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Víbora-de-Lataste

Vipera latastei

Atualizado em

60 a 75 cmTamanho
ModeradoPerigo para humanos
HemotóxicoVeneno
10 a 15 anosExpectativa de vida
Matagal rochosoHabitat
Víbora-de-Lataste adulta enrolada sobre solo rochoso mostrando padrão em zigue-zague

A Víbora-de-Lataste (Vipera latastei) é uma serpente peçonhenta de pequeno tamanho, famosa pelo focinho arrebitado em forma de pequeno chifre e pelo zigue-zague escuro que percorre o dorso. É a víbora mais comum em grande parte da Península Ibérica e também ocorre no noroeste da África.

Discreta, terrestre e de hábitos crepusculares, ela passa a maior parte do tempo imóvel entre pedras, matagal baixo e muros de pedra, caçando roedores e lagartos. Apesar de peçonhenta, é pouco agressiva e só morde quando pisada ou manipulada, mas todo acidente exige atendimento médico imediato.

Também conhecido como: Víbora-focinho-de-porco, Víbora-cornuda, Víbora-de-focinho-arrebitado, Lataste's Viper, Vipère de Lataste

Faz parte de: Serpentes Peçonhentas

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Galeria de fotos de Víbora-de-Lataste

Víbora-de-Lataste adulta enrolada sobre solo rochoso mostrando padrão em zigue-zague
Adulto de Víbora-de-Lataste com focinho arrebitado e padrão característico.
Close da cabeça da Víbora-de-Lataste mostrando focinho arrebitado e pupila vertical
Detalhe da cabeça triangular e do apêndice nasal arrebitado.
Detalhe das escamas e do zigue-zague dorsal da Víbora-de-Lataste
Padrão dorsal em zigue-zague sobre fundo acinzentado.
Víbora-de-Lataste em habitat natural de matagal mediterrâneo rochoso
Habitat típico: matagal baixo e áreas pedregosas bem drenadas.
Filhote de Víbora-de-Lataste com ponta da cauda amarelada
Filhote com cauda-isca amarelada para atrair lagartos.
Víbora-de-Lataste em postura defensiva enrolada com cabeça elevada
Postura defensiva: corpo enrolado e cabeça elevada antes do bote.

Perfil rápido de Víbora-de-Lataste

Estado de conservação

VU
Vulnerável

População em declínio por perda de habitat, atropelamentos e perseguição humana.

População
Decrescente
Protegido por
Sim

Calendário

Atividade maiorJFMAMJJASOND
Atividade reduzida / noturna no verãoJFMAMJJASOND
HibernaçãoJFMAMJJASOND
AcasalamentoJFMAMJJASOND
NascimentosJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsTóxica
  • PessoasTóxica

Peçonhenta de importância médica; veneno hemotóxico e citotóxico. Acidente requer hospital com soro antiviperino. Não faça torniquete, corte ou sucção.

Vida útil

Na natureza
10 a 15 anos
Em cativeiro
Até 18 anos com manejo especializado

Reprodução

Acasalamento
Abril a maio, após hibernação
Estrutura social
Solitária, com agregações apenas na hibernação
Padrão sazonal
Anual, fêmeas podem pular um ano entre ninhadas
Tipo de nascimento
Vivípara
Ninhada
2 a 13 filhotes, média de 5 a 7, com 14 a 18 cm ao nascer

Habitat

Ambientes

  • áreas rochosas e pedregosas
  • matagal mediterrâneo baixo (garrigue)
  • bosques abertos de azinheira e pinheiro
  • muros de pedra seca e dunas costeiras

Biomas

  • Matagal Mediterrâneo
  • Bosques Temperados Mediterrânicos

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • pequenos roedores
  • lagartos

Outros alimentos

  • anfíbios
  • pequenas aves
  • insetos grandes e centopeias

Encontrado em 5 países

  • Portugal
  • Espanha
  • Marrocos
  • Argélia
  • Tunísia

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Reptilia
Ordem
Squamata
Família
Viperidae
Gênero
Vipera
Espécie
Vipera latastei

Resumo

  • A Víbora-de-Lataste é uma víbora peçonhenta de 60 a 75 cm, reconhecível pelo focinho arrebitado e pelo padrão em zigue-zague dorsal sobre fundo acinzentado ou amarelado.
  • Vive em áreas rochosas e matagal mediterrâneo de Portugal, Espanha e noroeste da África, com atividade maior na primavera e no outono e hibernação no inverno.
  • É tímida e pouco agressiva, mas sua picada é de importância médica e exige hospital com soro antiviperino; nunca tente capturar, matar ou fazer torniquete.

