Resumo
- A caxeta é a Tabebuia cassinoides, árvore da Mata Atlântica que cresce em solos alagados e forma os caxetais do litoral brasileiro.
- Tem de 6 a 15 metros, tronco claro e reto, folhas compostas digitadas e floração branca que ocorre quando a copa está quase sem folhas.
- Sua madeira leve e fácil de esculpir foi muito usada em lápis e tamancos, por isso a espécie hoje é protegida e seu manejo depende de autorização.
Características
Ficha da árvore
| Nome popular | Caxeta, caxeta-do-mangue, caxeta-branca, pau-de-tamanco |
|---|---|
| Nome científico | Tabebuia cassinoides (Lam.) DC. |
| Família botânica | Bignoniaceae |
| Origem | Mata Atlântica litorânea do Brasil (do Nordeste ao Sul) |
| Tamanho | 6 a 15 m de altura, podendo chegar a 20 m em várzea |
| Copa | Estreita, alongada, pouco densa, 3 a 6 m de diâmetro |
| Folhagem | Semicaducifólia (perde folhas na floração) |
| Crescimento | Moderado a rápido em solo úmido |
| Luminosidade | Sol pleno |
| Rega | Alta - solo constantemente úmido a encharcado |
| Solo | Arenoso, lodoso, ácido, pobre e mal drenado, rico em matéria orgânica |
| Usos | Artesanato, lápis, tamanco, instrumentos, reflorestamento de áreas alagadas |
| Longevidade | 40 a 80 anos |
Perfil e comportamento
| Velocidade de crescimento | Alto |
|---|---|
| Sombra | Médio |
| Resistência à seca | Baixo |
| Agressividade das raízes | Baixo |
| Facilidade de cultivo | Médio |
| Atrai fauna | Muito alto |
O que é a caxeta e por que ela é tão singular
A caxeta que a maioria das pessoas procura é a Tabebuia cassinoides, árvore endêmica da Mata Atlântica costeira. Ela não é uma árvore de terra firme.
Seu diferencial é viver onde quase nenhuma outra árvore de grande porte vive: solos permanentemente encharcados, ácidos e pobres em oxigênio, na transição entre manguezal, restinga e floresta paludosa. Por isso forma populações densas e quase puras, os caxetais.
O nome caxeta também é usado popularmente para outras espécies, como Schefflera morototoni (mandioqueiro) e Simarouba amara, o que gera muita confusão em viveiros. Na nossa avaliação, quando o assunto é madeira leve para artesanato e proteção legal, o nome se refere quase sempre à Tabebuia cassinoides.
Como identificar a caxeta: tronco, folhas e flores
O tronco é o melhor ponto de partida. É reto, cilíndrico, de casca fina, acinzentada e lisa quando jovem, tornando-se levemente fissurada com a idade. A madeira é tão leve que um torete grande pode ser carregado com uma mão.
As folhas são compostas digitadas, com 3 a 5 folíolos verde-escuros, brilhantes, de 6 a 15 cm, com margem inteira e pecíolo longo. Elas se concentram no topo dos ramos.
A floração é inconfundível. A árvore fica quase sem folhas e se cobre de flores em forma de trombeta, brancas a rosadas, com garganta amarela, de 4 a 6 cm. Depois surgem vagens finas de 20 a 35 cm com sementes aladas. Se a árvore que você viu tem flores amarelas intensas, provavelmente é um ipê-amarelo, não caxeta.
Como não confundir
Caxeta tem folíolos mais estreitos e copa mais rala que o mandioqueiro (Schefflera), que tem folhas muito maiores e frutos em cachos roxos. E diferente do ipê-branco (Tabebuia roseoalba), ela só ocorre em terreno brejoso, nunca em cerrado seco.
Onde a caxeta vive na natureza
Na natureza ela ocorre do sul da Bahia até Santa Catarina, sempre abaixo de 100 m de altitude e a poucos quilômetros do mar. É típica de floresta ombrófila densa aluvial e de formações pioneiras de influência fluviomarinha.
Os caxetais mais conhecidos ficam no litoral de São Paulo (Iguape, Cananéia, Ubatuba), Paraná (Guaratuba, Antonina) e Santa Catarina. Ali a caxeta domina com 80% a 90% dos indivíduos, associada a taboas, guanandis e mangue-branco.
Essa especialização explica por que ela não aparece espontaneamente em quintais secos do interior. Sem lençol freático alto, ela não se estabelece bem.
Tamanho, copa e raízes: o que esperar fora da várzea
Em várzea preservada a caxeta chega a 15 a 20 m de altura com 30 a 50 cm de DAP. Em cultivo fora do brejo, o mais comum é 6 a 12 m, com crescimento mais lento.
A copa é estreita e piramidal quando jovem, depois irregular e aberta, com 3 a 6 m de diâmetro. Projeta sombra leve a média, insuficiente para quem busca sombra densa como a de uma sibipiruna.
As raízes são superficiais e adaptadas à falta de oxigênio, mas pouco agressivas para calçadas e tubulações, diferente de figueiras e flamboyants. O problema não é quebrar muro, e sim a necessidade de umidade constante. Em solo seco e compactado, a árvore definha.
Como plantar caxeta no Brasil: clima, solo e época certa
A caxeta é de clima tropical úmido e subtropical, sem geadas fortes e com chuvas acima de 1.200 mm anuais. Vai bem nas zonas litorâneas e vale do Ribeira, menos bem no Cerrado central e no semiárido.
