🐛 Insetos

Grilo-toupeira

Gryllotalpa spp. / Scapteriscus spp. / Neocurtilla hexadactyla (Família Gryllotalpidae)

Atualizado em

3 a 5 cm de comprimentoTamanho
Raízes, tubérculos e invertebradosAlimentação
Metamorfose incompleta, 6 a 12 mesesCiclo de vida
Solo úmido, galerias subterrâneasHabitat
Não morde e não é venenosoPerigo para humanos
Grilo-toupeira adulto de corpo marrom aveludado sobre solo úmido mostrando patas dianteiras em forma de pá

O grilo-toupeira não é um grilo comum. É um inseto subterrâneo, com patas dianteiras em forma de pá, que passa quase toda a vida cavando galerias logo abaixo do solo e só sai à superfície em noites quentes e úmidas.

Apesar do nome, ele não tem parentesco com toupeiras. O apelido vem do hábito fossorial e do corpo robusto e aveludado. No Brasil, as espécies mais comuns são do gênero Scapteriscus e Neocurtilla hexadactyla, conhecidas como paquinha ou cachorrinho-d'água.

É famoso entre jardineiros e produtores porque corta raízes e deixa o gramado amarelado e fofo, cheio de túneis. Ao mesmo tempo, tem um canto noturno potente e um comportamento reprodutivo curioso, com machos que constroem câmaras acústicas no solo para amplificar o som.

Também conhecido como: Paquinha, Cachorrinho-d'água, Grilo-da-terra, Paquinha-do-campo, Mole cricket (inglês), Courtilière (francês)

Faz parte de: Insetos do Brasil, Pragas de Jardim

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Galeria de fotos de Grilo-toupeira

Grilo-toupeira adulto de corpo marrom aveludado sobre solo úmido mostrando patas dianteiras em forma de pá
Grilo-toupeira adulto com as patas escavadoras características.
Close extremo da cabeça do grilo-toupeira mostrando olhos e antenas curtas
Detalhe da cabeça com olhos pequenos e antenas curtas.
Grilo-toupeira com asas abertas mostrando asas posteriores em leque
Asas posteriores em leque, usadas em voos noturnos curtos.
Ninfas sem asas e adulto de grilo-toupeira lado a lado no solo
Ninfas se parecem com adultos em miniatura, mas sem asas.
Túnel elevado de grilo-toupeira em gramado com solo fofo e falha amarelada
Túneis rasos deixam o gramado fofo e com falhas amareladas.
Galeria acústica em forma de chifre escavada pelo grilo-toupeira macho no solo
Macho cava galeria em forma de megafone para amplificar o canto.

Perfil rápido de Grilo-toupeira

Calendário

Maior atividade e voosJFMAMJJASOND
Reprodução e cantoJFMAMJJASOND
Eclosão de ninfasJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsNão tóxico
  • PessoasNão tóxico

Não morde, não pica e não tem veneno. Pode causar irritação leve se manuseado ou ingerido em grande quantidade por pets sensíveis.

Vida útil

Na natureza
6 a 12 meses, ocasionalmente até 18 meses
Em laboratório
Até 14 meses com temperatura e umidade controladas

Reprodução

Metamorfose
Incompleta (hemimetábolo): ovo > ninfa > adulto
Acasalamento
Noturno, com canto do macho amplificado por galeria acústica
Ovos por postura
100 a 300 ovos em câmara subterrânea a 10-30 cm de profundidade
Incubação
14 a 28 dias conforme temperatura do solo
Ninfas
8 a 10 ínstares ao longo de 3 a 6 meses
Gerações por ano
1 a 2, com pico na primavera e verão

Habitat

Ambientes

  • Solo úmido e fofo
  • Gramados e jardins irrigados
  • Hortas e canteiros
  • Lavouras de tubérculos e pastagens
  • Margens de rios e áreas alagadiças

Biomas

  • Mata Atlântica
  • Cerrado
  • Pampa
  • Caatinga
  • Amazônia
  • Pantanal

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Raízes finas
  • Rizomas e tubérculos
  • Sementes em germinação

Outros alimentos

  • Minhocas
  • Larvas de insetos
  • Pequenos artrópodes de solo

Encontrado em 12 países

  • Brasil
  • Argentina
  • Uruguai
  • Paraguai
  • Estados Unidos
  • México
  • Portugal
  • Espanha
  • França
  • Itália
  • Austrália
  • África do Sul

