Resumo
- A samambaia-do-campo é a árvore Stryphnodendron adstringens, do Cerrado, com 4 a 6 m de altura e folhas bipinadas que lembram samambaias.
- Tem casca rica em taninos, floração melífera entre setembro e novembro e frutos em vagem que persistem na árvore por meses.
- É ideal para restauração do Cerrado e quintais amplos a pleno sol, mas não serve para calçada estreita ou sombra densa.
Características
Ficha da árvore
| Nome popular | Samambaia-do-campo |
|---|---|
| Nome científico | Stryphnodendron adstringens (Mart.) Coville |
| Família botânica | Fabaceae |
| Origem | Cerrado brasileiro |
| Tamanho (altura) | 4 a 6 m, raramente até 8 m |
| Copa | Rala, arredondada, 3 a 5 m de diâmetro |
| Folhagem | Semidecídua a caducifólia |
| Crescimento | Lento |
| Luminosidade | Sol pleno |
| Rega | Baixa após pegamento |
| Solo | Ácido, pobre, bem drenado, latossolo do Cerrado |
| Usos | Restauração do Cerrado, melífera, medicinal popular, tanino |
| Longevidade | 30 a 50 anos |
Perfil e comportamento
| Velocidade de crescimento | Baixo |
|---|---|
| Sombra | Baixo |
| Resistência à seca | Muito alto |
| Agressividade das raízes | Muito baixo |
| Facilidade de cultivo | Médio |
| Atrai fauna | Alto |
O que é a samambaia-do-campo e por que não é samambaia
A samambaia-do-campo é Stryphnodendron adstringens, árvore pequena do Cerrado também chamada de barbatimão-verdadeiro. O nome popular vem das folhas jovens, bipinadas e muito recortadas, que lembram frondes de samambaia à distância.
Botanicamente, porém, ela é uma leguminosa lenhosa, da família Fabaceae, mesma do angico e do jatobá. Não produz esporos como samambaias verdadeiras, e sim flores e vagens com sementes.
Na nossa avaliação, é uma das árvores mais subestimadas do Cerrado para quem busca rusticidade: suporta seca prolongada, fogo e solo pobre, onde muitas ornamentais não vingam. O preço dessa rusticidade é o crescimento lento e a copa pouco densa para sombra.
Como identificar: folhas, casca e frutos inconfundíveis
A identificação mais segura é pela casca. Ela é grossa, fendilhada, marrom-acinzentada por fora e avermelhada por dentro, com até 22% a 30% de tanino na casca seca. Ao cortar, solta corante amarronzado que mancha a mão.
As folhas são bipinadas, com 6 a 12 pares de pinas e folíolos pequenos, verde-escuros e opacos. No período seco, a árvore pode ficar quase sem folhas por algumas semanas, brotando novamente com as primeiras chuvas.
As flores são discretas, em espigas cilíndricas de 8 a 12 cm, branco-amareladas e com cheiro forte e adocicado. Já os frutos são vagens grossas, indeiscentes, de 6 a 10 cm, que ficam marrons e permanecem na árvore por meses, mesmo após a maturação.
Como não confundir com outras espécies
- Stryphnodendron polyphyllum (barbatimão-branco) tem folíolos maiores e mais claros e casca menos avermelhada.
- Anadenanthera (angico) tem casca com acúleos e vagens mais achatadas e deiscentes.
- Samambaias arborescentes como Dicksonia sellowiana (xaxim) têm tronco fibroso de raízes adventícias, não madeira verdadeira.
Onde vive no Brasil e qual clima prefere
É endêmica do Cerrado e ocorre de forma natural do Maranhão e Pará até o Paraná, com maior abundância no Brasil Central: Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins e Distrito Federal. Aparece em cerrado stricto sensu, cerradão, campo sujo e campo cerrado.
Prefere clima tropical sazonal, com estação seca bem definida de 4 a 6 meses, altitude de 300 a 1.200 m e sol pleno o dia todo. Não tolera sombra, encharcamento ou geadas fortes e frequentes.
