🐟 Peixes

Arraia

Potamotrygon motoro (exemplo de água doce) / grupo Myliobatiformes

Atualizado em

30 cm a 7 m de discoTamanho
Doce e salgadaTipo de água
10 a 25 anosExpectativa de vida
Dócil, mas defensivaTemperamento
Muito altaDificuldade
Arraia de água doce Potamotrygon motoro vista de cima sobre areia clara

A arraia não é um peixe ósseo comum, mas um peixe cartilaginoso aparentado a tubarões, com corpo achatado em forma de disco, olhos no topo da cabeça e boca na parte ventral. O que a define é a cauda longa com um ou mais ferrões serrilhados ligados a glândulas de veneno, usados apenas para defesa.

No Brasil o termo engloba dois grupos bem distintos: as arraias de água doce da família Potamotrygonidae, endêmicas da bacia Amazônica e do Paraná-Paraguai, e as arraias marinhas como Dasyatidae, Myliobatidae e Mobulidae, que vivem em oceanos e estuários. Apesar da aparência semelhante, elas têm fisiologia, tamanho e exigências completamente diferentes.

Também conhecido como: Raia, Arraia-de-água-doce, Arraia-prego, Manta, Stingray (inglês), Raya (espanhol)

Faz parte de: Peixes Carnívoros, Peixes de Água Doce, Peixes de Água Salgada

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Galeria de fotos de Arraia

Arraia de água doce Potamotrygon motoro vista de cima sobre areia clara
Arraia de água doce com disco arredondado e padrão de manchas, típica dos rios brasileiros.
Close-up da cabeça da arraia mostrando olhos e espiráculos
Detalhe dos olhos no topo e espiráculos que permitem respirar enterrada.
Arraia enterrada na areia com apenas os olhos visíveis
Camuflagem perfeita: arraia enterrada esperando a presa.
Arraia marinha nadando sobre fundo arenoso com cauda longa
Arraia marinha costeira com disco em losango e cauda em chicote.
Filhotes de arraia nadando próximos à mãe
Filhotes já nascem com disco formado e ferrão funcional.
Manta oceânica gigante nadando em mar aberto
Manta, a maior arraia do mundo, filtradora de plâncton e sem ferrão funcional.
Ideal para

Ideal para aquaristas muito experientes com espaço, orçamento e sistema de filtragem para manter aquários gigantes de água doce, que buscam um peixe inteligente e interativo de fundo e entendem o risco do ferrão venenoso.

Pode não ser ideal para

Não é indicada para iniciantes, famílias com crianças pequenas, quem tem pouco tempo ou aquários menores que 500 litros. Também não funciona para quem busca peixe comunitário pacífico, pois ela predará peixes pequenos e exige manejo perigoso.

Como cuidar

Aquário
Mínimo 800 L para uma Potamotrygon pequena, base de 150x60 cm, areia fina sem pedras pontiagudas
Água
Doce: pH 6,0-7,5, 24-28 °C, amônia e nitrito zero. Marinha: salinidade 1.020-1.025, pH 8,1-8,4
Alimentação
Carnívora: camarão, filé de peixe branco, minhoca, insetos; 1 vez ao dia, sem sobras no fundo
Manejo
Nunca manusear com rede fina; usar recipiente rígido e luvas; cuidado extremo com o ferrão caudal

Perfil rápido de Arraia

Estado de conservação

DD
Dados Insuficientes

Muitas espécies de arraia de água doce ainda não têm avaliação completa, mas populações locais estão em declínio.

População
Em declínio
Protegido por
Sim, algumas espécies como Potamotrygon leopoldi têm comércio controlado pelo IBAMA

Toxicidade e riscos

  • PetsTóxica
  • PessoasTóxica

Ferrão com veneno causa dor intensa, necrose e risco de infecção; pode ferir gravemente cães e humanos que pisam ou manuseiam.

