🍊 Frutíferas

Gabiroba-do-campo

Campomanesia xanthocarpa

Atualizado em

10 a 20 m de alturaTamanho
Sol plenoLuminosidade
ModeradaRega
4 a 6 anosPrimeiros frutos
Média a fácilDificuldade
Árvore de gabiroba-do-campo carregada de frutos amarelos no Cerrado

A gabiroba-do-campo (Campomanesia xanthocarpa) é uma árvore frutífera nativa do Brasil, da família Myrtaceae, muito comum no Cerrado, na Mata Atlântica e no Pampa. Forma copa densa, casca que descama em placas e frutos amarelo-alaranjados, doces e perfumados, muito procurados por pássaros e abelhas nativas.

É diferente da gabiroba rasteira do Cerrado (Campomanesia adamantium), que é um arbusto baixo. A gabiroba-do-campo é árvore de verdade, que pode passar de 15 metros na mata e frutifica entre outubro e dezembro, com pico em novembro. Apesar do potencial, ainda é pouco cultivada em quintais, mas cresce bem com sol pleno e solo bem drenado.

Também conhecido como: Gabiroba-do-campo, Guabiroba, Gabirova, Guavirova, Gabiroba-amarela, Guabiroba-do-mato

Faz parte de: Frutíferas do Brasil, Lista de Frutíferas

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Galeria de fotos de Gabiroba-do-campo

Árvore de gabiroba-do-campo carregada de frutos amarelos no Cerrado
Árvore de gabiroba-do-campo com copa densa e frutos maduros.
Frutos de gabiroba-do-campo na árvore em close
Frutos amarelo-alaranjados de gabiroba-do-campo ainda no galho.
Flores brancas da gabiroba-do-campo com muitos estames
Flores brancas e melíferas da gabiroba-do-campo.
Colheita de gabiroba-do-campo em cesta rústica com frutos cortados
Colheita de gabiroba-do-campo mostrando polpa e sementes.
Tronco da gabiroba-do-campo com casca descamando em placas
Detalhe da casca que se solta em placas, marca da espécie.
Muda jovem de gabiroba-do-campo em saquinho de viveiro
Muda jovem de gabiroba-do-campo pronta para plantio.
Ideal para

É ideal para quem tem chácara, sítio ou quintal amplo no Sul, Sudeste e Centro-Oeste e quer uma árvore nativa de sombra, frutos saborosos e atração de pássaros e abelhas. Também funciona muito bem em projetos de restauração, SAFs e pomares diversificados, pois cresce rápido e exige poucos defensivos.

Pode não ser ideal para

Não é ideal para apartamentos, vasos pequenos ou quintais muito compactos, pois atinge grande altura e tem raiz profunda que pede espaço. Também não serve para quem busca frutificação em poucos meses ou colheita escalonada o ano todo, já que produz uma safra curta e concentrada na primavera.

Cultivo rápido

Luminosidade
Sol pleno, mínimo 6 horas de sol direto
Rega
Moderada; 2 a 3 vezes por semana na fase jovem, depois apenas em estiagem
Solo
Profundo, fértil, bem drenado, rico em matéria orgânica, pH 5,0 a 6,5
Clima
Subtropical a tropical; tolera geada leve quando adulta
Adubação
NPK + matéria orgânica 3 vezes ao ano (fim do inverno, floração e pós-colheita)
Poda
Formação nos 2 primeiros anos e limpeza anual no inverno
Propagação
Sementes frescas (principal) e enxertia para precocidade

Perfil rápido de Gabiroba-do-campo

Calendário

PlantioJFMAMJJASOND
FloraçãoJFMAMJJASOND
ColheitaJFMAMJJASOND

Encontrado em 4 países

  • Brasil
  • Argentina
  • Paraguai
  • Uruguai

Classificação científica

Reino
Plantae
Filo
Magnoliophyta
Classe
Magnoliopsida
Ordem
Myrtales
Família
Myrtaceae
Gênero
Campomanesia
Espécie
Campomanesia xanthocarpa

Resumo

  • A gabiroba-do-campo é árvore nativa de 10 a 20 metros, da família Myrtaceae, com frutos amarelos doces e aromáticos que amadurecem na primavera.
  • Frutifica de outubro a dezembro e começa a produzir entre 4 e 6 anos quando plantada por semente, exigindo sol pleno e solo profundo e bem drenado.
  • É ideal para quintais amplos, restauração e atração de fauna, mas pouco indicada para vasos pequenos ou apartamentos por causa do tamanho e da raiz profunda.

