🌳 Árvores

Jaborandi

Pilocarpus microphyllus

Atualizado em

2 a 5 mTamanho
PereneFolhagem
LentoCrescimento
Meia-sombra a sol plenoLuminosidade
20 a 30 anosLongevidade
Jaborandi adulto (Pilocarpus microphyllus) de corpo inteiro na vegetação nativa

O jaborandi não é uma árvore grande de sombra, mas um arbusto a arvoreta de 2 a 5 m da família Rutaceae, nativo do Norte e Nordeste do Brasil. O nome reúne várias espécies do gênero Pilocarpus, sendo Pilocarpus microphyllus o mais importante economicamente.

Ele ficou mundialmente conhecido por produzir a pilocarpina, alcaloide usado desde 1875 na oftalmologia para tratamento do glaucoma. Por causa da extração intensa das folhas, tornou-se símbolo de extrativismo predatório e hoje tem coleta e cultivo controlados por lei.

Também conhecido como: Jaborandi-do-Maranhão, Jaborandi-legítimo, Jaborandi-verdadeiro, Jambuarandi

Faz parte de: Árvores Pequenas

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Galeria de fotos de Jaborandi

Jaborandi adulto (Pilocarpus microphyllus) de corpo inteiro na vegetação nativa
Jaborandi adulto com porte arbustivo a arvoreta, típico do sub-bosque.
Folhas do jaborandi com folíolos brilhantes e glândulas translúcidas
Folhas compostas com folíolos coriáceos e pontos translúcidos característicos.
Tronco fino e casca lisa acinzentada do jaborandi
Tronco fino e casca lisa, sem ritidoma espesso.
Flores pequenas avermelhadas do jaborandi em racemo terminal
Flores discretas avermelhadas em racemos terminais.
Frutos capsulares do jaborandi com mericarpos e sementes pretas
Frutos em cápsula com mericarpos que liberam sementes pretas brilhantes.
Mudas de jaborandi em viveiro sombreado
Mudas em viveiro precisam de meia-sombra e substrato leve nos primeiros meses.
Ideal para

Ideal para pesquisadores, produtores com manejo autorizado, colecionadores de plantas medicinais e projetos de restauração no Norte e Nordeste. Funciona bem em sistemas agroflorestais sombreados e em jardins botânicos onde o foco é conservação e estudo, não sombra ou ornamentação.

Pode não ser ideal para

Não é ideal para quem busca árvore de sombra, calçada ou quintal pequeno sem manejo técnico. Também não serve para famílias com crianças pequenas e pets soltos, pois as folhas são tóxicas se ingeridas, nem para quem tem pouco tempo, já que exige viveiro sombreado, germinação lenta e 3 a 4 anos até a primeira produção.

Cultivo rápido

Luz
Meia-sombra nos primeiros 12 meses, depois sol pleno a meia-sombra
Solo
Arenoso a areno-argiloso, bem drenado, ácido (pH 4,5 a 6,5), rico em matéria orgânica
Rega
Regular no primeiro ano, mantendo substrato úmido sem encharcar; depois moderada
Temperatura
24 °C a 30 °C; não tolera geada nem frio prolongado abaixo de 15 °C
Adubação
Orgânica anual com composto ou esterco curtido; evitar excesso de nitrogênio
Poda
Leve, apenas sanitária e para facilitar colheita; nunca desfolha total
Propagação
Sementes recém-colhidas; germinação em 30 a 90 dias, taxa 40-60%

Perfil rápido de Jaborandi

Estado de conservação

EN
Em Perigo

Pilocarpus microphyllus é classificada como Em Perigo devido à superexploração extrativista para extração de pilocarpina.

População
estável com manejo controlado
Protegido por
Coleta regulamentada pela Portaria IBAMA 37/1992; exige plano de manejo autorizado

Calendário

FloraçãoJFMAMJJASOND
FrutificaçãoJFMAMJJASOND
Coleta de sementesJFMAMJJASOND
Plantio de mudasJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsTóxica
  • PessoasTóxica

Folhas contêm pilocarpina e outros alcaloides. Ingestão causa salivação, sudorese, vômitos e alterações cardíacas. Manuseio exige luvas; não fazer chás caseiros.

Habitat

Ambientes

  • Sub-bosque de florestas estacionais
  • Matas de galeria e capoeiras
  • Cerradão e transição Cerrado-Amazônia

Biomas

  • Amazônia
  • Cerrado
  • Caatinga
  • Mata Atlântica

Encontrado em 1 país

  • Brasil

Classificação científica

Reino
Plantae
Filo
Tracheophyta
Classe
Magnoliopsida
Ordem
Sapindales
Família
Rutaceae
Gênero
Pilocarpus
Espécie
Pilocarpus microphyllus Stapf ex Wardlew.

