🌳 Árvores

Castanheira-do-pará

Bertholletia excelsa

Atualizado em

30 a 50 m de alturaTamanho
Perene, verde-escuraFolhagem
Lento a moderadoCrescimento
Sol plenoLuminosidade
500 a 1.200 anosLongevidade
Castanheira-do-pará adulta emergindo acima do dossel da floresta amazônica

A castanheira-do-pará (Bertholletia excelsa) é uma árvore emergente da Amazônia, uma das mais altas e longevas da floresta. Chega a 50 metros de altura, com tronco retilíneo de até 3 metros de diâmetro e copa que ultrapassa o dossel.

Famosa pelo ouriço lenhoso que guarda de 10 a 25 castanhas, depende de abelhas grandes para polinização e da cutia para dispersão. É espécie protegida por lei no Brasil, símbolo do extrativismo sustentável e base econômica de milhares de famílias amazônicas.

Também conhecido como: Castanha-do-pará, Castanha-do-brasil, Castanheira, Tocari, Tururi, Brazil nut (inglês), Nuez de Brasil (espanhol), Noix du Brésil (francês)

Faz parte de: Árvores de Sombra, Árvores Grandes

Explore a wiki

Galeria de fotos de Castanheira-do-pará

Castanheira-do-pará adulta emergindo acima do dossel da floresta amazônica
Castanheira-do-pará adulta emergente, com tronco retilíneo e copa acima do dossel.
Folhas e flores creme-amareladas da castanheira-do-pará
Folhas coriáceas e flores em capuz, polinizadas por abelhas grandes.
Tronco e casca fissurada da castanheira-do-pará
Tronco cilíndrico e casca acinzentada profundamente fissurada.
Ouriços lenhosos da castanheira-do-pará no chão da floresta
Ouriços lenhosos com 10 a 25 castanhas em seu interior.
Sementes de castanha-do-pará dentro do ouriço aberto
Sementes triangulares, a castanha-do-pará propriamente dita.
Copa ampla da castanheira-do-pará vista de baixo
Copa ampla e arredondada vista de baixo, com sombra densa.
Ideal para

Ideal para proprietários de sítios e fazendas na Amazônia e em SAFs que buscam árvore de vida longuíssima, sombra densa e produção extrativista de alto valor. Funciona muito bem em projetos de reflorestamento e recuperação de áreas degradadas em clima equatorial. Também é excelente para quem quer investir em legado ambiental, já que uma castanheira plantada hoje pode produzir por séculos e atrair cutias, araras, macacos e abelhas nativas.

Pode não ser ideal para

Não é indicada para quintais pequenos, calçadas, áreas urbanas ou sob fiação elétrica. O porte gigante, a queda de ouriços pesados e a necessidade de floresta ao redor tornam seu cultivo doméstico inviável e perigoso. Também não serve para quem busca crescimento rápido ou frutificação em poucos anos. Sem espaço, sem polinizadores específicos e sem manejo florestal, ela simplesmente não produz e pode gerar frustração e risco.

Cultivo rápido

Luz
Sol pleno na fase adulta; meia-sombra nos primeiros 12 meses
Rega
Regular nos 2 primeiros anos, mantendo solo úmido sem encharcar; adulta tolera seca curta
Solo
Profundo (>1 m), bem drenado, argiloso a argilo-arenoso, ácido (pH 4,5 a 6,5) e rico em matéria orgânica
Temperatura
24 a 28 °C; não tolera geada nem frio abaixo de 15 °C por longos períodos
Adubação
Orgânica leve na cova (esterco curtido + farinha de ossos); cobertura morta anual
Poda
Apenas sanitária; não requer poda de formação
Propagação
Sementes frescas (principal) e enxertia para precocidade; estacas não funcionam bem

Perfil rápido de Castanheira-do-pará

Estado de conservação

VU
Vulnerável

Espécie com população em declínio devido ao desmatamento e à falta de regeneração em áreas fragmentadas.

População
Em declínio
Protegido por
Sim, corte proibido no Brasil pelo Decreto 5.975/2006 e protegida por leis estaduais na Amazônia

Calendário

FloraçãoJFMAMJJASOND
Queda e maturação dos ouriçosJFMAMJJASOND
Coleta / safraJFMAMJJASOND
Germinação naturalJFMAMJJASOND
Plantio de mudasJFMAMJJASOND

Habitat

Ambientes

  • Floresta de terra firme
  • Castanhais nativos
  • Floresta alta de dossel fechado

Biomas

  • Amazônia

Encontrado em 8 países

  • Brasil
  • Bolívia
  • Peru
  • Colômbia
  • Venezuela
  • Guiana
  • Suriname
  • Guiana Francesa

Classificação científica

Reino
Plantae
Filo
Magnoliophyta
Classe
Magnoliopsida
Ordem
Ericales
Família
Lecythidaceae
Gênero
Bertholletia
Espécie
Bertholletia excelsa Humb. & Bonpl.

Resumo

  • A castanheira-do-pará é uma árvore emergente da Amazônia que atinge 30 a 50 metros e pode viver mais de 500 anos.
  • Seu fruto é um ouriço lenhoso de 1 a 2 kg que só é polinizado por abelhas grandes e disperso principalmente pela cutia.
  • É espécie protegida por lei no Brasil, com corte proibido, e sua produção depende de floresta em pé e fauna associada.