Vida útil

Na natureza
10 a 15 anos (água doce), 15 a 25 anos (marinhas grandes)
Em cativeiro
8 a 14 anos com água e alimentação ideais; muitas morrem antes por manejo inadequado

Reprodução

Tipo de reprodução
Vivípara e ovovivípara com fecundação interna
Gestação
3 a 9 meses conforme a espécie
Ninhada
1 a 12 filhotes por gestação
Maturidade sexual
2 a 5 anos (água doce), 5 a 8 anos (marinhas)

Habitat

Ambientes

  • Rios de água doce, lagos de várzea e igarapés
  • Fundos de areia e lodo
  • Estuários e praias rasas
  • Recifes de coral e mar aberto

Biomas

  • Amazônia
  • Mata Atlântica (estuários)
  • Caatinga (bacia do São Francisco)
  • Cerrado (rios Araguaia-Tocantins)
  • Zona Costeira e Marinha

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Peixes
  • Crustáceos
  • Moluscos

Outros alimentos

  • Larvas de insetos aquáticos
  • Minhocas
  • Plâncton (mantas filtradoras)

Encontrado em 8 países

  • Brasil
  • Colômbia
  • Peru
  • Argentina
  • Estados Unidos
  • México
  • Austrália
  • África do Sul

Como animal de estimação

Adequação como pet
Baixa; apenas para especialistas com aquário gigante
Legalidade no Brasil
Permitida com origem comprovada e nota fiscal; IBAMA exige comprovação de criadouro legalizado para Potamotrygon
Nível de cuidado
Muito alto; exige filtragem potente, trocas frequentes e alimentação variada
Custo de aquisição
Alto; além do peixe, custo maior é do aquário e manutenção

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Chondrichthyes
Ordem
Myliobatiformes
Família
Potamotrygonidae (água doce) / Dasyatidae (marinha)
Gênero
Potamotrygon, Hypanus, Mobula
Espécie
Potamotrygon motoro (tipo mais comum no Brasil)

Resumo

  • Arraia é um peixe cartilaginoso de disco achatado e cauda com ferrão venenoso, com espécies de água doce e salgada no Brasil.
  • Vive enterrada na areia ou lodo, caça à noite e se alimenta de peixes, crustáceos, moluscos e insetos aquáticos.
  • A maioria não é indicada para aquário doméstico por exigir aquários gigantes, água impecável e oferecer risco de ferroada grave.

Características

Ficha da espécie

Nome científicoPotamotrygon spp. (água doce) / Dasyatis, Hypanus, Mobula spp. (marinhas)
FamíliaPotamotrygonidae (água doce), Dasyatidae e Mobulidae (marinhas)
OrigemAmérica do Sul, oceanos Atlântico, Pacífico e Índico
Tipo de águaDoce e salgada, conforme a espécie
Tamanho25 cm a 700 cm de largura de disco
Tamanho adulto30 a 80 cm (água doce); até 7 m (manta oceânica)
Expectativa de vida10 a 15 anos (água doce), até 25 anos (marinhas grandes)
Corespretomarromcinzabegebrancoamarelo
AlimentaçãoCarnívora
ReproduçãoVivípara e ovovivípara, sem fase larval
VariedadesPotamotrygon motoro, P. leopoldi, P. jabuti, Hypanus americanus, Mobula birostris

Perfil e comportamento

Facilidade de criaçãoMuito baixo
AgressividadeBaixo
SociabilidadeBaixo
Nível de atividadeMédio
Exigência com a qualidade da águaMuito alto
Adequação a aquários pequenosMuito baixo

O que é a arraia e como identificá-la

A arraia é um peixe cartilaginoso da classe Chondrichthyes, mesma dos tubarões. O esqueleto não tem osso verdadeiro, e sim cartilagem flexível.

O corpo é achatado em disco formado pelas nadadeiras peitorais fundidas à cabeça. Ela não nada batendo cauda como um peixe comum, e sim ondulando o disco como uma asa.

Os olhos ficam no topo e os espiráculos logo atrás, que puxam água para as brânquias mesmo quando ela está enterrada. A boca, narinas e fendas branquiais ficam embaixo, adaptadas para comer no fundo.

Como diferenciar dos outros peixes achatados

Linguados e rodovalhos são peixes ósseos com os dois olhos do mesmo lado da cabeça. Arraias têm cauda fina e distinta do disco e, na maioria das espécies, um ferrão serrilhado na base da cauda.

Arraias de água doce brasileiras têm disco mais arredondado, cauda curta e grossa e padrão de manchas ou rosetas. As marinhas costumam ter disco em forma de losango e cauda longa em chicote.

Onde vive: do Amazonas ao oceano aberto

No Brasil, as arraias de água doce são exclusivas da América do Sul. Ocorrem em rios, lagos de várzea e igarapés das bacias do Amazonas, Orinoco, Araguaia-Tocantins e Paraná-Paraguai.

