Resumo
- A eritrina-verde-amarela é a Erythrina variegata, árvore de 10 a 15 m com folhas variegadas verde e amarelo-creme e flores vermelho-alaranjadas no inverno.
- De crescimento rápido e copa ampla, perde as folhas para florescer e atrai beija-flores, abelhas e pássaros, tolerando bem vento e salinidade no litoral.
- É ideal para sombra rala, paisagismo tropical e quebra-vento, mas exige sol pleno, espaço e cuidado com espinhos e sementes tóxicas.
Características
Ficha da árvore
| Nome popular | Eritrina-verde-amarela |
|---|---|
| Nome científico | Erythrina variegata L. |
| Família botânica | Fabaceae (Leguminosae) |
| Origem | Ásia Tropical e Oceania (Índia ao Pacífico) |
| Tamanho | 10 a 15 m de altura, até 20 m em condições ideais |
| Copa | Ampla, arredondada e rala, 8 a 12 m de diâmetro |
| Folhagem | Caducifólia a semidecídua, variegada |
| Cores | verdeamarelo-cremevermelho-alaranjadomarrom |
| Crescimento | Rápido |
| Luminosidade | Sol pleno |
| Rega | Moderada; tolera seca curta após estabelecida |
| Solo | Bem drenado, fértil a pobre; tolera salinidade |
| Usos | Ornamental, sombra rala, cerca-viva, quebra-vento, adubação verde |
| Longevidade | 30 a 50 anos |
Perfil e comportamento
| Velocidade de crescimento | Muito alto |
|---|---|
| Sombra | Médio |
| Resistência à seca | Médio |
| Agressividade das raízes | Médio |
| Facilidade de cultivo | Muito alto |
| Atrai fauna | Muito alto |
Como reconhecer a eritrina-verde-amarela sem errar
A marca registrada é a folha variegada. São folhas trifolioladas, com três folíolos grandes em forma de losango ou coração largo, verde no centro e com margem irregular amarelo-creme. Nenhuma outra eritrina comum no Brasil tem essa variegação tão contrastada.
O tronco é acinzentado, levemente fissurado e com espinhos cônicos curtos, que diminuem com a idade. Os ramos jovens são mais armados. A copa é aberta, rala, e deixa passar bastante luz mesmo quando cheia.
Na floração, a identificação fica ainda mais fácil: cachos eretos de flores vermelho-alaranjadas, em forma de feijão alongado, surgem quando a árvore está quase sem folhas. Depois vêm vagens marrom-escuras, cilíndricas, com sementes vermelho-vivo e brilhantes.
Origem, tamanho e por que ela muda tanto ao longo do ano
A espécie é nativa da Ásia tropical e Oceania, da Índia e Sri Lanka até o norte da Austrália e ilhas do Pacífico. Foi levada como ornamental para quase todo o trópico, inclusive o Brasil, onde se adaptou muito bem ao litoral.
Em cultivo, atinge 10 a 15 m de altura com facilidade, podendo chegar a 20 m se não for podada. O diâmetro da copa varia de 8 a 12 m. O crescimento é muito rápido nos primeiros 3 a 5 anos, o que explica seu uso para sombra rápida.
É caducifólia a semidecídua: perde folhas no outono-inverno, floresce pelada e brota novamente na primavera. Essa troca drástica confunde quem espera folhagem o ano todo. Em regiões mais frias ou secas, a queda é total; no litoral úmido, é parcial.
Floração e frutos: o espetáculo vermelho no galho pelado
A floração ocorre no inverno, entre junho e setembro na maior parte do Brasil. Os racemos de 15 a 30 cm surgem nas pontas dos ramos sem folhas, com flores tubulares vermelho-alaranjadas muito nectaríferas.
O contraste entre o galho cinza, sem folha, e o vermelho intenso é o grande valor ornamental da espécie. Cada flor dura poucos dias, mas o conjunto floresce por semanas. É uma das eritrinas mais visitadas por beija-flores, cambacicas e abelhas.
Os frutos são vagens de 10 a 25 cm, que amadurecem de outubro a dezembro. Quando secam, abrem-se e liberam sementes vermelhas com mancha preta. As sementes são tóxicas se ingeridas por conterem alcaloides do tipo eritrina.
Onde plantar e como usar no paisagismo
A eritrina-verde-amarela brilha como árvore de destaque isolada em gramados amplos, praças e fazendas. A folhagem clara ilumina o jardim e combina com espécies de folha escura, como oiti ou ficus.
No litoral, é excelente para quebra-vento e tolerância à maresia. Suporta ventos fortes e salinidade melhor que a maioria das ornamentais variegadas. Também é usada como cerca-viva alta ou renque, plantada a cada 4 a 6 m e podada para manter a altura.
Como fixa nitrogênio no solo, foi tradicionalmente usada para sombreamento de cacau e café na Ásia e para adubação verde. A sombra é rala e filtrada, boa para quem quer luz no jardim, mas não serve se a ideia é sombra densa e fresca no verão.
Como plantar eritrina-verde-amarela do jeito certo
Escolha local em sol pleno e com espaço. Afaste 5 a 7 m de muros, casas e fiação, e pelo menos 3 m de calçadas. Evite plantar sobre tubulações rasas.
