Resumo
- O Calabrês é uma raça italiana de sangue quente da Calábria, formada a partir do cavalo Napolitano com influências árabe, andaluza e Puro-Sangue Inglês.
- De tamanho médio a grande (1,60 m a 1,68 m na cernelha), tem perfil retilíneo, pelagens castanha, alazã, tordilha e baia, temperamento dócil e andamentos amplos e confortáveis.
- É um cavalo de sela versátil para esporte leve, passeio e trabalho, rústico e longevo, indicado para tutores com experiência e manejo com rotina e assistência veterinária regular.
Características
Ficha da raça
| Origem | Calábria, sul da Itália |
|---|---|
| Tipo | Sangue quente (misto) |
| Tamanho | Médio a grande |
| Altura na cernelha | 1,60 m a 1,68 m (15.3 a 16.2 mãos) |
| Peso | 450 kg a 550 kg |
| Expectativa de vida | 25 a 30 anos |
| Pelagens | Castanha, alazã, tordilha, baia, preta |
| Cores | castanhoalazãotordilhobaiopretozaino |
| Temperamento | Dócil, vivaz, corajoso e colaborativo |
| Principais usos | Sela, esporte leve, turismo equestre, atrelagem leve |
| Andamentos | Passo, trote e galope (sem marcha) |
| Principais problemas de saúde | Cólica, laminite, problemas de casco e articulações |
Perfil e comportamento
| Docilidade | Alto |
|---|---|
| Nível de energia | Alto |
| Velocidade | Alto |
| Resistência | Alto |
| Facilidade de manejo | Alto |
| Indicado para iniciantes | Baixo |
| Adequado para crianças | Baixo |
| Custo de manutenção | Médio |
O que é o cavalo Calabrês e como reconhecê-lo
O Calabrês, ou Cavallo Calabrese, é um cavalo de sela italiano de sangue quente criado para ser elegante, resistente e funcional. Não é um gigante de tração nem um velocista puro: é um médio-grande atlético, feito para longas horas de sela com conforto.
Você o reconhece pelo perfil retilíneo, cabeça bem proporcionada de fronte ampla, pescoço arqueado e bem inserido, peito profundo e dorso curto e forte. A garupa é levemente inclinada e musculosa, as pernas são secas e de boa ossatura, com cascos duros e bem formados, herança da criação em terreno montanhoso.
Ao lado de um Maremmano ou de um Persano, o Calabrês parece mais leve e refinado. Perto de um Puro-Sangue Inglês, parece mais encorpado e rústico. Essa posição intermediária é justamente o que o define.
Origem e história: do Napolitano ao cavalo moderno
A história começa no Reino de Nápoles, no século XVIII. Em 1741, Carlos III de Bourbon funda a Real Razza di Persano, em Persano, na Campânia, para produzir cavalos de guerra e de corte. A base era o cavalo Napolitano, então famoso em toda a Europa.
Na Calábria, criadores locais cruzaram esse Napolitano com Árabe, Andaluz (Puro-Sangue Espanhol) e, mais tarde, Puro-Sangue Inglês. O objetivo era um cavalo mais leve, rápido e resistente ao clima quente e seco do sul da Itália. No século XIX, após a unificação italiana, o sangue inglês ganhou peso e deu mais altura e amplitude de andamentos.
O século XX quase apagou a raça. Com a mecanização e as duas guerras, o rebanho despencou. Nos anos 1970, restavam menos de 150 exemplares puros registrados. O trabalho do Istituto Incremento Ippico di Catania e de Santa Maria di Capua Vetere, com criadores calabreses, evitou a extinção. Hoje o livro genealógico é mantido pela Associazione Italiana Allevatori (AIA) e o efetivo segue pequeno, concentrado na Calábria e Sicília.
Tamanho, altura e aparência: o padrão do Calabrês
O Calabrês atual mede 1,60 m a 1,68 m na cernelha nos machos e cerca de 1,58 m a 1,65 m nas fêmeas. É um cavalo de tamanho médio a grande, mas de estrutura harmoniosa, não pesada.
