🐟 Peixes

Corvina

Micropogonias furnieri

Atualizado em

30 a 90 cm (comum 45 cm)Tamanho
Salgada e salobraTipo de água
20 a 28 anosExpectativa de vida
Calmo e gregárioTemperamento
Pesca moderadaDificuldade
Corvina-legítima Micropogonias furnieri vista lateral com corpo prateado e nadadeiras amareladas

A corvina mais conhecida no Brasil é a Micropogonias furnieri, também chamada de corvina-legítima. É um peixe costeiro e estuarino da família Sciaenidae, de corpo prateado com dorso acinzentado e nadadeiras amareladas, muito apreciado na pesca e na culinária.

Vive em cardumes sobre fundos de areia e lama, entre estuários, lagoas costeiras e a plataforma continental rasa. É famosa pelo som de ronco que produz com a bexiga natatória e pelos otólitos grandes, usados para estimar sua idade. Na peixaria, é frequentemente confundida com pescadas e miraguaias da mesma família.

Também conhecido como: Corvina-legítima, Corvina-brasileira, Whitemouth croaker (inglês), Corvina rubia (espanhol), Corvina-de-linha

Faz parte de: Peixes Carnívoros, Peixes de Água Salgada

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Galeria de fotos de Corvina

Corvina-legítima Micropogonias furnieri vista lateral com corpo prateado e nadadeiras amareladas
Corvina-legítima adulta com coloração prateada e dorso acinzentado característica da espécie.
Close da cabeça da corvina mostrando barbilhões no queixo e linha lateral
Detalhe da cabeça com barbilhões sensoriais usados para farejar presas no fundo.
Cardume de corvinas nadando sobre fundo de areia e lama em estuário
Cardume de corvinas em estuário raso, habitat preferido dos jovens.
Corvina recém-pescada em barco de pesca artesanal
Corvina capturada na pesca costeira, uma das mais importantes para a pesca artesanal.
Filés de corvina brancos expostos no gelo em peixaria
Filés de corvina, carne branca e magra muito apreciada na culinária.
Otólitos grandes e brancos da corvina usados para determinar idade
Otólitos da corvina, estruturas do ouvido interno usadas em estudos de idade e crescimento.

Perfil rápido de Corvina

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

Ampla distribuição e alta fecundidade mantêm a população estável globalmente.

População
estável
Protegido por
false

Valor nutricional (100 g)

Energia (100 g cru)
90 a 105 kcal
Proteína
18 a 20 g
Gordura total
1 a 3 g
Minerais em destaque
Fósforo, selênio, potássio
Vitaminas
Complexo B (B12 e niacina)

Vida útil

Na natureza
20 a 28 anos, com maturidade entre 2 e 4 anos
Em estuários
Jovens ficam 1 a 2 anos antes de migrar para o mar
Tamanho na pesca
Mais comum entre 30 e 60 cm e 0,5 a 3 kg

Reprodução

Tipo
Ovípara com desova parcelada
Estação
Primavera e verão, pico de outubro a janeiro no Sudeste/Sul
Local de desova
Boca de estuários e costa rasa com salinidade 15 a 30
Fecundidade
Centenas de milhares a mais de 1 milhão de ovos por fêmea
Comportamento
Machos formam coros sonoros com roncos para atrair fêmeas
Desenvolvimento
Ovos pelágicos e larvas planctônicas que derivam para o estuário

Habitat

Ambientes

  • Estuários e desembocaduras de rios
  • Lagoas costeiras e manguezais
  • Plataforma continental rasa
  • Fundos de areia e lama de 1 a 60 m

Biomas

  • Marinho costeiro
  • Estuarino
  • Mata Atlântica costeira

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Camarões e crustáceos bentônicos
  • Anfípodes e siris pequenos

Outros alimentos

  • Poliquetas
  • Moluscos bivalves
  • Peixes pequenos como manjubas

Encontrado em 9 países

  • Brasil
  • Argentina
  • Uruguai
  • Venezuela
  • Colômbia
  • Panamá
  • Costa Rica
  • Guiana
  • Suriname

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Actinopterygii
Ordem
Acanthuriformes (Perciformes sensu lato)
Família
Sciaenidae
Gênero
Micropogonias
Espécie
Micropogonias furnieri

Resumo

  • Corvina-legítima (Micropogonias furnieri) é um peixe marinho-estuarino da família Sciaenidae, prateado com nadadeiras amareladas e que produz ronco com a bexiga natatória.
  • Vive em cardumes sobre fundos de areia e lama em estuários e costa do Atlântico Ocidental, de Costa Rica ao sul da Argentina, e entra em estuários para desovar na primavera e verão.
  • É carnívora de fundo, alimenta-se de camarões, crustáceos e peixes pequenos, e é muito valorizada na pesca comercial, esportiva e na culinária pela carne branca e macia.

