🐍 Serpentes

Cobra-rateira

Xenodon merremii (Wagler, 1824)

Atualizado em

80 a 130 cmTamanho
BaixoPerigo para humanos
Baixa toxicidadeVeneno
10 a 15 anosExpectativa de vida
Áreas abertas e periurbanoHabitat
Cobra-rateira adulta de corpo inteiro sobre solo de Cerrado

A cobra-rateira (Xenodon merremii), também chamada de boipeva, é uma das serpentes mais encontradas em áreas abertas e periurbanas do Brasil. Não é considerada peçonhenta de importância médica, mas possui dentição opistóglifa e peçonha leve usada para conter presas.

Famosa por achatar o corpo, inflar o pescoço e dar botes de boca fechada, ela imita a jararaca quando se sente ameaçada, o que causa muitos sustos e mortes desnecessárias. Diurna e ágil, tem papel importante no controle de roedores e anfíbios.

Também conhecido como: Boipeva, Cobra-capim, Cobra-chata, Wagler's snake (inglês)

Faz parte de: Serpentes do Brasil, Serpentes Não Peçonhentas

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Galeria de fotos de Cobra-rateira

Cobra-rateira adulta de corpo inteiro sobre solo de Cerrado
Adulto de cobra-rateira (Xenodon merremii) com padrão marrom e manchas escuras.
Close da cabeça da cobra-rateira mostrando pupila redonda e escamas
Detalhe da cabeça sem fosseta loreal e com pupila redonda.
Detalhe das escamas e padrão de cores da cobra-rateira
Padrão de escamas e coloração típica em tons de marrom e bege.
Cobra-rateira em habitat natural de Cerrado com capim seco
Habitat preferido: áreas abertas e bordas de mata.
Cobra-rateira em postura defensiva achatando o pescoço
Postura de defesa imitando jararaca ao achatar o corpo.
Filhote de cobra-rateira sobre folhiço
Filhote com cerca de 20 cm e padrão mais contrastado.

Perfil rápido de Cobra-rateira

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

Espécie amplamente distribuída e tolerante a ambientes alterados.

População
Estável
Protegido por
Sim, fauna silvestre protegida por lei no Brasil

Calendário

Maior atividadeJFMAMJJASOND
AcasalamentoJFMAMJJASOND
Postura de ovosJFMAMJJASOND
Eclosão dos filhotesJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsBaixa
  • PessoasBaixa

Peçonha leve de dentição opistóglifa, sem importância médica; mordida pode causar dor e edema local, mas não exige soro antiofídico.

Vida útil

Na natureza
10 a 15 anos
Em cativeiro
Raro, não há dados consistentes por não ser criada legalmente como pet

Reprodução

Acasalamento
Sazonal, na primavera e início do verão
Estrutura social
Solitária
Padrão sazonal
Ovípara com postura na estação chuvosa
Tipo de nascimento
Ovos
Ninhada
10 a 30 ovos por postura

Habitat

Ambientes

  • Campos e pastagens
  • Bordas de mata
  • Áreas agrícolas e periurbanas
  • Sob entulho, cupinzeiros e folhiço

Biomas

  • Cerrado
  • Caatinga
  • Mata Atlântica
  • Pampa
  • Pantanal

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Anfíbios
  • Roedores

Outros alimentos

  • Lagartos

Encontrado em 7 países

  • Brasil
  • Argentina
  • Paraguai
  • Bolívia
  • Guiana
  • Guiana Francesa
  • Uruguai

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Reptilia
Ordem
Squamata
Família
Dipsadidae
Gênero
Xenodon
Espécie
Xenodon merremii

Resumo

  • A cobra-rateira é uma serpente não peçonhenta de importância médica, comum em todo o Brasil, que imita a jararaca ao achatar o corpo quando ameaçada.
  • Tem atividade diurna, mede de 80 a 130 cm e se alimenta principalmente de anfíbios, roedores e lagartos, ajudando no controle de pragas.
  • Sua mordida pode causar dor e inchaço local, mas não exige soro antiofídico; ao encontrá-la, mantenha distância e acione bombeiros ou órgão ambiental.

Características

Ficha da serpente

Ordem e famíliaSquamata, Dipsadidae
Origem e distribuiçãoAmérica do Sul – Brasil amplo, Argentina, Paraguai, Bolívia e Guianas
Tamanho (comprimento)80 a 130 cm, fêmeas até 150 cm
Peso300 a 900 g
Cores e padrãomarrombegecinzaamarelo-clarocom manchas escuras irregularesventre claro
Veneno (peçonhenta ou não)Não peçonhenta de importância médica (opistóglifa, peçonha leve)
DentiçãoOpistóglifa
ReproduçãoOvípara
AlimentaçãoAnfíbios, roedores e lagartos
HabitatCerrado, campos, Caatinga, bordas de mata e áreas periurbanas
AtividadeDiurna
Expectativa de vida10 a 15 anos na natureza
Estado de conservaçãoPouco preocupante (LC)

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito baixo
AgressividadeMédio
Presença perto de casasAlto
Importância no controle de roedoresMuito alto
Facilidade de criação em cativeiroMuito baixo
Atividade noturnaMuito baixo

Como identificar a cobra-rateira sem confundir com jararaca

A cobra-rateira adulta tem corpo robusto mas não tão grosso quanto a jararaca, cabeça pouco distinta do pescoço e focinho arredondado. O padrão mais comum é marrom ou cinza-bege com manchas escuras irregulares, às vezes em zigue-zague, e ventre amarelado ou creme.

