🐟 Peixes

Tubarão-branco

Carcharodon carcharias

Atualizado em

4 a 6 m, até 1.900 kgTamanho
Salgada marinhaTipo de água
Até 70 anosExpectativa de vida
Predador solitárioTemperamento
Não criávelDificuldade
Tubarão-branco adulto visto de lado nadando em água azul clara

O tubarão-branco (Carcharodon carcharias) é o maior peixe predador vivo do mundo, com fêmeas que chegam a 6 metros e mais de 1.900 kg. Reconhecível pelo dorso cinza-escuro, ventre branco e dentes triangulares serrilhados, ele é um caçador de topo que regula populações de focas, leões-marinhos e grandes peixes.

Não é um peixe de aquário e não pode ser criado em cativeiro. Vive em águas costeiras temperadas e migra por oceanos inteiros, usando sentidos extremamente apurados e capacidade única de manter o corpo aquecido. Apesar da fama, ataques a humanos são raros e a espécie está classificada como vulnerável à extinção.

Também conhecido como: Tubarão-branco, grande-tubarão-branco, White shark, Great white shark, Grand requin blanc, Weißer Hai

Faz parte de: Peixes Carnívoros, Peixes de Água Salgada

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Galeria de fotos de Tubarão-branco

Tubarão-branco adulto visto de lado nadando em água azul clara
Tubarão-branco adulto com coloração cinza no dorso e ventre branco característicos.
Close da cabeça do tubarão-branco mostrando dentes triangulares serrilhados
Detalhe dos dentes serrilhados e focinho cônico do tubarão-branco.
Filhote de tubarão-branco em berçário costeiro raso
Filhotes nascem com 1,2 a 1,5 m e já são independentes.
Tubarão-branco visto de baixo mostrando ventre branco
Contra-sombreamento: ventre claro o camufla quando visto de baixo.
Tubarão-branco visto de baixo mostrando ventre branco
Contra-sombreamento: ventre claro o camufla quando visto de baixo.
Tubarão-branco visto de baixo mostrando ventre branco
Contra-sombreamento: ventre claro o camufla quando visto de baixo.

Perfil rápido de Tubarão-branco

Estado de conservação

VU
Vulnerável

População global em declínio por pesca e captura acidental.

População
Decrescente
Protegido por
Sim

Calendário

Reprodução e nascimento de filhotesJFMAMJJASOND
Maior concentração costeira para caça a focasJFMAMJJASOND
Migração oceânica para áreas de alimentação profundaJFMAMJJASOND

Vida útil

Na natureza
50 a 70 anos, maturidade com 26 a 33 anos
Em cativeiro
Não sobrevive; recorde máximo foi 198 dias em aquário na Califórnia

Reprodução

Maturidade sexual
Machos ~26 anos e 3,5 m; fêmeas ~33 anos e 4,5 m
Tipo de reprodução
Vivípara oofágica com canibalismo intrauterino
Gestação
12 a 18 meses
Ninhada
2 a 10 filhotes de 1,2 a 1,5 m
Intervalo reprodutivo
2 a 3 anos entre gestações
Berçários
Águas costeiras quentes e rasas, sem cuidado parental

Habitat

Ambientes

  • Plataforma continental e ilhas com colônias de pinípedes
  • Mar aberto oceânico durante migrações
  • Águas costeiras temperadas de 12 a 24 °C
  • Mergulhos profundos até 1.200 m

Biomas

  • Marinho
  • Costeiro

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Mamíferos marinhos (focas, leões-marinhos, elefantes-marinhos)
  • Carcaças de baleias

Outros alimentos

  • Grandes peixes ósseos como atuns
  • Raias e outros tubarões
  • Golfinhos e tartarugas marinhas
  • Lulas em áreas oceânicas

Encontrado em 12 países

  • Estados Unidos
  • África do Sul
  • Austrália
  • Nova Zelândia
  • México
  • Brasil
  • Chile
  • Japão
  • Portugal
  • Itália
  • França
  • Espanha

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Chondrichthyes
Ordem
Lamniformes
Família
Lamnidae
Gênero
Carcharodon
Espécie
Carcharodon carcharias

Resumo

  • O tubarão-branco é o maior peixe predador atual, com fêmeas de até 6 m, dentes serrilhados de 7 cm e mordida entre as mais fortes do reino animal.
  • Vive em águas costeiras temperadas e subtropicais de todos os oceanos, migra até 20.000 km por ano e caça focas e peixes com emboscada e salto fora d'água.
  • É vivíparo com canibalismo intrauterino, gera poucos filhotes a cada 2 a 3 anos, vive até 70 anos e está vulnerável devido à pesca, captura acidental e abate por medo.

