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Ipê-verde

Cybistax antisyphilitica

Atualizado em

6 a 12 m de alturaTamanho
Sol plenoLuminosidade
Baixa a moderadaRega
PereneCiclo de vida
Fácil a moderadaDificuldade
Ipê-verde adulto florido no Cerrado com flores verde-claras

O ipê-verde é a única espécie de ipê com flores em tom verde-claro a amarelo-esverdeado, nativa do Cerrado e da Caatinga. Diferente dos ipês amarelos e roxos do gênero Handroanthus, ele pertence ao gênero monotípico Cybistax e chama atenção justamente pela floração discreta e elegante.

De porte médio, entre 6 e 12 metros, é uma árvore decídua, de crescimento moderado e copa arredondada, muito usada em restauração do Cerrado, arborização de sítios e fazendas e como planta ornamental para quem busca uma espécie nativa, rústica e pouco exigente em água.

Também conhecido como: Ipê-de-flor-verde, Ipê-verde-do-cerrado, Caroba-verde

Faz parte de: Plantas de Sol Pleno, Plantas Ornamentais, Plantas para Jardim

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Galeria de fotos de Ipê-verde

Ipê-verde adulto florido no Cerrado com flores verde-claras
Ipê-verde adulto em seu habitat natural no Cerrado.
Flores verde-claras do ipê-verde em detalhe
Flores tubulares verde-claras, marca registrada da espécie.
Folhas digitadas do ipê-verde com cinco folíolos
Folhas digitadas com cinco folíolos coriáceos.
Fruto em cápsula alongada do ipê-verde
Cápsula alongada que libera sementes aladas.
Muda jovem de ipê-verde em tubete de viveiro
Muda jovem pronta para plantio no início das chuvas.
Ipê-verde plantado em jardim amplo com sol pleno
Plantio em área ampla com sol pleno e solo bem drenado.
Ideal para

Ideal para quem tem área ampla, sítio, chácara ou fazenda no Cerrado e busca uma árvore nativa rústica, de baixa manutenção e boa para restauração ecológica. Também funciona bem em parques, condomínios com recuo generoso e projetos de arborização rural, onde há sol pleno e solo bem drenado. Na nossa avaliação, é uma escolha de valor para quem valoriza biodiversidade e quer atrair abelhas nativas e pássaros, sem depender de rega constante ou adubação pesada.

Pode não ser ideal para

Pode não ser ideal para quem mora em apartamento, tem quintal pequeno ou busca sombra densa e imediata. O porte de 6 a 12 m, a copa rala e a floração discreta frustram quem espera o impacto visual dos ipês amarelos ou roxos. Também não é indicada para calçadas estreitas, sob fiação ou em solos argilosos que encharcam, onde a raiz profunda sofre e o crescimento fica comprometido, exigindo manejo que o iniciante sem espaço não consegue oferecer.

Cultivo rápido

Luz
Sol pleno, mínimo 6 horas de sol direto; não floresce bem em meia-sombra
Rega
Baixa a moderada; 2 vezes por semana no 1º ano na seca, depois quinzenal ou apenas chuva
Solo
Bem drenado, leve a médio, arenoso ou pedregoso, pH 5,5 a 6,5; não tolera encharcamento
Temperatura
Ideal 18 °C a 30 °C; tolera seca prolongada e geadas leves e rápidas, sensível a frio intenso prolongado
Adubação
No plantio 2 a 3 L de composto + 100 g NPK 4-14-8; manutenção anual com 50 a 80 g NPK 10-10-10 no início das chuvas
Poda
Apenas formativa nos 2 primeiros anos e limpeza de galhos secos entre junho e julho
Propagação
Exclusivamente por sementes aladas frescas, semeadura a 1 cm de profundidade, germinação em 7 a 20 dias

Perfil rápido de Ipê-verde

Calendário

PlantioJFMAMJJASOND
FloraçãoJFMAMJJASOND
FrutificaçãoJFMAMJJASOND
Poda leveJFMAMJJASOND

Habitat

Ambientes

  • Cerrado stricto sensu
  • Cerradão
  • Matas secas e Caatinga arbórea
  • Bordas de Mata Atlântica interiorana

Biomas

  • Cerrado
  • Caatinga
  • Mata Atlântica

Encontrado em 3 países

  • Brasil
  • Bolívia
  • Paraguai

Classificação científica

Reino
Plantae
Filo
Tracheophyta
Classe
Magnoliopsida
Ordem
Lamiales
Família
Bignoniaceae
Gênero
Cybistax
Espécie
Cybistax antisyphilitica

Resumo

  • O ipê-verde é a árvore nativa Cybistax antisyphilitica, de 6 a 12 m, com flores verde-claras e folhas digitadas com 5 folíolos, típica do Cerrado.
  • Floresce entre agosto e outubro, frutifica em cápsulas alongadas de 20 a 30 cm e precisa de sol pleno, solo bem drenado e rega baixa a moderada.
  • É ideal para jardins amplos, restauração e arborização rural, mas não funciona bem em vasos pequenos ou calçadas estreitas por causa do porte e da raiz profunda.

