracheirodon simulans

Resumo

  • O neon-verde é um tetra amazônico de até 2,5 cm com faixa azul-esverdeada que cobre quase todo o corpo e pouco ou nenhum vermelho na barriga.
  • Vive em igarapés de água preta ácidos e escuros do Rio Negro e Orinoco, sempre em cardumes grandes e em meia-água.
  • Em aquário exige água estável, ácida e morna, cardume mínimo de 10 peixes e alimentação variada com rações pequenas e alimento vivo.

Características

Ficha da espécie

Nome científicoParacheirodon simulans (Géry, 1963)
FamíliaCharacidae
OrigemBacias do Rio Negro (Brasil) e alto Orinoco (Colômbia e Venezuela)
Tipo de águaDoce, preta e ácida
Tamanho adulto2 a 2,5 cm (raramente 3 cm)
TamanhoMuito pequeno
Coresazul-esverdeado neonverde-turquesaprateadovermelho discreto na base da cauda
Expectativa de vida5 a 8 anos em aquário bem mantido
AlimentaçãoOnívora micro-predadora
ReproduçãoOvípara, ovos adesivos e fotossensíveis
VariedadesNão há variedades seletivas fixadas; forma selvagem única

Perfil e comportamento

Facilidade de criaçãoAlto
AgressividadeMuito baixo
SociabilidadeMuito alto
Nível de atividadeAlto
Exigência com a qualidade da águaAlto
Adequação a aquários pequenosAlto

Como reconhecer o neon-verde de verdade

O neon-verde é o menor dos três Paracheirodon e o mais fácil de confundir na loja. A diferença está na faixa luminosa.

No Paracheirodon simulans, a faixa azul-esverdeada é larga, turquesa e vai quase da cabeça até o pedúnculo caudal, cobrindo a maior parte do flanco. O vermelho, se existir, é restrito a uma mancha pequena perto da nadadeira anal. Já o neon comum tem faixa azul só na metade superior e barriga prateada, e o cardinal tem vermelho vivo em toda a metade inferior do corpo.

O corpo é mais esguio e baixo que o do cardinal, com olhos proporcionalmente grandes e nadadeiras hialinas quase transparentes. Fêmeas adultas ficam com o ventre mais arredondado e são ligeiramente maiores; machos são mais retos e intensamente coloridos.

Origem e habitat natural

O neon-verde ocorre em igarapés e igapós de água preta da bacia do Rio Negro, no Brasil, e do alto Rio Orinoco, na Colômbia e Venezuela. Foi descrito por Jacques Géry em 1963 a partir de exemplares do Rio Negro.

Esses ambientes têm água cor de chá, pH entre 4,0 e 6,5, dureza quase zero e temperatura de 24 a 29 °C. A visibilidade é baixa, o fundo é de areia fina e folhas, e a luz é filtrada pela copa da floresta. É ali que o brilho neon funciona como sinalização dentro do cardume.

Na natureza vive sempre em cardumes de dezenas a centenas de indivíduos em meia-água, entre raízes e galhos submersos. Não é migrador de longa distância, mas se desloca lateralmente com a cheia e a seca da floresta alagada.

Comportamento e convivência no aquário

É um peixe extremamente pacífico e gregário. Sozinho fica apagado, estressado e perde cor; em grupo nada sincronizado e mostra o brilho completo.

O cardume tem hierarquia muito suave, sem disputas territoriais. A atividade é maior no início da manhã e no fim da tarde, quando exploram a meia-água em natação curta e rápida, com pausas.

Convive bem com outros peixes calmos de mesmo tamanho e exigência de água: outros tetras pequenos, rasbora-esmeralda, corydoras anãs, otocinclus e camarões. Evite companheiros grandes, agitados ou beliscadores de nadadeira, como barbo-tigre e betta, e nunca com peixes que caibam na boca dele, nem ele na boca de outros.

  • Cardume mínimo recomendado: 10 a 12 indivíduos; ideal 15+
  • Posição no aquário: meia-água, com incursões à superfície na hora de comer
  • Compatibilidade: ótima com invertebrados pacíficos, mas filhotes de camarão podem ser predados

Aquário ideal: tamanho, decoração e parâmetros

Apesar do tamanho minúsculo, o neon-verde precisa de espaço horizontal para cardumar. O mínimo funcional é um aquário de 60 x 30 cm, cerca de 60 litros para um grupo de 12. Aquários menores que 40 litros deixam o cardume comprimido e a água instável.

