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Pulgão-preto

Toxoptera citricida (Kirkaldy, 1907) — complexo Aphis craccivora / Toxoptera spp.

Atualizado em

1,5 a 2,8 mmTamanho
Seiva de plantasAlimentação
Partenogênese explosivaCiclo de vida
Brotos e folhas novasHabitat
Não pica, não transmite doençaPerigo para humanos
Colônia de pulgão-preto em broto jovem de citros, macro com detalhes

O pulgão-preto é um inseto sugador minúsculo, de 1,5 a 2,8 mm, que forma colônias escuras e brilhantes em brotos, folhas novas e botões florais. Apesar do nome único, ele representa um complexo de espécies — principalmente Toxoptera citricida, o pulgão-preto-dos-citros, e Aphis craccivora, o pulgão-preto das leguminosas — muito comuns em todo o Brasil.

Não pica pessoas nem animais, mas é uma das pragas agrícolas mais importantes do país. Ao sugar a seiva, enfraquece a planta, deforma brotos e excreta uma melada açucarada que atrai formigas e favorece a fumagina. Seu maior impacto, porém, é como vetor de vírus, como o da tristeza dos citros, que dizimou milhões de laranjeiras no Brasil nas décadas de 1930 e 1940.

Também conhecido como: Pulgão-preto-dos-citros, Pulgão-preto do feijoeiro, Pulgão-da-couve preto, Black citrus aphid (inglês), Pulgón negro (espanhol)

Faz parte de: Insetos do Brasil, Pragas de Jardim

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Galeria de fotos de Pulgão-preto

Colônia de pulgão-preto em broto jovem de citros, macro com detalhes
Colônia de pulgão-preto em broto tenro, onde se concentra para sugar seiva.
Close extremo da cabeça e antenas do pulgão-preto
Cabeça e antenas do pulgão-preto vistas em close extremo.
Pulgão-preto alado com asas transparentes abertas sobre folha
Forma alada do pulgão-preto, que surge para colonizar novas plantas.
Ninfas de pulgão-preto ao redor de adulto na face inferior da folha
Ninfas e adultos juntos: desenvolvimento sem pupa.
Formigas coletando melada de pulgões-pretos no caule
Mutualismo com formigas que coletam a melada e protegem a colônia.
Folhas com fumagina preta abaixo de infestação de pulgão-preto
Fumagina preta que cresce sobre a melada deixada pelos pulgões.

Perfil rápido de Pulgão-preto

Calendário

Maior atividade e infestaçõesJFMAMJJASOND
Formas aladas (dispersão)JFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsNão tóxico
  • PessoasNão tóxico

Não pica, não morde e não possui veneno; risco apenas de irritação leve por melada ou fumagina em pessoas sensíveis.

Vida útil

Na natureza
15 a 30 dias; fêmeas ápteras vivem mais que aladas
Em criação laboratorial
até 40 dias a 20–25 °C com alimento constante

Reprodução

Tipo de reprodução
Partenogênese vivípara (fêmeas geram fêmeas sem macho); sexual rara no Sul
Desenvolvimento
Hemimetabolia: ninfa → adulto, sem pupa
Ninhada
60 a 80 ninfas por fêmea ao longo da vida
Tempo até adulto
7 a 10 dias a 25 °C
Padrão sazonal
Picos na primavera e verão, durante brotações; o ano todo em estufas e irrigados

Habitat

Ambientes

  • Brotos e folhas novas de citros, feijão, couve, hibisco, roseira, pimenta e plantas daninhas
  • Hortas, pomares domésticos, jardins e estufas

Biomas

  • Mata Atlântica
  • Cerrado
  • Caatinga
  • Pampa
  • Amazônia
  • Pantanal

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Seiva do floema de plantas (brotações tenras)

Outros alimentos

  • Melada não é alimento, é excreção açucarada aproveitada por formigas

Encontrado em 9 países

  • Brasil
  • Argentina
  • Estados Unidos
  • México
  • Espanha
  • África do Sul
  • Austrália
  • China
  • Índia

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Arthropoda
Classe
Insecta
Ordem
Hemiptera
Família
Aphididae
Gênero
Toxoptera / Aphis
Espécie
Toxoptera citricida (Kirkaldy, 1907) — principal; complexo inclui Aphis craccivora Koch, 1854

Resumo

  • Pulgão-preto é um afídeo sugador de seiva que forma colônias pretas e brilhantes em brotos e folhas novas.
  • Reproduz-se por partenogênese e gera dezenas de filhotes por semana, com explosões populacionais na primavera e no verão.
  • Não oferece risco direto a pessoas e pets, mas causa fumagina, atrai formigas e transmite vírus graves como o da tristeza dos citros.