Características

Ficha da espécie

Nome científicoMicropogonias furnieri (Desmarest, 1823)
FamíliaSciaenidae (corvinas e pescadas)
OrigemAtlântico Ocidental, de Costa Rica ao sul da Argentina
Tipo de águaSalgada e salobra (marinha estuarina)
Tamanho30 a 70 cm na pesca; máximo 90 cm e até 6 kg
Expectativa de vida20 a 28 anos na natureza
Coresprateadocinza-azuladodorso acastanhadonadadeiras amareladas
AlimentaçãoCarnívora bentônica
ReproduçãoOvípara com desova parcelada em estuários
Habitat preferidoFundos de areia e lama, 1 a 60 m de profundidade

Perfil e comportamento

Importância comercialMuito alto
Formação de cardumeAlto
Nível de atividadeMédio
Sensibilidade à qualidade da águaAlto
Dificuldade de pesca esportivaMédio
Resistência e rusticidadeAlto

Como identificar a corvina de verdade

A corvina-legítima tem corpo alongado e levemente comprimido, com dorso cinza-azulado a acastanhado e ventre prateado bem brilhante. As nadadeiras peitoral, ventral e anal são amareladas, um detalhe que ajuda a separá-la de pescadas mais claras.

A cabeça é grande, com focinho arredondado e boca levemente inferior. Na parte inferior do queixo há 3 a 5 pares de barbilhões pequenos, quase imperceptíveis, que servem para tatear o fundo lodoso.

Outro ponto marcante é a linha lateral bem visível e levemente curva e a nadadeira dorsal dupla: a primeira com espinhos curtos e a segunda longa e macia. O otólito, osso do ouvido interno, é desproporcionalmente grande e branco, muito usado por pesquisadores para determinar a idade.

Onde a corvina vive no Brasil e por que ama estuários

A distribuição vai do Atlântico Ocidental tropical ao temperado, da Costa Rica e Caribe até o Rio Grande do Sul e Argentina. No Brasil, é mais abundante no Sudeste e Sul, especialmente em estuários como o de Santos, Cananeia, Paranaguá e Lagoa dos Patos.

Ela é um peixe eurialino, ou seja, tolera grandes variações de salinidade. Jovens ficam quase o ano todo dentro de estuários, lagoas costeiras e desembocaduras de rios, onde a água é salobra e rica em alimento.

Adultos se deslocam para a plataforma continental rasa, de 10 a 60 metros, sobre fundos de areia e lama. À noite ou com água turva, sobem para áreas mais rasas para caçar, o que explica sua captura frequente em praias e canais estuarinos.

O que a corvina come e como caça no fundo

A dieta é estritamente carnívora e bentônica. O prato principal são camarões, siris pequenos, anfípodes e poliquetas, complementados por moluscos bivalves e peixes miúdos como manjubas.

Ela caça farejando o substrato. Os barbilhões do queixo e o focinho sensível detectam vibrações de presas enterradas. Ao localizar, dá um bote curto e suga a presa com a boca protrátil, cuspindo areia em seguida.

Em estuários eutrofizados, pode mudar a dieta conforme a oferta. Estudos no Sudeste mostram mais de 70% do conteúdo estomacal composto por crustáceos na primavera, quando camarões estão abundantes.

Reprodução e ciclo de vida: por que entra nos estuários para desovar

A corvina é ovípara com desova parcelada. Isso significa que a fêmea libera ovos em vários lotes ao longo da estação reprodutiva, que no Sudeste e Sul vai de outubro a março, com pico em novembro e dezembro.

As agregações reprodutivas acontecem em águas costeiras rasas e na boca de estuários, com salinidade entre 15 e 30. Machos formam um verdadeiro coro sonoro: vibram músculos ligados à bexiga natatória e produzem roncos audíveis até fora da água.

