🐟 Peixes

Marlim-azul

Makaira nigricans

Atualizado em

Até 5 m e 900 kgTamanho
Salgada pelágicaTipo de água
18 a 27 anosExpectativa de vida
Solitário e predadorTemperamento
Não criado em aquárioDificuldade
Marlim-azul adulto nadando de perfil em oceano azul profundo

O marlim-azul é um dos maiores peixes ósseos do oceano e o mais emblemático da pesca oceânica. Reconhecido pelo bico longo em forma de lança, corpo azul-metálico e nadadeira dorsal alta, ele domina águas tropicais e subtropicais do Atlântico.

Não é peixe de aquário nem de criação: vive em mar aberto, migra milhares de quilômetros e depende de presas rápidas como atuns e lulas. As fêmeas crescem muito mais que os machos e podem ultrapassar 600 kg, enquanto os machos raramente passam de 150 kg.

Também conhecido como: Marlim-azul-do-Atlântico, Blue marlin (inglês), Aguja azul (espanhol), Makaire bleu (francês), Makaira nigricans

Faz parte de: Peixes Carnívoros, Peixes de Água Salgada

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Galeria de fotos de Marlim-azul

Marlim-azul adulto nadando de perfil em oceano azul profundo
Marlim-azul adulto em mar aberto, com coloração azul-cobalto característica.
Close-up da cabeça e bico do marlim-azul
Detalhe do bico cônico e do olho grande adaptado para caça.
Marlim-azul caçando cardume de atuns com golpe de bico
Técnica de caça com golpes laterais do bico para atordoar presas.
Marlim-azul saltando fora d'água
Salto acrobático típico quando fisgado ou caçando na superfície.
Larva de marlim-azul com cabeça espinhosa
Larva pelágica de poucos milímetros com espinhos na cabeça.
Comparação entre marlim-azul, marlim-negro e espadarte
Diferenças de bico e nadadeiras entre marlim-azul, marlim-negro e espadarte.

Perfil rápido de Marlim-azul

Estado de conservação

VU
Vulnerável

População em declínio devido à captura incidental e pressão da pesca pelágica.

População
Em declínio
Protegido por
Sim, pesca comercial proibida e pesca esportiva apenas com pesque e solte no Brasil (ICCAT)

Vida útil

Na natureza
18 a 27 anos; fêmeas vivem mais e crescem mais rápido que machos
Em cativeiro
Não sobrevive em cativeiro; espécie exclusivamente oceânica e migratória

Reprodução

Tipo de reprodução
Ovípara com fecundação externa em mar aberto
Época de desova
Águas acima de 26 °C; pico no verão do Atlântico Sul (dezembro a março)
Fecundidade
Até 7 milhões de ovos por temporada, liberados em lotes
Maturidade sexual
2 a 4 anos (machos ~35 kg, fêmeas ~50 kg)
Desenvolvimento
Ovos pelágicos eclodem em 2 a 3 dias; larvas planctônicas de crescimento muito rápido

Habitat

Ambientes

  • Oceano pelágico tropical e subtropical
  • Zona epipelágica de 0 a 200 m, com mergulhos até 500 m
  • Frentes oceânicas e correntes quentes de mar azul

Biomas

  • Oceano Atlântico
  • Marinho pelágico

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Peixes pelágicos (atuns juvenis, bonito, cavala, dourado, peixe-voador)
  • Lulas oceânicas

Outros alimentos

  • Carapaus
  • Outros peixes de meia-água

Encontrado em 10 países

  • Brasil
  • Estados Unidos
  • México
  • Portugal
  • Espanha
  • Senegal
  • África do Sul
  • Cabo Verde
  • Bahamas
  • Bermudas

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Actinopterygii
Ordem
Istiophoriformes
Família
Istiophoridae
Gênero
Makaira
Espécie
Makaira nigricans

Resumo

  • O marlim-azul é um predador pelágico do Atlântico que pode ultrapassar 4,5 metros e 600 kg, com fêmeas bem maiores que machos.
  • Vive em oceano aberto, caça atuns e lulas usando o bico para atordoar presas e atinge picos de 80 a 100 km/h.
  • É classificado como Vulnerável pela IUCN devido à pesca incidental e à pesca esportiva, com captura e soltura obrigatória no Brasil.