Elas preferem fundo de areia fina ou lodo, onde se enterram deixando só os olhos de fora. Essa camuflagem é vital para emboscar presas e evitar predadores.

As espécies marinhas vivem em praias rasas, estuários, recifes e mar aberto. A arraia-prego (Hypanus americanus) é comum em águas costeiras rasas do Nordeste, enquanto as mantas (Mobula birostris) são oceânicas e filtradoras.

Grupo Habitat principal Tamanho típico de disco Exemplo no Brasil
Água doce Rios e lagos de água doce 30 a 80 cm Potamotrygon motoro
Marinha costeira Areia e lama em até 50 m 50 a 150 cm Hypanus americanus
Marinha oceânica Mar aberto 300 a 700 cm Mobula birostris

O ferrão venenoso: como funciona e por que é perigoso

O ferrão não é dente, e sim uma espinha dérmica modificada coberta por muco venenoso. Fica na parte dorsal da cauda e tem bordas serrilhadas voltadas para trás.

Quando pisada ou ameaçada, a arraia chicoteia a cauda para cima e para frente, cravando o ferrão. O veneno causa dor intensa, edema e necrose local, mas raramente é fatal em humanos.

Um fato pouco divulgado: o ferrão é trocado periodicamente. Um novo cresce por baixo e o velho cai, por isso algumas arraias têm dois ferrões de tamanhos diferentes ao mesmo tempo.

Em rios amazônicos, acidentes são mais comuns na seca, quando as arraias ficam concentradas em praias de areia rasa onde as pessoas caminham. Arrastar os pés em vez de pisar forte reduz muito o risco.

Comportamento e temperamento

Arraias são predadoras de fundo, noturnas ou crepusculares. De dia ficam quase imóveis, enterradas. À noite saem para caçar farejando com eletrorreceptores chamados ampolas de Lorenzini.

Não são agressivas. Na nossa avaliação, são tímidas e evitam contato, só ferroando quando encurraladas. Mergulhadores relatam que exemplares marinhos habituados chegam a ser curiosos, mas nunca devem ser tocados na cauda.

Em cativeiro, mostram memória espacial e aprendizado. Reconhecem o tratador que alimenta e aprendem a ir a um ponto do aquário no horário da comida em poucos dias.

Alimentação: o que a arraia come

Todas as arraias são carnívoras. As de água doce comem principalmente peixes pequenos, crustáceos, moluscos, larvas de insetos e minhocas aquáticas.

Elas usam a boca ventral para sugar a presa do substrato e dentes em forma de placa para triturar carapaças. Em rio, são importantes controladoras de caramujos e camarões.

As mantas e arraias-mobula são exceção: são filtradoras de plâncton, nadando de boca aberta com brânquias modificadas que retêm krill e pequenos peixes.

Reprodução: poucas crias e muito investimento

Arraias têm fecundação interna. Machos possuem um par de clásperes na base das nadadeiras pélvicas para transferir esperma.

A maioria das espécies brasileiras é vivípara ou ovovivípara: os embriões se desenvolvem dentro da mãe, sem botar ovos. Nas Potamotrygon, a mãe nutre os filhotes com um “leite uterino” rico em gordura (histotrofo).

A gestação dura 3 a 9 meses conforme a espécie. Nascem de 1 a 12 filhotes já em miniatura, com disco de 8 a 15 cm e ferrão funcional. Não há cuidado parental após o parto.

Isso explica a baixa taxa reprodutiva e a vulnerabilidade à sobrepesca: uma fêmea produz poucas crias por ano e demora anos para amadurecer sexualmente.

Criação em aquário: por que não é para iniciantes

Arraias de água doce são vendidas no aquarismo, mas exigem condições extremas. Um único exemplar adulto de Potamotrygon motoro precisa de aquário de 800 a 1.000 litros com base larga, não altura.

Precisam de areia fina e lisa, sem cascalho pontiagudo que fere o ventre, filtragem muito potente e água impecável com amônia e nitrito zerados, pH 6,0 a 7,5 e temperatura de 24 a 28 °C.

São incompatíveis com peixes pequenos, que viram comida, e com peixes mordedores de nadadeira. O ferrão exige manejo com luvas e contenção especializada; nunca use redes finas.

