🍊 Frutíferas

Pessegueiro-do-mato

Eugenia myrcianthes

Atualizado em

4 a 8 m de alturaTamanho
Sol plenoLuminosidade
ModeradaRega
3 a 5 anosPrimeiros frutos
Baixa a médiaDificuldade
Árvore de pessegueiro-do-mato carregada de frutos amarelos

O pessegueiro-do-mato (Eugenia myrcianthes, sin. Hexachlamys edulis) é uma árvore frutífera nativa da Mata Atlântica e do Pampa, muito confundida com o pessegueiro comum, mas sem nenhum parentesco. Pertence à família Myrtaceae, a mesma da pitanga e da goiaba, e se destaca pelos frutos amarelo-alaranjados de polpa suculenta e sabor que lembra pêssego com toque ácido.

De porte médio, entre 4 e 8 metros, tem copa arredondada, tronco tortuoso com casca que descama em placas e floração branca abundante na primavera. É uma espécie rústica, pouco exigente e excelente para pomar doméstico, arborização e recuperação de áreas, atraindo abelhas e aves. Ainda é rara em viveiros comerciais, mas vem ganhando espaço entre colecionadores de frutas nativas.

Também conhecido como: pêssego-do-mato, ivaí, ibajaí, ubajaí, ubajay (espanhol), guayabo-amarelo

Faz parte de: Frutíferas do Brasil, Lista de Frutíferas

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Galeria de fotos de Pessegueiro-do-mato

Árvore de pessegueiro-do-mato carregada de frutos amarelos
Árvore de pessegueiro-do-mato em frutificação no verão.
Frutos maduros de pessegueiro-do-mato no galho
Frutos maduros de pessegueiro-do-mato, amarelos e perfumados.
Fruto de pessegueiro-do-mato cortado mostrando polpa e semente
Polpa amarela e semente grande do pessegueiro-do-mato.
Flores brancas do pessegueiro-do-mato
Floração branca e melífera entre agosto e outubro.
Tronco do pessegueiro-do-mato com casca descamante
Casca que se solta em placas, típica da espécie.
Cesto com colheita de pessegueiro-do-mato
Colheita deve ser consumida ou processada no mesmo dia.
Ideal para

Ideal para quem tem quintal ou chácara no Sul e Sudeste e quer uma frutífera nativa diferente, rústica e que atrai pássaros e abelhas. Vai bem em pomar agroecológico, recuperação de mata ciliar e para quem gosta de geleias e sabores agridoces pouco comuns. Também é boa escolha para colecionadores de Myrtaceae e para quem busca árvore de sombra média com frutos no verão, sem exigir cuidados intensivos depois de estabelecida.

Pode não ser ideal para

Pode não ser ideal para quem mora em apartamento ou tem apenas varanda, pois a árvore precisa de sol pleno e espaço para 5 metros de copa. Não é indicada para quem busca fruta grande, doce e de longa prateleira como o pêssego comercial. Também não serve para quem tem pouco tempo na safra, já que os frutos amadurecem todos de uma vez, caem e estragam em 1 a 2 dias se não forem colhidos diariamente.

Cultivo rápido

Luz
Sol pleno, mínimo 6 horas diárias; meia-sombra só para mudas jovens
Rega
Moderada; 2x/semana nos 2 primeiros anos, depois apenas em estiagem e na frutificação
Solo
Fértil, profundo, bem drenado, rico em matéria orgânica; pH 5,5 a 6,5
Temperatura
Ideal 18 a 26 °C; tolera geada leve até -3 °C; sensível a geada forte e seca prolongada
Adubação
3x ao ano com composto orgânico + NPK 04-14-08 ou 10-10-10 conforme análise
Poda
Formação nos 2 primeiros anos e limpeza leve após colheita (jan-fev)
Propagação
Sementes frescas (principal); enxertia possível mas pouco usada

Perfil rápido de Pessegueiro-do-mato

Calendário

PlantioJFMAMJJASOND
FloraçãoJFMAMJJASOND
ColheitaJFMAMJJASOND

Encontrado em 5 países

  • Brasil
  • Argentina
  • Paraguai
  • Uruguai
  • Bolívia

Classificação científica

Reino
Plantae
Filo
Tracheophyta
Classe
Magnoliopsida
Ordem
Myrtales
Família
Myrtaceae
Gênero
Eugenia
Espécie
Eugenia myrcianthes Nied.