Características

Ficha da espécie

Nome científicoMakaira nigricans (Lacepède, 1802)
FamíliaIstiophoridae
OrigemOceano Atlântico tropical e subtropical
Tipo de águaSalgada pelágica oceânica
TamanhoFêmeas até 4,5-5 m e 600-900 kg; machos até 2,8 m e 80-160 kg
Expectativa de vida18 a 27 anos na natureza
Coresazul-cobaltoazul-metálicoprateadobranco
AlimentaçãoCarnívora piscívora e teutófaga
ReproduçãoOvípara pelágica, desova em mar aberto
VariedadesNão possui variedades ornamentais; espécie única no Atlântico (Makaira mazara no Indo-Pacífico)

Perfil e comportamento

Facilidade de criaçãoMuito baixo
AgressividadeMuito alto
SociabilidadeMuito baixo
Nível de atividadeMuito alto
Exigência com a qualidade da águaAlto
Adequação a aquários pequenosMuito baixo

Como identificar o marlim-azul de verdade

O marlim-azul é inconfundível quando visto de perto, mas é confundido com marlim-negro e espadarte. O corpo é alongado, robusto e comprimido lateralmente, com dorso azul-cobalto intenso e ventre prateado-branco.

O bico longo e arredondado em forma de lança é a marca do grupo. Diferente do espadarte, que tem bico achatado como espada, o do marlim-azul é cônico e áspero.

A primeira nadadeira dorsal é alta, pontiaguda e retrátil, com 38 a 42 raios. Ela pode ser recolhida em um sulco no dorso para reduzir arrasto em alta velocidade. Quando estendida, lembra uma vela, mas bem menor que a do peixe-vela.

Outro detalhe diagnóstico são as listras verticais azul-claras e as manchas nas nadadeiras, que ficam mais visíveis quando o peixe está excitado ou caçando. As nadadeiras peitorais são longas e podem ser dobradas junto ao corpo, e as pélvicas são estreitas e rígidas.

Qual o tamanho e peso do marlim-azul?

É um gigante. As fêmeas são muito maiores que os machos, um dos dimorfismos sexuais mais extremos entre peixes pelágicos. Elas podem atingir 4,5 a 5 metros de comprimento total e 600 a 900 kg.

Os machos raramente passam de 2,5 a 2,8 metros e 80 a 160 kg. Por isso, todo marlim-azul acima de 200 kg capturado na pesca esportiva é quase certamente uma fêmea.

O recorde mundial homologado pela IGFA para Makaira nigricans supera 600 kg no Atlântico. No Brasil, exemplares acima de 400 kg já foram registrados em torneios no Rio de Janeiro e em Fernando de Noronha.

O crescimento é rápido nos primeiros 4 anos. Depois desacelera, mas as fêmeas continuam ganhando massa por mais tempo, vivendo até 27 anos, enquanto machos vivem em média 18 anos.

Onde vive o marlim-azul no Brasil e no mundo?

O marlim-azul é pelágico oceânico, ou seja, vive em mar aberto, longe da costa, na coluna d’água superior. Prefere águas azuis e quentes entre 22 °C e 31 °C, com salinidade alta e boa visibilidade.

No Atlântico, ocorre dos 45°N aos 35°S, de Massachusetts e Açores até o sul do Brasil e África do Sul. É altamente migratório e segue massas de água quente e concentrações de presas.

No Brasil, é mais comum ao longo da cadeia Vitória-Trindade, Fernando de Noronha, Atol das Rocas, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina. A temporada de maior ocorrência vai de novembro a março, quando a água está mais quente e há mais cardumes de atum e dourado.

Ele raramente entra em águas costeiras rasas. Fica entre a superfície e 200 metros de profundidade, mas faz mergulhos curtos a mais de 500 metros para caçar lulas.

O que o marlim-azul come e como ele caça?

É um predador de topo e oportunista. A base da dieta são atuns pequenos, bonito, cavala, dourado, peixes-voadores e lulas oceânicas. Ocasionalmente consome carapaus e outros pelágicos.

A caça é visual e de alta velocidade. Ele localiza o cardume, acelera e usa o bico para fatiar e atordoar as presas, não para perfurar. Estudos com câmeras acopladas mostram golpes laterais rápidos que desorientam o cardume antes da captura.

Depois do golpe, ele volta e engole a presa inteira, com a cabeça primeiro. O bico tem microdentículos que ajudam a segurar peixes escorregadios.

Um adulto grande pode consumir 2% a 5% do peso corporal por dia em períodos de alimentação intensa. Isso significa mais de 10 kg de peixe por dia para uma fêmea de 300 kg.

