🍊 Frutíferas

Cajueiro

Anacardium occidentale

Atualizado em

4 a 12 m (anão: 3 a 5 m)Tamanho
Sol plenoLuminosidade
Baixa a moderadaRega
1 a 5 anosPrimeiros frutos
Fácil a médiaDificuldade
Cajueiro grande com cajus amarelos e vermelhos pendurados na copa

O cajueiro é uma árvore frutífera nativa do litoral nordestino do Brasil, famosa por produzir dois alimentos em um só: o caju, que é o pseudofruto suculento e colorido, e a castanha, que é o fruto verdadeiro em forma de rim na ponta do caju.

De copa larga e tronco tortuoso, é extremamente adaptada ao clima quente e seco, tolera solos pobres e arenosos e é uma das frutíferas mais importantes para a economia do Nordeste. É também a árvore que deu origem ao maior cajueiro do mundo, em Pirangi (RN).

Existem dois portes principais: o cajueiro comum, que pode passar de 10 metros, e o anão-precoce, com 3 a 5 metros, criado pela Embrapa para pomares e quintais menores com produção já no primeiro ano.

Também conhecido como: Caju, caju-manso, acaju, cajueiro-comum, cajueiro-anão

Faz parte de: Frutíferas do Brasil, Lista de Frutíferas

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Galeria de fotos de Cajueiro

Cajueiro grande com cajus amarelos e vermelhos pendurados na copa
Cajueiro adulto em produção com cajus amarelos e vermelhos.
Close-up de caju maduro mostrando pedúnculo e castanha
Detalhe do caju: pedúnculo suculento e castanha na ponta.
Flores branco-rosadas do cajueiro em panícula com folhas brilhantes
Floração do cajueiro em panículas branco-rosadas.
Cesto de colheita cheio de cajus frescos
Colheita de cajus: fruto muito perecível após a colheita.
Castanhas de caju torradas e descascadas
Castanhas torradas: só após a torra o consumo é seguro.
Muda enxertada de cajueiro anão-precoce em vaso grande
Muda de cajueiro anão-precoce, ideal para quintais menores.
Ideal para

Ideal para quem tem quintal amplo ou chácara em região quente e seca, com sol pleno o dia todo e solo arenoso bem drenado. O cajueiro anão-precoce é excelente para quem quer produção rápida, colheita sem escada e frutos para suco, doce e castanha com manejo simples e pouca irrigação após o pegamento.

Pode não ser ideal para

Não é ideal para apartamento, varanda ou quintal pequeno e sombreado, nem para regiões frias, úmidas ou sujeitas a geada, como Sul e áreas serranas. Também não serve para quem busca frutífera de vaso produtiva ou tem pouco espaço livre, pois a copa é muito larga e as raízes competem com muros e calçadas.

Cultivo rápido

Luminosidade
Sol pleno, 6 a 8 horas diárias; sombra reduz drasticamente a frutificação
Rega
2x por semana no 1º ano; depois apenas em seca prolongada; evitar encharcamento
Solo
Arenoso, profundo, bem drenado, pH 5,5 a 6,5; tolera baixa fertilidade
Temperatura
27 a 32 °C ideal; não tolera geada; sensível a frio abaixo de 15 °C
Adubação
Esterco curtido + NPK 10-10-10 no início das chuvas; fósforo na cova
Poda
Formação até 50 cm e limpeza anual pós-colheita; evitar poda drástica
Propagação
Enxertia (garfagem/borbulhia) para manter variedade; semente gera variação

Perfil rápido de Cajueiro

Calendário

PlantioJFMAMJJASOND
FloraçãoJFMAMJJASOND
ColheitaJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsTóxica se ingerida crua
  • PessoasTóxica quando crua (casca da castanha)

O LCC da casca da castanha é cáustico e causa queimadura e dermatite. A amêndoa só deve ser consumida torrada. O pedúnculo (caju) é comestível in natura.

Encontrado em 5 países

  • Brasil
  • Moçambique
  • Índia
  • Vietnã
  • Nigéria

Classificação científica

Reino
Plantae
Filo
Magnoliophyta
Classe
Magnoliopsida
Ordem
Sapindales
Família
Anacardiaceae
Gênero
Anacardium
Espécie
Anacardium occidentale

Resumo

  • O cajueiro produz o caju (pseudofruto) e a castanha (fruto verdadeiro) e é nativo do Nordeste do Brasil, adaptado a clima quente e solo arenoso.
  • O cajueiro anão-precoce frutifica entre 12 e 18 meses, enquanto o comum leva de 3 a 5 anos, com safra principal entre setembro e dezembro.
  • Precisa de sol pleno, pouca água após pegamento e espaço amplo, sendo ideal para quintais grandes e pouco indicado para vasos pequenos ou clima frio e úmido.

