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Gunera

Gunnera manicata

Atualizado em

1,5 a 3 m de alturaTamanho
Sol pleno suave a meia-sombraLuminosidade
Muito alta, solo sempre úmidoRega
PereneCiclo de vida
Média a altaDificuldade
Gunera gigante adulta com folhas enormes ao lado de lago no jardim

A Gunera (Gunnera manicata) é uma planta perene rizomatosa famosa pelas folhas gigantes, que podem ultrapassar 1,5 metro de diâmetro e criar um efeito tropical imediato no jardim. Apesar da aparência exuberante, ela não é um ruibarbo e sim uma espécie de brejo que depende de solo constantemente úmido e clima ameno.

No Brasil, a espécie mais conhecida é nativa da Serra da Mantiqueira e da região Sul, onde cresce naturalmente em margens de rios e áreas encharcadas. Por seu tamanho monumental e exigência de água, é uma planta ornamental de impacto, mas que exige espaço, umidade e proteção contra sol forte e geadas severas.

É a escolha ideal para quem tem jardim amplo, lago ou área úmida e quer uma planta escultural que domine a paisagem. Não funciona bem em vasos pequenos, apartamentos ou jardins secos e de baixa manutenção.

Também conhecido como: Ruibarbo-gigante, Urtigão, Nalca, Giant rhubarb

Faz parte de: Plantas de Sol Pleno, Plantas Ornamentais, Plantas para Jardim

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Galeria de fotos de Gunera

Gunera gigante adulta com folhas enormes ao lado de lago no jardim
Gunera adulta em jardim úmido exibindo folhas gigantes características.
Close-up da folha gigante da Gunera mostrando textura e nervuras
Detalhe da folha orbicular com bordas denteadas e nervuras marcadas.
Detalhe do pecíolo espinhoso da Gunera
Pecíolo grosso e espinhoso que sustenta a folha gigante.
Inflorescência em espiga cônica da Gunera
Espiga floral ereta com milhares de flores pequenas.
Divisão de rizoma da Gunera para propagação
Propagação por divisão de rizoma na primavera.
Conjunto de Guneras na margem de córrego em paisagem serrana
Guneras em habitat ideal: margem úmida e protegida do vento.
Ideal para

Ideal para quem tem jardim amplo, chácara ou sítio com área úmida, lago ou borda de piscina natural e busca uma planta escultural de impacto tropical. Funciona muito bem em projetos paisagísticos de estilo inglês ou contemporâneo onde há espaço para uma peça central que muda a escala do jardim.

Pode não ser ideal para

Não é ideal para apartamentos, varandas, vasos ou jardins pequenos e secos, nem para quem tem pouco tempo para regar. Também não é indicada para regiões muito quentes e de ar seco sem irrigação automatizada, pois exige água constante e proteção contra vento e sol forte.

Cultivo rápido

Luz
Meia-sombra luminosa ou sol pleno suave da manhã, protegida de vento
Rega
Muito frequente, manter solo sempre úmido, 30 a 50 L/semana por planta adulta no verão
Solo
Profundo, fértil, úmido, rico em matéria orgânica, pH 5,5 a 6,5
Temperatura
Ideal 10 °C a 25 °C, tolera até -5 °C com proteção, sofre acima de 30 °C com ar seco
Adubação
Composto orgânico e farinha de ossos no início da primavera, cobertura morta anual
Poda
Apenas remoção de folhas velhas e secas, sem poda de formação
Propagação
Divisão de rizoma na primavera ou sementes com estratificação fria

Perfil rápido de Gunera

Calendário

Plantio / DivisãoJFMAMJJASOND
FloraçãoJFMAMJJASOND
FrutificaçãoJFMAMJJASOND
Poda / LimpezaJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsNão tóxica
  • PessoasNão tóxica

Pecíolos com espinhos podem causar irritação mecânica na pele. Em caso de ingestão por pets ou crianças, observe e consulte veterinário ou médico.

Vida útil

Longevidade
20 a 50 anos no mesmo local se bem cuidada

Reprodução

Polinização
Vento e insetos, flores pequenas em espiga
Frutificação
Drupas pequenas avermelhadas no verão-outono

Habitat

Ambientes

  • Margens de rios e córregos
  • Brejos e áreas úmidas de altitude
  • Encostas úmidas e grotas sombreadas

Biomas

  • Mata Atlântica

Encontrado em 5 países

  • Brasil
  • Chile
  • Argentina
  • Colômbia
  • Equador

Classificação científica

Reino
Plantae
Filo
Tracheophyta
Classe
Magnoliopsida
Ordem
Gunnerales
Família
Gunneraceae
Gênero
Gunnera
Espécie
Gunnera manicata

Resumo

  • A Gunera é uma perene gigante de brejo com folhas de até 2,5 m de diâmetro e espigas florais de até 1 m, nativa do Sul e Sudeste do Brasil.
  • Precisa de meia-sombra luminosa, solo rico, profundo e sempre úmido, além de rega abundante e proteção contra geada e vento forte.
  • É ideal para jardins amplos e úmidos como planta escultural, mas não se adapta a vasos pequenos, clima muito quente e seco ou falta de espaço.