Comportamento, velocidade e salto fora d’água

O marlim-azul é solitário. Não forma cardumes, exceto agregações temporárias em áreas ricas em alimento ou na época reprodutiva. É extremamente ativo e nada sem parar.

É um dos peixes mais rápidos do oceano. Estimativas com marcação por satélite e vídeo indicam picos de 80 a 100 km/h em arrancadas curtas. A forma hidrodinâmica, o pedúnculo caudal com quilhas e a nadadeira dorsal retrátil reduzem o arrasto.

Famoso pelos saltos acrobáticos quando fisgado, ele pode saltar vários metros fora d’água e dar cabeçadas violentas para se livrar do anzol. Esse comportamento também ocorre durante a caça para encurralar presas na superfície.

Possui visão excelente e sistema de termorregulação parcial que mantém olhos e cérebro mais quentes que a água, melhorando a acuidade visual em profundidade. Essa adaptação é crucial para caçar em águas profundas e com pouca luz.

Como ele se orienta em migrações longas?

Marcações eletrônicas mostram deslocamentos de 3.000 a 9.000 km em poucos meses, entre o Caribe, Golfo do México, costa nordeste dos EUA e o Atlântico Sul. Ele segue frentes oceânicas, correntes quentes como a do Golfo e a Corrente do Brasil, e a disponibilidade de presas.

Reprodução e ciclo de vida em oceano aberto

A reprodução ocorre em águas quentes acima de 26 °C, principalmente entre julho e outubro no Atlântico Norte e de dezembro a março no Atlântico Sul. No Brasil, o pico é no verão.

São ovíparos com fecundação externa. A fêmea libera milhões de ovos pelágicos transparentes de cerca de 1 mm, e o macho libera esperma na água. Uma fêmea grande pode liberar mais de 7 milhões de ovos em uma única desova, em vários eventos ao longo da estação.

Os ovos flutuam e eclodem em 2 a 3 dias. As larvas de 3 a 5 mm já apresentam focinho alongado e espinhos na cabeça, bem diferentes do adulto. Crescem muito rápido e em poucas semanas já medem alguns centímetros.

A maturidade sexual chega com 2 a 4 anos, quando machos têm cerca de 35 kg e fêmeas cerca de 50 kg. A mortalidade larval é altíssima, mas quem sobrevive cresce depressa e tem poucos predadores naturais além de tubarões pelágicos e outros marlins.

Pesca esportiva, importância econômica e regras no Brasil

O marlim-azul é o troféu máximo da pesca oceânica esportiva. No Brasil, a pesca é regulamentada pela IN Interministerial MPA/MMA nº 12/2012 e normas posteriores: a captura é permitida apenas na modalidade pesque e solte (catch and release) para embarcações de pesca amadora e esportiva.

A pesca comercial direcionada é proibida, mas a captura incidental por espinhel pelágico de atuns e espadartes ainda é a principal causa de mortalidade. Por isso, o uso de anzóis circulares e medidas de mitigação é exigido em parte da frota.

Torneios importantes ocorrem em Cabo Frio e Búzios (RJ), Vitória (ES) e Fernando de Noronha (PE), movimentando turismo náutico. A regra é fotografar, medir e soltar o peixe com o mínimo de manuseio.

Para o pescador, a briga com um exemplar de 200 kg pode durar 1 a 4 horas e exigir equipamento de classe 80 a 130 libras. A taxa de sobrevivência após soltura bem feita supera 80% segundo estudos com marcação.

Estado de conservação e principais ameaças

O marlim-azul do Atlântico é classificado como Vulnerável (VU) pela IUCN, com tendência de população em declínio. A avaliação considera a redução do estoque reprodutor nas últimas três gerações devido à pesca.

As principais ameaças são captura incidental no espinhel pelágico, mortalidade pós-soltura mal executada, poluição plástica e mudanças na temperatura do oceano que deslocam presas e áreas de desova.

A gestão internacional é feita pela ICCAT (Comissão Internacional para Conservação dos Atuns do Atlântico), que estabelece cotas e recomendações. O Brasil, como membro, deve reportar capturas e incentivar a soltura.

Consumir carne de marlim-azul é desaconselhado não só por conservação, mas por acúmulo de mercúrio, comum em predadores de topo de vida longa.

Diferença entre marlim-azul, marlim-negro e espadarte

Muita gente confunde, mas são famílias diferentes. O marlim-azul (Makaira nigricans) tem dorso azul vivo, bico arredondado e nadadeira dorsal alta e pontiaguda. Vive no Atlântico.

