🍊 Frutíferas

Araticum-do-brejo

Annona glabra L.

Atualizado em

4 a 12 m de alturaTamanho
sol plenoLuminosidade
alta, solo úmidoRega
3 a 4 anosPrimeiros frutos
médiaDificuldade
Fruto de araticum-do-brejo inteiro e cortado mostrando polpa creme-amarelada e sementes

O araticum-do-brejo (Annona glabra) é uma árvore frutífera nativa de áreas alagadas da América tropical, muito diferente do araticum-do-cerrado. De porte médio, tronco com casca corticosa e copa aberta, ela cresce espontaneamente em brejos, margens de rios e até manguezais de água doce.

O fruto é ovoide, verde-amarelado quando maduro, com polpa creme-amarelada, doce e perfumada, mas com muitas sementes e fama de enjoativa se consumida em excesso. Pouco comercial, é mais valorizada como fruta de quintal, para sucos e doces, e sobretudo como porta-enxerto resistente a encharcamento para graviola e pinha.

É a única anonácea brasileira realmente adaptada a solo encharcado e até levemente salobra, o que explica onde plantá-la e por que não compete com outras frutíferas em terreno seco.

Também conhecido como: Araticum-bravo, Araticum-cortiça, Araticum-da-praia, Anona-do-brejo, Anona-lisa, Alligator apple (inglês), Corkwood (inglês)

Faz parte de: Frutíferas do Brasil, Lista de Frutíferas

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Galeria de fotos de Araticum-do-brejo

Fruto de araticum-do-brejo inteiro e cortado mostrando polpa creme-amarelada e sementes
Fruto de araticum-do-brejo maduro, com polpa creme e muitas sementes.
Árvore de araticum-do-brejo em brejo com frutos pendentes
Árvore de araticum-do-brejo em área alagada, seu habitat natural.
Folhas brilhantes e lanceoladas do araticum-do-brejo
Folhas lisas e brilhantes, marca distintiva da espécie.
Flor creme-amarelada do araticum-do-brejo
Flor de araticum-do-brejo, polinizada por besouros.
Cesto com colheita de frutos de araticum-do-brejo
Colheita de verão do araticum-do-brejo.
Detalhe da casca corticosa e esponjosa do tronco do araticum-do-brejo
Casca corticosa e leve, adaptada ao alagamento.
Ideal para

Ideal para quem tem quintal com solo úmido, beira de açude, lago ou várzea e quer uma frutífera rústica que aproveite área alagadiça. Também é excelente para quem busca porta-enxerto resistente a encharcamento para enxertar graviola e pinha. Funciona bem para projetos de recuperação de mata ciliar e quintais agroflorestais em clima tropical úmido, onde a árvore ainda atrai polinizadores e aves.

Pode não ser ideal para

Não é ideal para quem mora em apartamento, tem apenas vaso ou solo arenoso e seco sem irrigação constante. A necessidade de água é muito alta e a planta não produz bem longe de brejo. Também não é indicada para quem espera fruta grande de mercado ou polpa sem sementes. O fruto é pequeno, com muitas sementes e sabor que nem todos apreciam, além de exigir manejo para colher no ponto certo.

Cultivo rápido

Luminosidade
sol pleno, mínimo 6 horas de sol direto
Rega
alta; manter solo úmido a encharcado, irrigação frequente se não houver brejo
Solo
argiloso, fértil, rico em matéria orgânica; tolera alagamento e salinidade leve
Temperatura ideal
22 °C a 30 °C; sensível a geada forte
Adubação
composto orgânico 2 a 3 vezes ao ano + NPK leve na floração
Poda
formação e limpeza após colheita; sem poda drástica
Propagação
sementes frescas, estaquia e enxertia por garfagem

Perfil rápido de Araticum-do-brejo

Calendário

PlantioJFMAMJJASOND
FloraçãoJFMAMJJASOND
ColheitaJFMAMJJASOND

Encontrado em 6 países

  • Brasil
  • Estados Unidos
  • México
  • Colômbia
  • Venezuela
  • Guiana

Classificação científica

Reino
Plantae
Filo
Magnoliophyta
Classe
Magnoliopsida
Ordem
Magnoliales
Família
Annonaceae
Gênero
Annona
Espécie
Annona glabra L.

