🌳 Árvores

Caxeta

Tabebuia cassinoides

Atualizado em

6 a 15 m de alturaTamanho
SemicaducifóliaFolhagem
Moderado a rápidoCrescimento
Sol plenoLuminosidade
40 a 80 anosLongevidade
Árvore caxeta adulta em área alagada da Mata Atlântica

A caxeta (Tabebuia cassinoides) é uma árvore nativa da Mata Atlântica litorânea, típica de áreas alagadas, manguezais e restingas do Sudeste e Sul do Brasil. De porte médio, tronco reto e madeira extremamente leve e macia, ficou famosa como matéria-prima de lápis, tamancos e artesanato.

Na natureza forma agrupamentos quase puros chamados caxetais, sempre em solos encharcados e ácidos onde poucas árvores conseguem crescer. Quando floresce, perde parte das folhas e se cobre de flores brancas ou levemente rosadas, muito visitadas por abelhas e beija-flores.

Por causa da exploração intensa, a caxeta hoje tem corte controlado e é protegida por lei em vários estados. É mais indicada para reflorestamento de áreas úmidas e sítios do que para calçada urbana.

Também conhecido como: Caxeta-branca, Caxeta-do-mangue, Caxeta-do-brejo, Pau-de-tamanco, Tabebuia-branca

Faz parte de: Árvores de Sombra, Árvores Ornamentais

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Galeria de fotos de Caxeta

Árvore caxeta adulta em área alagada da Mata Atlântica
Caxeta adulta em caxetal alagado, com tronco reto e copa estreita.
Folhas e flores brancas da caxeta em close
Folhas digitadas e flores brancas em forma de trombeta da caxeta.
Tronco e casca clara da caxeta
Casca fina e acinzentada do tronco da caxeta.
Copa da caxeta vista de baixo com flores
Copa rala da caxeta durante a floração de inverno.
Frutos em vagem e sementes aladas da caxeta
Vagens finas com sementes aladas dispersas pelo vento.
Plantio de caxetas em área de restauração litorânea
Caxetas jovens em projeto de restauração de área alagada.
Ideal para

Ideal para quem tem sítio, chácara ou terreno em área de várzea, brejo ou beira de lago no litoral e quer recuperar área alagada com uma espécie nativa de crescimento rápido e valor histórico. Também funciona bem em projetos de restauração da Mata Atlântica e em paisagismo de condomínios litorâneos com solo úmido e sol pleno.

Pode não ser ideal para

Não é ideal para calçada estreita, quintal pequeno e seco ou apartamento, pois precisa de solo constantemente úmido, sol pleno e espaço para raízes superficiais. Quem tem pouco tempo para irrigar ou mora em região de clima seco e solo argiloso terá dificuldade de mantê-la saudável.

Cultivo rápido

Luz
Sol pleno, mínimo 6 horas diárias
Rega
Alta; solo sempre úmido, irrigar 3 a 4 vezes por semana na seca
Solo
Arenoso-lodoso, ácido, mal drenado, rico em matéria orgânica
Temperatura
18 °C a 28 °C; não tolera geada forte nem seca prolongada
Adubação
Anual com matéria orgânica e cobertura morta; evitar calcário
Poda
Leve, apenas limpeza de ramos secos no inverno
Propagação
Por sementes aladas recém-colhidas; semear em substrato úmido e sombreado

Perfil rápido de Caxeta

Estado de conservação

EN
Em Perigo

Populações reduzidas pela exploração madeireira histórica e perda de áreas alagadas litorâneas.

População
em declínio
Protegido por
Sim, corte controlado pela Lei da Mata Atlântica e legislações estaduais; exige autorização e DOF

Calendário

FloraçãoJFMAMJJASOND
FrutificaçãoJFMAMJJASOND
Queda de folhasJFMAMJJASOND
PlantioJFMAMJJASOND

Habitat

Ambientes

  • Florestas paludosas e caxetais alagados
  • Margens de rios, brejos e transição manguezal-restinga

Biomas

  • Mata Atlântica

Encontrado em 1 país

  • Brasil

Classificação científica

Reino
Plantae
Filo
Tracheophyta
Classe
Magnoliopsida
Ordem
Lamiales
Família
Bignoniaceae
Gênero
Tabebuia
Espécie
Tabebuia cassinoides (Lam.) DC.

