🍊 Frutíferas

Pitomba-da-baía

Talisia esculenta

Atualizado em

6 a 12 m de alturaTamanho
Sol plenoLuminosidade
ModeradaRega
4 a 6 anosPrimeiros frutos
Baixa a moderadaDificuldade
Frutos frescos de pitomba-da-baía inteiros e cortados mostrando polpa branca translúcida

A pitomba-da-baía (Talisia esculenta) é uma árvore frutífera nativa do Norte e Nordeste do Brasil, da família Sapindaceae, a mesma da lichia e do guaraná. De copa densa e arredondada, atinge de 6 a 12 metros e produz frutos pequenos de casca marrom-clara e polpa branca translúcida, agridoce e muito suculenta.

Muito comum em quintais do interior baiano e pernambucano, frutifica no verão e início do outono, entre janeiro e abril. É rústica, de baixa exigência após estabelecida e valorizada tanto pelo fruto in natura quanto para sucos, licores e arborização.

Também conhecido como: Pitomba, Pitombeira, Pitomba-da-mata, Pitomba-do-norte, Eye-leaf pitomba (inglês)

Faz parte de: Frutíferas do Brasil, Lista de Frutíferas

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Galeria de fotos de Pitomba-da-baía

Frutos frescos de pitomba-da-baía inteiros e cortados mostrando polpa branca translúcida
Frutos de pitomba-da-baía com casca marrom-clara e polpa branca agridoce.
Árvore de pitomba-da-baía carregada de frutos no quintal
Pitombeira adulta em plena frutificação no verão.
Close-up da casca fina e quebradiça da pitomba-da-baía
Detalhe da casca fina que estala quando madura.
Flores brancas pequenas da pitomba-da-baía em panícula
Floração branca e perfumada que atrai abelhas nativas.
Cesto cheio de pitombas colhidas
Colheita de pitomba-da-baía entre janeiro e abril.
Folhas compostas brilhantes da pitomba-da-baía
Folhas compostas com folíolos brilhantes e coriáceos.
Ideal para

É ideal para quem tem quintal, sítio ou chácara com sol pleno e quer uma árvore nativa de sombra densa e frutos agridoces no verão. Funciona muito bem para famílias que valorizam frutíferas brasileiras rústicas e para projetos de pomar agroecológico e arborização. Também agrada quem busca produção sem muito mistério: depois de estabelecida, exige pouca rega e pouca poda, e atrai abelhas e pássaros, aumentando a biodiversidade do quintal.

Pode não ser ideal para

Não é ideal para apartamento, varanda ou vasos pequenos, pois atinge 6 a 12 metros e tem raiz profunda que não se adapta a recipientes. Também não serve para quem tem pressa ou pouco espaço: leva 4 a 6 anos para frutificar e precisa de 7 metros livres ao redor. Quem mora em região com geadas frequentes ou inverno rigoroso terá frustração, já que a planta não tolera frio intenso e pode não frutificar fora do clima tropical quente.

Cultivo rápido

Luz
Sol pleno, mínimo 6 horas diárias; meia-sombra reduz floração
Rega
Moderada; 2 a 3 vezes por semana nos 2 primeiros anos, depois só em estiagem
Solo
Profundo, fértil, bem drenado, pH 5,5 a 6,5; não tolera encharcamento
Temperatura ideal
22 °C a 32 °C; sensível a geada e frio abaixo de 10 °C
Adubação
Anual no início das chuvas: 8 a 12 L de esterco + 100 g de NPK 10-10-10 por metro de copa
Poda
Leve, após colheita (abril/maio); remover secos e cruzados, sem podar pontas frutíferas
Propagação
Sementes frescas (20 a 40 dias para germinar) e enxertia por garfagem

Perfil rápido de Pitomba-da-baía

Calendário

PlantioJFMAMJJASOND
FloraçãoJFMAMJJASOND
ColheitaJFMAMJJASOND

Encontrado em 1 país

  • Brasil

Classificação científica

Reino
Plantae
Filo
Tracheophyta
Classe
Magnoliopsida
Ordem
Sapindales
Família
Sapindaceae
Gênero
Talisia
Espécie
Talisia esculenta

Resumo

  • A pitomba-da-baía é a Talisia esculenta, árvore nativa de 6 a 12 m da família Sapindaceae, com frutos redondos de casca marrom-clara e polpa agridoce.
  • Frutifica entre janeiro e abril e começa a produzir de 4 a 6 anos quando plantada por semente, exigindo sol pleno e solo profundo e bem drenado.
  • É ideal para quintais e sítios no clima tropical quente, mas pouco indicada para vasos pequenos e apartamentos por seu tamanho grande.

