🐟 Peixes

Cachara

Pseudoplatystoma reticulatum

Atualizado em

60 a 120 cmTamanho
DoceTipo de água
10 a 15 anosExpectativa de vida
Predador noturnoTemperamento
Alta (piscicultura)Dificuldade
Cachara de perfil mostrando padrão reticulado na pele em rio de água doce

A cachara (Pseudoplatystoma reticulatum) é um bagre de grande porte nativo das bacias do Paraná e Paraguai, muito valorizado na pesca esportiva e na piscicultura. Predadora noturna e migradora, ela se destaca pelas manchas escuras em forma de rede que cobrem o dorso claro.

Facilmente confundida com o pintado (Pseudoplatystoma corruscans), a cachara tem padrão de pintas diferente, corpo mais alongado e ocorre em regiões específicas do Centro-Oeste e Sul do Brasil. Na natureza pode ultrapassar 1,20 m e 20 kg, e é a base do híbrido cachapinta, amplamente criado em cativeiro.

Também conhecido como: Cachara, Surubim-cachara, Bagre-cachara, Barred Surubim (inglês), Surubí atigrado (espanhol)

Faz parte de: Peixes Carnívoros, Peixes de Água Doce

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Galeria de fotos de Cachara

Cachara de perfil mostrando padrão reticulado na pele em rio de água doce
Cachara adulta com padrão em rede característico da espécie.
Close da cabeça da cachara com barbilhões longos
Detalhe da cabeça achatada e barbilhões sensoriais da cachara.
Cachara em comportamento de caça noturna no fundo do rio
Predadora noturna, a cachara caça junto ao fundo.
Filhote de cachara em área alagada berçário no Pantanal
Jovens usam planícies alagadas como berçário.
Comparação entre padrão reticulado da cachara e pintas do pintado
Diferença entre manchas em rede da cachara e pintas do pintado.
Pesca esportiva de cachara grande com pesque e solte
Pesca esportiva da cachara exige respeito ao tamanho mínimo e defeso.

Perfil rápido de Cachara

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

Avaliada como pouco preocupante globalmente, mas com populações locais em declínio por sobrepesca e barramentos.

População
Em declínio local
Protegido por
Não, mas com defeso e tamanho mínimo por estado

Valor nutricional (100 g)

Energia
~88 kcal
Proteína
~18 g
Gordura total
~1,8 g
Ômega-3
~0,4 g
Colesterol
~60 mg
Sódio
~70 mg

Vida útil

Na natureza
10 a 15 anos, com maturidade sexual entre 2 e 3 anos
Em piscicultura
Abate entre 12 e 18 meses; reprodutores vivem 8 a 12 anos com manejo hormonal

Reprodução

Tipo
Ovípara, sem cuidado parental
Estratégia
Migradora reofílica de piracema
Época
Outubro a março, pico com cheia dos rios
Fecundidade
100 mil a 300 mil ovos por fêmea
Indução em cativeiro
Obrigatória com hormônio hipofisário

Habitat

Ambientes

  • Rios de grande porte e canais principais
  • Poços profundos e remansos
  • Planícies alagáveis e corixos do Pantanal
  • Áreas de corredeira e boca de afluentes

Biomas

  • Pantanal
  • Cerrado
  • Mata Atlântica (alto Paraná)

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Peixes (lambaris, piaus, curimbatás jovens)

Outros alimentos

  • Camarões de água doce
  • Larvas de peixes e pequenos vertebrados aquáticos

Encontrado em 4 países

  • Brasil
  • Paraguai
  • Argentina
  • Bolívia

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Actinopterygii
Ordem
Siluriformes
Família
Pimelodidae
Gênero
Pseudoplatystoma
Espécie
Pseudoplatystoma reticulatum

Resumo

  • A cachara é um bagre carnívoro de até 1,20 m da bacia do Paraná-Paraguai, reconhecida pelas manchas reticuladas e corpo alongado.
  • Predadora noturna e migradora de piracema, alimenta-se de outros peixes e tem grande importância na pesca esportiva e na piscicultura.
  • É frequentemente confundida com o pintado, mas tem padrão de pintas e distribuição diferentes e origina o híbrido cachapinta em cativeiro.

Características

Ficha da espécie

Nome científicoPseudoplatystoma reticulatum
FamíliaPimelodidae
OrigemBacias dos rios Paraná e Paraguai
Tipo de águaDoce
Tamanho60 a 120 cm (até 130 cm em exemplares excepcionais)
Peso adulto8 a 20 kg
Expectativa de vida10 a 15 anos
Corescinza-clarobrancopreto
AlimentaçãoCarnívora piscívora
ReproduçãoOvípara, migradora de piracema
VariedadesHíbrido cachapinta (cachara x pintado)

Perfil e comportamento

Facilidade de criaçãoBaixo
AgressividadeAlto
SociabilidadeBaixo
Nível de atividadeMédio
Exigência com a qualidade da águaAlto
Adequação a aquários pequenosMuito baixo

Como identificar a cachara de verdade

A cachara é Pseudoplatystoma reticulatum, um bagre de couro sem escamas. O jeito mais rápido de reconhecê-la é pelo padrão da pele.

