🌳 Árvores

Braúna

Melanoxylon brauna

Atualizado em

15 a 25 m de alturaTamanho
SemidecíduaFolhagem
LentoCrescimento
Sol plenoLuminosidade
+100 anosLongevidade
Braúna adulta de grande porte vista por inteiro na Mata Atlântica

A braúna (Melanoxylon brauna), também chamada braúna-preta, é uma árvore nativa da Mata Atlântica famosa pela madeira extremamente dura, pesada e durável. É uma espécie de grande porte, de crescimento lento e vida muito longa, que se destaca pela copa ampla e pelo tronco de casca escura e fissurada.

Muito explorada no passado para moirões, dormentes, construção civil e naval, hoje a braúna é protegida por lei e seu corte é restrito. Na natureza, tem papel ecológico importante na alimentação de abelhas e na estrutura da floresta, sendo indicada para restauração e arborização de grandes áreas.

Também conhecido como: Braúna-preta, Braúna-da-mata, Baraúna (nome usado também para Schinopsis brasiliensis na Caatinga), Graúna

Faz parte de: Árvores de Sombra, Árvores Grandes

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Galeria de fotos de Braúna

Braúna adulta de grande porte vista por inteiro na Mata Atlântica
Braúna adulta atinge 15 a 25 m e forma copa ampla e densa.
Folhas bipinadas e flores amarelas da braúna em detalhe
Folhas bipinadas e inflorescências amarelas muito visitadas por abelhas.
Tronco e casca fissurada e escura da braúna
Casca escura, grossa e fissurada é marca da braúna-preta.
Copa da braúna vista de baixo com sombra fechada
Copa arredondada proporciona sombra fechada.
Vagens lenhosas e sementes aladas da braúna
Vagens lenhosas liberam sementes achatadas e aladas.
Braúna jovem plantada em área rural ampla
Plantio ideal em grandes áreas, parques e restauração florestal.
Ideal para

Ideal para quem tem sítio, fazenda ou área de restauração na Mata Atlântica e busca uma árvore nativa nobre, de sombra densa e vida muito longa. Também é excelente para projetos de reflorestamento e enriquecimento de reserva legal, onde o crescimento lento é compensado pela durabilidade e valor ecológico.

Pode não ser ideal para

Não é ideal para quem tem quintal pequeno, calçada estreita ou precisa de sombra rápida e sem manutenção. Por ser de grande porte, crescimento lento e protegida por lei, exige espaço, sol pleno e paciência, além de não poder ser cortada livremente no futuro.

Cultivo rápido

Luz
Sol pleno o dia todo; meia-sombra apenas nos primeiros meses de viveiro
Rega
Regular nos 2 primeiros anos; depois apenas em estiagens prolongadas
Solo
Profundo, fértil, bem drenado, pH 5,5 a 6,5; não tolera encharcamento
Temperatura
18 a 26 °C; sensível a geadas fortes quando jovem
Adubação
Matéria orgânica no plantio + NPK para nativas 1 a 2 vezes ao ano
Poda
Apenas formação e limpeza; evitar podas severas
Propagação
Por sementes com escarificação; semeadura logo após a coleta

Perfil rápido de Braúna

Estado de conservação

VU
Vulnerável

Populações reduzidas pela exploração madeireira e perda da Mata Atlântica.

População
em declínio
Protegido por
Sim, com corte restrito e presença em listas estaduais de espécies ameaçadas (MG, ES, RJ)

Calendário

FloraçãoJFMAMJJASOND
FrutificaçãoJFMAMJJASOND
Queda de folhasJFMAMJJASOND
Plantio no campoJFMAMJJASOND

Habitat

Ambientes

  • Floresta estacional semidecidual
  • Floresta ombrófila densa
  • Matas ciliares e encostas férteis

Biomas

  • Mata Atlântica

Encontrado em 1 país

  • Brasil

Classificação científica

Reino
Plantae
Filo
Tracheophyta
Classe
Magnoliopsida
Ordem
Fabales
Família
Fabaceae
Gênero
Melanoxylon
Espécie
Melanoxylon brauna Schott

