🦎 Répteis e Anfíbios

Lagartixa-doméstica

Hemidactylus mabouia

Atualizado em

10 a 13 cm adultaTamanho
Réptil lagartoGrupo
5 a 8 anosExpectativa de vida
Paredes e muros urbanosHabitat
Não venenosaPerigo
Lagartixa-doméstica adulta na parede interna de casa à noite

A lagartixa-doméstica é um réptil, não um anfíbio. A espécie mais comum nas casas brasileiras é a lagartixa-doméstica tropical (Hemidactylus mabouia), um lagarto pequeno, noturno e totalmente adaptado ao ambiente urbano.

Ela tem pele seca com escamas, respira por pulmões e põe ovos com casca calcária colados em frestas — tudo diferente dos anfíbios, que têm pele úmida, dependem de água e passam por metamorfose. Silenciosa e inofensiva, ela passa o dia escondida e sai à noite para caçar mosquitos, baratas pequenas e aranhas nas paredes próximas a lâmpadas.

Reconhecer, entender e manter a lagartixa por perto é a forma mais simples e natural de reduzir insetos dentro de casa sem usar veneno.

Também conhecido como: lagartixa-de-parede, lagartixa-doméstica tropical, briba, lagartixa-de-casa

Faz parte de: Lagartos e Iguanas, Répteis do Brasil

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Galeria de fotos de Lagartixa-doméstica

Lagartixa-doméstica adulta na parede interna de casa à noite
Adulto de lagartixa-doméstica tropical em parede interna, habitat urbano noturno.
Close da cabeça e olhos da lagartixa-doméstica
Detalhe da cabeça com olhos grandes sem pálpebras e pupila vertical.
Detalhe das lamelas adesivas nos dedos da lagartixa-doméstica
Lamelas adesivas que permitem andar no teto e no vidro.
Lagartixa-doméstica caçando mosquito perto da luz
Caça noturna de insetos atraídos pela luz.
Ovos calcários da lagartixa-doméstica colados em fresta
Ovos com casca calcária colados em fresta, sem metamorfose.
Filhote de lagartixa-doméstica na parede
Filhote já nasce com forma de adulto em miniatura.
Lagartixa-doméstica em muro externo com vegetação
Também ocupa muros e fachadas no ambiente peridomiciliar.

Perfil rápido de Lagartixa-doméstica

Estado de conservação

LC
Pouco preocupante

Espécie amplamente distribuída, abundante e adaptada a ambientes urbanos.

População
Estável
Protegido por
Não

Calendário

ReproduçãoJFMAMJJASOND
Pico de atividade noturnaJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsNão tóxica
  • PessoasNão tóxica

Não possui peçonha nem toxina de pele. Ingestão por pets pode causar apenas irritação gástrica leve. Não cospe veneno e não contamina alimentos por contato.

Vida útil

Na natureza e em áreas urbanas
5 a 8 anos
Em ambiente protegido sem predadores
até 8 anos, raramente mais

Reprodução

Tipo de reprodução
Ovípara, sem metamorfose, filhote já é réplica do adulto
Ovos por postura
1 a 2 ovos brancos com casca calcária
Local de postura
Colados em frestas, atrás de móveis, em muros e forros
Incubação
45 a 70 dias, dependente da temperatura
Maturidade sexual
6 a 12 meses

Habitat

Ambientes

  • Paredes internas e tetos de casas
  • Muros, fachadas e postes
  • Frestas, forros e atrás de quadros e móveis
  • Áreas urbanas e peridomiciliares

Biomas

  • Mata Atlântica
  • Cerrado
  • Caatinga
  • Amazônia
  • Pampa
  • Pantanal

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • mosquitos e pernilongos
  • baratas pequenas e ninfas
  • aranhas pequenas
  • traças e moscas

Outros alimentos

  • mariposas
  • formigas
  • pequenos besouros

Encontrado em 6 países

  • Brasil
  • Angola
  • Moçambique
  • Colômbia
  • Estados Unidos
  • México

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Reptilia
Ordem
Squamata
Família
Gekkonidae
Gênero
Hemidactylus
Espécie
Hemidactylus mabouia

Resumo

  • A lagartixa-doméstica é um réptil lagarto noturno da família Gekkonidae, diferente de anfíbios por ter pele seca, ovos com casca e ausência de metamorfose.
  • Vive em casas, muros e tetos em todo o Brasil, onde caça insetos com lamelas adesivas nos dedos e vocalizações características.
  • Não é venenosa, não transmite doenças por contato e não deve ser removida ou morta, pois tem papel importante no controle de pragas urbanas.

