Resumo
- O preá é um roedor silvestre brasileiro, parente próximo do porquinho-da-índia, e não um coelho ou lebre.
- Vive em grupos em campos, Cerrado e Caatinga, é herbívoro, diurno e extremamente ágil para se esconder entre a vegetação.
- Por ser animal silvestre, não deve ser retirado da natureza nem criado sem autorização do IBAMA e exige manejo diferente do porquinho doméstico.
Características
Ficha da espécie
| Ordem | Rodentia |
|---|---|
| Família | Caviidae |
| Origem | América do Sul |
| Tamanho | 20 a 35 cm de comprimento (sem cauda visível) |
| Peso | 400 a 700 g (fêmeas menores) |
| Expectativa de vida | 3 a 5 anos na natureza; até 6 a 7 anos em cativeiro autorizado |
| Pelagem | Curta, densa e áspera |
| Cores | cinza-acastanhadomarromavermelhadoaguti |
| Alimentação | Herbívora (gramíneas e folhas) |
| Hábitos | Diurno e crepuscular |
| Convivência | Em grupo (colônias familiares) |
| Principais problemas de saúde | Parasitas, problemas dentários e deficiência de vitamina C em cativeiro |
Perfil e comportamento
| Docilidade | Baixo |
|---|---|
| Nível de energia | Alto |
| Sociabilidade | Muito alto |
| Adequado para crianças | Muito baixo |
| Facilidade de cuidado | Baixo |
| Barulho | Baixo |
| Necessidade de espaço | Muito alto |
| Convive com outros animais | Baixo |
Preá é roedor ou coelho? Resposta direta
O preá é roedor, da ordem Rodentia, família Caviidae. Coelho e lebre são lagomorfos, da ordem Lagomorpha, e isso muda tudo na anatomia e nos dentes.
O jeito mais rápido de identificar é olhar orelhas e rabo. O preá tem orelhas curtas e arredondadas, focinho mais curto e sem cauda visível. Coelho tem orelhas longas, patas traseiras muito maiores e rabinho em pompom.
Outro detalhe: roedores como o preá têm um par de incisivos superiores. Lagomorfos têm dois pares, um atrás do outro. Na prática, o preá parece um porquinho-da-índia selvagem, não um coelho pequeno.
Como reconhecer um preá na natureza
O corpo é compacto e robusto, com pernas curtas e cabeça grande em relação ao tronco. A pelagem é curta, áspera e bem densa, em tons aguti: mistura de cinza, marrom e avermelhado que camufla na vegetação seca.
O focinho é arredondado, os olhos são laterais e grandes, e as orelhas têm pouca penugem. As patas dianteiras têm quatro dedos e as traseiras três dedos, todos com unhas fortes para cavar e correr.
Não espere ver um rabo. O preá é praticamente anuro na aparência. Quando corre, faz zigue-zague rápido e se joga em touceiras ou buracos rasos, em vez de saltar como um coelho.
Origem e onde vive o preá no Brasil
O preá mais comum no Brasil é o Cavia aperea (preá-do-campo), encontrado do Nordeste ao Sul. No Nordeste semiárido domina o Galea spixii (preá-do-Nordeste ou preá-rabudo), um pouco menor e mais adaptado à Caatinga.
São nativos da América do Sul e ocupam campos naturais, Cerrado ralo, Caatinga, bordas de Mata Atlântica e áreas agrícolas. Evitam mata fechada e preferem capim alto, arbustos baixos e moitas onde possam fazer trilhas e túneis.
Vivem em colônias familiares de 5 a 15 indivíduos, com um macho dominante, fêmeas e filhotes. Cada grupo defende uma área com tocas rasas, carreiros bem marcados no capim e latrinas comunitárias.
Como diferenciar preá, porquinho-da-índia e mocó
A confusão é comum porque todos são caviídeos. O porquinho-da-índia doméstico (Cavia porcellus) é descendente direto do preá, mas foi selecionado há milhares de anos. É mais manso, tem pelagem mais variada e depende totalmente de humanos.
O preá silvestre é mais magro, mais ágil e muito mais arisco. Não vocaliza tanto quanto o porquinho doméstico e não tolera bem o manuseio. Solto, foge imediatamente.
| Característica | Preá (Cavia aperea) | Porquinho-da-índia | Mocó (Kerodon rupestris) |
|---|---|---|---|
| Tamanho | 20 a 30 cm | 20 a 30 cm | 35 a 40 cm |
| Peso | 400 a 700 g | 700 a 1.200 g | 700 a 1.000 g |
| Pelagem | Curta e áspera, aguti | Curta, longa ou rosetada, muitas cores | Áspera, cinza-amarelada |
| Habitat | Campo e Cerrado | Doméstico | Lajedos e serras da Caatinga |
| Comportamento | Arisco, corre e se esconde | Dócil, vocaliza muito | Escalador, vive em rochas |
O mocó é maior, tem pernas mais longas e vive em pedreiras, não em capinzal. É outro caviídeo, mas de gênero diferente e hábitos mais rupestres.
Comportamento e temperamento
O preá é diurno e crepuscular, com picos de atividade no início da manhã e no fim da tarde. Passa o dia forrageando, sempre perto de abrigo, e se comunica por assobios curtos e batidas de dentes quando alarmado.
É extremamente gregário. Viver sozinho causa estresse crônico. No grupo há hierarquia clara e marcação de território com glândulas de cheiro. Brigas entre machos são comuns na época reprodutiva.