Diferente da jararaca (Bothrops), ela não tem fosseta loreal (aquele orifício entre olho e narina), não tem cauda com ponta clara e as escamas da cabeça são grandes e simétricas, não pequenas e numerosas. Os olhos têm pupila redonda, típica de serpentes diurnas não peçonhentas.

Filhotes já nascem com o padrão do adulto, mas com cores mais vivas e manchas mais contrastadas. A confusão acontece porque, quando acuada, a rateira achata a cabeça e o pescoço e fica triangular, imitando uma viperídea.

Onde vive e por que aparece tanto perto de casas

No Brasil, a Xenodon merremii ocorre em praticamente todos os biomas, mas prefere áreas abertas: Cerrado, Caatinga, campos do Pampa, bordas de Mata Atlântica e Pantanal. Evita mata fechada e úmida.

Ela é terrestre e muito adaptada a ambientes alterados. Pastagens, plantações, terrenos baldios, quintais e galinheiros com ratos e sapos atraem a espécie. É por isso que está entre as serpentes mais vistas por moradores do interior e da periferia urbana.

Durante a estação quente e chuvosa, de outubro a março, a atividade aumenta muito. Abrigos como entulho, pilhas de lenha, touceiras de capim alto e bueiros são locais típicos de encontro.

Comportamento: a mestre do blefe

A cobra-rateira é diurna, ágil e bastante reativa. Quando percebe gente, a primeira reação é fugir rápido entre a vegetação. Se encurralada, muda completamente.

O comportamento defensivo é teatral: achata todo o terço anterior do corpo, infla o pescoço, sibila alto, dá botes curtos de boca fechada e pode bater a cauda no chão. Essa encenação imita jararacas e afasta predadores.

Apesar do show, ela raramente morde de verdade. Quando morde, pode não inocular veneno. Outro detalhe curioso é que ela raramente sobe em árvores e não é aquática, diferente de outras serpentes que também levam o nome de rateira em algumas regiões.

Como diferenciar da jararaca na prática

  • Jararaca: cabeça bem triangular e destacada, fosseta loreal visível, corpo mais grosso, cauda afinando bruscamente.
  • Rateira: cabeça pouco destacada em repouso, sem fosseta, corpo mais esguio, achatamento só quando está irritada.
  • Na dúvida, nunca tente manipular. Fotografe de longe e mantenha distância.

O que come e como caça

A dieta revela por que o nome é rateira. Ela é predadora generalista com preferência por anfíbios, especialmente sapos e rãs, mas consome muitos roedores e lagartos.

Caça por busca ativa durante o dia, farejando com a língua e explorando tocas e folhiço. Ao capturar a presa, usa constrição leve e a peçonha do fundo da boca para imobilizar, engolindo em seguida.

Essa alimentação faz dela uma aliada no controle de ratos e de sapos-cururu em áreas rurais. Uma única rateira adulta pode consumir dezenas de roedores por estação chuvosa.

Reprodução e ciclo de vida

A cobra-rateira é ovípara. O acasalamento ocorre no final da estação seca e início das chuvas, entre setembro e dezembro.

A fêmea deposita de 10 a 30 ovos alongados e brancos em locais úmidos e protegidos, como montes de folhas, cupinzeiros abandonados ou sob troncos. A incubação dura cerca de 60 a 80 dias, dependendo da temperatura.

Os filhotes nascem com 18 a 25 cm e já são independentes, sem cuidado parental. A maturidade sexual chega com cerca de 2 anos. Na natureza, vive de 10 a 15 anos.

A cobra-rateira tem veneno? É perigosa para humanos e pets?

Ela possui glândula de Duvernoy e dentição opistóglifa, com dois dentes inoculadores no fundo da boca. A peçonha tem baixa toxicidade para humanos e serve para subjugar sapos e lagartos.

Por isso, o Ministério da Saúde não a classifica como serpente de importância médica. Não existe soro específico para ela e a maioria dos acidentes causa apenas dor local, inchaço leve e sangramento pequeno.

Em cachorros e gatos, a mordida também costuma ser leve, mas pode haver dor e edema. Animais de focinho curto que tentam morder a cobra correm mais risco de levar picada na face. Reações alérgicas são raras, mas exigem veterinário.

Em caso de mordida, lave com água e sabão, mantenha a pessoa em repouso e procure atendimento médico imediatamente. Não faça torniquete, não corte, não sugue e não use remédios caseiros. Leve foto da serpente se possível, mas não tente capturá-la.

