🍊 Frutíferas

Ingá-açu

Inga cinnamomea

Atualizado em

15 a 25 m de alturaTamanho
Sol plenoLuminosidade
Moderada a altaRega
3 a 5 anosPrimeiros frutos
MédiaDificuldade
Vagens de ingá-açu inteiras e abertas mostrando polpa branca e sementes

O ingá-açu (Inga cinnamomea) é uma árvore frutífera nativa da Amazônia, conhecida pelas vagens cilíndricas e aveludadas que podem ultrapassar 30 cm de comprimento. A polpa branca que envolve as sementes é doce, suculenta e muito apreciada in natura, com sabor que lembra baunilha suave.

De grande porte, com 15 a 25 metros de altura na natureza, é uma leguminosa fixadora de nitrogênio amplamente usada em sistemas agroflorestais para sombreamento e recuperação de áreas. Não é uma frutífera de quintal pequeno, mas é excelente para sítios, chácaras e projetos de reflorestamento produtivo em clima quente e úmido.

Também conhecido como: Ingá-da-mata, Ingá-cipó-açu, Ingá-peludo, Cinnamon Inga (inglês)

Faz parte de: Frutíferas do Brasil, Lista de Frutíferas

Explore a wiki

Galeria de fotos de Ingá-açu

Vagens de ingá-açu inteiras e abertas mostrando polpa branca e sementes
Vagens cilíndricas e aveludadas do ingá-açu com polpa branca doce.
Árvore de ingá-açu com copa ampla e vagens pendentes na Amazônia
Árvore de grande porte em sistema agroflorestal amazônico.
Folhas compostas do ingá-açu com folíolos brilhantes
Folhas compostas com folíolos grandes e nectários na raque.
Flores brancas em forma de pompom do ingá-açu
Flores brancas em espiga que atraem abelhas e morcegos.
Cesto com colheita de vagens de ingá-açu recém-colhidas
Colheita de ingá-açu entre novembro e março.
Detalhe da textura aveludada cor de canela da vagem de ingá-açu
Pelugem cor de canela que dá nome à espécie cinnamomea.
Ideal para

O ingá-açu é ideal para quem tem sítio, chácara ou área rural na região Norte e quer uma árvore produtiva e funcional. Ele produz frutos doces, fixa nitrogênio e serve como sombra nobre para cacau, açaí e outras frutíferas em sistemas agroflorestais. Também é excelente para projetos de restauração e para quem busca atrair fauna, já que alimenta pássaros e mamíferos e melhora o solo com o tempo.

Pode não ser ideal para

Não é indicado para apartamentos, vasos ou quintais urbanos pequenos, pois atinge grande altura e precisa de sol pleno e espaço. Quem busca frutificação rápida em poucos meses ou tem pouco tempo para manejar árvore de grande porte também deve escolher outra espécie. Além disso, não é adequado para regiões frias, com geada ou seca prolongada, onde o crescimento trava e a frutificação falha.

Cultivo rápido

Luz
Sol pleno o dia todo; não tolera sombreamento na fase produtiva
Rega
Regular nos 2 primeiros anos; depois apenas em veranicos prolongados
Solo
Profundo, fértil, bem drenado, rico em matéria orgânica, pH 4,5 a 6,5
Temperatura
Quente e úmida, ideal entre 24 °C e 30 °C; sensível a geada
Adubação
Matéria orgânica + fósforo e potássio no início das chuvas; pouco nitrogênio mineral
Poda
Formação até 2 m e limpeza pós-colheita; evitar podas drásticas
Propagação
Por sementes frescas, semear a 1-2 cm de profundidade; germinação em 8 a 20 dias

Perfil rápido de Ingá-açu

Calendário

PlantioJFMAMJJASOND
FloraçãoJFMAMJJASOND
ColheitaJFMAMJJASOND

Encontrado em 7 países

  • Brasil
  • Peru
  • Colômbia
  • Venezuela
  • Guiana
  • Suriname
  • Equador

Classificação científica

Reino
Plantae
Filo
Tracheophyta
Classe
Magnoliopsida
Ordem
Fabales
Família
Fabaceae
Gênero
Inga
Espécie
Inga cinnamomea

Resumo

  • O ingá-açu é uma árvore amazônica de grande porte da família Fabaceae, com vagens cilíndricas aveludadas de até 30 cm e polpa branca doce que envolve as sementes.
  • Frutifica entre novembro e março e começa a produzir de 3 a 5 anos após o plantio por semente, exigindo sol pleno, calor, alta umidade e solo fértil e profundo.
  • É ideal para sítios e sistemas agroflorestais por fixar nitrogênio e fazer sombra, mas não se adapta a vasos ou quintais pequenos e tem sementes recalcitrantes de curta viabilidade.

