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Aranha-pavão

Maratus spp. (Maratus volans é a espécie mais conhecida)

Atualizado em

3 a 5 mm de corpoTamanho
BaixíssimoPerigo para humanos
Leve, não perigosoVeneno
9 a 12 mesesExpectativa de vida
Vegetação rasteira da AustráliaHabitat
Aranha-pavão macho exibindo o leque abdominal colorido sobre folha seca

A aranha-pavão é um gênero de aranhas-saltadoras da Austrália, famoso pelo macho que abre o abdômen como um leque iridescente e dança para a fêmea. Com apenas 3 a 5 mm, ela não tece teia para caçar e depende de visão e saltos precisos.

Apesar do nome, não tem relação com pavões e não oferece perigo para pessoas ou pets. É diurna, extremamente tímida e quase impossível de encontrar no Brasil, exceto em criações especializadas ou registros importados.

Também conhecido como: Aranha-pavão, Peacock spider (inglês), Pfauenspinne (alemão), Araña pavo real (espanhol)

Faz parte de: Aranhas Inofensivas

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Galeria de fotos de Aranha-pavão

Aranha-pavão macho exibindo o leque abdominal colorido sobre folha seca
Macho de aranha-pavão com o leque abdominal expandido durante a corte.
Close dos olhos frontais grandes da aranha-pavão
Detalhe dos olhos frontais enormes, típicos das aranhas-saltadoras.
Aranha-pavão em postura de caça antes do salto na vegetação rasteira
Postura de caça: ela mede a distância antes de saltar sobre a presa.
Fêmea da aranha-pavão camuflada na serapilheira
Fêmea sem leque, com coloração marrom-bege para camuflagem.
Aranha-pavão se alimentando de mosca pequena
Alimentação à base de microinsetos capturados no salto.
Detalhe das pernas e do padrão iridescente do leque da aranha-pavão macho
Escamas fotônicas que criam o azul iridescente sem pigmento.
Ooteca da aranha-pavão escondida sob folha
Ooteca com 20 a 40 ovos protegida por seda sob folha.

Perfil rápido de Aranha-pavão

Estado de conservação

NE
Não Avaliada

Gênero Maratus ainda não avaliado individualmente pela IUCN em sua maioria.

População
estável
Protegido por
não

Calendário

Maior atividade de machos (corte)JFMAMJJASOND
Postura de ovosJFMAMJJASOND
Eclosão de filhotesJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsNão tóxica
  • PessoasNão tóxica

Veneno leve, sem importância médica. Picadas são raríssimas e causam no máximo dor local passageira.

Vida útil

Na natureza
9 a 12 meses
Em cativeiro
até 12 meses com manejo adequado

Reprodução

Acasalamento
Corte com exibição de leque e vibração; fêmea escolhe
Tipo de reprodução
Ovípara com ooteca de seda
Ovos por postura
20 a 40
Cuidado parental
Fêmea guarda a ooteca até a eclosão; sem cuidado após dispersão
Maturidade sexual
4 a 6 meses após eclosão

Habitat

Ambientes

  • Vegetação rasteira e gramíneas baixas
  • Folhagens de arbustos e serapilheira
  • Campos abertos e clareiras ensolaradas
  • Bordas de mata e áreas costeiras com vegetação baixa

Biomas

  • Campos e savanas australianas
  • Mata aberta e bosques esclerófilos
  • Áreas litorâneas com vegetação rasteira

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Moscas pequenas
  • Mosquitos e mosquitos-de-fruta

Outros alimentos

  • Pulgões
  • Pequenas mariposas
  • Outras aranhas menores

Encontrado em 1 país

  • Austrália

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Arthropoda
Classe
Arachnida
Ordem
Araneae
Família
Salticidae
Gênero
Maratus
Espécie-tipo
Maratus volans

Resumo

  • A aranha-pavão é uma aranha-saltadora de 3 a 5 mm da Austrália, famosa pelo macho que exibe um leque abdominal colorido em uma dança de acasalamento.
  • Não tece teia, caça saltando sobre presas pequenas e tem veneno leve que não representa risco para humanos ou pets.
  • Vive cerca de 1 ano, é diurna e não ocorre naturalmente no Brasil, habitando vegetação rasteira e folhagens baixas australianas.

