🐰 Coelhos e Roedores

Preá

Cavia aperea

Atualizado em

20 a 35 cmTamanho
400 a 700 gPeso
3 a 6 anosExpectativa de vida
Moderada a altaEnergia
Grande (vida livre)Espaço necessário
Preá adulto Cavia aperea de corpo inteiro em campo nativo

O preá é um roedor silvestre da família Caviidae, a mesma do porquinho-da-índia e da capivara. Apesar da confusão comum, ele não é coelho: pertence à ordem Rodentia, não tem orelhas longas e não possui rabo visível.

No Brasil, o termo preá designa principalmente o Cavia aperea, conhecido como preá-do-campo, e o Galea spixii, o preá-do-Nordeste. São animais herbívoros, diurnos e muito ariscos, que vivem em grupos familiares em campos, cerrados e caatinga.

Não é um animal doméstico. Por ser silvestre, sua criação como pet depende de autorização do IBAMA e não é recomendada para tutores iniciantes, já que tem necessidades bem diferentes do porquinho-da-índia criado em cativeiro.

Também conhecido como: Preá-do-campo, Preá-do-Nordeste, Bengo, Brazilian guinea pig (inglês), Cuis (espanhol)

Faz parte de: Roedores Selvagens

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Galeria de fotos de Preá

Preá adulto Cavia aperea de corpo inteiro em campo nativo
Preá-do-campo adulto, roedor silvestre sem cauda visível.
Rosto de preá em close mostrando orelhas curtas e focinho arredondado
Detalhe do rosto: orelhas curtas distinguem o preá do coelho.
Filhote de preá recém-nascido ao lado da mãe no capim
Filhotes já nascem com pelos e olhos abertos.
Preá comendo capim nativo em comportamento natural
Herbívoro estrito, alimenta-se principalmente de gramíneas.
Colônia de preás em trilhas no capim do Cerrado
Vivem em colônias e abrem carreiros no capim alto.
Detalhe da pelagem curta e áspera do preá em tom aguti
Pelagem densa e áspera em tom aguti para camuflagem.

Perfil rápido de Preá

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

Populações amplas e estáveis na América do Sul, mas dependentes de campos nativos preservados.

População
estável
Protegido por
false

Vida útil

Na natureza
3 a 5 anos
Em cativeiro autorizado
5 a 7 anos

Reprodução

Maturidade sexual
Fêmeas 30-45 dias; machos 60-70 dias
Gestação
60 a 68 dias
Ninhada
1 a 4 filhotes (raro 5)
Tipo de filhote
Precoce: nasce com pelos, olhos abertos e já anda
Desmame
18 a 25 dias
Sazonalidade
Ano todo, pico na estação chuvosa

Habitat

Ambientes

  • Campos naturais e pastagens nativas
  • Cerrado ralo e bordas de mata
  • Caatinga arbustiva
  • Áreas agrícolas com moitas e capim alto
  • Clareiras e restingas

Biomas

  • Cerrado
  • Caatinga
  • Mata Atlântica
  • Pampa
  • Pantanal

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Gramíneas e capins nativos
  • Folhas tenras e brotos

Outros alimentos

  • Frutos nativos caídos
  • Cascas finas e ervas
  • Cactos e suculentas na Caatinga (Galea spixii)

Encontrado em 7 países

  • Brasil
  • Argentina
  • Paraguai
  • Uruguai
  • Bolívia
  • Colômbia
  • Venezuela

Como animal de estimação

Adequação como pet
Baixa; animal silvestre e arisco
Legalidade no Brasil
Silvestre nativo; criação só com autorização do IBAMA; captura e comércio ilegais são crime ambiental
Nível de cuidado
Alto; exige recinto grande, dieta rica em fibras e vitamina C e manejo de fauna silvestre
Alternativa doméstica
Porquinho-da-índia (Cavia porcellus), dócil e legalizado

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Mammalia
Ordem
Rodentia
Família
Caviidae
Gênero
Cavia (e Galea no Nordeste)
Espécie
Cavia aperea (preá-do-campo) / Galea spixii (preá-do-Nordeste)

Resumo

  • O preá é um roedor silvestre brasileiro, parente próximo do porquinho-da-índia, e não um coelho ou lebre.
  • Vive em grupos em campos, Cerrado e Caatinga, é herbívoro, diurno e extremamente ágil para se esconder entre a vegetação.
  • Por ser animal silvestre, não deve ser retirado da natureza nem criado sem autorização do IBAMA e exige manejo diferente do porquinho doméstico.

