🍓 Frutas

Figo-da-índia

Opuntia ficus-indica

Atualizado em

7 a 9 cmTamanho
Verde, laranja e roxaCor
Doce suave e aquosoSabor
Dez. a abr.Safra
~41 kcal/100 gCalorias
Figo-da-índia inteiro e cortado ao meio mostrando polpa roxa com sementes

O figo-da-índia é a fruta da palma-forrageira, o cacto do gênero Opuntia, sobretudo da espécie Opuntia ficus-indica. Apesar do nome, não tem relação com o figo comum e nem vem da Índia: é nativo do México e se espalhou pelo Mediterrâneo, África e Nordeste do Brasil.

Por fora tem casca grossa coberta por espinhos minúsculos chamados gloquídios; por dentro, polpa suculenta, translúcida e repleta de sementes comestíveis. O sabor é doce, suave e levemente melado, que lembra melancia com pepino e um toque de kiwi, e a cor varia do verde-amarelado ao vermelho-arroxeado intenso.

Também conhecido como: Figo-da-índia, Figo-de-palma, Palma-de-fruto, Tuna, Prickly pear, Higo chumbo, Fico d'India

Faz parte de: Frutas Exóticas, Frutas tropicais

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Galeria de fotos de Figo-da-índia

Figo-da-índia inteiro e cortado ao meio mostrando polpa roxa com sementes
Figo-da-índia cortado exibindo polpa suculenta e sementes pretas.
Close-up da casca do figo-da-índia com gloquídios visíveis
Detalhe da casca com gloquídios, os espinhos finos que exigem luvas.
Palma Opuntia com figos-da-índia maduros pendentes nos cladódios
Palma-forrageira carregada de figos-da-índia em cultivo de clima seco.
Variedades de figo-da-índia amarelo e roxo lado a lado
Variedades amarela e roxa: cores e sabores diferentes.
Suco de figo-da-índia roxo em copo com gelo
Suco coado de figo-da-índia roxo, forma mais popular de consumo.
Cesta de figo-da-índia colhido em feira
Colheita na safra, quando o fruto fica mais doce e acessível.
Ideal para

Ideal para quem busca uma fruta leve, hidratante e diferente para variar o cardápio, especialmente quem gosta de sabores doces e suaves e quer opções com poucas calorias para sucos e sobremesas. Também agrada quem se interessa por ingredientes exóticos e culinária mexicana ou mediterrânea. Funciona bem para quem mora em região quente e seca e quer uma fruta que combina com consumo gelado e preparos coloridos, como geleias e drinks. Por ser versátil e visualmente atraente na cor roxa, é ótima para quem gosta de apresentar pratos bonitos sem complicação.

Pode não ser ideal para

Pode não ser ideal para quem tem pouca paciência para preparo ou tem crianças pequenas manuseando a fruta sozinhas, já que os gloquídios exigem cuidado e luvas para limpar. Quem tem intestino muito sensível a sementes ou histórico de constipação severa deve moderar a quantidade e preferir o suco coado. Também não é a melhor escolha para quem espera encontrar com facilidade o ano todo no supermercado comum ou busca fruta muito ácida e perfumada como manga ou maracujá. O sabor delicado decepciona quem prefere frutas de impacto aromático forte.

Perfil rápido de Figo-da-índia

Calendário

Safra no BrasilJFMAMJJASOND

Valor nutricional (100 g)

Calorias
41 kcal
Água
84 g
Carboidratos
9,6 g
Fibras
3,6 g
Proteínas
0,7 g
Gorduras totais
0,5 g
Vitamina C
14 mg
Potássio
220 mg
Magnésio
85 mg
Cálcio
56 mg

Encontrado em 6 países

  • México
  • Itália
  • Marrocos
  • África do Sul
  • Estados Unidos
  • Brasil

Classificação científica

Reino
Plantae
Filo
Tracheophyta
Classe
Magnoliopsida
Ordem
Caryophyllales
Família
Cactaceae
Gênero
Opuntia
Espécie
Opuntia ficus-indica

Resumo

  • O figo-da-índia é a fruta doce e aquosa da palma Opuntia ficus-indica, com casca espinhosa e polpa cheia de sementes crocantes.
  • No Brasil tem safra principal de dezembro a abril, é mais fácil de achar no Nordeste e em feiras do Sudeste, e precisa ser manuseado com luva por causa dos gloquídios.
  • É consumido in natura, em sucos, geleias e doces, tem cerca de 41 kcal por 100 g e bom teor de fibras, vitamina C e potássio.

