Resumo
- A mirra mais comum no Brasil é a Tetradenia riparia, arvoreta aromática de 2 a 5 m, e não a Commiphora myrrha da resina bíblica.
- Tem folhas aveludadas e perfumadas, floração branca no inverno e crescimento rápido a sol pleno com pouca rega.
- É ornamental, medicinal e atrai abelhas, mas tem baixa sombra e raízes pouco agressivas.
Características
Ficha da árvore
| Nome popular | Mirra, Mirra-de-jardim, Falsa-mirra, Incenso |
|---|---|
| Nome científico | Tetradenia riparia (Hochst.) Codd |
| Família botânica | Lamiaceae |
| Origem | África Austral (África do Sul, Eswatini, Moçambique) — amplamente cultivada no Brasil |
| Tamanho (altura) | 2 a 5 m (arvoreta arbustiva) |
| Copa | Arredondada, aberta e irregular, 1,5 a 3 m de diâmetro |
| Folhagem | Perene, suculenta, aveludada e aromática |
| Crescimento | Rápido |
| Luminosidade | Sol pleno |
| Rega | Baixa a moderada |
| Solo | Leve, fértil e bem drenado |
| Usos | Ornamental, cerca viva, jardim perfumado e medicinal popular |
| Longevidade | 15 a 25 anos |
Perfil e comportamento
| Velocidade de crescimento | Alto |
|---|---|
| Sombra | Baixo |
| Resistência à seca | Alto |
| Agressividade das raízes | Muito baixo |
| Facilidade de cultivo | Muito alto |
| Atrai fauna | Alto |
Que árvore é a mirra que se planta no Brasil?
A mirra que você encontra em viveiros e casas no Brasil não é a mirra da resina bíblica. A verdadeira mirra é a Commiphora myrrha, da família Burseraceae, uma arvoreta espinhenta do nordeste da África e da Península Arábica de onde se extrai a resina oleosa usada há milênios como incenso e perfume.
A que chamamos de mirra por aqui é a Tetradenia riparia, sinônimo Iboza riparia. É da família Lamiaceae, a mesma da hortelã e do alecrim. O nome riparia significa “de beira de rio”, porque na natureza sul-africana ela cresce em encostas rochosas e margens de rios. Chegou ao Brasil como planta ornamental e medicinal e se adaptou muito bem ao clima tropical e subtropical.
Na prática, é uma arvoreta arbustiva lenhosa, com vários troncos finos e casca clara que descama em placas. Não forma um tronco único e robusto como um ipê, mas com poda de condução pode virar uma arvorezinha de sombra rala muito perfumada.
Como identificar a mirra: folhas, cheiro e floração
O jeito mais fácil de reconhecer é pelo cheiro. Esfregue uma folha: o perfume é forte, balsâmico, que lembra incenso, cânfora e limão ao mesmo tempo. É por isso que também é vendida como “planta incenso”.
As folhas são grandes, cordiformes (em forma de coração), com bordas crenadas, textura aveludada e suculenta. Medem de 6 a 12 cm, são verde-claras e cobertas por pelos finos que dão o aspecto felpudo. Quebram fácil porque armazenam água.
A floração é o grande espetáculo e acontece no inverno, de junho a agosto, quando a planta perde parte das folhas. Surgem inflorescências em plumas terminais de 15 a 30 cm, com centenas de flores minúsculas brancas a rosadas. A mirra é dioica: existem plantas masculinas e femininas separadas. As femininas têm floração mais densa e duradoura, as mais procuradas para jardim.
Qual o tamanho, copa e raízes da mirra?
A mirra é uma árvore pequena. Em vaso ou sem poda, fica com 1,5 a 2,5 m. No chão, com espaço e sol, chega a 3 a 5 m de altura e copa de 1,5 a 3 m de diâmetro. O crescimento é rápido, cerca de 60 a 90 cm por ano nos primeiros anos.
