🐛 Insetos

Pulgão-do-algodoeiro

Aphis gossypii Glover, 1877

Atualizado em

1 a 1,8 mmTamanho
Sugador de seivaAlimentação
10 a 20 dias, partenogêneseCiclo de vida
Lavouras, hortas e jardinsHabitat
Não pica, não transmite doençaPerigo para humanos
Colônia de pulgão-do-algodoeiro na face inferior de folha de algodão

O pulgão-do-algodoeiro é um inseto sugador minúsculo, de 1 a 1,8 mm, que forma colônias densas na face inferior das folhas e em brotos novos. Apesar do nome, não vive só no algodão: ataca mais de 700 plantas, de melão e pepino a hibisco e citros.

É uma das pragas agrícolas mais importantes do Brasil por dois motivos: suga a seiva e enfraquece a planta, e transmite mais de 50 vírus vegetais. Não pica pessoas, não tem veneno e não oferece risco direto para humanos e pets, mas pode dizimar hortas e lavouras em poucos dias se não for manejado.

Também conhecido como: Pulgão-do-algodão, Pulgão-do-melão, Pulgão-verde, Cotton aphid (inglês), Melon aphid (inglês), Pulgón del algodón (espanhol)

Faz parte de: Insetos do Brasil, Insetos Voadores, Pragas de Jardim

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Galeria de fotos de Pulgão-do-algodoeiro

Colônia de pulgão-do-algodoeiro na face inferior de folha de algodão
Colônia de Aphis gossypii na face inferior da folha, onde se concentra.
Close extremo da cabeça e antenas do pulgão-do-algodoeiro
Detalhe da cabeça, olhos e antenas de seis segmentos.
Pulgão-do-algodoeiro alado com asas transparentes
Forma alada, responsável pela dispersão entre plantas.
Ninfas e adultos de pulgão-do-algodoeiro se alimentando da seiva
Ninfas e adultos sugando seiva com o estilete.
Formigas pastoreando pulgões-do-algodoeiro e coletando melada
Formigas protegendo a colônia em troca de melada.
Folha com fumagina preta causada pela melada do pulgão-do-algodoeiro
Fumagina preta sobre melada: dano indireto que bloqueia a fotossíntese.

Perfil rápido de Pulgão-do-algodoeiro

Calendário

Maior atividadeJFMAMJJASOND
Pico populacionalJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsNão tóxica
  • PessoasNão tóxica

Não pica nem é venenoso; risco é agrícola, por sucção e transmissão de vírus vegetais

Vida útil

Na natureza
10 a 25 dias como adulto; ciclo de ovo a adulto de 4 a 7 dias no verão
Em criação
Não criado como pet; mantido apenas em laboratório para estudos

Reprodução

Metamorfose
Incompleta (hemimetabolia): ovo (raro no Brasil) > ninfa > adulto
Reprodução
Partenogênese vivípara telítoca; sexuado com ovos só em clima frio
Ninhada
30 a 80 ninfas por fêmea, 3 a 8 por dia
Gerações por ano
Mais de 30 em clima quente; sobreposição contínua
Dispersão
Fêmeas aladas surgem por superlotação ou queda de qualidade da planta

Habitat

Ambientes

  • Lavouras de algodão, melão, melancia, pepino e abóbora
  • Hortas, pomares de citros e jardins com hibisco e crisântemo
  • Estufas, viveiros e vasos em varandas
  • Plantas daninhas e vegetação espontânea no entorno

Biomas

  • Mata Atlântica
  • Cerrado
  • Caatinga
  • Pampa
  • Amazônia
  • Pantanal

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Seiva do floema de plantas herbáceas, arbustivas e arbóreas

Outros alimentos

  • Algodão, cucurbitáceas, solanáceas, malváceas, citros, ornamentais, plantas daninhas

Encontrado em 10 países

  • Brasil
  • Estados Unidos
  • México
  • Argentina
  • Espanha
  • Índia
  • China
  • Austrália
  • África do Sul
  • França

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Arthropoda
Classe
Insecta
Ordem
Hemiptera
Família
Aphididae
Gênero
Aphis
Espécie
Aphis gossypii

Resumo

  • O pulgão-do-algodoeiro (Aphis gossypii) é um inseto sugador de 1 a 1,8 mm, verde a preto, que vive em colônias e se reproduz por partenogênese sem precisar de macho.
  • Polífago e cosmopolita, ocorre em todo o Brasil e ataca algodão, cucurbitáceas, citros e ornamentais, causando enrolamento foliar, melada e fumagina.
  • Não pica nem é venenoso, mas é vetor de vírus graves; o controle mais eficaz combina jato d'água, inimigos naturais e manejo cultural, sem depender só de inseticida.

