Resumo
- Faveira (Parkia platycephala) é árvore nativa do Cerrado e Caatinga que atinge 15 a 30 m com copa ampla e sombra densa.
- Tem folhas bipinadas finas, flores em capítulos esféricos vermelhos e vagens achatadas de 8 a 12 cm ricas em proteína para forragem.
- É de crescimento rápido, muito resistente à seca e ideal para reflorestamento e sombra em áreas rurais, mas pouco indicada para calçadas estreitas.
Características
Ficha da árvore
| Nome popular | Faveira (Faveira-de-bolota) |
|---|---|
| Nome científico | Parkia platycephala Benth. |
| Família botânica | Fabaceae (Mimosoideae) |
| Origem | Brasil – Cerrado e Caatinga (Nordeste e Centro-Oeste) |
| Tamanho | 15 a 30 m de altura; tronco 40 a 80 cm de DAP |
| Copa | Ampla, arredondada e densa, 8 a 15 m de diâmetro |
| Folhagem | Semidecídua |
| Crescimento | Rápido (até 1,5 m/ano nos primeiros anos) |
| Luminosidade | Sol pleno |
| Rega | Baixa após pegamento; moderada no 1º ano |
| Solo | Arenoso a argiloso, bem drenado, pobre e ácido |
| Usos | Sombreamento, forragem, reflorestamento, madeira leve |
| Longevidade | 40 a 60 anos |
Perfil e comportamento
| Velocidade de crescimento | Muito alto |
|---|---|
| Sombra | Muito alto |
| Resistência à seca | Muito alto |
| Agressividade das raízes | Médio |
| Facilidade de cultivo | Alto |
| Atrai fauna | Muito alto |
O que é a faveira e como reconhecê-la na natureza
A faveira é um nome popular aplicado a várias Fabaceae, mas no Brasil a espécie de referência é Parkia platycephala Benth., chamada faveira-de-bolota ou visgueiro. É uma árvore nativa do Cerrado e da Caatinga, muito comum no Maranhão, Piauí, Ceará, Bahia e Tocantins.
O que mais a distingue são as inflorescências em capítulo esférico, como uma bola pendente vermelho-escura de 3 a 4 cm, sustentada por um pedúnculo longo. Nenhuma outra árvore de grande porte do Cerrado tem esse tipo de flor pendente tão característica.
As folhas também denunciam: são bipinadas e muito divididas, com 15 a 27 pares de pinas e 40 a 60 pares de folíolos minúsculos por pina. De longe, a copa parece uma renda fina, diferente de tamboril ou angico, que têm folíolos maiores.
Tamanho, copa e raízes: o que esperar no quintal
A faveira é uma árvore grande. Em campo aberto atinge 15 a 30 m de altura e tronco de 40 a 80 cm de diâmetro, com fuste reto e casca acinzentada levemente fissurada. A copa é ampla, arredondada e muito sombreada, com 8 a 15 m de diâmetro em exemplares adultos.
É uma das melhores árvores nativas para sombra densa e fresca. A folhagem filtra bem o sol e a copa baixa cria microclima, por isso é tão plantada em currais, casas de fazenda e áreas de descanso para o gado.
As raízes são pivotantes e bem desenvolvidas, com nódulos fixadores de nitrogênio. A agressividade é moderada: não costuma levantar calçadas como ficus, mas não é indicada para plantar a menos de 6 m de muros, fossas ou tubulações. Precisa de espaço.
Onde a faveira ocorre e qual clima prefere
Parkia platycephala é endêmica do Brasil e ocorre principalmente no Cerrado norte e Caatinga arborizada, em altitudes de 100 a 800 m. Prefere clima quente, com estação seca bem marcada de 4 a 7 meses e chuvas de 600 a 1.600 mm anuais.
Vai bem em solos pobres, arenosos ou latossolos ácidos, bem drenados e até cascalhentos. Tolera baixa fertilidade justamente por associar-se a bactérias do gênero Rhizobium, que fixam nitrogênio atmosférico e melhoram o solo ao redor.
Não tolera geada forte nem encharcamento prolongado. Em regiões Sul e Sudeste de inverno frio, o crescimento é mais lento e pode haver queima de folhas jovens.
Folhas, flores e frutos: a identidade da Parkia platycephala
As folhas são semidecíduas: caem parcialmente no auge da seca (agosto a setembro) e rebrotam rapidamente com as primeiras chuvas. Cada folha mede 20 a 40 cm e tem raque com glândulas nectaríferas que atraem formigas.
A floração acontece na estação seca, de junho a setembro, quando a árvore fica muito ornamental. Os capítulos pendentes têm centenas de flores pequenas vermelhas e exalam odor forte à noite para atrair morcegos e abelhas, seus principais polinizadores.
Os frutos são vagens achatadas, coriáceas, de 8 a 12 cm, que ficam marrom-escuras quando maduras, de outubro a dezembro. Cada vagem contém 16 a 22 sementes elípticas envoltas em polpa amarelada adocicada. A polpa tem cerca de 12 a 15% de proteína bruta, por isso é tão valorizada como forragem.
Como plantar faveira: do viveiro ao solo definitivo
A propagação é quase sempre por sementes. Elas têm dormência tegumentar e precisam de escarificação: imersão em água quente a 80 °C por 2 minutos ou lixamento leve do tegumento. Sem isso, a germinação fica abaixo de 20%.
Semeie em saquinhos com substrato arenoso e bem drenado, a 1 cm de profundidade. A germinação ocorre em 7 a 15 dias e as mudas atingem 30 a 40 cm em 3 a 4 meses. Leve ao campo no início das chuvas, com berço de 40 x 40 x 40 cm.