O marlim-negro (Makaira indica) ocorre apenas no Indo-Pacífico, tem corpo mais robusto, coloração azul-escura quase preta e nadadeiras peitorais rígidas que não dobram junto ao corpo. É ainda maior, podendo passar de 700 kg.

O espadarte (Xiphias gladius) não é marlim: pertence à família Xiphiidae. Tem bico achatado como espada, sem escamas na fase adulta e sem nadadeiras pélvicas. O olho é muito maior e a dorsal é diferente.

Característica Marlim-azul Marlim-negro Espadarte
Bico Arredondado e cônico Arredondado e mais curto Achatado em forma de espada
Cor Azul-cobalto com listras Azul-escuro a preto Marrom-escuro a preto
Peitorais Dobráveis Rígidas Rígidas e longas
Distribuição Atlântico Indo-Pacífico Todos os oceanos

Perguntas frequentes

Marlim-azul é perigoso para humanos?

Não ataca pessoas. O risco existe apenas durante a pesca, quando saltos e o bico podem causar acidentes se o peixe for manuseado sem técnica.

Qual a velocidade máxima do marlim-azul?

Em arrancadas curtas atinge 80 a 100 km/h, uma das maiores velocidades entre peixes ósseos, mas não mantém esse ritmo por longas distâncias.

Marlim-azul pode ser criado em aquário?

Não. É um pelágico oceânico que precisa de milhares de quilômetros para nadar, migra entre hemisférios e não sobrevive em cativeiro.

Qual a diferença entre marlim-azul e marlim-negro?

O azul vive no Atlântico e tem peitorais dobráveis; o negro vive no Indo-Pacífico, é mais robusto e tem peitorais rígidas que não dobram.

Pode pescar marlim-azul no Brasil?

Apenas na pesca amadora/esportiva com pesque e solte obrigatório, com licença e seguindo regras da Marinha e do MPA/MMA. A pesca comercial é proibida.

Quanto tempo vive um marlim-azul?

Fêmeas vivem até 27 anos e machos até 18 anos na natureza, com crescimento muito rápido nos primeiros anos de vida.

O que o marlim-azul come?

Principalmente atuns pequenos, bonito, dourado, peixes-voadores e lulas, que ele atordoa com golpes laterais do bico antes de engolir.

Fatos surpreendentes sobre o marlim-azul

1

Muda de cor na hora da caça

Quando ataca um cardume, o marlim-azul acende listras verticais azul-elétrico e o dorso fica quase fluorescente. É um sinal de excitação e ajuda a confundir as presas.

2

Fêmeas gigantes, machos pequenos

A diferença de tamanho é tão grande que por décadas pescadores acharam que eram espécies diferentes. Uma fêmea de 400 kg pode ter o quadruplo do peso de um macho adulto.

3

Bico não é arpão

Ao contrário do mito, ele não perfura a presa como lança. O golpe é lateral, como um taco, para atordoar e ferir peixes antes de engoli-los inteiros.

4

Larva com capacete espinhoso

As larvas recém-eclodidas têm cabeça coberta de espinhos e focinho já alongado. Em poucas semanas passam de 4 mm para mais de 10 cm se houver alimento.

Fontes

  1. IUCN Red List - Makaira nigricans
  2. FishBase - Makaira nigricans
  3. NOAA Fisheries - Atlantic Blue Marlin
  4. ICCAT - Comissão Internacional para Conservação dos Atuns do Atlântico

Prós e contras: Marlim-azul

Prós

  • Predador de topo essencial para equilibrar cadeias pelágicas
  • Espécie bandeira da pesca esportiva sustentável com pesque e solte
  • Crescimento rápido e fecundidade alta quando o estoque está protegido
  • Grande valor para turismo náutico e pesquisa oceânica

Contras

  • Vulnerável à extinção por captura incidental em espinhel
  • Não se adapta a cativeiro ou aquários
  • Carne com alto teor de mercúrio imprópria para consumo frequente
  • Migrações longas dificultam fiscalização e proteção efetiva
Nossa opinião

O marlim-azul é o ápice da pesca oceânica justamente porque não deveria ser pescado para consumo. Na nossa avaliação, seu valor está vivo: como predador que equilibra o oceano e como motor do turismo de pesque e solte bem feito. Protegê-lo é mais inteligente que exibi-lo morto na balança.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 17.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.