Características

Ficha da planta

Nome popularGunera, ruibarbo-gigante, urtigão
Nome científicoGunnera manicata Linden ex Delchev.
Família botânicaGunneraceae
OrigemAmérica do Sul (Sul e Sudeste do Brasil, Andes)
Tipo de plantaHerbácea perene rizomatosa de brejo
Ciclo de vidaPerene
Tamanho1,5 a 3 m de altura e 2 a 4 m de diâmetro
LuminosidadeMeia-sombra luminosa ou sol pleno suave
RegaAlta, solo constantemente úmido
SoloRico em matéria orgânica, profundo, úmido e bem drenado
Temperatura10 °C a 25 °C, não tolera calor seco prolongado
PropagaçãoDivisão de rizomas e sementes
Toxicidade para petsNão tóxica (consulte veterinário em caso de ingestão)

Perfil e comportamento

Necessidade de luzMédio
Necessidade de águaMuito alto
Facilidade de cultivoBaixo
Adequação a vasosMuito baixo
Resistência a pragasAlto
Tolerância ao frioMédio
Tolerância ao calorBaixo
Valor ornamentalMuito alto

Como identificar a Gunera sem confundir com ruibarbo

A Gunera é inconfundível quando adulta: folhas orbiculares gigantes, com textura áspera e recortada, sustentadas por pecíolos grossos e espinhosos que podem ter 1,5 a 2 metros de comprimento. A lâmina foliar é verde-intensa, com nervuras muito marcadas na face inferior e bordas denteadas, formando uma copa que parece um guarda-sol natural.

Diferente do ruibarbo comestível (Rheum), a Gunera não forma talos comestíveis e tem inflorescência em espiga cônica ereta, de 80 cm a 1 metro, com milhares de flores minúsculas verde-avermelhadas. O rizoma é robusto, rastejante e forma touceiras que se expandem ano após ano, ocupando vários metros quadrados.

Um detalhe que poucos notam é a simbioses com cianobactérias do gênero Nostoc nas bases dos pecíolos. Essa associação permite que a Gunera fixe nitrogênio atmosférico, algo raríssimo em plantas não leguminosas, e explica por que ela cresce tanto mesmo em solos pobres, desde que haja água abundante.

Onde a Gunera vive e por que ela precisa de tanta água

Na natureza, a Gunera é planta de brejo, margem de rios e encostas úmidas de altitude. Gunnera manicata ocorre naturalmente na Serra da Mantiqueira e Serra Geral, entre 800 e 1.500 metros de altitude, em áreas de Mata Atlântica com neblina e solo encharcado. Outras espécies do gênero se espalham pelos Andes, do Chile à Colômbia.

Ela é uma hidrófita de grande porte: transpira litros de água por dia pelas folhas enormes. Por isso, na paisagem, só se mantém bonita se o solo nunca secar completamente. Em habitat natural, as raízes ficam quase sempre úmidas, mas não submersas por longos períodos.

No jardim, isso significa que a Gunera funciona como planta de borda de lago, córrego ou área de drenagem. Tentar cultivá-la em canteiro seco e sob sol forte do Centro-Oeste ou Nordeste sem irrigação constante leva ao murchamento rápido, bordas queimadas e dormência precoce.

Como plantar Gunera no Brasil: espaço, época e passo a passo

Plante no final do inverno ao início da primavera, quando o risco de geada forte já passou e o solo começa a aquecer. No Sul e Sudeste, isso corresponde a agosto a outubro. Em regiões serranas, espere até setembro.

Escolha um local com 4 a 9 m² livres por planta, protegido de vento forte que rasga as folhas. O vento é um dos maiores inimigos: folhas novas rasgam com facilidade e perdem valor ornamental.

