🌿 Plantas

Imbé

Thaumatophyllum bipinnatifidum (sin. Philodendron bipinnatifidum)

Atualizado em

2 a 3 m de alturaTamanho
Meia-sombra a luz difusaLuminosidade
Moderada, sem encharcarRega
PereneCiclo de vida
Fácil a moderadaDificuldade
Imbé adulto com folhas grandes recortadas e raízes aéreas em jardim tropical

O imbé é uma das folhagens nativas mais imponentes do Brasil, da família Araceae, conhecida pelas folhas profundamente recortadas que podem ultrapassar 80 cm e pelo tronco grosso coberto de cicatrizes e raízes aéreas. Na natureza comporta-se como hemiepífita, começando no chão e subindo em árvores, mas adapta-se muito bem a vasos grandes e jardins sombreados.

É planta perene, de crescimento rápido e grande valor ornamental, amplamente usada para criar efeito tropical imediato. Toda a planta contém cristais de oxalato de cálcio e é tóxica se mastigada, exigindo cuidado em casas com cachorro, gato e crianças pequenas. Quando bem estabelecida, tolera calor, meia-sombra e períodos curtos de seca, mas não tolera encharcamento nem geada forte.

Também conhecido como: Guaimbê, Banana-de-macaco, Cipó-imbé, Banana-de-morcego, Philodendron bipinnatifidum

Faz parte de: Plantas Ornamentais, Plantas para Jardim, Plantas para Vasos

Explore a wiki

Galeria de fotos de Imbé

Imbé adulto com folhas grandes recortadas e raízes aéreas em jardim tropical
Imbé adulto exibindo folhas pinatífidas e porte imponente.
Close-up da folha recortada do imbé mostrando lóbulos e nervuras
Detalhe da folha coriácea e profundamente recortada.
Caule grosso do imbé com cicatrizes circulares e raízes aéreas escuras
Caule cicatricial e raízes aéreas que caracterizam o imbé.
Imbé cultivado em vaso grande em varanda sombreada
Cultivo em vaso grande exige boa drenagem e luz difusa.
Inflorescência do imbé com espata creme e espádice branco
Inflorescência com espata creme que surge na primavera e verão.
Conjunto de imbés em jardim tropical sombreado sob árvores
Uso paisagístico do imbé como ponto focal em jardim sombreado.
Ideal para

Ideal para quem busca uma folhagem nativa de grande impacto visual com manutenção simples e tem espaço sombreado no jardim, varanda coberta ou sala ampla e bem iluminada. Em vaso grande, cria efeito tropical imediato e tolera alguns descuidos de rega, sendo ótima para quem quer presença sem poda constante.

Pode não ser ideal para

Pode não ser ideal para apartamentos pequenos, casas com cachorro ou gato que roem plantas e famílias com crianças pequenas que levam tudo à boca, por ser tóxica e ocupar muito espaço. Também não funciona bem para quem procura planta de sol pleno forte ou para locais com geada frequente sem possibilidade de proteção.

Cultivo rápido

luz
Meia-sombra luminosa ou luz difusa intensa; tolera sol fraco da manhã, mas queima em sol forte da tarde
rega
Moderada; regar quando 3 a 4 cm do substrato secarem; reduzir no inverno; nunca deixar encharcado
solo
Rico em matéria orgânica, leve e muito bem drenado; mistura de terra vegetal, húmus, perlita/casca de pinus e carvão
temperatura
Ideal 18 °C a 30 °C; proteger abaixo de 10 °C e de geada; prefere umidade acima de 60%
adubação
A cada 60-90 dias na primavera-verão com NPK para folhagens; complementar com húmus ou bokashi
poda
Apenas remoção de folhas velhas ou doentes rente ao caule; não cortar raízes aéreas saudáveis
propagação
Divisão de touceira e estaca de caule com gema e raiz aérea; sementes frescas também germinam em 2 a 4 semanas

Perfil rápido de Imbé

Calendário

plantioJFMAMJJASOND
propagação por divisãoJFMAMJJASOND
adubaçãoJFMAMJJASOND
floraçãoJFMAMJJASOND
frutificaçãoJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsTóxica
  • PessoasTóxica

Toda a planta contém cristais de oxalato de cálcio (rafídeos). Mastigação causa dor, edema de boca e garganta, salivação e náusea. Manter longe de cachorro, gato e crianças; usar luvas ao manusear.