A cabeça é de tamanho médio, com olhos grandes e expressivos e orelhas móveis e bem implantadas. O pescoço é longo e arqueado, a cernelha é evidente, o que favorece bom apoio da sela. O tronco é compacto, com costelas bem arqueadas e lombo forte.
Os membros são um ponto forte: antebraços longos, canelas curtas e articulações secas. Essa conformação explica a boa resistência e o trote elástico. A crina e a cauda são fartas, mas não excessivas, de textura fina a média.
| Medida | Macho | Fêmea |
|---|---|---|
| Altura na cernelha | 1,62 m a 1,68 m | 1,58 m a 1,65 m |
| Peso adulto | 500 kg a 550 kg | 450 kg a 500 kg |
| Perímetro torácico | 180 cm a 190 cm | 175 cm a 185 cm |
Pelagens e cores: o que é aceito na raça
A raça tem pelagens sólidas, sem malhas brancas excessivas. As mais comuns são castanha e alazã, que representam a maioria dos animais registrados. Em seguida vêm tordilha, baia e preta.
O tordilho no Calabrês geralmente nasce mais escuro e clareia com a idade, podendo chegar ao branco com pele escura. Marcas brancas pequenas na testa e nos membros são toleradas, mas pelagens malhadas, pampas ou apalusa não fazem parte do padrão.
A pele é fina, o pelo é curto e brilhante no verão, mais denso no inverno. Em climas quentes, a pelagem alazã e castanha sofre menos com o sol forte da Calábria, o que ajudou na seleção natural.
Temperamento, andamentos e comportamento na sela
O temperamento é um dos maiores trunfos. O Calabrês é dócil, inteligente e colaborativo, mas com energia. Não é um cavalo apático: ele responde rápido ao comando, aprende com facilidade e mantém a calma em ambientes novos quando bem socializado.
Na sela, mostra passo cadenciado, trote amplo e elástico e galope equilibrado. Não possui marcha batida como o Mangalarga ou o Campolina; seus três andamentos naturais são de boa suspensão, o que o torna confortável para passeios longos e iniciação ao salto.
Criadores relatam que o Calabrês cria vínculo forte com o tutor e não gosta de ficar isolado por longos períodos. É um cavalo que precisa de rotina, contato e trabalho regular. Quando parado sem exercício, pode ficar ansioso e desenvolver vícios como aerofagia.
Para que serve hoje: sela, esporte e trabalho leve
Historicamente foi cavalo de cavalaria, de carruagem leve e de campo. Serviu aos Carabinieri a cavalo até a década de 1950, justamente pela coragem e docilidade sob pressão.
Hoje o uso é quase todo de sela. Vai bem em:
- Passeio e turismo equestre em trilhas e montanha, graças à rusticidade e ao casco forte.
- Esporte leve: salto baixo e médio, concurso completo de níveis iniciais, adestramento básico e enduro de curta distância.
- Atrelagem leve e apresentações culturais na Itália.
Não é um cavalo de tração pesada nem de corrida de velocidade pura. Sua vocação é ser um polivalente elegante, que agrada quem busca um animal bonito, funcional e de manutenção mais simples que um Puro-Sangue Inglês.
Saúde: rusticidade e pontos de atenção
É uma raça considerada rústica e longeva, bem adaptada ao calor e a terrenos pedregosos. Quando bem manejado, tem boa fertilidade e poucos problemas congênitos.
Os cuidados são os mesmos de qualquer sangue quente, com atenção especial a:
- Cólica por mudanças bruscas de dieta ou ingestão de grãos em excesso.
- Laminite associada a sobrepeso e pasto muito rico.
- Problemas de casco como rachaduras e abscessos se o ferrageamento atrasar.
- Afecções articulares em animais usados intensamente no salto sem preparo progressivo.
Vacinação, vermifugação estratégica e odontologia equina anual são indispensáveis. Qualquer sinal de claudicação, apatia ou mudança nas fezes exige avaliação de médico-veterinário de equinos. Não medique por conta própria.