  • Cova: abra 60 x 60 x 60 cm, misture 30% de composto orgânico, húmus de minhoca e areia grossa se o solo for muito argiloso.
  • Plantio por rizoma: enterre o rizoma com a gema voltada para cima, a 5 cm de profundidade, e cubra levemente sem compactar.
  • Plantio por muda: mantenha o torrão intacto, plante no mesmo nível em que estava no vaso e regue abundantemente.
  • Acabamento: faça uma bacia ao redor e cubra com mulching de 8 a 10 cm (folhas, casca de pinus) para manter umidade e proteger o rizoma do frio.

Mudas por semente são lentas e exigem estratificação fria por 4 a 6 semanas e luz para germinar, com germinação irregular que pode levar 30 a 90 dias. Para jardins domésticos, a divisão de rizoma na primavera é muito mais rápida e segura.

Luz, solo, rega e umidade: o quarteto que decide o tamanho da folha

Luz: a Gunera rende mais em meia-sombra luminosa ou sol da manhã com sombra à tarde. Sol pleno o dia todo no Brasil queima as bordas e exige ainda mais água. Em locais muito sombreados, as folhas ficam menores e os pecíolos estiolados.

Solo: precisa ser profundo, fértil e constantemente úmido, com pH entre 5,5 e 6,5. Solo raso ou compactado limita o rizoma e reduz drasticamente o tamanho da planta. Incorpore matéria orgânica todo ano e garanta drenagem para não deixar água parada e apodrecer o rizoma no inverno.

Rega: é o ponto crítico. Mantenha o solo sempre úmido, nunca encharcado no frio. Na primavera e verão, regue diariamente se não chover, fornecendo o equivalente a 30 a 50 litros por planta adulta por semana em períodos secos. Use irrigação por gotejamento ou mangueira na base, evitando molhar as folhas sob sol forte.

Umidade e temperatura: prefere clima ameno e úmido, entre 10 °C e 25 °C. Tolera geadas leves a moderadas (-5 °C) com proteção de mulching, mas sofre com calor acima de 30 °C combinado com ar seco. Em regiões quentes, plante perto de água e crie microclima com outras plantas altas.

Adubação, poda e proteção no inverno

Adubação: por ser de crescimento rápido e fixadora de nitrogênio, a Gunera responde melhor a adubo orgânico rico em potássio e fósforo do que a excesso de nitrogênio. Aplique composto e farinha de ossos no início da primavera e reaplique cobertura orgânica no verão. Evite adubo químico concentrado perto do rizoma.

Poda: não há poda de formação. Remova apenas folhas velhas, amareladas ou queimadas pela geada cortando o pecíolo na base com faca limpa. No outono, as folhas murcham naturalmente e formam uma cobertura protetora sobre o rizoma — não retire tudo se houver risco de frio intenso.

Proteção contra frio: em locais com geada, após a primeira queda das folhas, cubra a coroa com 15 a 20 cm de folhas secas e palha e, se necessário, com tela ou sombrite. Retire a proteção gradualmente no final do inverno quando surgirem os brotos avermelhados.

Como evitar que a Gunera domine o jardim

O rizoma se espalha e a planta pode ocupar muito mais espaço do que o previsto em 3 a 4 anos. Se precisar conter, instale barreira física enterrada a 40 cm ao redor da touceira ou faça divisão a cada 2 a 3 anos, retirando partes do rizoma com pá afiada na primavera.

Tipos e variedades de Gunera que você encontra no Brasil

O gênero Gunnera tem cerca de 60 espécies, mas poucas são cultivadas como ornamentais. No Brasil, duas se destacam e são frequentemente confundidas:

Espécie Características principais Onde é mais vista
Gunnera manicata Folhas de 1,2 a 2,5 m de diâmetro, pecíolos com espinhos avermelhados, porte mais alto e elegante Jardins botânicos e viveiros do Sul e Sudeste, nativa da Mantiqueira
Gunnera tinctoria Folhas menores (0,8 a 1,2 m), mais rústica e invasora, espinhos mais densos Região Sul, Chile e Argentina; usada como ornamental e às vezes naturalizada
Gunnera perpensa Porte anão (30 a 50 cm), folhas pequenas e arredondadas Rara no Brasil, coleções especializadas

Na prática de viveiro, muitas plantas vendidas como Gunnera manicata são na verdade híbridos entre manicata e tinctoria, com tamanho intermediário. Para garantir folhas realmente gigantes, compre de produtor que informe a procedência do rizoma e mostre a planta-mãe adulta.

Pragas, doenças e os erros que mais matam a Gunera

A Gunera é relativamente resistente a pragas graças aos pecíolos espinhosos e às folhas coriáceas, mas sofre com manejo errado.