Características

Ficha da espécie

OrdemRodentia
FamíliaCaviidae
OrigemAmérica do Sul
Tamanho20 a 35 cm de comprimento (sem cauda visível)
Peso400 a 700 g (fêmeas menores)
Expectativa de vida3 a 5 anos na natureza; até 6 a 7 anos em cativeiro autorizado
PelagemCurta, densa e áspera
Corescinza-acastanhadomarromavermelhadoaguti
AlimentaçãoHerbívora (gramíneas e folhas)
HábitosDiurno e crepuscular
ConvivênciaEm grupo (colônias familiares)
Principais problemas de saúdeParasitas, problemas dentários e deficiência de vitamina C em cativeiro

Perfil e comportamento

DocilidadeBaixo
Nível de energiaAlto
SociabilidadeMuito alto
Adequado para criançasMuito baixo
Facilidade de cuidadoBaixo
BarulhoBaixo
Necessidade de espaçoMuito alto
Convive com outros animaisBaixo

Preá é roedor ou coelho? Resposta direta

O preá é roedor, da ordem Rodentia, família Caviidae. Coelho e lebre são lagomorfos, da ordem Lagomorpha, e isso muda tudo na anatomia e nos dentes.

O jeito mais rápido de identificar é olhar orelhas e rabo. O preá tem orelhas curtas e arredondadas, focinho mais curto e sem cauda visível. Coelho tem orelhas longas, patas traseiras muito maiores e rabinho em pompom.

Outro detalhe: roedores como o preá têm um par de incisivos superiores. Lagomorfos têm dois pares, um atrás do outro. Na prática, o preá parece um porquinho-da-índia selvagem, não um coelho pequeno.

Como reconhecer um preá na natureza

O corpo é compacto e robusto, com pernas curtas e cabeça grande em relação ao tronco. A pelagem é curta, áspera e bem densa, em tons aguti: mistura de cinza, marrom e avermelhado que camufla na vegetação seca.

O focinho é arredondado, os olhos são laterais e grandes, e as orelhas têm pouca penugem. As patas dianteiras têm quatro dedos e as traseiras três dedos, todos com unhas fortes para cavar e correr.

Não espere ver um rabo. O preá é praticamente anuro na aparência. Quando corre, faz zigue-zague rápido e se joga em touceiras ou buracos rasos, em vez de saltar como um coelho.

Origem e onde vive o preá no Brasil

O preá mais comum no Brasil é o Cavia aperea (preá-do-campo), encontrado do Nordeste ao Sul. No Nordeste semiárido domina o Galea spixii (preá-do-Nordeste ou preá-rabudo), um pouco menor e mais adaptado à Caatinga.

São nativos da América do Sul e ocupam campos naturais, Cerrado ralo, Caatinga, bordas de Mata Atlântica e áreas agrícolas. Evitam mata fechada e preferem capim alto, arbustos baixos e moitas onde possam fazer trilhas e túneis.

Vivem em colônias familiares de 5 a 15 indivíduos, com um macho dominante, fêmeas e filhotes. Cada grupo defende uma área com tocas rasas, carreiros bem marcados no capim e latrinas comunitárias.

Como diferenciar preá, porquinho-da-índia e mocó

A confusão é comum porque todos são caviídeos. O porquinho-da-índia doméstico (Cavia porcellus) é descendente direto do preá, mas foi selecionado há milhares de anos. É mais manso, tem pelagem mais variada e depende totalmente de humanos.

O preá silvestre é mais magro, mais ágil e muito mais arisco. Não vocaliza tanto quanto o porquinho doméstico e não tolera bem o manuseio. Solto, foge imediatamente.

