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Cotiara

Bothrops cotiara

Atualizado em

60 a 90 cm, até 100 cmTamanho
Alto se houver picadaPerigo para humanos
Peçonhenta (botrópico)Veneno
10 a 15 anosExpectativa de vida
Mata com araucáriaHabitat
Cotiara adulta enrolada sobre a serapilheira da mata com araucária

A cotiara (Bothrops cotiara) é uma serpente peçonhenta do gênero Bothrops, o mesmo das jararacas, endêmica do Sul do Brasil e do extremo nordeste da Argentina. De porte médio e hábitos terrestres, vive quase exclusivamente em matas de araucária e áreas altas da Mata Atlântica.

Discreta e pouco avistada, ela se destaca pelo ventre escuro quase preto e pelo padrão dorsal menos contrastado que o de outras jararacas. É uma espécie de importância médica, mas com acidentes raros devido à distribuição restrita e ao comportamento pouco agressivo quando não provocada.

Apesar de pouco conhecida do público geral, a cotiara é um exemplo clássico de serpente especialista de habitat e hoje é considerada quase ameaçada pela perda da Floresta com Araucária.

Também conhecido como: Cotiara, Jararaca-cotiara, Cotiara-de-barriga-preta, Cotiara-de-ventre-preto

Faz parte de: Serpentes do Brasil, Serpentes Peçonhentas

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Galeria de fotos de Cotiara

Cotiara adulta enrolada sobre a serapilheira da mata com araucária
Cotiara adulta em posição de descanso na serapilheira.
Close da cabeça da cotiara mostrando fosseta loreal e escamas
Detalhe da cabeça triangular e da fosseta loreal da cotiara.
Detalhe do padrão de escamas dorsais da cotiara
Padrão dorsal em zigue-zague pouco contrastado, típico da espécie.
Cotiara em habitat natural de Floresta com Araucária
Habitat natural da cotiara na Floresta com Araucária.
Filhote de cotiara com ponta da cauda clara
Filhote de cotiara, que usa a cauda clara como isca.
Cotiara em postura defensiva em S sobre o solo da mata
Postura defensiva em S quando se sente ameaçada.

Perfil rápido de Cotiara

Estado de conservação

NT
Quase Ameaçada

Populações fragmentadas e em declínio pela perda da Floresta com Araucária.

População
Em declínio
Protegido por
Sim, fauna silvestre protegida por lei no Brasil

Calendário

Maior atividade (noturna/crepuscular)JFMAMJJASOND
AcasalamentoJFMAMJJASOND
NascimentosJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsTóxica
  • PessoasTóxica

Peçonhenta de importância médica. Veneno botrópico com ação coagulante e hemorrágica. Acidentes exigem soro antibotrópico.

Vida útil

Na natureza
10 a 15 anos
Em cativeiro
Pouco documentado, serpente silvestre não indicada como pet

Reprodução

Tipo de reprodução
Vivípara (pare filhotes formados)
Época de acasalamento
Outono, com nascimentos na primavera/verão
Ninhada
5 a 12 filhotes por gestação
Tamanho ao nascer
18 a 25 cm, já com veneno e independentes

Habitat

Ambientes

  • Floresta com araucária
  • Mata Atlântica de altitude
  • Serapilheira e sob troncos e pedras
  • Bordas de mata preservada

Biomas

  • Mata Atlântica

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Roedores silvestres

Outros alimentos

  • Anfíbios
  • Lagartos
  • Pequenas aves

Encontrado em 2 países

  • Brasil
  • Argentina

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Reptilia
Ordem
Squamata
Família
Viperidae
Gênero
Bothrops
Espécie
Bothrops cotiara (Gomes, 1913)

Resumo

  • A cotiara é uma jararaca peçonhenta de porte médio, endêmica da Floresta com Araucária no Sul do Brasil e em Misiones, na Argentina.
  • É identificada pelo corpo robusto, padrão em zigue-zague marrom-acinzentado e ventre escuro quase preto, diferente da maioria das jararacas.
  • Seu veneno é de ação proteolítica e coagulante e exige atendimento hospitalar com soro antibotrópico, sem torniquete ou cortes.