Resumo

  • A caxeta é a Tabebuia cassinoides, árvore da Mata Atlântica que cresce em solos alagados e forma os caxetais do litoral brasileiro.
  • Tem de 6 a 15 metros, tronco claro e reto, folhas compostas digitadas e floração branca que ocorre quando a copa está quase sem folhas.
  • Sua madeira leve e fácil de esculpir foi muito usada em lápis e tamancos, por isso a espécie hoje é protegida e seu manejo depende de autorização.

Características

Ficha da árvore

Nome popularCaxeta, caxeta-do-mangue, caxeta-branca, pau-de-tamanco
Nome científicoTabebuia cassinoides (Lam.) DC.
Família botânicaBignoniaceae
OrigemMata Atlântica litorânea do Brasil (do Nordeste ao Sul)
Tamanho6 a 15 m de altura, podendo chegar a 20 m em várzea
CopaEstreita, alongada, pouco densa, 3 a 6 m de diâmetro
FolhagemSemicaducifólia (perde folhas na floração)
CrescimentoModerado a rápido em solo úmido
LuminosidadeSol pleno
RegaAlta - solo constantemente úmido a encharcado
SoloArenoso, lodoso, ácido, pobre e mal drenado, rico em matéria orgânica
UsosArtesanato, lápis, tamanco, instrumentos, reflorestamento de áreas alagadas
Longevidade40 a 80 anos

Perfil e comportamento

Velocidade de crescimentoAlto
SombraMédio
Resistência à secaBaixo
Agressividade das raízesBaixo
Facilidade de cultivoMédio
Atrai faunaMuito alto

O que é a caxeta e por que ela é tão singular

A caxeta que a maioria das pessoas procura é a Tabebuia cassinoides, árvore endêmica da Mata Atlântica costeira. Ela não é uma árvore de terra firme.

Seu diferencial é viver onde quase nenhuma outra árvore de grande porte vive: solos permanentemente encharcados, ácidos e pobres em oxigênio, na transição entre manguezal, restinga e floresta paludosa. Por isso forma populações densas e quase puras, os caxetais.

O nome caxeta também é usado popularmente para outras espécies, como Schefflera morototoni (mandioqueiro) e Simarouba amara, o que gera muita confusão em viveiros. Na nossa avaliação, quando o assunto é madeira leve para artesanato e proteção legal, o nome se refere quase sempre à Tabebuia cassinoides.

Como identificar a caxeta: tronco, folhas e flores

O tronco é o melhor ponto de partida. É reto, cilíndrico, de casca fina, acinzentada e lisa quando jovem, tornando-se levemente fissurada com a idade. A madeira é tão leve que um torete grande pode ser carregado com uma mão.

As folhas são compostas digitadas, com 3 a 5 folíolos verde-escuros, brilhantes, de 6 a 15 cm, com margem inteira e pecíolo longo. Elas se concentram no topo dos ramos.

A floração é inconfundível. A árvore fica quase sem folhas e se cobre de flores em forma de trombeta, brancas a rosadas, com garganta amarela, de 4 a 6 cm. Depois surgem vagens finas de 20 a 35 cm com sementes aladas. Se a árvore que você viu tem flores amarelas intensas, provavelmente é um ipê-amarelo, não caxeta.

Como não confundir

Caxeta tem folíolos mais estreitos e copa mais rala que o mandioqueiro (Schefflera), que tem folhas muito maiores e frutos em cachos roxos. E diferente do ipê-branco (Tabebuia roseoalba), ela só ocorre em terreno brejoso, nunca em cerrado seco.