Características

Ficha da planta

Nome popularIpê-verde
Nome científicoCybistax antisyphilitica (Mart.) Mart.
Família botânicaBignoniaceae
OrigemBrasil (Cerrado, Caatinga e Mata Atlântica)
Tipo de plantaÁrvore decídua
Ciclo de vidaPerene
Tamanho6 a 12 m de altura (excepcionalmente até 18 m), tronco 30 a 40 cm de diâmetro
Coresverde-claroamarelo-esverdeadocreme
LuminosidadeSol pleno
RegaBaixa a moderada
SoloBem drenado, leve, pobre a moderadamente fértil, pH 5,5 a 6,5
Temperatura18 °C a 30 °C; tolera seca e geadas leves e rápidas
PropagaçãoSementes aladas
Toxicidade para petsSem relatos de toxicidade relevante; consulte veterinário em caso de ingestão

Perfil e comportamento

Necessidade de luzMuito alto
Necessidade de águaBaixo
Facilidade de cultivoAlto
Adequação a vasosMuito baixo
Resistência a pragasAlto
Tolerância ao frioMédio
Tolerância ao calorMuito alto
Valor ornamentalAlto

Como reconhecer o ipê-verde sem confundir com outros ipês

O ipê-verde se entrega pela cor da flor. Enquanto ipês amarelos, rosas e roxos explodem em tons fortes, o Cybistax antisyphilitica abre flores tubulares de verde-claro a amarelo-esverdeado, às vezes quase creme, agrupadas em inflorescências terminais mais discretas. É o único ipê brasileiro com essa paleta, o que torna a identificação em campo relativamente simples quando está florido.

Sem flor, observe as folhas e a casca. As folhas são digitadas, com 5 folíolos coriáceos, de 5 a 12 cm cada, com margem inteira e face superior mais brilhante. No período de seca, a árvore fica totalmente despida, um comportamento decíduo típico do Cerrado. O tronco é reto, casca acinzentada e fissurada em placas irregulares, com 30 a 40 cm de diâmetro em exemplares adultos. A madeira é leve, com densidade em torno de 0,50 a 0,60 g/cm³, clara e pouco durável em contato com o solo.

  • Altura real: 6 a 12 m na maioria dos plantios; em mata de Cerradão pode chegar a 15 a 18 m.
  • Copa: arredondada e rala, com sombra leve, diferente da copa densa do ipê-amarelo.
  • Fruto inconfundível: cápsula seca, alongada e achatada, de 20 a 30 cm, que se abre em duas valvas liberando sementes aladas.

Onde o ipê-verde vive e por que é raro na cidade

Na natureza, o ipê-verde ocorre do Nordeste ao Sul do Brasil, com maior frequência no Cerrado, Caatinga e transição para Mata Atlântica, em solos bem drenados, pedregosos ou arenosos e sob sol forte. Aparece em Cerrado stricto sensu, Cerradão e matas secas, geralmente de forma esparsa, nunca formando maciços densos. Também ocorre na Bolívia e no Paraguai, sempre em formações savânicas.

Apesar da rusticidade, quase não é usado em arborização urbana. O motivo é prático: tem crescimento moderado, floração menos vistosa que os Handroanthus e copa que não oferece sombra fechada, características pouco valorizadas em projetos que buscam impacto visual imediato. Além disso, a madeira leve e quebradiça não o recomenda para calçadas com fiação ou tráfego intenso. Na nossa avaliação, é uma escolha muito mais inteligente para sítios, chácaras, fazendas, parques amplos e projetos de restauração do que para ruas estreitas.

Quem planta para recuperar área degradada ganha um aliado: é pioneira a secundária inicial, tolera solos pobres, seca prolongada e rebrota bem, ajudando a estruturar o sistema rapidamente.

Floração discreta e frutos que estalam: o ciclo que poucos veem

O ipê-verde floresce no fim da estação seca, entre agosto e outubro, quando a árvore está sem folhas. A floração dura de 2 a 4 semanas e é menos exuberante que a dos ipês tradicionais, mas atrai abelhas mamangavas, abelhas nativas e beija-flores, seus principais polinizadores. O tom esverdeado funciona como camuflagem entre as folhas novas que começam a brotar logo depois.