Características

Ficha da serpente

Ordem e famíliaSquamata, Viperidae
Origem e distribuiçãoEndêmica do Sul do Brasil (PR, SC, RS) e Misiones, Argentina
Tamanho (comprimento)60 a 90 cm, raramente até 100 cm
Peso200 a 500 g em adultos
Cores e padrãomarromcinza-escuropretoventre preto ou cinza muito escuromanchas dorsais em zigue-zague
Veneno (peçonhenta ou não)Peçonhenta, veneno botrópico
DentiçãoSolenóglifa (presas inoculadoras retráteis)
ReproduçãoVivípara
AlimentaçãoRoedores, anfíbios, lagartos e pequenas aves
HabitatTerrestre, floresta com araucária e Mata Atlântica de altitude
AtividadeNoturna e crepuscular
Expectativa de vida10 a 15 anos na natureza
Estado de conservaçãoQuase Ameaçada (NT) - IUCN

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasAlto
AgressividadeBaixo
Presença perto de casasBaixo
Importância no controle de roedoresAlto
Facilidade de criação em cativeiroMuito baixo
Atividade noturnaAlto

Como identificar a cotiara sem confundir com outras jararacas

A cotiara é uma jararaca de porte médio, com corpo relativamente robusto, cabeça triangular bem destacada do pescoço e fosseta loreal (o orifício entre olho e narina) típica das víboras. O comprimento mais comum fica entre 60 e 90 cm, com fêmeas ligeiramente maiores que machos.

O que mais ajuda a reconhecê-la é a combinação de dorso e ventre. O dorso varia de marrom-acinzentado a marrom-avermelhado, com manchas dorsais em forma de trapézio ou zigue-zague pouco contrastadas, mais apagadas que na jararaca-comum. As bordas dessas manchas costumam ser claras e finas. O ventre preto, cinza-chumbo ou intensamente manchado de preto é a marca registrada — daí o nome cotiara-de-barriga-preta usado em algumas regiões.

Outros detalhes técnicos usados por herpetólogos: 25 a 27 fileiras de escamas dorsais na metade do corpo, escamas quilhadas e cauda sem chocalho. Filhotes têm a ponta da cauda mais clara, amarelada ou esbranquiçada, usada para atrair presas.

Onde vive a cotiara e por que é tão restrita

A cotiara é endêmica de uma faixa estreita da Mata Atlântica de altitude. No Brasil ocorre no Paraná, Santa Catarina e norte do Rio Grande do Sul, com registros históricos também no interior de São Paulo. Fora do país, só em Misiones, na Argentina.

Seu habitat preferencial é a Floresta Ombrófila Mista, a mata com araucária, entre 500 e 1.200 metros de altitude, com clima frio e úmido. Vive na serapilheira, sob troncos, entre raízes e pedras, em áreas de floresta primária ou secundária bem preservada. Raramente aparece em áreas urbanas ou lavouras abertas.

Essa especialização explica a vulnerabilidade. Com a redução de mais de 85% da mata com araucária, a cotiara perdeu grande parte da área contínua onde vivia. Hoje as populações são fragmentadas, o que dificulta o fluxo genético e aumenta o risco local de extinção.

Comportamento e hábitos: quando ela aparece

É uma serpente terrestre, noturna e crepuscular. Durante o dia fica abrigada sob folhiço, troncos caídos ou tocas de roedores. Torna-se ativa ao entardecer, quando sai para caçar ou termorregular.

Como toda Bothrops, é emboscadora: escolhe um ponto de passagem de roedores, permanece imóvel por horas e dá o bote quando a presa se aproxima. Se sente vibrações de passos, a primeira reação costuma ser ficar imóvel e confiar na camuflagem. Só arma o bote em S e vibra a cauda se for muito provocada ou pisada.

Não é uma espécie que persegue pessoas. A maioria dos encontros acontece com quem trabalha na mata, faz trilha fora do caminho ou manuseia lenha e pedras sem luvas. No frio intenso do planalto sul, pode ficar dias sem se alimentar, com metabolismo mais lento.

O que a cotiara come e como caça

A dieta varia com a idade. Filhotes consomem anfíbios, pequenos lagartos e roedores recém-nascidos, atraindo-os com a ponta clara da cauda que se move como uma larva. Adultos se especializam em roedores silvestres, mas também predam aves que dormem baixo e lagartos.