Resumo

  • O pessegueiro-do-mato (Eugenia myrcianthes) é uma Myrtaceae nativa do Sul e Sudeste do Brasil com frutos amarelos de sabor agridoce que lembram pêssego.
  • É árvore de 4 a 8 metros, de sol pleno e clima subtropical, que começa a frutificar entre 3 e 5 anos após o plantio por sementes.
  • Seus frutos amadurecem entre novembro e janeiro, devem ser colhidos maduros e consumidos rápido, sendo ideais para consumo in natura, sucos e geleias.

Características

Ficha da frutífera

Nome popularPessegueiro-do-mato, pêssego-do-mato, ivaí, ibajaí, ubajaí
Nome científicoEugenia myrcianthes Nied. (sin. Hexachlamys edulis)
Família botânicaMyrtaceae
OrigemAmérica do Sul – Mata Atlântica e Pampa (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai)
Tamanho4 a 8 m de altura; copa de 3 a 5 m de diâmetro
Tempo até frutificar3 a 5 anos (por semente); 2 a 3 anos (por muda enxertada)
Época de frutificaçãoNovembro a janeiro (verão)
LuminosidadeSol pleno (mínimo 6 horas/dia)
RegaModerada; 1 a 2 vezes por semana após pegamento
SoloFértil, profundo, bem drenado, pH 5,5 a 6,5
ClimaSubtropical e temperado; tolera geadas leves até -3 °C
PropagaçãoSementes (principal) e enxertia
Cultivo em vasoPouco indicado; só em vasos acima de 200 litros
Espaçamento5 x 5 m a 6 x 6 m entre plantas

Perfil e comportamento

Necessidade de solMuito alto
Necessidade de águaMédio
Facilidade de cultivoAlto
Adequação a vasosBaixo
ProdutividadeMédio
Resistência a pragasAlto

O que é o pessegueiro-do-mato e como reconhecê-lo

O pessegueiro-do-mato não é um pessegueiro de verdade. O pêssego comum é Prunus persica, da família Rosaceae. Já o do mato é Eugenia myrcianthes, uma Myrtaceae nativa, parente da pitanga, da jabuticaba e da uvaia.

A confusão vem do fruto. Ele é globoso, de 2 a 4 cm, amarelo a alaranjado quando maduro, com polpa amarelo-clara, suculenta e perfumada. O sabor é doce-ácido, lembrando pêssego levemente cítrico, com uma semente grande no centro. Por isso os nomes ivaí e ubajaí, de origem guarani.

A árvore tem tronco tortuoso e casca que se solta em placas finas, acinzentada a castanho-clara, muito parecida com a da goiabeira. Essa é a melhor pista para identificá-la sem fruto.

As folhas são opostas, elípticas, brilhantes e coriáceas, com 4 a 9 cm, verde-escuras em cima e mais claras embaixo. Quando amassadas, exalam leve aroma de Myrtaceae. As flores são brancas, com muitos estames, solitárias ou em pequenos grupos, e surgem antes ou junto com as folhas novas.

Onde ocorre naturalmente e por que é tão raro na cidade

Ocorre naturalmente na Mata Atlântica estacional, matas ciliares e no Pampa, do Rio Grande do Sul e Santa Catarina até Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais. Fora do Brasil, aparece na Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia.

Na natureza prefere beira de rios, capões e encostas úmidas, mas tolera solos mais secos depois de estabelecida. É espécie heliófila quando adulta e tolera geadas leves, o que explica sua boa adaptação ao Sul e Sudeste.

É raro em pomares comerciais por três motivos: fruto muito perecível, que amolece em 1 a 2 dias após a colheita; semente recalcitrante, que não pode ser armazenada por muito tempo; e desconhecimento. Viveiros de nativas e colecionadores são hoje a principal fonte de mudas.

Na nossa avaliação, é justamente essa raridade que a torna valiosa. É uma frutífera para quem busca sabor diferente e biodiversidade no quintal, não para produção em larga escala.

Quando e como frutifica: o que esperar da colheita

A floração acontece entre agosto e outubro, com pico em setembro. As flores são melíferas e atraem abelhas nativas e Apis.

Os frutos amadurecem de novembro a janeiro, de forma bastante concentrada. Uma árvore adulta bem conduzida produz 15 a 30 kg por safra, mas há grande variação entre indivíduos.

O ponto de colheita é quando a casca está totalmente amarela a alaranjada e levemente macia ao toque. Frutos verdes são muito ácidos e adstringentes. Caem facilmente quando maduros e fermentam rápido no chão.

Não espere frutos do tamanho de pêssegos de mercado. São menores, com muita polpa em relação à semente, mas rendimento menor. O ideal é colher diariamente e consumir ou processar no mesmo dia.