Características

Ficha da frutífera

Nome popularGabiroba-do-campo, guabiroba, gabirova, guavirova
Nome científicoCampomanesia xanthocarpa (O. Berg)
Família botânicaMyrtaceae
OrigemBrasil (Cerrado, Mata Atlântica e Pampa), Argentina, Paraguai e Uruguai
Tamanho10 a 20 m de altura; copa de 6 a 10 m de diâmetro
Tempo até frutificar4 a 6 anos por semente; 2 a 3 anos por enxertia
Época de frutificaçãoOutubro a dezembro (pico em novembro)
LuminosidadeSol pleno (mínimo 6 horas/dia)
RegaModerada; solo levemente úmido, sem encharcar
SoloProfundo, fértil, bem drenado, pH 5,0 a 6,5
ClimaSubtropical e tropical; tolera geadas leves até -3 °C
PropagaçãoSementes (principal), enxertia e estaquia
Cultivo em vasoPossível só em vasos acima de 200 litros e com poda
Espaçamento7 a 9 m entre árvores

Perfil e comportamento

Necessidade de solMuito alto
Necessidade de águaMédio
Facilidade de cultivoAlto
Adequação a vasosBaixo
ProdutividadeAlto
Resistência a pragasAlto

Como identificar a gabiroba-do-campo sem confundir

A gabiroba-do-campo é Campomanesia xanthocarpa, árvore de tronco tortuoso e casca pardo-acinzentada que se solta em placas finas, como se descascasse. Esse detalhe já a separa de muitas mirtáceas.

As folhas são simples, opostas, brilhantes, com 4 a 9 cm, e quando amassadas exalam cheiro leve de eucalipto, típico da família Myrtaceae. As flores são brancas, com muitos estames, pequenas e muito visitadas por abelhas.

O fruto é o ponto-chave: bagas globosas de 1,5 a 2,5 cm, casca fina amarelo-esverdeada a amarelo-alaranjada quando madura, polpa suculenta amarelo-clara e 1 a 6 sementes pequenas. O aroma é intenso, doce e cítrico ao mesmo tempo. Não confunda com a gabiroba-rasteira (Campomanesia adamantium), que é arbusto de até 1,5 m do Cerrado, nem com a gabiroba-de-árvore (Campomanesia pubescens), de fruto maior e mais piloso.

Onde ela vive e por que importa tanto

Na natureza, ocorre do Minas Gerais e Goiás até o Rio Grande do Sul, além de Paraguai, Argentina e Uruguai. Prefere bordas de mata, capoeiras e cerradões, em altitudes de 300 a 1.300 metros.

É uma espécie pioneira a secundária inicial, importante para restauração. Cresce rápido nos primeiros anos e atrai fauna: sabiás, sanhaços, periquitos, morcegos e até lobo-guará consomem os frutos e dispersam as sementes.

A floração atrai abelhas nativas sem ferrão (Meliponini) e Apis mellifera, e a árvore é melífera. A madeira, densa e resistente, já foi usada para cabos de ferramentas e lenha, mas hoje o maior valor é ambiental e frutífero.

Quando e como a gabiroba-do-campo frutifica

A floração acontece de setembro a outubro e a frutificação logo depois, de outubro a dezembro, com pico em novembro na maior parte do Brasil. Em regiões mais frias do Sul, pode estender até janeiro.

Os frutos amadurecem de forma desuniforme e caem facilmente quando maduros. Precisam ser colhidos no ponto certo, pois fermentam em até 24 horas após a queda por causa do alto teor de açúcares e da casca fina.

Uma árvore adulta bem formada produz 20 a 40 kg por safra, podendo passar disso em anos bons. A produção é anual, mas alterna anos de carga maior e menor. A polinização é cruzada, então ter pelo menos duas árvores próximas aumenta muito a frutificação.

Como plantar gabiroba-do-campo do zero

A forma mais comum é por sementes recém-colhidas. Elas são recalcitrantes, ou seja, perdem a viabilidade em poucas semanas se secarem. Lave, retire a polpa e semeie em até 5 dias.

