🐍 Serpentes

Urutu

Bothrops alternatus

Atualizado em

1,2 a 1,7 m, fêmeas maioresTamanho
Alto se acuada ou pisadaPerigo para humanos
Peçonhento, hemorrágicoVeneno
10 a 15 anos na naturezaExpectativa de vida
Campos, banhados e matas abertasHabitat
Urutu adulta enrodilhada em campo com padrão em ferradura visível

A urutu (Bothrops alternatus), também chamada de cruzeira ou urutu-cruzeiro, é uma das jararacas mais robustas do Brasil. Peçonhenta e terrestre, destaca-se pelo padrão dorsal em forma de ferradura e pela marca clara em cruz no topo da cabeça, que lhe rendeu o nome popular.

Vive principalmente no Sul, Sudeste e Centro-Oeste, além de Paraguai, Uruguai e Argentina, ocupando campos, banhados, bordas de mata e áreas agrícolas. De hábitos noturnos e crepusculares, tem fama de temperamento defensivo e bote muito rápido quando se sente acuada.

Apesar do veneno de ação hemorrágica e coagulante, a urutu tem papel essencial no controle de roedores e só oferece risco real quando é pisada, encurralada ou manuseada. Manter distância e acionar bombeiros ou órgão ambiental é sempre a conduta correta.

Também conhecido como: Urutu-cruzeiro, Cruzeira, Víbora-de-la-cruz, Yarará grande

Faz parte de: Serpentes do Brasil, Serpentes Peçonhentas

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Galeria de fotos de Urutu

Urutu adulta enrodilhada em campo com padrão em ferradura visível
Urutu adulta em posição de descanso, com o padrão em ferradura característico.
Close da cabeça da urutu mostrando fosseta loreal e marca em cruz
Detalhe da cabeça triangular, fosseta loreal e marca em cruz.
Detalhe das escamas e padrão dorsal da urutu
Padrão dorsal em C alternado que dá nome à espécie alternatus.
Urutu camuflada em banhado com folhas secas e capim
Habitat típico: campos e banhados onde se camufla com facilidade.
Filhote de urutu com ponta da cauda clara para engodo caudal
Filhote com ponta da cauda clara usada para atrair presas.
Urutu em postura defensiva em S pronta para o bote
Postura defensiva em S, sinal de que se sente ameaçada.

Perfil rápido de Urutu

Estado de conservação

LC
Pouco preocupante

Populações amplas e relativamente estáveis em grande parte da distribuição.

População
estável
Protegido por
Fauna silvestre protegida por lei no Brasil; captura e comércio ilegais são crime

Calendário

Maior atividade (noturna)JFMAMJJASOND
AcasalamentoJFMAMJJASOND
NascimentosJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsTóxica
  • PessoasTóxica

Veneno botrópico hemorrágico e coagulante; exige soro antibotrópico. Risco alto para cães e gatos se houver picada.

Vida útil

Na natureza
10 a 15 anos
Em cativeiro
Até 20 anos com manejo técnico e alimentação regular

Reprodução

Acasalamento
Principalmente no outono, com cópulas prolongadas
Tipo de nascimento
Vivípara — dá à luz filhotes já formados
Ninhada
5 a 20 filhotes, com 20 a 30 cm ao nascer
Sazonalidade
Nascimentos no verão e início do outono
Maturidade sexual
2 a 3 anos

Habitat

Ambientes

  • Campos naturais e pastagens
  • Banhados, várzeas e brejos
  • Bordas de mata e capoeiras
  • Cerrado aberto e áreas agrícolas

Biomas

  • Pampa
  • Mata Atlântica
  • Cerrado
  • Pantanal

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • roedores

Outros alimentos

  • pequenos marsupiais
  • lagartos
  • anfíbios

Encontrado em 4 países

  • Brasil
  • Paraguai
  • Uruguai
  • Argentina

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Reptilia
Ordem
Squamata
Família
Viperidae
Gênero
Bothrops
Espécie
Bothrops alternatus

Resumo

  • A urutu (Bothrops alternatus) é uma serpente peçonhenta da família Viperidae, famosa pela mancha em cruz na cabeça e pelas manchas dorsais em forma de C ou ferradura.
  • Vive no Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil e em países vizinhos, em campos, banhados, Cerrado e bordas de Mata Atlântica, com hábitos terrestres e noturnos.
  • Seu veneno tem ação hemorrágica e coagulante e exige atendimento médico imediato com soro antibotrópico, sem torniquete, cortes ou receitas caseiras.