Resumo

  • O araticum-do-brejo é a Annona glabra, árvore de 4 a 12 m de brejos e várzeas, com fruto verde-amarelado de polpa doce e muitas sementes.
  • Precisa de sol pleno, solo constantemente úmido e clima tropical úmido, frutificando de dezembro a abril e começando a produzir com 3 a 4 anos.
  • É ideal para quintais úmidos, recuperação de áreas alagadas e como porta-enxerto, mas pouco indicada para vasos e terrenos secos.

Características

Ficha da frutífera

Nome popularAraticum-do-brejo
Nome científicoAnnona glabra L.
Família botânicaAnnonaceae
OrigemAmérica tropical (Flórida ao sul do Brasil)
Tamanho4 a 12 m (até 15 m em várzea)
Tempo até frutificar3 a 4 anos por semente; 2 a 3 anos enxertada
Época de frutificaçãodezembro a abril
Luminosidadesol pleno
Regaalta, solo sempre úmido a encharcado
Soloargiloso, fértil, rico em matéria orgânica, tolera alagamento
Climatropical e subtropical úmido
Propagaçãosementes, estaquia e enxertia (porta-enxerto)
Cultivo em vasopouco recomendado
Espaçamento5 x 5 m a 6 x 6 m

Perfil e comportamento

Necessidade de solMuito alto
Necessidade de águaMuito alto
Facilidade de cultivoMédio
Adequação a vasosBaixo
ProdutividadeMédio
Resistência a pragasAlto

O que é o araticum-do-brejo e como reconhecer

O araticum-do-brejo é a Annona glabra, anonácea de áreas alagadas. Apesar do nome, não é o mesmo araticum do Cerrado (Annona crassiflora) nem a araticum-manso (Annona montana).

Você reconhece pela combinação de três sinais: folhas lustrosas, lanceoladas e sem pelos, com 8 a 15 cm, cheiro suave quando amassadas; casca grossa e corticosa, cheia de cortiça e leve como isopor; e fruto liso, ovoide, de 5 a 10 cm, verde que amarela ao amadurecer, com polpa creme-amarelada.

A flor é discreta, mas diagnóstica: três pétalas externas creme-amareladas e espessas, com base avermelhada por dentro, e três internas menores. Abre no fim da primavera e exala perfume adocicado à tarde, quando besouros fazem a polinização.

Onde vive e por que só dá bem em brejo

Na natureza, ela é árvore de brejo, várzea, beira de lagoa e transição para mangue. Ocorre do sul dos Estados Unidos e Caribe até o Sudeste e Sul do Brasil, sempre onde o solo fica úmido o ano todo.

O segredo é a tolerância ao alagamento. O tronco e as raízes desenvolvem tecidos esponjosos e aerênquima que levam oxigênio mesmo com o solo encharcado. Tolera ainda água levemente salobra, por isso aparece em estuários.

Fora do brejo, ela sobrevive, mas cresce menos e frutifica pouco. Em solo seco e compactado, a planta sente e a produção cai drasticamente. É exatamente o oposto da maioria das frutíferas.

Como plantar araticum-do-brejo passo a passo

Plante no início da estação chuvosa, de setembro a dezembro, para que a muda enraíze com água abundante. Escolha local com sol pleno e solo que retenha umidade.

  • Muda: prefira muda de semente com 40 a 60 cm ou muda enxertada. Sementes perdem viabilidade rápido; semeie em até 15 dias após colher.
  • Cova: 50 x 50 x 50 cm, com 10 a 15 litros de esterco curtido ou composto + 200 g de calcário se o solo for muito ácido. Em área alagadiça, faça cova rasa e monte um camalhão leve para não sufocar o colo.
  • Plantio: mantenha o colo no nível do solo, regue em abundância e cubra com palhada. Se a área seca, irrigue diariamente nos primeiros 90 dias.
  • Espaçamento: 5 x 5 m para quintal e 6 x 6 m para pomar. A copa é aberta e não precisa de muito adensamento.

