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Coruja-índia

Bubo bengalensis

Atualizado em

50 a 56 cmTamanho
1,1 a 1,8 kgPeso
15 a 20 anosExpectativa de vida
Grave e ressonanteCanto
Rochoso e semiáridoHabitat
Coruja-índia adulta pousada em rocha mostrando plumagem e tufos de orelha

A coruja-índia (Bubo bengalensis) é uma ave de rapina noturna de grande porte, endêmica do subcontinente indiano. Também chamada de coruja-real-indiana, ela se destaca pelos enormes tufos de penas na cabeça que parecem orelhas, pelos olhos laranja-amarelados intensos e pelo canto territorial grave que ecoa por vales rochosos.

Diferente de corujas florestais, ela prefere áreas abertas e pedregosas, como encostas rochosas, ravinas e ruínas antigas, onde nidifica diretamente no chão. Predadora oportunista e altamente territorial, caça principalmente ao entardecer e durante a noite, controlando populações de roedores e desempenhando papel ecológico importante.

Também conhecido como: Coruja-real-indiana, Indian Eagle-Owl, Rock Eagle-Owl, Bengal Eagle-Owl

Faz parte de: Aves de Rapina

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Galeria de fotos de Coruja-índia

Coruja-índia adulta pousada em rocha mostrando plumagem e tufos de orelha
Coruja-índia adulta em poleiro rochoso, com tufos e olhos alaranjados característicos.
Coruja-índia em habitat natural rochoso ao entardecer
Habitat típico da coruja-índia: encostas rochosas e vegetação esparsa.
Ninho da coruja-índia no chão rochoso com ovos brancos
Ninho simples da coruja-índia no solo entre pedras.
Pelota regurgitada da coruja-índia com restos de roedores
Pelota da coruja-índia usada para estudar sua dieta.
Coruja-índia em voo sobre terreno rochoso semiárido
Coruja-índia em voo noturno com envergadura ampla.
Coruja-índia em habitat natural rochoso ao entardecer
Habitat típico da coruja-índia: encostas rochosas e vegetação esparsa.
Ninho da coruja-índia no chão rochoso com ovos brancos
Ninho simples da coruja-índia no solo entre pedras.
Pelota regurgitada da coruja-índia com restos de roedores
Pelota da coruja-índia usada para estudar sua dieta.

Perfil rápido de Coruja-índia

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

População ampla e estável no subcontinente indiano.

População
Estável
Protegido por
Sim, protegida por lei na Índia e listada na CITES Apêndice II

Calendário

ReproduçãoJFMAMJJASOND
Maior atividade vocalJFMAMJJASOND

Vida útil

Na natureza
15 a 20 anos, podendo chegar a 25 anos em condições ideais
Em cativeiro autorizado
Até 25 a 28 anos com manejo veterinário adequado

Reprodução

Maturidade sexual
2 a 3 anos
Época reprodutiva
Novembro a abril, pico em fevereiro-março
Tipo de ninho
Depressão no solo rochoso, fenda de penhasco ou sob arbusto; sem material
Ovos e incubação
2 a 4 ovos brancos; 33 a 35 dias, principalmente pela fêmea
Filhotes
Nidícolas, voam com 50 a 60 dias e dependem dos pais por mais 3 a 4 meses
Sistema social
Monogâmica e territorial, casal fiel ao mesmo território por anos

Habitat

Ambientes

  • Encostas rochosas e penhascos
  • Ravinas e vales semiáridos
  • Matas abertas e savanas arbustivas
  • Áreas agrícolas com afloramentos rochosos
  • Ruínas e templos antigos

Biomas

  • Deserto e semiárido
  • Savana
  • Mata aberta

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Roedores (ratos, gerbos)

Outros alimentos

  • Aves de médio porte
  • Répteis (lagartos e pequenas serpentes)
  • Anfíbios
  • Insetos grandes
  • Caranguejos

Encontrado em 4 países

  • Índia
  • Paquistão
  • Nepal
  • Mianmar

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Aves
Ordem
Strigiformes
Família
Strigidae
Gênero
Bubo
Espécie
Bubo bengalensis

Resumo

  • A coruja-índia é uma coruja grande de 50 a 56 cm, endêmica da Índia, Paquistão e Nepal, reconhecida pelos tufos de orelha e olhos laranja-amarelados.
  • Vive em habitats rochosos e semiáridos, é noturna, territorial e nidifica no chão, com vocalização grave e profunda usada para demarcar território.
  • Alimenta-se de roedores, aves e répteis, tem status Pouco Preocupante na IUCN e não é ave de estimação, sendo protegida por lei na Índia.