Características

Ficha da aranha-pavão

OrdemAraneae
FamíliaSalticidae (aranhas-saltadoras)
GêneroMaratus (cerca de 90 espécies descritas)
Origem e distribuiçãoAustrália (endêmica), com maior diversidade no sul e leste)
Tamanho3 a 5 mm de corpo; fêmeas ligeiramente maiores que machos
Envergadura das pernas4 a 6 mm
CoresFêmea: marrombegecinza camufladoMacho: pretoazul iridescentevermelholaranjaamarelobranco
TeiaNão tece teia para captura; faz apenas fio de segurança e abrigo pequeno
AlimentaçãoMoscas, mosquitos, pequenas mariposas e outras aranhas menores
VenenoPresente, de baixa potência; sem importância médica
HabitatVegetação rasteira, folhagens baixas, serapilheira e áreas de campo aberto
AtividadeDiurna
Expectativa de vida9 a 12 meses na natureza
ReproduçãoOvípara; 20 a 40 ovos por ooteca

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito baixo
AgressividadeMuito baixo
Presença em casasMuito baixo
Utilidade no controle de pragasMédio
Tamanho da teiaMuito baixo
Facilidade de criação em cativeiroBaixo

Como identificar a aranha-pavão sem confundir

A aranha-pavão não parece uma aranha à primeira vista. O macho adulto tem 3 a 4 mm e, quando não está exibindo, parece uma saltadora marrom-acinzentada comum. A mágica acontece quando ele levanta o abdômen e abre o leque dorsal (flap), uma extensão lateral coberta por escamas que reflete azul, vermelho e laranja metálicos.

A fêmea é maior, com 4 a 5 mm, e não tem leque. Ela é marrom-bege bem camuflada, com padrão malhado que a esconde em folhas secas. É ela que você encontraria com mais frequência se estivesse na Austrália, justamente por não chamar atenção.

O detalhe que entrega a família Salticidae são os olhos frontais enormes. São dois olhos centrais muito grandes, como faróis, ladeados por outros seis menores. Essa configuração dá visão quase 360° e excelente percepção de profundidade, essencial para caçar saltando. Nenhuma aranha de teia tem esse conjunto.

  • Macho em exibição: abdômen aberto em leque, terceira perna levantada, cores iridescentes que mudam com a luz.
  • Fêmea ou macho em repouso: corpo compacto, pernas curtas e peludas, movimentos rápidos e em solavancos, não em teia.
  • Não confunda com: aranhas de teia coloridas ou com a aranha-pavão-de-costa-vermelha (Maratus pavonis), que é outra espécie do mesmo gênero.

Onde vive e por que quase não aparece no Brasil

A aranha-pavão é endêmica da Austrália. O gênero Maratus tem cerca de 90 espécies descritas, concentradas no sul e leste do país, incluindo Tasmânia. Vive em vegetação rasteira, capim baixo, folhagens de arbustos e serapilheira, nunca no alto de árvores ou dentro de teias grandes.

Ela não ocorre naturalmente no Brasil. Os poucos registros por aqui são de criadores especializados ou de fotos confundidas com outras saltadoras nativas, como Lyssomanes ou Hasarius. No habitat natural, prefere áreas abertas e ensolaradas, onde a luz realça o brilho do macho durante a corte.

Por ser minúscula e diurna, passa despercebida mesmo na Austrália. Quem procura precisa se agachar e observar folha por folha. A maioria das fotos famosas foi feita com lente macro e muita paciência em campo, não em casas.

Como caça sem teia: o salto calculado

A aranha-pavão não constrói teia para capturar presas. Ela é uma caçadora ativa. Usa um fio de segurança de seda apenas como âncora caso erre o salto, e um pequeno abrigo de seda para dormir à noite.

A caça funciona assim: ela avista a presa com os olhos frontais, mede a distância, aproxima-se em passos lentos e, quando está a poucos milímetros, salta com precisão milimétrica. O salto pode cobrir mais de 30 vezes o comprimento do próprio corpo, impulsionado por variação hidráulica de pressão nas pernas.

A dieta é de pequenos dípteros, mosquitos, pulgões e outras aranhas menores. Pela eficiência, tem papel útil no controle de microinsetos, mas seu impacto é local e pequeno devido ao tamanho e à baixa densidade populacional.

Visão que explica tudo

Diferente da maioria das aranhas, que dependem de vibração, a aranha-pavão enxerga cores, incluindo ultravioleta. As escamas do macho refletem luz de forma estrutural, não por pigmento, criando aquele azul que parece mudar conforme o ângulo. É um dos sistemas visuais mais sofisticados entre artrópodes terrestres.