A copa é arredondada, aberta e irregular, com ramos quebradiços e suculentos. Não oferece sombra densa e compacta, mas sim uma sombra leve e perfumada, ideal para ficar perto de bancos, janelas e áreas de estar.
As raízes são pouco agressivas e superficiais. Diferente de Ficus ou Tipuana, a mirra raramente quebra calçadas, muros ou tubulações. É uma das poucas arvoretas aromáticas seguras para plantar a 2 m de construções, desde que o solo tenha boa drenagem.
Onde e como plantar mirra no Brasil
A mirra gosta de sol pleno, no mínimo 6 horas por dia. Em meia-sombra ela estica, fica rala e quase não floresce. Vai bem em quase todo o Brasil, mas prefere clima quente a ameno e não tolera geada forte. No Sul, plante protegida de vento frio.
O solo precisa ser leve, fértil e muito bem drenado. Ela morre rápido em solo encharcado. Mistura ideal para cova de 40 x 40 cm: 2 partes de terra de jardim, 1 parte de areia grossa e 1 parte de composto orgânico. Não precisa de cova profunda.
- Melhor época para plantar: início da primavera (setembro a novembro) ou início do outono (março a abril), fugindo do frio intenso e do encharcamento.
- Espaçamento: 2 a 3 m de outras plantas se quiser copa cheia; 1 a 1,5 m se for para cerca viva.
- Propagação: extremamente fácil por estaca de galho. Um galho de 20 cm enraíza em 3 a 4 semanas na areia úmida, sem hormônio. Também pega por sementes, mas é mais lento.
Em vaso, use recipiente de pelo menos 50 litros, com camada de drenagem de argila expandida. A mirra em vaso fica menor, com 1,5 m, mas floresce do mesmo jeito e perfuma a varanda inteira.
Como cuidar da mirra: luz, rega, solo e poda
É uma das arvoretas mais fáceis de cuidar. Depois de pegada, quase não exige manutenção.
Rega: moderada. Regue 2 vezes por semana no primeiro mês. Depois, apenas quando o solo secar. No inverno, pode ficar semanas sem água. O excesso apodrece o caule na base, o erro mais comum.
Adubação: uma vez ao ano basta. Use composto orgânico ou NPK 10-10-10 no início da primavera. Solo muito rico em nitrogênio dá muita folha e pouca flor.
Poda: faça logo após a floração (agosto-setembro). Corte ramos secos, longos e cruzados para manter o formato arredondado. Ela rebrota com vigor. Se quiser formato de arvoreta, escolha 1 a 3 troncos principais e elimine brotos da base.
Não precisa de tutoramento. Apenas proteja de ventos muito fortes nos primeiros meses, pois os ramos suculentos quebram com facilidade.
Mirra serve para sombra e paisagismo?
Para sombra densa, não é a melhor escolha. A nota de sombra é baixa justamente porque a copa é rala e caduca parcialmente no inverno. Ela não substitui uma sibipiruna ou pata-de-vaca.
Onde ela brilha é no jardim sensorial e ornamental. É perfeita para:
- Cerca viva perfumada: cresce rápido e fecha bem com podas leves.
- Perto de janelas, varandas e entradas: o perfume se espalha com o vento e com o toque.
- Jardim de polinizadores: as flores de inverno alimentam abelhas nativas e Apis em época de escassez.
- Composição com outras espécies: combina com lavanda, alecrim, piteira e outras plantas de sol e pouca água.
Na nossa avaliação, a mirra é uma árvore de companhia, não de estrutura. Plante-a onde você vai passar e sentir o cheiro, não onde precisa de sombra para o carro.