Propagação por semente é simples, mas gera variação. Para manter padrão de fruto ou usar como porta-enxerto de graviola (Annona muricata) e pinha (Annona squamosa), a enxertia por garfagem é a técnica usada por viveiristas.

Luz, rega e solo ideais

Luz: sol pleno o dia todo. Sombreamento atrasa o crescimento e reduz floração. Apenas mudas muito jovens toleram meia-sombra temporária.

Rega: é o ponto crítico. O solo deve ficar constantemente úmido, nunca seco. Em quintal sem brejo, irrigue 3 a 4 vezes por semana no verão e 1 a 2 vezes no inverno, mantendo cobertura morta. Em vaso, a exigência de água inviabiliza o cultivo a longo prazo.

Solo: argiloso a franco-argiloso, fértil e rico em matéria orgânica, com pH 5,5 a 6,5. Tolera pH mais baixo e encharcamento, mas não tolera solo arenoso que seca rápido. Se o terreno for seco, incorpore composto e plante perto de cisterna, lago ou área de drenagem.

Quando e como frutifica: flor, polinização e colheita

A primeira frutificação ocorre com 3 a 4 anos por semente e 2 a 3 anos se enxertada, em planta bem irrigada. A floração vai de outubro a janeiro e a colheita se concentra de dezembro a abril, com pico em janeiro e fevereiro.

A polinização é feita por besouros cantarídeos, atraídos pelo perfume. Em pomar isolado ou com pouca fauna, a polinização manual aumenta a frutificação: colete pólen de flores em fase masculina à tarde e aplique em flores em fase feminina pela manhã.

Colha quando o fruto estiver verde-amarelado, levemente macio ao toque e aromático. Ele cai facilmente e amassa. Após colhido, amadurece em 2 a 4 dias fora da geladeira. Cada árvore produz de 30 a 80 frutos por safra em cultivo doméstico, menos que graviola, mas suficiente para consumo.

O fruto por dentro: sabor, uso e como consumir

O fruto tem casca fina e lisa, polpa creme a amarelo-clara, macia e muito perfumada, com dezenas de sementes castanho-claras. O sabor é doce, lembrando manga com abacaxi, mas com nota almiscarada que divide opiniões.

Consuma in natura com colher, retirando as sementes, ou em suco, vitamina, doce em pasta e sorvete. Por ter muita semente e polpa que escurece rápido, não é fruta de mercado, e sim de quintal. Coe a polpa se for fazer suco.

Atenção: como em outras anonáceas, sementes e folhas não devem ser ingeridas e o consumo excessivo da polpa não é recomendado. Use apenas a polpa madura e descarte as sementes.

Poda, adubação e cuidados anuais

Poda: faça apenas poda de formação nos dois primeiros anos, deixando 3 a 4 ramos principais, e poda de limpeza anual após a colheita para tirar ramos secos, cruzados e brotações da base. A árvore não precisa de poda drástica.

Adubação: em solo de brejo fértil, a exigência é moderada. No quintal, aplique por planta adulta, dividido em 3 vezes (início das chuvas, floração e pós-colheita): 8 a 12 litros de composto + 100 a 150 g de NPK 10-10-10 ou adubo orgânico equivalente. Em solos pobres, reforce com fósforo na cova.

Mantenha cobertura morta o ano todo para conservar umidade. Em áreas com geada, proteja mudas jovens, pois a espécie é sensível a frio intenso abaixo de 5 °C.

Pragas, doenças e problemas comuns

É mais rústica que graviola e pinha, mas pode ser atacada por broca-do-fruto, broca-do-tronco e cochonilhas. Frutos com furo e serragem indicam broca; retire e destrua frutos afetados.

Em ambiente muito úmido e sombreado, surge antracnose (manchas escuras em folhas e frutos). Melhore ventilação, evite molhar a copa à noite e remova frutos mumificados. A planta tolera encharcamento, mas não tolera encharcamento com água parada e contaminada por esgoto.

Queda de flores costuma ser falta de polinizador ou estresse hídrico. Se o solo secar na floração, a planta aborta grande parte das flores.

