🐟 Peixes

Peixe-martelo

Sphyrna lewini

Atualizado em

3,5 a 6 mTamanho
SalgadaTipo de água
20 a 30 anosExpectativa de vida
Predador ativoTemperamento
Não criávelDificuldade
Cardume de peixes-martelo-entalhados nadando juntos

O peixe-martelo não é um peixe ósseo, e sim um tubarão da família Sphyrnidae, reconhecido na hora pela cabeça achatada em forma de T, chamada cefalofólio. Essa estrutura posiciona olhos e narinas nas extremidades, ampliando campo de visão em quase 360° e a capacidade de detectar presas enterradas na areia.

No Brasil ele ocorre em todo o litoral, de águas costeiras rasas a mar aberto, e forma grandes cardumes quando jovem. Predador altamente especializado, usa a cabeça como pá para imobilizar raias e como antena sensorial, mas está entre os tubarões mais ameaçados do mundo devido à pesca e ao comércio de barbatanas.

Também conhecido como: tubarão-martelo, tubarão-cornuda, hammerhead shark, cornuda, panã

Faz parte de: Peixes Carnívoros, Peixes de Água Salgada

Explore a wiki

Galeria de fotos de Peixe-martelo

Cardume de peixes-martelo-entalhados nadando juntos
Cardume diurno de jovens, comportamento social típico.
Close da cabeça em forma de martelo do peixe-martelo
Detalhe do cefalofólio com olhos nas extremidades.
Comparação das cabeças de três espécies de peixe-martelo
Diferenças no entalhe frontal entre as principais espécies.
Peixe-martelo caçando raia no fundo arenoso
Técnica de prender a raia com a cabeça antes da mordida.
Filhotes de peixe-martelo em berçário raso de manguezal
Filhotes recém-nascidos em berçário costeiro raso.
Comparação das cabeças de três espécies de peixe-martelo
Diferenças no entalhe frontal entre as principais espécies.

Perfil rápido de Peixe-martelo

Estado de conservação

CR
Criticamente em Perigo

Sphyrna lewini e S. mokarran avaliadas como Criticamente em Perigo pela IUCN.

População
em declínio
Protegido por
Sim - CITES Apêndice II e proibição de captura no Brasil (MMA 148/2022)

Vida útil

Na natureza
20 a 30 anos, com maturidade tardia entre 6 e 9 anos
Em berçário
Filhotes permanecem 1 a 2 anos em baías rasas e manguezais antes de ir para mar aberto

Reprodução

Tipo
Vivípara placentária
Gestação
9 a 12 meses
Ninhada
13 a 42 filhotes de 40 a 55 cm
Maturidade
Machos 5-6 anos, fêmeas 8-9 anos
Estrutura social
Cardumes diurnos de jovens, adultos mais solitários

Habitat

Ambientes

  • plataforma continental
  • recifes de coral
  • estuários e baías
  • ilhas oceânicas
  • mar aberto epipelágico

Biomas

  • Oceano Atlântico
  • Oceano Pacífico
  • Oceano Índico
  • Mares tropicais e subtropicais

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • peixes ósseos
  • raias e tubarões menores

Outros alimentos

  • lulas e polvos
  • crustáceos
  • cefalópodes

Encontrado em 9 países

  • Brasil
  • Estados Unidos
  • Austrália
  • África do Sul
  • México
  • Costa Rica
  • Senegal
  • Indonésia
  • Japão

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Chondrichthyes
Ordem
Carcharhiniformes
Família
Sphyrnidae
Gênero
Sphyrna
Espécie
Sphyrna lewini

Resumo

  • Peixe-martelo é o nome popular dos tubarões da família Sphyrnidae, com cabeça em forma de T que garante visão panorâmica e eletropercepção superior.
  • Vive em oceanos tropicais e subtropicais, caça principalmente peixes ósseos e raias usando a cabeça para prender a presa no fundo.
  • É vivíparo, forma cardumes na juventude e está criticamente ameaçado, com proteção pela CITES e proibição de captura no Brasil.

Características

Ficha da espécie

Nome científicoSphyrna lewini (representa família Sphyrnidae com 9 espécies)
FamíliaSphyrnidae
OrigemOceanos tropicais e subtropicais do mundo
Tipo de águaSalgada - marinha costeira e oceânica
Tamanho2,5 a 6 m (fêmeas maiores que machos)
Peso adulto150 a 450 kg
Expectativa de vida20 a 30 anos
Corescinza-olivamarrom-acinzentadobranco ventral
AlimentaçãoCarnívora
ReproduçãoVivípara placentária
Variedades9 espécies, ex: S. mokarran, S. zygaena, S. lewini

Perfil e comportamento

AgressividadeMédio
SociabilidadeAlto
Nível de atividadeMuito alto
Exigência com qualidade da águaAlto
Vulnerabilidade à pescaMuito alto
Risco para humanosBaixo

Como reconhecer o peixe-martelo: a cabeça que não deixa dúvidas

O cefalofólio em forma de T ou pá é a marca registrada. Olhos nas pontas e narinas bem separadas dão visão binocular vertical e olfato estéreo, raro entre tubarões.