Características

Ficha do inseto

OrdemHemiptera
FamíliaAphididae
Origem e distribuiçãoÁsia; hoje cosmopolita, presente em todo o Brasil
Tamanho1,5 a 2,8 mm (adultos ápteros); alados até 3 mm com asas
Corespretopreto-brilhantemarrom-escurocom pernasantenas claras em algumas espécies
Asas e vooMaioria áptera; formas aladas surgem com superlotação e voam curto alcance
AlimentaçãoFitófago sugador de seiva (floema)
MetamorfoseIncompleta (hemimetabolia)
Expectativa de vida15 a 30 dias em média; até 40 dias em clima ameno
HabitatBrotos, folhas novas, botões florais e ramos tenros de citros, feijão, couve e ornamentais
Comportamento socialGregário, colônias de dezenas a milhares de indivíduos
Principais predadoresJoaninhas, crisopídeos, sirfídeos, vespas Aphidius e fungos entomopatogênicos

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito baixo
Importância para o ecossistemaMédio
Presença em casasBaixo
Benefício para a agriculturaMuito baixo
Dano às plantasMuito alto
Vida em grupoMuito alto

Como identificar o pulgão-preto sem confundir

O pulgão-preto adulto tem corpo oval, mole e brilhante, quase sem divisão aparente entre cabeça e abdômen. Mede entre 1,5 e 2,8 mm, do tamanho de uma semente de gergelim.

A cor varia de preto intenso a marrom-escuro. Antenas e pernas costumam ser mais claras, amareladas ou castanhas, e na traseira há dois tubinhos chamados sifúnculos, bem visíveis na lupa. É isso que o diferencia de ácaros e cochonilhas.

Existem duas formas na mesma colônia:

  • Ápteros: sem asas, maioria da colônia, ficam parados sugando.
  • Alados: com dois pares de asas membranosas e transparentes, corpo mais fino, surgem quando a planta está lotada ou estressada.

Erro comum é confundir com pulgão-verde (Myzus persicae) ou pulgão-amarelo. O preto é mais escuro, mais arredondado e prefere brotos muito novos. Se a colônia estiver coberta de formigas, quase sempre é pulgão-preto.

Onde vive e por que está em todo o Brasil

O pulgão-preto é cosmopolita e ocorre em todos os estados brasileiros, do Rio Grande do Sul ao Amazonas. A espécie Toxoptera citricida veio da Ásia e se espalhou com o comércio de mudas cítricas.

Ele não vive no solo nem dentro de casa. Fica em partes tenras da planta: ponteiros de laranjeira, limoeiro, feijoeiro, couve, hibisco, roseira, pimenta e plantas daninhas. Hortas urbanas e pomares domésticos são os focos mais frequentes.

Prefere clima quente e seco com brotação ativa. Por isso explode na primavera e no início do verão, quando a planta lança folhas novas ricas em nitrogênio. Em estufas e jardins irrigados, pode aparecer o ano todo.

O que o pulgão-preto come e como suga a planta

É um fitófago sugador de floema. Com o aparelho bucal em forma de agulha (estilete), perfura o tecido e suga a seiva elaborada, rica em açúcares e aminoácidos.

Como a seiva tem muito açúcar e pouca proteína, ele precisa sugar muito e excreta o excesso em forma de melada (honeydew), um líquido brilhante e pegajoso que pinga nas folhas inferiores.

Essa melada causa dois problemas secundários:

  • Alimenta formigas doceiras, que passam a proteger o pulgão contra predadores.
  • Serve de substrato para o fungo fumagina (Capnodium sp.), que forma uma camada preta que bloqueia a fotossíntese.

Em alta infestação, brotos ficam encarquilhados, amarelados e atrofiados, flores abortam e frutos não se desenvolvem.

Ciclo de vida e reprodução explosiva

O pulgão-preto tem metamorfose incompleta. Não há larva ou pupa: a fêmea já pare ninfas idênticas a miniaturas do adulto, que começam a sugar em poucas horas.

No Brasil, a reprodução é quase toda por partenogênese telítoca: fêmeas geram apenas fêmeas, sem machos e sem ovos, já grávidas dentro da mãe. É o fenômeno da geração telescópica — uma fêmea já carrega dentro de si as netas.

Uma única fêmea pode gerar 60 a 80 ninfas em 2 a 3 semanas, e cada ninfa vira adulta em 7 a 10 dias no calor. Em condições ideais, a colônia dobra em poucos dias. Foi essa taxa que permitiu ao Toxoptera citricida colonizar o país em menos de uma década após sua introdução.