Características

Ficha da espécie

GrupoRéptil
OrdemSquamata
FamíliaGekkonidae
Origem e distribuiçãoÁfrica central e ocidental; introduzida e amplamente distribuída no Brasil e Américas
Tamanho10 a 13 cm de comprimento total (4 a 6,5 cm de corpo + cauda)
Peso3 a 6 g
Coresbege-clarocinza-claromarrom-clarobranco translúcido
HabitatUrbano e peridomiciliar: paredes internas, tetos, muros, frestas
AlimentaçãoInsetívora: mosquitos, baratas pequenas, aranhas, traças e moscas
ReproduçãoOvípara, 1 a 2 ovos com casca calcária, sem metamorfose
AtividadeNoturna e crepuscular
Expectativa de vida5 a 8 anos
Estado de conservaçãoPouco preocupante (LC)

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoas e petsMuito baixo
Facilidade de criação em cativeiroMuito baixo
Adaptação a casasMuito alto
Importância para o ecossistemaMuito alto
Sensibilidade a temperatura e umidadeMédio
Vida na águaMuito baixo

Lagartixa-doméstica é réptil ou anfíbio? Resposta direta

A lagartixa-doméstica é réptil, da ordem Squamata, a mesma dos lagartos e serpentes. Não é anfíbio e não tem parentesco próximo com sapos, rãs e pererecas.

A confusão vem do tamanho pequeno e do hábito de viver em paredes úmidas, mas a biologia é completamente diferente. Répteis têm pele seca com escamas, pulmões funcionais desde o nascimento e ovos com casca. Anfíbios têm pele úmida e permeável, dependem de água e passam por metamorfose de girino para adulto.

Característica Lagartixa (réptil) Sapo/rã (anfíbio)
Pele Seca, com escamas e tubérculos Úmida, lisa ou rugosa, sem escamas
Respiração Pulmonar Cutânea, branquial e pulmonar
Reprodução Ovos com casca calcária, sem larva aquática Ovos sem casca na água, com girino e metamorfose
Dependência de água Baixa Alta

Na prática: se o animal está seco, andando no teto e põe ovos duros colados na parede, é réptil.

Como identificar a lagartixa-doméstica tropical

A espécie mais vista no Brasil é Hemidactylus mabouia, a lagartixa-doméstica tropical. O corpo é achatado, a cabeça triangular e os olhos grandes sem pálpebras móveis, com pupila vertical que dilata muito à noite.

A pele é translúcida, bege a cinza-claro, com pintas mais escuras e tubérculos espalhados no dorso. A barriga é esbranquiçada e dá para ver vasos e órgãos em filhotes. A cauda é anelada, com espinhos laterais, e pode ser regenerada após autotomia.

O detalhe definitivo são os dedos largos com lamelas adesivas. Cada lamela tem milhares de setas microscópicas que aderem por forças de van der Waals, permitindo andar de cabeça para baixo no teto. Unhas estão presentes apenas em alguns dedos, diferente de outras lagartixas de mata.

Diferença para lagartixas nativas

Lagartixas nativas do gênero Gymnodactylus ou Phyllopezus vivem mais em rochas e troncos, têm dedos mais finos e raramente entram em casas. A doméstica tropical tem corpo mais robusto, tubérculos bem visíveis e vocalização audível, um cricrilar curto repetido à noite.

Onde vive e por que entrou nas casas brasileiras

Originária da África, Hemidactylus mabouia chegou às Américas há séculos por navios e se espalhou por todo o território brasileiro. Hoje ocorre em todos os biomas, mas quase sempre associada a áreas urbanas: casas, apartamentos, galpões, muros e postes.

