🌳 Árvores

Samambaia-do-campo

Stryphnodendron adstringens

Atualizado em

4 a 6 mTamanho
SemidecíduaFolhagem
LentoCrescimento
Sol plenoLuminosidade
30 a 50 anosLongevidade
Árvore adulta de samambaia-do-campo no Cerrado com tronco tortuoso e copa rala

A samambaia-do-campo é uma árvore pequena do Cerrado brasileiro, famosa pela casca grossa e escura rica em taninos. Apesar do nome, não é samambaia: pertence à família Fabaceae e recebeu o apelido pelas folhas bipinadas que lembram frondes quando jovens.

Atinge de 4 a 6 metros, tem copa rala e arredondada e perde parte das folhas na seca. É rústica, muito resistente à seca e ao fogo, e cumpre papel importante na recuperação de áreas degradadas e na alimentação de abelhas nativas.

Também conhecido como: Barbatimão-verdadeiro, Barbatimão, Barba-de-timão, Casca-da-virgindade, Ubatã

Faz parte de: Árvores Ornamentais, Árvores Pequenas

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Galeria de fotos de Samambaia-do-campo

Árvore adulta de samambaia-do-campo no Cerrado com tronco tortuoso e copa rala
Samambaia-do-campo adulta no Cerrado, com porte pequeno e tronco tortuoso característico.
Folhas bipinadas e espigas florais da samambaia-do-campo
Folhas bipinadas e espigas florais branco-amareladas da samambaia-do-campo.
Casca grossa e fendilhada da samambaia-do-campo com interior avermelhado
Casca grossa e rica em taninos, avermelhada por dentro.
Vagens grossas e marrons da samambaia-do-campo ainda na árvore
Vagens indeiscentes que permanecem na árvore por meses.
Mudas de samambaia-do-campo em área de restauração do Cerrado
Uso em restauração do Cerrado, com solo pobre e sol pleno.
Copa rala da samambaia-do-campo vista de baixo contra o céu
Copa rala que proporciona sombra leve e filtrada.
Ideal para

Ideal para quem tem chácara, sítio ou quintal amplo a pleno sol e quer uma árvore nativa do Cerrado de baixa manutenção e alto valor ecológico. É perfeita para projetos de restauração, jardins secos e para quem valoriza atrair abelhas nativas e pássaros do Cerrado. Também funciona para quem busca uma árvore pequena, de raízes não agressivas e que não exige rega constante após o primeiro ano. É uma escolha consciente para quem quer fortalecer a identidade do Cerrado no paisagismo.

Pode não ser ideal para

Não é ideal para quem precisa de sombra densa e rápida para área de lazer, garagem ou calçada estreita. Seu crescimento é lento e a copa é rala, frustrando quem espera sombra fechada em poucos anos. Também não serve para apartamento, quintal pequeno e sombreado ou solo encharcado. Quem tem pouco tempo para escarificar sementes ou buscar muda de viveiro especializado pode se decepcionar, pois mudas comuns de garden center raramente são da espécie correta.

Cultivo rápido

Luz
Sol pleno, mínimo 6 horas de sol direto; não tolera sombra
Rega
Moderada no 1º ano (2x/semana sem chuva); depois apenas em secas extremas
Solo
Ácido, pobre, bem drenado, arenoso a latossolo; pH 4,5 a 5,5; não encharcar
Temperatura
Tropical sazonal, 18 a 28°C; tolera seca e fogo, sensível a geada forte
Adubação
Dispensável; se necessário, dose leve de fósforo no início das chuvas
Poda
Apenas formação e limpeza de galhos secos; evitar poda drástica
Propagação
Por sementes com escarificação (lixa ou água quente) e por mudas de viveiro

Perfil rápido de Samambaia-do-campo

Estado de conservação

LC
Pouco preocupante

Espécie ainda ampla no Cerrado, mas com populações locais em declínio por extrativismo da casca e desmatamento.