Cada fêmea pode liberar centenas de milhares a mais de um milhão de ovos pelágicos por temporada. Ovos e larvas são planctônicos e derivam para dentro do estuário, onde encontram proteção e alimento. Os jovens permanecem ali até 1 a 2 anos antes de migrar para o mar aberto.

Crescimento e longevidade

O crescimento é relativamente lento. Atinge maturidade sexual entre 2 e 4 anos, com 30 a 40 cm. Anéis nos otólitos já registraram indivíduos com 28 anos, embora a maioria capturada na pesca tenha 3 a 8 anos.

Corvina x pescada x miraguaia: diferenças que confundem na peixaria

Todas pertencem à família Sciaenidae e por isso o nome popular se embaralha. A corvina-legítima (Micropogonias furnieri) tem corpo mais alto, coloração prateada uniforme e nadadeiras amareladas.

A pescada-branca (Cynoscion leiarchus) é mais alongada, com focinho pontiagudo, dentes caninos visíveis e nadadeiras mais claras. Já a miraguaia ou corvina-preta (Pogonias cromis) é muito maior, pode passar de 1,2 m e 40 kg, com coloração escura e barbilhões grossos no queixo.

Característica Corvina-legítima Pescada-branca Miraguaia
Tamanho comum 45 a 70 cm 50 a 80 cm 80 a 120 cm
Cor Prateada, nadadeiras amarelas Prateada-azulada, mais clara Cinza-escura a preta
Barbilhões Pequenos e discretos Ausentes Grossos e numerosos
Som Ronco forte Ronco fraco Ronco muito grave

Na nossa avaliação, a confusão na peixaria é mais comercial do que biológica. Peixes vendidos como corvina muitas vezes são Cynoscion spp., o que muda preço e textura. Vale perguntar o nome científico ou a origem.

Pesca da corvina: esportiva e comercial

É uma das espécies mais capturadas pela pesca artesanal e industrial no Sul e Sudeste. Redes de emalhe, arrasto de fundo e espinhel capturam grandes volumes, e parte significativa vai para filé congelado e exportação.

Na pesca esportiva, é alvo de pesca de fundo com iscas naturais como camarão, corrupto e sardinha. Como forma cardumes, quando se acha uma, geralmente vêm várias em sequência, especialmente ao entardecer e à noite.

O melhor período é primavera e verão, quando os cardumes se aproximam da costa para reproduzir. Em estuários, a pesca é mais produtiva na virada da maré, quando a água movimenta crustáceos no fundo. Respeitar o tamanho mínimo de captura (25 cm em muitos estados) e o defeso local é essencial para manter o estoque.

Na cozinha: sabor, textura e valor nutricional

A carne é branca, macia, com fibras soltas e sabor suave, sem gosto forte de peixe. Por isso agrada quem não gosta de peixes muito oleosos. O teor de gordura é baixo e a espinha é central e fácil de remover em filé.

Vai bem assada inteira, em moqueca, grelhada ou em filé empanado. Como tem umidade alta, o segredo é não cozinhar demais para não ressecar. Na culinária do Sul, é base do tradicional filé de corvina à milanesa servido com arroz e pirão.

Do ponto de vista nutricional, 100 g de filé cru têm cerca de 90 a 105 kcal, 18 a 20 g de proteína e 1 a 3 g de gordura, além de fósforo, selênio e vitaminas do complexo B. É uma opção magra e rica em proteína de alto valor biológico.

Conservação e ameaças nos estuários brasileiros

Globalmente, Micropogonias furnieri é classificada como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, por ter ampla distribuição e alta fecundidade. Localmente, porém, há sinais de sobrepesca e redução do tamanho médio capturado em estuários muito pressionados.

As maiores ameaças são poluição urbana, assoreamento, perda de manguezal e pesca de jovens dentro de estuários com redes de malha fina. Como depende do estuário nos primeiros anos, qualquer degradação desse berçário afeta o recrutamento.

Medidas como limites de malha, tamanho mínimo, áreas de exclusão de arrasto e recuperação de manguezais têm mostrado efeito positivo na Lagoa dos Patos e no complexo estuarino de Paranaguá. O consumidor pode ajudar preferindo peixe de tamanho legal e de origem rastreada.