Ela tem manchas pretas em forma de rede ou retículo sobre fundo cinza-claro a amarelado, cobrindo o dorso e as laterais. O ventre é branco. O pintado (Pseudoplatystoma corruscans), seu parente mais próximo, tem pintas pretas arredondadas e bem definidas, como bolinhas, não em rede.

Outros detalhes ajudam. A cachara tem corpo mais alongado e cabeça ligeiramente mais curta que o pintado, além de barbilhões longos ao redor da boca. Os olhos são pequenos e voltados para cima, típicos de predador de fundo.

Característica Cachara Pintado
Manchas Em rede, interligadas Pintas redondas isoladas
Corpo Mais alongado e hidrodinâmico Mais robusto
Ocorrência principal Bacia do Paraguai e alto Paraná Bacias do Paraná, São Francisco e outras

Origem e onde vive no Brasil

A cachara é nativa da bacia do rio Paraguai e do alto rio Paraná, incluindo o Pantanal. Ocorre no Brasil, Paraguai, Argentina e parte da Bolívia.

No Brasil, é encontrada em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná e São Paulo, nos rios Paraguai, Cuiabá, Miranda, Aquidauana e Paraná e seus afluentes. Prefere leitos principais, poços profundos, remansos e áreas de corredeira mais calma.

Vive em água doce quente, entre 24 e 28 °C, geralmente turva e com fundo de areia ou lama. É um peixe de canal, que passa o dia em áreas mais fundas e sobe para caçar à noite.

Tamanho, peso e quanto tempo vive

É um peixe grande. Adultos comuns têm 60 a 90 cm, mas exemplares bem desenvolvidos chegam a 100 a 120 cm e 15 a 20 kg. Registros excepcionais citam até 130 cm.

O crescimento é relativamente rápido nos dois primeiros anos, quando atinge porte de abate em piscicultura. Na natureza, fêmeas crescem mais que machos e vivem mais.

A expectativa de vida na natureza é de 10 a 15 anos. Em cativeiro bem manejado, pode chegar a idade semelhante, mas a maioria dos plantéis de criação é abatida antes dos 2 anos.

Comportamento: predadora noturna e migradora

A cachara é predadora estrita, noturna e solitária. Durante o dia fica quase imóvel no fundo, encostada em estruturas. Ao entardecer, torna-se muito ativa.

Caça por emboscada e perseguição curta. Usa os longos barbilhões sensoriais para detectar vibrações e cheiros na água turva. Sua boca grande e achatada permite engolir peixes inteiros.

É uma espécie reofílica e migradora. Na época da piracema, entre outubro e março, faz migrações rio acima de dezenas a centenas de quilômetros para se reproduzir. Essa migração é essencial para completar seu ciclo.

Alimentação na natureza e na piscicultura

Na natureza, a dieta é quase 100% piscívora. Consome lambaris, curimbatás jovens, piaus e outros peixes de pequeno e médio porte, além de camarões de água doce.

Não é oportunista de detritos. Ela precisa de presas vivas ou peixes inteiros e rejeita matéria vegetal. Essa exigência explica por que não se adapta a aquários comunitários.

Na piscicultura, a larva começa com zooplâncton e depois precisa de treinamento alimentar para aceitar ração extrusada com alto teor de proteína (acima de 40%). Sem esse condicionamento, há alto canibalismo. O manejo alimentar é o maior gargalo da criação pura.

Reprodução e piracema

A reprodução é ovípara e sazonal, dependente da subida dos rios. A desova ocorre em águas abertas e correntosas, sem cuidado parental.

Fêmeas liberam centenas de milhares de ovos pequenos e pelágicos que são fecundados pelos machos na água. Os ovos e larvas derivam rio abaixo, usando áreas alagadas como berçário.

Em cativeiro, a cachara não se reproduz espontaneamente. É necessário indução hormonal com extrato de hipófise. Por isso, a produção de alevinos depende de laboratório e é mais cara que a de espécies não migradoras.

Pesca esportiva e regras no Brasil

A cachara é um dos troféus mais cobiçados da pesca esportiva no Pantanal e no rio Paraná. Sua briga é forte, com arrancadas rápidas e uso do peso do corpo.

A pesca é permitida apenas com respeito ao defeso da piracema (geralmente de novembro a fevereiro, variando por estado) e a tamanhos mínimos. Em Mato Grosso do Sul, por exemplo, o tamanho mínimo para captura é de 80 cm.