Características

Ficha da serpente

Ordem e famíliaSquamata, Viperidae
Origem e distribuiçãoPenínsula Ibérica e noroeste da África (Portugal, Espanha, Marrocos, Argélia, Tunísia)
Tamanho (comprimento)60 a 75 cm, raramente até 80 cm
Peso80 a 200 g
Cores e padrãocinzabegeamareladomarromcom zigue-zague dorsal marrom-escuro ou pretomanchas laterais
VenenoPeçonhenta
DentiçãoSolenóglifa (presas longas e móveis)
ReproduçãoVivípara
AlimentaçãoCarnívora (roedores, lagartos, anfíbios)
HabitatÁreas rochosas, matagal mediterrâneo, bosques abertos e dunas costeiras
AtividadeCrepuscular e diurna, mais noturna no verão
Expectativa de vida10 a 15 anos na natureza
Estado de conservaçãoVulnerável (VU) - IUCN

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMédio
AgressividadeBaixo
Presença perto de casasBaixo
Importância no controle de roedoresAlto
Facilidade de criação em cativeiroMuito baixo
Atividade noturnaMédio

Como identificar a Víbora-de-Lataste sem confundir

A Víbora-de-Lataste é pequena, robusta e de cabeça triangular bem destacada do pescoço, com pupila vertical em fenda. O detalhe que a distingue de qualquer outra víbora europeia é o apêndice nasal arrebitado, um pequeno chifre mole coberto de escamas que deixa o focinho com aspecto de nariz empinado.

O dorso varia entre cinza-claro, bege-amarelado e marrom-acinzentado, sempre com uma faixa em zigue-zague escura bem marcada do pescoço à cauda, acompanhada de manchas laterais arredondadas. A ponta da cauda costuma ser amarelada ou alaranjada, sobretudo em jovens, o que serve como isca para atrair lagartos.

Em Portugal e Espanha ela é frequentemente confundida com a víbora-cornuda (Vipera ammodytes), que não ocorre na Península, e com a cobra-rateira ou a cobra-de-escada, ambas não peçonhentas e de cabeça mais alongada. Na nossa avaliação, o conjunto focinho arrebitado + escamas da cabeça pequenas e numerosas + zigue-zague contínuo é o trio mais seguro para reconhecer a espécie à distância, sem precisar chegar perto.

Onde vive e por que tem distribuição tão restrita

A espécie é endêmica do sudoeste da Europa e do Magrebe. Ocorre em quase toda a Península Ibérica, exceto no extremo norte e nos Pirineus centrais, e no norte de Marrocos, Argélia e Tunísia. Não existe no Brasil e não deve ser confundida com jararacas.

Prefere ambientes secos, pedregosos e bem drenados: encostas com lajes, matagal mediterrâneo (garrigue e maquis), bosques abertos de azinheira e sobreiro, muros de pedra seca e até dunas costeiras. Evita áreas muito úmidas e florestas fechadas, onde é substituída pela víbora-de-Seoane no norte ibérico.

É uma serpente de baixa densidade e área de vida pequena, muitas vezes menor que 2 hectares. Essa fidelidade ao local, somada à fragmentação por estradas, agricultura intensiva e urbanização, explica por que está em declínio mesmo dentro de áreas protegidas.

Comportamento e hábitos: a mestra da imobilidade

A Víbora-de-Lataste é terrestre, sedentária e extremamente críptica. Passa horas imóvel, termorregulando ao sol da manhã sobre pedras ou semi-enterrada sob folhas secas. Seu padrão em zigue-zague quebra a silhueta e a torna quase invisível.

Tem atividade crepuscular e diurna na primavera e no outono, e mais noturna no auge do verão, quando o calor diurno é excessivo. De novembro a fevereiro hiberna em fendas rochosas, tocas de roedores ou sob amontoados de pedras, muitas vezes em pequenos grupos.

É pouco agressiva. Diante de aproximação, primeiro tenta fugir lentamente ou permanecer imóvel. Se encurralada, achata o corpo, sibila forte e dá botes curtos com a boca fechada antes de morder. A maioria das picadas acontece por pisão acidental durante trilhas ou trabalhos agrícolas.

Como ela se move e se defende

Desloca-se por reptação retilínea lenta, sem pressa, e raramente sobe em arbustos. Quando ameaçada, enrola-se em espiral com a cabeça elevada no centro, o que maximiza o alcance do bote, que pode chegar a um terço do comprimento do corpo.