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Arthropoda
Classe
Insecta
Ordem
Orthoptera
Família
Gryllotalpidae
Gênero
Gryllotalpa / Scapteriscus / Neocurtilla
Espécie
Gryllotalpa spp., Scapteriscus borellii, Neocurtilla hexadactyla entre outras

Resumo

  • O grilo-toupeira é um inseto subterrâneo de 3 a 5 cm, com patas dianteiras escavadoras, que vive em túneis rasos e se alimenta de raízes, tubérculos e pequenos invertebrados.
  • É considerado praga de gramados, hortas e lavouras por cortar raízes e deixar falhas amareladas, sendo mais ativo em noites quentes e úmidas da primavera e verão.
  • Não morde, não tem veneno e não oferece risco para pessoas e pets, mas o controle deve priorizar manejo cultural e armadilhas, evitando inseticida indiscriminado.

Características

Ficha do inseto

OrdemOrthoptera
FamíliaGryllotalpidae
Origem e distribuiçãoCosmopolita; no Brasil em todo o território, mais comum no Sul e Sudeste
Tamanho3 a 5 cm (adultos); ninfas de 5 mm a 3 cm
Coresmarromcastanho-escurobegecinza-amarelado
Asas e vooCom asas; voa pouco, em noites quentes e úmidas, atraído por luz
AlimentaçãoOnívoro: raízes, sementes, tubérculos, minhocas e larvas
MetamorfoseIncompleta (ovo > ninfa > adulto)
Expectativa de vida6 a 12 meses (até 18 meses em clima ameno)
HabitatSolo úmido, arenoso ou argiloso; gramados, hortas, jardins e lavouras
Comportamento socialSolitário e territorial; cada indivíduo mantém sua galeria
Principais predadoresAves, sapos, lagartos, besouros e vespas parasitoides

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito baixo
Importância para o ecossistemaMédio
Presença em casasBaixo
Benefício para a agriculturaMuito baixo
Dano às plantasMuito alto
Vida em grupoMuito baixo

Como identificar o grilo-toupeira sem confundir com grilo comum

O grilo-toupeira tem corpo cilíndrico e aveludado, marrom-acastanhado, bem diferente do grilo preto brilhante que canta dentro de casa. O detalhe que não deixa dúvida são as patas dianteiras largas, achatadas e com garras em forma de pá, perfeitas para cavar.

A cabeça é pequena, com olhos pequenos e antenas curtas, e o tórax é robusto e endurecido, como uma carapaça. As asas anteriores são curtas e coriáceas, e as posteriores, quando existem, são dobradas em leque sobre o abdômen. Ninfas parecem adultos em miniatura, mas sem asas.

Outro sinal é o rastro. Em vez de saltar, ele empurra a terra e deixa túneis elevados de 1 a 2 cm de diâmetro logo abaixo da superfície, que afundam quando pisados. Se o gramado está fofo, com falhas amareladas e terra solta em cordões, é provável que seja ele.

Onde vive e por que aparece no seu quintal

O grilo-toupeira vive quase 100% do tempo no solo, entre 5 e 20 cm de profundidade, onde cava galerias que podem somar mais de 1 metro de extensão. Prefere solo úmido, fofo e rico em matéria orgânica, por isso gramados irrigados, hortas, canteiros e beira de córregos são ideais.

No Brasil ocorre de norte a sul, mas é mais notado no Sul, Sudeste e Centro-Oeste, onde o solo é mais trabalhado e irrigado. A atividade aumenta em noites quentes, abafadas e após chuva, quando machos cantam e adultos alados fazem voos de dispersão atraídos por luz.

Dentro de casa ele entra por acidente, atraído pela luz da varanda. Não forma colônia e não infesta despensa. Se você encontrou um na garagem ou no banheiro, ele provavelmente se perdeu durante o voo nupcial e não vai se estabelecer ali.

O que o grilo-toupeira come e por que é considerado praga

É onívoro oportunista. A base da dieta são raízes finas, rizomas, tubérculos, sementes germinando e brotos. Complementa com minhocas, larvas e pequenos insetos de solo que encontra ao cavar.

O dano não é só pelo que come, mas pelo que corta. Ao abrir túneis, ele secciona raízes e descola o sistema radicular do solo, interrompendo absorção de água. O resultado é mancha amarelada que evolui para falha seca, muito comum em gramados de grama-esmeralda, batata, cenoura, arroz e pastagens.

  • Em gramados: deixa o solo esponjoso e falhas circulares que aumentam com a seca.
  • Em hortas: ataca mudas recém-transplantadas e tubérculos, que ficam com galerias e podridão secundária.
  • Em lavouras: pode reduzir estande inicial, exigindo replantio em áreas muito infestadas.