Características

Ficha da fruta

Nome científicoOpuntia ficus-indica (L.) Mill.
Família botânicaCactaceae
OrigemMéxico central
Tamanho7 a 9 cm de comprimento, 100 a 200 g por fruto
CoresVerdeamarelolaranjavermelhoroxo
SaborDoce suave, aquoso, com notas de melancia e pepino
Época da safra no BrasilDezembro a abril (pico em janeiro e fevereiro)
Calorias por 100 g~41 kcal
Principais nutrientesFibras, vitamina C, magnésio, potássio e betalaínas
Como consumirIn natura com colher, suco coado, geleia, doce e saladas
Conservação3 a 5 dias na geladeira inteiro; 2 dias cortado
Tipos ou variedadesVerde/branca, amarela/laranja e vermelha/roxa

Perfil e comportamento

DoçuraAlto
AcidezMuito baixo
SuculênciaMuito alto
Facilidade de encontrarBaixo
Versatilidade na cozinhaAlto

O que é o figo-da-índia e como reconhecer

O figo-da-índia não é figo. É o fruto de um cacto do gênero Opuntia, o mesmo da palma-forrageira usada para alimentar gado no sertão. O nome popular veio dos colonizadores espanhóis que o chamaram de higo de las Indias ao encontrarem o fruto nas Américas.

Você reconhece pela forma ovalada e casca grossa, parecida com um abacate pequeno sem caroço. A superfície tem areolas com tufos de gloquídios, aqueles espinhos finíssimos e quase invisíveis que grudam na pele e causam coceira. Mesmo frutos vendidos como “sem espinho” ainda trazem resíduos.

Por dentro, a polpa é gelatinosa e cheia de sementes pretas pequenas e duras, de 200 a 300 por fruto. A cor da polpa denuncia a variedade: pode ser verde-pálida, amarela, laranja, vermelha ou roxa intensa. Todas são comestíveis.

Qual o gosto de verdade e por que ele divide opiniões

O sabor é doce, aquoso e delicado, nada ácido. Muita gente descreve como mistura de melancia, pera e pepino, com final levemente terroso. A textura lembra kiwi, mas mais macia.

A doçura varia com a cor. Frutos amarelos e laranjas tendem a ser mais suaves, com cerca de 12 a 15 °Brix. Os vermelhos e roxos são mais intensos e aromáticos, por causa das betalaínas, pigmentos também presentes na beterraba.

As sementes são o ponto que divide. Elas são comestíveis, mas duras. Alguns comem tudo, outros coam o suco. Engolir sem mastigar muito é a forma mais confortável e evita sensação arenosa.

Tipos e variedades que você encontra

Não existe uma única “figo-da-índia”. São seleções de Opuntia ficus-indica e espécies próximas. No comércio, a diferença aparece pela cor.

  • Verde ou branca: casca verde-amarelada, polpa esverdeada a amarela clara. Sabor mais leve e aquoso. É a mais comum no México.
  • Amarela e laranja: casca dourada, polpa amarelo-ouro. Muito doce e perfumada, ótima para suco.
  • Vermelha e roxa: casca avermelhada a vinho, polpa magenta intensa. Mais pigmentada, mancha as mãos e a boca, preferida para geleias e drinks.

No Nordeste do Brasil, a variedade mais plantada é a palma gigante de fruto amarelo-laranja. No Sul e Sudeste, aparecem frutos roxos de Opuntia stricta, menores e mais ácidos, vendidos como figo-da-índia selvagem.

Onde vive, safra e onde achar no Brasil

A planta-mãe é um cacto de clima árido e semiárido. Cresce bem com pouca água, sol pleno e solo pedregoso ou arenoso. Por isso se adaptou tão bem ao Sertão, ao Mediterrâneo e ao norte da África.

No Brasil, a safra principal vai de dezembro a abril, com pico em janeiro e fevereiro. Fora desse período, o fruto some da maioria das feiras ou vem importado e caro. O cultivo comercial ainda é pequeno e concentrado em Pernambuco, Bahia, Ceará e Rio Grande do Norte.