O solo ideal é arenoso-lodoso, ácido (pH 4,5 a 5,5), mal drenado e com muita matéria orgânica. Ela tolera encharcamento prolongado e até água salobra leve, mas não tolera solo argiloso compactado e seco.
Plante no início da estação chuvosa, entre outubro e dezembro no Sudeste e Sul. Use mudas de 50 a 80 cm produzidas por sementes, com espaçamento de 4 x 4 m para reflorestamento ou 6 m de distância de construções se for em sítio.
A propagação é quase sempre por sementes aladas recém-colhidas, que perdem viabilidade em poucas semanas. Estacas pegam mal. Semeie em substrato úmido e sombreado, com germinação em 10 a 20 dias.
Como cuidar da caxeta depois de plantada
Nos dois primeiros anos, mantenha o solo sempre úmido, nunca encharcado com água parada e poluída. Irrigação 3 a 4 vezes por semana na seca é essencial fora da várzea.
Exige sol pleno o dia todo. Sombra na fase jovem estica a muda e enfraquece o tronco. Não precisa de poda de formação intensa; remova apenas ramos secos e cruzados no inverno.
Adubação é modesta. Uma vez ao ano, aplique matéria orgânica e cobertura morta para manter acidez e umidade. Evite calcário e adubos que elevem muito o pH.
Em áreas urbanas secas, a caxeta sofre com ácaros e queda precoce de folhas se faltar água. Nesse caso, não insista: escolha espécies de terra firme.
Usos da madeira e importância ecológica
A madeira da caxeta é extremamente leve (densidade 0,3 a 0,4 g/cm³), macia, clara e fácil de esculpir, sem cheiro forte e sem empenar. Por isso foi a base da indústria de lápis, tamancos, saltos de sapato, brinquedos, forros e instrumentos musicais no Vale do Ribeira durante todo o século 20.
Essa qualidade virou ameaça. O corte seletivo eliminou caxetais inteiros em São Paulo e Paraná, o que levou à proibição do corte sem manejo autorizado pela legislação da Mata Atlântica.
Ecologicamente, a caxeta é pioneira de áreas alagadas. Suas raízes estabilizam solo lodoso, suas flores alimentam abelhas nativas, mamangavas e beija-flores no inverno, quando poucas árvores florescem, e suas sementes são dispersas pelo vento.
Pragas, problemas e proteção legal da caxeta
Em ambiente natural a caxeta é rústica e tem poucos inimigos. Fora dele, os problemas mais comuns são déficit hídrico, clorose por solo alcalino e ataque de brocas em madeira estocada, não na árvore viva.
Não é considerada invasora e não tem frutos tóxicos, mas a madeira apodrece rápido se ficar em contato com solo seco e fungos.
O ponto mais importante é legal. Tabebuia cassinoides é classificada como Em Perigo (EN) e consta em listas vermelhas nacionais. O corte de caxetais nativos depende de autorização do órgão ambiental estadual e de plano de manejo. Comprar madeira sem DOF (Documento de Origem Florestal) é crime ambiental.
Para quem quer plantar, a saída correta é comprar mudas de viveiros licenciados com sementes de matrizes autorizadas e usar a árvore para recuperação de APP alagada, paisagismo de sítios úmidos e sistemas agroflorestais litorâneos, nunca para extração imediata.
Perguntas frequentes
Caxeta é a mesma coisa que ipê-branco?
Não. A caxeta é Tabebuia cassinoides, de áreas alagadas e flores brancas pequenas. O ipê-branco mais comum é Tabebuia roseoalba, de terra firme e flores maiores.
Posso plantar caxeta em vaso ou calçada?
Não é recomendado. Ela precisa de solo constantemente úmido e sol pleno, cresce melhor em sítio, beira de lago ou área de restauração.
Caxeta precisa de muita água?
Sim. É uma árvore de brejo. Em solo seco ela perde vigor, sofre com ácaros e pode morrer na seca se não for irrigada com frequência.
Quando a caxeta floresce?
Entre junho e setembro, no inverno, quando fica quase sem folhas e se cobre de flores brancas em forma de trombeta.
A madeira de caxeta pode ser cortada livremente?
Não. A espécie é ameaçada e protegida pela Lei da Mata Atlântica. O corte de caxetais nativos exige autorização do órgão ambiental e DOF.
Como conseguir muda de caxeta?
Procure viveiros licenciados que trabalham com espécies nativas da Mata Atlântica e exija nota e origem da semente. Evite mudas extrativistas.
Você sabia?
A árvore do lápis
Até os anos 1990, mais de 90% dos lápis pretos feitos no Brasil usavam madeira de caxeta, por ser leve, não lascar e apontar sem quebrar o grafite.
Caxetais puros
Em várzeas do Vale do Ribeira a caxeta forma bosques quase monoespecíficos com até 1.500 indivíduos por hectare, algo raro na Mata Atlântica tão diversa.
Floresce sem folhas
A floração ocorre no inverno, de junho a setembro, quando a árvore derruba boa parte das folhas para expor as flores brancas aos polinizadores.
Madeira que boia
De tão leve e porosa, a madeira de caxeta boia com facilidade e já foi usada para fazer boias de pesca, jangadas pequenas e até palitos de fósforo.