Na natureza, é pioneira e colonizadora. Surge primeiro em áreas queimadas ou degradadas porque suas sementes têm dormência tegumentar quebrada pelo fogo e suas raízes associam-se a bactérias fixadoras de nitrogênio.
Tamanho, copa e raízes: o que esperar no quintal ou calçada
Em cultivo, mantém 4 a 6 m de altura e tronco tortuoso de 20 a 30 cm de diâmetro. Exemplares antigos em Cerrado preservado podem chegar a 8 m, mas isso é exceção.
A copa é rala, arredondada e irregular, com 3 a 5 m de diâmetro. Oferece sombra leve e filtrada, insuficiente para quem busca sombra densa para carro ou área de lazer. Por outro lado, permite o crescimento de gramíneas e outras plantas do Cerrado embaixo.
As raízes são pivotantes e profundas, pouco agressivas. Não levantam calçada nem tubulação como flamboyant ou ficus. É uma das poucas árvores do Cerrado que pode ficar a 3 m de muros e construções sem grande risco, mas ainda precisa de espaço para o desenvolvimento natural do tronco tortuoso.
| Característica | Medida real |
|---|---|
| Altura adulta | 4 a 6 m |
| Diâmetro da copa | 3 a 5 m |
| Diâmetro do tronco | 20 a 30 cm |
| Crescimento anual | 20 a 40 cm |
Como plantar samambaia-do-campo passo a passo
O plantio deve ser feito no início da estação chuvosa, de outubro a dezembro, para aproveitar a água natural. Mudas de viveiros especializados em nativas do Cerrado têm melhor pegamento que sementes diretas.
Se for semear, a escarificação é obrigatória. As sementes têm tegumento impermeável e só germinam após imersão em água a 80°C por 1 minuto ou lixa leve no tegumento. Sem isso, a germinação fica abaixo de 10%.
- Cova: 40 x 40 x 40 cm, com mistura de terra do local + 30% de areia grossa. Não adube em excesso; solo rico demais prejudica a adaptação.
- Espaçamento: 4 a 5 m de outras árvores. Para restauração, 3 x 3 m.
- Plantio: mantenha o colo da muda no nível do solo, sem enterrar o caule. Regue com 10 a 15 litros logo após o plantio.
- Tutoramento: use tutor baixo por 6 meses apenas se a muda for muito torta e houver vento forte.
Nos primeiros 6 meses, regue 2 vezes por semana se não chover. Depois, reduza gradualmente. A partir do segundo ano, só precisa de rega em secas extremas.
Como cuidar: luz, rega, solo e poda
Luz é inegociável: precisa de sol pleno, mínimo 6 horas diretas. Em meia-sombra, fica estiolada, com poucas flores e sujeita a fungos.
Solo ideal é ácido (pH 4,5 a 5,5), pobre, bem drenado e com alumínio, como latossolos do Cerrado. Não corrija com calcário em excesso e evite substratos encharcados ou muito orgânicos. Se o solo for argiloso e compactado, melhore a drenagem com areia e cascalho.
Rega: após estabelecida, é uma das árvores mais tolerantes à seca do Brasil. O erro mais comum é regar demais, o que causa podridão radicular. No período chuvoso, não regue.
Adubação: dispensável. Se quiser acelerar levemente, use uma dose anual de fósforo e matéria orgânica leve no início das chuvas. Excesso de nitrogênio inibe a fixação natural.
Poda: faça apenas poda de formação no primeiro ano para remover ramos baixos ou cruzados. Depois, limite-se a remover galhos secos. Podas drásticas descaracterizam o tronco tortuoso, que é parte do charme do Cerrado.
Usos no paisagismo, na medicina popular e na recuperação do Cerrado
No paisagismo, funciona melhor em jardins de Cerrado, jardins secos, chácaras e sítios que buscam identidade brasileira e baixa manutenção. Combina com ipê-amarelo-do-cerrado, cagaita, lobeira e gramíneas nativas como capim-do-cerrado.
Não é árvore para rua estreita, estacionamento ou praça com exigência de sombra densa. Seu valor é ecológico e estético-rústico, não de sombreamento urbano intensivo.