Características

Ficha da espécie

FamíliaStrigidae
Origem e distribuiçãoEndêmica do subcontinente indiano (Índia, Paquistão, Nepal e extremo oeste de Mianmar)
HabitatEncostas rochosas, ravinas, áreas semiáridas, matas abertas e ruínas
Tamanho (comprimento)50 a 56 cm
Envergadura140 a 160 cm
Peso1.100 a 1.800 g (fêmeas maiores que machos)
Coresmarrom-escurobegecremepretolaranja-amarelado (olhos)
Expectativa de vida15 a 20 anos na natureza, até 25 em cativeiro
AlimentaçãoCarnívora: roedores, aves, répteis e insetos grandes
CantoSequência grave de 2 a 3 notas: huu-huu profundo, audível a mais de 1 km
Reprodução (ninho e ovos)Ninho no chão rochoso ou fenda; 2 a 4 ovos brancos, incubação 33 a 35 dias
Comportamento socialSolitária e territorial, forma par monogâmico na época reprodutiva
SubespéciesNenhuma reconhecida atualmente (espécie monotípica)

Perfil e comportamento

SociabilidadeMuito baixo
Intensidade do cantoAlto
InteligênciaMuito alto
Facilidade de criaçãoMuito baixo
Necessidade de espaçoMuito alto
Nível de atividadeAlto
Capacidade de imitar sonsMuito baixo

Como reconhecer a coruja-índia: tamanho, cores e traços que não enganam

A coruja-índia é grande e robusta, com 50 a 56 cm de comprimento e envergadura que chega a 160 cm. As fêmeas são visivelmente maiores e mais pesadas que os machos, um dimorfismo comum em aves de rapina. De perto, é impossível confundir com corujinhas menores.

A plumagem é uma camuflagem perfeita para rochas: marrom-escuro rajado de preto no dorso, peito bege-claro com estrias finas e escuras e disco facial mal definido em tom areia. O destaque são os longos tufos de penas na cabeça, que parecem orelhas eretas, e os olhos grandes laranja-amarelados com pupila preta. O bico é curvo, escuro e parcialmente coberto por penas.

Por muito tempo foi considerada subespécie da coruja-real-euroasiática (Bubo bubo), mas hoje é reconhecida como espécie própria. A diferença principal está no tamanho menor, na coloração mais clara e na vocalização distinta. Enquanto Bubo bubo tem chamado mais longo e variado, a coruja-índia emite notas mais curtas e graves.

Onde vive: distribuição restrita e habitat rochoso

A coruja-índia é endêmica do subcontinente indiano. Ocorre em quase toda a Índia, exceto no extremo nordeste úmido, além do Paquistão, sul do Nepal e borda oeste de Mianmar. Não migra e ocupa o mesmo território por anos.

Seu habitat preferido não é a floresta densa, e sim ambientes abertos e pedregosos. Prefere encostas rochosas, desfiladeiros, ravinas com arbustos esparsos, áreas semiáridas e até ruínas e templos antigos abandonados. Evita mata fechada e zonas muito úmidas.

Essa escolha tem lógica: o terreno rochoso oferece poleiros elevados para caçar e fendas protegidas para nidificar sem precisar construir ninho. Durante o dia, passa despercebida pousada contra a rocha, imóvel e com os tufos baixos. Só ao entardecer se torna ativa.

Comportamento noturno e territorialismo extremo

É uma ave estritamente noturna e crepuscular. Passa o dia empoleirada em saliências rochosas ou sob arbustos densos, e sai para caçar no pôr do sol. O voo é silencioso, com batidas lentas e profundas, graças às penas com bordas franjadas que abafam o som.

Extremamente territorial, o casal defende a mesma área por toda a vida, que pode ter mais de 5 km². Intrusos são expulsos com voos de intimidação, estalos de bico e vocalizações. Fora da época reprodutiva é solitária, mas o par mantém contato vocal durante o ano todo.

Quando ameaçada no ninho, não foge de imediato. A fêmea abre as asas em leque, infla o corpo e sibila alto, exibindo as garras. Se o predador insistir, pode atacar com as garras poderosas, capazes de ferir mamíferos médios.