População
Em declínio local
Protegido por
Coleta da casca regulamentada em alguns estados; depende de manejo sustentável autorizado

Calendário

FloraçãoJFMAMJJASOND
FrutificaçãoJFMAMJJASOND
Queda de folhasJFMAMJJASOND
PlantioJFMAMJJASOND

Habitat

Ambientes

  • Cerrado stricto sensu
  • Cerradão
  • Campo sujo
  • Campo cerrado
  • Áreas degradadas em recuperação

Biomas

  • Cerrado

Encontrado em 1 país

  • Brasil

Classificação científica

Reino
Plantae
Filo
Tracheophyta
Classe
Magnoliopsida
Ordem
Fabales
Família
Fabaceae
Gênero
Stryphnodendron
Espécie
Stryphnodendron adstringens

Resumo

  • A samambaia-do-campo é a árvore Stryphnodendron adstringens, do Cerrado, com 4 a 6 m de altura e folhas bipinadas que lembram samambaias.
  • Tem casca rica em taninos, floração melífera entre setembro e novembro e frutos em vagem que persistem na árvore por meses.
  • É ideal para restauração do Cerrado e quintais amplos a pleno sol, mas não serve para calçada estreita ou sombra densa.

Características

Ficha da árvore

Nome popularSamambaia-do-campo
Nome científicoStryphnodendron adstringens (Mart.) Coville
Família botânicaFabaceae
OrigemCerrado brasileiro
Tamanho (altura)4 a 6 m, raramente até 8 m
CopaRala, arredondada, 3 a 5 m de diâmetro
FolhagemSemidecídua a caducifólia
CrescimentoLento
LuminosidadeSol pleno
RegaBaixa após pegamento
SoloÁcido, pobre, bem drenado, latossolo do Cerrado
UsosRestauração do Cerrado, melífera, medicinal popular, tanino
Longevidade30 a 50 anos

Perfil e comportamento

Velocidade de crescimentoBaixo
SombraBaixo
Resistência à secaMuito alto
Agressividade das raízesMuito baixo
Facilidade de cultivoMédio
Atrai faunaAlto

O que é a samambaia-do-campo e por que não é samambaia

A samambaia-do-campo é Stryphnodendron adstringens, árvore pequena do Cerrado também chamada de barbatimão-verdadeiro. O nome popular vem das folhas jovens, bipinadas e muito recortadas, que lembram frondes de samambaia à distância.

Botanicamente, porém, ela é uma leguminosa lenhosa, da família Fabaceae, mesma do angico e do jatobá. Não produz esporos como samambaias verdadeiras, e sim flores e vagens com sementes.

Na nossa avaliação, é uma das árvores mais subestimadas do Cerrado para quem busca rusticidade: suporta seca prolongada, fogo e solo pobre, onde muitas ornamentais não vingam. O preço dessa rusticidade é o crescimento lento e a copa pouco densa para sombra.

Como identificar: folhas, casca e frutos inconfundíveis

A identificação mais segura é pela casca. Ela é grossa, fendilhada, marrom-acinzentada por fora e avermelhada por dentro, com até 22% a 30% de tanino na casca seca. Ao cortar, solta corante amarronzado que mancha a mão.

As folhas são bipinadas, com 6 a 12 pares de pinas e folíolos pequenos, verde-escuros e opacos. No período seco, a árvore pode ficar quase sem folhas por algumas semanas, brotando novamente com as primeiras chuvas.

As flores são discretas, em espigas cilíndricas de 8 a 12 cm, branco-amareladas e com cheiro forte e adocicado. Já os frutos são vagens grossas, indeiscentes, de 6 a 10 cm, que ficam marrons e permanecem na árvore por meses, mesmo após a maturação.

Como não confundir com outras espécies

  • Stryphnodendron polyphyllum (barbatimão-branco) tem folíolos maiores e mais claros e casca menos avermelhada.
  • Anadenanthera (angico) tem casca com acúleos e vagens mais achatadas e deiscentes.
  • Samambaias arborescentes como Dicksonia sellowiana (xaxim) têm tronco fibroso de raízes adventícias, não madeira verdadeira.

Onde vive no Brasil e qual clima prefere

É endêmica do Cerrado e ocorre de forma natural do Maranhão e Pará até o Paraná, com maior abundância no Brasil Central: Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins e Distrito Federal. Aparece em cerrado stricto sensu, cerradão, campo sujo e campo cerrado.

Prefere clima tropical sazonal, com estação seca bem definida de 4 a 6 meses, altitude de 300 a 1.200 m e sol pleno o dia todo. Não tolera sombra, encharcamento ou geadas fortes e frequentes.

Na natureza, é pioneira e colonizadora. Surge primeiro em áreas queimadas ou degradadas porque suas sementes têm dormência tegumentar quebrada pelo fogo e suas raízes associam-se a bactérias fixadoras de nitrogênio.

Tamanho, copa e raízes: o que esperar no quintal ou calçada

Em cultivo, mantém 4 a 6 m de altura e tronco tortuoso de 20 a 30 cm de diâmetro. Exemplares antigos em Cerrado preservado podem chegar a 8 m, mas isso é exceção.