Recrie o biótopo de água preta: substrato escuro, areia fina, troncos, folhas de castanheira ou amendoeira e plantas de sombra como Microsorum, Anubias, Taxiphyllum e flutuantes (Limnobium, Salvinia). A luz deve ser suave e difusa; o tanino liberado pelas folhas ajuda a acidificar e acalmar os peixes.

Filtragem deve ser suave a moderada, sem correnteza forte, com mídia biológica bem ciclada. Trocas parciais semanais de 20 a 30% são obrigatórias, sempre com água em temperatura e pH semelhantes.

Parâmetro Faixa ideal
Temperatura 24 a 28 °C
pH 4,5 a 6,8 (ideal 5,5 a 6,5)
Dureza (GH) 1 a 6 dGH
Amônia e nitrito zero
Nitrato abaixo de 20 mg/L

Essa espécie é muito sensível a picos de amônia e a oscilações de pH. Aquário novo sem ciclagem completa é a principal causa de perdas. Acostume os peixes por gotejamento lento na introdução.

Alimentação: pouco volume, muita variedade

Na natureza é micro-predador onívoro: consome microcrustáceos, larvas de insetos, pequenos vermes e zooplâncton. Em aquário aceita bem ração, mas precisa de partículas minúsculas.

Ofereça ração micro-granulada ou flocos triturados de boa qualidade como base, 1 a 2 vezes ao dia em quantidade que seja consumida em 60 segundos. Complemente 2 a 3 vezes por semana com náuplios de artêmia, microvermes, dáfnias e cyclops — vivos ou congelados.

Alimento grande demais é ignorado e polui a água. Jejum de um dia por semana ajuda a evitar problemas intestinais, comuns em tetras superalimentados.

Reprodução: por que quase ninguém consegue em casa

A reprodução é ovípara com ovos claros, adesivos e extremamente fotossensíveis. Ocorre ao amanhecer, após condicionamento com alimento vivo e água muito macia e ácida.

O casal espalha de 80 a 150 ovos entre plantas finas como musgo-de-java. Os pais não cuidam da prole e comem os ovos se não forem separados. Os ovos devem ficar no escuro total, pois a luz forte mata o embrião.

A eclosão acontece em 24 a 36 horas e as larvas ficam penduradas por mais 3 a 4 dias absorvendo o saco vitelínico. O grande gargalo é a alimentação inicial: os filhotes precisam de infusórios e paramécios nos primeiros dias, só depois aceitam náuplios de artêmia. Por isso a criação exige aquário específico, água de osmose e controle rigoroso de fungos.

Erros comuns na tentativa de reprodução

  • Usar água da torneira dura e alcalina — os ovos não fertilizam
  • Deixar luz acesa sobre os ovos — fungam em horas
  • Manter os pais no mesmo aquário — predação total da desova

Saúde e doenças mais comuns

Quando mantido em água estável e cardume adequado, é resistente. Os problemas surgem com estresse crônico, água instável e má quarentena.

As doenças mais vistas são ictio (pontos brancos), neosporose dos tetras (doença do neon) e infecções fúngicas nos ovos. A doença do neon, causada pelo microsporídio Pleistophora hyphessobryconis, não tem cura eficaz e exige eutanásia e desinfecção do aquário — por isso quarentenar novos peixes por 2 a 3 semanas é essencial.

Sinais de alerta incluem perda do brilho neon, natação isolada, emagrecimento e coluna torta. Mantenha temperatura estável, evite superlotação e não use medicamentos com cobre em doses altas, pois tetras pequenos são sensíveis.

Curiosidades e confusões que você deve evitar

Muita loja vende neon comum como neon-verde e vice-versa. O preço costuma denunciar: o neon-verde selvagem costuma ser mais caro e menos disponível que o neon comum criado em massa na Ásia.

Outra confusão é achar que ele precisa de aquário nano de 15 litros por ser pequeno. O peixe é pequeno, mas o cardume precisa de comprimento para nadar; aquário curto estressa mais que um aquário maior com poucos peixes.