Características

Ficha da espécie

Nome científicoCarcharodon carcharias
FamíliaLamnidae
OrigemCosmopolita em mares temperados e subtropicais
Tipo de águaSalgada
TamanhoMachos 3,4 a 4 m; fêmeas 4,5 a 6 m
Tamanho adulto4 a 6 m, 680 a 1.900 kg
Corescinza-escurocinza-azuladobranco
Expectativa de vida50 a 70 anos
AlimentaçãoCarnívora
ReproduçãoVivípara oofágica com canibalismo intrauterino
VariedadesNão há subespécies reconhecidas

Perfil e comportamento

Facilidade de criaçãoMuito baixo
AgressividadeMuito alto
SociabilidadeMuito baixo
Nível de atividadeAlto
Exigência com a qualidade da águaMuito alto
Adequação a aquários pequenosMuito baixo

Como reconhecer o tubarão-branco sem confundir

O tubarão-branco tem corpo fusiforme e robusto, focinho cônico curto e contraste nítido entre dorso cinza-escuro e ventre branco. Essa coloração é camuflagem por contra-sombreamento: visto de cima se mistura ao fundo escuro, de baixo ao brilho da superfície.

Os dentes são triangulares, largos e serrilhados, com até 7,5 cm nos maiores exemplares, dispostos em até 7 fileiras funcionais. Ele troca dentes ao longo da vida inteira e pode usar mais de 20.000 dentes ao longo de décadas.

Confunde-se com o tubarão-mako e o tubarão-branco de recife, mas o branco verdadeiro tem olhos totalmente pretos, sem membrana nictitante, nadadeira peitoral longa em forma de remo e ausência de quilha secundária na cauda. A cauda é em forma de meia-lua, quase simétrica, típica de nadadores de alta velocidade.

Tamanho real e por que as fêmeas são maiores

Durante décadas o tamanho foi exagerado. Medições confiáveis com fotogrametria e marcação mostram machos adultos entre 3,4 e 4 metros e fêmeas entre 4,5 e 6 metros. O recorde bem documentado é uma fêmea de 5,9 m capturada na costa da Austrália.

O peso acompanha: um macho de 4 m pesa cerca de 700 a 900 kg, enquanto uma fêmea de 5,5 m pode passar de 1.900 kg. Fêmeas maiores têm vantagem reprodutiva, pois geram filhotes grandes e precisam de reservas energéticas para gestação longa.

O crescimento é lento. A maturidade sexual chega com 26 anos nos machos e 33 anos nas fêmeas, segundo datação por radiocarbono em vértebras. Isso explica por que a população demora a se recuperar após declínios.

Onde vive e como migra milhares de quilômetros

É uma espécie cosmopolita de águas temperadas e subtropicais, entre 12 °C e 24 °C, mais comum na plataforma continental e ao redor de ilhas com colônias de pinípedes. Evita águas muito frias do Ártico e muito quentes do equador.

Principais áreas de concentração ficam na Califórnia e Baixa Califórnia, África do Sul, sul da Austrália, Nova Zelândia e Mediterrâneo. No Brasil ocorre principalmente no Sul e Sudeste, com registros esparsos no Nordeste, sempre em mar aberto ou costa oceânica.

Marcações por satélite revelaram migrações de até 20.000 km por ano. Um indivíduo marcado na África do Sul cruzou até a Austrália e voltou em 9 meses. Outra rota famosa é da Califórnia ao chamado White Shark Café, área oceânica entre Havaí e Baixa Califórnia onde se reúnem no inverno para se alimentar em profundidade.

Como caça: emboscada, salto e mordida calculada

A técnica mais famosa é a emboscada vertical contra focas e leões-marinhos. Ele sobe do fundo escuro a até 40 km/h e atinge a presa na superfície, muitas vezes com salto completo para fora d’água (breaching) de até 3 metros de altura, comum na África do Sul.