Características

Ficha da frutífera

Nome popularIngá-açu
Nome científicoInga cinnamomea Spruce ex Benth.
Família botânicaFabaceae (Leguminosae - Mimosoideae)
OrigemAmazônia brasileira e norte da América do Sul
Tamanho15 a 25 m de altura (até 30 m na mata)
Tempo até frutificar3 a 5 anos por semente
Época de frutificaçãoNovembro a março (pico no verão)
LuminosidadeSol pleno
RegaRegular, solo úmido sem encharcar
SoloFértil, profundo, úmido e bem drenado, rico em matéria orgânica
ClimaEquatorial e tropical úmido, quente (acima de 22 °C)
PropagaçãoSementes (recalcitrantes)
Cultivo em vasoNão recomendado
Espaçamento8 x 8 m a 10 x 10 m

Perfil e comportamento

Necessidade de solMuito alto
Necessidade de águaAlto
Facilidade de cultivoMédio
Adequação a vasosMuito baixo
ProdutividadeAlto
Resistência a pragasAlto

O que é o ingá-açu e como reconhecê-lo

O ingá-açu é uma árvore amazônica de grande porte do gênero Inga, o mesmo dos ingás de metro e ingás-cipó, mas facilmente distinguível pelo tamanho e pela textura do fruto.

O nome científico cinnamomea não é por acaso: significa cor de canela e se refere aos pelos ferrugíneos e aveludados que cobrem toda a vagem madura. É o detalhe mais seguro para identificar a espécie no campo.

A árvore tem copa ampla e tronco reto, com casca acinzentada. As folhas são compostas, com 4 a 5 pares de folíolos grandes, elípticos e brilhantes, e apresentam nectários extraflorais na raque, que atraem formigas.

As flores são brancas, em forma de pompom, reunidas em espigas. Já o fruto é uma vagem cilíndrica, lenhosa e indeiscente, com 20 a 35 cm de comprimento e 3 a 5 cm de diâmetro, bem mais grossa e pilosa que a do ingá comum.

Onde o ingá-açu ocorre e por que importa tanto

É nativo da Amazônia brasileira, peruana, colombiana e das Guianas, ocorrendo em mata de terra firme, várzea alta e capoeiras antigas. No Brasil, é mais frequente no Amazonas, Pará, Acre, Rondônia e Roraima.

Como toda leguminosa do gênero Inga, fixa nitrogênio no solo por meio de bactérias em suas raízes. Por isso é uma das árvores mais usadas em sistemas agroflorestais (SAFs), para sombrear cacau, café e cupuaçu e para recuperar áreas degradadas.

A polpa branca e esponjosa que envolve as sementes é comestível e muito consumida por populações ribeirinhas, além de ser importante para a fauna: macacos, araras, tucanos e morcegos se alimentam dela e dispersam as sementes.

Como plantar ingá-açu do jeito certo

O ingá-açu se propaga quase exclusivamente por sementes, e aqui está o ponto crítico: elas são recalcitrantes, ou seja, não podem ser secas nem armazenadas. Perdem a viabilidade em 7 a 15 dias após retiradas da vagem.

Plante assim que colher. Retire as sementes com a polpa, lave levemente e semeie a 1 a 2 cm de profundidade em saquinhos com substrato rico em matéria orgânica. A germinação ocorre em 8 a 20 dias e a taxa costuma ser alta quando a semente é fresca.

Leve a muda para o local definitivo quando atingir 30 a 50 cm, preferencialmente no início da estação chuvosa (outubro a janeiro na maior parte do Brasil). Escolha local com sol pleno e espaço: são necessários pelo menos 8 metros de distância de outras árvores grandes, muros ou fiações.

Faça cova de 50 x 50 x 50 cm, misturando terra, composto orgânico e um pouco de areia se o solo for muito argiloso. O ingá-açu não tolera solo compactado ou encharcado por muitos dias.

Luz, rega e solo ideais para produzir bem

Esta é uma espécie heliófila e equatorial. Precisa de sol pleno o dia todo e calor constante, com temperaturas médias acima de 22 °C. Frio e geada queimam folhas jovens e podem matar a planta.

A necessidade de água é alta na fase jovem. Mantenha o solo sempre úmido nos dois primeiros anos, regando 2 a 3 vezes por semana se não chover. Depois de estabelecida, a árvore tolera veranicos curtos, mas produz melhor com chuvas bem distribuídas de 1.800 a 3.000 mm anuais.

