Resumo
- A cachara é um bagre carnívoro de até 1,20 m da bacia do Paraná-Paraguai, reconhecida pelas manchas reticuladas e corpo alongado.
- Predadora noturna e migradora de piracema, alimenta-se de outros peixes e tem grande importância na pesca esportiva e na piscicultura.
- É frequentemente confundida com o pintado, mas tem padrão de pintas e distribuição diferentes e origina o híbrido cachapinta em cativeiro.
Características
Ficha da espécie
| Nome científico | Pseudoplatystoma reticulatum |
|---|---|
| Família | Pimelodidae |
| Origem | Bacias dos rios Paraná e Paraguai |
| Tipo de água | Doce |
| Tamanho | 60 a 120 cm (até 130 cm em exemplares excepcionais) |
| Peso adulto | 8 a 20 kg |
| Expectativa de vida | 10 a 15 anos |
| Cores | cinza-clarobrancopreto |
| Alimentação | Carnívora piscívora |
| Reprodução | Ovípara, migradora de piracema |
| Variedades | Híbrido cachapinta (cachara x pintado) |
Perfil e comportamento
| Facilidade de criação | Baixo |
|---|---|
| Agressividade | Alto |
| Sociabilidade | Baixo |
| Nível de atividade | Médio |
| Exigência com a qualidade da água | Alto |
| Adequação a aquários pequenos | Muito baixo |
Como identificar a cachara de verdade
A cachara é Pseudoplatystoma reticulatum, um bagre de couro sem escamas. O jeito mais rápido de reconhecê-la é pelo padrão da pele.
Ela tem manchas pretas em forma de rede ou retículo sobre fundo cinza-claro a amarelado, cobrindo o dorso e as laterais. O ventre é branco. O pintado (Pseudoplatystoma corruscans), seu parente mais próximo, tem pintas pretas arredondadas e bem definidas, como bolinhas, não em rede.
Outros detalhes ajudam. A cachara tem corpo mais alongado e cabeça ligeiramente mais curta que o pintado, além de barbilhões longos ao redor da boca. Os olhos são pequenos e voltados para cima, típicos de predador de fundo.
| Característica | Cachara | Pintado |
|---|---|---|
| Manchas | Em rede, interligadas | Pintas redondas isoladas |
| Corpo | Mais alongado e hidrodinâmico | Mais robusto |
| Ocorrência principal | Bacia do Paraguai e alto Paraná | Bacias do Paraná, São Francisco e outras |
Origem e onde vive no Brasil
A cachara é nativa da bacia do rio Paraguai e do alto rio Paraná, incluindo o Pantanal. Ocorre no Brasil, Paraguai, Argentina e parte da Bolívia.
No Brasil, é encontrada em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná e São Paulo, nos rios Paraguai, Cuiabá, Miranda, Aquidauana e Paraná e seus afluentes. Prefere leitos principais, poços profundos, remansos e áreas de corredeira mais calma.
Vive em água doce quente, entre 24 e 28 °C, geralmente turva e com fundo de areia ou lama. É um peixe de canal, que passa o dia em áreas mais fundas e sobe para caçar à noite.
Tamanho, peso e quanto tempo vive
É um peixe grande. Adultos comuns têm 60 a 90 cm, mas exemplares bem desenvolvidos chegam a 100 a 120 cm e 15 a 20 kg. Registros excepcionais citam até 130 cm.
O crescimento é relativamente rápido nos dois primeiros anos, quando atinge porte de abate em piscicultura. Na natureza, fêmeas crescem mais que machos e vivem mais.
A expectativa de vida na natureza é de 10 a 15 anos. Em cativeiro bem manejado, pode chegar a idade semelhante, mas a maioria dos plantéis de criação é abatida antes dos 2 anos.
Comportamento: predadora noturna e migradora
A cachara é predadora estrita, noturna e solitária. Durante o dia fica quase imóvel no fundo, encostada em estruturas. Ao entardecer, torna-se muito ativa.
Caça por emboscada e perseguição curta. Usa os longos barbilhões sensoriais para detectar vibrações e cheiros na água turva. Sua boca grande e achatada permite engolir peixes inteiros.
É uma espécie reofílica e migradora. Na época da piracema, entre outubro e março, faz migrações rio acima de dezenas a centenas de quilômetros para se reproduzir. Essa migração é essencial para completar seu ciclo.
Alimentação na natureza e na piscicultura
Na natureza, a dieta é quase 100% piscívora. Consome lambaris, curimbatás jovens, piaus e outros peixes de pequeno e médio porte, além de camarões de água doce.
Não é oportunista de detritos. Ela precisa de presas vivas ou peixes inteiros e rejeita matéria vegetal. Essa exigência explica por que não se adapta a aquários comunitários.