Características

Ficha da frutífera

Nome popularCajueiro
Nome científicoAnacardium occidentale
Família botânicaAnacardiaceae
OrigemNordeste do Brasil (litoral)
Tamanho4 a 12 m (comum); 3 a 5 m (anão-precoce); copa de 6 a 10 m de diâmetro
Tempo até frutificar12 a 18 meses (anão-precoce); 3 a 5 anos (comum)
Época de frutificaçãoSetembro a dezembro (pico em outubro-novembro no Nordeste)
LuminosidadeSol pleno, mínimo 6 horas diárias
RegaModerada no 1º ano; baixa após estabelecimento
SoloArenoso, bem drenado, pH 5,5 a 6,5, profundo
ClimaTropical quente e seco, 27 a 32 °C, não tolera geada
PropagaçãoSemente e enxertia (garfagem e borbulhia)
Cultivo em vasoPouco recomendado; só anão em vaso acima de 200 litros
Espaçamento10 x 10 m (comum); 7 x 7 m (anão-precoce)

Perfil e comportamento

Necessidade de solMuito alto
Necessidade de águaBaixo
Facilidade de cultivoAlto
Adequação a vasosBaixo
ProdutividadeMuito alto
Resistência a pragasMédio

O que é o cajueiro e por que ele não é o que parece

O cajueiro é a árvore do Anacardium occidentale, da família Anacardiaceae, a mesma da manga e do pistache. O que a maioria chama de fruto, o caju suculento e colorido, é na verdade o pedúnculo floral hipertrofiado, um pseudofruto.

O fruto verdadeiro é a castanha, aquele formato de rim que fica pendurado na ponta do caju. Dentro dela está a amêndoa comestível. A casca da castanha contém o líquido da casca da castanha (LCC), rico em cardol e ácido anacárdico, cáustico e que causa queimadura se manuseado cru.

Reconhecer o cajueiro é fácil. Tem tronco tortuoso com casca acinzentada, folhas simples, coriáceas e brilhantes, com nervura central bem marcada, e copa muito aberta e espalhada. As flores são pequenas, branco-rosadas, em panículas terminais, com perfume adocicado que atrai abelhas.

Quando e como o cajueiro dá frutos no Brasil

O cajueiro é de dia curto para floração. No Nordeste, floresce no período seco, entre junho e setembro, e frutifica entre setembro e dezembro, com pico em outubro e novembro. No Sudeste e Centro-Oeste, a safra atrasa 1 a 2 meses.

A produção só começa para valer com sol pleno e estação seca bem definida. Chuva na floração derruba flores e favorece antracnose. Por isso o Nordeste concentra mais de 90% da produção nacional.

Um cajueiro comum adulto bem conduzido produz de 300 a 700 kg de caju por safra, o que rende 30 a 70 kg de castanha. Já o anão-precoce, menor, produz menos por planta, mas muito mais por hectare devido ao adensamento.

Tipos e variedades: comum, anão e anão-precoce

Não existe um único cajueiro. A diferença de porte e finalidade muda totalmente o manejo.

  • Cajueiro comum ou gigante: atinge 8 a 12 metros, copa imensa, vida longa. Demora 3 a 5 anos para produzir e precisa de muito espaço. É o do famoso Cajueiro de Pirangi (RN), com cerca de 8.500 m² de copa, considerado o maior do mundo.
  • Cajueiro anão-precoce: desenvolvido pela Embrapa Agroindústria Tropical, tem 3 a 5 metros, entra em produção com 12 a 18 meses e permite colheita manual sem escada. É o padrão para pomares comerciais hoje.
  • Cajueiro anão comum: porte intermediário, menos usado comercialmente.

Entre as cultivares de anão-precoce, as mais plantadas são CCP 76, CCP 09, BRS 189 e Embrapa 51. A CCP 76 é a mais difundida, com caju vermelho-alaranjado, polpa firme e boa para mesa e suco. A BRS 189 tem caju vermelho intenso e maior teor de vitamina C.

Variedade Cor do caju Uso principal Destaque
CCP 76 Vermelho-alaranjado Mesa e suco Mais produtiva e estável
BRS 189 Vermelho Mesa e indústria Mais doce e rica em vitamina C
CCP 09 Amarelo Indústria Alta produtividade de castanha
Comum Amarelo ou vermelho Castanha e cajuína Copa gigante, ciclo longo

Como plantar cajueiro do jeito certo

Plante no início da estação chuvosa, de outubro a janeiro na maior parte do Brasil. Muda enxertada é sempre melhor que semente, pois mantém a variedade e antecipa a produção em anos.