Após a polinização surgem as cápsulas de 20 a 30 cm, verdes e depois marrons, que permanecem na árvore por meses. Quando secas, abrem-se com um estalo e liberam dezenas de sementes aladas e leves, dispersas pelo vento a curta distância. A frutificação ocorre de outubro a dezembro e a coleta deve ser feita assim que as cápsulas começam a rachar, antes que o vento leve tudo.

As sementes têm viabilidade curta, de 3 a 6 meses em armazenamento simples, e germinam em 7 a 20 dias se semeadas logo após a coleta. Essa janela curta explica por que mudas são mais fáceis de encontrar em viveiros especializados em nativas do que em garden centers comuns.

Como plantar ipê-verde do jeito certo no Brasil

Plante por sementes, que é o método viável. Estacas e alporquia não funcionam bem nesta espécie. Colha as cápsulas quando começarem a abrir, retire as sementes aladas e semeie em até 30 dias. Use tubetes ou saquinhos de 15 x 25 cm com substrato leve: 50% terra de Cerrado ou areia lavada + 30% composto orgânico + 20% vermiculita.

Enterre a semente a 1 cm de profundidade, mantenha à meia-sombra até germinar e depois leve para sol pleno. A germinação fica entre 60% e 80% com sementes frescas. Transplante para o local definitivo quando a muda atingir 30 a 50 cm, geralmente com 4 a 6 meses. No campo, abra berço de 40 x 40 x 40 cm, corrija apenas se o solo for muito ácido e evite encharcar.

  • Espaçamento: 5 a 7 m de outras árvores de porte médio; 4 m de muros e construções.
  • Melhor época de plantio: início das chuvas, de outubro a dezembro, para pegar solo úmido e calor.
  • Primeiro ano: tutoramento leve se houver vento forte e coroamento de 60 cm para evitar competição com gramíneas.

Luz, rega e solo: o tripé que decide se a muda vinga

O ipê-verde é planta de sol pleno absoluto. Precisa de pelo menos 6 horas de sol direto por dia para crescer reto e florescer. Em meia-sombra estica, fica com tronco fino e quase não floresce. Tolera calor intenso acima de 35 °C e seca de meses, mas sofre com geadas fortes e prolongadas abaixo de -3 °C.

O solo ideal é bem drenado, aerado e de fertilidade baixa a média. Solos argilosos e compactados matam a muda por asfixia radicular. Se o terreno encharca, plante em leve camalhão de 20 a 30 cm. O pH entre 5,5 e 6,5 é suficiente; não precisa de correção pesada com calcário como lavouras exigem.

Na rega, menos é mais. Depois de pegamento, o ipê-verde sobrevive só com chuva na maior parte do Brasil central. No primeiro ano, regue 2 vezes por semana na seca, molhando fundo. Do segundo ano em diante, 1 vez por semana ou quinzenal basta. O erro mais comum é regar todo dia em solo pesado, o que apodrece o colo e favorece fungos.

Adubação e poda sem exageros

Adubação é simples e pontual. No plantio, misture ao berço 2 a 3 litros de esterco curtido ou composto e 100 g de NPK 4-14-8. Uma vez por ano, no início das chuvas, repita com 50 a 80 g de NPK 10-10-10 ao redor da copa, sem encostar no tronco. Em solos de Cerrado bem preservados, nem isso é necessário após o terceiro ano.

Poda deve ser mínima e formativa. Nos dois primeiros anos, elimine brotos laterais baixos e galhos cruzados para conduzir um fuste único. Depois, limite-se a remover galhos secos, doentes ou que cruzem a copa, sempre no fim da seca, entre junho e julho, antes da floração. Cortes drásticos atrasam a floração em um ou dois anos e deixam a copa desestruturada.

Não é planta para topiaria ou poda anual pesada. Se a ideia é manter pequeno, escolha outra espécie. O ipê-verde precisa de espaço para expressar seu porte natural.

Precisa adubar todo ano?

Não. Após estabelecida, a árvore cicla nutrientes com a queda de folhas. Adubar todo ano em solo já fértil só estimula crescimento vegetativo fraco e atrasa a floração. Observe: folhas pequenas e amareladas indicam carência; folhas grandes e verdes escuras indicam que está bem nutrida.

Pragas, doenças e os erros que mais matam mudas jovens

Árvore rústica, o ipê-verde tem boa resistência a pragas. Os problemas aparecem quase sempre por manejo errado. Em viveiro e no primeiro ano em campo, fique atento a cochonilhas, pulgões e lagartas desfolhadoras, que atacam brotações novas. Controle com jato d’água forte e, se necessário, óleo de neem. Evite inseticida sistêmico sem necessidade, pois mata polinizadores.