Ela prefere paredes quentes próximas a luzes, onde insetos se concentram. Durante o dia fica escondida em frestas, atrás de quadros, cortinas, móveis e forros. À noite sai para caçar e termorregular.

É extremamente sinantrópica. Uma casa pode abrigar vários indivíduos com territórios sobrepostos, mas com machos defendendo pontos de luz. Não cava toca e não depende de solo ou água parada.

O que a lagartixa come e como caça na parede

É estritamente insetívora. A dieta é oportunista e focada no que aparece na luz: mosquitos, pernilongos, baratas pequenas, aranhas, traças, moscas e mariposas.

A caça é de espera. Ela fica imóvel perto da lâmpada e dá botes curtos e precisos. A língua projeta pouco, a captura é com a boca. Em noites quentes, um único adulto pode comer dezenas de mosquitos.

  • Não come restos de comida humana, frutas ou fezes.
  • Não bebe água parada com frequência; obtém umidade de orvalho e das presas.
  • Ajuda a reduzir baratas recém-eclodidas e aranhas pequenas, sem competir com predadores maiores.

Por isso, a presença dela diminui a necessidade de inseticidas dentro de casa.

Reprodução e ciclo de vida sem metamorfose

Como todo réptil, a lagartixa não tem metamorfose. O filhote nasce miniatura do adulto, já com lamelas e pronto para escalar.

A reprodução ocorre o ano todo em regiões quentes, com pico na estação chuvosa e quente. A fêmea põe 1 a 2 ovos brancos e duros por postura, colados com secreção em frestas, atrás de móveis, em caixas e muros. Ela pode fazer várias posturas por ano.

A incubação leva 45 a 70 dias, variando com a temperatura. O filhote mede cerca de 3 a 4 cm e já caça sozinho. Não há cuidado parental após a postura. A maturidade sexual chega entre 6 e 12 meses.

A cauda pode se soltar por autotomia se predada por gato ou pássaro. A cauda se debate para distrair o predador enquanto a lagartixa foge. Ela regenera, mas a nova cauda é mais lisa e sem os anéis originais.

É perigosa, venenosa ou transmite doença?

Não é venenosa, não morde por agressividade e não tem peçonha. Mordidas só ocorrem se for manipulada com força, e são superficiais, sem risco de envenenamento.

Também não transmite doença por contato com a pele. O mito de que “lagartixa envenena a comida” ou “cospe veneno” é falso. Ela não cospe, não saliva sobre alimentos e evita contato humano.

O único cuidado real é higiene indireta, como com qualquer animal sinantrópico: fezes secas no teto ou atrás de móveis podem conter Salmonella se ingeridas, mas o risco é baixíssimo e se resolve com limpeza simples e sem tocar no animal. Lave as mãos após limpar fezes e não deixe alimentos expostos.

Risco para cachorro e gato

Cães e gatos que caçam lagartixas geralmente não se intoxicam. A ingestão pode causar irritação gástrica leve ou vômito pelo corpo estranho, não por toxina. O maior risco é para a própria lagartixa. Evite que pets a persigam, mas não há veneno na pele como em sapos.

Comportamento noturno e comunicação

É noturna e termodependente. Precisa de calor para se mover rápido; no frio fica mais lenta e escondida. A temperatura ideal de atividade fica entre 25 e 32 °C.

É uma das poucas lagartixas que vocaliza. Machos emitem um “tac-tac” ou “bri-bri” repetido para marcar território e atrair fêmeas. É comum ouvir o som à noite em quartos silenciosos.

Comunica-se também por sinais químicos e visuais. Machos fazem flexões de corpo e balançam a cauda diante de rivais. Apesar de territorial, tolera agrupamentos onde há muita comida.

Papel no ecossistema e conservação

Dentro de casa, a lagartixa é controladora natural de pragas urbanas. Fora, serve de presa para aves noturnas, serpentes e morcegos, integrando a cadeia alimentar urbana.

Por ser introduzida, Hemidactylus mabouia compete com lagartixas nativas em algumas áreas, mas sua ligação quase exclusiva com construções humanas reduz o impacto em matas preservadas. Não é avaliada como ameaçada; pelo contrário, é extremamente abundante e estável.