Como plantar pessegueiro-do-mato do zero

A propagação é quase sempre por sementes. Elas devem ser semeadas logo após retirar da polpa, pois perdem viabilidade em poucas semanas. Lave bem e semeie a 1 a 2 cm de profundidade.

Use substrato leve com areia, terra vegetal e composto orgânico em partes iguais. Mantenha úmido e à meia-sombra. A germinação ocorre em 20 a 45 dias e a taxa costuma ser alta, acima de 70% com sementes frescas.

Transplante para saquinho quando a muda tiver 8 a 10 cm. Leve ao local definitivo quando atingir 40 a 60 cm, geralmente com 10 a 12 meses. Escolha local com sol pleno e espaço para copa de 5 metros.

Coveie com 50 x 50 x 50 cm, misture 10 a 15 litros de composto curtido e 200 g de calcário se o solo for ácido. Plante no início da estação chuvosa, de setembro a dezembro no Sudeste e Sul. Enxertia sobre pitangueira ou sobre a própria espécie é possível, mas pouco usada.

Luz, rega, solo e clima ideais no Brasil

Luz é inegociável. Precisa de sol pleno para frutificar bem. Sombreamento reduz floração e deixa frutos insossos. Tolera meia-sombra apenas na fase de muda.

Rega: nos dois primeiros anos, irrigue 2 vezes por semana se não chover. Depois de estabelecida, é moderadamente tolerante à seca, mas a falta de água na floração e no enchimento dos frutos derruba a produção. Evite encharcar.

Solo: prefere solos profundos, férteis e bem drenados, com boa matéria orgânica. Não tolera solo compactado ou alagado. pH ideal entre 5,5 e 6,5. Cobertura morta com palha ajuda a manter umidade e proteger raízes superficiais.

Clima: vai melhor em subtropical e temperado úmido (Cfa e Cfb). Tolera geadas leves e curtas até -3 °C quando adulta, mas geadas fortes queimam brotações novas. Em regiões quentes e secas do interior, precisa de irrigação e sofre mais com sol muito intenso.

Poda, adubação e condução da árvore

Conduza com tronco único e copa aberta em taça. Nos dois primeiros anos, faça poda de formação eliminando brotos laterais baixos e galhos cruzados. Depois, poda leve anual.

A poda de limpeza deve ser feita logo após a colheita, entre janeiro e fevereiro. Remova galhos secos, doentes e mal posicionados. Não faça poda drástica no inverno, pois remove gemas florais.

Adube três vezes ao ano: início da primavera, após a frutificação e no outono. Use composto orgânico (8 a 12 litros por planta) + NPK 10-10-10 ou 04-14-08 conforme análise de solo. Em solos pobres, adicione farinha de ossos e cinzas com moderação.

Mantenha coroamento de 60 cm sem mato nos primeiros anos. Depois, a copa fecha e abafa o capim. Mulching reduz capina e melhora a frutificação.

Pragas, doenças e cuidados preventivos

É considerada rústica e pouco atacada comparada a frutíferas exóticas. Os problemas mais comuns são mosca-das-frutas (Anastrepha spp.), que bicha frutos maduros, e ferrugem e mancha foliar em anos muito úmidos.

Para mosca-das-frutas, colha frutos maduros todos os dias, não deixe frutos caídos no chão e use armadilhas com suco ou vinagre se a infestação for alta. Ensacar frutos é inviável pelo tamanho da copa, mas funciona em árvores pequenas.

Evite excesso de nitrogênio e de irrigação por aspersão, que favorecem fungos. Boa aeração da copa e sol pleno são a melhor prevenção. Se houver cochonilhas ou pulgões em brotações, jato de água e óleo de neem costumam resolver.

Em pomar doméstico, raramente precisa de defensivos químicos. A diversidade de plantas ao redor ajuda a equilibrar predadores naturais.

Uso dos frutos, da madeira e valor para a fauna

O fruto é consumido in natura, bem maduro, ou em sucos, geleias, licores e sorvetes. A polpa é aromática e levemente ácida, por isso geleias pedem pouco limão. Congele a polpa peneirada para usar fora da safra.

Precisa ser consumido rápido. Depois de colhido, dura no máximo 2 dias na geladeira. Fermenta com facilidade, o que atrai abelhas e borboletas, mas também azeda o sabor se passar do ponto.

A madeira é densa, dura e de boa durabilidade, usada localmente para lenha, cabos de ferramentas e mourões. Não é madeira de lei comercial, mas tem valor para uso rural.