Escolha muda com 40 a 60 cm, enxerto bem cicatrizado e sem tortuosidades. Semente só vale se for para porta-enxerto ou para quem quer esperar mais e correr risco de planta pouco produtiva.

A cova deve ter 40 x 40 x 40 cm para anão e 60 x 60 x 60 cm para comum. Misture à terra 10 litros de esterco curtido, 200 g de superfosfato simples e calcário se o pH estiver abaixo de 5,5. Deixe curtir 20 dias antes do plantio.

No plantio, mantenha o ponto de enxertia 5 cm acima do solo e faça uma bacia ao redor para reter água nos primeiros meses. Tutorar com estaca evita que o vento entorte a muda jovem.

Luz, solo, rega e clima ideal

Cajueiro não negocia luz. Precisa de sol pleno o dia todo. Sombra reduz floração, estica os ramos e aumenta doenças.

O solo ideal é arenoso ou areno-argiloso, profundo e muito bem drenado. Ele tolera solo pobre e até com pedras, mas morre em solo encharcado ou com lençol freático raso. O pH ideal fica entre 5,5 e 6,5.

Na rega, a lógica é: muita água no pegamento, pouca depois. No primeiro ano, irrigue 2 vezes por semana com 20 a 30 litros. Após o segundo ano, só irrigue se a seca passar de 30 dias. Excesso de água na floração derruba flores.

Clima quente e seco é obrigatório. Temperatura ideal entre 27 °C e 32 °C e umidade relativa baixa na floração. Não tolera geada nem frio prolongado abaixo de 15 °C. Ventos fortes ressecam flores, então quebra-vento ajuda no litoral.

Poda, adubação e condução da copa

A poda de formação é decisiva. Conduza em haste única até 50 cm e depois deixe 3 a 4 pernadas bem distribuídas. Elimine brotos abaixo do enxerto e ramos voltados para dentro.

Todo ano, após a colheita, faça poda de limpeza: retire ramos secos, doentes e entrelaçados para arejar a copa. O cajueiro frutifica na ponta dos ramos novos, então podas drásticas reduzem a safra seguinte.

Adube com base em análise de solo, mas como referência para planta adulta em produção: 2 a 3 kg de esterco + 80 g de ureia + 60 g de cloreto de potássio por planta, parcelado no início e fim das chuvas. Fósforo vai na cova e a cada 2 anos. Excesso de nitrogênio dá muita folha e pouco fruto.

Pragas e doenças que mais atacam

O cajueiro é rústico, mas não é imune. Três problemas se destacam no Brasil.

  • Broca-das-pontas (Anthistarcha binocularis): lagarta que seca ponteiros e panículas. Pode reduzir 50% da florada. Controle com poda dos ponteiros atacados e manejo da copa arejada.
  • Traça-da-castanha (Anacampsis phytomiella): ataca a castanha ainda verde. Evite deixar frutos caídos no chão e faça colheita frequente.
  • Antracnose e mofo-preto: fungos que mancham folhas, flores e caju em clima úmido. A chave é sol, espaçamento amplo e poda de arejamento. Em pomar comercial, usa-se calda bordalesa preventiva.

Pulgões e tripes aparecem na floração, mas o maior dano é indireto: atraem fumagina. Jato de água e controle biológico com joaninhas costumam resolver em quintal.

Colheita, aproveitamento e o que fazer com tanto caju

Colha o caju quando estiver totalmente colorido, firme e se soltando fácil do ramo. O ponto ideal é quando a castanha está cinza-esverdeada e o pedúnculo brilhante. Colha com a castanha junto e torça levemente.

O caju estraga em 24 a 48 horas após colhido, por isso o aproveitamento precisa ser rápido. Suco, cajuína, doce, compota e fermentado são os destinos clássicos. A castanha só deve ser consumida após torra a 180 °C, que elimina o LCC tóxico.

Um detalhe nutricional pouco lembrado: o caju tem cerca de 219 mg de vitamina C por 100 g, quase cinco vezes mais que a laranja, além de ferro, cálcio e compostos antioxidantes. O pedúnculo amarelo costuma ser mais adocicado, o vermelho mais ácido e rico em taninos.

Cultivo em vaso e em quintal pequeno vale a pena?

Na nossa avaliação, cajueiro não é frutífera de vaso pequeno nem de varanda. Mesmo o anão-precoce precisa de vaso de 200 a 300 litros, sol o dia todo e podas constantes para não passar de 2 metros.