Resumo

  • A braúna é uma árvore nativa da Mata Atlântica de grande porte, que atinge 15 a 25 m de altura e tem madeira nobre entre as mais duras do Brasil.
  • De crescimento lento e folhagem semidecídua, floresce entre setembro e novembro com inflorescências amarelas muito visitadas por abelhas.
  • Espécie vulnerável à extinção, é protegida por lei e indicada para reflorestamento e grandes áreas, não para calçadas ou quintais pequenos.

Características

Ficha da árvore

Nome popularBraúna, braúna-preta, braúna-da-mata
Nome científicoMelanoxylon brauna Schott
Família botânicaFabaceae
OrigemMata Atlântica do Brasil (nativa)
Tamanho15 a 25 m de altura; DAP 40 a 80 cm
CopaAmpla, arredondada e densa, 8 a 12 m de diâmetro
FolhagemSemidecídua (perde parte das folhas na seca)
CrescimentoLento
LuminosidadeSol pleno
RegaModerada na fase jovem; tolera estiagem curta quando adulta
SoloProfundo, fértil e bem drenado, de textura argilosa a franco-argilosa
UsosMadeira nobre, reflorestamento, restauração ecológica, arborização rural
LongevidadeAlta, facilmente ultrapassa 100 anos

Perfil e comportamento

Velocidade de crescimentoBaixo
SombraMuito alto
Resistência à secaMédio
Agressividade das raízesMédio
Facilidade de cultivoBaixo
Atrai faunaAlto

O que é a braúna e por que ela é tão valorizada

A braúna mais conhecida no Sudeste é a Melanoxylon brauna, da família Fabaceae, endêmica da Mata Atlântica. O nome Melanoxylon vem do grego e significa madeira preta, referência ao cerne escuro quase preto quando envelhecido.

Ela se tornou famosa porque tem uma das madeiras mais densas e duráveis do Brasil, com densidade acima de 0,90 g/cm³. Por isso foi intensamente usada para dormentes de ferrovia, postes, moirões, vigas, assoalhos e construção naval, já que resiste muito bem a fungos, cupins e à umidade.

Essa exploração histórica, somada ao desmatamento da Mata Atlântica, reduziu drasticamente as populações naturais. Hoje a espécie é vulnerável à extinção e tem corte e comércio controlados por lei em vários estados.

Como identificar a braúna: folhas, tronco e flores

A braúna tem folhas compostas bipinadas, com folíolos pequenos, brilhantes e verde-escuros. Na seca, perde parte da folhagem, mas nunca fica totalmente nua por muito tempo, por isso é classificada como semidecídua.

O tronco é reto e cilíndrico, com casca cinza-escura a marrom-escura, grossa e fissurada em placas irregulares. Em árvores adultas, o ritidoma solta em escamas. O cerne é marrom-escuro a preto-arroxeado e o alburno é bem mais claro, o que facilita o reconhecimento da madeira serrada.

A floração é vistosa e amarela, em panículas terminais densas. Cada flor tem pétalas amarelo-ouro e é muito visitada por abelhas nativas e Apis mellifera. Os frutos são vagens lenhosas, achatadas e marrom-escuras, com 7 a 12 cm, que se abrem liberando sementes aladas e achatadas.

Tamanho, copa e raízes: o porte real da braúna

Em mata, a braúna atinge 15 a 25 m de altura, podendo excepcionalmente passar de 30 m em floresta bem preservada. O DAP (diâmetro à altura do peito) varia de 40 a 80 cm em indivíduos centenários.

A copa é ampla, arredondada e densa, com 8 a 12 m de diâmetro, que proporciona sombra fechada. É uma copa que se destaca no dossel, mas não é colunar como a de eucaliptos.