Para achar, procure feiras livres, CEASAs e mercados de produtos nordestinos ou naturais no Sudeste. Em São Paulo e Rio, aparece mais entre janeiro e março. Supermercado comum raramente tem.

Como escolher, limpar e conservar sem se espetar

Na banca, escolha frutos firmes, mas que cedem levemente ao toque, como um abacate quase maduro. Casca muito mole indica fermentação; muito dura e verde indica falta de doçura. Manchas escuras grandes e cheiro alcoólico são sinal para deixar de lado.

Para limpar, nunca pegue com a mão nua. Use luva grossa, pegador ou forre a mão com várias folhas de papel.

  • Lave em água corrente e esfregue com escova ou bucha para soltar gloquídios.
  • Corte as duas pontas, faça um corte longitudinal só na casca e puxe a casca como se descascasse uma banana.
  • Se quiser garantir, passe o fruto rapidamente na chama do fogão ou queime os espinhos com maçarico culinário antes de descascar.

Conservação: inteiro e com casca, dura 3 a 5 dias na geladeira dentro de pote fechado com papel-toalha. Descascado e cortado, consuma em até 2 dias. Congela bem em cubos para suco por até 3 meses, mas perde a textura firme.

Valor nutricional: o que tem em 100 g

É uma fruta leve e hidratante, com cerca de 84% de água. Não é bomba de proteína nem de gordura, mas entrega fibras e minerais interessantes para quem busca saciedade com poucas calorias.

Em média, 100 g de polpa com sementes têm ~41 kcal, 9,5 g de carboidratos e 3,6 g de fibras. O destaque são vitamina C, magnésio, potássio e cálcio, além de betalaínas e flavonoides nas variedades roxas, que dão a cor intensa.

As sementes concentram fibras insolúveis e um pouco de óleo rico em ácido linoleico. Por isso o fruto tem efeito levemente laxativo quando consumido em quantidade.

Variedade Cor da polpa Perfil sensorial Uso que mais combina
Verde/branca Verde-pálida a amarela Mais aquosa e suave Consumo in natura e salada de frutas
Amarela/laranja Dourada Doce e perfumada Suco coado e picolé
Vermelha/roxa Magenta intensa Doce com nota terrosa Geleia, calda, drink e corante natural

Benefícios e quem deve moderar

Por ser rica em água e fibras, ajuda na saciedade e no funcionamento intestinal. O potássio e o magnésio colaboram para hidratação, e a vitamina C apoia a imunidade. Nada disso é cura, mas compõe uma alimentação variada.

As betalaínas das polpas roxas têm ação antioxidante estudada em laboratório, semelhante à da beterraba. Na prática, o maior benefício é ser uma fruta de baixa densidade calórica que pode substituir sobremesas mais pesadas.

Moderação é necessária para quem tem intestino sensível ou tendência a constipação por sementes. Comer muitos frutos com sementes sem beber água pode formar bolo fecal em pessoas predispostas. Quem tem diabetes deve observar a porção, pois apesar de leve, tem açúcar natural. Em caso de condição de saúde, converse com nutricionista.

Como consumir: do simples ao criativo

O jeito mais direto é gelado, cortado ao meio e comido de colher, como mamão. Sirva bem frio, que o sabor fica mais redondo. Coar as sementes rende um suco rosado e doce que não precisa de muito açúcar.

  • Suco e água aromatizada: bata a polpa com água, coe em peneira fina e finalize com limão e hortelã.
  • Geleia: a pectina natural da fruta ajuda a dar ponto rápido; a versão roxa não precisa de corante.
  • Salgado: cubos crus vão bem com queijo coalho, rúcula e castanha, ou grelhados rapidamente para acompanhar carnes.
  • Doce e drink: calda para iogurte, sorbet e caipirinha de figo-da-índia são usos clássicos no México e na Sicília.

Evite bater com casca e não cozinhe por muito tempo, que amarga. Se for usar as sementes, triture bem ou coe.

Curiosidades, história e erros comuns

O figo-da-índia foi levado para a Europa em 1493 por Colombo e virou símbolo da Sicília, onde existe até festival dedicado a ele em San Cono. No México, a palma com frutos aparece no brasão nacional: a águia sobre o cacto devorando uma serpente.

Um erro comum é achar que é fruta de cacto sem utilidade. Na verdade, a planta inteira é usada: os cladódios jovens (nopales) são hortaliça no México, e o fruto serve de forragem, corante e base para cosméticos.