Características

Ficha da frutífera

Nome popularPitomba-da-baía
Nome científicoTalisia esculenta (A. St.-Hil.) Radlk.
Família botânicaSapindaceae
OrigemNorte e Nordeste do Brasil (Amazônia e Mata Atlântica)
Tamanho6 a 12 m de altura, copa de 5 a 8 m de diâmetro
CoresCasca marrom-clara a bege-amareladapolpa branca translúcida
Tempo até frutificar4 a 6 anos por semente; 3 a 4 anos por enxertia
Época de frutificaçãoJaneiro a abril (pico em fevereiro e março)
LuminosidadeSol pleno, mínimo 6 horas diárias
RegaModerada; 2 a 3 vezes por semana nos 2 primeiros anos
SoloProfundo, fértil, bem drenado, pH 5,5 a 6,5
ClimaTropical quente e úmido; tolera semiárido com irrigação
PropagaçãoSementes (principal) e enxertia
Cultivo em vasoPouco recomendado; apenas vasos acima de 200 L

Perfil e comportamento

Necessidade de solMuito alto
Necessidade de águaMédio
Facilidade de cultivoAlto
Adequação a vasosBaixo
ProdutividadeAlto
Resistência a pragasAlto

O que é a pitomba-da-baía e como reconhecê-la na hora

A pitomba-da-baía é a Talisia esculenta, árvore frutífera nativa do Brasil da família Sapindaceae, a mesma da lichia, do rambutã e do guaraná. É conhecida também como pitombeira e ocorre espontaneamente da Amazônia ao litoral nordestino, sendo muito comum em quintais da Bahia, Pernambuco e Pará.

É uma árvore de 6 a 12 metros, de tronco reto com casca acinzentada e copa densa, arredondada e perene. As folhas são compostas, com 5 a 9 folíolos brilhantes, coriáceos e alongados, que a tornam ornamental mesmo fora da frutificação.

O fruto é o melhor identificador. É redondo, com 2 a 3 cm de diâmetro e 10 a 20 gramas, casca fina, seca e quebradiça, de cor marrom-clara a bege-amarelada quando maduro. Dentro há 1 a 2 sementes grandes envoltas por polpa branca translúcida, suculenta e agridoce, que lembra lichia com toque de limão. As flores são pequenas, brancas e perfumadas, reunidas em panículas terminais.

  • Não confunda: pitanga é vermelha e com gomos; pitomba-da-baía é marrom, opaca e sem gomos.
  • Teste da casca: na pitomba madura a casca estala ao pressionar com os dedos e se solta fácil da polpa.
  • Cheiro: fruto maduro tem aroma suave, levemente fermentado, que atrai abelhas e pássaros.

Onde ela vive e qual clima prefere

Na natureza, a espécie aparece em matas de galeria, capoeiras e quintais agroflorestais do Norte e Nordeste, com maior concentração na Bahia, Pernambuco, Alagoas, Ceará e Pará. Foi levada para outras regiões tropicais, mas ainda é essencialmente brasileira.

Prefere clima tropical quente e úmido, com temperaturas entre 22 °C e 32 °C e chuvas bem distribuídas. Tolera o semiárido se houver irrigação nos primeiros anos, mas sofre com geada e frio prolongado abaixo de 10 °C.

É heliófila: precisa de sol pleno, pelo menos 6 horas por dia. Em sombra, cresce estiolada, com copa rala e quase não frutifica. Ventos fortes não derrubam a árvore adulta, mas podem quebrar ramos carregados de frutos.

Quando e como a pitomba-da-baía frutifica

A floração ocorre na primavera, de outubro a dezembro, com pequenas flores brancas muito visitadas por abelhas nativas. A frutificação vem logo depois, no verão e início do outono, de janeiro a abril, com pico em fevereiro e março.

Uma árvore adulta e bem conduzida produz de 30 a 80 kg por safra, com cachos de 10 a 30 frutos nas pontas dos ramos. A produção é anual e bastante regular, sem alternância forte como em outras frutíferas.

O fruto amadurece rápido e não se conserva bem após colhido. A casca escurece em 1 a 2 dias e a polpa fermenta, por isso a colheita deve ser feita quando a casca está marrom-clara e levemente macia, e o consumo ou processamento precisa ser imediato. Sementes são recalcitrantes: perdem a viabilidade em 7 a 10 dias se secarem.