Resumo

  • O jaborandi é um arbusto a arvoreta perene de 2 a 5 m, nativo da Amazônia, Caatinga e Cerrado, facilmente reconhecido pelas folhas imparipinadas brilhantes com cheiro cítrico ao serem amassadas.
  • É a única fonte natural em escala comercial de pilocarpina, alcaloide essencial para colírios contra glaucoma e para induzir salivação em tratamentos médicos.
  • De crescimento lento e exigente em sombra inicial e solo leve e ácido, tem cultivo técnico e coleta extrativista regulamentada por ser espécie ameaçada de superexploração.

Características

Ficha da árvore

Nome popularJaborandi (jaborandi-do-Maranhão, jaborandi-legítimo)
Nome científicoPilocarpus microphyllus Stapf ex Wardlew. (grupo Pilocarpus spp.)
Família botânicaRutaceae
OrigemBrasil – Norte e Nordeste (principalmente Maranhão, Pará e Piauí)
Tamanho2 a 5 m de altura (arbusto a arvoreta)
CopaEstreita, ereta e pouco densa, com ramos finos
FolhagemPerene
CrescimentoLento
LuminosidadeMeia-sombra na fase jovem, sol pleno na fase adulta
RegaModerada, sem encharcar
SoloLeve, bem drenado, ácido a neutro (pH 4,5 a 6,5), rico em matéria orgânica
UsosFarmacêutico (pilocarpina), pesquisa, coleção botânica e restauração
Longevidade20 a 30 anos em cultivo

Perfil e comportamento

Velocidade de crescimentoBaixo
SombraBaixo
Resistência à secaMédio
Agressividade das raízesMuito baixo
Facilidade de cultivoBaixo
Atrai faunaAlto

O que é jaborandi e por que ele é tão famoso

O jaborandi não é uma árvore madeireira. É um arbusto a arvoreta perene do gênero Pilocarpus, da família Rutaceae, a mesma da laranja e do limão. No Brasil, o nome popular abrange cerca de 13 espécies, mas Pilocarpus microphyllus, o jaborandi-do-Maranhão, concentra quase toda a importância comercial.

A fama vem de um único motivo: suas folhas produzem pilocarpina, alcaloide imidazólico descoberto em 1875 pelo químico francês Émile Hardy. Desde então, a substância é insubstituível em colírios para glaucoma, pois contrai a pupila e reduz a pressão intraocular, além de ser usada para estimular salivação e sudorese em medicina.

Essa demanda fez do Maranhão o maior fornecedor mundial de pilocarpina no século XX, com pico de exportação nas décadas de 1970 e 1980. A pressão extrativista foi tão grande que a espécie entrou na lista de plantas ameaçadas por superexploração e hoje tem coleta controlada pelo IBAMA.

Como identificar o jaborandi: folhas, flores e frutos

A forma mais segura de reconhecer é pela folha. Ela é composta imparipinada, com 1 a 5 folíolos coriáceos, brilhantes e com pontos translúcidos (glândulas de óleo) visíveis contra a luz. Ao amassar, exala cheiro cítrico forte, típico de Rutaceae.

O tronco é fino, com casca acinzentada e lisa, sem ritidoma grosso. A copa é rala e ereta, não forma sombra densa. Por isso, na mata, o jaborandi aparece como sub-bosque, não como árvore emergente.

As flores são discretas, pequenas, avermelhadas a arroxeadas, em racemos terminais de até 30 cm. Os frutos são cápsulas secas com 4 a 5 mericarpos que se abrem liberando 1 a 2 sementes pretas e brilhantes por gomo. Diferente de plantas ornamentais, não tem floração vistosa.

Onde o jaborandi vive no Brasil

É nativo e endêmico do Brasil. Ocorre principalmente na transição entre Amazônia, Cerrado e Caatinga, com maior densidade no Maranhão, Pará, Piauí e Ceará. Também há registros no Tocantins, Pernambuco e Goiás.

Habita matas de galeria, capoeiras, cerradões e sub-bosque de floresta estacional, em solos arenosos ou areno-argilosos, bem drenados e de baixa fertilidade. Prefere áreas com estação seca definida e sombreamento parcial quando jovem.

Na natureza, raramente forma maciços homogêneos. Cresce disperso, o que dificultou o manejo sustentável e incentivou o extrativismo predatório, com retirada total das folhas e até arranquio da planta.