As raízes são pivotantes e bem ancoradas, com raízes laterais vigorosas. Não é uma espécie de raízes superficiais extremamente agressivas como figueiras, mas o porte grande exige espaço. Não é indicada para calçadas estreitas, sobre lajes ou perto de muros e tubulações.

Onde a braúna ocorre e qual clima ela prefere

A Melanoxylon brauna ocorre naturalmente na Mata Atlântica do Sudeste e do Sul da Bahia, com maior frequência em Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo, em floresta estacional semidecidual e ombrófila.

Prefere clima tropical e subtropical úmido, com precipitação anual entre 1.100 e 1.800 mm e temperatura média de 18 a 26 °C. Tolera estação seca definida, quando ocorre a queda parcial das folhas.

Na natureza, aparece em solos profundos, férteis e bem drenados, geralmente em encostas e fundos de vale. Não tolera solo encharcado permanente nem geada forte e frequente quando jovem.

Como plantar braúna: sementes, mudas e época

A propagação é feita quase exclusivamente por sementes. Elas têm dormência tegumentar e germinam melhor após escarificação mecânica leve ou imersão em água em temperatura ambiente por 12 a 24 horas.

A semeadura deve ser feita logo após a coleta, pois as sementes perdem viabilidade em poucos meses. Use substrato com terra vegetal, areia e matéria orgânica, mantendo em meia-sombra até 30 cm e depois em sol pleno.

O plantio definitivo no campo é melhor no início da estação chuvosa, de outubro a dezembro. Abra berço de pelo menos 40 x 40 x 40 cm, adube com composto orgânico e mantenha espaçamento mínimo de 6 x 6 m se for para arborização ou reflorestamento. O crescimento inicial é lento e a muda precisa de tutoramento e coroamento nos dois primeiros anos.

Como cuidar da braúna no campo e na cidade

Nos primeiros 2 anos, a braúna precisa de rega regular, 2 a 3 vezes por semana na seca, e controle de mato ao redor. Após estabelecida, torna-se mais rústica e tolera estiagens curtas sem irrigação.

Exige sol pleno para formar copa bem estruturada. Sombreamento na fase adulta prejudica o crescimento e a floração. A adubação anual com matéria orgânica e NPK formulado para nativas ajuda, mas sem excesso de nitrogênio.

A poda é apenas de formação e limpeza, para conduzir um fuste único e retirar galhos secos. Não faça podas drásticas, pois a espécie tem cicatrização lenta. Em áreas urbanas, plante apenas em parques, fazendas e grandes áreas verdes, nunca sob fiação.

Usos da madeira e importância ecológica

A madeira da braúna é considerada nobre e de altíssima durabilidade natural, com grande resistência ao apodrecimento e ao ataque de cupins. Por isso alcançou alto valor comercial e foi chamada de “madeira de lei” no período colonial e imperial.

Hoje, o uso madeireiro é extremamente restrito. O valor atual da espécie está no reflorestamento, na restauração ecológica e na arborização rural. Ela é ótima para enriquecimento de mata ciliar e de reserva legal, pois cresce no interior da floresta e atrai polinizadores.

Ecologicamente, a floração amarela alimenta abelhas, besouros e outros insetos, e as vagens servem a pequenos mamíferos. Por ser leguminosa, associa-se a bactérias fixadoras de nitrogênio, melhorando o solo ao redor.

A braúna é relativamente rústica, mas mudas podem sofrer com formigas cortadeiras, lagartas desfolhadoras e cochonilhas. Em viveiro, o excesso de água causa podridão de raízes e damping-off.

Em campo, o principal problema não é sanitário, e sim humano: o corte ilegal. Por ser madeira de lei, ainda sofre extração clandestina. A espécie consta em listas estaduais de flora ameaçada em Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro.

Para plantar ou manejar, compre mudas de viveiros licenciados e, se houver árvores nativas adultas na propriedade, consulte o órgão ambiental estadual antes de qualquer intervenção. O transporte de madeira nativa exige DOF (Documento de Origem Florestal).