O canto grave que entrega sua presença

O canto da coruja-índia é um dos mais marcantes da Índia rural. É um huu-huu profundo, grave e ressonante, geralmente em séries de duas a três notas, repetidas a cada 10 a 20 segundos. Machos têm voz mais grave que fêmeas, e o dueto do casal é comum ao entardecer.

Esse chamado territorial pode ser ouvido a mais de 1 km em noites calmas e serve para demarcar limites e atrair parceiros. Além do canto principal, emite grunhidos, assobios agudos de alarme e estalos secos com o bico quando irritada.

Para observadores de aves, o canto é a melhor forma de localizá-la, já que a camuflagem a torna quase invisível de dia. Na época reprodutiva, de novembro a abril, a vocalização se intensifica e ocorre também antes do amanhecer.

O que come: predadora oportunista do topo da cadeia noturna

A dieta é carnívora e generalista, focada no que é mais abundante no território. A base são roedores como ratos, gerbos e esquilos, que representam até 70% das presas em algumas regiões. Isso a torna uma aliada natural no controle de pragas agrícolas.

Mas não dispensa outras presas: aves de médio porte como perdizes e pombas, répteis como lagartos e pequenas serpentes, anfíbios, caranguejos e grandes insetos como besouros e gafanhotos. Há registros de predação de lebres jovens e até de outras corujas menores.

Caça a partir de poleiros elevados, localizando a presa com audição extremamente apurada e visão noturna. Mergulha em voo rasante e captura com as garras fortes e dedos emplumados até a base. Engole presas pequenas inteiras e regurgita pelotas de pelos e ossos, usadas por pesquisadores para estudar sua dieta.

Como a dieta muda com a estação

Na estação seca, quando roedores escasseiam, aumenta o consumo de aves e répteis. Na monção, insetos e anfíbios ganham importância. Essa flexibilidade explica por que a espécie se mantém estável mesmo em áreas agrícolas modificadas.

Reprodução, ninho no chão e cuidado com os filhotes

A época reprodutiva vai de novembro a abril, com pico entre fevereiro e março, antes das chuvas fortes. O casal é monogâmico e fiel ao território, podendo usar o mesmo local de nidificação por anos consecutivos.

Não constrói ninho elaborado. A fêmea escolhe uma depressão rasa no solo rochoso, fenda de penhasco ou espaço sob arbusto denso, às vezes aproveitando ninhos abandonados de outras aves de rapina. Ali deposita 2 a 4 ovos brancos e arredondados, com intervalo de dois dias entre cada um.

A incubação dura 33 a 35 dias e é feita quase exclusivamente pela fêmea, enquanto o macho traz alimento e defende o entorno. Os filhotes nascem cobertos de penugem branca, abrem os olhos com cerca de 7 dias e começam a caminhar pelo entorno do ninho com 3 semanas, bem antes de voar.

O primeiro voo ocorre com 50 a 60 dias de vida, mas os jovens permanecem dependentes dos pais por mais 3 a 4 meses, aprendendo a caçar. A mortalidade é alta no primeiro ano devido a predadores como chacais e águias, e à perturbação humana.

É possível ter coruja-índia em casa? Legalidade e por que não é pet

Não. A coruja-índia é uma ave silvestre protegida e não domesticada. Na Índia, é protegida pela Wildlife Protection Act de 1972, e seu comércio é restrito pela CITES. No Brasil, sua criação como pet é ilegal sem autorização específica e não há criadores legalizados da espécie.

Além da questão legal, há impedimentos biológicos e éticos. É uma predadora de grande porte que precisa de território vasto, voo livre e dieta de presas inteiras. Em cativeiro improvisado desenvolve estresse, problemas ósseos e comportamentais, e pode infligir ferimentos graves com garras e bico.

No Brasil, a criação de aves silvestres nativas só é permitida com autorização do IBAMA e órgãos estaduais, e a captura na natureza é crime ambiental. Para corujas exóticas como a coruja-índia, a única manutenção legal seria em zoológicos, centros de reabilitação ou criadouros científicos autorizados, nunca como animal de estimação doméstico. Quem deseja uma ave deve optar por espécies domesticadas como calopsita ou periquito, com origem comprovada.

Estado de conservação e principais ameaças

A coruja-índia é classificada como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, com população considerada estável e distribuição ampla. Estima-se que tolere bem áreas agrícolas e proximidade humana, desde que haja rochas para nidificar.

As ameaças, porém, existem. A principal é a perseguição por superstição: em partes da Índia, partes do corpo são usadas em rituais e na medicina tradicional, e filhotes são capturados para comércio ilegal. A eletrocussão em linhas de transmissão e atropelamentos em estradas também causam mortes.