Característica Preá (Cavia aperea) Porquinho-da-índia Mocó (Kerodon rupestris)
Tamanho 20 a 30 cm 20 a 30 cm 35 a 40 cm
Peso 400 a 700 g 700 a 1.200 g 700 a 1.000 g
Pelagem Curta e áspera, aguti Curta, longa ou rosetada, muitas cores Áspera, cinza-amarelada
Habitat Campo e Cerrado Doméstico Lajedos e serras da Caatinga
Comportamento Arisco, corre e se esconde Dócil, vocaliza muito Escalador, vive em rochas

O mocó é maior, tem pernas mais longas e vive em pedreiras, não em capinzal. É outro caviídeo, mas de gênero diferente e hábitos mais rupestres.

Comportamento e temperamento

O preá é diurno e crepuscular, com picos de atividade no início da manhã e no fim da tarde. Passa o dia forrageando, sempre perto de abrigo, e se comunica por assobios curtos e batidas de dentes quando alarmado.

É extremamente gregário. Viver sozinho causa estresse crônico. No grupo há hierarquia clara e marcação de território com glândulas de cheiro. Brigas entre machos são comuns na época reprodutiva.

Na nossa avaliação, o charme do preá está justamente no comportamento selvagem: ele não é um pet para colo. Observar a colônia se organizando, abrindo trilhas no capim e revezando sentinelas é muito mais interessante do que tentar domesticá-lo.

O que o preá come e o que nunca oferecer

Na natureza é herbívoro estrito. A base são gramíneas, folhas tenras, brotos e cascas finas. Complementa com frutos nativos caídos e, na Caatinga, cactos e ervas da estação chuvosa.

Como todo caviídeo, não sintetiza vitamina C e precisa obtê-la da dieta. Na natureza isso vem do capim fresco. Em cativeiro autorizado, a deficiência causa escorbuto, com apatia e problemas articulares.

  • Pode comer (em manejo autorizado): capim-elefante, capim-colonião, feno de gramíneas, folhas de amoreira, chicória, pimentão e pequena porção de frutas como goiaba.
  • Evitar em excesso: grãos, sementes, ração de coelho com antibióticos, alimentos ricos em amido.
  • Nunca oferecer: alface-americana em grande quantidade, batata, cebola, alho, abacate, chocolate, alimentos ultraprocessados, plantas ornamentais tóxicas como comigo-ninguém e lírio.

Água fresca deve estar sempre disponível, mas o preá obtém boa parte da hidratação do capim orvalhado. Dentes incisivos de crescimento contínuo exigem fibra constante para desgaste; sem feno ou capim, há má oclusão.

Reprodução e desenvolvimento dos filhotes

A reprodução ocorre o ano todo, com pico na estação chuvosa quando há mais alimento. A gestação é longa para um roedor pequeno: cerca de 60 a 68 dias.

A ninhada é pequena, de 1 a 4 filhotes, raramente 5. Eles já nascem precoces: com olhos abertos, pelagem completa e capacidade de comer capim em poucos dias, embora ainda mamem por cerca de 3 semanas.

As fêmeas atingem maturidade com 30 a 45 dias e os machos com 60 a 70 dias, o que explica o crescimento rápido das colônias. Na natureza, a alta predação compensa essa prolificidade.

Preá pode ser pet? Legalidade e manejo

Não, o preá não é pet convencional. Por ser fauna silvestre nativa, sua captura, compra ou criação sem autorização do IBAMA é crime ambiental no Brasil. Criadouros legalizados são raros e voltados à conservação ou pesquisa.

Diferente do porquinho-da-índia, o preá não se acostuma bem ao manuseio, estressa fácil, pode morder quando acuado e exige recinto grande com substrato natural, tocas e capim fresco diário. Gaiola pequena de apartamento não atende.

Para quem quer um roedor parecido, o porquinho-da-índia doméstico é a escolha legal, dócil e adaptada à convivência. Deixe o preá onde ele deve estar: livre, em áreas de campo preservadas.