A copa é rala, arredondada e irregular, com 3 a 5 m de diâmetro. Oferece sombra leve e filtrada, insuficiente para quem busca sombra densa para carro ou área de lazer. Por outro lado, permite o crescimento de gramíneas e outras plantas do Cerrado embaixo.

As raízes são pivotantes e profundas, pouco agressivas. Não levantam calçada nem tubulação como flamboyant ou ficus. É uma das poucas árvores do Cerrado que pode ficar a 3 m de muros e construções sem grande risco, mas ainda precisa de espaço para o desenvolvimento natural do tronco tortuoso.

Característica Medida real
Altura adulta 4 a 6 m
Diâmetro da copa 3 a 5 m
Diâmetro do tronco 20 a 30 cm
Crescimento anual 20 a 40 cm

Como plantar samambaia-do-campo passo a passo

O plantio deve ser feito no início da estação chuvosa, de outubro a dezembro, para aproveitar a água natural. Mudas de viveiros especializados em nativas do Cerrado têm melhor pegamento que sementes diretas.

Se for semear, a escarificação é obrigatória. As sementes têm tegumento impermeável e só germinam após imersão em água a 80°C por 1 minuto ou lixa leve no tegumento. Sem isso, a germinação fica abaixo de 10%.

  • Cova: 40 x 40 x 40 cm, com mistura de terra do local + 30% de areia grossa. Não adube em excesso; solo rico demais prejudica a adaptação.
  • Espaçamento: 4 a 5 m de outras árvores. Para restauração, 3 x 3 m.
  • Plantio: mantenha o colo da muda no nível do solo, sem enterrar o caule. Regue com 10 a 15 litros logo após o plantio.
  • Tutoramento: use tutor baixo por 6 meses apenas se a muda for muito torta e houver vento forte.

Nos primeiros 6 meses, regue 2 vezes por semana se não chover. Depois, reduza gradualmente. A partir do segundo ano, só precisa de rega em secas extremas.

Como cuidar: luz, rega, solo e poda

Luz é inegociável: precisa de sol pleno, mínimo 6 horas diretas. Em meia-sombra, fica estiolada, com poucas flores e sujeita a fungos.

Solo ideal é ácido (pH 4,5 a 5,5), pobre, bem drenado e com alumínio, como latossolos do Cerrado. Não corrija com calcário em excesso e evite substratos encharcados ou muito orgânicos. Se o solo for argiloso e compactado, melhore a drenagem com areia e cascalho.

Rega: após estabelecida, é uma das árvores mais tolerantes à seca do Brasil. O erro mais comum é regar demais, o que causa podridão radicular. No período chuvoso, não regue.

Adubação: dispensável. Se quiser acelerar levemente, use uma dose anual de fósforo e matéria orgânica leve no início das chuvas. Excesso de nitrogênio inibe a fixação natural.

Poda: faça apenas poda de formação no primeiro ano para remover ramos baixos ou cruzados. Depois, limite-se a remover galhos secos. Podas drásticas descaracterizam o tronco tortuoso, que é parte do charme do Cerrado.

No paisagismo, funciona melhor em jardins de Cerrado, jardins secos, chácaras e sítios que buscam identidade brasileira e baixa manutenção. Combina com ipê-amarelo-do-cerrado, cagaita, lobeira e gramíneas nativas como capim-do-cerrado.

Não é árvore para rua estreita, estacionamento ou praça com exigência de sombra densa. Seu valor é ecológico e estético-rústico, não de sombreamento urbano intensivo.

Na natureza, é melífera importante: floresce de setembro a novembro, no auge da seca, quando poucas árvores oferecem néctar. Atrai abelhas nativas, Apis mellifera e pequenos besouros. Os frutos alimentam roedores e aves do Cerrado na entressafra.

O uso mais conhecido é o tanino da casca, usado tradicionalmente para curtir couro e na medicina popular como adstringente. A casca é protegida por lei em alguns estados e sua extração predatória é uma das causas de declínio local. Não faça extração caseira da casca: além de ilegal sem manejo autorizado, pode matar a árvore.

Para restauração ecológica, é espécie-chave. Fixa nitrogênio, melhora o solo e facilita o estabelecimento de outras nativas. Projetos da Embrapa Cerrados a recomendam para recuperação de pastagens degradadas e áreas de empréstimo.