Características

Ficha do inseto

OrdemHemiptera
FamíliaAphididae
Origem e distribuiçãoPossivelmente Paleártica, hoje cosmopolita; presente em todo o Brasil
Tamanho1 a 1,8 mm (áptero); alado até 1,9 mm
Coresverde-claroverde-escuroamarelomarrompreto
Asas e vooFormas ápteras e aladas; voo curto e dispersivo
AlimentaçãoFitófago sugador de floema
MetamorfoseIncompleta (hemimetabolia)
Expectativa de vida10 a 25 dias no verão; até 40 dias no frio
HabitatFace inferior de folhas e brotos de herbáceas, arbustos e árvores
Comportamento socialColonial gregário, com mutualismo com formigas
Principais predadoresJoaninha, crisopídeo, sirfídeo, vespas Aphidiinae

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito baixo
Importância para o ecossistemaBaixo
Presença em casasBaixo
Benefício para a agriculturaMuito baixo
Dano às plantasMuito alto
Vida em grupoMuito alto

Como identificar o pulgão-do-algodoeiro sem confundir

O Aphis gossypii é pequeno e mole, com corpo oval e brilhante, pernas claras e dois sifúnculos escuros na traseira do abdômen. Essa dupla de tubinhos é a marca dos afídeos e solta feromônio de alarme.

A cor varia muito, o que confunde. No mesmo pé você encontra indivíduos verde-claros, amarelados, verde-escuros e até pretos, dependendo da planta hospedeira, temperatura e fase da colônia. Ninfas são iguais aos adultos, só que menores e sem asas.

Existem duas formas adultas: áptera (sem asas), que fica na colônia sugando, e alada, com cabeça e tórax pretos, abdômen verde e asas transparentes bem visíveis. A alada surge quando a planta fica lotada ou de má qualidade.

Para diferenciar de outros pulgões, observe o tamanho e a antena. O pulgão-do-algodoeiro tem antena com 6 segmentos e menor que o corpo, enquanto o pulgão-preto-do-citros (Toxoptera) é maior e mais escuro, e o pulgão-verde-do-pessegueiro (Myzus persicae) tem sifúnculos mais longos e claros.

Onde vive e por que está em todo o Brasil

É uma espécie cosmopolita e altamente invasora, registrada em todos os continentes exceto Antártida. No Brasil ocorre de norte a sul, tanto em lavoura extensiva quanto em vaso de varanda.

Prefere brotações novas, face inferior das folhas e botões florais, onde a seiva é mais rica e a proteção contra sol e chuva é maior. Em algodão fica no ponteiro; em melão, pepino e abóbora, nas folhas do terço médio; em hibisco e crisântemo, nos botões.

Vive melhor com calor e seca moderada, entre 20 °C e 30 °C. Em estufas e hortas urbanas se reproduz o ano inteiro. No campo, picos na primavera e verão, quando há brotação intensa.

Dispersão é feita pelas fêmeas aladas, levadas pelo vento por centenas de metros. Mudas, vasos e buquês infestados também espalham a praga entre cidades.

O que ele come e por que ataca tantas plantas

É polífago extremo, com mais de 700 hospedeiras registradas em 90 famílias botânicas. Isso explica por que aparece em culturas tão diferentes.

Com o estilete sugador, perfura o floema e suga seiva rica em açúcares. Injeta saliva que entope vasos e deforma a folha. O excesso de açúcar é excretado como melada (honeydew), líquido brilhante e pegajoso.

  • Hospedeiras preferidas: algodão, melão, melancia, pepino, abóbora, pimenta, berinjela, hibisco, algodão ornamental e citros.
  • Hospedeiras secundárias: plantas daninhas como picão-preto e caruru, que mantêm a população na entressafra.
  • O que não come: não mastiga folha, não faz galeria e não ataca raiz; o dano é sempre por sucção.

