🐟 Peixes

Tubarão

Selachimorpha

Atualizado em

20 cm a 12 mTamanho
SalgadaTipo de água
12 a 70 anosExpectativa de vida
Predador e ariscoTemperamento
Não é petDificuldade
Tubarão-baleia com pintas brancas nadando próximo à superfície

Tubarão não é uma espécie única, mas uma superordem inteira chamada Selachimorpha, com mais de 500 espécies de peixes cartilaginosos. Do tubarão-anão-lanterna de 20 cm ao tubarão-baleia de 12 metros, todos compartilham esqueleto de cartilagem, pele áspera e faro extremamente apurado.

No Brasil, o termo cação é usado para a carne de tubarão, mas biologicamente cação e tubarão são a mesma coisa. São predadores de topo na maioria dos oceanos, com papel fundamental no controle de populações e na saúde dos recifes e mares abertos.

Nenhum tubarão é peixe de aquário doméstico. São animais marinhos, altamente migratórios e protegidos por leis nacionais e internacionais, com muitas espécies ameaçadas pela pesca predatória e pelo finning.

Também conhecido como: Cação, Shark (inglês), Tiburón (espanhol), Requin (francês), Squalo (italiano)

Faz parte de: Peixes Carnívoros, Peixes de Água Salgada

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Galeria de fotos de Tubarão

Tubarão-baleia com pintas brancas nadando próximo à superfície
Tubarão-baleia, gigante filtrador de até 12 metros.
Tubarão-tigre nadando em mar aberto com listras verticais
Tubarão-tigre, predador generalista de águas tropicais.
Cardume de tubarões-martelo nadando sobre recife arenoso
Tubarões-martelo, reconhecíveis pela cabeça em forma de T.
Tubarão-lixa descansando no fundo de recife de coral
Tubarão-lixa, espécie costeira comum no Brasil.
Tubarão-tigre nadando em mar aberto com listras verticais
Tubarão-tigre, predador generalista de águas tropicais.
Tubarão-tigre nadando em mar aberto com listras verticais
Tubarão-tigre, predador generalista de águas tropicais.
Tubarão-baleia com pintas brancas nadando próximo à superfície
Tubarão-baleia, gigante filtrador de até 12 metros.
Cardume de tubarões-martelo nadando sobre recife arenoso
Tubarões-martelo, reconhecíveis pela cabeça em forma de T.

Perfil rápido de Tubarão

Estado de conservação

VU
Vulnerável

Mais de um terço das espécies está ameaçada por sobrepesca e finning.

População
Em declínio
Protegido por
Sim, várias espécies na CITES e com proteção no Brasil (IN MMA 148/2022)

Vida útil

Na natureza
12 a 70 anos na maioria; tubarão-da-Groenlândia ultrapassa 300 anos
Em cativeiro
Não se aplica; poucas espécies sobrevivem em aquários oceânicos e com vida mais curta

Reprodução

Maturidade sexual
Tardia, de 5 a 33 anos conforme a espécie
Tipo de reprodução
Ovípara, ovovivípara e vivípara com placenta
Gestação
6 a 22 meses
Ninhada
1 a 100 filhotes, média de 4 a 12 na maioria das espécies costeiras

Habitat

Ambientes

  • Oceano aberto pelágico
  • Recifes de coral e costões rochosos
  • Plataforma continental
  • Manguezais e estuários (berçários)
  • Águas profundas acima de 1.000 m

Biomas

  • Marinho
  • Costeiro

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Peixes ósseos
  • Lulas e polvos
  • Crustáceos
  • Mamíferos marinhos (em espécies grandes)
  • Plâncton (tubarão-baleia e tubarão-frade)

Outros alimentos

  • Tartarugas marinhas
  • Aves marinhas
  • Carcaças de baleia
  • Raias

Encontrado em 8 países

  • Brasil
  • Estados Unidos
  • Austrália
  • África do Sul
  • México
  • Japão
  • Indonésia
  • Moçambique

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Chondrichthyes
Subclasse
Elasmobranchii
Superordem
Selachimorpha
Ordens principais
Carcharhiniformes, Lamniformes, Orectolobiformes e outras
Famílias
Carcharhinidae, Sphyrnidae, Lamnidae, Rhincodontidae e outras

Resumo

  • Tubarão é uma superordem com mais de 500 espécies de peixes cartilaginosos, que variam de 20 cm a 12 metros e vivem em todos os oceanos.
  • São predadores com esqueleto de cartilagem, 5 a 7 fendas branquiais e sentidos elétricos, vitais para o equilíbrio marinho.
  • A maioria das espécies está em declínio por sobrepesca e finning e não deve ser criada em cativeiro doméstico.