Quando a colônia fica densa, a planta perde qualidade nutricional ou o clima muda, nascem fêmeas aladas que voam para colonizar outra planta. No inverno mais frio do Sul, algumas populações ainda produzem machos e ovos de resistência, mas é raro no Sudeste e Nordeste.

Colônia, formigas e a defesa com melada

Pulgão-preto é extremamente gregário. Vive em agregações densas onde todos se alimentam lado a lado, quase imóveis. Essa vida em grupo facilita a defesa química.

Quando atacado por joaninha ou vespa, libera pelos sifúnculos um feromônio de alarme (E-beta-farneseno) que faz os vizinhos se desprenderem e caírem da folha. Algumas espécies também liberam gotas de cera pegajosa.

A relação mais curiosa é a mutualismo com formigas. Formigas como a lava-pés e a formiga-doceira tocam o abdômen do pulgão com as antenas para “ordenhar” a melada. Em troca, espantam predadores, limpam a colônia e até carregam pulgões para brotos novos. Se você vê formigas subindo e descendo o caule em fila, procure pulgões no topo.

Quem controla naturalmente

Os maiores inimigos são joaninhas (Cycloneda sanguinea, Hippodamia convergens), larvas de crisopídeo, moscas sirfídeas e microvespas Aphidius, que parasitam o pulgão e o transformam em uma “múmia” dourada. Fungos como Beauveria bassiana também dizimam colônias em alta umidade.

É praga? Danos, fumagina e transmissão de vírus

Para agricultura e jardinagem, o pulgão-preto é praga de alto impacto. O dano direto por sucção só mata plantas muito jovens ou muito infestadas, mas o dano indireto é maior.

Tipo de dano Como acontece Consequência
Sucção e deformação Suga brotos e injeta saliva tóxica Folhas encarquilhadas, superbrotamento
Fumagina Melada + fungo preto Reduz fotossíntese, suja frutos
Virose Transmite vírus ao picar Planta doente mesmo após remover o pulgão

O ponto crítico é a transmissão do Citrus tristeza virus (CTV). Toxoptera citricida é o vetor mais eficiente desse vírus no mundo. Nos anos 1930-1940, a tristeza matou cerca de 9 milhões de laranjeiras no Brasil enxertadas sobre laranja-azeda, forçando a troca completa de porta-enxertos no país. Até hoje, o controle do pulgão-preto em citros visa mais evitar a virose do que a sucção.

Em feijão e outras leguminosas, Aphis craccivora transmite o vírus do mosaico, que enrola e amarela as folhas.

Pica gente ou é venenoso? Riscos para pessoas e pets

Não pica, não morde e não tem veneno. O aparelho bucal do pulgão-preto só perfura tecido vegetal. Ele não tem interesse em sangue e não consegue picar pele humana ou de cachorro e gato.

O contato acidental pode causar apenas irritação leve em pele muito sensível devido à melada ou a pelos da planta, nada sistêmico. Pets que ingerem folhas com pulgões geralmente não passam mal; o inseto não é tóxico.

A única atenção é para pessoas alérgicas a fungos: a fumagina em alta quantidade pode liberar esporos que irritam vias respiratórias se inalados durante a poda sem máscara. Lave bem hortaliças antes de consumir, mas não há risco de contaminação por veneno.

Como controlar sem envenenar o jardim inteiro

Como o ciclo é muito rápido, a chave é agir no começo, quando há poucos focos nos ponteiros. Infestações grandes exigem manejo integrado, não apenas inseticida.

Medidas culturais e mecânicas primeiro:

  • Jato de água forte nos brotos pela manhã derruba 70% a 80% da colônia e remove a melada.
  • Poda de ponteiros muito infestados e descarte em saco fechado, sem deixar no chão.
  • Controle de formigas no tronco com barreira física; sem formigas, predadores trabalham melhor.
  • Adubação equilibrada: excesso de nitrogênio deixa a seiva mais atraente e dispara a população.

Controle biológico:

  • Preserve joaninhas, crisopídeos e sirfídeos evitando inseticidas de amplo espectro.
  • Em hortas, plante coentro, erva-doce e manjericão próximos para atrair sirfídeos e vespas Aphidius.
  • Produtos à base de óleo de neem ou sabão de potássio são os mais seletivos quando bem aplicados no fim da tarde, mirando só o foco.