Como plantar pitomba-da-baía do zero

O método mais usado é por semente fresca. Retire a polpa, lave e plante em até 48 horas, sem deixar secar. Use saquinhos de 15 x 25 cm com substrato de terra vegetal + areia + esterco curtido (2:1:1).

Enterre a semente a 2 cm de profundidade, mantenha à meia-sombra e úmido. A germinação leva 20 a 40 dias. Quando a muda tiver 30 a 40 cm, leve a sol pleno gradualmente. O plantio definitivo deve ser no início das chuvas, de outubro a dezembro.

Passo a passo no local definitivo

  • Abra berço de 60 x 60 x 60 cm, misture 10 L de esterco curtido, 200 g de calcário e 150 g de superfosfato simples.
  • Plante com o colo no nível do solo, sem enterrar o caule. Tutorar nos primeiros meses ajuda.
  • Mantenha espaçamento de 7 x 7 m a 8 x 8 m entre árvores. Para pomar doméstico, 7 metros já evitam competição de copa.
  • Regue 3 vezes por semana no primeiro ano se não chover. Depois, só em estiagens longas.

A enxertia por garfagem é possível e antecipa a produção para 3 a 4 anos, além de garantir frutos mais uniformes. É a escolha de quem quer precocidade, mas exige muda de viveiro especializado.

Luz, solo e rega ideais para produzir bem

Luz: sol pleno o dia todo. É o fator número um para frutificar. Quintal com prédio ou muro que sombreia metade do dia reduz drasticamente a safra.

Solo: prefere solo profundo, fértil e bem drenado, com pH entre 5,5 e 6,5. Tolera solos arenosos e argilosos desde que não encharquem. Em solo compactado ou com lençol freático alto, a raiz pivotante apodrece.

Rega: moderada. Nos dois primeiros anos, 2 a 3 regas semanais de 15 a 20 litros. Árvore adulta só precisa de reforço na floração e no enchimento dos frutos, de novembro a março. Excesso de água na maturação racha frutos e dilui o sabor.

Na nossa avaliação, o erro mais comum é plantar pitomba-da-baía em solo raso ou encharcado achando que por ser nativa ela aguenta tudo. Ela é rústica, mas não tolera pé molhado.

Poda, adubação e condução da copa

A pitomba-da-baía frutifica nas pontas dos ramos, então podas drásticas tiram a safra do ano seguinte. A condução é leve e estratégica.

  • Poda de formação: nos primeiros 2 anos, deixe 3 a 4 ramos principais bem distribuídos, eliminando brotos ladrões na base.
  • Poda de limpeza: todo ano, após a colheita (abril/maio), retire ramos secos, cruzados e doentes. Não corte mais de 20% da copa.
  • Altura: se quiser colher sem escada, faça desponte a 3,5 m quando a árvore atingir 4 m.

Adubação: em pomar doméstico, aplique anualmente no início das chuvas: 8 a 12 L de esterco curtido + 100 g de NPK 10-10-10 por metro de copa, espalhando sob a projeção da copa. Em solos pobres, adicione 50 g de calcário dolomítico a cada 2 anos. Cobertura morta com folhas mantém umidade e alimenta o solo.

Cultivo em vaso e em quintal pequeno: vale a pena?

Essa é a maior limitação da espécie. Por ser árvore de grande tamanho e raiz pivotante profunda, a pitomba-da-baía não é adequada para apartamento ou vaso pequeno.

Em vaso, só funciona como projeto experimental e temporário: use recipiente de pelo menos 200 a 300 litros, com substrato muito bem drenado, sol pleno e adubação trimestral. Mesmo assim, a planta raramente passa de 2,5 m e a produção é pequena e irregular.

Para quintal pequeno, a alternativa é plantar uma única árvore em canto com sol, conduzindo a copa baixa e podando levemente todo ano. Se o espaço for menor que 5 x 5 m livres, prefira frutíferas de tamanho menor, como acerola ou pitanga.

Pragas, doenças e problemas mais comuns

É considerada resistente, mas não imune. Os problemas mais frequentes são:

  • Mosca-das-frutas (Anastrepha spp.): principal praga. Fura a casca e deixa larva na polpa. Controle com ensacamento de cachos, coleta de frutos caídos e armadilhas com suco.
  • Cochonilhas e pulgões: atacam brotos novos na primavera. Remoção manual ou jato d’água forte resolve em infestações leves.
  • Antracnose: manchas escuras em folhas e frutos em anos muito úmidos. Melhore ventilação com poda e evite molhar a copa.
  • Queda de frutos verdes: quase sempre falta d’água na floração ou deficiência de potássio e boro.

