Resumo
- Tamareira-das-canárias é a palmeira Phoenix canariensis, de 10 a 20 m, com tronco único robusto e copa densa de folhas pinadas com espinhos na base.
- É dioica, de crescimento lento a moderado e longevidade de 200 a 300 anos, ideal para paisagismo amplo em sol pleno e solo bem drenado.
- Exige espaço, não tolera poda drástica e pode sofrer com o bicudo-vermelho e outras brocas se não houver manejo preventivo.
Características
Ficha da árvore
| Nome popular | Tamareira-das-canárias |
|---|---|
| Nome científico | Phoenix canariensis H. Wildpret |
| Família botânica | Arecaceae |
| Origem | Ilhas Canárias (Espanha) |
| Tamanho | 10 a 20 m de altura; tronco 70 a 90 cm de diâmetro |
| Copa | Arredondada e densa, 6 a 10 m de diâmetro |
| Folhagem | Perene |
| Crescimento | Lento a moderado |
| Luminosidade | Sol pleno |
| Rega | Moderada; tolera seca após estabelecida |
| Solo | Profundo, fértil e bem drenado; tolera areia e leve salinidade |
| Usos | Ornamental, paisagismo urbano, alinhamento e ponto focal |
| Longevidade | 200 a 300 anos |
Perfil e comportamento
| Velocidade de crescimento | Baixo |
|---|---|
| Sombra | Médio |
| Resistência à seca | Alto |
| Agressividade das raízes | Baixo |
| Facilidade de cultivo | Alto |
| Atrai fauna | Médio |
Como reconhecer a tamareira-das-canárias em poucos segundos
A resposta direta: é a palmeira de tronco único, grosso e com padrão diamantado deixado pelas bases das folhas cortadas, copa em forma de abacaxi quando jovem e folhas longas e arqueadas no topo.
Cada folha mede 4 a 6 m de comprimento e carrega de 150 a 200 folíolos rígidos de cada lado da ráquis. Na base da folha, os folíolos se transformam em espinhos fortes de 10 a 20 cm, um detalhe que diferencia e exige cuidado no manejo.
O tronco é ereto, sem ramificações, e engrossa muito com a idade. Já a copa adulta fica arredondada e cheia, com 40 a 60 folhas ativas ao mesmo tempo. Vista de longe, lembra uma fonte verde bem simétrica.
Origem nas Canárias e por que se espalhou tanto
Nativa das Ilhas Canárias, onde cresce em vales, encostas e áreas costeiras com influência oceânica, a espécie foi levada para todo o mundo a partir do século XIX como ornamental. Chegou ao Brasil para arborizar praças, parques e orlas.
Adaptou-se bem ao clima brasileiro porque tolera seca, vento, maresia leve e até geadas fracas de até -6 °C por curtos períodos. Vai bem do litoral ao interior, desde que tenha sol pleno e solo que não encharque.
É diferente da tamareira verdadeira, a Phoenix dactylifera, que produz tâmaras doces e tem tronco mais fino e tendência a perfilhar. A das Canárias raramente emite perfilhos e seu fruto não tem valor comercial.
Tamanho, copa e raízes: o que esperar na prática
Em jardim, atinge 10 a 15 m com facilidade; em condições ideais passa de 18 m. O crescimento inicial é lento: leva 8 a 12 anos para formar tronco visível acima do solo. Depois, acelera um pouco.
A copa ocupa 6 a 10 m de diâmetro e projeta sombra leve a média, filtrada pelos folíolos. Não é a melhor palmeira para sombra densa, mas cria um ponto focal imponente.
As raízes são fasciculadas, típicas de palmeiras, e pouco agressivas para calçadas e tubulações quando comparadas a figueiras ou flamboyants. Ainda assim, precisa de raio livre de 3 a 4 m do tronco para a copa abrir sem conflito com fiação, muros e telhados.
Como plantar corretamente e onde ela realmente funciona
Escolha local com sol pleno o dia todo e solo profundo. Em solo compactado ou com lençol freático alto, faça cova larga de 80 x 80 x 80 cm e melhore a drenagem com areia grossa e matéria orgânica.
O plantio por sementes é o mais comum. As sementes germinam em 30 a 90 dias se mantidas úmidas e aquecidas. Mudas de viveiro com 1 a 1,5 m já têm sistema radicular mais seguro para pegamento.
- Espaçamento: 6 a 8 m entre plantas e 4 m de muros e construções.
- Época: início da estação chuvosa, quando o solo está quente e úmido.
- Primeiro ano: rega 2 a 3 vezes por semana e cobertura morta ao redor, sem encostar no tronco.
Evite plantar em canteiros estreitos, sob fiação baixa ou em calçadas com menos de 3 m de largura. O porte adulto e os espinhos tornam a manutenção difícil nesses locais.
Como cuidar ao longo do ano sem complicar
Depois de estabelecida, a tamareira-das-canárias pede pouca água. Regue apenas em estiagens prolongadas. O excesso de água é mais prejudicial que a seca e favorece podridões no colo.
Adube de 2 a 3 vezes por ano com fórmula equilibrada para palmeiras e composto orgânico. Deficiência de potássio e magnésio causa amarelecimento e necrose nas folhas mais velhas, erro comum em solos arenosos do litoral.
Poda e limpeza
Retire apenas folhas totalmente secas e pendentes. Nunca corte folhas verdes nem faça a poda em formato de abacaxi excessivamente afunilado, isso enfraquece a planta e expõe o palmito a pragas.