Para fauna, é excelente: flores para abelhas nativas e frutos para aves como sabiás, sanhaços e periquitos. Por isso é muito usada em projetos de restauração e em pomares agroecológicos que querem atrair polinizadores.

Erros comuns e como evitar frustração

O erro número um é esperar pêssego grande e doce. Não é. É uma fruta nativa pequena, ácida e perfumada. Quem planta esperando pêssego de supermercado se decepciona.

Outro erro é guardar sementes secas por meses. Semente de pessegueiro-do-mato é recalcitrante e morre se secar demais. Semeie em até 15 dias após a colheita.

Plantar em vaso pequeno também frustra. A espécie tem raiz pivotante profunda e cresce rápido. Em vaso comum não frutifica bem e exige rega diária. Só vale em vaso gigante e com poda constante.

Por fim, não deixe frutos fermentando sob a copa. Além do cheiro, aumenta mosca-das-frutas na safra seguinte. Colha, limpe o chão e composte o que não for usar.

Perguntas frequentes

Pessegueiro-do-mato é o mesmo que pêssego comum?

Não. O pêssego comum é Prunus persica (Rosaceae). O pessegueiro-do-mato é Eugenia myrcianthes (Myrtaceae) e só lembra o pêssego no aroma e na cor da polpa.

Quanto tempo demora para dar frutos?

De semente, de 3 a 5 anos em boas condições de sol e solo. Mudas bem formadas e adubadas podem frutificar a partir do terceiro ano.

Pode plantar em vaso?

Não é recomendado. A árvore tem raiz profunda e copa de até 5 m. Só é viável em vaso muito grande, acima de 200 litros, com poda frequente e produção reduzida.

O fruto pode ser comido in natura?

Sim, quando bem maduro e amarelo-alaranjado. A polpa é agridoce e perfumada. Frutos verdes são ácidos e adstringentes.

Precisa de outra árvore para polinizar?

Não. As flores são hermafroditas e polinizadas por abelhas. Uma única árvore já frutifica, mas duas aumentam a produção.

Como guardar sementes para plantar depois?

O ideal é não guardar. Semeie em até 15 dias após colher, pois a semente é recalcitrante e perde viabilidade se secar.

Quando plantar no Sudeste e Sul?

Plante mudas no início da estação chuvosa, de setembro a dezembro, para garantir bom enraizamento antes do inverno.

Você sabia?

1

Não é pessegueiro

Apesar do nome, não tem parentesco com o pêssego. O nome vem só da semelhança da polpa amarela e do perfume, mas botanicamente é uma Myrtaceae, parente da goiaba.

2

Casca que descama

O tronco solta placas finas como papel, igual ao da goiabeira e da jabuticabeira. Essa característica ajuda a identificar a árvore mesmo sem folhas ou frutos.

3

Semente que não espera

A semente é recalcitrante: se secar ou for guardada na geladeira por mais de 30 dias, perde a viabilidade. Por isso viveiristas semeiam imediatamente após despolpar.

4

Fruto que fermenta no pé

Quando muito maduro, o fruto começa a fermentar ainda na árvore e exala cheiro alcoólico que atrai borboletas, abelhas e aves, mas torna a polpa imprópria para consumo em poucas horas.

Fontes

  1. Embrapa Florestas
  2. Flora e Funga do Brasil - Jardim Botânico do Rio de Janeiro
  3. Instituto Brasileiro de Florestas - IBF

Prós e contras: Pessegueiro-do-mato

Prós

  • Frutífera nativa rústica e pouco exigente após estabelecida
  • Tolera geadas leves e bem adaptada ao Sul e Sudeste
  • Frutos aromáticos ótimos para sucos, geleias e licores
  • Atrai abelhas nativas e aves, ótima para pomar biodiverso
  • Baixa incidência de pragas comparada a frutíferas exóticas

Contras

  • Fruto pequeno e muito perecível, dura 1 a 2 dias após colhido
  • Semente recalcitrante que não pode ser armazenada
  • Porte médio exige quintal com sol pleno e espaço
  • Produção concentrada e variável entre plantas
  • Mudas difíceis de encontrar em viveiros comuns
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o pessegueiro-do-mato é uma das Myrtaceae nativas mais subestimadas para pomar doméstico no Sul do Brasil: rústica, bonita e produtiva sem veneno. Não vai substituir o pêssego comercial, mas entrega uma fruta singular e um grande serviço ecológico que nenhuma frutífera exótica oferece.

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Última revisão em 17.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.