O corpo é fusiforme, cinza-oliva no dorso e branco no ventre, com nadadeira dorsal alta e falcada. A pele é coberta por dentículos dérmicos ásperos, típicos de tubarões.

Diferente de raias-martelo, o peixe-martelo tem brânquias laterais e natação ativa. A boca fica na parte inferior da cabeça, com dentes triangulares serrilhados.

Onde vive o peixe-martelo no Brasil e no mundo

É cosmopolita em águas tropicais e subtropicais, entre as latitudes 40°N e 35°S. Prefere plataforma continental, recifes, estuários e ilhas oceânicas, mas faz travessias em mar aberto.

No Brasil ocorre do Amapá ao Rio Grande do Sul, com maior abundância no Nordeste e em arquipélagos como Fernando de Noronha e Atol das Rocas. Filhotes usam manguezais e baías rasas como berçário.

É altamente migratório. Tubarões-martelo marcados no Pacífico percorreram mais de 1.200 km em poucos meses, seguindo massas de água quente acima de 21 °C.

Como o martelo vira arma de caça

A cabeça funciona como detector e ferramenta. As ampolas de Lorenzini, espalhadas no cefalofólio, captam campos elétricos de 1 nanovolt, permitindo achar raias enterradas sob 30 cm de areia.

A estratégia mais famosa é prender a raia contra o fundo com a cabeça e girar para morder as nadadeiras, neutralizando o ferrão venenoso. O movimento é rápido e preciso, observado em filmagens noturnas.

A visão de quase 360° na horizontal compensa um pequeno ponto cego frontal. Para cobrir essa falha, o animal balança a cabeça de um lado para o outro enquanto nada.

O que o peixe-martelo come de verdade

É carnívoro oportunista e especialista em raias. Mais de 40% da dieta de adultos de Sphyrna mokarran pode ser composta por raias e tubarões menores.

Também consome peixes ósseos de cardume, lulas, polvos, crustáceos e outros tubarões. Canibalismo de filhotes da própria espécie já foi registrado em áreas de berçário superlotadas.

Caça mais ao amanhecer e entardecer, quando a luz baixa favorece sua visão. Jovens em cardume cercam cardumes de sardinhas como golfinhos.

Reprodução e vida social: o tubarão que anda em cardume

É vivíparo placentário: o embrião se desenvolve ligado à mãe por placenta vitelínica e nasce totalmente formado. Não põe ovos.

A gestação dura 9 a 12 meses e gera de 13 a 42 filhotes por ninhada em S. lewini, com 40 a 55 cm ao nascer. Fêmeas dão à luz em águas rasas e quentes, e os filhotes ficam meses sem a mãe.

É um dos poucos tubarões verdadeiramente sociais. Jovens de peixe-martelo-entalhado formam cardumes diurnos de 10 a 500 indivíduos ao redor de montes submarinos, comportamento ligado à proteção e à orientação magnética.

Quanto cresce e quanto vive

O tamanho varia por espécie. O peixe-martelo-grande (Sphyrna mokarran) chega a 6 m e 450 kg, o maior da família. O entalhado (S. lewini) e o liso (S. zygaena) ficam entre 3,5 e 4,2 m.

Crescimento é lento e maturidade tardia: fêmeas de S. lewini só reproduzem com 8 a 9 anos e 2,4 m. Isso torna a reposição populacional muito baixa.

Em vida livre, vive 20 a 30 anos, com registros de 35 anos em S. zygaena. Marcas de crescimento nas vértebras permitem estimar idade como anéis de árvore.

Peixe-martelo oferece perigo para humanos?

Apesar do porte, ataques não provocados são raríssimos. O International Shark Attack File registra menos de 20 incidentes confirmados com martelos em mais de 400 anos, nenhum fatal no Brasil.

É tímido com mergulhadores e tende a se afastar. A maioria dos acidentes envolve pesca com arpão ou alimentação artificial.

O risco real é inverso: humanos são a principal ameaça para ele, por captura incidental em espinhel, rede de emalhe e demanda por barbatanas para sopa.

Conservação: por que está entre os mais ameaçados

Três das principais espécies que ocorrem no Brasil estão na Lista Vermelha da IUCN como Criticamente em Perigo (S. lewini e S. mokarran) ou Vulnerável (S. zygaena), com declínio populacional superior a 80% em 30 anos.