O que come e como caça

A dieta é oportunista e muda com a idade. Adultos consomem sobretudo pequenos roedores como camundongos e musaranhos e lagartos do gênero Podarcis e Psammodromus. Filhotes dependem mais de lagartos, anfíbios, insetos grandes e centopeias.

Caça por emboscada. Escolhe uma trilha de roedores ou uma pedra com boa exposição, espera imóvel e projeta as presas solenóglifas em frações de segundo. Após a picada, solta a presa e a segue pelo cheiro até que o veneno faça efeito, evitando ser mordida.

  • Filhotes usam a ponta colorida da cauda como isca, balançando-a como uma larva para atrair lagartos a poucos centímetros da cabeça.
  • Em anos de pouca chuva, aumenta o consumo de anfíbios e de aves que nidificam no solo.
  • Um adulto pode ficar semanas sem se alimentar após uma refeição grande, o que é comum em víboras de clima mediterrâneo.

Reprodução e ciclo de vida

O acasalamento ocorre na primavera, entre abril e maio, logo após a saída da hibernação. Machos fazem combates ritualizados, entrelaçando o corpo e tentando empurrar o rival, sem uso de veneno. A fêmea pode armazenar esperma e fertilizar os ovos semanas depois.

É vivípara: os embriões se desenvolvem dentro da mãe e nascem já formados, envoltos em membrana fina que se rompe logo após o parto. A gestação dura cerca de 3 a 4 meses e os nascimentos acontecem no final do verão, entre agosto e outubro.

Cada ninhada tem 2 a 13 filhotes, com média de 5 a 7, medindo 14 a 18 cm. As fêmeas não se reproduzem todo ano; em habitats pobres, fazem intervalo de um a dois anos para recuperar reservas. A maturidade sexual chega aos 3 a 4 anos.

Veneno e picada: é perigosa? O que fazer

Sim, é peçonhenta de importância médica, mas com letalidade muito baixa quando há atendimento. O veneno é predominantemente hemotóxico e citotóxico, causando dor intensa, edema progressivo, bolhas, náusea e, em casos mais graves, alterações de coagulação. Efeitos neurotóxicos são raros.

O risco real depende da quantidade inoculada, do local da picada e da condição da vítima. Crianças, idosos e pessoas alérgicas são mais vulneráveis. Na Península Ibérica, o soro antiviperino é eficaz e está disponível em hospitais.

  • O que fazer: afaste-se da cobra, mantenha a vítima calma e em repouso, imobilize o membro sem apertar, retire anéis e pulseiras, lave o local só com água e sabão e vá imediatamente ao hospital. Se possível, fotografe a cobra à distância.
  • O que nunca fazer: não faça torniquete, não corte, não sugue, não aplique gelo, álcool, ervas ou pomadas, não ofereça bebida alcoólica e não tente capturar ou matar o animal.

Na nossa avaliação, o maior erro é subestimar a picada porque a cobra é pequena. Mesmo uma víbora de 60 cm pode inocular veneno suficiente para exigir internação. Todo caso deve ser avaliado por equipe médica.

Papel no ecossistema e por que não deve ser morta

É uma controladora natural de roedores e lagartos. Em áreas agrícolas mediterrâneas, uma única víbora pode consumir dezenas de camundongos por estação, reduzindo danos a plantações e a transmissão de doenças.

Também serve de presa para águias-cobreiras, javalis, texugos e mangustos. Sua presença indica ecossistema com boa estrutura de pedras, micro-habitat e cadeia alimentar completa. Removê-la desequilibra o controle biológico e não reduz o risco a longo prazo, pois outro indivíduo ocupará o território.

Em Portugal e Espanha a espécie é protegida por lei. Matar, capturar ou comercializar é crime ambiental e, além disso, aumenta o risco de picada.

O que fazer ao encontrar uma na trilha ou perto de casa

Em trilhas, use bota alta, calça comprida e bastão para sondar pedras. Olhe onde pisa e onde apoia as mãos, não levante pedras ou troncos sem necessidade e mantenha distância mínima de 2 metros. Se avistar a víbora, pare, contorne e deixe-a seguir.

Perto de casas rurais, a prevenção é mais eficaz que a remoção: mantenha o terreno limpo, sem entulho, lenha encostada na parede ou grama alta, vede frestas em muros e mantenha roedores sob controle sem veneno. Telas em portas e ralos ajudam.

