🐛 Insetos

Pulgão-da-roseira

Macrosiphum rosae

Atualizado em

1,5 a 3 mmTamanho
Seiva de roseirasAlimentação
10 a 20 diasCiclo de vida
Roseiras e jardinsHabitat
Não pica nem transmite doençaPerigo para humanos
Colônia de pulgão-da-roseira verde e rosado em botão de roseira

O pulgão-da-roseira (Macrosiphum rosae) é um inseto sugador de apenas 1,5 a 3 mm que forma colônias densas em brotos, botões e face inferior das folhas de roseiras. É a praga mais comum de roseiras no Brasil e no mundo, facilmente reconhecido pelo corpo verde ou rosado e pelas duas estruturas pretas nas costas chamadas sifúnculos.

Apesar do tamanho minúsculo, causa deformação de folhas, abortamento de botões e transmite vírus, além de excretar uma substância açucarada que atrai formigas e fungos. Não pica pessoas nem pets, mas exige manejo rápido porque uma única fêmea pode gerar dezenas de descendentes em poucos dias por partenogênese.

Também conhecido como: Pulgão-verde-da-roseira, Pulgão-da-roseira-verde, Rose aphid (inglês), Puceron du rosier (francês), Pulgón de la rosa (espanhol)

Faz parte de: Insetos do Brasil, Pragas de Jardim

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Galeria de fotos de Pulgão-da-roseira

Colônia de pulgão-da-roseira verde e rosado em botão de roseira
Colônia de pulgão-da-roseira em botão floral, note os sifúnculos pretos.
Close extremo da cabeça e antenas do pulgão-da-roseira
Detalhe da cabeça, olhos e antenas longas do pulgão-da-roseira.
Pulgão-da-roseira alado com asas transparentes abertas
Forma alada surge quando a colônia fica lotada e coloniza novas plantas.
Ninfas e adultos de pulgão-da-roseira se alimentando na face inferior da folha
Ninfas e adultos sugando seiva na face inferior da folha.
Folha de roseira com fumagina preta e formigas cuidando de pulgões
Honeydew causa fumagina preta e atrai formigas que protegem os pulgões.
Joaninha predando pulgões-da-roseira na haste da roseira
Joaninhas são as principais predadoras naturais do pulgão-da-roseira.

Perfil rápido de Pulgão-da-roseira

Calendário

Maior atividade e infestaçõesJFMAMJJASOND
Formas aladas mais frequentesJFMAMJJASOND
Menor ocorrênciaJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsNão tóxica
  • PessoasNão tóxica

Não pica, não morde e não inocula veneno. Pode causar irritação leve apenas em contato massivo e sensível.

Vida útil

Na natureza
10 a 20 dias no verão, até 30 dias em clima ameno; ninfas viram adultas em 7 a 10 dias

Reprodução

Metamorfose
Incompleta (ovo > ninfa > adulto), sem pupa
Reprodução
Partenogênese vivípara na maior parte do ano; fêmeas geram fêmeas sem macho
Fecundidade
40 a 80 ninfas por fêmea em 10 a 14 dias
Padrão sazonal
Pico na primavera e início do verão, quando há brotações novas
Formas aladas
Surgem por superlotação e queda de qualidade da planta para colonizar novas roseiras

Habitat

Ambientes

  • Roseiras cultivadas em jardins, vasos e estufas
  • Brotos novos, botões florais e face inferior de folhas tenras
  • Áreas urbanas e periurbanas onde há Rosa spp.

Biomas

  • Mata Atlântica
  • Pampa
  • Cerrado
  • Caatinga

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Seiva do floema de roseiras (Rosa spp.)

Outros alimentos

  • Ocasionalmente seiva de morangueiro e outras Rosaceae

Encontrado em 9 países

  • Brasil
  • Portugal
  • Argentina
  • Estados Unidos
  • Reino Unido
  • França
  • Alemanha
  • Austrália
  • África do Sul

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Arthropoda
Classe
Insecta
Ordem
Hemiptera
Família
Aphididae
Gênero
Macrosiphum
Espécie
Macrosiphum rosae

Resumo

  • O pulgão-da-roseira é um inseto sugador verde ou rosado de 1,5 a 3 mm que ataca brotos e botões de roseiras.
  • Reproduz-se por partenogênese e forma colônias explosivas que deformam a planta, produzem honeydew e atraem formigas e fumagina.
  • Não oferece risco para humanos e pets, mas deve ser controlado com jato de água, poda e inimigos naturais para preservar abelhas.