A mordida não é para triturar na hora. Ele dá uma mordida de contenção, recua e espera a presa enfraquecer por perda de sangue, evitando briga que possa ferir seus olhos e brânquias. A força estimada passa de 1,8 tonelada por cm² nos maiores indivíduos.

  • Presas preferidas adultas: focas, leões-marinhos, elefantes-marinhos jovens, golfinhos e carcaças de baleia.
  • Presas de jovens: peixes ósseos, raias, outros tubarões e lulas.
  • Estratégia: caça solitária, mais ativa ao amanhecer e entardecer, com maior sucesso em água turva.

Não mastiga. Usa a cabeça em movimento lateral para serrar pedaços com os dentes triangulares e engole blocos grandes. Um único elefante-marinho pode sustentar um adulto por mais de um mês.

Sentidos superpotentes e sangue quente

O tubarão-branco é um dos poucos peixes endotérmicos parciais. Através da rede mirabile, mantém músculos, cérebro e olhos até 14 °C acima da água, o que permite caçar em água fria e ser mais rápido que a maioria dos peixes.

Seus sentidos são extremos. As ampolas de Lorenzini no focinho detectam campos elétricos de um bilionésimo de volt, suficiente para achar uma foca escondida na areia. O olfato percebe uma gota de sangue em 10 bilhões de gotas de água e o ouvido interno capta vibrações de baixa frequência a quilômetros.

A visão é adaptada para pouca luz, com alta densidade de bastonetes e camada refletora atrás da retina. Isso explica ataques em água turva e ao entardecer, quando focas são mais vulneráveis.

Reprodução lenta e ninhada pequena

A reprodução é vivípara oofágica. Não há placenta. Os embriões se alimentam primeiro do vitelo e depois de óvulos não fertilizados produzidos pela mãe e de irmãos menores dentro do útero, um canibalismo intrauterino que garante poucos filhotes, mas grandes e fortes.

A gestação dura cerca de 12 a 18 meses e a fêmea dá à luz 2 a 10 filhotes de 1,2 a 1,5 m já independentes. Não há cuidado parental. Os filhotes nascem em áreas de berçário costeiras mais quentes e rasas, como sul da Califórnia e leste da Austrália, onde há menos predadores grandes.

O intervalo entre gestações é de 2 a 3 anos. Com maturidade tardia e ninhada pequena, a taxa de reposição é uma das menores entre os peixes. Perder uma fêmea adulta equivale a perder décadas de potencial reprodutivo.

Interação com humanos: risco real e mitos

Ataques são extremamente raros. O arquivo internacional registra em média 60 a 80 mordidas não provocadas por ano no mundo para todas as espécies, com menos de 10 fatais. O tubarão-branco responde por parte desses casos, quase sempre por mordida exploratória e confusão com silhueta de foca vista de baixo.

O mito do caçador de humanos não se sustenta. Estudos com câmeras mostram que ele frequentemente aborda e abandona pranchas e nadadores sem morder. Quando morde, na maioria das vezes não consome. O maior risco está em surf e natação ao entardecer perto de colônias de focas e foz de rios com água turva.

Medidas eficazes não são redes que matam, mas vigilância aérea com drones, barreiras inteligentes, alertas por satélite e educação. Na África do Sul e Austrália, programas de marcação em tempo real avisam banhistas por aplicativo quando um indivíduo marcado se aproxima da praia.

Conservação e por que está vulnerável

A IUCN classifica como Vulnerável (VU) com população em declínio. As principais ameaças são captura acidental em espinhel e rede de emalhe, pesca para nadadeiras e mandíbulas, e abate preventivo em praias.

Como precisa de 30 anos para começar a se reproduzir, qualquer mortalidade adulta tem impacto desproporcional. Modelos indicam que a remoção de apenas 1% dos adultos por ano já pode levar ao declínio em algumas populações, como no Mediterrâneo, onde quase desapareceu.

Está protegido por CITES Apêndice II, Convenção de Bonn e leis nacionais na África do Sul desde 1991, Austrália, EUA, Brasil e União Europeia. No Brasil, a captura, transporte e comercialização são proibidos pela Portaria MMA 148/2022. A recuperação depende de fiscalização, redução de bycatch e fim de programas letais de controle de praias.