Mirra verdadeira x falsa-mirra: tabela rápida
| Característica | Mirra de jardim (Tetradenia riparia) | Mirra verdadeira (Commiphora myrrha) |
|---|---|---|
| Família | Lamiaceae | Burseraceae |
| Produto famoso | Folhas aromáticas | Resina oleosa (mirra) |
| Porte | 2 a 5 m, sem espinhos | 3 a 4 m, muito espinhenta |
| Encontrada no Brasil | Muito comum em viveiros | Rara, só em coleções |
Pragas, doenças e problemas mais comuns
A mirra é rústica e pouco atacada, justamente pelo óleo essencial forte que repele muitos insetos. Quando aparece problema, quase sempre é por excesso de água ou falta de sol.
- Podridão da base e raízes: caule amolece e escurece. Causa: solo encharcado e sem drenagem. Corte a parte podre, deixe secar e replante em solo seco.
- Cochonilhas e pulgões: aparecem em brotações novas, principalmente se a planta está sombreada. Remova com jato d’água e, se persistir, use calda de sabão neutro.
- Falta de floração: 90% das vezes é falta de sol pleno ou poda na época errada. Podar no outono remove os botões florais do inverno.
- Queda de folhas no inverno: é normal. A planta direciona energia para as flores. Volta a enfolhar na primavera.
Evite plantar mirra em canteiro que recebe água de irrigação automática todos os dias. Ela prefere passar sede a ficar com pé úmido.
Curiosidades, usos e o que torna a mirra especial
Na África do Sul, a Tetradenia é chamada de “ginger bush” ou “misty plume bush” e usada na medicina tradicional zulu para problemas respiratórios e como repelente. O chá das folhas é usado popularmente no Brasil, mas deve ser consumido com cautela e orientação.
O óleo essencial das folhas tem fenchona e cariofileno, compostos que explicam o aroma canforado e o efeito de afastar mosquitos e formigas de perto da planta. Não é à toa que muita gente planta mirra perto da porta da cozinha.
Um detalhe pouco conhecido: a mirra muda completamente de cara ao longo do ano. No verão é um arbusto verde e fechado; no inverno vira um esqueleto florido branco que parece neve à distância. Essa transformação é o maior valor ornamental dela e o motivo de ser tão fotografada em julho.
Perguntas frequentes
Mirra é árvore ou arbusto?
É uma arvoreta arbustiva. Pode ser conduzida como arbusto de 1,5 m ou como arvorezinha de 2 a 5 m com poda de tronco.
Mirra dá sombra?
Pouca. A copa é aberta e rala, com sombra leve. É mais ornamental e perfumada do que árvore de sombra densa.
Quando a mirra floresce?
No inverno, de junho a agosto, quando perde parte das folhas e se cobre de plumas brancas a rosadas.
Mirra precisa de muita água?
Não. Gosta de pouca água e solo bem drenado. Excesso de rega apodrece o caule.
Como fazer muda de mirra?
Por estaca de galho de 15 a 20 cm plantada em areia úmida. Enraíza em 3 a 4 semanas.
Mirra quebra calçada?
Raramente. As raízes são pouco agressivas e superficiais, seguras para plantar perto de muros e passeios.
Qual a diferença entre mirra e incenso?
No Brasil são a mesma planta (Tetradenia riparia). Já a mirra verdadeira da resina é outra espécie, a Commiphora myrrha, rara por aqui.
Você sabia?
Planta dioica
Existem pés masculinos e femininos separados. Só as plantas femininas dão aquela nuvem branca e densa de flores no inverno; as masculinas florescem menos.
Perfume que espanta mosquito
O óleo essencial rico em fenchona e cariofileno faz a mirra ser usada como repelente natural. Em aldeias africanas, ramos são queimados para afastar insetos.
Muda de estaca em semanas
Um pedaço de galho de 20 cm fincado na areia úmida enraíza em 3 a 4 semanas, sem enraizador. É uma das arvoretas mais fáceis de multiplicar no Brasil.
Nome que engana
Apesar do nome popular, ela não tem parentesco com a mirra bíblica (Commiphora myrrha). O nome veio do cheiro balsâmico das folhas, que lembra o incenso da resina verdadeira.