Evite veneno em pomar doméstico. A colheita é rápida e o fruto é consumido com casca próxima à polpa, então o manejo cultural é mais seguro e eficaz.

Usos, sabor e o que torna a pitomba-da-baía especial

O sabor é agridoce, suculento e levemente ácido, com textura que lembra lichia. Come-se in natura, chupando a polpa ao redor da semente, ou em sucos, geleias, licores e sorvetes. Na Bahia, o licor de pitomba é tradicional em festas juninas.

Nutricionalmente, a polpa é rica em água, vitamina C e fibras, com baixo teor de gordura. A casca e a semente não são consumidas. A madeira, de densidade média, já foi usada para caibros e lenha, e hoje a árvore é valorizada para arborização urbana e recuperação de áreas degradadas, por crescer rápido e atrair fauna.

Um detalhe que a distingue: ao contrário de muitas Sapindaceae exóticas, a pitomba-da-baía é 100% brasileira e pouco exigente em frio, o que a torna uma das poucas opções de fruta tipo lichia que frutifica bem no Nordeste quente sem manejo complexo. Para quem busca frutífera nativa, produtiva e de sombra generosa, ela entrega os três papéis ao mesmo tempo.

Perguntas frequentes

Pitomba-da-baía e pitomba são a mesma coisa?

Sim. Pitomba-da-baía é o nome mais usado no Nordeste para a Talisia esculenta, chamada apenas de pitomba ou pitombeira em outras regiões.

Quanto tempo demora para dar frutos?

De 4 a 6 anos quando plantada por semente fresca e de 3 a 4 anos quando plantada por muda enxertada bem conduzida.

Pode plantar pitomba-da-baía em vaso?

Não é recomendado. É árvore grande de 6 a 12 m e só sobrevive temporariamente em vasos acima de 200 litros, com produção muito baixa.

Qual o melhor mês para plantar?

No início da estação chuvosa, entre outubro e dezembro, para que a muda se estabeleça com água natural.

Como saber se a pitomba está madura?

A casca fica marrom-clara a bege-amarelada, levemente macia e quebradiça, e o fruto se solta fácil do cacho.

Precisa de duas árvores para frutificar?

Não. A espécie é autocompatível e uma única árvore já produz, mas ter duas aumenta a polinização por abelhas e a produtividade.

A pitomba-da-baía aguenta seca?

Aguenta estiagem curta quando adulta, mas precisa de irrigação nos dois primeiros anos e na floração para não abortar frutos.

Você sabia?

1

Parente da lichia

Pertence à família Sapindaceae, a mesma da lichia, do rambutã e do guaraná, por isso a polpa translúcida e aderida à semente lembra tanto a lichia.

2

Semente que não pode secar

As sementes são recalcitrantes e perdem a viabilidade em apenas 7 a 10 dias se desidratadas, por isso precisam ser plantadas quase imediatamente após retirar a polpa.

3

Licor tradicional da Bahia

No interior da Bahia o fruto é base de um licor artesanal muito apreciado nas festas juninas, feito com cachaça, açúcar e a polpa macerada.

4

Árvore que alimenta a fauna

Quando frutifica, a copa atrai abelhas nativas, morcegos e aves como sabiás e sanhaços, sendo usada em projetos de restauração para atrair dispersores de sementes.

Fontes

  1. Embrapa
  2. Flora e Funga do Brasil - Jardim Botânico do Rio de Janeiro
  3. Instituto Plantarum

Prós e contras: Pitomba-da-baía

Prós

  • Frutífera 100% nativa, rústica e bem adaptada ao calor tropical
  • Polpa agridoce e suculenta, ótima in natura e para sucos e licores
  • Copa densa que oferece sombra e atrai abelhas e pássaros
  • Produção anual regular de 30 a 80 kg por árvore adulta
  • Baixa exigência de poda e defensivos quando plantada a pleno sol

Contras

  • Árvore grande (6 a 12 m), inadequada para vasos e espaços pequenos
  • Demora 4 a 6 anos para frutificar por semente
  • Fruto muito perecível, precisa ser consumido em 1 a 2 dias
  • Semente recalcitrante que perde viabilidade em poucos dias
  • Suscetível a mosca-das-frutas se não houver manejo dos frutos caídos
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a pitomba-da-baía é uma das frutíferas nativas mais subestimadas do Nordeste: rústica, produtiva e com fruta de sabor único, mas ignorada por viveiros comerciais. Vale o plantio para quem tem espaço e paciência, pois entrega sombra, fruta e valor ecológico sem exigir manejo intensivo.

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Última revisão em 20.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.