Resumo
- A caranguejeira é uma tarântula terrestre e peluda da família Theraphosidae, com corpo de 5 a 10 cm e envergadura de até 25 cm.
- Tem veneno pouco perigoso para humanos, mas solta pelos urticantes que causam forte irritação na pele e nos olhos.
- Vive em tocas no solo em quase todo o Brasil, caça à noite sem teia e a fêmea pode viver mais de 15 anos.
Características
Ficha da aranha
| Ordem | Araneae |
|---|---|
| Família | Theraphosidae |
| Origem e distribuição | América do Sul e Central, muito comum em todo o Brasil |
| Tamanho (corpo) | 5 a 10 cm (fêmeas maiores) |
| Envergadura das pernas | 13 a 25 cm |
| Cores | marrompretocinzacaramelotons avermelhados |
| Teia | Não faz teia para caça; reveste a toca com seda |
| Alimentação | Insetívora e carnívora oportunista |
| Veneno | Baixa toxicidade para humanos |
| Habitat | Terrestre, fossorial (tocas no solo) |
| Atividade | Noturna |
| Expectativa de vida | Fêmeas 12 a 20 anos; machos 3 a 5 anos |
| Reprodução | Ovípara, 500 a 1.500 ovos por ooteca |
Perfil e comportamento
| Periculosidade para pessoas | Baixo |
|---|---|
| Agressividade | Baixo |
| Presença em casas | Baixo |
| Utilidade no controle de pragas | Alto |
| Tamanho da teia | Muito baixo |
| Facilidade de criação em cativeiro | Médio |
Como identificar uma caranguejeira de verdade
Caranguejeira é nome popular, não científico. No Brasil, ele designa qualquer tarântula da família Theraphosidae, que reúne mais de 1.000 espécies no mundo e mais de 100 no país.
O corpo é robusto, muito peludo e dividido em cefalotórax e abdômen bem volumoso. As pernas são grossas e fortes, cobertas de pelos, o que dá o aspecto aveludado que lembra um caranguejo — daí o nome.
As espécies mais conhecidas são a Lasiodora parahybana (caranguejeira-rosa nordestina), a Lasiodora klugi, a Grammostola rosea e as do gênero Acanthoscurria. Todas são grandes, mas variam de marrom-escuro a preto com tons avermelhados ou caramelo nas pernas.
Detalhes que não deixam dúvida
- Tamanho grande: corpo de 5 a 10 cm e envergadura que chega a 25 cm na Lasiodora parahybana, uma das maiores do mundo.
- Quelíceras enormes: presas de até 2 cm voltadas para baixo, típicas de tarântulas.
- Oito olhos pequenos agrupados no topo do cefalotórax, com visão fraca.
- Abdômen peludo com pelos urticantes: ao contrário de outras aranhas, ela tem uma mancha de pelos finos que solta quando se sente ameaçada.
- Sem teia aérea: não faz aquela teia clássica de roda. Se ver teia grande entre plantas, não é caranguejeira.
Muita gente confunde caranguejeira com aranha-armadeira (Phoneutria). A armadeira é mais magra, menos peluda, agressiva e com veneno perigoso. A caranguejeira é mais “troncuda”, lenta e tende a fugir ou lançar pelos antes de picar.
Onde vive e onde encontrar caranguejeira no Brasil
A caranguejeira é terrestre e fossorial. Vive em tocas que ela mesma cava ou adapta sob troncos, pedras, cupinzeiros e barrancos. Reveste a entrada com seda para sentir a vibração de presas.
Está presente em praticamente todos os biomas brasileiros: Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado e Caatinga. É mais comum em áreas de mata, sítios, chácaras e bordas de floresta, mas pode aparecer em quintais e galpões na zona rural.
Durante o dia fica escondida na toca. Sai para caçar à noite, principalmente na estação quente e chuvosa, de outubro a março. Machos adultos são vistos andando no chão nessa época porque abandonam a toca para procurar fêmeas.
Ela faz teia? Como caça sem armadilha
Caranguejeira não faz teia para capturar presas. Ela é uma caçadora de emboscada que depende de força e velocidade em curta distância.
A estratégia é ficar parada na entrada da toca com as pernas esticadas sentindo vibrações pelo solo. Quando um inseto, barata, grilo ou até um pequeno lagarto passa, ela avança rápido, agarra com as pernas e injeta veneno com as quelíceras.