A dança do macho e o risco de ser devorada

A fama da aranha-pavão vem da corte do macho. Ao encontrar uma fêmea, ele levanta o abdômen, expande o leque, ergue a terceira perna e começa a vibrar o abdômen e as pernas em ritmo. Ao mesmo tempo, produz vibrações no substrato que a fêmea sente pelas pernas.

A dança dura de segundos a vários minutos. Se a fêmea estiver receptiva, ela se agacha e permite a cópula. Se não, ela pode simplesmente ir embora ou, em alguns casos, atacar e devorar o macho. Por isso o macho mantém distância e só se aproxima quando percebe sinais de aceitação.

Cada espécie de Maratus tem coreografia e padrão de cores próprios. É assim que os pesquisadores diferenciam espécies que, em repouso, são quase idênticas. O biólogo Jürgen Otto, na Austrália, descreveu mais de 20 espécies novas justamente filmando essas danças em câmera lenta.

  • Erro comum: achar que todo indivíduo colorido é macho adulto. Machos jovens e fêmeas não exibem leque.
  • Curiosidade de campo: o macho limpa e alinha as escamas do leque antes de exibir, como quem ajeita a roupa.

Veneno e picada: a aranha-pavão é perigosa?

Não. A aranha-pavão não é perigosa para humanos ou pets. Ela possui veneno para imobilizar micropresas, mas a quantidade é ínfima e a peçonha não tem importância médica. Não há registros de acidentes relevantes.

Picadas são extremamente raras. Ela é tímida, foge ao menor sinal e só morderia se fosse prensada contra a pele. Mesmo nesse caso improvável, o quadro seria no máximo dor local leve e vermelhidão passageira, semelhante à picada de formiga pequena.

Não confunda com aranhas de risco no Brasil, como armadeira (Phoneutria), marrom (Loxosceles) e viúva-negra (Latrodectus). Essas sim exigem atendimento médico imediato. A aranha-pavão está no extremo oposto: é uma das saltadoras mais inofensivas que existem.

Se houver picada de qualquer aranha com dor forte, inchaço que se espalha, febre ou ferida que escurece, procure atendimento médico imediatamente. Se possível, fotografe o animal sem se arriscar.

Reprodução e ciclo de vida

O ciclo é curto e sazonal. Na Austrália, o pico de atividade reprodutiva ocorre na primavera e início do verão (setembro a dezembro), quando machos ficam mais visíveis dançando em áreas ensolaradas.

Após a cópula, a fêmea produz uma ooteca pequena com 20 a 40 ovos, envolta em seda e escondida sob folhas ou cascas. Ela guarda o saco por semanas, sem se alimentar muito. Os filhotes nascem miniaturas dos adultos, já capazes de caçar, e dispersam rapidamente.

A expectativa de vida na natureza é de 9 a 12 meses. Machos vivem um pouco menos, muitas vezes morrendo logo após o período reprodutivo. Em cativeiro, com temperatura estável e alimentação regular, alguns exemplares chegam a 12 meses, mas raramente mais.

Papel no ecossistema e por que não deve ser morta

Na teia alimentar australiana, a aranha-pavão é predadora de microinsetos e presa de aves, vespas e aranhas maiores. Sua presença indica ambiente de vegetação rasteira saudável, com boa diversidade de pequenos artrópodes.

Matar por medo não faz sentido. Além de inofensiva, ela ajuda a controlar mosquitos e moscas pequenas sem usar teia que suja a casa. Se encontrar uma saltadora parecida no Brasil, a melhor atitude é observar ou gentilmente conduzi-la para fora com um pote e um papel.

Para aracnólogos, o gênero Maratus é importante porque mostra evolução de sinalização sexual complexa em um animal de poucos milímetros. O estudo das escamas fotônicas já inspira pesquisas em ótica e materiais que refletem cor sem pigmento.

Como conviver e observar sem estressar o animal

Como não vive em casas e não faz teia grande, a convivência é simples: não é preciso fazer nada. Se você cria saltadoras, a aranha-pavão exige cuidados específicos e não é recomendada para iniciantes.

Em cativeiro, precisa de terrário pequeno e bem ventilado, com substrato seco, folhas e luz natural indireta. Alimentação com moscas de fruta (Drosophila) e microgrilos duas a três vezes por semana. Umidade alta e falta de ventilação matam rapidamente.