Pilocarpina: o princípio ativo que vale mais que a madeira

O teor de pilocarpina nas folhas secas varia de 0,5% a 1,1%, considerado alto para um alcaloide. Pilocarpus microphyllus é o que tem maior concentração, por isso foi o mais coletado. Outras espécies, como P. jaborandi e P. pennatifolius, têm teores menores e compostos diferentes.

A substância age como agonista colinérgico, estimulando glândulas e musculatura lisa. Além do glaucoma, é usada em testes de fibrose cística (teste do suor) e no tratamento de xerostomia após radioterapia. Não existe síntese industrial economicamente viável em larga escala, por isso a fonte natural ainda é essencial.

Por causa disso, o jaborandi foi incluído na lista de espécies da Portaria IBAMA nº 37/1992, que exige reposição e manejo autorizado. Hoje, laboratórios compram folhas apenas de áreas manejadas ou cultivos experimentais da Embrapa e de universidades.

Como plantar jaborandi: clima, solo e propagação

O jaborandi é de clima tropical quente e úmido a semiúmido, com temperatura ideal entre 24 °C e 30 °C. Não tolera geada e sofre com frio abaixo de 15 °C. Precisa de alta umidade no primeiro ano e de sombreamento de 30% a 50% na fase de muda.

O solo deve ser leve, profundo, bem drenado e ácido. Solos argilosos e encharcados causam podridão de raiz. A propagação é quase sempre por sementes recém-colhidas, que perdem viabilidade em poucas semanas. A germinação é lenta e irregular, de 30 a 90 dias, com taxa entre 40% e 60%.

Estaquia e alporquia têm baixo pegamento. Por isso, o plantio comercial ainda é raro. As mudas devem ir a campo com 30 a 40 cm, após 6 a 8 meses em viveiro, em espaçamento de 1,5 x 1,0 m se o objetivo for produção de folhas.

Passo a passo simplificado

  • Coleta: colha frutos maduros quando começam a abrir e beneficie as sementes no mesmo dia.
  • Semeadura: use substrato arenoso com matéria orgânica, mantenha à meia-sombra e irrigue diariamente sem encharcar.
  • Transplantio: leve ao local definitivo no início da estação chuvosa, com covas de 30 x 30 cm adubadas com composto orgânico.
  • Sombreamento: consorcie com espécies pioneiras ou use sombrite nos primeiros 12 meses.

Como cuidar e quando produz pilocarpina

Nos dois primeiros anos, a planta exige irrigação regular, capina e proteção do sol forte. Depois de estabelecida, torna-se mais rústica e tolera seca moderada, mas perde folhas se o déficit hídrico for prolongado.

O crescimento é lento: atinge 1 m com cerca de 18 a 24 meses e só começa a produzir folhas em quantidade comercial após 3 a 4 anos. A poda deve ser leve, apenas para retirada de ramos secos e para facilitar a colheita manual das folhas.

A colheita sustentável retira no máximo 50% das folhas maduras por planta, nunca o ápice. A adubação é orgânica, com reposição anual de matéria orgânica. Excesso de nitrogênio reduz o teor de pilocarpina.

Usos, manejo sustentável e legislação

O uso principal é farmacêutico e científico. Não é árvore madeireira, ornamental de destaque nem frutífera. Seu valor está integralmente na folha. Por isso, não faz sentido plantar jaborandi esperando sombra ou frutos.

O manejo sustentável aprovado pelo IBAMA prevê rotação de áreas, intervalo mínimo de 12 meses entre coletas e manutenção de matrizes porta-sementes. A Embrapa Meio-Norte e a UFMA mantêm bancos de germoplasma e experimentos de cultivo sombreado em sistemas agroflorestais.

Para quem encontra jaborandi nativo na propriedade, a recomendação é não coletar sem autorização ambiental e, se houver interesse comercial, procurar o órgão estadual de meio ambiente para plano de manejo.

Riscos, toxicidade e erros comuns

Toda a planta contém alcaloides, mas as folhas são a parte mais ativa. A ingestão ou uso incorreto pode causar salivação excessiva, sudorese, náusea, vômito, bradicardia e broncoespasmo. É tóxica para humanos e animais domésticos se ingerida sem controle.

Erros frequentes: confundir jaborandi com outras Rutaceae sem pilocarpina, como Esenbeckia ou Zanthoxylum; achar que chá caseiro trata glaucoma; e cultivar a pleno sol desde a semente, o que queima as mudas. Não existe uso caseiro seguro sem padronização da dose.

Mantenha crianças e pets longe das folhas e nunca use preparações caseiras. O manuseio de folhas secas deve ser com luvas, pois o pó irrita olhos e mucosas.

Jaborandi no paisagismo: vale a pena plantar no quintal?