Essa amplitude alimentar faz dele ponte de vírus entre culturas. Um mesmo clone pode se alimentar em algodão hoje e em pepino amanhã, levando vírus junto.

Ciclo de vida e reprodução explosiva

No Brasil a reprodução é quase toda por partenogênese telítoca: fêmeas geram fêmeas sem acasalamento. É também vivípara, já nasce a ninfa, não põe ovo na maior parte do ano.

O fenômeno mais impressionante é a geração telescópica: dentro de uma fêmea já há embriões, e dentro desses embriões já há outros embriões. Uma única fêmea pode gerar 30 a 80 ninfas em 7 a 10 dias.

O ciclo é curto. De ninfa a adulto são 4 a 7 dias no verão. A fase adulta dura 10 a 20 dias. Em condições ideais, a população dobra em 2 a 3 dias, formando colônias de centenas em uma semana.

Quando surgem machos e ovos

Em regiões subtropicais com inverno rigoroso, no outono surgem machos e fêmeas sexuadas que põem ovos de resistência. No Brasil tropical isso é raro; a população se mantém por clonagem contínua o ano todo, o que aumenta a resistência a inseticidas.

Comportamento em colônia e a parceria com formigas

Vive em colônias densas e agregadas, com dezenas a milhares de indivíduos lado a lado. Quando perturbada, libera feromônio de alarme pelos sifúnculos e parte da colônia se dispersa.

Tem mutualismo clássico com formigas doceiras. As formigas coletam a melada e, em troca, protegem os pulgões de joaninhas e vespas, chegando a carregá-los para brotos novos. Onde há formigas subindo e descendo o caule, vale procurar pulgões.

O voo da forma alada é fraco e curto, mais de dispersão passiva pelo vento do que de busca ativa. Por isso barreiras físicas como tela anti-afídeo em estufa funcionam bem.

É perigoso para pessoas e pets? Pica ou é venenoso?

Não pica, não morde, não tem ferrão e não é venenoso. O aparelho bucal só perfura tecido vegetal. Contato acidental com pele não causa reação na maioria das pessoas.

Para pets, a ingestão acidental ao lamber planta infestada não é tóxica. O risco maior é indireto: plantas muito infestadas podem ter sido pulverizadas, e a melada atrai fungos e formigas.

Pessoas muito sensíveis podem ter irritação leve ou alergia respiratória em infestações enormes dentro de casa ou estufa, pela poeira de exúvias e fumagina, mas é incomum. Em caso de irritação persistente, lave a área e procure orientação médica.

Estrago na lavoura e no jardim: vírus, melada e fumagina

O dano direto é a sucção contínua. Folhas enrolam, brotos atrofiam, flores abortam e frutos ficam pequenos e deformados. Em algodão, causa o encarquilhamento do ponteiro; em cucurbitáceas, o encrespamento e amarelecimento.

O dano indireto é pior. A melada cobre folhas e frutos e serve de substrato para o fungo fuliginoso Capnodium, a fumagina preta, que bloqueia fotossíntese e deprecia o produto. Algodão com melada perde qualidade de fibra.

Problema causado Como aparece Consequência
Transmissão de vírus Mosaico, amarelecimento, nanismo Perda total em melão e pepino; mosaico do algodoeiro
Melada + fumagina Folhas pretas e pegajosas Queda de fotossíntese, fruto sem valor comercial
Enrolamento foliar Folhas encarquilhadas e brotos tortos Redução de crescimento e floração

É vetor de vírus importantes como Cucumber mosaic virus (CMV), Watermelon mosaic virus, Zucchini yellow mosaic virus, Citrus tristeza virus e Cotton leafroll dwarf virus. Basta segundos de picada de prova para transmitir vírus não persistentes, por isso inseticida sozinho raramente impede virose.

Como manejar sem desequilibrar o jardim

Controle eficaz é manejo integrado, não pulverização calendarizada. Começa na prevenção e na preservação de inimigos naturais.

  • Jato d’água forte na face inferior das folhas derruba 70% da colônia e não afeta polinizadores. Repita a cada 2 a 3 dias.
  • Preserve predadores: joaninhas, larvas de crisopídeo e de sirfídeos comem dezenas por dia. Evite inseticida de amplo espectro que mata esses aliados.
  • Remova brotos muito infestados e descarte em saco fechado, não no chão. Limpe plantas daninhas hospedeiras ao redor.
  • Barreira física: em horta, use tela anti-afídeo e cobertura morta prateada que reflete luz e confunde o pulgão alado.
  • Controle biológico: em cultivo protegido, liberações de Aphidius colemani e fungos entomopatogênicos são usadas com sucesso.