Em quintal pequeno, só plante se tiver pelo menos 7 metros livres de muros e fiação. As raízes são superficiais e agressivas, e a copa larga faz sombra total. Para áreas menores, prefira acerola ou pitanga, que aceitam melhor contenção.

Se insistir no vaso, use substrato arenoso com 30% de areia grossa, rega espaçada e adubação leve a cada 3 meses. A produção será simbólica, de 10 a 30 cajus por safra, mais ornamental que produtiva.

Perguntas frequentes

Quanto tempo o cajueiro leva para dar frutos?

O anão-precoce enxertado começa entre 12 e 18 meses. O cajueiro comum de semente leva de 3 a 5 anos, e a produção plena vem após 6 a 8 anos.

Cajueiro precisa de muita água?

Não. Após o primeiro ano, é muito tolerante à seca. Regue apenas no pegamento e em secas longas; excesso de água na floração derruba flores.

Dá para plantar cajueiro em vaso?

Só o anão-precoce e em vaso muito grande, acima de 200 litros, com sol pleno. Mesmo assim a produção será pequena e exige podas frequentes.

Qual a diferença entre caju amarelo e vermelho?

É da variedade. Em geral, o amarelo é mais doce e macio, o vermelho é mais firme, ácido e adstringente, com mais tanino. Ambos têm alto teor de vitamina C.

Por que a castanha de caju não pode ser comida crua?

A casca contém LCC, um óleo cáustico que queima pele e mucosa. A castanha precisa ser torrada a alta temperatura para eliminar o líquido antes do consumo.

Qual o espaçamento ideal para plantar cajueiro?

10 x 10 metros para o comum e 7 x 7 metros para o anão-precoce. Em quintal, deixe pelo menos 6 metros de muros e fiação.

Cajueiro pega em clima frio?

Não se desenvolve bem. Precisa de calor, seca na floração e não tolera geada. No Sul e em áreas serranas frias a produção é muito baixa.

Você sabia?

1

O maior cajueiro do mundo é um só

O Cajueiro de Pirangi, em Parnamirim (RN), tem cerca de 8.500 m² de copa. É uma única árvore que, ao encostar galhos no chão, enraizou e se espalhou como se fossem várias.

2

A castanha crua queima

A casca da castanha contém LCC, um óleo cáustico com cardol e ácido anacárdico. Por isso a castanha nunca é comida crua: ela precisa ser torrada para o líquido evaporar.

3

Caju tem muito mais vitamina C que laranja

O pedúnculo do caju chega a 219 mg de vitamina C por 100 g, quase 5 vezes mais que a laranja. O caju vermelho tende a ser mais ácido e adstringente que o amarelo.

4

Cajueiro já foi moeda de troca

No Brasil colonial, a castanha de caju era tão valorizada que foi usada como produto de exportação para Portugal e chegou a ser chamada de noz das Índias Ocidentais pelos europeus.

Fontes

  1. Embrapa Agroindústria Tropical - Cajueiro
  2. Instituto Agronômico de Campinas (IAC)
  3. FAO - FAOSTAT

Prós e contras: Cajueiro

Prós

  • Produção dupla: caju suculento e castanha de alto valor
  • Muito rústico à seca e a solos pobres e arenosos
  • Anão-precoce produz já no 1º ano e facilita colheita
  • Fruto riquíssimo em vitamina C e antioxidantes
  • Vida longa e copa que gera ótima sombra

Contras

  • Porte grande exige muito espaço e sol pleno
  • Caju perece em 1 a 2 dias após colhido
  • Castanha crua é tóxica e exige torra
  • Sensível a antracnose e broca em clima úmido
  • Não tolera vasos pequenos, sombra ou geada
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o cajueiro é imbatível para quem tem espaço e calor, mas frustra quem tenta espremer um gigante em vaso ou clima úmido. Se a ideia é quintal produtivo no Nordeste e Centro-Oeste, prefira sem hesitar o anão-precoce enxertado CCP 76 ou BRS 189: produz cedo, ocupa menos e entrega caju de mesa superior.

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Escrito porFeliciano MureneVeterinário

Feliciano Murene é professor e criador de conteúdo. Formado em Biologia, possui cerca de 5 anos de experiência em sala de aula e atua na produção de conteúdos…

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Revisão especializadaCacilda MassemaEngenheira Agrônoma

Com experiência no universo das plantas, dedica-se à pesquisa e produção de conteúdos sobre cultivo, identificação de espécies, plantas ornamentais, flores, árvores e frutíferas. Partilha conhecimentos práticos sobre…

Última revisão em 16.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.