Diferenças que só o tubarão-branco tem

Ao contrário da maioria dos tubarões, ele levanta a cabeça fora d’água para observar (spy-hopping) e mantém os olhos expostos sem piscar durante a mordida. Também é um dos poucos que bate a cauda na superfície para atordoar peixes.

Outro traço único é a estratégia térmica: consegue fazer mergulhos profundos de até 1.200 metros e permanecer em água de 4 °C por horas, voltando depois para se aquecer na superfície. Isso amplia seu nicho para além de qualquer outro lamnídeo costeiro.

Na nossa avaliação, o tubarão-branco é o exemplo mais claro de predador que molda ecossistemas inteiros. Onde ele desaparece, populações de focas explodem e cadeias de peixes e algas entram em colapso, provando que seu valor vai muito além da fama.

Perguntas frequentes

Tubarão-branco pode ser criado em aquário?

Não. É pelágico, precisa nadar milhares de quilômetros e manter temperatura corporal. Nenhum aquário manteve um adulto por mais de 198 dias.

Qual o tamanho máximo do tubarão-branco?

Fêmeas confiavelmente medidas chegam a 5,9 a 6 metros e cerca de 1.900 kg. Machos raramente passam de 4 metros.

Onde tem tubarão-branco no Brasil?

Há registros no Sul e Sudeste, em mar aberto e oceânico. É raro perto da praia e não forma agregações como na África do Sul ou Califórnia.

O tubarão-branco ataca humanos por fome?

Não. A maioria das mordidas é exploratória ou por confusão com focas. Ele costuma morder uma vez e se afastar, não consumir.

Quanto tempo vive um tubarão-branco?

Entre 50 e 70 anos. Fêmeas vivem mais e só começam a se reproduzir por volta dos 33 anos.

Quantos filhotes o tubarão-branco tem?

De 2 a 10 por gestação, que dura até 18 meses. Os embriões se alimentam de óvulos e de irmãos no útero.

O tubarão-branco está em extinção?

Está classificado como Vulnerável pela IUCN, com população em queda. É protegido no Brasil e por convenções internacionais.

Fatos surpreendentes sobre o tubarão-branco

1

Vive mais que muita gente

Datação por radiocarbono da bomba atômica em vértebras mostrou que fêmeas vivem até 70 anos, quase o dobro do que se pensava até 2014. Machos vivem cerca de 50 a 60 anos.

2

Dente que nunca acaba

Possui cerca de 300 dentes funcionais por vez e produz fileiras de reposição como esteira. Um único indivíduo pode gerar mais de 20.000 dentes ao longo da vida.

3

Café no meio do Pacífico

Todos os anos tubarões da Califórnia nadam 2.500 km até o White Shark Café, um deserto oceânico sem focas onde mergulham a 500 m para caçar lulas e peixes de profundidade.

4

Sangue quente de verdade

Consegue manter estômago e músculos até 14 °C acima da temperatura da água, o que explica sua velocidade e distribuição em águas frias onde outros tubarões não caçam.

Fontes

  1. IUCN Red List - Carcharodon carcharias
  2. FishBase - Carcharodon carcharias
  3. NOAA Fisheries - White Shark
  4. ICMBio - Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada

Prós e contras: Tubarão-branco

Prós

  • Ápice da cadeia alimentar que controla superpopulação de focas e mantém oceanos saudáveis
  • Sentidos e endotermia únicos entre peixes, objeto de grande interesse científico
  • Longevidade de até 70 anos e migrações transoceânicas fascinantes
  • Importante para ecoturismo de observação responsável quando bem manejado

Contras

  • Extremamente vulnerável por maturidade tardia e ninhada pequena
  • Não se adapta a cativeiro e morre rapidamente fora do oceano
  • Risco baixo mas real para surfistas e nadadores perto de colônias de focas
  • Alvo de pesca ilegal por nadadeiras, dentes e mandíbulas de alto valor
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o tubarão-branco é insubstituível como regulador de oceanos temperados e não deve ser manejado por medo. Proteger fêmeas adultas e berçários com fiscalização real e tecnologia não letal de praias é mais eficaz e ético que qualquer abate.

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Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

Sou uma entusiasta do universo dos peixes e da vida aquática. Dedico-me a pesquisar e partilhar informações sobre espécies de peixes, alimentação, comportamento, habitat e cuidados, ajudando os…

Última revisão em 17.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.