O solo ideal é profundo, fértil, bem drenado e com pH entre 4,5 e 6,5. Solos amazônicos de terra firme, mesmo ácidos, funcionam bem se houver matéria orgânica. Cobertura morta com folhas ajuda a manter a umidade e alimenta a microbiota fixadora de nitrogênio.

Quando e como o ingá-açu dá frutos

A floração ocorre geralmente entre agosto e outubro, com flores brancas perfumadas que atraem abelhas nativas e morcegos. A frutificação vem em seguida, com colheita concentrada de novembro a março.

Em cultivo, a primeira produção significativa surge entre 3 e 5 anos após o plantio por semente. Árvores isoladas e bem iluminadas produzem mais que as sombreadas no interior da mata.

Cada árvore adulta pode produzir dezenas a centenas de vagens por safra, dependendo da idade e do vigor. O ponto de colheita é quando a vagem está bem inchada, com pelos acanelados e levemente flexível ao apertar. Se deixada demais, a vagem cai e as sementes germinam dentro dela.

A polpa deve ser consumida em 1 a 2 dias após a abertura, pois fermenta rápido. O sabor é doce e delicado, com notas de baunilha, e a textura é algodoada, diferente da polpa mais aquosa de outros ingás.

Poda, adubação e manejo ao longo do ano

O ingá-açu cresce rápido nos primeiros anos e forma fuste alto se não for manejado. Para uso em SAF, faz-se poda de formação até 2 metros para estimular copa mais baixa e facilitar a colheita e o sombreamento.

Não é uma árvore que exige poda drástica todo ano. Basta remover galhos secos, mal posicionados ou muito baixos após a colheita. Podas severas reduzem a produção do ano seguinte.

Na adubação, priorize matéria orgânica: composto, esterco curtido e cobertura morta. Como fixa nitrogênio, raramente precisa de adubo nitrogenado mineral. Uma dose anual de fósforo e potássio no início das chuvas ajuda na frutificação, mas o excesso de nitrogênio só estimula folha.

Manejo que faz diferença

  • Mantenha o coroamento limpo nos dois primeiros anos para evitar competição com gramíneas.
  • Não queime a serapilheira sob a copa; ela protege raízes superficiais e mantém umidade.
  • Se plantar para sombra, alinhe as árvores no sentido leste-oeste para distribuir melhor a luz para o cultivo consorciado.

Pragas, doenças e problemas mais comuns

É uma espécie rústica e resistente quando em ambiente úmido e bem drenado. Os problemas mais frequentes são lagartas desfolhadoras e serradores em mudas, facilmente controlados com catação manual ou manejo do entorno.

Em viveiro, o excesso de água causa tombamento (damping-off). Use substrato bem drenado e não encharque. Em campo, formigas cortadeiras podem atacar folhas jovens; o controle deve ser localizado e sem uso indiscriminado de veneno, para não afetar polinizadores.

Falta de frutificação geralmente está ligada a sombreamento excessivo, falta de polinizadores ou árvore ainda jovem. Plantar mais de um indivíduo e manter abelhas nativas por perto melhora a polinização cruzada.

Ingá-açu pode ser plantado em vaso ou quintal pequeno?

Na nossa avaliação, não. O ingá-açu é uma árvore de grande porte, com raiz pivotante profunda e copa que ultrapassa 8 metros de diâmetro. Vaso limita drasticamente o crescimento, impede a frutificação e causa sofrimento à planta.

Para quintais pequenos ou calçadas, prefira ingás de porte menor, como Inga edulis manejado com poda, ou outras frutíferas amazônicas arbustivas como araçá-boi e camu-camu.

Onde o ingá-açu brilha é em sítios, chácaras, fazendas e áreas de restauração. Ali ele cumpre tripla função: produz alimento, aduba o solo e cria microclima para outras culturas. É uma escolha estratégica, não ornamental.

Tipos, variedades e confusões com outros ingás

Não existem variedades comerciais registradas de ingá-açu. O que há é variação natural entre populações da Amazônia quanto ao tamanho da vagem e à densidade de pelos.

Ele é frequentemente confundido com o ingá-de-metro (Inga edulis), que tem vagem mais longa, achatada e com sulcos, e polpa mais abundante, e com o ingá-cipó (Inga edulis e Inga laurina), de vagem mais fina. O ingá-açu se diferencia justamente pela vagem cilíndrica grossa e totalmente coberta por pelos cor de canela.