Semeie a 1 cm de profundidade em substrato arenoso com matéria orgânica, mantendo úmido e à meia-sombra. A germinação leva 20 a 45 dias e a taxa costuma ser alta, acima de 70% quando a semente é fresca.

Quando a muda tiver 15 a 20 cm, transfira para saquinho ou vaso maior e depois para o local definitivo com 30 a 50 cm de altura. Coveie 50 x 50 x 50 cm, misture esterco curtido e calcário se o pH estiver abaixo de 5,0. Plante no início das chuvas, de outubro a dezembro, para pegar o período úmido.

Enxertia por garfagem ou borbulhia é possível e reduz o tempo para frutificar para 2 a 3 anos, além de manter características da planta-mãe. Estaquia tem baixa taxa de enraizamento e é pouco usada.

Luz, solo, rega e clima ideais

Gabiroba-do-campo é de sol pleno absoluto. Sombreamento reduz floração e deixa a copa estiolada. Tolera meia-sombra apenas na fase de muda.

O solo ideal é profundo, fértil e bem drenado, com boa matéria orgânica. Ela não tolera encharcamento prolongado, que causa podridão de raiz. Em solos argilosos compactados, faça cova maior e melhore a drenagem com areia grossa.

Na fase de crescimento, regue 2 a 3 vezes por semana se não chover. Depois de estabelecida, tolera estiagens curtas, mas a falta de água na floração derruba flores. No Sul, suporta geadas leves de até -3 °C quando adulta, mas mudas jovens precisam de proteção.

Poda, adubação e condução da árvore

Nos dois primeiros anos, faça poda de formação para deixar um tronco único e 3 a 4 ramos principais bem distribuídos. Depois, apenas poda de limpeza no inverno, retirando ramos secos, cruzados e ladrões da base.

Não precisa de poda drástica. Cortes grandes abrem porta para fungos. Use sempre ferramenta limpa e pasta cicatrizante em ramos grossos.

Adube três vezes ao ano: no fim do inverno com NPK 10-10-10 ou 04-14-08 mais matéria orgânica, no início da frutificação e após a colheita. Em solos pobres de Cerrado, a adição de fósforo e cálcio melhora muito o pegamento de frutos. Cobertura morta com folhas ajuda a manter umidade e alimenta a microbiota.

Quanto adubar na prática

  • Muda até 1 ano: 100 a 150 g de NPK por aplicação + 3 litros de composto.
  • Árvore jovem (2 a 4 anos): 300 a 500 g de NPK por aplicação.
  • Adulta: 1 a 1,5 kg de NPK por aplicação, dividido ao redor da copa.

Cultivo em vaso e em quintais pequenos: vale a pena?

Na nossa avaliação, a gabiroba-do-campo não é a melhor escolha para vaso pequeno ou apartamento. Ela tem raiz pivotante profunda e copa larga, que pedem espaço.

Se quiser insistir, use vaso de 200 a 300 litros, com substrato drenante e poda anual para manter 2 a 2,5 m. Mesmo assim, a produção será menor e a planta exigirá rega quase diária no verão.

Para quintais médios, plante a 7 a 9 metros de muros e fiações e longe de fossas. É ótima para fundo de quintal, chácara e sítio, onde pode crescer livre e atrair pássaros sem sujar muito a área de convivência, já que os frutos caem concentrados em poucas semanas.

Pragas, doenças e colheita

É considerada rústica e pouco atacada. Os problemas mais comuns são mosca-das-frutas (Anastrepha spp.), que fura o fruto maduro, e ferrugem e antracnose em anos muito úmidos, com manchas nas folhas.

Controle com ensacamento de frutos, colheita rápida e não deixar frutos caídos no chão. Calda bordalesa preventiva no fim do inverno ajuda contra fungos. Evite inseticidas na floração para não matar polinizadores.

Colha quando a casca estiver amarelo-ouro e levemente macia ao toque, com aroma doce forte. O fruto solta fácil do pedúnculo. Consuma em até um dia ou congele a polpa. A polpa rende suco, sorvete, geleia e licor, mas azeda rápido se deixada ao sol.