Curiosidades que pouca gente sabe

O nome Sciaenidae vem do grego skiaina, que significa sombra, pela coloração escura do dorso. E o ronco não é à toa: machos que roncam mais alto e por mais tempo atraem mais fêmeas durante a desova.

Os otólitos da corvina são tão grandes que pescadores artesanais os chamam de pedra da cabeça e antigamente eram usados como amuleto. Para a ciência, cada anel do otólito equivale a um ano de vida, como anéis de árvore.

Apesar do nome único, no Brasil existem mais de 15 espécies chamadas de corvina, incluindo a corvina-de-rio (Plagioscion squamosissimus), que na verdade é de água doce e foi introduzida em represas. Não é a mesma espécie marinha.

Perguntas frequentes

Corvina é peixe de água doce ou salgada?

É de água salgada e salobra. Vive no mar costeiro e entra em estuários e lagoas salobras, mas não é peixe de rio, exceto a corvina-de-rio, que é outra espécie dulcícola.

Qual a diferença entre corvina e pescada?

São da mesma família, mas a corvina tem corpo mais alto, nadadeiras amareladas e barbilhões no queixo, enquanto pescadas do gênero Cynoscion são mais alongadas, sem barbilhões e com dentes caninos.

Corvina tem muita espinha?

Não. Tem espinha central grande e poucos espinhos intramusculares, por isso o filé é fácil de limpar e muito usado empanado ou grelhado.

Qual o tamanho ideal para pescar corvina?

O tamanho mínimo legal varia por estado, mas geralmente é de 25 cm. O ideal é soltar exemplares abaixo de 30 cm para garantir que já se reproduziram.

Por que a corvina faz barulho?

Machos contraem músculos ligados à bexiga natatória e produzem roncos para atrair fêmeas e manter o cardume coeso, principalmente na época de desova.

Corvina pode ser criada em aquário?

Não. É um peixe marinho-estuarino de grande porte, cardume e hábito migratório, inadequado para aquários domésticos e criado apenas em pesca extrativa.

Qual o melhor período para pescar corvina no Brasil?

Primavera e verão, de outubro a março, quando os cardumes se aproximam da costa e da boca de estuários para desovar, com melhor atividade ao entardecer e virada de maré.

Você sabia?

1

O peixe que ronca

Machos vibram músculos especiais contra a bexiga natatória e produzem um ronco grave que pode ser ouvido fora da água e até com hidrofone a centenas de metros.

2

Otólito gigante

O otólito da corvina é um dos maiores entre peixes costeiros brasileiros e tem anéis de crescimento que permitem estimar a idade com precisão de um ano.

3

Berçário no estuário

Quase 90% dos jovens de Micropogonias furnieri crescem dentro de estuários e só migram para o mar após 1 a 2 anos, por isso a conservação do manguezal é vital.

4

Corvina de água doce não é corvina

A corvina-de-rio (Plagioscion squamosissimus) é da mesma família, mas é dulcícola e invasora em represas do Sudeste, diferente da corvina marinha legítima.

Fontes

  1. FishBase - Micropogonias furnieri
  2. IUCN Red List
  3. ICMBio / Instituto Chico Mendes

Prós e contras: Corvina

Prós

  • Carne branca, macia e de sabor suave, muito versátil na cozinha
  • Espécie abundante e relativamente fácil de encontrar no Sudeste e Sul
  • Faz pesca esportiva acessível de fundo, sem equipamento muito técnico
  • Importante para pesca artesanal e economia costeira
  • Indicadora de saúde estuarina e manguezal

Contras

  • Frequentemente confundida com pescadas na venda como filé
  • Pressão de sobrepesca e captura de jovens em estuários degradados
  • Dependente de estuários bem conservados para completar o ciclo
  • Sazonalidade reprodutiva exige respeito a defeso e tamanho mínimo
  • Não serve para aquário e não é adequada para criação doméstica
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a corvina-legítima é o melhor exemplo de peixe estuarino brasileiro: acessível, saborosa e ecologicamente fascinante pelo ronco e dependência do manguezal. Vale mais como símbolo da saúde dos estuários do que como simples filé barato, e merece pesca responsável e consumo consciente.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 16.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.