O que fazer ao encontrar uma cobra-rateira em casa ou no quintal

Mantenha distância mínima de 2 metros e impeça que crianças e pets se aproximem. Não tente bater, encurralar ou jogar água.

Se estiver em local fechado, isole o cômodo fechando a porta por baixo com pano e acione Corpo de Bombeiros (193) ou órgão ambiental municipal. Se estiver no quintal, apenas afaste-se e deixe rota de fuga aberta; na maioria das vezes ela vai embora sozinha.

Para evitar novas visitas, elimine abrigo e alimento: corte capim alto, remova entulho e lenha encostada na parede, vede frestas, controle roedores e não deixe ração de pets exposta. Matar serpente nativa é crime ambiental.

Papel no ecossistema e status de conservação

Na nossa avaliação, a cobra-rateira é uma das serpentes mais subestimadas do Brasil. Por ser confundida com jararaca, morre muito mais por medo do que por qualquer risco real, e isso desequilibra o controle natural de pragas.

Ela é predada por gaviões, seriemas, gambás e outras cobras, como a muçurana, e serve como elo importante entre anfíbios, roedores e predadores de topo. Onde ela desaparece, a população de ratos tende a aumentar.

A espécie é classificada como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, com população estável e ampla distribuição. A principal ameaça local é o atropelamento e a morte intencional, não a perda de habitat em larga escala, já que ela tolera áreas antropizadas.

Cobra-rateira Jararaca (Bothrops)
Sem fosseta loreal, pupila redonda Com fosseta loreal, pupila vertical
Cabeça pouco distinta em repouso Cabeça triangular bem distinta
Peçonha leve, sem risco grave Peçonha potente, exige soro antibotrópico
Comportamento de blefe, bote de boca fechada Bote defensivo com inoculação rápida

Perguntas frequentes

Cobra-rateira é venenosa?

Tem peçonha leve e dentição opistóglifa, mas não é considerada peçonhenta de importância médica. A mordida causa dor e inchaço local e não exige soro antiofídico.

Como diferenciar cobra-rateira de jararaca?

A rateira não tem fosseta loreal, tem pupila redonda e cabeça pouco distinta em repouso. A jararaca tem fosseta entre olho e narina, pupila vertical e cabeça bem triangular.

O que fazer se encontrar uma cobra-rateira no quintal?

Mantenha distância, afaste crianças e pets e deixe rota de fuga. Se não for embora, acione bombeiros (193) ou órgão ambiental. Não tente matar ou capturar.

Cobra-rateira pode matar cachorro ou gato?

Raramente. A mordida pode causar dor e edema, mas o risco grave é baixo. Leve o pet ao veterinário para avaliação e controle da dor.

Ela come ratos mesmo?

Sim. Anfíbios são a base da dieta, mas roedores são presas frequentes, por isso ajuda muito no controle de pragas em sítios e fazendas.

Cobra-rateira pode ser criada como pet?

Não. É fauna silvestre nativa protegida por lei. Só criadouros autorizados pelo IBAMA podem manter serpentes, e a rateira não está entre as espécies autorizadas para pet.

Você sabia?

1

Atriz que finge ser jararaca

Quando acuada, a rateira achata o pescoço e a cabeça até ficar triangular, sibila e dá botes sem abrir a boca, imitando perfeitamente uma jararaca para assustar predadores.

2

Imune a veneno de sapo

Sua dieta rica em sapos-cururu só é possível porque ela tolera as toxinas da pele desses anfíbios, que seriam letais para muitos predadores.

3

Nome confuso no Brasil

O nome cobra-rateira é usado para duas espécies diferentes: Xenodon merremii e Philodryas patagoniensis (parelheira), ambas não peçonhentas de importância médica e com hábitos parecidos.

4

Postura de boca fechada

Mesmo irritada, ela costuma manter a boca fechada nos primeiros botes, batendo o focinho no alvo. É um blefe que evita gastar peçonha e se machucar.

Fontes

  1. Instituto Butantan
  2. Reptile Database - Xenodon merremii
  3. IUCN Red List
  4. Ministério da Saúde - Acidentes por animais peçonhentos

Prós e contras: Cobra-rateira

Prós

  • Excelente controle natural de roedores e anfíbios
  • Não peçonhenta de importância médica, baixo risco para humanos
  • Muito adaptável e comum, fácil de observar na natureza
  • Comportamento defensivo vistoso, interessante para educação ambiental
  • Ampla distribuição no Brasil

Contras

  • Facilmente confundida com jararaca e morta por engano
  • Quando acuada, dá botes assustadores que geram pânico
  • Mordida pode causar dor e inchaço local
  • Aparece com frequência perto de casas em áreas rurais
  • Não pode ser manejada sem treinamento, mesmo sendo pouco perigosa
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a cobra-rateira é injustiçada pela semelhança comportamental com a jararaca: morre à toa por medo, quando na verdade é uma das melhores controladoras de ratos e sapos em áreas rurais. Vale protegê-la e aprender a reconhecer o blefe em vez de atacar.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 17.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.