A seda serve apenas para forrar a toca, fazer a ooteca (saco de ovos) e deixar fios de alerta ao redor da entrada. Por isso, a barra “Tamanho da teia” é mínima: ela praticamente não tece.
Outro ponto pouco conhecido: caranguejeiras têm dois pares de pulmões foliáceos (pulmões-livro) e pelos sensoriais extremamente sensíveis nas pernas, que funcionam como radares para detectar o menor movimento no escuro.
Veneno da caranguejeira: é perigosa? O que fazer se picar
O veneno da caranguejeira tem baixa toxicidade para humanos. A picada dói bastante — comparada à ferroada de vespa — mas raramente causa quadro grave em adultos saudáveis.
Os sintomas mais comuns são dor local intensa, inchaço, vermelhidão e dormência que duram horas. Em crianças, idosos ou alérgicos, pode haver náusea, cãibras e mal-estar, mas casos graves são excepcionais.
O Instituto Butantan classifica as caranguejeiras como aranhas de importância médica secundária, muito atrás de armadeira, viúva-negra e aranha-marrom. O risco real não é o veneno, e sim infecção secundária se o local não for limpo.
O que fazer em caso de picada
- Lave o local com água e sabão imediatamente.
- Não esprema, não corte e não use remédios caseiros como álcool, querosene ou pomadas sem orientação.
- Procure atendimento médico, especialmente se for criança, se a dor não melhorar em 2 horas ou se houver falta de ar e vômitos.
- Se possível, fotografe a aranha a distância segura para ajudar na identificação. Não tente capturar com a mão.
Pelos urticantes: o perigo real que poucos conhecem
Para a maioria das espécies brasileiras, a defesa principal não é a picada, e sim os pelos urticantes do abdômen. São microcerdas farpadas que ela lança coçando as pernas traseiras sobre o abdômen.
Esses pelos se espalham no ar e causam coceira intensa, vermelhidão, espirros e irritação nos olhos e nariz. Se entrarem nos olhos, podem causar ceratite (inflamação da córnea) que demora dias para curar. É o mesmo mecanismo que faz a lagarta-de-fogo arder.
Existem 7 tipos de pelos urticantes em Theraphosidae, e as espécies brasileiras têm principalmente os tipos I, III e IV, os mais irritantes para mamíferos. Por isso, mesmo criadores experientes usam luva e máscara ao manejar a toca.
Se houver contato, não coce. Lave a pele com água corrente, lave os olhos com soro fisiológico em abundância e troque a roupa. Se a irritação ocular persistir, busque oftalmologista.
Reprodução e ciclo de vida: por que a fêmea vive tanto
A diferença de longevidade é extrema. Fêmeas vivem de 12 a 20 anos, enquanto machos vivem de 3 a 5 anos e morrem logo após a fase reprodutiva. É uma das maiores longevidades entre aranhas.
O acasalamento é arriscado para o macho. Ele precisa tocar a teia da fêmea com cuidado, vibrar as pernas e usar os esporões tibiais (ganchos nas pernas dianteiras) para travar as quelíceras dela. Se errar, pode ser morto e comido.
Após a cópula, a fêmea produz uma ooteca grande e branca com 500 a 1.500 ovos, que guarda dentro da toca por 6 a 9 semanas. Ela tece uma cama de seda e fica enrolada sobre o saco, defendendo-o agressivamente.
Os filhotes nascem como miniaturas dos adultos e fazem a primeira muda ainda dentro da ooteca. Depois se dispersam e já caçam pequenos insetos sozinhos. Crescem por mudas sucessivas, trocando o exoesqueleto, e só atingem tamanho adulto após 2 a 4 anos.
O que ela come e seu papel no controle de pragas
A dieta é oportunista e carnívora. Na natureza come principalmente baratas, grilos, gafanhotos, besouros, outras aranhas e escorpiões. Espécies grandes como Lasiodora podem predar pequenos anfíbios, lagartixas e filhotes de roedores, mas isso é exceção, não regra.
Apesar do mito, caranguejeira não se alimenta de pássaros com frequência. O nome em inglês “bird-eating spider” surgiu de um relato antigo e exagerado. A predação de aves é raríssima.