Onde a caxeta vive na natureza

Na natureza ela ocorre do sul da Bahia até Santa Catarina, sempre abaixo de 100 m de altitude e a poucos quilômetros do mar. É típica de floresta ombrófila densa aluvial e de formações pioneiras de influência fluviomarinha.

Os caxetais mais conhecidos ficam no litoral de São Paulo (Iguape, Cananéia, Ubatuba), Paraná (Guaratuba, Antonina) e Santa Catarina. Ali a caxeta domina com 80% a 90% dos indivíduos, associada a taboas, guanandis e mangue-branco.

Essa especialização explica por que ela não aparece espontaneamente em quintais secos do interior. Sem lençol freático alto, ela não se estabelece bem.

Tamanho, copa e raízes: o que esperar fora da várzea

Em várzea preservada a caxeta chega a 15 a 20 m de altura com 30 a 50 cm de DAP. Em cultivo fora do brejo, o mais comum é 6 a 12 m, com crescimento mais lento.

A copa é estreita e piramidal quando jovem, depois irregular e aberta, com 3 a 6 m de diâmetro. Projeta sombra leve a média, insuficiente para quem busca sombra densa como a de uma sibipiruna.

As raízes são superficiais e adaptadas à falta de oxigênio, mas pouco agressivas para calçadas e tubulações, diferente de figueiras e flamboyants. O problema não é quebrar muro, e sim a necessidade de umidade constante. Em solo seco e compactado, a árvore definha.

Como plantar caxeta no Brasil: clima, solo e época certa

A caxeta é de clima tropical úmido e subtropical, sem geadas fortes e com chuvas acima de 1.200 mm anuais. Vai bem nas zonas litorâneas e vale do Ribeira, menos bem no Cerrado central e no semiárido.

O solo ideal é arenoso-lodoso, ácido (pH 4,5 a 5,5), mal drenado e com muita matéria orgânica. Ela tolera encharcamento prolongado e até água salobra leve, mas não tolera solo argiloso compactado e seco.

Plante no início da estação chuvosa, entre outubro e dezembro no Sudeste e Sul. Use mudas de 50 a 80 cm produzidas por sementes, com espaçamento de 4 x 4 m para reflorestamento ou 6 m de distância de construções se for em sítio.

A propagação é quase sempre por sementes aladas recém-colhidas, que perdem viabilidade em poucas semanas. Estacas pegam mal. Semeie em substrato úmido e sombreado, com germinação em 10 a 20 dias.

Como cuidar da caxeta depois de plantada

Nos dois primeiros anos, mantenha o solo sempre úmido, nunca encharcado com água parada e poluída. Irrigação 3 a 4 vezes por semana na seca é essencial fora da várzea.

Exige sol pleno o dia todo. Sombra na fase jovem estica a muda e enfraquece o tronco. Não precisa de poda de formação intensa; remova apenas ramos secos e cruzados no inverno.

Adubação é modesta. Uma vez ao ano, aplique matéria orgânica e cobertura morta para manter acidez e umidade. Evite calcário e adubos que elevem muito o pH.

Em áreas urbanas secas, a caxeta sofre com ácaros e queda precoce de folhas se faltar água. Nesse caso, não insista: escolha espécies de terra firme.

Usos da madeira e importância ecológica

A madeira da caxeta é extremamente leve (densidade 0,3 a 0,4 g/cm³), macia, clara e fácil de esculpir, sem cheiro forte e sem empenar. Por isso foi a base da indústria de lápis, tamancos, saltos de sapato, brinquedos, forros e instrumentos musicais no Vale do Ribeira durante todo o século 20.

Essa qualidade virou ameaça. O corte seletivo eliminou caxetais inteiros em São Paulo e Paraná, o que levou à proibição do corte sem manejo autorizado pela legislação da Mata Atlântica.

Ecologicamente, a caxeta é pioneira de áreas alagadas. Suas raízes estabilizam solo lodoso, suas flores alimentam abelhas nativas, mamangavas e beija-flores no inverno, quando poucas árvores florescem, e suas sementes são dispersas pelo vento.