  • Lesmas e caracóis: atacam brotos novos na primavera, deixando buracos irregulares. Faça catação manual e use barreiras físicas; evite veneno granulado perto de lagos.
  • Pulgões: podem aparecer na inflorescência. Jato de água costuma resolver; infestação grande indica planta estressada por falta de água.
  • Podridão do rizoma: causada por solo encharcado e frio sem drenagem. O sintoma é cheiro forte e brotos moles. Melhore a drenagem e reduza a rega no inverno.
  • Bordas secas e queimadas: quase sempre é falta de água ou sol excessivo, não doença. Ajuste rega e sombreamento antes de aplicar qualquer produto.

Os dois erros mais comuns no Brasil são plantar em vaso pequeno achando que vai controlar o tamanho — a planta definha e nunca forma folhas grandes — e regar pouco no verão. Gunera com sede murcha em horas e, se o estresse se repetir, entra em dormência precoce e perde um ano de crescimento.

Perguntas frequentes

Gunera pode ser cultivada em vaso?

Não é recomendado. Mesmo em vasos de 200 litros, a planta fica pequena, sofre com falta de água e não forma as folhas gigantes características. O ideal é plantio direto no solo úmido.

Gunera é a mesma coisa que ruibarbo?

Não. O ruibarbo comestível é Rheum rhabarbarum, de outra família. A Gunera é ornamental, tem pecíolos espinhosos e não é consumida.

Quanto tempo leva para a Gunera ficar gigante?

Com solo fértil e água abundante, atinge porte ornamental em 2 a 3 anos e tamanho máximo em 4 a 5 anos. Sem água suficiente, o crescimento é muito mais lento.

Gunera precisa de sol ou sombra?

Prefere meia-sombra luminosa ou sol suave da manhã. Sol forte o dia todo queima as folhas e aumenta muito a necessidade de rega.

Como proteger a Gunera da geada?

Após as folhas secarem no outono, cubra a coroa com 15 a 20 cm de palha e folhas secas. Retire a cobertura no fim do inverno quando os brotos começarem a surgir.

Gunera é invasora?

Gunnera manicata não é considerada invasora no Brasil, mas Gunnera tinctoria pode se naturalizar e se espalhar em áreas úmidas do Sul. Controle a expansão por divisão do rizoma.

Com que frequência devo regar a Gunera?

Mantenha o solo sempre úmido. No verão, regue diariamente se não chover. No inverno, reduza, mas nunca deixe o solo secar completamente.

Você sabia?

1

Fixa nitrogênio como uma leguminosa

A Gunera abriga cianobactérias Nostoc em glândulas na base das folhas, que convertem nitrogênio do ar em nutriente. É uma das poucas plantas não leguminosas com essa simbiose.

2

Folhas que viram guarda-chuva

Em exemplares adultos de Gunnera manicata, uma única folha pode chegar a 2,5 metros de diâmetro e pesar mais de 10 quilos, sendo usada historicamente como abrigo improvisado contra chuva no sul do Brasil.

3

Parente distante de plantas aquáticas

Apesar do porte terrestre, a família Gunneraceae tem afinidade genética com Myrothamnus, um arbusto africano que revive após secar completamente, o que intriga botânicos.

4

Sementes que precisam de frio

As sementes de Gunera têm dormência e germinam melhor após estratificação fria úmida e exposição à luz, imitando o inverno úmido da Mantiqueira. Sem esse choque, a germinação é baixa e irregular.

Fontes

  1. Jardim Botânico do Rio de Janeiro - Flora do Brasil
  2. Embrapa Florestas
  3. Royal Botanic Gardens, Kew

Prós e contras: Gunera

Prós

  • Efeito ornamental imediato e escultural, cria ponto focal tropical
  • Folhas gigantes únicas, nenhuma outra perene tem escala parecida
  • Resistente a pragas e relativamente rústica se houver água
  • Longeva, pode ficar décadas no mesmo local
  • Fixa nitrogênio e melhora o solo ao redor

Contras

  • Exige muito espaço, 4 a 9 m² por planta adulta
  • Necessidade de água muito alta, não tolera seca
  • Não se adapta a vasos, apartamentos ou jardins pequenos
  • Sofre com calor seco, vento forte e sol intenso
  • Pecíolos espinhosos dificultam o manuseio sem luvas
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a Gunera é uma das plantas mais esculturais que se pode cultivar no Brasil, mas só vale a pena se houver água e espaço de sobra. Tentar adaptá-la a vaso ou jardim seco é frustrante: ela foi feita para ser gigante e úmida, e é aí que mostra toda a sua beleza.

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Última revisão em 16.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.