Braúna é a mesma que baraúna? Entenda a confusão

Muita gente confunde braúna da Mata Atlântica (Melanoxylon brauna) com baraúna da Caatinga (Schinopsis brasiliensis). São espécies diferentes, de famílias diferentes. A baraúna do sertão é da família Anacardiaceae e ocorre na Caatinga nordestina.

Ambas têm madeira dura e cerne escuro, daí o nome popular parecido. Mas a braúna verdadeira da Mata Atlântica tem flores amarelas em panícula e folhas bipinadas, enquanto a baraúna da Caatinga tem folhas simples e frutos tipo drupa.

Na hora de comprar muda, confira sempre o nome científico no rótulo. Para Mata Atlântica e Sudeste, a espécie correta para restauração é Melanoxylon brauna. Para Caatinga, a nativa é Schinopsis brasiliensis.

Perguntas frequentes

Braúna e baraúna são a mesma árvore?

Não. A braúna da Mata Atlântica é Melanoxylon brauna (Fabaceae). A baraúna da Caatinga é Schinopsis brasiliensis (Anacardiaceae). Nomes parecidos, espécies diferentes.

Quanto tempo a braúna leva para crescer?

É de crescimento lento. Leva vários anos para formar copa e pode demorar décadas para atingir porte adulto e floração plena.

Pode plantar braúna na calçada?

Não é recomendado. Ela atinge 15 a 25 m e copa de até 12 m, precisa de grande espaço e não tolera podas severas nem fiação.

Braúna pode ser cortada?

É espécie protegida e vulnerável. O corte de nativas adultas depende de autorização do órgão ambiental e o transporte da madeira exige DOF.

Quando a braúna floresce?

Entre setembro e novembro, com cachos de flores amarelas muito atrativas para abelhas.

Como germinar semente de braúna?

Faça escarificação leve da casca e deixe em água por 12 a 24 h antes de semear. Semeie logo após a coleta em substrato leve e mantenha úmido.

Braúna serve para reflorestamento?

Sim, é excelente para restauração da Mata Atlântica, mata ciliar e reserva legal, além de fixar nitrogênio no solo.

Você sabia?

1

Madeira preta de verdade

O nome científico Melanoxylon significa madeira preta. O cerne da braúna recém-cortado é castanho-escuro e vai escurecendo até ficar quase preto com o tempo e a oxidação.

2

Dormente que dura décadas

No auge das ferrovias, dormentes de braúna duravam mais de 30 anos no solo sem tratamento químico, enquanto madeiras comuns apodreciam em poucos anos.

3

Semente que precisa de ajuda

As sementes têm casca dura e dormência. Sem escarificação leve, a germinação pode ficar abaixo de 20%; com manejo correto, passa de 70%.

4

Parente do pau-brasil

Braúna e pau-brasil (Paubrasilia echinata) pertencem à mesma família Fabaceae e dividem o mesmo bioma, a Mata Atlântica, e a mesma história de superexploração como madeira de lei.

Fontes

  1. Flora e Funga do Brasil - Jardim Botânico do Rio de Janeiro
  2. Embrapa Florestas
  3. IUCN Red List

Prós e contras: Braúna

Prós

  • Madeira nobre entre as mais duras e duráveis do Brasil
  • Copa ampla com sombra densa e vida muito longa
  • Ótima para restauração da Mata Atlântica e atrai abelhas
  • Fixa nitrogênio e melhora o solo
  • Rústica quando adulta e tolera seca curta

Contras

  • Crescimento lento, demora anos para dar sombra plena
  • Porte grande, exige muito espaço
  • Sensível a geada e encharcamento quando jovem
  • Espécie protegida, com restrições legais de corte
  • Mudas menos fáceis de encontrar que espécies comuns
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a braúna é uma das nativas mais nobres para quem pensa em legado e não em resultado imediato: demora a crescer, mas entrega sombra, história e madeira de valor incomparável. Para pequenos espaços urbanos ela é uma escolha ruim; para restauração da Mata Atlântica, é insubstituível.

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Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.