Encontrado em 4 países

  • Brasil
  • Paraguai
  • Argentina
  • Bolívia

Classificação científica

Reino
Plantae
Filo
Tracheophyta
Classe
Liliopsida
Ordem
Alismatales
Família
Araceae
Gênero
Thaumatophyllum
Espécie
Thaumatophyllum bipinnatifidum

Resumo

  • O imbé é uma Araceae perene nativa da Mata Atlântica, de folhas grandes e recortadas, que pode atingir 2 a 3 metros de altura e funciona como hemiepífita com raízes aéreas.
  • É planta de meia-sombra a luz difusa, solo rico e bem drenado, rega moderada e alta tolerância ao calor, mas sensível ao frio intenso e ao encharcamento.
  • Toda a planta é tóxica por oxalato de cálcio para pets e humanos, tem floração com espata creme e espádice aquecido e se propaga por divisão, estacas de caule ou sementes.

Características

Ficha da planta

Nome popularImbé, guaimbê, banana-de-macaco, cipó-imbé
Nome científicoThaumatophyllum bipinnatifidum (sin. Philodendron bipinnatifidum)
Família botânicaAraceae
OrigemMata Atlântica do Brasil, Paraguai e Argentina
Tipo de plantaHerbácea perene, hemiepífita, folhagem ornamental
Ciclo de vidaPerene
Tamanho1,5 a 3 m de altura e 1,5 a 2 m de largura; folhas de 40 a 90 cm
LuminosidadeMeia-sombra, luz difusa ou sol fraco da manhã
RegaModerada; solo levemente úmido, nunca encharcado
SoloRico em matéria orgânica, leve, bem drenado, pH 5,5 a 6,5
Temperatura18 °C a 30 °C; sensível a geada abaixo de 5 °C
PropagaçãoDivisão de touceira, estaca de caule e sementes
Toxicidade para petsTóxica para cachorro e gato (oxalato de cálcio)

Perfil e comportamento

Necessidade de luzMédio
Necessidade de águaMédio
Facilidade de cultivoAlto
Adequação a vasosAlto
Resistência a pragasAlto
Tolerância ao frioBaixo
Tolerância ao calorMuito alto
Valor ornamentalMuito alto

Como identificar o imbé verdadeiro: folha, caule e raízes que não enganam

O imbé se reconhece de longe pela folha grande, coriácea e profundamente pinatífida, com recortes que chegam quase até a nervura central e lóbulos irregulares. Cada folha nova nasce enrolada em uma catáfilo rosado que depois seca e cai, deixando anéis no caule. Folhas adultas bem nutridas medem 60 a 90 cm e têm pecíolo longo e robusto.

O caule é ereto, grosso e lenhoso, marcado por cicatrizes circulares onde as folhas antigas caíram. Com a idade, ele se inclina e emite raízes aéreas longas, escuras e flexíveis, que descem até o solo para ancorar e absorver umidade. É exatamente esse conjunto — folha recortada + caule cicatricial + raízes aéreas — que diferencia o imbé de filodendros menores e da costela-de-adão.

A floração é discreta mas curiosa: uma espata creme-esverdeada de 15 a 25 cm envolvendo um espádice branco. A planta pode florescer a partir dos 4 a 6 anos quando bem estabelecida, geralmente entre setembro e fevereiro. Os frutos são bagas esbranquiçadas em espiga, aromáticas quando muito maduras, mas não devem ser consumidos sem conhecimento por causa do oxalato.

Onde o imbé vive no Brasil e por que funciona como hemiepífita

Na natureza, o imbé ocorre principalmente na Mata Atlântica do Sudeste e Sul, do Espírito Santo ao Rio Grande do Sul, avançando para o interior em matas de galeria do Cerrado e para áreas do Paraguai e norte da Argentina. Cresce no sub-bosque sombreado, em clareiras úmidas e sobre rochas e troncos onde há acúmulo de matéria orgânica.

É uma hemiepífita secundária: germina no solo, sobe apoiada em árvores usando as raízes aéreas como grampos e depois pode perder contato com o solo sem morrer, vivendo como epífita por um tempo. Essa estratégia explica por que tolera sombra e por que precisa de substrato aerado e rico, semelhante à serapilheira da mata, e não de terra compactada.

Em cultivo, essa origem determina tudo. Em jardim, vira forração alta ou ponto focal tropical sob árvores ou muros sombreados. Em vaso, precisa de recipiente grande e pesado, pois a planta adulta fica desproporcional e tomba fácil. Em regiões de inverno rigoroso no Sul, o cultivo em vaso permite recolher para local protegido.

Luz, rega e solo: o acerto que deixa as folhas gigantes e evita podridão

O imbé rende mais em meia-sombra luminosa ou luz difusa intensa. Sol pleno forte queima as bordas e desbota o verde, enquanto sombra fechada demais deixa folhas pequenas e pecíolos estiolados. O ponto ideal é sol da manhã até 10h ou luz filtrada por 50 a 70%, como sob sombrite ou copa de árvore.