Características

Ficha da serpente

Ordem e famíliaSquamata, Viperidae
Origem e distribuiçãoAmérica do Sul — Brasil (Sul, Sudeste, Centro-Oeste), Paraguai, Uruguai e Argentina
Tamanho (comprimento)70 cm a 170 cm, média 110 a 130 cm; fêmeas maiores
Peso1,5 a 4 kg em adultos
Cores e padrãomarrombegecinza-escuropretocrememanchas dorsais em Cferraduracruz clara na cabeça
Veneno (peçonhenta ou não)Peçonhenta
DentiçãoSolenóglifa (presas grandes, ocas e retráteis)
Reprodução (ovípara ou vivípara)Vivípara
AlimentaçãoRoedores, pequenos marsupiais, lagartos e anfíbios
HabitatCampos, banhados, Cerrado, bordas de mata e áreas agrícolas
Atividade (diurna ou noturna)Noturna e crepuscular
Expectativa de vida10 a 15 anos na natureza, até 20 em cativeiro
Estado de conservaçãoPouco preocupante (LC) - IUCN

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasAlto
AgressividadeAlto
Presença perto de casasMédio
Importância no controle de roedoresMuito alto
Facilidade de criação em cativeiroMuito baixo
Atividade noturnaMuito alto

Como identificar a urutu sem confundir com outras jararacas

A urutu (Bothrops alternatus) é uma jararaca parruda, de corpo musculoso e cabeça triangular bem destacada do pescoço. Como toda Bothrops, tem fosseta loreal — um orifício entre o olho e a narina que detecta calor — e pupila vertical. Isso já a separa de cobras não peçonhentas.

O padrão é o melhor atalho. No dorso, as manchas são escuras em forma de C ou ferradura, com borda preta e centro mais claro, intercaladas de forma alternada dos dois lados do corpo. O nome científico alternatus vem justamente dessa alternância. No topo da cabeça, há uma marca clara em forma de cruz, origem do nome cruzeira.

Adultos medem de 70 cm a 170 cm, com média de 110 a 130 cm; fêmeas são maiores e mais pesadas que machos. A cauda é curta e escura. Filhotes têm a ponta da cauda esbranquiçada ou amarelada, usada para atrair presas com movimentos de isca.

  • Urutú: manchas em C bem fechadas + cruz na cabeça + corpo muito robusto.
  • Jararaca-comum (Bothrops jararaca): manchas em V ou triangulares mais alongadas, sem cruz tão nítida.
  • Jararacuçu: maior e com padrão menos contrastado, sem ferraduras tão definidas.
  • Cobras não peçonhentas não têm fosseta loreal nem presas retráteis.

Onde vive e distribuição no Brasil

A urutu é tipicamente sul-americana de clima mais ameno. No Brasil ocorre com mais frequência no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, sul de Minas Gerais e de Goiás, além de partes do Distrito Federal.

Fora do Brasil, está presente no Paraguai, Uruguai e norte da Argentina. Prefere campos naturais, banhados, várzeas, Cerrado aberto, bordas de Mata Atlântica e áreas agrícolas, como lavouras e pastagens. É terrestre e raramente sobe em vegetação.

É comum perto de água, mas não é aquática. Abriga-se sob moitas, cupinzeiros, pedras, troncos e entulhos. Em regiões frias, reduz a atividade no inverno e volta a se movimentar com força na primavera e no verão, quando há mais roedores e anfíbios.

Comportamento e temperamento: por que tem fama de brava

A fama da urutu vem do comportamento defensivo muito assertivo. Quando se sente acuada, ela não foge de imediato: arma o bote em S, achata o corpo, vibra a cauda e pode dar botes rápidos e longos, alcançando boa parte do comprimento do corpo.

Apesar disso, não é uma perseguidora. Na maioria dos encontros, prefere ficar imóvel e contar com a camuflagem ou se afastar lentamente. A maioria das picadas acontece quando a serpente é pisada, encurralada ou tocada durante roçada, colheita ou ao mexer em lenha e entulho.