Características

Ficha da espécie

Nome científicoSelachimorpha (superordem com mais de 500 espécies)
FamíliaMúltiplas (Carcharhinidae, Sphyrnidae, Lamnidae, Rhincodontidae e outras)
OrigemOceanos Atlântico, Pacífico e Índico, do Ártico ao Antártico
Tipo de águaSalgada (marinha)
Tamanho20 cm a 12 m conforme a espécie
Expectativa de vida12 a 70 anos (tubarão-da-Groenlândia até ~400 anos)
AlimentaçãoCarnívora
ReproduçãoOvípara, ovovivípara e vivípara
Corescinzabrancopretoazuladomarrommalhado
VariedadesMais de 500 espécies descritas

Perfil e comportamento

Facilidade de criaçãoMuito baixo
AgressividadeAlto
SociabilidadeBaixo
Nível de atividadeAlto
Exigência com a qualidade da águaMuito alto
Adequação a aquários pequenosMuito baixo

O que é o tubarão e como reconhecê-lo na hora

Tubarão não é um peixe ósseo. Ele pertence aos condrictes, peixes de esqueleto totalmente cartilaginoso, sem osso verdadeiro. Essa é a diferença anatômica que o separa de 95% dos peixes que você conhece.

Para identificar um tubarão, observe três marcas inconfundíveis. Primeiro, 5 a 7 fendas branquiais laterais sem opérculo (aquela tampa óssea dos peixes comuns). Segundo, pele coberta por dentículos dérmicos, escamas microscópicas em forma de dente que deixam a pele áspera como lixa. Terceiro, nadadeira caudal heterocerca, com o lobo superior maior que o inferior.

Outro detalhe é a boca ventral e os dentes em fileiras substituíveis. Um tubarão pode trocar mais de 30 mil dentes ao longo da vida, com reposição contínua em esteira. A nadadeira dorsal rígida e o focinho com poros visíveis (as ampolas de Lorenzini) completam o reconhecimento.

Tamanho de verdade: do anão ao gigante

Falar em tamanho de tubarão sem citar a espécie não diz nada. O menor conhecido é o tubarão-anão-lanterna (Etmopterus perryi), com cerca de 20 cm adulto e bioluminescência na barriga. O maior é o tubarão-baleia (Rhincodon typus), que chega a 12 metros e 20 toneladas, mas se alimenta de plâncton.

A maioria das espécies que ocorrem no Brasil fica entre 1 e 4 metros. Tubarão-martelo-grande passa de 6 metros, tubarão-branco atinge 6 metros, tubarão-tigre fica em torno de 5 metros. Já espécies costeiras como o tubarão-lixa raramente passam de 3 metros.

O peso acompanha essa variação extrema. Um cação-frango pesa 1 kg, um tubarão-baleia pesa mais que um ônibus. Por isso, qualquer tabela de tamanho só faz sentido quando amarrada ao nome científico.

Onde vive o tubarão no Brasil e no mundo

Tubarões ocupam todos os oceanos, de recifes rasos a fossas abissais de 3.000 metros. Não existem tubarões verdadeiros de água doce permanente, mas o tubarão-cabeça-chata (Carcharhinus leucas) entra em rios e já foi registrado a milhares de quilômetros no Amazonas.

No Brasil, a maior diversidade está no Nordeste e no Sudeste, em recifes, ilhas oceânicas e plataforma continental. Fernando de Noronha, Atol das Rocas e Parcel de Manuel Luís são berçários naturais. Manguezais e estuários do Pará e Maranhão servem de creche para filhotes de tubarão-martelo e tubarão-limão.

Cada grupo tem seu habitat preferido. Tubarões pelágicos como o mako e o azul vivem em mar aberto. Tubarões de recife como o galha-preta e o lixa são costeiros e sedentários. Tubarões de profundidade como o duende e o da Groenlândia vivem no frio e no escuro, quase sem serem vistos.

O que o tubarão come e como ele caça de verdade

Todo tubarão é carnívoro, mas nem todo é caçador de topo. Três tubarões gigantes são filtradores: tubarão-baleia, tubarão-frade e tubarão-boca-grande filtram plâncton, ovos de peixe e pequenos crustáceos com rastros branquiais. Eles não mordem presas grandes.

Os predadores usam um arsenal sensorial que nenhum peixe ósseo tem. As ampolas de Lorenzini no focinho detectam campos elétricos de até um bilionésimo de volt, permitindo achar um linguado enterrado na areia. A linha lateral sente vibrações a centenas de metros e o olfato percebe uma gota de sangue em milhões de litros de água.