Outro engano é tentar tirar os espinhos só lavando. Os gloquídios não saem com água sozinha e precisam de atrito, fogo ou descascar com luva. E não confunda com o figo comum (Ficus carica): são famílias botânicas diferentes e sabores totalmente distintos.

Perguntas frequentes

Figo-da-índia tem espinho? Como limpar?

Sim, tem gloquídios, espinhos finíssimos que grudam na pele. Use luva grossa, lave esfregando com escova, corte as pontas e puxe a casca. Passar rapidamente na chama ajuda a queimar os espinhos.

Pode comer a semente do figo-da-índia?

Pode, são comestíveis. São duras e ricas em fibra, então muita gente prefere engolir sem mastigar muito ou coar o suco em peneira fina.

Qual o gosto do figo-da-índia?

Doce, suave e bem aquoso, lembra melancia com pepino e um toque de kiwi. As variedades roxas são mais intensas e aromáticas que as verdes e amarelas.

Quando é a safra no Brasil?

De dezembro a abril, com pico em janeiro e fevereiro. É mais fácil achar no Nordeste e em feiras e CEASAs do Sudeste nesse período.

Figo-da-índia prende ou solta o intestino?

Em porção moderada, as fibras ajudam o intestino. Em excesso e com pouca água, as sementes podem ressecar as fezes em pessoas sensíveis. Beba água e modere a quantidade.

Precisa descascar para comer?

Sim. A casca grossa e com espinhos não se come. Corte as extremidades, abra a casca no sentido do comprimento e retire a polpa.

Figo-da-índia é o mesmo que figo comum?

Não. O figo comum é Ficus carica, de árvore. O figo-da-índia é fruto de cacto do gênero Opuntia, com sabor, textura e planta totalmente diferentes.

Você sabia?

1

O nome engana

Chama-se figo-da-índia mas não é figo e não vem da Índia. É fruto de cacto mexicano e o nome veio de um erro dos colonizadores que acharam ter chegado às Índias.

2

Cada fruto tem centenas de sementes

Um único figo-da-índia carrega de 200 a 300 sementes pretas e duras. Elas são comestíveis e ricas em fibra, mas a maioria das pessoas prefere coar o suco para não mastigar.

3

Virou corante natural

A polpa roxa é rica em betalaínas, o mesmo pigmento da beterraba, e é usada na Sicília e no México como corante natural para massas, iogurtes e bebidas.

4

Planta do brasão do México

A Opuntia com frutos aparece no brasão nacional mexicano. A lenda asteca diz que a águia sobre o cacto indicou onde fundar Tenochtitlán, hoje Cidade do México.

Fontes

  1. TACO - Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (Unicamp)
  2. USDA FoodData Central
  3. Embrapa Semiárido

Prós e contras: Figo-da-índia

Prós

  • Poucas calorias e muito suculenta, ótima para hidratação
  • Rica em fibras, vitamina C, potássio e magnésio
  • Polpa roxa funciona como corante natural sem aditivos
  • Versátil: vai de consumo in natura a suco, geleia e drink
  • Planta rústica adaptada ao semiárido, com boa sustentabilidade

Contras

  • Difícil de achar fora da safra e fora do Nordeste
  • Gloquídios exigem cuidado e luvas para manusear
  • Sementes duras incomodam quem prefere polpa lisa
  • Sabor suave decepciona quem busca fruta muito ácida
  • Estraga rápido depois de descascado
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o figo-da-índia é uma das frutas mais subestimadas do Brasil: leve, bonita e versátil, mas sofre pela falta de cadeia comercial e pelo medo dos espinhos. Vale a pena quando aparece na safra, sobretudo a polpa roxa coada para suco e geleia, onde ele realmente brilha.

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Cacilda Massema
Escrito porCacilda MassemaEngenheira Agrônoma

Com experiência no universo das plantas, dedica-se à pesquisa e produção de conteúdos sobre cultivo, identificação de espécies, plantas ornamentais, flores, árvores e frutíferas. Partilha conhecimentos práticos sobre…

Feliciano Murene
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Feliciano Murene é professor e criador de conteúdo. Formado em Biologia, possui cerca de 5 anos de experiência em sala de aula e atua na produção de conteúdos…

Última revisão em 16.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.