Araticum-do-brejo x araticum-do-cerrado: não confunda

A confusão é comum e atrapalha o plantio. Veja as diferenças práticas:

Característica Araticum-do-brejo (Annona glabra) Araticum-do-cerrado (Annona crassiflora)
Habitat brejo, várzea, solo encharcado Cerrado, solo bem drenado e seco
Folha lisa, brilhante, sem pelos grande, coriácea, aveludada
Casca corticosa, leve, boia na água grossa e fissurada, não corticosa
Fruto liso, 5-10 cm, polpa amarelada casca com escamas, até 15 cm, polpa alaranjada
Uso principal quintal úmido e porta-enxerto fruta de Cerrado para doces

Na nossa avaliação, o araticum-do-brejo vale a pena justamente onde outras frutíferas falham: terreno úmido que alaga. Tentar cultivá-lo como se fosse fruta de Cerrado em solo seco é o erro mais frequente e explica a maioria das frustrações.

Perguntas frequentes

Araticum-do-brejo é comestível?

Sim. A polpa madura é comestível e doce, consumida in natura, em sucos e doces. Sementes e folhas não devem ser ingeridas.

Qual a diferença entre araticum-do-brejo e araticum-do-cerrado?

São espécies diferentes. O do brejo é Annona glabra, de várzea e fruto liso pequeno; o do Cerrado é Annona crassiflora, de solo seco, fruto maior e casca escamosa.

Pode plantar araticum-do-brejo em vaso?

Não é recomendado. A árvore precisa de solo constantemente úmido e chega a 4 a 12 m, sofrendo muito em vaso por falta de água e espaço.

Quanto tempo para dar frutos?

De 3 a 4 anos quando plantada por semente e 2 a 3 anos quando enxertada, desde que com sol pleno e irrigação constante.

Precisa de muita água?

Sim. É planta de brejo e precisa de solo sempre úmido a encharcado. Em terreno seco, só com irrigação frequente.

Araticum-do-brejo serve como porta-enxerto?

Sim, é um dos principais porta-enxertos para graviola e pinha em áreas sujeitas a alagamento, por tolerar encharcamento.

Quando é a safra?

No Brasil, a colheita vai de dezembro a abril, com pico no verão, após floração de outubro a janeiro.

Você sabia?

1

Madeira que boia

A casca e a madeira são tão leves e corticosas que já foram usadas como substituto de cortiça para boias, rolhas e até solas, e as sementes boiam e se dispersam pela água por semanas.

2

Porta-enxerto de luxo

Viveiristas usam Annona glabra como porta-enxerto para graviola e pinha porque só ela aguenta solo encharcado sem apodrecer a raiz, salvando pomares em várzea.

3

Invasora fora do Brasil

Na Austrália e no Sri Lanka ela se tornou invasora de áreas alagadas justamente por tolerar salinidade e alagamento, formando bosques densos onde outras árvores não vingam.

4

Perfume que engana besouro

A flor muda de fase feminina para masculina em horas e libera calor e perfume forte ao entardecer para atrair besouros, que ficam presos temporariamente e saem carregados de pólen.

Fontes

  1. Embrapa - Frutíferas Nativas
  2. Flora e Funga do Brasil - Jardim Botânico do Rio de Janeiro
  3. USDA Plants Database - Annona glabra

Prós e contras: Araticum-do-brejo

Prós

  • Tolera solo encharcado e até salinidade leve onde outras frutíferas morrem
  • Rústica e resistente a pragas quando em ambiente úmido e ensolarado
  • Ótimo porta-enxerto para graviola e pinha em várzea
  • Fruto perfumado para sucos, doces e consumo no quintal
  • Útil para recuperação de mata ciliar e áreas alagadas

Contras

  • Exige solo sempre úmido; sofre muito em terreno seco
  • Fruto pequeno com muitas sementes e polpa que escurece rápido
  • Pouco valor comercial e baixa produtividade comparada a outras anonáceas
  • Não se adapta a vasos e sofre com geada forte
  • Sabor enjoativo para algumas pessoas se consumido em excesso
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o araticum-do-brejo é uma frutífera subestimada para quem tem água sobrando e superestimada para quem tem solo seco. Onde outras frutíferas apodrecem, ela produz com rusticidade e ainda serve como base para enxertos, mas não faz sentido forçá-la em vaso ou pomar convencional.

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Última revisão em 17.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.