A rega deve manter o substrato levemente úmido, nunca encharcado. Regue a fundo quando os 3 a 4 cm superficiais secarem. No verão, isso significa 2 a 3 vezes por semana em vaso; no inverno, 1 vez por semana ou menos. Folhas amarelando na base e cheiro de terra abafada indicam excesso de água e início de podridão de raízes, o erro número um em apartamento.

  • Solo ideal: mistura de terra vegetal + húmus de minhoca + perlita ou casca de pinus + carvão triturado, bem solta e drenante.
  • Vaso: com furos amplos e camada de drenagem de argila expandida; prato nunca com água parada.
  • Umidade: aprecia 60% ou mais; borrifar folhas ajuda no ar seco, mas não substitui rega correta.
  • Temperatura: cresce melhor entre 18 °C e 30 °C; abaixo de 10 °C o crescimento para e abaixo de 5 °C pode queimar folhas.

Como plantar e multiplicar imbé em vaso e no jardim

Plante o imbé preferencialmente no final do inverno ao início da primavera, quando as raízes retomam o crescimento. No chão, abra cova de 40 x 40 x 40 cm, misture composto orgânico e areia grossa se o solo for argiloso, e mantenha 1,5 m de distância de muros e outras plantas. Em vaso, escolha modelo com 50 a 80 litros para planta adulta.

A propagação mais segura para quem está começando é por divisão de touceira. Retire a planta mãe, separe com faca limpa um broto lateral que já tenha raízes próprias e replante em substrato úmido à meia-sombra. A segunda forma é por estaca de caule: corte segmento de 10 a 15 cm com pelo menos uma gema e uma raiz aérea, deixe cicatrizar por 24 horas e plante na horizontal semienterrado.

  • Divisão: taxa de pega alta, mantém as características da mãe e floresce mais cedo.
  • Estaca: exige calor e umidade; enraíza em 30 a 60 dias com substrato morno.
  • Sementes: viáveis apenas frescas, sem dormência; germinam em 2 a 4 semanas, mas demoram anos para formar planta imponente.

Após o plantio, mantenha à sombra clara e sem adubar por 30 dias. Só volte a fertilizar quando surgirem folhas novas, sinal de que as raízes se estabeleceram. Tutore com estaca firme nos primeiros meses se o caule estiver torto.

Adubação e poda: menos é mais para esta Araceae

O imbé não é esfomeado, mas responde muito a matéria orgânica constante. Em vaso, adube a cada 60 a 90 dias na primavera e verão com NPK 10-10-10 ou formulação para folhagens, sempre com solo úmido. Alterne com húmus de minhoca ou bokashi para manter microrganismos e evitar acúmulo de sais.

No chão, uma camada anual de composto + cobertura morta de folhas secas ou casca de pinus já sustenta o crescimento. Excesso de nitrogênio deixa folhas enormes porém moles e mais suscetíveis a fungos e cochonilhas. Se as folhas novas saírem pálidas com nervuras verdes, falta ferro ou magnésio; corrija com adubo quelatizado.

Poda é quase inexistente. Remova apenas folhas velhas amareladas, secas ou doentes cortando o pecíolo rente ao caule com tesoura desinfetada. Não corte raízes aéreas saudáveis por estética; elas estabilizam a planta. Se precisar conter o tamanho, reduza a adubação e troque o vaso com menos frequência, em vez de podar drasticamente.

Pragas, doenças e os 3 erros que mais matam o imbé em casa

Bem cultivado, o imbé é muito resistente. Os problemas aparecem quando há desequilíbrio de luz e água. As pragas mais comuns são cochonilhas, ácaros e tripes, que se instalam na face inferior das folhas em ambiente seco e abafado. Lave com jato de água, remova manualmente com algodão e álcool e, se persistir, use óleo de neem.

Doenças fúngicas como antracnose (manchas pretas com halo amarelo) e podridão bacteriana (manchas encharcadas com odor) surgem com excesso de água e pouca ventilação. Melhore a drenagem, espaçe as regas e remova folhas afetadas. Evite molhar o centro da roseta à noite.

  • Erro 1 – Vaso pequeno e sem drenagem: raízes sufocam, caule amolece na base. Troque para vaso maior e substrato aerado.
  • Erro 2 – Sol forte direto: folhas com bordas queimadas e esbranquiçadas. Mova para luz filtrada.
  • Erro 3 – Rega por calendário: encharca no inverno. Regue apenas quando o substrato secar superficialmente.

Outro ponto crítico é a toxicidade: todas as partes contêm rafídeos de oxalato de cálcio. Mastigar causa dor intensa, inchaço de boca e garganta, salivação e náusea. Em caso de ingestão por cachorro, gato ou criança, não provoque vômito e procure veterinário ou serviço de saúde imediatamente. Mantenha a planta fora do alcance e use luvas ao podar se tiver pele sensível.