Arraias marinhas não devem ser mantidas em aquário doméstico. Precisam de tanques circulares de milhares de litros, salinidade estável e natação constante.

Saúde, conservação e riscos para humanos

Em rios, a maior ameaça às arraias de água doce é a degradação do habitat, barragens e captura para o comércio ornamental. Muitas espécies têm distribuição restrita a um único rio.

Em cativeiro, sofrem com queimadura por amônia, infecções bacterianas no disco e desnutrição quando alimentadas só com peixe vivo. Dieta variada com camarão, tilápia e minhoca é essencial.

Para humanos, a prevenção é simples: em rios e praias, arraste os pés, não toque ou alimente arraias e procure atendimento médico imediato em caso de ferroada. Não faça torniquete nem sugue o veneno.

Curiosidades que distinguem a arraia

A arraia de água doce perdeu a glândula de sal que as marinhas usam para excretar excesso de sal. Por isso não sobrevive no mar, e as marinhas não sobrevivem em rio por muito tempo.

Fósseis mostram que arraias já existiam há cerca de 150 milhões de anos, no Jurássico, antes dos rios amazônicos atuais se formarem.

Perguntas frequentes

Arraia é peixe de água doce ou salgada?

Os dois. No Brasil existem arraias de água doce exclusivas dos rios da América do Sul e arraias marinhas que vivem no oceano e em estuários.

Arraia tem ferrão venenoso?

Sim. A maioria tem um ou mais ferrões serrilhados na cauda ligados a glândulas de veneno, usados apenas para defesa quando pisada ou encurralada.

O que fazer se for ferroado por arraia?

Lave com água limpa, mergulhe o local em água quente suportável para aliviar a dor e procure atendimento médico imediato. Não faça torniquete nem tente arrancar o ferrão quebrado em casa.

Pode criar arraia em aquário?

Só arraias de água doce e apenas em aquários muito grandes, acima de 800 litros, com filtragem potente e manejo especializado. Não é indicada para iniciantes e arraias marinhas não são viáveis em casa.

Arraia come o que?

É carnívora. Na natureza come peixes pequenos, camarões, caramujos e larvas de insetos. Mantas são exceção e filtram plâncton.

Quanto tempo vive uma arraia?

De 10 a 15 anos para espécies de água doce e até 25 anos para espécies marinhas grandes, quando em ambiente saudável.

Arraia é perigosa para humanos?

Não ataca, mas a ferroada é muito dolorosa e pode infeccionar. O risco maior é pisar sobre ela enterrada na areia em rios e praias rasas.

Fatos surpreendentes sobre a arraia

1

Troca de ferrão

O ferrão venenoso não é permanente. Ele cresce, cai e é substituído por um novo ao longo da vida, e é comum encontrar arraias com dois ferrões sobrepostos.

2

Parto com ferrão mole

Filhotes já nascem com ferrão, mas ele vem coberto por uma bainha de tecido que se dissolve horas após o nascimento para não ferir a mãe durante o parto.

3

Respira enterrada

Quando está enterrada na areia, a arraia não usa a boca para respirar. Ela puxa água pelos espiráculos no topo da cabeça e a expele pelas fendas branquiais embaixo.

4

Água doce única no mundo

As arraias da família Potamotrygonidae são as únicas arraias totalmente adaptadas à água doce e só existem na América do Sul, resultado do isolamento da bacia amazônica há milhões de anos.

Fontes

  1. FishBase - Family Potamotrygonidae
  2. ICMBio - Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada
  3. IBAMA - Instrução sobre manejo de fauna aquática

Prós e contras: Arraia

Prós

  • Peixe extremamente inteligente e interativo quando bem mantido
  • Comportamento único de enterrar-se e ondular o disco
  • Importante para o equilíbrio ecológico de rios e oceanos
  • Grande longevidade se bem cuidada

Contras

  • Exige aquário gigante e filtragem muito potente
  • Ferrão venenoso oferece risco grave de acidente
  • Preda peixes pequenos e não convive com comunitários
  • Sensível à qualidade da água e propensa a infecções no ventre
  • Baixa reprodução e comércio controlado, difícil reposição legal
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a arraia é um dos peixes mais fascinantes do Brasil justamente por ser tão mal compreendida: não é agressiva, mas exige respeito. Para a maioria das pessoas, o melhor contato é observá-la na natureza com distância segura, não tentar mantê-la em casa.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 17.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.