A caça é por emboscada com veneno. Após a picada, ela solta a presa e a segue pelo cheiro até a morte, evitando ser mordida. O veneno já começa a digerir os tecidos da vítima, o que facilita a ingestão inteira. Em áreas de mata bem preservada, uma única cotiara pode consumir dezenas de roedores por ano.

Essa função a torna importante para o equilíbrio da floresta e até para a agricultura do entorno, já que ajuda a conter populações de ratos silvestres que podem invadir paióis.

Reprodução e ciclo de vida

A cotiara é vivípara: a fêmea não põe ovos, mas pare filhotes já formados. O acasalamento ocorre no outono, e a gestação dura cerca de 5 a 7 meses. Os nascimentos se concentram entre o final da primavera e o verão.

Cada ninhada tem em média 5 a 12 filhotes, com cerca de 18 a 25 cm ao nascer. Eles já nascem com veneno e são independentes desde o primeiro dia. Não há cuidado parental.

A maturidade sexual é atingida entre 2 e 3 anos. Na natureza, a expectativa é de 10 a 15 anos, se não houver predação, atropelamento ou captura. Predadores naturais incluem aves de rapina, mamíferos como quatis e outras serpentes ofiófagas.

Veneno da cotiara: ela é perigosa? O que fazer em caso de picada

Sim, a cotiara é peçonhenta de importância médica. Seu veneno é botrópico, com ação proteolítica, coagulante e hemorrágica. Causa dor intensa, inchaço, sangramento no local, bolhas e, sem tratamento, pode levar a insuficiência renal e hemorragias sistêmicas.

Apesar disso, acidentes são raros comparados aos da jararaca-comum (Bothrops jararaca), justamente pela distribuição restrita e baixa densidade perto de cidades. Quando ocorrem, a gravidade depende da quantidade de veneno inoculada e do tempo até o soro.

Em caso de picada, procure atendimento médico imediatamente. O tratamento é com soro antibotrópico, disponível em hospitais de referência. Enquanto aguarda socorro:

  • Mantenha a vítima em repouso, com o membro picado elevado e sem esforço.
  • Remova anéis, pulseiras e roupas apertadas antes do inchaço aumentar.
  • Lave o local apenas com água e sabão e leve, se possível, foto da serpente de longe.
  • Não faça torniquete, não corte, não sugue, não aplique gelo, álcool ou ervas e não ofereça remédios por conta própria.

Levar a serpente morta ao hospital é desnecessário e perigoso. Se precisar identificar, uma foto à distância já ajuda.

Diferença entre cotiara, jararaca e urutu: comparação rápida

Essas três são Bothrops do Sul e Sudeste e causam confusão. A tabela ajuda a separar, mas a regra de segurança é a mesma: não tente manusear para identificar.

Característica Cotiara (Bothrops cotiara) Jararaca-comum (Bothrops jararaca) Urutú / cruzeira (Bothrops alternatus)
Tamanho adulto 60 a 90 cm 80 a 120 cm 90 a 140 cm, mais robusta
Padrão dorsal Zigue-zague apagado, pouco contrastado Mancha em forma de gancho bem marcada Desenho em ferradura / meia-lua muito nítido
Ventre Preto ou cinza-escuro uniforme Claro com manchas escuras Claro com manchas escuras
Habitat típico Mata com araucária de altitude Mata Atlântica ampla, até perto de casas Campos, banhados e áreas abertas do Sul

Na dúvida, trate qualquer Bothrops como peçonhenta e mantenha distância. A identificação precisa deve ficar com biólogos e equipe de saúde.

O que fazer ao encontrar uma cotiara em casa, no quintal ou na trilha

Encontros em quintais urbanos são muito incomuns para esta espécie. Se acontecer em chácara próxima à mata, não tente matar ou capturar — além de risco de picada, matar fauna silvestre é crime ambiental.

Afaste pessoas e animais domésticos, observe de longe e acione os bombeiros (193) ou o órgão ambiental municipal. Se estiver em trilha, apenas contorne com pelo menos 2 metros de distância e siga o caminho. Ela não vai perseguir.

Para prevenir acidentes em áreas de ocorrência:

  • Use bota de cano alto e perneira ao entrar em mata, roçar ou recolher lenha.
  • Não coloque as mãos sob troncos, pedras ou folhiço sem visualizar antes.
  • Mantenha o entorno da casa sem acúmulo de entulho, lenha encostada na parede ou restos de alimento que atraem roedores.
  • Instale telas em portas e ralos se a casa faz divisa com mata.