Característica Imbé (T. bipinnatifidum) Guaimbê (T. undulatum) Costela-de-adão (Monstera deliciosa)
Recorte da folha Profundo, lóbulos estreitos e irregulares Ondulado, menos profundo Fenestras e rasgos, não pinatífida
Caule Grosso, ereto, cicatrizes circulares Mais curto e entouceirado Trepador, longo e flexível
Raiz aérea Grossa, escura, muito longa Mais curta Fina, abundante
Uso comum Jardim sombreado e vaso grande Jardim e bordadura Interior e vaso

Perguntas frequentes

Imbé é tóxico para cachorro e gato?

Sim. Toda a planta contém oxalato de cálcio. Se roída, causa dor, inchaço da boca, salivação e vômitos. Mantenha fora do alcance e procure veterinário se houver ingestão.

Imbé pode ficar dentro de casa?

Pode, se houver luz difusa intensa, vaso grande com boa drenagem e umidade. Em interior escuro as folhas ficam pequenas e a planta enfraquece.

Qual a diferença entre imbé e costela-de-adão?

O imbé tem folha pinatífida com recortes profundos até a nervura e caule grosso ereto; a costela-de-adão (Monstera) tem folhas com furos e rasgos, caule trepador e fruto comestível quando maduro.

Como fazer muda de imbé?

A forma mais fácil é dividir a touceira separando um broto com raízes próprias, ou cortar estaca de caule com gema e raiz aérea e plantar em substrato úmido à meia-sombra.

Imbé gosta de sol ou sombra?

Prefere meia-sombra luminosa ou luz filtrada. Sol forte da tarde queima as folhas; sombra total deixa o crescimento fraco.

Com que frequência regar o imbé?

Regue quando os 3 a 4 cm superficiais do substrato secarem. Em geral 2 a 3 vezes por semana no verão e 1 vez por semana no inverno, sem deixar água parada no pratinho.

Por que as folhas do imbé ficam amarelas?

Na maioria dos casos é excesso de água e drenagem ruim, ou falta de luz. Ajuste a rega, melhore o substrato e garanta luz difusa; remova folhas muito amareladas.

Você sabia?

1

A flor que esquenta

A inflorescência do imbé faz termogênese e pode ficar até 10 °C acima da temperatura do ar para volatilizar perfume e atrair besouros polinizadores do gênero Cyclocephala.

2

Cipó que vira cesta

As raízes aéreas longas, chamadas cipó-imbé, são tradicionalmente usadas no artesanato indígena e caiçara para amarrar e trançar cestos, balaios e armadilhas de pesca.

3

Fruto que engana

Os frutos em espiga ficam doces e aromáticos quando muito maduros, mas se consumidos antes do ponto causam forte ardência por oxalato; por isso o consumo tradicional exige maturação completa e cautela.

4

Nome que mudou de gênero

O que era Philodendron bipinnatifidum foi reclassificado em 2018 para Thaumatophyllum bipinnatifidum após estudos genéticos, mas o nome antigo ainda domina viveiros e etiquetas no Brasil.

Fontes

  1. Flora e Funga do Brasil - Jardim Botânico do Rio de Janeiro
  2. Embrapa - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
  3. Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro

Prós e contras: Imbé

Prós

  • Folhagem nativa imponente com efeito tropical imediato
  • Muito resistente a calor, pragas e meia-sombra
  • Crescimento rápido e baixa exigência de poda
  • Adapta-se a vaso grande e a jardim sombreado
  • Longeva e rústica quando bem estabelecida

Contras

  • Tóxica para pets e humanos se ingerida
  • Ocupa muito espaço na fase adulta
  • Sensível a encharcamento e a geada forte
  • Raízes aéreas podem marcar piso e parede
  • Folhas grandes acumulam poeira e precisam de limpeza
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o imbé é a melhor folhagem nativa para quem quer efeito de selva com pouca frescura, mas seu tamanho adulto e a toxicidade exigem planejamento. É planta para espaço generoso e tutor responsável, não para cantinho apertado ou casa onde pets roem tudo.

Continue explorando: Plantas

Feliciano Murene
Escrito porFeliciano MureneVeterinário

Feliciano Murene é professor e criador de conteúdo. Formado em Biologia, possui cerca de 5 anos de experiência em sala de aula e atua na produção de conteúdos…

Cacilda Massema
Revisão especializadaCacilda MassemaEngenheira Agrônoma

Com experiência no universo das plantas, dedica-se à pesquisa e produção de conteúdos sobre cultivo, identificação de espécies, plantas ornamentais, flores, árvores e frutíferas. Partilha conhecimentos práticos sobre…

Última revisão em 20.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.