Outro risco é o uso indiscriminado de raticidas em lavouras. Ao consumir roedores envenenados, a coruja sofre envenenamento secundário, que afeta a reprodução e pode matar adultos e filhotes. A destruição de habitats rochosos para mineração e expansão urbana fragmenta territórios.

Na nossa avaliação, a coruja-índia é um exemplo de como uma ave de rapina grande pode coexistir com paisagens humanizadas se houver tolerância e manejo correto de venenos. Sua conservação depende menos de reservas isoladas e mais de educação ambiental e controle do comércio ilegal.

Característica Coruja-índia (Bubo bengalensis) Coruja-real-euroasiática (Bubo bubo)
Tamanho 50-56 cm 58-71 cm
Distribuição Subcontinente indiano Europa e Ásia
Habitat preferido Rochoso e semiárido Florestas, montanhas e estepes
Canto 2-3 notas graves curtas Sequência mais longa e variável

Perguntas frequentes

Coruja-índia é encontrada no Brasil?

Não. É endêmica do subcontinente indiano e não ocorre livre na natureza no Brasil. Aqui só pode ser vista em zoológicos ou centros autorizados.

Qual o tamanho da coruja-índia?

Mede 50 a 56 cm de comprimento, pesa 1,1 a 1,8 kg e tem envergadura de 140 a 160 cm, sendo a fêmea maior que o macho.

Coruja-índia pode ser criada como pet?

Não. É ave silvestre protegida, exige território enorme e dieta de presas inteiras, e sua criação doméstica é ilegal e inadequada.

O que a coruja-índia come?

Principalmente roedores, mas também aves, lagartos, pequenas serpentes, anfíbios e insetos grandes.

Como é o canto da coruja-índia?

Um huu-huu grave e profundo, em séries de 2 a 3 notas repetidas, audível a mais de 1 km e usado para defender território.

Onde a coruja-índia faz ninho?

No chão, em depressões rasas entre rochas, fendas de penhascos ou sob arbustos densos, sem construir ninho com gravetos.

A coruja-índia está ameaçada de extinção?

Não. É classificada como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, com população estável, mas sofre com superstições, venenos e eletrocussão.

Fatos surpreendentes sobre a coruja-índia

1

Ninho sem construção

Ela não leva gravetos. A fêmea apenas limpa uma pequena depressão no chão pedregoso e põe os ovos direto sobre a rocha ou terra batida.

2

Pelotas revelam a dieta

Pesquisadores coletam as pelotas regurgitadas com ossos e pelos para mapear o que ela comeu, sem precisar capturá-la. Uma pelota pode conter crânios inteiros de roedores.

3

Banho de poeira

Em vez de banhar-se em água, frequentemente faz banhos de poeira em solo seco para controlar parasitas das penas, comportamento mais comum em galináceos.

4

Vítima de crendices

Na Índia, é alvo de captura para rituais de magia negra durante festivais, apesar da proteção legal, o que levou campanhas específicas de conscientização da Wildlife Trust of India.

Fontes

  1. IUCN Red List - Bubo bengalensis
  2. BirdLife International
  3. Cornell Lab - Birds of the World
  4. WikiAves - CBRO

Prós e contras: Coruja-índia

Prós

  • Excelente controladora natural de roedores agrícolas
  • Adaptável a habitats semiáridos e rochosos humanizados
  • População estável e distribuição ampla
  • Vocalização marcante que facilita observação e pesquisa
  • Baixa exigência de floresta densa para sobreviver

Contras

  • Sofre perseguição por superstições e comércio ilegal
  • Vulnerável a envenenamento secundário por raticidas
  • Nidificação no chão a expõe a predadores e pisoteio
  • Não é domesticável nem adequada como pet
  • Sensível à destruição de afloramentos rochosos por mineração
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a coruja-índia é uma das corujas mais carismáticas da Ásia justamente por não depender de floresta densa: sua adaptação a rochas e áreas abertas a torna visível e audível mesmo perto de vilarejos. É uma espécie que mostra que conservar aves de rapina não é só proteger mata, mas também paisagens pedregosas e o controle de venenos agrícolas.

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Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

Sou uma entusiasta do universo dos peixes e da vida aquática. Dedico-me a pesquisar e partilhar informações sobre espécies de peixes, alimentação, comportamento, habitat e cuidados, ajudando os…

Última revisão em 20.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.