Muitos pescadores praticam o pesque e solte, especialmente para fêmeas grandes, que são as principais reprodutoras. O uso de iscas naturais como tuvira e muçum é o mais eficaz, sempre à noite ou no amanhecer.

Conservação e o problema do híbrido cachapinta

A cachara sofre pressão de sobrepesca, barramentos de rios e desmatamento de áreas alagáveis. Hidrelétricas bloqueiam a migração de piracema e reduzem o recrutamento de jovens.

O maior alerta atual é a hibridação artificial. O cruzamento entre cachara e pintado gera o cachapinta (ou pintachara), híbrido fértil muito usado na piscicultura por crescer mais rápido e aceitar ração melhor.

Escapes de cachapinta para rios já foram registrados e representam risco de contaminação genética das duas espécies puras. Por isso, estados como Mato Grosso do Sul restringem o cultivo de híbridos em tanques-rede em rios.

Curiosidades que pouca gente sabe

O nome reticulatum vem do latim e significa em forma de rede, justamente por causa do padrão reticulado da pele. É o que a diferencia no nome científico.

Diferente de muitos bagres, a cachara não tem ferrão venenoso nas nadadeiras peitorais tão desenvolvido quanto o de outras espécies, mas ainda pode causar ferimentos dolorosos com os espinhos.

Na nossa avaliação, a cachara é mais sensível ao manejo que o pintado. Ela exige água com mais oxigênio e manejo mais cuidadoso no transporte, o que explica por que criadores iniciantes preferem o híbrido, mesmo com o impacto ambiental.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre cachara e pintado?

A cachara (P. reticulatum) tem manchas em rede interligadas, corpo mais alongado e ocorre na bacia do Paraguai. O pintado (P. corruscans) tem pintas pretas redondas e isoladas.

Qual o tamanho máximo da cachara?

Exemplares comuns têm 60 a 90 cm, mas pode chegar a 120 cm e cerca de 20 kg em condições naturais favoráveis.

Cachara pode ser criada em aquário?

Não. É um predador de grande porte, migrador e que precisa de rios ou tanques de piscicultura com milhares de litros e manejo profissional.

O que é cachapinta?

É o híbrido fértil entre cachara e pintado, criado em piscicultura por crescer mais rápido e aceitar melhor ração. Seu escape ameaça as espécies puras.

Quando é a piracema da cachara?

De outubro a março, com pico entre novembro e janeiro, quando migra rio acima para se reproduzir. Nesse período a pesca é proibida (defeso).

Cachara é peixe de couro?

Sim. Como todo Pseudoplatystoma, não tem escamas, tem pele lisa com manchas características e barbilhões sensoriais longos.

Você sabia?

1

O nome significa rede

O epíteto reticulatum descreve as manchas interligadas como uma rede, diferente das pintas isoladas do pintado.

2

Híbrido fértil e polêmico

A cachara cruzada com o pintado gera o cachapinta, um híbrido fértil que cresce até 30% mais rápido e já escapou para rios naturais.

3

Caçadora que sente a presa

Seus barbilhões têm milhares de receptores químicos e táteis que detectam peixes na água turva e escura do Pantanal à noite.

4

Migração de centenas de quilômetros

Na piracema, cardumes de cachara sobem o rio Paraguai por mais de 200 km para desovar em áreas de corredeira.

Fontes

  1. FishBase - Pseudoplatystoma reticulatum
  2. Embrapa Pantanal
  3. ICMBio - Livro Vermelho da Fauna Ameaçada

Prós e contras: Cachara

Prós

  • Muito valorizada na pesca esportiva pela briga forte
  • Carne branca, saborosa e com pouca gordura
  • Crescimento rápido em piscicultura com manejo adequado
  • Base genética importante para o híbrido cachapinta
  • Espécie bandeira do Pantanal e do rio Paraguai

Contras

  • Não se adapta a aquários e exige grande volume de água
  • Reprodução depende de indução hormonal em cativeiro
  • Alta exigência de proteína animal e treinamento alimentar
  • Sofre com barramentos que bloqueiam a piracema
  • Risco de contaminação genética por escapes de híbridos
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a cachara é o surubim mais elegante e tecnicamente desafiador de criar puro, justamente por ser mais exigente que o pintado. Para pesca esportiva ela é imbatível no Pantanal, mas seu futuro depende de conter o escape do híbrido cachapinta e de manter os corredores de piracema livres.

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Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

Sou uma entusiasta do universo dos peixes e da vida aquática. Dedico-me a pesquisar e partilhar informações sobre espécies de peixes, alimentação, comportamento, habitat e cuidados, ajudando os…

Última revisão em 17.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.