Características

Ficha do inseto

OrdemHemiptera
FamíliaAphididae
Origem e distribuiçãoEurásia, hoje cosmopolita; presente em todo o Brasil onde há roseiras cultivadas
Tamanho1,5 a 3 mm (adultos); ninfas com menos de 1 mm
Coresverde-claroverde-escurorosadomarrom-rosado
Asas e vooMaioria áptera (sem asas); formas aladas surgem quando a colônia fica lotada, voo curto e fraco
AlimentaçãoFitófago sugador de seiva do floema
MetamorfoseIncompleta (hemimetábola)
Expectativa de vida10 a 20 dias no verão; até 30 dias em clima ameno
HabitatBrotos, botões florais e face inferior de folhas de roseiras (Rosa spp.)
Comportamento socialGregário, forma colônias densas de dezenas a centenas de indivíduos
Principais predadoresJoaninhas, crisopídeos, sirfídeos, vespas parasitoides (Aphidius spp.)

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito baixo
Importância para o ecossistemaBaixo
Presença em casasBaixo
Benefício para a agriculturaMuito baixo
Dano às plantasMuito alto
Vida em grupoMuito alto

Como identificar o pulgão-da-roseira sem confundir

O Macrosiphum rosae tem corpo em forma de pera, mole e brilhante, com 1,5 a 3 mm de comprimento. A cor mais comum é verde-claro a verde-escuro, mas em temperaturas mais baixas ou em alta densidade a colônia fica rosada a marrom-rosada, o que confunde muita gente.

O detalhe que entrega a espécie são os sifúnculos pretos e longos, dois tubinhos na parte traseira do abdômen. Pernas e antenas são longas e escuras, e a cauda (codícula) é alongada e também escura. Ninfas são idênticas aos adultos, só que menores e sem asas.

Não confunda com o pulgão-preto da roseira (Macrosiphum euphorbiae) ou com cochonilhas. Cochonilhas são imóveis e com carapaça; o pulgão-da-roseira se move lentamente quando tocado e fica sempre agrupado em brotações novas e botões, nunca espalhado em folhas velhas.

  • Onde procurar: ponta dos ramos, haste do botão floral e face inferior das folhas novas.
  • Sinal indireto: folhas pegajosas (honeydew), formigas subindo e subindo na planta e pó preto de fumagina.
  • Lupa ajuda: com aumento de 10x já dá para ver os sifúnculos pretos, marca registrada da espécie.

Onde vive e por que é tão comum no Brasil

Originário da Eurásia, o pulgão-da-roseira hoje é cosmopolita e acompanha a roseira cultivada para qualquer lugar. No Brasil ocorre de norte a sul, mas é mais problemático no Sudeste e Sul, onde o clima ameno favorece roseiras o ano todo.

Ele vive quase exclusivamente em Rosa spp., raramente em morangueiro e outras Rosaceae. Em jardins, vasos e produção comercial, prefere plantas bem adubadas com nitrogênio e brotações tenras. Ambientes abafados, com pouca ventilação e sem inimigos naturais, viram berçário perfeito.

A dispersão acontece por fêmeas aladas que surgem quando a colônia lota ou a planta enfraquece. Elas voam pouco, mas o vento carrega a curtas distâncias. Mudas infestadas são a principal forma de levar o inseto para casa.

O que come e como estraga a roseira

É um sugador de floema. Com o aparelho bucal em forma de estilete, perfura o tecido e suga a seiva rica em açúcares. Ao se alimentar, injeta saliva que deforma o crescimento.

O resultado aparece rápido: folhas encarquilhadas, brotos tortos, botões que não abrem ou abrem deformados e com pétalas manchadas. Ataques fortes reduzem a fotossíntese e enfraquecem a planta para a próxima floração.

Outro problema é o honeydew, excremento açucarado que cobre folhas e botões. Essa película alimenta o fungo fumagina, que deixa tudo preto e pegajoso, e atrai formigas doceiras que, em troca do açúcar, protegem os pulgões de predadores.

Além do dano direto, é vetor de vírus como o mosaico da roseira. Mesmo poucos indivíduos podem transmitir o vírus ao picar várias plantas seguidas.