Como ornamental, o jaborandi tem valor limitado. A copa é rala, a floração é pouco vistosa e o crescimento é lento. Não serve para calçada, sombra densa ou cerca-viva.

Na nossa avaliação, ele faz sentido para coleções botânicas, jardins de plantas medicinais, projetos de restauração e sistemas agroflorestais no Norte e Nordeste, onde tem adaptação climática. Fora dessas regiões, o cultivo exige estufa e manejo técnico, sem retorno paisagístico.

Se a ideia é ter uma arvoreta nativa de pequeno porte para quintal, espécies como pitanga, jabuticaba ou murta têm muito mais apelo visual e manejo simples. Reserve o jaborandi para quem tem interesse farmacológico, científico ou de conservação.

Perguntas frequentes

Jaborandi é árvore ou arbusto?

É um arbusto a arvoreta perene de 2 a 5 m. Na literatura é tratado como arvoreta por ter tronco lenhoso, mas não atinge porte de árvore de sombra.

Para que serve o jaborandi?

Serve como fonte natural de pilocarpina, usada em colírios para glaucoma e em medicamentos que estimulam salivação e sudorese. Não tem uso madeireiro ou alimentar relevante.

Pode fazer chá de jaborandi em casa?

Não. As folhas são tóxicas em dose não controlada e podem causar intoxicação grave. O uso só é seguro com pilocarpina purificada e dosada pela indústria farmacêutica.

Onde encontrar jaborandi no Brasil?

Principalmente no Maranhão, Pará, Piauí e Ceará, em matas de transição entre Amazônia, Cerrado e Caatinga. Ocorre de forma dispersa no sub-bosque.

Jaborandi pode ser plantado no quintal?

Pode, mas exige clima quente, solo ácido e bem drenado, meia-sombra inicial e 3 a 4 anos até produzir folhas com pilocarpina. Tem pouco valor ornamental e não forma sombra densa.

Jaborandi é planta protegida por lei?

Sim. Pilocarpus microphyllus tem coleta controlada pela Portaria IBAMA 37/1992. A extração comercial exige autorização e plano de manejo.

Qual a diferença entre jaborandi e jambu?

São plantas diferentes. Jaborandi (Pilocarpus) é da família Rutaceae e produz pilocarpina. Jambu (Acmella oleracea) é da família Asteraceae e causa dormência na boca por espilantol.

Você sabia?

1

Nome que faz babar

Jaborandi vem do tupi yaborandi, junção de ya (coisa) + borandi (que faz babar). O nome descreve exatamente o efeito da pilocarpina, que provoca salivação e sudorese intensas em minutos.

2

Maranhão, capital mundial

Nas décadas de 1970 e 1980, o Maranhão respondeu por mais de 90% da produção mundial de pilocarpina. A extração chegou a 2 mil toneladas de folhas secas por ano, o que quase dizimou populações nativas.

3

Irmã da laranja

Apesar da aparência simples, o jaborandi é da família Rutaceae, a mesma dos citros. Por isso suas folhas têm glândulas de óleo translúcidas e cheiro de limão quando amassadas, característica que ajuda na identificação em campo.

4

Semente que não espera

As sementes do jaborandi são recalcitrantes: perdem a viabilidade em 15 a 30 dias se secarem. Na natureza, precisam cair em solo úmido e sombreado logo após a abertura do fruto para germinar.

Fontes

  1. Flora e Funga do Brasil - Pilocarpus
  2. Embrapa Florestas
  3. IUCN Red List - Pilocarpus microphyllus
  4. Instituto Brasileiro do Meio Ambiente - IBAMA

Prós e contras: Jaborandi

Prós

  • Única fonte natural viável de pilocarpina, de alto valor farmacêutico
  • Nativa do Brasil com importância científica e econômica reconhecida
  • Porte pequeno, adequado para sistemas agroflorestais e coleções botânicas
  • Raízes pouco agressivas, não danifica calçadas ou tubulações
  • Atrai abelhas e pequenos insetos polinizadores na floração

Contras

  • Crescimento lento e germinação difícil, com baixa taxa de pegamento
  • Exige sombreamento inicial e solo ácido bem drenado, pouco tolerante a geada
  • Folhas tóxicas se ingeridas, risco para crianças e pets
  • Sem valor ornamental ou de sombra densa, floração discreta
  • Coleta e cultivo com restrições legais e retorno só após 3 a 4 anos
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o jaborandi é um caso raro em que uma arvoreta discreta vale mais pela química do que pela madeira ou sombra. Não é planta para paisagismo comum, mas é insubstituível como patrimônio farmacêutico brasileiro que só se sustenta com cultivo técnico e manejo legal.

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Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.