Doenças fúngicas como antracnose e mancha foliar surgem em mudas sombreadas e com excesso de água. Sintoma: manchas escuras nas folhas e queda precoce. Corrija drenagem, aumente insolação e remova folhas doentes do chão. Em solos encharcados, pode ocorrer podridão de colo por Phytophthora, quase sempre fatal. Prevenção é drenagem, não remédio.

Problema Sinal Causa comum O que fazer
Cochonilhas Pontos brancos cerosos no caule Muda sombreada e seca Jato d’água + poda de aeração
Pulgões Folhas enroladas e melada Excesso de nitrogênio Reduzir adubo, aplicar neem
Antracnose Manchas pretas nas folhas Umidade + pouca luz Melhorar drenagem e sol
Podridão de colo Casca escura na base Solo encharcado Replantar em camalhão

Os dois erros que mais matam mudas são vaso pequeno por tempo demais e plantio em solo compactado. A raiz pivotante do ipê-verde precisa descer; se ficar enovelada no saquinho por mais de 8 meses, a árvore nunca desenvolve bem. Compre mudas jovens, de 30 a 60 cm, e plante sem demora.

Perguntas frequentes

Ipê-verde cresce rápido?

Crescimento moderado, cerca de 50 a 80 cm por ano com sol e solo bem drenado. Atinge porte adulto em 6 a 10 anos.

Pode plantar ipê-verde em vaso?

Não é recomendado. A raiz pivotante precisa de profundidade e a árvore chega a 12 m; em vaso não floresce bem e fica debilitada.

Quando o ipê-verde floresce?

Entre agosto e outubro, no fim da seca, quando está sem folhas. A floração dura 2 a 4 semanas com flores verde-claras.

Ipê-verde precisa de muita água?

Não. Depois do primeiro ano tolera seca prolongada e vive bem só com chuva. Excesso de água apodrece o colo.

Como conseguir mudas de ipê-verde?

Por sementes frescas em viveiros de nativas do Cerrado. Sementes armazenadas por mais de 6 meses têm baixa germinação.

Ipê-verde é tóxico para cachorro e gato?

Não há relatos de toxicidade relevante para pets, mas evite que mastiguem casca ou sementes e consulte um veterinário se houver ingestão.

Você sabia?

1

O único ipê verde de verdade

Cybistax é um gênero monotípico, com apenas esta espécie. Todos os outros ipês coloridos pertencem a Handroanthus ou Tabebuia, o que torna o ipê-verde botanicamente único.

2

Nome que vem de remédio antigo

O epíteto antisyphilitica refere-se ao uso da casca e das folhas na medicina popular do século XIX como suposto tratamento para sífilis, prática abandonada por falta de eficácia comprovada.

3

Sementes que não esperam

As sementes aladas perdem viabilidade em poucos meses se guardadas em saco plástico fechado. Viveiristas do Cerrado semeiam em até 30 dias após a coleta para manter germinação acima de 60%.

4

Casca que engana

Quando jovem, a casca lisa e acinzentada faz o ipê-verde ser confundido com outras Bignoniaceae, mas as folhas sempre com 5 folíolos e o fruto achatado de até 30 cm entregam a identidade.

Fontes

  1. Flora e Funga do Brasil - Jardim Botânico do Rio de Janeiro
  2. Embrapa Cerrados
  3. Instituto Brasileiro de Florestas - IBF

Prós e contras: Ipê-verde

Prós

  • Nativa do Cerrado, rústica e tolerante à seca prolongada
  • Baixa exigência de adubação e rega após o pegamento
  • Atrai abelhas nativas, mamangavas e beija-flores
  • Ótima para restauração ecológica e arborização rural
  • Resistente a pragas quando em sol pleno e solo drenado

Contras

  • Floração discreta, menos vistosa que ipês amarelos e roxos
  • Porte grande, inadequado para vasos e calçadas estreitas
  • Sementes com viabilidade curta, difíceis de armazenar
  • Não tolera sombra, solo encharcado ou geada forte prolongada
  • Copa rala oferece pouca sombra fechada
Nossa opinião

O ipê-verde é subestimado porque não entrega o espetáculo colorido dos outros ipês, mas é justamente essa discrição que o torna valioso para restauração e jardins naturalistas. Na nossa leitura, vale mais plantá-lo onde ele pode crescer livre do que tentar forçá-lo em vaso ou calçada.

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Última revisão em 20.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.