Na piscicultura, a larva começa com zooplâncton e depois precisa de treinamento alimentar para aceitar ração extrusada com alto teor de proteína (acima de 40%). Sem esse condicionamento, há alto canibalismo. O manejo alimentar é o maior gargalo da criação pura.
Reprodução e piracema
A reprodução é ovípara e sazonal, dependente da subida dos rios. A desova ocorre em águas abertas e correntosas, sem cuidado parental.
Fêmeas liberam centenas de milhares de ovos pequenos e pelágicos que são fecundados pelos machos na água. Os ovos e larvas derivam rio abaixo, usando áreas alagadas como berçário.
Em cativeiro, a cachara não se reproduz espontaneamente. É necessário indução hormonal com extrato de hipófise. Por isso, a produção de alevinos depende de laboratório e é mais cara que a de espécies não migradoras.
Pesca esportiva e regras no Brasil
A cachara é um dos troféus mais cobiçados da pesca esportiva no Pantanal e no rio Paraná. Sua briga é forte, com arrancadas rápidas e uso do peso do corpo.
A pesca é permitida apenas com respeito ao defeso da piracema (geralmente de novembro a fevereiro, variando por estado) e a tamanhos mínimos. Em Mato Grosso do Sul, por exemplo, o tamanho mínimo para captura é de 80 cm.
Muitos pescadores praticam o pesque e solte, especialmente para fêmeas grandes, que são as principais reprodutoras. O uso de iscas naturais como tuvira e muçum é o mais eficaz, sempre à noite ou no amanhecer.
Conservação e o problema do híbrido cachapinta
A cachara sofre pressão de sobrepesca, barramentos de rios e desmatamento de áreas alagáveis. Hidrelétricas bloqueiam a migração de piracema e reduzem o recrutamento de jovens.
O maior alerta atual é a hibridação artificial. O cruzamento entre cachara e pintado gera o cachapinta (ou pintachara), híbrido fértil muito usado na piscicultura por crescer mais rápido e aceitar ração melhor.
Escapes de cachapinta para rios já foram registrados e representam risco de contaminação genética das duas espécies puras. Por isso, estados como Mato Grosso do Sul restringem o cultivo de híbridos em tanques-rede em rios.
Curiosidades que pouca gente sabe
O nome reticulatum vem do latim e significa em forma de rede, justamente por causa do padrão reticulado da pele. É o que a diferencia no nome científico.
Diferente de muitos bagres, a cachara não tem ferrão venenoso nas nadadeiras peitorais tão desenvolvido quanto o de outras espécies, mas ainda pode causar ferimentos dolorosos com os espinhos.
Na nossa avaliação, a cachara é mais sensível ao manejo que o pintado. Ela exige água com mais oxigênio e manejo mais cuidadoso no transporte, o que explica por que criadores iniciantes preferem o híbrido, mesmo com o impacto ambiental.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre cachara e pintado?
A cachara (P. reticulatum) tem manchas em rede interligadas, corpo mais alongado e ocorre na bacia do Paraguai. O pintado (P. corruscans) tem pintas pretas redondas e isoladas.
Qual o tamanho máximo da cachara?
Exemplares comuns têm 60 a 90 cm, mas pode chegar a 120 cm e cerca de 20 kg em condições naturais favoráveis.
Cachara pode ser criada em aquário?
Não. É um predador de grande porte, migrador e que precisa de rios ou tanques de piscicultura com milhares de litros e manejo profissional.
O que é cachapinta?
É o híbrido fértil entre cachara e pintado, criado em piscicultura por crescer mais rápido e aceitar melhor ração. Seu escape ameaça as espécies puras.
Quando é a piracema da cachara?
De outubro a março, com pico entre novembro e janeiro, quando migra rio acima para se reproduzir. Nesse período a pesca é proibida (defeso).
Cachara é peixe de couro?
Sim. Como todo Pseudoplatystoma, não tem escamas, tem pele lisa com manchas características e barbilhões sensoriais longos.
Você sabia?
O nome significa rede
O epíteto reticulatum descreve as manchas interligadas como uma rede, diferente das pintas isoladas do pintado.
Híbrido fértil e polêmico
A cachara cruzada com o pintado gera o cachapinta, um híbrido fértil que cresce até 30% mais rápido e já escapou para rios naturais.
Caçadora que sente a presa
Seus barbilhões têm milhares de receptores químicos e táteis que detectam peixes na água turva e escura do Pantanal à noite.
Migração de centenas de quilômetros
Na piracema, cardumes de cachara sobem o rio Paraguai por mais de 200 km para desovar em áreas de corredeira.