Evite inseticidas sistêmicos em plantas floridas, pois matam polinizadores e predadores e selecionam pulgões resistentes. Se precisar usar químico em pomar comercial, prefira orientação técnica da Embrapa ou da assistência local e nunca aplique com abelhas forrageando.

Curiosidades que pouca gente sabe

O pulgão-preto-dos-citros foi usado como caso clássico de epidemiologia vegetal no Brasil: a solução para a tristeza não foi erradicar o inseto, impossível, mas trocar o porta-enxerto suscetível por limão-cravo e outros tolerantes.

Apesar do tamanho, ele tem visão e olfato apurados para encontrar brotos: detecta compostos voláteis de plantas estressadas a metros de distância quando está na forma alada.

E ao contrário do que parece, o brilho preto não é da pele, mas de cera e da própria melada que recobre o corpo, o que ajuda a evitar dessecação.

Perguntas frequentes

Pulgão-preto morde ou pica pessoas?

Não. Ele só perfura tecido vegetal com seu estilete. Não morde, não pica e não tem veneno para humanos ou pets.

Como acabar com pulgão-preto na couve e no feijão?

Comece com jato forte de água nos brotos e poda dos ponteiros mais infestados. Controle formigas e preserve joaninhas; se precisar, use óleo de neem ou sabão de potássio no fim da tarde, apenas nos focos.

Qual a diferença entre pulgão-preto e pulgão-verde?

O preto (Toxoptera/Aphis craccivora) é preto-brilhante, mais arredondado e prefere brotos de citros e leguminosas; o verde (Myzus persicae) é verde-claro a amarelado e ataca mais hortaliças. O manejo é semelhante.

Por que tem tanta formiga onde tem pulgão-preto?

Formigas coletam a melada açucarada que o pulgão excreta e, em troca, o protegem de predadores. Controlar o acesso das formigas ao caule ajuda a reduzir a colônia.

Pulgão-preto transmite doença para a planta?

Sim. É o principal vetor do vírus da tristeza dos citros e de mosaicos em feijão. A planta pode continuar doente mesmo depois que os pulgões são removidos.

O que é aquela camada preta nas folhas?

É fumagina, um fungo que cresce sobre a melada do pulgão. Ela não infecta a planta, mas bloqueia a luz e reduz a fotossíntese. Sai com água e sabão neutro após controlar os pulgões.

Você sabia?

1

Vetor da tristeza dos citros

Toxoptera citricida transmite o Citrus tristeza virus com eficiência de até 90% em testes, e foi responsável pela morte de cerca de 9 milhões de laranjeiras no Brasil entre 1937 e 1947.

2

Nascem já grávidas

Por partenogênese telescópica, uma fêmea já carrega embriões que, por sua vez, já contêm os embriões da geração seguinte — três gerações em um só corpo.

3

Aladas só quando precisa

A mesma colônia produz fêmeas sem asas por semanas e, quando detecta superlotação ou queda na qualidade da seiva, passa a gerar fêmeas aladas em 2 a 3 dias para migrar.

4

Formigas fazem pastoreio

Formigas doceiras protegem o pulgão-preto, coletam sua melada e chegam a transportar ninfas para brotos novos, como um rebanho — sem formigas, a mortalidade por joaninhas dobra.

Fontes

  1. Embrapa Mandioca e Fruticultura - Pulgão-preto-dos-citros
  2. GBIF - Toxoptera citricida / Aphis craccivora
  3. ESALQ/USP - Entomologia Agrícola

Prós e contras: Pulgão-preto

Prós

  • Indica brotação e desequilíbrio de nitrogênio, servindo de alerta de manejo
  • Serve de alimento para joaninhas, crisopídeos e outros predadores benéficos
  • Fácil de detectar a olho nu nos ponteiros, antes de grande dano
  • Controle mecânico e biológico costuma ser suficiente, sem veneno pesado

Contras

  • Deforma brotos, flores e frutos e enfraquece plantas jovens
  • Produz melada que causa fumagina e atrai formigas
  • Vetor eficiente de vírus graves como a tristeza dos citros
  • Reprodução partenogenética explosiva dificulta erradicação tardia
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o pulgão-preto é o exemplo perfeito de praga pequena com estrago grande: subestimado no jardim, devastador no pomar por causa dos vírus. Vale tratá-lo com manejo precoce e biológico, não com veneno preventivo, porque matar joaninhas e abelhas só piora a infestação seguinte.

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Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

Sou uma entusiasta do universo dos peixes e da vida aquática. Dedico-me a pesquisar e partilhar informações sobre espécies de peixes, alimentação, comportamento, habitat e cuidados, ajudando os…

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Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.