Característica Ingá-açu (I. cinnamomea) Ingá-de-metro (I. edulis)
Formato da vagem Cilíndrica, grossa Achatada, com sulcos longitudinais
Revestimento Pelugem ferrugínea densa Lisa a levemente pubescente
Tamanho médio 20 a 35 cm 40 a 100 cm
Uso principal SAF, reflorestamento, alimento Consumo in natura, sombra

Perguntas frequentes

Ingá-açu e ingá-de-metro são a mesma coisa?

Não. O ingá-açu é Inga cinnamomea, com vagem cilíndrica grossa e pelugem cor de canela. O ingá-de-metro é Inga edulis, com vagem achatada, sulcada e muito mais longa.

Quanto tempo o ingá-açu demora para dar frutos?

De 3 a 5 anos após o plantio por semente, se cultivado a sol pleno e com água e nutrientes adequados.

Posso plantar ingá-açu em vaso?

Não é recomendado. É árvore de 15 a 25 m com raiz profunda que não frutifica bem em vaso e precisa de muito espaço.

Como saber se a vagem está madura?

Quando está bem inchada, com pelos acanelados densos e levemente flexível ao apertar. Vagens verdes e duras ainda não têm polpa doce.

Precisa de outra árvore para frutificar?

A polinização cruzada aumenta a produção, por isso é melhor plantar pelo menos duas árvores próximas e manter abelhas nativas por perto.

O ingá-açu aguenta seca ou frio?

Não. Precisa de clima quente e úmido. Seca prolongada reduz a produção e geada pode matar plantas jovens.

Como conservar as sementes?

Não conserve. Semeie em até 7 a 15 dias após retirar da vagem, pois são recalcitrantes e perdem a viabilidade rapidamente.

Você sabia?

1

O nome cor de canela

O epíteto cinnamomea vem do latim e descreve a densa cobertura de pelos ferrugíneos que recobre a vagem, única entre os ingás mais conhecidos e que serve para identificar a espécie sem abrir o fruto.

2

Semente que não espera

As sementes do ingá-açu são recalcitrantes e começam a germinar ainda dentro da vagem caída; se não forem plantadas em até duas semanas, perdem o poder germinativo e mofam rapidamente.

3

Fábrica de nitrogênio

Uma árvore adulta pode fixar quantidades significativas de nitrogênio atmosférico no solo, por isso a Embrapa recomenda o gênero Inga para recuperar pastagens degradadas e sombrear cultivos na Amazônia.

4

Nectários que contratam seguranças

As folhas possuem glândulas de néctar fora das flores que atraem formigas agressivas, que por sua vez protegem a árvore contra lagartas e outros herbívoros — uma parceria natural de defesa.

Fontes

  1. Embrapa Amazônia Oriental
  2. Flora e Funga do Brasil - Jardim Botânico do Rio de Janeiro
  3. World Flora Online

Prós e contras: Ingá-açu

Prós

  • Polpa doce e aromática muito apreciada in natura
  • Fixa nitrogênio e melhora o solo, ótima para SAFs e reflorestamento
  • Rústica e resistente a pragas quando bem estabelecida
  • Atrai e alimenta fauna nativa (aves e mamíferos)
  • Crescimento relativamente rápido para árvore de grande porte

Contras

  • Porte muito grande, exige muito espaço (8 a 10 m de espaçamento)
  • Não se adapta a vasos, apartamentos ou quintais pequenos
  • Sementes recalcitrantes não podem ser armazenadas
  • Frutos muito perecíveis após a colheita
  • Exige clima quente e úmido, não tolera geada ou seca longa
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o ingá-açu é uma das frutíferas mais subestimadas do Brasil: pouco conhecida fora da Amazônia, mas muito superior a outros ingás para quem pensa em produção aliada à saúde do solo. Não é fruta de supermercado, é árvore de sistema — e é exatamente aí que está seu maior valor.

Continue explorando: Frutíferas

Feliciano Murene
Escrito porFeliciano MureneVeterinário

Feliciano Murene é professor e criador de conteúdo. Formado em Biologia, possui cerca de 5 anos de experiência em sala de aula e atua na produção de conteúdos…

Cacilda Massema
Revisão especializadaCacilda MassemaEngenheira Agrônoma

Com experiência no universo das plantas, dedica-se à pesquisa e produção de conteúdos sobre cultivo, identificação de espécies, plantas ornamentais, flores, árvores e frutíferas. Partilha conhecimentos práticos sobre…

Última revisão em 20.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.