Saúde, predadores e conservação

Na natureza, os principais predadores são gaviões, corujas, cachorro-do-mato, jaguatirica e cobras. A estratégia de defesa é ficar imóvel e disparar em zigue-zague para a moita mais próxima.

Problemas de saúde mais citados em cativeiro são parasitas intestinais, sarna, pododermatite por piso inadequado, má oclusão dentária e escorbuto por falta de vitamina C. Qualquer apatia, perda de peso ou salivação exige veterinário de animais silvestres.

O Cavia aperea é classificado como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, com populações estáveis, mas sofre com perda de habitat, queimadas, atropelamentos e caça oportunista em algumas regiões. Preservar campos nativos e corredores de vegetação é a melhor forma de protegê-lo.

Perguntas frequentes

Preá é coelho ou roedor?

É roedor, da ordem Rodentia e família Caviidae. Coelhos são lagomorfos, têm orelhas longas e dois pares de incisivos superiores.

Qual a diferença entre preá e porquinho-da-índia?

O preá é a forma silvestre e arisca; o porquinho-da-índia (Cavia porcellus) é a forma domesticada, mais dócil, maior e com mais variações de pelagem.

Preá pode ser criado em casa?

Por ser fauna silvestre nativa, só pode ser criado com autorização do IBAMA em criadouro legalizado. Para pet, o indicado é o porquinho-da-índia doméstico.

O que o preá come?

Principalmente gramíneas e folhas tenras, além de brotos e frutos nativos. Precisa de fibra constante para desgastar os dentes e de vitamina C na dieta.

Quanto tempo vive um preá?

De 3 a 5 anos na natureza e até 6 a 7 anos em cativeiro autorizado, quando bem manejado.

Onde o preá vive no Brasil?

Em campos, Cerrado, Caatinga e bordas de Mata Atlântica, do Nordeste ao Sul, sempre perto de capim alto e moitas para se abrigar.

Preá morde?

Pode morder se acuado ou manuseado à força, mas a primeira reação é sempre fugir e se esconder na vegetação.

Você sabia?

1

Filhotes que já nascem prontos

Ao contrário de ratos e hamsters, o filhote de preá nasce com pelo, olhos abertos e já consegue comer capim com 2 a 3 dias de vida, embora ainda precise mamar.

2

Sem rabo e sem orelha de coelho

A ausência de cauda visível e as orelhas curtas e arredondadas são as marcas mais seguras para não confundir preá com coelho ou lebre.

3

Não produz vitamina C

Assim como o porquinho-da-índia e humanos, o preá não sintetiza vitamina C no organismo e depende totalmente da alimentação fresca para evitar escorbuto.

4

Engenheiro de trilhas

Colônias abrem verdadeiros carreiros em forma de túneis no capim alto, com entradas, saídas e latrinas fixas que se mantêm por gerações no mesmo local.

Fontes

  1. IUCN Red List - Cavia aperea
  2. ICMBio - Fauna Brasileira
  3. ARBA - American Rabbit Breeders Association (referência para distinção roedor x lagomorfo)

Prós e contras: Preá

Prós

  • Parente silvestre direto do porquinho-da-índia, ótimo para educação ambiental
  • Ajuda a controlar gramíneas e dispersar sementes nos campos
  • Vive em colônias organizadas, interessante para observação de comportamento social
  • Pouco exigente quanto à dieta na natureza, adaptado a vários biomas
  • Espécie nativa ainda comum, fácil de registrar com respeito à distância

Contras

  • Animal silvestre: criação sem autorização do IBAMA é ilegal
  • Muito arisco, não tolera bem colo e manuseio frequente
  • Exige recinto grande com capim fresco e manejo de fauna, não vive bem em gaiola pequena
  • Suscetível a escorbuto e problemas dentários se a dieta falhar
  • Pode sofrer com predação de cães e gatos se atraído para quintais
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o preá vale muito mais como indicador de campo nativo saudável do que como animal de gaiola. É um roedor fascinante para observar livre, em grupo e em silêncio, e sua semelhança com o porquinho-da-índia ajuda a entender de onde veio nosso pet mais dócil.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.