Ciclo de vida e reprodução: da ninfa ao adulto que canta sob a terra

Tem metamorfose incompleta. A fêmea cava uma câmara subterrânea oval a 10-30 cm de profundidade e põe de 100 a 300 ovos agrupados, que vigia por alguns dias. Isso é raro entre grilos e mostra cuidado parental inicial.

Os ovos eclodem em 2 a 4 semanas, dependendo da temperatura. As ninfas passam por 8 a 10 mudas ao longo de 3 a 6 meses, cavando desde pequenas. Não há fase de pupa. O ciclo completo de ovo a adulto leva 6 a 10 meses nas condições brasileiras.

Adultos vivem mais 3 a 6 meses. Há geralmente uma a duas gerações por ano, com pico reprodutivo na primavera e início do verão. Machos cantam dentro de uma galeria em forma de chifre ou megafone, que funciona como caixa acústica natural.

O canto e o comportamento noturno: ele voa?

Sim, mas voa mal e pouco. O voo é curto, desajeitado e noturno, usado para encontrar parceiro e novo território. É fortemente atraído por luz branca e amarela, por isso revoa em torno de postes após chuva.

O canto é grave, contínuo e vibratório, diferente do cri-cri agudo do grilo doméstico. Pode atingir até 90 decibéis a curta distância quando amplificado pela câmara de solo. Cada espécie tem ritmo próprio, o que ajuda entomologistas a identificá-las sem ver o inseto.

Durante o dia fica escondido. É solitário e territorial: um adulto defende sua galeria e evita contato com outros. Se manuseado, pode tentar se enterrar entre os dedos com as patas dianteiras, mas não morde.

Grilo-toupeira x grilo comum: diferenças rápidas

Característica Grilo-toupeira Grilo comum
Patas dianteiras Largas em forma de pá Finas, adaptadas para salto
Habitat Solo, túneis subterrâneos Superfície, frestas, dentro de casa
Canto Grave e contínuo, sob a terra Agudo e intermitente
Dano Corta raízes, falha no gramado Raramente causa dano

Grilo-toupeira morde ou é venenoso? Riscos para pessoas e pets

Não morde, não pica e não tem veneno. As mandíbulas são pequenas e adaptadas para cortar raízes, não para defesa. O contato pode causar apenas cócegas ou arranhões leves pelas patas escavadoras.

Para cachorros e gatos, não é tóxico se ingerido acidentalmente, mas pode causar irritação gástrica leve ou vômito pelo exoesqueleto quitinoso. Aves domésticas, como galinhas, comem grilos-toupeira sem problema e são até aliadas no controle.

A única precaução é lavar as mãos após manusear e evitar esmagar dentro de casa, pois libera odor terroso forte. Em caso de alergia a insetos, observe irritação na pele e procure atendimento se houver reação, mas isso é raro.

Papel no ecossistema e estrago na agricultura e gramados

Na natureza, ele tem papel duplo. Ao cavar, aera o solo e incorpora matéria orgânica, como minhocas. Também consome larvas de outros insetos, ajudando no equilíbrio. Em áreas naturais, raramente vira problema.

O desequilíbrio aparece em monoculturas, gramados extensos e solos constantemente irrigados, onde há alimento farto e poucos predadores. Sem aves, sapos e vespas parasitoides por perto, a população explode e o dano supera o benefício.

Na nossa avaliação, o grilo-toupeira é um engenheiro de solo que vira praga quando o ambiente é simplificado. Controlar não é exterminar tudo, mas baixar a população a um nível que o gramado e a horta tolerem.

Como conviver e controlar sem veneno desnecessário

Antes de pensar em inseticida, confirme a infestação. Faça o teste da água com detergente: dilua uma colher de detergente neutro em 5 litros de água e despeje sobre 1 m² de gramado suspeito. Se houver grilos-toupeira, eles emergem em até 5 minutos.

Para manejo integrado e de baixo impacto:

  • Armadilha de luz + bacia com água: em noites quentes, deixe uma luz sobre bacia com água e algumas gotas de detergente. Adultos em voo caem e se afogam.
  • Armadilha de melaço: enterre potes com melaço diluído ao nível do solo; o cheiro atrai e captura ninfas.
  • Manejo do solo: evite encharcar o gramado à noite, faça aeração e reduza palha acumulada, que mantém umidade ideal para ele.
  • Controle biológico: incentive predadores naturais — aves, sapos e lagartixas — e considere nematoides entomopatogênicos (Steinernema spp.), vendidos para controle biológico, que parasitam ninfas no solo.