É predominantemente noturna e crepuscular, mais ativa em noites quentes e úmidas. Durante o dia, fica abrigada. Tem boa fidelidade a áreas com alimento; onde há ratos, pode permanecer por semanas no mesmo território.

O que come e como caça

A dieta é baseada em roedores silvestres e sinantrópicos, que representam a maior parte das presas de adultos. Complementa com pequenos marsupiais, lagartos e anfíbios, mais comuns na dieta de jovens.

Caça por emboscada. Fica imóvel por horas em trilhas de roedores, usando a fosseta loreal para detectar o calor da presa mesmo no escuro. O bote é extremamente rápido, injeta veneno e solta a presa, esperando que o veneno faça efeito antes de rastreá-la pelo cheiro.

Filhotes usam engodo caudal: vibram a ponta clara da cauda como se fosse uma larva para atrair lagartos e anfíbios. Essa estratégia aumenta muito a taxa de sucesso nos primeiros meses, quando ainda são pequenos para subjugar roedores.

Reprodução e ciclo de vida

A urutu é vivípara: não põe ovos, dá à luz filhotes já formados. O acasalamento ocorre principalmente no outono, com cópulas que podem durar horas e disputas entre machos.

A gestação dura cerca de 5 a 7 meses e os nascimentos se concentram no verão e início do outono, quando há mais alimento e calor. Uma fêmea gera de 5 a 20 filhotes por ninhada, com cerca de 20 a 30 cm ao nascer.

Os filhotes já nascem peçonhentos e independentes, sem cuidado parental. A maturidade sexual chega entre 2 e 3 anos. Em vida livre, vive 10 a 15 anos; em cativeiro bem manejado, pode chegar a 20. Fêmeas grandes tendem a ter ninhadas maiores.

Veneno e picada: é perigosa? O que fazer

Sim, a urutu é peçonhenta e de importância médica. O veneno é predominantemente botrópico, com ação hemorrágica, coagulante e inflamatória. Causa dor intensa, inchaço rápido, manchas roxas, sangramento no local e em gengivas, além de alterações na coagulação. Sem tratamento, pode levar a necrose e insuficiência renal.

Não existe soro caseiro. O tratamento é com soro antibotrópico, disponível em hospitais de referência. A gravidade depende da quantidade de veneno, local da picada, tamanho da serpente e tempo até o atendimento. Picadas em crianças e idosos exigem atenção ainda mais rápida.

  • Faça: afaste-se da cobra, mantenha a vítima em repouso, lave o local com água e sabão, mantenha o membro elevado e procure hospital imediatamente. Leve foto da serpente se possível, sem tentar capturá-la.
  • Nunca faça: torniquete, corte, sucção, gelo, álcool, pomadas ou remédios caseiros. Não ofereça bebida alcoólica.
  • Prevenção: use bota de cano alto e perneira em campo, luvas ao mexer em lenha, e ilumine o caminho à noite.

Todo acidente deve ser notificado como acidente ofídico ao serviço de saúde. Quanto antes o soro, menor o risco de sequelas.

Papel no ecossistema

A urutu é uma controladora natural de roedores. Uma única adulta pode consumir dezenas de ratos por ano, reduzindo prejuízos em lavouras e a transmissão de doenças como leptospirose e hantavirose.

Também serve de alimento para gaviões, seriemas e outros predadores, integrando a cadeia alimentar dos campos e banhados. Sua presença indica ambiente com presas e abrigos, não necessariamente desequilíbrio.

Matar a serpente não resolve o problema e é crime ambiental — fauna silvestre é protegida por lei. O manejo correto é prevenção e realocação por profissionais, mantendo o equilíbrio sem risco para pessoas e animais.

Encontrou uma urutu em casa ou no quintal? O que fazer

Mantenha distância mínima de 3 metros e impeça que crianças e pets se aproximem. Não tente matar, tocar ou encurralar. Se estiver dentro de casa, isole o cômodo fechando portas e colocando pano na fresta.

Acione Corpo de Bombeiros (193), Polícia Ambiental ou órgão ambiental municipal. Eles têm treinamento e ferramentas para captura e soltura em local adequado. Se possível, observe de longe onde a cobra se abrigou para orientar a equipe.