Por fim, o brilho não é pigmento, é estrutura iridescente de guanina nas escamas que reflete luz. Em água cristalina e clara demais, ou com fundo claro, o peixe fica pálido. Água levemente âmbar e fundo escuro intensificam a cor em poucas horas.

Vale a pena ter neon-verde?

Na nossa avaliação, o neon-verde é a escolha mais elegante para aquários de água preta bem montados, mas não é o tetra para começar sem pesquisa. Ele recompensa quem controla parâmetros com um efeito visual que nenhum outro peixe de 2 cm entrega.

Se você quer um aquário colorido e tolerante a erros de iniciante, o neon comum ou o cardinal criado em cativeiro perdoam mais. Se busca um biótopo amazônico fiel, com luz baixa, folhas e cardume grande, o neon-verde é insuperável.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre neon-verde, neon comum e cardinal?

O neon-verde (P. simulans) tem faixa azul-esverdeada que cobre quase todo o corpo e pouco vermelho. O neon comum (P. innesi) tem azul só na metade superior e o cardinal (P. axelrodi) tem vermelho vivo em toda a metade inferior.

Qual o tamanho mínimo do aquário para neon-verde?

Cerca de 60 litros e 60 cm de comprimento para um cardume de 10 a 12 peixes, com filtragem suave e plantas.

Quantos neon-verde devo manter juntos?

No mínimo 10 a 12. Grupos menores deixam os peixes estressados, pálidos e escondidos.

Qual pH e temperatura ideais?

pH entre 4,5 e 6,8 (ideal 5,5 a 6,5), GH 1 a 6 e temperatura de 24 a 28 °C, com água âmbar e estável.

Neon-verde pode viver com camarão?

Sim, com camarões pacíficos como red cherry, mas filhotes recém-nascidos podem ser comidos. Adultos geralmente são ignorados.

Por que meu neon-verde está pálido?

Estresse por cardume pequeno, luz forte, fundo claro, água alcalina ou instável e falta de taninos costumam apagar o brilho.

Neon-verde é fácil de reproduzir?

Não. Exige água muito macia e ácida, desova no escuro, separação dos pais e alimento vivo microscópico para as larvas.

Você sabia?

1

Faixa que brilha no escuro

O brilho azul-esverdeado vem de cristais de guanina nas escamas que refletem luz, não de pigmento. Em água escura e ácida o efeito fica muito mais intenso.

2

Ovos que morrem com luz

Os ovos do neon-verde são fotossensíveis e precisam ficar no escuro total após a desova. Luz direta nas primeiras horas causa fungo e inviabiliza a ninhada.

3

Menor que uma moeda

Adulto mede apenas 2 a 2,5 cm, menor que o neon comum e o cardinal, o que o torna um dos menores tetras comercializados para aquário.

4

Descrito nos anos 60

A espécie foi descrita cientificamente em 1963 por Jacques Géry e por muito tempo foi confundida com o neon comum no comércio internacional.

Fontes

  1. FishBase - Paracheirodon simulans
  2. Seriously Fish - Paracheirodon simulans
  3. IUCN Red List

Prós e contras: Neon-verde

Prós

  • Brilho azul-esverdeado único que cobre quase todo o corpo
  • Comportamento pacífico e cardume muito sincronizado
  • Tamanho minúsculo ideal para aquários plantados médios
  • Ótimo para biótopo amazônico de água preta
  • Longevidade boa quando a água é estável

Contras

  • Sensível a amônia e oscilações de pH
  • Exige cardume grande, não vive bem sozinho
  • Reprodução difícil e ovos fotossensíveis
  • Menos disponível e mais caro que neon comum
  • Perde cor em água clara, dura ou com luz forte
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o neon-verde é o Paracheirodon mais bonito para biótopos de água preta, mas exige aquarista que mede pH e mantém rotina. Para quem topa esse cuidado, nenhum outro tetra de 2 cm entrega um cardume tão coeso e luminoso.

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Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

Sou uma entusiasta do universo dos peixes e da vida aquática. Dedico-me a pesquisar e partilhar informações sobre espécies de peixes, alimentação, comportamento, habitat e cuidados, ajudando os…

Última revisão em 16.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.