Seu papel ecológico é importante: controla populações de insetos e escorpiões e serve de alimento para aves, quatis, lagartos e vespas parasitoides. Matar caranguejeiras sem necessidade desequilibra esse controle natural.
Como conviver e evitar acidentes em casa e na natureza
Caranguejeira raramente entra em casas na cidade. Quando aparece, geralmente é macho em busca de fêmea ou após chuva forte que alaga a toca. Ela prefere ficar no chão, nunca no teto ou em teias altas.
Para evitar encontros indesejados, mantenha o quintal limpo: remova entulho, telhas, lenha empilhada e folhas acumuladas. Vede frestas de portas com borracha e use telas em ralos. Ao mexer em pilhas de madeira ou pedras, use luvas grossas e botas.
Na trilha ou no sítio, nunca coloque a mão em buracos no solo e observe onde pisa à noite com lanterna. Se encontrar uma toca com “tapete” de seda na entrada, mantenha distância — é sinal de caranguejeira residente.
Se precisar retirar uma do quintal, não mate. Cubra com um balde grande, deslize um papelão por baixo e solte em área de mata distante. Se for criação como pet, lembre que capturar animais silvestres é crime no Brasil (IBAMA); só adquira de criadouro legalizado.
Curiosidades que tornam a caranguejeira única
A caranguejeira consegue ficar meses sem comer após uma refeição grande, regulando o metabolismo. Em cativeiro, fêmeas bem alimentadas jejuam por 3 a 6 meses antes da muda sem nenhum prejuízo.
Ela não tem orelhas, mas “ouve” com os pelos. Os tricobótrios, pelos finíssimos nas pernas, detectam correntes de ar e vibrações de até alguns centímetros, permitindo caçar no escuro total.
A muda é um momento crítico: ela vira de costas, rompe o exoesqueleto antigo e sai novinha, inclusive com quelíceras e pelos novos. Nas 24 horas seguintes fica mole e vulnerável, sem comer.
Perguntas frequentes
Caranguejeira é venenosa?
Sim, mas o veneno tem baixa toxicidade para humanos. A picada dói como ferroada de vespa e causa inchaço local, raramente quadro grave.
Picada de caranguejeira pode matar?
Em pessoas saudáveis, não. O risco maior é reação alérgica ou infecção secundária. Crianças e alérgicos devem procurar atendimento médico imediato.
Caranguejeira solta pelo?
Sim. Ela lança pelos urticantes do abdômen quando ameaçada, causando coceira forte e irritação nos olhos e nariz.
Caranguejeira faz teia?
Não faz teia para caçar. Usa seda apenas para forrar a toca e fazer o saco de ovos. Caça por emboscada no chão.
Qual a diferença entre caranguejeira e armadeira?
Caranguejeira é mais peluda, robusta e lenta, com veneno fraco. Armadeira (Phoneutria) é menos peluda, muito agressiva e tem veneno perigoso.
Quanto tempo vive uma caranguejeira?
Fêmeas vivem de 12 a 20 anos; machos vivem de 3 a 5 anos e morrem pouco após acasalar.
O que fazer se encontrar uma caranguejeira em casa?
Não tente pegar com a mão. Isole o local, cubra com balde e papelão e solte em mata distante. Se houver infestação, contate controle ambiental local.
Pode ter caranguejeira como pet no Brasil?
Sim, mas apenas de criadouro autorizado pelo IBAMA. Capturar na natureza é crime. Exige terrário adequado e manejo com luvas e pinça.
Você sabia?
Fêmea pode viver 20 anos
Enquanto o macho morre em poucos anos após amadurecer, a fêmea de Lasiodora parahybana pode ultrapassar 15 a 20 anos em cativeiro, uma das maiores longevidades entre aranhas.
Não come passarinho todo dia
O mito da “aranha que come pássaros” vem de uma ilustração de 1705 de Maria Sibylla Merian; na natureza, aves são presas raríssimas, a dieta é quase toda de insetos.
Tem ganchos para acasalar
Machos adultos têm esporões tibiais nas pernas dianteiras que travam as presas da fêmea durante a cópula para não serem picados.
Troca até as presas na muda
Na ecdise, ela abandona o exoesqueleto completo, incluindo o revestimento das quelíceras, do estômago e dos pulmões-livro, ficando pálida e mole por horas.