Se a cobra estiver em quintal ou dentro de casa, isole o cômodo, afaste pessoas e pets e acione bombeiros ou autoridade ambiental (em Portugal ICNF, em Espanha agentes ambientais, telefone de emergência 112). Nunca tente encurralar com vassoura ou balde.

Estado de conservação e principais ameaças

A IUCN classifica a Víbora-de-Lataste como Vulnerável (VU), com população em declínio. As ameaças mais citadas em campo são atropelamentos, incêndios, intensificação agrícola, remoção de muros de pedra e perseguição direta por medo.

Estudos ibéricos mostram perda de mais de 30% da área de ocupação em algumas regiões nas últimas décadas, com populações isoladas e pouco conectadas. Projetos de conservação focam em educação ambiental, passagens de fauna e manutenção de habitats em mosaico.

Para quem visita áreas onde ela ocorre, a melhor contribuição é registrar observações com foto à distância em plataformas de ciência cidadã e nunca divulgar localização exata de agregações de hibernação.

Perguntas frequentes

A Víbora-de-Lataste existe no Brasil?

Não. Ela ocorre apenas na Península Ibérica e no noroeste da África. No Brasil, as víboras equivalentes são jararacas e jararacuçus.

Como diferenciar a Víbora-de-Lataste de uma cobra não peçonhenta?

Observe o focinho arrebitado, a cabeça triangular larga, a pupila em fenda vertical e o zigue-zague dorsal contínuo. Na dúvida, mantenha distância e não tente manusear.

A picada da Víbora-de-Lataste pode matar?

Pode ser grave, mas mortes são raras com atendimento rápido e soro antiviperino. O risco é maior para crianças, idosos e quando há demora para chegar ao hospital.

O que fazer se meu cachorro for picado?

Mantenha o pet calmo, imobilize o membro sem apertar, não faça torniquete nem dê remédios caseiros e leve imediatamente ao veterinário. Leve foto da cobra se conseguir à distância.

Posso criar Víbora-de-Lataste como pet no Brasil?

Não. É fauna silvestre estrangeira protegida, não há criação legalizada no Brasil e o manejo exige licença e soro específico. No Brasil, só crie serpentes de criadouros autorizados pelo IBAMA.

Ela é agressiva?

Não. É tímida e prefere ficar imóvel ou fugir. Só morde se pisada, encurralada ou manipulada.

Fatos surpreendentes sobre a Víbora-de-Lataste

1

O chifre que não é chifre

O apêndice do focinho não é rígido como o da víbora-cornuda dos Bálcãs; é mole, coberto de pequenas escamas e serve mais para camuflagem entre folhas secas do que para escavar.

2

Cauda-isca dos filhotes

Recém-nascidos têm a ponta da cauda amarelo-vivo e a balançam como uma minhoca para atrair lagartos. O comportamento desaparece após o primeiro ano de vida.

3

Veneno que muda com a latitude

Pesquisas ibéricas indicam que populações do sul da Península têm veneno com maior atividade hemotóxica que as do norte, uma adaptação à dieta com mais mamíferos.

4

Hibernação em condomínio

No inverno, dezenas de indivíduos podem compartilhar a mesma fenda rochosa profunda, às vezes com outras espécies de cobras, para manter a temperatura estável.

Fontes

  1. Reptile Database - Vipera latastei
  2. IUCN Red List - Vipera latastei
  3. Instituto Butantan

Prós e contras: Víbora-de-Lataste

Prós

  • Excelente controladora natural de roedores e lagartos
  • Tímida e pouco agressiva, evita contato humano
  • Indicadora de ecossistema mediterrâneo bem preservado
  • Pequena e sedentária, fácil de monitorar em projetos de conservação
  • Veneno estudado para pesquisas biomédicas sobre coagulação

Contras

  • Peçonhenta de importância médica, exige hospital com soro específico
  • População vulnerável e em declínio por ação humana
  • Pode se abrigar em muros e amontoados de pedra perto de casas rurais
  • Confundida com cobras inofensivas e morta por medo
  • Baixa taxa reprodutiva, demora para se recuperar de impactos
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a Víbora-de-Lataste é o exemplo perfeito de serpente que sofre mais com a fama do que com o perigo real: discreta e pouco agressiva, ela evita gente sempre que pode. Protegê-la é também proteger o equilíbrio do matagal mediterrâneo, onde seu controle de roedores vale mais que o medo que inspira.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 17.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.