Pragas, doenças e erros comuns no cultivo

É muito rústica e tem poucas pragas relevantes. Os problemas aparecem quase sempre por manejo errado.

  • Cochonilhas e pulgões nas brotações novas, principalmente em mudas sombreadas ou adubadas em excesso. Remova manualmente ou com jato d’água.
  • Fungos de solo (Fusarium, Phytophthora) quando há encharcamento. Sintoma: amarelecimento e queda súbita de folhas. Corrija a drenagem e suspenda a rega.
  • Formigas cortadeiras podem desfolhar mudas jovens. Use barreira física no tronco nos primeiros meses.
  • Erro fatal: plantar em vaso pequeno ou em solo de jardim rico e úmido à sombra. A planta definhará em 1 a 2 anos.

Outro erro comum é comprar muda de barbatimão de outra espécie achando que é samambaia-do-campo. Confira sempre o nome científico na etiqueta e a procedência do viveiro. Mudas sem procedência podem ser extraídas ilegalmente do Cerrado.

Perguntas frequentes

Samambaia-do-campo é a mesma coisa que barbatimão?

Sim, na maior parte do Brasil samambaia-do-campo é o nome popular de Stryphnodendron adstringens, o barbatimão-verdadeiro. Há outros barbatimões, como Stryphnodendron polyphyllum, com características diferentes.

Ela serve para calçada?

Só em calçadas largas (acima de 2,5 m) e com fiação alta ou sem fiação. A copa é rala e o crescimento é lento, então não oferece sombra densa e demora para fazer efeito.

Quanto tempo demora para crescer?

É de crescimento lento: cerca de 20 a 40 cm por ano. Leva de 3 a 5 anos para atingir 3 metros e começar a florescer.

Precisa de muita água?

Não. Após o primeiro ano bem estabelecido, tolera secas de meses sem rega. O excesso de água é mais prejudicial que a falta.

Como fazer a muda germinar?

As sementes precisam de escarificação: lixe levemente um lado da semente ou mergulhe por 1 minuto em água a 80°C. Sem isso, a germinação é muito baixa.

Atrai abelhas?

Sim, é muito melífera. Floresce na seca, entre setembro e novembro, e atrai abelhas nativas e Apis mellifera.

Pode plantar em vaso?

Não é recomendado. Por ser árvore de raiz pivotante e de Cerrado, não se desenvolve bem em vaso e definha rapidamente.

Você sabia?

1

O nome engana

Apesar de se chamar samambaia-do-campo, ela não é samambaia e nunca produz esporos. O apelido vem só da semelhança das folhas bipinadas com frondes de samambaia quando vistas de longe.

2

Casca que vale como couro

A casca seca pode conter de 22% a 30% de tanino, um dos maiores teores entre árvores do Cerrado. Por isso foi intensamente explorada para curtume, o que levou à proteção legal em alguns estados.

3

Semente que precisa de fogo

As sementes têm dormência física tão forte que, na natureza, só germinam em massa após queimadas. Em viveiro, é preciso lixar ou escaldar a semente, caso contrário menos de 1 em cada 10 germina.

4

Floração na seca brava

Ela floresce entre setembro e novembro, no pico da seca do Cerrado, quando quase nada mais floresce. Por isso é estratégica para abelhas nativas que dependem dela para atravessar a entressafra.

Fontes

  1. Flora e Funga do Brasil - Jardim Botânico do Rio de Janeiro
  2. Embrapa Cerrados
  3. IUCN Red List

Prós e contras: Samambaia-do-campo

Prós

  • Extremamente resistente à seca, ao sol forte e a solo pobre
  • Raízes pouco agressivas, não danifica calçada ou muro
  • Ótima para restauração do Cerrado e fixação de nitrogênio
  • Melífera importante na seca, atrai fauna nativa
  • Baixíssima necessidade de rega e adubação após pegamento

Contras

  • Crescimento lento e copa rala, pouca sombra
  • Perde folhas na seca, ficando com aspecto seco por semanas
  • Sementes exigem escarificação para germinar
  • Mudas difíceis de achar fora de viveiros de nativas
  • Casca não deve ser extraída sem manejo legal e pode atrair extrativismo
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a samambaia-do-campo é uma escolha técnica, não ornamental de impacto imediato. Ela brilha onde outras falham: solo pobre, sol forte e seca, entregando valor ecológico real em vez de sombra rápida. Se você quer Cerrado autêntico e pode esperar, é imbatível; se quer sombra para ontem, escolha outra espécie.

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Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.