Na nossa avaliação, o charme do preá está justamente no comportamento selvagem: ele não é um pet para colo. Observar a colônia se organizando, abrindo trilhas no capim e revezando sentinelas é muito mais interessante do que tentar domesticá-lo.
O que o preá come e o que nunca oferecer
Na natureza é herbívoro estrito. A base são gramíneas, folhas tenras, brotos e cascas finas. Complementa com frutos nativos caídos e, na Caatinga, cactos e ervas da estação chuvosa.
Como todo caviídeo, não sintetiza vitamina C e precisa obtê-la da dieta. Na natureza isso vem do capim fresco. Em cativeiro autorizado, a deficiência causa escorbuto, com apatia e problemas articulares.
- Pode comer (em manejo autorizado): capim-elefante, capim-colonião, feno de gramíneas, folhas de amoreira, chicória, pimentão e pequena porção de frutas como goiaba.
- Evitar em excesso: grãos, sementes, ração de coelho com antibióticos, alimentos ricos em amido.
- Nunca oferecer: alface-americana em grande quantidade, batata, cebola, alho, abacate, chocolate, alimentos ultraprocessados, plantas ornamentais tóxicas como comigo-ninguém e lírio.
Água fresca deve estar sempre disponível, mas o preá obtém boa parte da hidratação do capim orvalhado. Dentes incisivos de crescimento contínuo exigem fibra constante para desgaste; sem feno ou capim, há má oclusão.
Reprodução e desenvolvimento dos filhotes
A reprodução ocorre o ano todo, com pico na estação chuvosa quando há mais alimento. A gestação é longa para um roedor pequeno: cerca de 60 a 68 dias.
A ninhada é pequena, de 1 a 4 filhotes, raramente 5. Eles já nascem precoces: com olhos abertos, pelagem completa e capacidade de comer capim em poucos dias, embora ainda mamem por cerca de 3 semanas.
As fêmeas atingem maturidade com 30 a 45 dias e os machos com 60 a 70 dias, o que explica o crescimento rápido das colônias. Na natureza, a alta predação compensa essa prolificidade.
Preá pode ser pet? Legalidade e manejo
Não, o preá não é pet convencional. Por ser fauna silvestre nativa, sua captura, compra ou criação sem autorização do IBAMA é crime ambiental no Brasil. Criadouros legalizados são raros e voltados à conservação ou pesquisa.
Diferente do porquinho-da-índia, o preá não se acostuma bem ao manuseio, estressa fácil, pode morder quando acuado e exige recinto grande com substrato natural, tocas e capim fresco diário. Gaiola pequena de apartamento não atende.
Para quem quer um roedor parecido, o porquinho-da-índia doméstico é a escolha legal, dócil e adaptada à convivência. Deixe o preá onde ele deve estar: livre, em áreas de campo preservadas.
Saúde, predadores e conservação
Na natureza, os principais predadores são gaviões, corujas, cachorro-do-mato, jaguatirica e cobras. A estratégia de defesa é ficar imóvel e disparar em zigue-zague para a moita mais próxima.
Problemas de saúde mais citados em cativeiro são parasitas intestinais, sarna, pododermatite por piso inadequado, má oclusão dentária e escorbuto por falta de vitamina C. Qualquer apatia, perda de peso ou salivação exige veterinário de animais silvestres.
O Cavia aperea é classificado como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, com populações estáveis, mas sofre com perda de habitat, queimadas, atropelamentos e caça oportunista em algumas regiões. Preservar campos nativos e corredores de vegetação é a melhor forma de protegê-lo.
Perguntas frequentes
Preá é coelho ou roedor?
É roedor, da ordem Rodentia e família Caviidae. Coelhos são lagomorfos, têm orelhas longas e dois pares de incisivos superiores.
Qual a diferença entre preá e porquinho-da-índia?
O preá é a forma silvestre e arisca; o porquinho-da-índia (Cavia porcellus) é a forma domesticada, mais dócil, maior e com mais variações de pelagem.
Preá pode ser criado em casa?
Por ser fauna silvestre nativa, só pode ser criado com autorização do IBAMA em criadouro legalizado. Para pet, o indicado é o porquinho-da-índia doméstico.
O que o preá come?
Principalmente gramíneas e folhas tenras, além de brotos e frutos nativos. Precisa de fibra constante para desgastar os dentes e de vitamina C na dieta.
Quanto tempo vive um preá?
De 3 a 5 anos na natureza e até 6 a 7 anos em cativeiro autorizado, quando bem manejado.
Onde o preá vive no Brasil?
Em campos, Cerrado, Caatinga e bordas de Mata Atlântica, do Nordeste ao Sul, sempre perto de capim alto e moitas para se abrigar.
Preá morde?
Pode morder se acuado ou manuseado à força, mas a primeira reação é sempre fugir e se esconder na vegetação.
Você sabia?
Filhotes que já nascem prontos
Ao contrário de ratos e hamsters, o filhote de preá nasce com pelo, olhos abertos e já consegue comer capim com 2 a 3 dias de vida, embora ainda precise mamar.
Sem rabo e sem orelha de coelho
A ausência de cauda visível e as orelhas curtas e arredondadas são as marcas mais seguras para não confundir preá com coelho ou lebre.
Não produz vitamina C
Assim como o porquinho-da-índia e humanos, o preá não sintetiza vitamina C no organismo e depende totalmente da alimentação fresca para evitar escorbuto.
Engenheiro de trilhas
Colônias abrem verdadeiros carreiros em forma de túneis no capim alto, com entradas, saídas e latrinas fixas que se mantêm por gerações no mesmo local.