Papel no ecossistema e conservação

Como predadora de roedores, a cotiara exerce controle natural de pragas silvestres e ajuda a manter a cadeia alimentar da Floresta com Araucária. É também presa de outros animais, conectando diferentes níveis tróficos.

A espécie é classificada como Quase Ameaçada (NT) pela IUCN, com tendência de declínio. As principais ameaças são desmatamento, fragmentação, queimadas, atropelamentos e o abate por medo. Por ser especialista de habitat frio e úmido, também pode ser sensível a mudanças climáticas no planalto.

Na nossa avaliação, a cotiara é um bom indicador de mata com araucária bem conservada: onde ela ainda existe, a floresta mantém estrutura e presas suficientes. Protegê-la passa por preservar a mata, manter corredores ecológicos e educar para a convivência, não pelo extermínio.

Perguntas frequentes

Cotiara é peçonhenta?

Sim. É uma víbora do gênero Bothrops, com veneno botrópico de importância médica que exige soro antibotrópico em caso de picada.

Qual a diferença da cotiara para a jararaca-comum?

A cotiara é menor, tem padrão dorsal mais apagado e ventre quase preto, enquanto a jararaca-comum tem ventre claro com manchas e padrão em gancho mais contrastado.

Onde a cotiara vive no Brasil?

Em áreas de Mata Atlântica de altitude com araucária no Paraná, Santa Catarina e norte do Rio Grande do Sul, entre 500 e 1.200 metros.

O que fazer se for picado por cotiara?

Vá imediatamente ao hospital. Mantenha repouso, não faça torniquete, corte ou sucção e não use remédios caseiros. O tratamento é com soro antibotrópico.

Cotiara pode aparecer dentro de casa?

É muito raro. Ela prefere mata preservada e serapilheira. Se aparecer, afaste pessoas e animais e acione bombeiros ou órgão ambiental.

Cotiara pode ser criada como pet?

Não. É fauna silvestre protegida por lei, não tem criação legalizada como pet e exige manejo técnico. Criar ou comprar animal capturado é crime.

Como evitar acidentes com cotiara?

Use bota de cano alto e perneira na mata, não mexa com as mãos sob troncos e pedras e mantenha o entorno da casa sem entulho que atraia roedores.

Você sabia?

1

Ventre preto denuncia

Ao contrário da maioria das jararacas de ventre claro e manchado, a cotiara tem ventre quase preto uniforme, característica que ajuda herpetólogos a identificá-la em campo mesmo sem ver o dorso.

2

Especialista de araucária

É uma das poucas Bothrops quase restritas à Floresta com Araucária acima de 500 metros, um ecossistema que já perdeu mais de 85% da cobertura original.

3

Filhotes com isca na cauda

Recém-nascidos têm a ponta da cauda amarelada e a balançam como uma larva para atrair anfíbios e lagartos, estratégia chamada de engodo caudal.

4

Descrita em 1913

Foi descrita pelo pesquisador João Florencio Gomes em 1913 e por décadas foi confundida com outras jararacas do Sul, só sendo reconhecida como espécie distinta após revisões taxonômicas.

Fontes

  1. Instituto Butantan
  2. Reptile Database
  3. IUCN Red List
  4. Ministério da Saúde - Acidentes por Animais Peçonhentos

Prós e contras: Cotiara

Prós

  • Controla roedores silvestres na Floresta com Araucária
  • Indicadora de mata bem preservada
  • Baixa agressividade quando não provocada
  • Acidentes raros devido à distribuição restrita
  • Importante para pesquisa sobre venenos botrópicos

Contras

  • Peçonhenta com risco médico se houver picada
  • Habitat muito fragmentado e vulnerável
  • Confundida com outras jararacas e morta por medo
  • Não pode ser manejada por leigos
  • Populações isoladas com baixa capacidade de recolonização
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a cotiara é a jararaca mais elegante e menos conhecida do Sul do Brasil, justamente por viver onde a mata ainda está bem preservada. Vale mais como bioindicadora de floresta saudável do que como vilã: o risco real para pessoas é baixo se houver respeito à distância e uso de bota em trilhas.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 17.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.