A propagação mais comum é por estaca de galho lenhoso, de 40 a 60 cm, plantada direto no local definitivo no início da estação chuvosa. Pega com facilidade e mantém a variegação. Por semente também é possível, mas exige escarificação (lixar levemente ou deixar 24h em água morna) para quebrar a dormência.
Coveie com 50 x 50 x 50 cm, misture terra com composto orgânico e areia se o solo for argiloso. Nos primeiros 6 meses, regue 2 a 3 vezes por semana. Depois do pegamento, a necessidade cai muito. Em regiões frias do Sul, plante na primavera para evitar geada em muda jovem.
Como cuidar: rega, solo, poda e adubação
Solo ideal é bem drenado, de fértil a moderadamente pobre, com pH levemente ácido a neutro. Tolera solos arenosos e até pedregosos, desde que não encharquem. Encharcamento prolongado apodrece raízes.
Rega é moderada. Muda precisa de água regular; árvore adulta tolera estiagens curtas e só precisa de irrigação em secas prolongadas. Excesso de água reduz floração.
Adube uma vez ao ano, no fim do inverno, com composto orgânico e fósforo para estimular flor. Evite nitrogênio em excesso, pois a planta já fixa o nutriente e pode crescer demais sem florescer. A poda deve ser leve e após a floração, apenas para limpar galhos secos e controlar altura. Podas drásticas eliminam a floração do ano seguinte e deixam tocos com espinhos expostos.
Tamanho, copa e raízes: o que esperar na prática
A copa é ampla, arredondada e pouco densa. Projeta sombra manchada, que permite grama embaixo, diferente de árvores de copa fechada. O crescimento é vertical nos primeiros anos e depois abre.
As raízes são superficiais e moderadamente agressivas, nota 3 em 5. Não são tão destrutivas quanto as de ficus ou flamboyant, mas podem levantar calçada se plantadas muito perto. Em solo compactado, tendem a ficar mais superficiais ainda.
Por ter madeira relativamente leve e quebradiça, galhos podem quebrar com vento muito forte se a copa não for manejada. Mantenha a estrutura com um líder central nos primeiros anos para evitar forquilhas fracas.
Pragas, problemas comuns e toxicidade
É árvore rústica, mas pode ser atacada por lagartas, pulgões e cochonilhas em brotações novas. Galhas e manchas foliares fúngicas aparecem em locais muito úmidos e sombreados. Melhorar ventilação e sol resolve na maioria dos casos.
Um erro comum é plantar à meia-sombra esperando variegação intensa. Sem sol pleno, as folhas ficam mais verdes e a planta estica, fraca. Outro erro é regar demais no inverno, quando está sem folhas e precisa de repouso.
Atenção à toxicidade: sementes, casca e folhas contêm alcaloides. A ingestão de sementes pode causar náusea, vômitos e alterações neurológicas em humanos e pets. Mantenha vagens fora do alcance de crianças e cães, e use luvas ao podar por causa dos espinhos.
| Característica | Eritrina-verde-amarela | Eritrina-coral comum (Erythrina speciosa) |
|---|---|---|
| Folhagem | Variegada verde e amarelo-creme | Toda verde, sem variegação |
| Floração | Vermelho-alaranjado com galhos quase nus | Vermelho vivo, também sem folhas |
| Espinhos | Presentes, cônicos e espaçados | Mais numerosos e agudos |
| Uso | Ornamental luminoso, quebra-vento litorâneo | Mais usada em áreas alagáveis e mata ciliar |
Perguntas frequentes
Eritrina-verde-amarela suja muito?
Sim, na queda de folhas no inverno e na queda de flores e vagens. É caducifólia e exige varrição sazonal, mas a sujeira é leve e compostável.
Pode plantar na calçada?
Só em calçadas largas, com mais de 3 m, longe de fiação e tubulação. Para calçadas estreitas, prefira espécies menores e sem espinhos.
Quanto tempo para florescer?
Mudas de estaca florescem em 2 a 3 anos; de semente, em 4 a 5 anos, sempre no inverno quando perde as folhas.
Precisa de muita água?
Não. Após o primeiro ano, tolera estiagens curtas e prefere solo bem drenado. Excesso de rega no inverno prejudica a floração.
A folhagem variegada pode ficar toda verde?
Pode. Ramos reversos totalmente verdes surgem e devem ser podados, senão dominam a copa por terem mais vigor.
É tóxica para cachorro e gato?
Sim. Sementes e casca são tóxicas se ingeridas. Recolha vagens caídas e evite que pets mordam sementes vermelhas.
Atrai beija-flores mesmo?
Muito. As flores tubulares vermelho-alaranjadas são ricas em néctar e são um dos principais atrativos da espécie no inverno.
Você sabia?
Cerca-viva que vira árvore
Na Índia e nas Filipinas, estacas de eritrina são fincadas como mourões vivos: enraízam e formam cercas que depois viram árvores de sombra para gado e plantações.
Variegação instável
Ramos totalmente verdes podem surgir no meio da copa variegada; se não forem podados, tendem a dominar porque têm mais clorofila e crescem mais rápido.
Fixadora de nitrogênio
Como leguminosa, abriga bactérias Rhizobium nas raízes que fertilizam o solo, por isso foi usada para sombrear cacauais e recuperar áreas degradadas.
Flor sem folha de propósito
Florescer sem folhas não é falha: sem folhagem, as flores vermelhas ficam mais visíveis para beija-flores e a polinização aumenta muito.