A melhor forma de ajudar é não usar veneno, não matar e não tentar criar em terrário. Deixe frestas de ventilação, evite inseticidas em excesso e mantenha telas onde não quiser que entre. Se precisar retirar uma, capture com pote e papel e solte no muro externo à noite.

Curiosidades que pouca gente nota

A lagartixa limpa os olhos com a língua, pois não tem pálpebras que piscam. Ela também troca de pele com frequência e muitas vezes come a própria exúvia para recuperar nutrientes.

Outra particularidade: ela enxerga muito bem no escuro. A pupila vertical e a retina sensível permitem caçar com pouquíssima luz, enquanto durante o dia a pupila vira uma fenda fina para se proteger.

Perguntas frequentes

Lagartixa-doméstica é réptil ou anfíbio?

É réptil, da ordem Squamata. Tem pele seca com escamas, respira por pulmões e põe ovos com casca, sem fase de girino ou metamorfose.

Lagartixa-doméstica é venenosa?

Não. Ela não tem peçonha, não tem toxina na pele e não cospe veneno. Mordidas são raras e superficiais, apenas se for apertada.

Lagartixa transmite doença?

Não transmite por contato. Como todo animal sinantrópico, as fezes devem ser limpas com higiene, mas não há contaminação de alimentos por veneno.

O que a lagartixa come?

Principalmente mosquitos, baratas pequenas, aranhas, traças e moscas que aparecem perto de luzes à noite.

Por que a lagartixa fica no teto?

Porque tem lamelas adesivas nos dedos com microsetas que aderem à superfície por forças moleculares, permitindo andar no teto e em vidro.

Pode criar lagartixa-doméstica em terrário?

Não é recomendado. É animal silvestre adaptado à vida livre e urbana; capturá-la é prejudicial e não há criação legalizada como pet para essa espécie.

O que fazer se o gato pegou a lagartixa?

Retire o animal com cuidado, observe o pet e descarte a lagartixa morta com higiene. A ingestão costuma causar no máximo irritação gástrica leve.

Como tirar a lagartixa de casa sem matar?

Cubra com um pote, deslize um papel por baixo e solte no muro externo à noite. Evite inseticidas e mantenha telas se não quiser que volte.

Você sabia?

1

Anda no teto sem cola

As lamelas dos dedos têm até 500 mil setas por dedo que criam adesão por forças moleculares, permitindo sustentar muitas vezes o peso do corpo de cabeça para baixo.

2

Vocaliza à noite

Hemidactylus mabouia é uma das poucas lagartixas brasileiras que emite som audível, um cricrilar repetido usado por machos para defender território.

3

Ovos colados como azulejo

Os ovos têm casca calcária dura e são literalmente colados em frestas com uma secreção que endurece, ficando fixos até a eclosão.

4

Limpa o olho com a língua

Sem pálpebras móveis, ela mantém a córnea limpa e úmida passando a língua sobre o olho, comportamento típico de gecos.

Fontes

  1. Reptile Database
  2. Sociedade Brasileira de Herpetologia
  3. ICMBio - Instituto Chico Mendes
  4. IUCN Red List

Prós e contras: Lagartixa-doméstica

Prós

  • Controle natural de mosquitos, baratas pequenas e aranhas
  • Totalmente inofensiva, sem veneno e sem agressividade
  • Silenciosa, limpa e não danifica móveis ou alimentos
  • Adaptada a casas, não exige cuidado humano
  • Ativa à noite, quando os insetos mais incomodam

Contras

  • Pode deixar fezes pequenas em paredes e tetos
  • Pode vocalizar à noite e assustar quem não conhece
  • Cauda pode se soltar se for perseguida por pets
  • Compete com lagartixas nativas em áreas muito urbanizadas
  • Não é animal de estimação e não deve ser manuseada
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a lagartixa-doméstica é a melhor aliada gratuita contra mosquitos dentro de casa e o maior erro é tentar eliminá-la com veneno. Vale muito mais tolerar sua presença discreta do que perder um predador noturno tão eficiente e inofensivo.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 16.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.