Para fotografar na natureza, não toque, não prenda e não use flash direto muito próximo. A luz forte assusta e pode interromper a corte. Observe a distância e deixe o macho completar a dança; é a única chance de ver o leque aberto.

O que torna a aranha-pavão realmente única

Na nossa avaliação, a aranha-pavão é o melhor exemplo de que tamanho não define complexidade. Nenhuma outra aranha combina visão de alta resolução, salto balístico e exibição de cor estrutural com tanta sofisticação em 4 mm.

O que a distingue de outras saltadoras não é só a cor, mas o leque abdominal expansível, ausente em 99% das aranhas. Enquanto a maioria das saltadoras corteja apenas com pernas e vibração, Maratus acrescenta um painel de cor que funciona como tela.

Se você espera uma aranha exótica para criar, ela frustra: é delicada, vive pouco e exige alimento vivo minúsculo. Se você busca um animal para admirar e entender evolução, ela é fascinante e vale cada minuto de observação em vídeo macro.

Perguntas frequentes

Aranha-pavão é venenosa?

Sim, como quase todas as aranhas, mas o veneno é muito fraco e não oferece perigo para humanos ou pets. Picadas são raríssimas.

Aranha-pavão existe no Brasil?

Não ocorre naturalmente no Brasil. É endêmica da Austrália. Registros por aqui são de criação especializada ou confusão com outras saltadoras.

Ela faz teia?

Não faz teia para caçar. Usa apenas um fio de segurança para o salto e um pequeno abrigo de seda para dormir.

Por que o macho dança?

Para cortejar a fêmea. Ele abre o leque abdominal colorido, levanta as pernas e vibra o corpo. Se a fêmea não gostar, ela vai embora ou pode atacá-lo.

Qual o tamanho da aranha-pavão?

De 3 a 5 mm de corpo, com envergadura de pernas de 4 a 6 mm. Fêmeas são ligeiramente maiores que machos.

Quanto tempo vive?

Cerca de 9 a 12 meses na natureza. Em cativeiro bem manejado, até 12 meses.

Dá para criar aranha-pavão em casa?

É possível, mas não é recomendada para iniciantes. Exige terrário bem ventilado, alimento vivo minúsculo e não tolera manuseio.

Você sabia?

1

A cor não é tinta

O azul e o vermelho do macho não vêm de pigmento, mas de microestruturas nas escamas que refratam a luz, como um CD. Por isso o brilho muda conforme o ângulo.

2

Dança com trilha sonora

Enquanto dança, o macho vibra o abdômen no chão e gera sinais sísmicos que a fêmea sente pelas pernas, mesmo sem som audível para nós.

3

Famosa tarde

O gênero ficou quase desconhecido até 2011, quando vídeos em macro do australiano Jürgen Otto viralizaram e levaram à descrição de mais de 20 espécies novas em poucos anos.

4

Salto de atleta

Para caçar, ela salta mais de 30 vezes o tamanho do corpo com erro de menos de 2 mm, usando pressão hidráulica nas pernas e um fio de segurança.

Fontes

  1. World Spider Catalog
  2. Instituto Butantan
  3. GBIF - Global Biodiversity Information Facility
  4. Atlas of Living Australia

Prós e contras: Aranha-pavão

Prós

  • Totalmente inofensiva para humanos e pets
  • Não faz teia grande e não infesta casas
  • Comportamento de corte único e fascinante para observação
  • Ajuda no controle de microinsetos como mosquitos
  • Excelente para educação ambiental e fotografia macro

Contras

  • Não ocorre no Brasil na natureza
  • Vive pouco, cerca de 1 ano
  • Muito pequena e difícil de observar a olho nu
  • Exige alimento vivo minúsculo se criada em cativeiro
  • Macho pode ser canibalizado se a corte falhar
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a aranha-pavão é uma das aranhas mais extraordinárias para observar, mas uma das piores para criar sem experiência: vive pouco, é minúscula e exige alimento vivo muito pequeno. Seu valor está na observação e na ciência, não como pet de manuseio.

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Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

Sou uma entusiasta do universo dos peixes e da vida aquática. Dedico-me a pesquisar e partilhar informações sobre espécies de peixes, alimentação, comportamento, habitat e cuidados, ajudando os…

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Última revisão em 16.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.