Se precisar intervir, prefira sabão neutro ou óleo vegetal emulsionável em baixa concentração no fim da tarde, atingindo só a colônia, e nunca com plantas em plena floração visitadas por abelhas. Para lavouras, siga recomendação de assistência técnica e respeite o manejo de resistência, já que há populações resistentes a piretroides e organofosforados no Brasil.

Curiosidades que só o pulgão-do-algodoeiro tem

Apesar de minúsculo, tem biologia sofisticada. Consegue alternar cor e tamanho do corpo conforme a planta hospedeira, o que já fez pesquisadores acharem que eram espécies diferentes. Só o DNA mostrou que era tudo Aphis gossypii.

Outro detalhe é a rapidez de adaptação. Clones coletados em algodão e em pepino no mesmo município podem ter perfis de resistência a inseticidas completamente distintos, exigindo manejo localizado.

Perguntas frequentes

Pulgão-do-algodoeiro pica pessoas?

Não. O aparelho bucal só perfura plantas. Ele não pica, não morde e não tem veneno.

Qual a diferença para outros pulgões?

É menor (até 1,8 mm), com sifúnculos escuros e antenas mais curtas que o corpo. A cor varia de verde a preto na mesma colônia.

Por que a planta fica preta e pegajosa?

É a melada açucarada excretada pelo pulgão, que alimenta o fungo da fumagina. O preto bloqueia a luz e enfraquece a planta.

Como acabar com pulgão-do-algodoeiro sem inseticida?

Use jato d'água na face inferior das folhas, remova brotos muito atacados, preserve joaninhas e crisopídeos e barre formigas que protegem a colônia.

Ele transmite vírus para plantas?

Sim, mais de 50 vírus, incluindo mosaicos de cucurbitáceas e viroses do algodão e citros. A transmissão pode ocorrer em segundos.

Onde ele aparece dentro de casa?

Em vasos de hibisco, pimenta ornamental, suculentas e hortas de varanda, sempre em brotos novos e no verso das folhas.

Você sabia?

1

Mestre do disfarce

A cor do pulgão-do-algodoeiro muda conforme a hospedeira e a temperatura. Um mesmo clone pode ser verde-claro no pepino e quase preto no hibisco, o que já causou confusão taxonômica por décadas.

2

Nascimento telescópico

Fêmeas carregam dentro de si filhas que já carregam netas. Essa geração telescópica permite que uma única fêmea origine milhares em duas semanas sem nenhum macho.

3

Vetor relâmpago

Para vírus não persistentes como o do mosaico do pepino, bastam 30 segundos de picada de prova para transmitir. Por isso a planta pode ser infectada mesmo que o pulgão seja expulso logo depois.

4

Criado por formigas

Formigas pastoreiam o pulgão-do-algodoeiro como gado: coletam a melada, defendem a colônia de joaninhas e até transportam pulgões para brotos novos e mais nutritivos.

Fontes

  1. Embrapa Algodão
  2. GBIF - Aphis gossypii
  3. ESALQ/USP - Entomologia Agrícola

Prós e contras: Pulgão-do-algodoeiro

Prós

  • Indica desequilíbrio e excesso de adubação nitrogenada, ajudando no diagnóstico
  • Serve de alimento para joaninhas, crisopídeos e outros predadores benéficos
  • Ciclo curto facilita estudos de manejo integrado e controle biológico
  • Fácil de detectar visualmente antes que o dano seja irreversível

Contras

  • Suga seiva e deforma brotos, flores e frutos
  • Excreta melada que causa fumagina e perda de fotossíntese
  • Vetor de mais de 50 vírus vegetais de importância econômica
  • Reprodução explosiva e rápida seleção de resistência a inseticidas
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o pulgão-do-algodoeiro é o exemplo perfeito de praga que se vence mais com ecologia do que com veneno. Ignorar a melada, a fumagina e a parceria com formigas é subestimar o estrago real, que vai muito além da folha enrolada.

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Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

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Última revisão em 16.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.