Ciclo de vida e reprodução explosiva

Apresenta metamorfose incompleta: ovo, ninfa e adulto, sem fase de pupa. No Brasil, onde o inverno é suave, a reprodução é quase totalmente por partenogênese telítoca.

Isso significa que fêmeas geram fêmeas sem macho, já nascendo ninfas vivas. Uma fêmea produz 40 a 80 ninfas em 10 a 14 dias, e cada ninfa vira adulta em 7 a 10 dias no calor. Em duas semanas, uma única fundadora pode originar centenas.

No frio intenso da Europa há fase sexuada com ovos que resistem ao inverno. Aqui, ovos são raros; a população se mantém por clonagem contínua. Por isso a infestação parece surgir do nada na primavera, quando a roseira brota.

Formas aladas aparecem por gatilhos ambientais: superlotação, queda de qualidade da seiva e dias mais curtos. Elas fundam novas colônias em ramos vizinhos ou em outras roseiras.

Comportamento em colônia e a aliança com formigas

Vive em colônias gregárias e quase imóvel. Fica agrupado porque a alimentação é mais eficiente e a proteção mútua aumenta. Quando perturbado, levanta o abdômen e pode liberar feromônio de alarme pelas sifúnculos.

A relação com formigas é um caso clássico de mutualismo. As formigas coletam o honeydew e, em troca, afugentam joaninhas e crisopídeos e até carregam pulgões para brotos novos. Se você vê trilha de formigas na roseira, procure pulgões acima.

Para defesa, além da proteção das formigas, conta com camuflagem pela cor verde e com a reprodução rápida que compensa a predação. Não salta, não morde e voa mal; a estratégia é numérica.

Como diferenciar ataque inicial de infestação avançada

Nível O que você vê Risco
Inicial 5 a 20 pulgões só na ponta do broto Baixo, controle manual resolve
Moderado Colônia cobrindo botão e folhas pegajosas Médio, deforma floração
Avançado Centenas, fumagina preta e formigas Alto, enfraquece a planta e transmite vírus

Pica gente ou animais? Riscos reais

Não pica, não morde e não é venenoso. O aparelho bucal só perfura tecido vegetal. Contato acidental com pele pode causar leve coceira em pessoas muito sensíveis, mas sem importância médica.

Para cachorros e gatos, a ingestão acidental ao mordiscar a planta não causa intoxicação. O risco maior é indireto: se a roseira foi pulverizada com inseticida sem orientação, o resíduo sim pode ser tóxico para pets e abelhas.

Alergias respiratórias a pulgões são extremamente raras e ligadas a infestações gigantescas em estufas, não a vasos domésticos. No jardim, o incômodo é estético e agronômico, não sanitário.

É praga ou tem algum benefício? Papel no ecossistema

Na roseira cultivada, é praga pura. Não poliniza, não controla outra praga e ainda atrai fumagina. Em ecossistemas naturais com roseiras silvestres, porém, serve de alimento base para predadores.

Joaninhas, larvas de crisopídeo, moscas sirfídeas e vespas Aphidius dependem de pulgões para se desenvolver. Uma colônia controlada no jardim pode, paradoxalmente, manter esses benéficos por perto, o que ajuda a equilibrar outras pragas.

Na nossa avaliação, tolerância zero só faz sentido em produção de rosas de corte. Em jardim doméstico, manter um nível muito baixo e deixar predadores agirem costuma ser mais sustentável do que pulverizar a cada aparecimento.

Como controlar sem matar abelhas: manejo integrado

Comece sempre pelo controle físico e cultural. É o mais seguro e resolve 80% dos casos iniciais.

  • Jato de água forte pela manhã, mirando a face inferior dos brotos, derruba a maioria. Repita por 3 dias seguidos.
  • Poda de limpeza: remova pontas muito infestadas e descarte no lixo, não na composteira.
  • Adubação equilibrada: excesso de nitrogênio deixa brotos muito tenros e atrativos. Prefira adubo orgânico bem curtido.
  • Barreira para formigas: fita adesiva ou anel de resina no caule interrompe a proteção que elas dão aos pulgões.

Estimule inimigos naturais. Evite inseticida de amplo espectro, plante flores como coentro, erva-doce e tagetes perto das roseiras para atrair joaninhas e sirfídeos, e não varra todas as joaninhas que encontrar.