Usos, sabor e o que a torna especial

O sabor é doce-ácido, com notas cítricas e de maracujá, bem diferente de goiaba ou araçá. A casca fina é comestível, mas a maioria consome só a polpa. Cada 100 g tem boa dose de vitamina C, fibras e compostos antioxidantes, embora os valores variem com o ponto de maturação.

Na cultura do interior, a gabiroba é símbolo de infância e de Cerrado em pé. Há festas regionais da gabiroba no Paraná e Santa Catarina, e o nome aparece em músicas e no folclore como fruta que “ninguém planta, todo mundo colhe”.

Para quem busca uma frutífera nativa que alimenta a fauna, recupera solo e ainda dá fruto saboroso sem exigir pulverizações constantes, a gabiroba-do-campo é uma das escolhas mais coerentes. Ela não é a mais produtiva para comércio em larga escala, mas é imbatível em valor ecológico e afetivo.

Perguntas frequentes

Gabiroba-do-campo e gabiroba-do-cerrado são a mesma coisa?

Não. A gabiroba-do-campo (Campomanesia xanthocarpa) é árvore de 10 a 20 m, enquanto a gabiroba-do-cerrado (Campomanesia adamantium) é arbusto de até 1,5 m. Frutos e porte são diferentes.

Quanto tempo demora para dar frutos?

De semente, de 4 a 6 anos. Por enxertia, pode frutificar em 2 a 3 anos, com manejo adequado e sol pleno.

Pode plantar gabiroba-do-campo em vaso?

Só em vasos muito grandes, acima de 200 litros, com poda para controlar altura. Mesmo assim a produção será menor que no chão.

Qual o melhor solo e clima?

Solo profundo, fértil e bem drenado, pH 5,0 a 6,5, e clima subtropical a tropical com sol pleno. Tolera geadas leves quando adulta.

Como saber a hora de colher?

Quando a casca fica amarelo-ouro, levemente macia e muito aromática. Colha na árvore e consuma ou congele no mesmo dia, pois fermenta rápido.

Precisa de duas árvores para frutificar?

Não é obrigatório, mas a polinização cruzada aumenta muito a produção. Ter duas ou mais árvores próximas garante safra mais cheia.

A gabiroba atrai muitos bichos?

Sim, e esse é um dos charmes. Sabiás, sanhaços, abelhas nativas e morcegos adoram os frutos e as flores, ajudando na dispersão.

Você sabia?

1

Casca que descasca sozinha

O tronco solta placas finas como papel, característica que ajuda a identificar a espécie mesmo sem frutos e evita acúmulo de liquens.

2

Semente que não pode secar

As sementes são recalcitrantes e morrem se ficarem secas por mais de 3 a 4 semanas, por isso precisam ser semeadas quase imediatamente após a colheita.

3

Fruto que fermenta em horas

Depois de cair no chão, a gabiroba fermenta em menos de 24 horas no calor, o que explica o cheiro forte de álcool no pé e a disputa dos pássaros pelos frutos ainda na árvore.

4

Parente da goiabeira com flores melíferas

Apesar do fruto pequeno, cada flor tem dezenas de estames e produz pólen abundante, sendo uma das mirtáceas mais visitadas por abelhas nativas sem ferrão no Sul do Brasil.

Fontes

  1. Embrapa
  2. Flora e Funga do Brasil - Jardim Botânico do Rio de Janeiro
  3. Instituto Brasileiro de Florestas

Prós e contras: Gabiroba-do-campo

Prós

  • Frutos nativos doces, aromáticos e ricos em vitamina C
  • Árvore rústica, resistente a pragas e a geadas leves
  • Excelente para atrair pássaros e abelhas nativas
  • Ótima para restauração, SAFs e sombra em quintais grandes
  • Exige pouca pulverização e se adapta a vários solos bem drenados

Contras

  • Porte grande, inadequada para vasos pequenos e apartamentos
  • Sementes recalcitrantes que perdem viabilidade rápido
  • Safra curta e concentrada, frutos fermentam em até 24 horas
  • Precisa de sol pleno; sombreamento reduz muito a produção
  • Primeira frutificação demora 4 a 6 anos por semente
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a gabiroba-do-campo é uma das nativas mais subestimadas para pomar doméstico: rústica, bonita e ecológica, entrega muito com pouca exigência. Só não faz sentido como frutífera de vaso ou para quem espera produção comercial imediata.

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Última revisão em 17.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.