Evite aplicar inseticida granulado por conta própria em área extensa. Além de matar polinizadores e inimigos naturais, o produto raramente chega às galerias profundas. Se o dano for grande, consulte um engenheiro agrônomo para diagnóstico e recomendação de manejo integrado específico para sua região.

Curiosidades que pouca gente sabe

O macho é um arquiteto acústico. Ele escava uma galeria em forma de duplo chifre com abertura para a superfície, que funciona como alto-falante e direciona o canto para atrair fêmeas a até 100 metros.

As patas dianteiras têm força desproporcional: conseguem deslocar até 20 vezes o peso do corpo em terra úmida, equivalente a uma pessoa empurrando um carro pequeno com as mãos.

Apesar de subterrâneo, ele nada bem por curtos períodos e sobrevive a enchentes se abrigando em bolhas de ar nas galerias — por isso o nome popular cachorrinho-d’água em algumas regiões.

Perguntas frequentes

Grilo-toupeira morde ou pica?

Não. Ele não morde pessoas nem animais e não tem ferrão ou veneno. No máximo arranha levemente com as patas ao tentar se enterrar.

Por que meu gramado está fofo e amarelado?

Túneis rasos que deixam o solo esponjoso e falhas amareladas são o sinal clássico. Faça o teste da água com detergente para confirmar a presença.

Grilo-toupeira voa e entra em casa?

Voa sim, mas pouco e só em noites quentes e úmidas, atraído por luz. Entra por acidente e não se estabelece dentro de casa.

Qual a diferença entre grilo-toupeira e paquinha?

São o mesmo inseto. Paquinha e cachorrinho-d'água são nomes populares regionais para o grilo-toupeira no Brasil.

Como acabar com grilo-toupeira sem veneno?

Use armadilha de luz com bacia d'água, reduza irrigação noturna, aere o solo e incentive predadores como aves e sapos. Nematoides entomopatogênicos são opção biológica.

Ele faz barulho?

Sim. O macho emite um canto grave e contínuo dentro de uma galeria em forma de chifre que amplifica o som para atrair a fêmea.

Grilo-toupeira é perigoso para cachorro e gato?

Não é tóxico. Se o pet comer, pode ter vômito leve pelo exoesqueleto, mas sem risco de envenenamento.

Você sabia?

1

Arquiteto de som

O macho constrói uma galeria em forma de megafone no solo para amplificar seu canto grave, que pode ser ouvido a dezenas de metros em noites silenciosas.

2

Força de escavadeira

As patas dianteiras em forma de pá são tão fortes que o inseto consegue empurrar torrões de terra com até 20 vezes seu peso corporal.

3

Mãe vigilante

A fêmea cuida da câmara de ovos por dias, limpando os ovos para evitar fungos — comportamento raro entre grilos e gafanhotos.

4

Nadador improvisado

Chamado de cachorrinho-d'água no interior, ele nada e flutua por alguns minutos, sobrevivendo a solos encharcados após chuvas fortes.

Fontes

  1. Embrapa - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
  2. GBIF - Global Biodiversity Information Facility
  3. Universidade de São Paulo - Museu de Zoologia / Entomologia

Prós e contras: Grilo-toupeira

Prós

  • Aera o solo ao cavar galerias, melhorando infiltração de água
  • Consome larvas e pequenos invertebrados, ajudando no controle natural
  • Serve de alimento para aves, sapos e outros predadores benéficos
  • Indica solo úmido e rico em matéria orgânica
  • Fácil de monitorar com teste simples de água com detergente

Contras

  • Corta raízes e causa falhas amareladas em gramados e hortas
  • Pode reduzir estande de mudas e tubérculos em alta infestação
  • Canto noturno alto pode incomodar em áreas com muitos indivíduos
  • Voos noturnos atraídos por luz assustam quem não conhece
  • Difícil de controlar só com inseticida por viver em galerias profundas
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o grilo-toupeira é mais um indicador de solo desequilibrado do que um vilão absoluto. Vale tolerar baixa densidade e investir em solo bem drenado e inimigos naturais antes de partir para veneno, que raramente resolve sozinho.

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Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

Sou uma entusiasta do universo dos peixes e da vida aquática. Dedico-me a pesquisar e partilhar informações sobre espécies de peixes, alimentação, comportamento, habitat e cuidados, ajudando os…

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Última revisão em 17.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.