A estratégia varia por espécie. O tubarão-branco dá botes verticais contra focas, o martelo usa a cabeça em forma de T para imobilizar arraias no fundo, o tubarão-tigre é generalista e come de tartaruga a placa de carro. A maioria, porém, prefere peixes, lulas e crustáceos e evita gasto energético desnecessário.

Comportamento: tubarão ataca gente?

O risco existe, mas é estatisticamente minúsculo. No mundo ocorrem em média 70 ataques não provocados por ano, com menos de 10 fatais, segundo o International Shark Attack File. Você tem mais chance de ser atingido por um raio.

A maioria das mordidas é exploratória: o tubarão morde para identificar o objeto e solta, pois humano não faz parte da dieta. Espécies responsáveis pela maioria dos incidentes graves são apenas três: tubarão-branco, tubarão-tigre e tubarão-cabeça-chata. Todas são grandes, costeiras e com dieta ampla.

No Brasil, os casos se concentram em Recife (PE) por alteração de habitat e turbidez de estuários, não por agressividade natural. Tubarões são em geral ariscos e evitam contato. Mergulhadores observam tubarões-lixa e galha-preta a poucos metros sem incidentes quando não há alimentação artificial ou pesca submarina.

Reprodução e ciclo de vida: por que se recuperam tão devagar

Tubarões têm crescimento lento, maturidade tardia e poucos filhotes. É o oposto de sardinhas e tilápias. Um tubarão-branco fêmea só amadurece com 33 anos, um tubarão-martelo com 15 anos. Isso torna qualquer pressão de pesca devastadora.

Existem três modos reprodutivos no grupo. Ovíparos como o tubarão-gato depositam cápsulas coriáceas em forma de bolsa de sereia. Ovovivíparos como o mako e o tubarão-branco chocam ovos dentro do útero e os embriões praticam canibalismo intrauterino. Vivíparos como o martelo e o azul têm placenta vitelínica e parem filhotes já formados.

A gestação dura de 6 a 22 meses, a mais longa entre os peixes. Ninhadas variam de 1 a 100 filhotes, mas a média é baixa: 4 a 12 para a maioria dos carcharhinídeos. Muitas fêmeas reproduzem apenas a cada 2 ou 3 anos, o que explica o colapso populacional rápido.

Espécies mais conhecidas e como diferenciar

Não confunda tubarão-baleia com baleia. O primeiro é peixe com brânquias e pele malhada, a segunda é mamífero com pulmão. Essa confusão custa a vida de muitos tubarões-baleia abordados por barcos.

Veja as diferenças práticas entre as espécies mais citadas no Brasil:

Espécie Tamanho adulto Marca distintiva Habitat no Brasil
Tubarão-baleia até 12 m corpo com pontos e listras brancas, boca frontal enorme Oceânico, Bahia e Rio Grande do Norte
Tubarão-branco até 6 m focinho cônico, dentes triangulares serrilhados Sul e Sudeste, raro
Tubarão-martelo-grande até 6 m cabeça em T com olhos nas pontas Costeiro e oceânico, todo o litoral
Tubarão-tigre até 5 m listras verticais escuras, focinho curto Costeiro, Nordeste
Tubarão-lixa até 3 m corpo robusto, barbilhões perto da boca Recifes e naufrágios

Para identificação rápida na praia, lembre: martelo tem cabeça em T, lixa tem barbilhões, baleia tem pintas, tigre tem listras. Nenhum outro peixe brasileiro combina essas características com fendas branquiais laterais.

Conservação: por que o tubarão está sumindo

Mais de 1/3 das espécies de tubarões e raias está ameaçada de extinção pela IUCN. A principal causa é a sobrepesca, direta e como fauna acompanhante de espinhel e rede de emalhe. No Brasil, o consumo de cação esconde a origem: muita carne vendida como cação é de tubarão-azul ou anequim ameaçado.

O finning, corte das nadadeiras para sopa, ainda mata cerca de 73 milhões de tubarões por ano no mundo, com o corpo descartado no mar. Mesmo sem finning, a demanda por carne, óleo de fígado (esqualeno) e dentes pressiona populações que não se recuperam rápido.

Leis brasileiras proíbem o finning e exigem desembarque com nadadeiras naturalmente aderidas, e espécies como tubarão-baleia, tubarão-branco e tubarões-martelo têm proteção específica e estão na CITES. Ainda assim, a fiscalização é falha e o declínio continua. Sem tubarões, recifes sofrem proliferação de predadores médios e colapso de corais.