Para evitar novas visitas, limpe o terreno: corte grama, remova entulhos, telhas e madeiras empilhadas, vede frestas e ralos, controle roedores e mantenha ração de pets guardada. À noite, use lanterna ao caminhar em áreas externas.

Diferenças rápidas e conservação

Muita gente confunde urutu com jararaca-pintada ou com cobras não peçonhentas que imitam o padrão. A checagem mais segura, à distância, é observar corpo muito robusto + fosseta loreal + manchas em C + cruz na cabeça. Nenhuma característica isolada basta.

A espécie é classificada como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, mas sofre com atropelamentos, queimadas, drenagem de banhados e perseguição direta. Em áreas agrícolas, o uso indiscriminado de veneno para ratos também a afeta, por contaminação da cadeia alimentar.

Característica Urutú (Bothrops alternatus) Jararaca-comum
Padrão dorsal Ferraduras/C em alto contraste Triângulos/V alongados
Marca na cabeça Cruz clara bem visível Faixa menos definida
Tamanho médio adulto 110 a 130 cm 80 a 100 cm
Habitat preferido Campos e banhados do Sul/Sudeste Matas e áreas mais úmidas e amplas

Perguntas frequentes

Urutu é venenosa?

Sim, é peçonhenta. Tem veneno botrópico que causa dor, inchaço, sangramentos e altera a coagulação. Exige atendimento hospitalar com soro antibotrópico.

Qual a diferença entre urutu e cruzeira?

São o mesmo animal: Bothrops alternatus. Cruzeira e urutu-cruzeiro são nomes populares que se referem à marca em cruz na cabeça.

Onde a urutu vive no Brasil?

Principalmente no Sul, Sudeste e Centro-Oeste, em campos, banhados, Cerrado e bordas de Mata Atlântica, incluindo áreas agrícolas.

O que fazer se for picado por urutu?

Mantenha a vítima em repouso, lave o local com água e sabão e vá imediatamente ao hospital. Não faça torniquete, corte ou sucção.

Urutu persegue pessoas?

Não. Ela se defende se for pisada ou encurralada e pode dar botes rápidos, mas não persegue. A melhor defesa é manter distância.

Como evitar urutu no quintal?

Mantenha grama curta, remova entulhos e madeiras empilhadas, vede frestas, controle roedores e use lanterna à noite. Acione bombeiros se avistar uma.

Filhote de urutu também é perigoso?

Sim. Já nasce peçonhento e pode inocular veneno. A ponta da cauda clara nos filhotes serve para atrair presas por engodo caudal.

Você sabia?

1

O nome vem da cruz

Cruzeira e urutu-cruzeiro vêm da mancha clara em forma de cruz no topo da cabeça, visível mesmo quando a cobra está enrodilhada.

2

Filhote pescador

Filhotes de urutu usam a ponta da cauda branca como isca, vibrando-a para atrair lagartos e rãs bem perto do bote.

3

Alternatus não é à toa

O epíteto alternatus descreve as manchas dorsais que se alternam de um lado ao outro do corpo, em vez de se alinharem em pares.

4

Calor no escuro

A fosseta loreal funciona como um sensor térmico que permite à urutu detectar roedores a poucos metros, mesmo em noite totalmente escura.

Fontes

  1. Instituto Butantan
  2. Reptile Database
  3. IUCN Red List
  4. Ministério da Saúde - Acidentes por animais peçonhentos

Prós e contras: Urutu

Prós

  • Excelente controladora natural de roedores em campos e lavouras
  • Fácil de identificar pela cruz na cabeça e manchas em ferradura
  • Indicadora de ambiente com cadeia alimentar ativa
  • Bem estudada, com soro específico disponível na rede de saúde

Contras

  • Peçonhenta de importância médica, com bote rápido e longo
  • Fêmeas grandes podem ser muito defensivas quando acuadas
  • Presença em áreas agrícolas aumenta risco de encontros acidentais
  • Mito de agressividade leva à matança indiscriminada, que é crime
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a urutu é o melhor exemplo de jararaca campestre do Sul do Brasil: fácil de reconhecer pela cruz da cabeça, mas subestimada no risco por viver justamente onde as pessoas trabalham descalças ou de chinelo. É uma espécie que merece distância respeitosa, não perseguição.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 17.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.