Use luvas grossas, óculos e serra de poda. Os espinhos da base causam ferimentos profundos. Desinfete as ferramentas entre uma planta e outra.
Transplante
Palmeiras adultas podem ser transplantadas, mas exigem equipe especializada, amarrio da copa e torrão grande. A taxa de sobrevivência cai muito acima de 4 m de tronco se o manejo for amador.
Floração, frutos e fauna que ela atrai
É espécie dioica: há plantas masculinas e femininas. A floração ocorre na primavera e início do verão, com inflorescências ramificadas e creme-amareladas entre as folhas, muito visitadas por abelhas.
As plantas femininas produzem cachos com centenas de frutos ovoides de 1,5 a 2,5 cm, alaranjados a amarronzados quando maduros, com semente única e pouca polpa. Não são tóxicos, mas não são saborosos como tâmaras e quase não são consumidos por humanos.
Aves como sabiás, sanhaços e periquitos consomem os frutos e ajudam na dispersão. A queda de frutos pode sujar piso e atrair vespas, ponto a considerar perto de piscinas e áreas de estar.
Pragas e doenças que mais derrubam essa palmeira
O maior vilão fora do Brasil é o bicudo-vermelho, Rhynchophorus ferrugineus, já registrado em países vizinhos e monitorado no Brasil. A larva broqueia o topo e pode matar a palmeira em poucos meses sem sintomas externos no início.
Por aqui, merecem atenção a broca-do-olho-do-coqueiro (Rhynchophorus palmarum), lagartas desfolhadoras e ácaros. Folhas com cheiro fermentado, orifícios no palmito e desabamento da flecha central são sinais de alerta.
- Prevenção: não deixe feridas abertas no tronco, evite podas desnecessárias e remova restos de folhas do topo.
- Monitoramento: inspeção semestral da coroa e do palmito, principalmente após podas ou tempestades.
- Manejo: em caso de suspeita de broca, chame engenheiro agrônomo ou florestal; o controle exige inseticida sistêmico e, em casos avançados, remoção da planta.
Doenças fúngicas como Fusarium e Phytophthora aparecem em solos encharcados. Drenagem e adubação equilibrada são a melhor defesa. Evite plantar com o colo enterrado.
Usos no paisagismo e como não confundir com outras Phoenix
No paisagismo, funciona como árvore escultural isolada, em renques ao longo de avenidas largas ou marcando entradas e rotatórias. Combina com gramados amplos, jardins de estilo mediterrâneo e projetos litorâneos.
Não é indicada para vasos por muito tempo nem para jardins pequenos. Em quintais compactos, a palmeira-anã Phoenix roebelenii costuma ser escolha mais proporcional.
| Característica | Tamareira-das-canárias | Tamareira-verdadeira | Tamareira-anã |
|---|---|---|---|
| Nome científico | Phoenix canariensis | Phoenix dactylifera | Phoenix roebelenii |
| Altura | 10 a 20 m | 15 a 30 m | 2 a 4 m |
| Tronco | Único, muito grosso | Único ou perfilhado, mais fino | Fino e elegante |
| Fruto | Pequeno, pouco polposo | Tâmara comercial | Pequeno, ornamental |
| Uso | Grandes áreas | Pomar e ornamental | Vasos e jardins pequenos |
Na nossa avaliação, a tamareira-das-canárias é uma das palmeiras mais nobres para quem tem espaço e quer impacto imediato com pouca manutenção futura. O erro é tratá-la como palmeira pequena: ela precisa ser planejada como árvore grande desde o primeiro dia.
Perguntas frequentes
Tamareira-das-canárias produz tâmara comestível?
Não como a tâmara comercial. Seus frutos são pequenos, com pouca polpa e sabor adstringente, consumidos principalmente por aves.
Qual a altura que ela atinge?
De 10 a 20 m na fase adulta, com copa de 6 a 10 m de diâmetro e tronco de 70 a 90 cm.
Pode plantar na calçada?
Só em calçadas largas, com mais de 3 m e sem fiação baixa. Precisa de 3 a 4 m livres ao redor e oferece risco pelos espinhos.
Demora para crescer?
Sim nos primeiros anos. Leva 8 a 12 anos para formar tronco visível; depois o crescimento vertical acelera para moderado.
Precisa de macho e fêmea para dar frutos?
Sim, é dioica. Apenas plantas femininas frutificam e precisam de uma masculina próxima para polinização por insetos e vento.
É resistente à seca e ao frio?
Muito resistente à seca após estabelecida e tolera geadas leves de curta duração, além de vento e maresia moderada.
Quais pragas mais preocupam?
Broca-do-olho-do-coqueiro e o bicudo-vermelho, que perfuram o palmito, além de fungos em solo encharcado. Prevenção é não ferir o tronco e garantir drenagem.
Você sabia?
Tronco em diamante
O padrão em losango do tronco não é casca, são as cicatrizes das bases foliares cortadas. Cada losango marca onde uma folha viveu.
Mil folíolos por folha
Uma folha adulta pode ter mais de 300 folíolos no total, chegando a 400 em plantas bem nutridas, o que explica o peso e o arqueamento característico.
Fêmea e macho separados
Por ser dioica, só a planta feminina frutifica e só se houver um macho por perto para polinização. Muitas tamareiras urbanas nunca dão frutos por falta do par.
Crescimento enganoso
Nos primeiros 8 a 12 anos ela parece uma moita sem tronco. Quando o estipe começa a alongar, o crescimento vertical acelera e surpreende quem plantou perto de casa.