Manejo e cuidados no dia a dia
Alimentação
A base é volumoso de qualidade (feno ou pasto) + concentrado apenas conforme o trabalho. Por ser eficiente, engorda fácil se comer muito concentrado parado. Água limpa e sal mineral específico para equinos devem estar sempre disponíveis.
Casco e ferrageamento
Cascos duros não dispensam cuidado. O casqueamento a cada 6 a 8 semanas e o ferrageamento quando o uso exige são obrigatórios. Em terreno montanhoso, o desgaste é maior e a avaliação do ferrador faz diferença.
Abrigo e rotina
Precisa de baia seca, ventilada e com cama limpa, além de piquete para se movimentar. Tolera bem o clima quente, mas sofre com umidade constante e falta de sombra. Rotina de escovação, limpeza dos cascos e interação diária mantém o pelo saudável e o temperamento equilibrado.
Vale a pena ter um Calabrês? Para quem é indicado
Na nossa avaliação, o Calabrês é uma excelente escolha para quem quer um cavalo de sela bonito, dócil e resistente, sem o temperamento explosivo de algumas raças de corrida. Ele brilha nas mãos de quem valoriza passeio, esporte amador e convivência.
Não é a melhor porta de entrada para quem nunca teve cavalo e mora sem estrutura. Por ser vivaz e precisar de exercício regular e manejo consistente, exige tutor com experiência básica, espaço e acompanhamento profissional. Fora da Itália ainda é raro e pouco encontrado no Brasil, o que dificulta a compra e a reposição genética.
Se você tem estrutura, busca um parceiro versátil e aprecia raças italianas com história, o Calabrês entrega muito. Se busca um cavalo totalmente frio para iniciante absoluto ou um marchador para longas cavalgadas no passo marchado, outras raças atendem melhor.
Perguntas frequentes
Qual a altura do cavalo Calabrês?
Machos medem de 1,62 m a 1,68 m na cernelha e fêmeas de 1,58 m a 1,65 m, sendo considerado de tamanho médio a grande.
Qual o temperamento do Calabrês?
É dócil, inteligente, corajoso e colaborativo, com energia moderada. Responde bem ao treinamento e cria vínculo forte com o tutor.
Calabrês tem marcha?
Não. Seus andamentos naturais são passo, trote e galope, com trote amplo e elástico, mas sem marcha batida.
Para que serve o cavalo Calabrês?
É um cavalo de sela versátil para passeio, turismo equestre, enduro curto, salto iniciante e atrelagem leve.
Quais as cores do Calabrês?
As pelagens mais comuns são castanha e alazã, seguidas de tordilha, baia e preta, sempre em cores sólidas.
O Calabrês é indicado para iniciantes?
Pode ser manejado por intermediários com apoio profissional, mas não é o mais indicado para iniciantes absolutos por ser vivaz e exigir rotina.
Existe Calabrês no Brasil?
É muito raro no Brasil. O rebanho está concentrado na Itália, sobretudo na Calábria e Sicília, com poucos exemplares exportados.
Você sabia?
Cavalo dos Bourbons
O Calabrês nasceu do projeto da Real Razza di Persano, criada em 1741 por Carlos III de Bourbon para fornecer cavalos de guerra elegantes e resistentes ao Reino de Nápoles.
Quase desapareceu
Nos anos 1970 o efetivo caiu para menos de 150 animais registrados. Foi salvo por um núcleo de criadores da Calábria e pelo Istituto Incremento Ippico, que manteve as poucas linhagens puras.
Serviu aos Carabinieri
Até a década de 1950, o Calabrês equipou unidades montadas dos Carabinieri italianos, escolhido pela coragem sob tiros e pela docilidade em patrulhas urbanas e rurais.
Parente do Persano
Muita gente confunde Calabrês e Persano, mas são raças distintas: o Persano é mais alto e de origem campana, enquanto o Calabrês é mais compacto e adaptado às montanhas áridas da Calábria.