Em ambiente natural a caxeta é rústica e tem poucos inimigos. Fora dele, os problemas mais comuns são déficit hídrico, clorose por solo alcalino e ataque de brocas em madeira estocada, não na árvore viva.

Não é considerada invasora e não tem frutos tóxicos, mas a madeira apodrece rápido se ficar em contato com solo seco e fungos.

O ponto mais importante é legal. Tabebuia cassinoides é classificada como Em Perigo (EN) e consta em listas vermelhas nacionais. O corte de caxetais nativos depende de autorização do órgão ambiental estadual e de plano de manejo. Comprar madeira sem DOF (Documento de Origem Florestal) é crime ambiental.

Para quem quer plantar, a saída correta é comprar mudas de viveiros licenciados com sementes de matrizes autorizadas e usar a árvore para recuperação de APP alagada, paisagismo de sítios úmidos e sistemas agroflorestais litorâneos, nunca para extração imediata.

Perguntas frequentes

Caxeta é a mesma coisa que ipê-branco?

Não. A caxeta é Tabebuia cassinoides, de áreas alagadas e flores brancas pequenas. O ipê-branco mais comum é Tabebuia roseoalba, de terra firme e flores maiores.

Posso plantar caxeta em vaso ou calçada?

Não é recomendado. Ela precisa de solo constantemente úmido e sol pleno, cresce melhor em sítio, beira de lago ou área de restauração.

Caxeta precisa de muita água?

Sim. É uma árvore de brejo. Em solo seco ela perde vigor, sofre com ácaros e pode morrer na seca se não for irrigada com frequência.

Quando a caxeta floresce?

Entre junho e setembro, no inverno, quando fica quase sem folhas e se cobre de flores brancas em forma de trombeta.

A madeira de caxeta pode ser cortada livremente?

Não. A espécie é ameaçada e protegida pela Lei da Mata Atlântica. O corte de caxetais nativos exige autorização do órgão ambiental e DOF.

Como conseguir muda de caxeta?

Procure viveiros licenciados que trabalham com espécies nativas da Mata Atlântica e exija nota e origem da semente. Evite mudas extrativistas.

Você sabia?

1

A árvore do lápis

Até os anos 1990, mais de 90% dos lápis pretos feitos no Brasil usavam madeira de caxeta, por ser leve, não lascar e apontar sem quebrar o grafite.

2

Caxetais puros

Em várzeas do Vale do Ribeira a caxeta forma bosques quase monoespecíficos com até 1.500 indivíduos por hectare, algo raro na Mata Atlântica tão diversa.

3

Floresce sem folhas

A floração ocorre no inverno, de junho a setembro, quando a árvore derruba boa parte das folhas para expor as flores brancas aos polinizadores.

4

Madeira que boia

De tão leve e porosa, a madeira de caxeta boia com facilidade e já foi usada para fazer boias de pesca, jangadas pequenas e até palitos de fósforo.

Fontes

  1. Flora e Funga do Brasil - Jardim Botânico do Rio de Janeiro
  2. Embrapa Florestas
  3. CNCFlora / ICMBio - Lista Vermelha
  4. IUCN Red List

Prós e contras: Caxeta

Prós

  • Madeira leve, macia e fácil de trabalhar para artesanato
  • Crescimento moderado a rápido em solo úmido
  • Floração branca no inverno atrai abelhas e beija-flores
  • Pouco agressiva para calçadas e tubulações
  • Excelente para recuperar áreas alagadas e APPs litorâneas

Contras

  • Exige solo constantemente úmido e ácido
  • Não tolera seca prolongada nem solo compactado
  • Sombra leve, não serve para quem busca sombra densa
  • Protegida por lei, manejo e corte precisam de autorização
  • Pouco adaptada a quintais pequenos e clima do interior seco
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a caxeta é uma das árvores mais subestimadas da Mata Atlântica: pouco ornamental para praça seca, mas insubstituível para quem precisa reflorestar brejo. Tentar plantá-la como se fosse ipê é o erro mais comum e explica a maioria dos fracassos em quintais do interior.

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Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.