A pressão vem do finning, da pesca industrial e da degradação de berçários costeiros. Como tem cabeça larga, se enrosca facilmente em redes e morre mesmo quando devolvido.

Desde 2014 todas as espécies estão no Apêndice II da CITES e no Brasil a captura, transporte e comércio são proibidos pela Portaria MMA 148/2022. A fiscalização ainda é o gargalo.

Espécie mais comum no Brasil Tamanho máximo Formato da cabeça Status IUCN
Peixe-martelo-grande (S. mokarran) até 6 m quase reto, sem entalhe central Criticamente em Perigo
Peixe-martelo-entalhado (S. lewini) até 4,2 m com entalhe central pronunciado Criticamente em Perigo
Peixe-martelo-liso (S. zygaena) até 4 m curvo, sem entalhe Vulnerável

Como diferenciar as espécies sem ser especialista

Olhe o entalhe frontal do martelo. S. lewini tem um entalhe bem marcado no meio; S. zygaena não tem; S. mokarran tem cabeça mais larga e boca muito arqueada.

A altura da primeira nadadeira dorsal também ajuda: em S. mokarran ela é extremamente alta e falcada, quase como uma vela.

Erro comum é confundir com tubarão-raposa ou cação. Nenhum deles tem olhos nas pontas da cabeça. Se os olhos estão nas laterais extremas, é martelo.

Perguntas frequentes

Peixe-martelo é perigoso para mergulhadores?

Raramente. É arisco e evita contato; ataques não provocados são extremamente raros e quase sempre sem gravidade.

Qual o tamanho máximo do peixe-martelo?

O peixe-martelo-grande (Sphyrna mokarran) pode passar de 6 metros e 400 kg, mas a maioria das espécies fica entre 3 e 4,2 metros.

Onde encontrar peixe-martelo no Brasil?

Em todo o litoral, com berçários em baías e manguezais do Nordeste e avistamentos frequentes em Fernando de Noronha e Atol das Rocas.

Peixe-martelo pode ser criado em aquário?

Não. É um tubarão oceânico de grande porte, migratório e protegido por lei, inviável e ilegal para aquários domésticos.

Por que a cabeça é em forma de martelo?

O cefalofólio amplia visão, olfato e eletropercepção e serve como ferramenta para detectar e imobilizar presas no fundo.

Pode pescar peixe-martelo no Brasil?

Não. A captura, retenção e comércio são proibidos pela Portaria MMA 148/2022 e o grupo está no Apêndice II da CITES.

Quantas espécies de peixe-martelo existem?

São 9 espécies reconhecidas na família Sphyrnidae, três delas muito comuns em águas brasileiras.

Fatos surpreendentes sobre o peixe-martelo

1

Bússola na cabeça

Usa partículas de magnetita no cefalofólio para se orientar pelo campo magnético da Terra durante migrações de milhares de quilômetros.

2

Visão que calcula distância

Apesar dos olhos separados, sobrepõe campos visuais inclinando a cabeça, ganhando percepção de profundidade para atacar com precisão milimétrica.

3

Parto sem ajuda

Filhotes nascem com o martelo mole e dobrado contra a cabeça para não ferir a mãe, endireitando minutos após o nascimento.

4

Bronzeamento

Grandes martelos foram vistos nadando de lado perto da superfície para expor o ventre claro ao sol e regular temperatura, comportamento raro em tubarões.

Fontes

  1. IUCN Red List - Sphyrna lewini / S. mokarran
  2. FishBase - Família Sphyrnidae
  3. ICMBio / MMA - Portaria 148/2022 Fauna Ameaçada
  4. NOAA Fisheries - Hammerhead Sharks

Prós e contras: Peixe-martelo

Prós

  • Visão panorâmica e eletropercepção únicas entre tubarões
  • Predador-chave que controla populações de raias e peixes
  • Forma cardumes impressionantes, ótimo para ecoturismo responsável
  • Alta sensibilidade magnética, modelo para estudos de navegação animal

Contras

  • Crescimento lento e baixa fecundidade, recuperação populacional difícil
  • Extremamente vulnerável a redes e espinhéis, mesmo como fauna acompanhante
  • Perde habitat de berçário com degradação de manguezais e baías
  • Comércio ilegal de barbatanas mantém pressão apesar da proibição
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o peixe-martelo é o tubarão mais injustiçado pelo sensacionalismo: temido pelo visual, mas extremamente vulnerável e crucial para equilibrar cadeias alimentares costeiras. Protegê-lo é menos sobre medo e mais sobre manter oceanos funcionais.

Continue explorando: Peixes

Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 17.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.