Mitos e erros comuns que atrapalham

Mito 1: tubarão precisa nadar sem parar ou morre. Verdade parcial. Muitos pelágicos precisam nadar para ventilar brânquias, mas tubarões-lixa e bambu bombeiam água ativamente e descansam parados no fundo.

Mito 2: tubarão tem que comer gente para sobreviver. Falso. A maioria come peixes pequenos e evita humanos. Ataques são erros de identificação em água turva.

Erro comum no Brasil: achar que cação não é tubarão. Cação é nome comercial para carne de tubarão e raia. Ao comprar cação sem espécie identificada, você pode estar consumindo uma espécie vulnerável sem saber.

Na nossa avaliação, tubarão é o maior termômetro da saúde do oceano. Onde há tubarões em número natural, o ecossistema está equilibrado. Onde sumiram, a cadeia já quebrou. Protegê-los não é romantismo, é manejo pesqueiro inteligente.

Perguntas frequentes

Tubarão é peixe ou mamífero?

É peixe cartilaginoso. Respira por brânquias, tem escamas em forma de dentículos e não amamenta, diferente de baleias e golfinhos que são mamíferos.

Cação e tubarão são a mesma coisa?

Sim. Cação é nome comercial usado no Brasil para carne de tubarão e raia. Biologicamente, todo cação é tubarão.

Qual o maior tubarão do mundo?

O tubarão-baleia (Rhincodon typus), com até 12 metros. É dócil e filtrador, se alimenta de plâncton e pequenos peixes.

Tubarão ataca humanos com frequência?

Não. Há cerca de 70 ataques não provocados por ano no mundo, com menos de 10 fatais. A maioria são mordidas exploratórias.

Quanto tempo vive um tubarão?

A maioria vive de 12 a 70 anos, mas o tubarão-da-Groenlândia pode viver cerca de 400 anos, o vertebrado mais longevo conhecido.

Tubarão pode viver em aquário?

Não em aquário doméstico. Apenas grandes aquários oceânicos mantêm poucas espécies pequenas com estrutura especial, e mesmo assim com restrições legais.

Tubarão está ameaçado de extinção?

Sim, mais de um terço das espécies está ameaçada segundo a IUCN, principalmente por sobrepesca, pesca acidental e finning.

Fatos surpreendentes

1

Fígado que vale por boia

Tubarões não têm bexiga natatória. Flutuam graças a um fígado enorme cheio de óleo leve chamado esqualeno, que pode representar até 30% do peso corporal em espécies de profundidade.

2

Sexto sentido elétrico

As ampolas de Lorenzini no focinho detectam o batimento cardíaco de uma presa enterrada na areia. É como se o tubarão enxergasse eletricidade.

3

O vertebrado mais longevo

O tubarão-da-Groenlândia (Somniosus microcephalus) vive cerca de 400 anos. Um indivíduo nascido no século 17 ainda pode estar nadando no Ártico hoje, com maturidade sexual só aos 150 anos.

4

Dentes que nunca acabam

Um tubarão-branco troca os dentes em fileiras como esteira rolante e pode usar mais de 30 mil dentes na vida. Dentes perdidos viram fósseis em poucos dias no fundo do mar.

Fontes

  1. IUCN Red List - Sharks and Rays
  2. FishBase - Selachimorpha
  3. ICMBio - Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada
  4. NOAA Fisheries - Sharks

Prós e contras: Tubarão

Prós

  • Predador essencial que mantém o equilíbrio dos oceanos e recifes
  • Diversidade enorme com mais de 500 espécies adaptadas a todos os mares
  • Sentidos únicos como detecção elétrica e olfato extremamente apurado
  • Grande valor para ecoturismo de mergulho quando vivo
  • Fóssil vivo com linhagem de mais de 400 milhões de anos

Contras

  • Crescimento lento e poucos filhotes, recuperação populacional muito difícil
  • Muitas espécies ameaçadas e com declínio acelerado
  • Risco de ataques em áreas costeiras turvas, embora raro
  • Carne vendida como cação esconde espécies vulneráveis
  • Não pode ser criado como pet e exige proteção legal rigorosa
Nossa opinião

Tubarão é o grupo de peixes mais incompreendido do Brasil: temido como vilão e consumido como cação anônimo. Na nossa avaliação, entender que cação é tubarão e que sua reposição é lentíssima muda completamente a forma de enxergar o consumo e a conservação.

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Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

Sou uma entusiasta do universo dos peixes e da vida aquática. Dedico-me a pesquisar e partilhar informações sobre espécies de peixes, alimentação, comportamento, habitat e cuidados, ajudando os…

Última revisão em 17.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.