Na natureza, é melífera importante: floresce de setembro a novembro, no auge da seca, quando poucas árvores oferecem néctar. Atrai abelhas nativas, Apis mellifera e pequenos besouros. Os frutos alimentam roedores e aves do Cerrado na entressafra.
O uso mais conhecido é o tanino da casca, usado tradicionalmente para curtir couro e na medicina popular como adstringente. A casca é protegida por lei em alguns estados e sua extração predatória é uma das causas de declínio local. Não faça extração caseira da casca: além de ilegal sem manejo autorizado, pode matar a árvore.
Para restauração ecológica, é espécie-chave. Fixa nitrogênio, melhora o solo e facilita o estabelecimento de outras nativas. Projetos da Embrapa Cerrados a recomendam para recuperação de pastagens degradadas e áreas de empréstimo.
Pragas, doenças e erros comuns no cultivo
É muito rústica e tem poucas pragas relevantes. Os problemas aparecem quase sempre por manejo errado.
- Cochonilhas e pulgões nas brotações novas, principalmente em mudas sombreadas ou adubadas em excesso. Remova manualmente ou com jato d’água.
- Fungos de solo (Fusarium, Phytophthora) quando há encharcamento. Sintoma: amarelecimento e queda súbita de folhas. Corrija a drenagem e suspenda a rega.
- Formigas cortadeiras podem desfolhar mudas jovens. Use barreira física no tronco nos primeiros meses.
- Erro fatal: plantar em vaso pequeno ou em solo de jardim rico e úmido à sombra. A planta definhará em 1 a 2 anos.
Outro erro comum é comprar muda de barbatimão de outra espécie achando que é samambaia-do-campo. Confira sempre o nome científico na etiqueta e a procedência do viveiro. Mudas sem procedência podem ser extraídas ilegalmente do Cerrado.
Perguntas frequentes
Samambaia-do-campo é a mesma coisa que barbatimão?
Sim, na maior parte do Brasil samambaia-do-campo é o nome popular de Stryphnodendron adstringens, o barbatimão-verdadeiro. Há outros barbatimões, como Stryphnodendron polyphyllum, com características diferentes.
Ela serve para calçada?
Só em calçadas largas (acima de 2,5 m) e com fiação alta ou sem fiação. A copa é rala e o crescimento é lento, então não oferece sombra densa e demora para fazer efeito.
Quanto tempo demora para crescer?
É de crescimento lento: cerca de 20 a 40 cm por ano. Leva de 3 a 5 anos para atingir 3 metros e começar a florescer.
Precisa de muita água?
Não. Após o primeiro ano bem estabelecido, tolera secas de meses sem rega. O excesso de água é mais prejudicial que a falta.
Como fazer a muda germinar?
As sementes precisam de escarificação: lixe levemente um lado da semente ou mergulhe por 1 minuto em água a 80°C. Sem isso, a germinação é muito baixa.
Atrai abelhas?
Sim, é muito melífera. Floresce na seca, entre setembro e novembro, e atrai abelhas nativas e Apis mellifera.
Pode plantar em vaso?
Não é recomendado. Por ser árvore de raiz pivotante e de Cerrado, não se desenvolve bem em vaso e definha rapidamente.
Você sabia?
O nome engana
Apesar de se chamar samambaia-do-campo, ela não é samambaia e nunca produz esporos. O apelido vem só da semelhança das folhas bipinadas com frondes de samambaia quando vistas de longe.
Casca que vale como couro
A casca seca pode conter de 22% a 30% de tanino, um dos maiores teores entre árvores do Cerrado. Por isso foi intensamente explorada para curtume, o que levou à proteção legal em alguns estados.
Semente que precisa de fogo
As sementes têm dormência física tão forte que, na natureza, só germinam em massa após queimadas. Em viveiro, é preciso lixar ou escaldar a semente, caso contrário menos de 1 em cada 10 germina.
Floração na seca brava
Ela floresce entre setembro e novembro, no pico da seca do Cerrado, quando quase nada mais floresce. Por isso é estratégica para abelhas nativas que dependem dela para atravessar a entressafra.