- Espaçamento: 8 x 8 m a 10 x 10 m para sombreamento ou sistema agrossilvipastoril; 3 x 3 m para reflorestamento.
- Solo: não exige adubação pesada; 100 a 150 g de calcário e 2 kg de esterco curtido por cova já ajudam no arranque.
- Sol: plante sempre a sol pleno. Sombra na fase jovem estica a muda e atrasa o engrossamento do tronco.
Evite plantar faveira em vaso ou em quintal pequeno. Ela precisa de área livre mínima de 40 m² para desenvolver copa sem podas drásticas.
Como cuidar: rega, poda e manejo ao longo do ano
No primeiro ano, regue 1 a 2 vezes por semana se não chover. Após pegamento, a faveira dispensa irrigação e sobrevive bem a secas de 6 meses. Excesso de água é mais prejudicial que falta.
A adubação é simples: uma cobertura anual com matéria orgânica e, se o solo for muito pobre, NPK 10-30-10 no plantio. Como fixa nitrogênio, raramente precisa de nitrogênio extra depois de adulta.
A poda deve ser apenas de formação nos dois primeiros anos, para conduzir um fuste único e retirar ramos baixos até 2,5 m. Depois, limite-se a remover galhos secos. Podas severas deformam a copa e reduzem a floração.
Usos da faveira: sombra, forragem e recuperação de áreas
O uso mais importante hoje é como árvore de sombra e forrageira. As vagens caem justamente no fim da seca, quando o pasto seca, e são avidamente consumidas por bovinos, caprinos e ovinos. Em muitas fazendas do Piauí e Maranhão, a faveira é chamada de “banco de proteína da seca”.
Na recuperação ambiental, é pioneira e melhoradora de solo. Cresce rápido, cobre o solo em 2 a 3 anos e enriquece a terra com nitrogênio, facilitando o estabelecimento de outras nativas. É muito usada pela Embrapa em reflorestamento de áreas degradadas do Cerrado.
A madeira é leve, macia e clara, com densidade de 0,40 a 0,50 g/cm³. Serve para caixotaria, forros, brinquedos e lenha, mas não tem alta durabilidade. O principal valor não é madeireiro, e sim ecológico e pastoril.
Pragas, problemas e cuidados ao plantar na cidade
A faveira é rústica e tem poucas pragas sérias. Ocasionalmente surgem lagartas desfolhadoras e serradores em mudas, controláveis com catação manual. Em viveiro, o excesso de umidade pode causar damping-off (tombamento).
O maior problema urbano é o porte. Não é árvore para calçada estreita, fiação baixa ou quintal de 5 x 10 m. A queda de vagens e de folíolos finos também suja bastante o chão entre novembro e janeiro.
Outro ponto: as vagens fermentam no chão e atraem abelhas e moscas por alguns dias. Em área urbana, plante a pelo menos 8 m da casa e prefira praças, parques e chácaras.
Curiosidades, conservação e confusões comuns
Parkia platycephala não está ameaçada (IUCN Pouco Preocupante) e é abundante na natureza, mas sofre corte seletivo para lenha. Por ser nativa, seu corte em área rural pode exigir autorização do órgão ambiental estadual.
Muita gente confunde faveira com faveiro (Pterodon emarginatus) ou sombreiro (Clitoria fairchildiana), que também são chamados de faveira em algumas regiões. A diferença está na flor: Pterodon tem flores roxas em cacho e fruto alado, Clitoria tem flor azul-borboleta, enquanto Parkia tem a bola vermelha pendente inconfundível.
Na nossa avaliação, a faveira é uma das melhores escolhas para quem tem terra no Cerrado e precisa de sombra rápida sem irrigação. Para cidade, só vale se houver praça ou terreno grande; caso contrário, o tamanho cobra o preço.
Perguntas frequentes
Faveira cresce rápido?
Sim. Parkia platycephala pode crescer até 1,5 m por ano nos primeiros anos e já forma boa sombra em 2 a 3 anos se plantada a sol pleno.
Faveira serve para calçada?
Não é recomendada para calçadas estreitas ou sob fiação, pois atinge 15 a 30 m e copa de 8 a 15 m. Prefira praças, parques e áreas rurais.
Quando a faveira floresce e frutifica?
Floresce na seca, de junho a setembro, com bolas vermelhas pendentes, e frutifica de outubro a dezembro com vagens achatadas.
A vagem da faveira pode dar para o gado?
Sim, é um dos principais usos. As vagens têm polpa adocicada rica em proteína e são muito usadas como forragem para bovinos e caprinos na seca.
Qual a diferença entre faveira e faveiro?
Faveira (Parkia platycephala) tem flor em bola vermelha pendente e vagem achatada; faveiro (Pterodon emarginatus) tem flor roxa e fruto alado com uma semente.
Faveira precisa de muita água?
Não. Após o primeiro ano, é muito resistente à seca e sobrevive meses sem chuva. Excesso de água prejudica mais que falta.
Você sabia?
Bola pendente polinizada por morcegos
As inflorescências esféricas vermelhas abrem à noite e têm odor forte para atrair morcegos glossophagíneos, que são os principais polinizadores da faveira.
Vagem que vale como ração
As vagens têm polpa adocicada com 12 a 15% de proteína bruta e são colhidas do chão no Piauí e Maranhão para alimentar bovinos na seca, quando o capim acaba.
Nome em homenagem a explorador
O gênero Parkia homenageia o explorador escocês Mungo Park, que desbravou o interior da África no século XVIII, onde outras Parkia também ocorrem.
Fixadora de nitrogênio do Cerrado
Associada a bactérias Rhizobium, a faveira pode incorporar mais de 40 kg de nitrogênio por hectare ao ano no solo, melhorando a fertilidade ao redor.