Se precisar de produto, prefira sabão de potássio ou óleo vegetal emulsionável em baixa concentração, aplicado ao entardecer e só nos focos. Nunca aplique com abelhas visitando as flores e nunca use dose de lavoura em vaso. Em caso de infestação grande ou vírus suspeito, busque orientação de agrônomo ou da extensão rural local.

Curiosidades que pouca gente sabe

O pulgão-da-roseira pode mudar de cor na mesma colônia conforme a temperatura e a idade: ninfas verdes ficam rosadas quando a colônia envelhece, o que já fez muita gente achar que são duas espécies diferentes.

As fêmeas são vivíparas na maior parte do ano, ou seja, não botam ovos, dão à luz ninfas já formadas que começam a sugar em minutos. É por isso que a população dobra tão rápido.

Cada pulgão excreta várias vezes seu peso em honeydew por dia. Esse açúcar já foi coletado por abelhas para produzir mel de melato em regiões onde falta néctar, mas na roseira só traz fumagina.

Erros comuns: achar que canela ou leite resolvem sozinhos infestações avançadas, ou que todo pulgão verde é o mesmo. O da roseira tem sifúnculos pretos longos; o pulgão-verde do pessegueiro tem sifúnculos claros e curtos e prefere outras plantas.

Perguntas frequentes

Pulgão-da-roseira pica humanos?

Não. Ele só perfura tecido vegetal para sugar seiva. Não morde, não pica e não transmite doença para pessoas ou pets.

Por que a roseira fica pegajosa e preta?

É o honeydew açucarado excretado pelos pulgões, que alimenta o fungo fumagina. Lave as folhas e controle os pulgões que a fumagina diminui.

Como acabar com pulgão-da-roseira sem veneno?

Use jato forte de água por 3 manhãs seguidas, pode brotos muito infestados e barre formigas no caule. Atraia joaninhas e crisopídeos.

Pulgão-da-roseira verde e rosa são espécies diferentes?

Não, é a mesma espécie, Macrosiphum rosae. A cor varia de verde a rosado conforme temperatura, idade e densidade da colônia.

Formigas na roseira causam pulgão?

Não causam, mas protegem e espalham os pulgões em troca de honeydew. Controlar as formigas ajuda muito a reduzir a infestação.

Pulgão-da-roseira transmite vírus?

Sim, pode transmitir vírus do mosaico da roseira ao se alimentar em várias plantas. Por isso remova focos cedo e desinfete a tesoura de poda.

Você sabia?

1

Nasce grávida

Fêmeas partenogenéticas já carregam embriões com embriões dentro, como bonecas russas. Por isso uma ninfa recém-nascida já pode estar gerando a próxima geração.

2

Cor que engana

A mesma colônia pode ter indivíduos verdes e rosados. O tom rosado aumenta em clima frio e em colônias velhas, não indica espécie diferente.

3

Sifúnculos pretos são identidade

Os dois tubinhos pretos no dorso liberam feromônio de alarme. Quando um pulgão é atacado, o cheiro avisa os vizinhos para se soltarem da folha.

4

Formigas como guarda-costas

Formigas doceiras protegem ativamente os pulgões de joaninhas em troca de honeydew e chegam a mudar pulgões de lugar para brotos mais tenros.

Fontes

  1. Embrapa - Pulgões em Rosáceas
  2. GBIF - Macrosiphum rosae
  3. Universidade de São Paulo - Entomologia Agrícola (ESALQ)

Prós e contras: Pulgão-da-roseira

Prós

  • Alimento importante para joaninhas, crisopídeos e vespas benéficas
  • Indica excesso de nitrogênio e manejo inadequado, ajudando a corrigir cultivo
  • Fácil de detectar e controlar cedo com métodos físicos
  • Não oferece risco direto à saúde humana ou de pets

Contras

  • Deforma brotos, folhas e botões e impede floração
  • Excreta honeydew que causa fumagina e atrai formigas
  • Transmite vírus entre roseiras
  • Reprodução partenogenética causa infestações explosivas em dias
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o pulgão-da-roseira é a praga mais subestimada do jardim justamente por parecer inofensivo. Controlar cedo com água e manejo de formigas é mais eficaz e seguro do que correr para inseticida que mata joaninhas e abelhas.

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Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

Sou uma entusiasta do universo dos peixes e da vida aquática. Dedico-me a pesquisar e partilhar informações sobre espécies de peixes, alimentação, comportamento, habitat e cuidados, ajudando os…

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Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.