Características

Ficha da árvore

Nome popularCastanheira-do-pará
Nome científicoBertholletia excelsa
Família botânicaLecythidaceae
OrigemAmazônia (Brasil, Bolívia, Peru, Colômbia, Venezuela e Guianas)
Tamanho30 a 50 m de altura, até 60 m em exemplares excepcionais
CopaAmpla, arredondada e emergente, com 20 a 30 m de diâmetro
FolhagemPerene
CrescimentoLento a moderado
LuminosidadeSol pleno
RegaAlta na fase jovem; adulta tolera estação seca curta
SoloProfundo, bem drenado, argiloso a argilo-arenoso, ácido e rico em matéria orgânica
UsosAlimentício, reflorestamento, sistemas agroflorestais e extrativismo
Longevidade500 a 1.200 anos

Perfil e comportamento

Velocidade de crescimentoBaixo
SombraMuito alto
Resistência à secaBaixo
Agressividade das raízesMédio
Facilidade de cultivoBaixo
Atrai faunaMuito alto

O que torna a castanheira-do-pará única na Amazônia

A castanheira-do-pará é uma árvore emergente: cresce acima do dossel da floresta, com tronco reto, sem ramificações nos primeiros 20 a 30 metros. É uma das poucas espécies que definem a paisagem amazônica à primeira vista.

Pertence à família Lecythidaceae, a mesma do sapucaia e do jequitibá. Diferente de árvores plantadas em calçadas, ela não foi domesticada. Toda produção comercial ainda vem de castanhais nativos, não de plantios homogêneos.

Na nossa avaliação, é a árvore mais emblemática do extrativismo brasileiro. Ela só produz bem com floresta em pé, polinizadores nativos e fauna intacta. Sem isso, não há castanha.

Como reconhecer a castanheira: tronco, copa e ouriço

O tronco é cilíndrico, retilíneo e com casca acinzentada profundamente fissurada. Em árvores adultas, as sapopemas são discretas, diferente de sumaúmas e figueiras.

As folhas são simples, alongadas e coriáceas, com 20 a 35 cm de comprimento, verde-escuras e brilhantes na face superior. A copa é densa e arredondada quando vista de cima, mas parece um guarda-sol gigante emergindo da mata.

As flores são creme-amareladas, com 6 pétalas e estames em forma de capuz, muito perfumadas. O fruto é inconfundível: o ouriço, uma cápsula lenhosa esférica de 10 a 15 cm de diâmetro, pesando 1 a 2 kg, com casca extremamente dura.

Dentro do ouriço ficam 10 a 25 sementes em forma de gomo, as castanhas propriamente ditas, cada uma com casca rugosa marrom e amêndoa branca e oleosa. Nenhuma outra árvore amazônica tem fruto igual.

Onde vive e por que só frutifica na mata

A castanheira ocorre em floresta de terra firme não alagável, em solos profundos e bem drenados da bacia amazônica. Não tolera várzea, igapó ou solo encharcado.

Sua distribuição natural cobre Brasil, Bolívia, Peru, Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa, com maior densidade no Pará, Amazonas, Acre e Rondônia. Forma os chamados castanhais, agrupamentos onde pode haver 2 a 10 árvores adultas por hectare.

Ela precisa de sol pleno no topo da copa e de floresta ao redor. Plantios isolados em pasto ou quintal raramente frutificam bem porque faltam os polinizadores específicos e a estrutura de floresta que mantém umidade e microclima.

Polinização, ouriço e o papel da cutia

A polinização é um dos pontos mais fascinantes. As flores têm estrutura complexa que só abelhas grandes e robustas, como Xylocopa, Bombus, Eulaema e Euglossa, conseguem abrir para alcançar o néctar.

Essas abelhas precisam levantar o capuz estaminal e forçar a entrada. Abelha-europeia (Apis mellifera) não consegue polinizar. Por isso, desmatamento que elimina ninhos dessas abelhas derruba a produção mesmo sem derrubar a castanheira.

Após a polinização, o ouriço leva 14 a 15 meses para amadurecer. Quando cai, de 30 a 50 metros de altura, atinge o solo com força capaz de matar. O coletor nunca deve ficar sob a copa na época de queda.

A dispersão depende quase exclusivamente da cutia (Dasyprocta spp.). Ela é um dos poucos animais com dentes fortes o suficiente para roer o ouriço. Enterra sementes para consumo posterior e esquece parte delas, que germinam. Sem cutia, não há regeneração natural.

Como plantar castanheira-do-pará (e por que não é para quintal)

Esta não é uma árvore para calçada, quintal pequeno ou vaso. Ela exige espaço de 15 a 20 metros de raio livre, solo profundo e décadas até produzir. É indicada para sítio, fazenda, reflorestamento e sistemas agroflorestais (SAFs).

A propagação é feita por sementes frescas retiradas de ouriços recém-caídos. A semente perde viabilidade em poucas semanas se secar. A semeadura deve ser feita logo após a coleta, com a parte mais fina voltada para cima, em substrato arenoso e sombreado.

A germinação é lenta e desuniforme, de 1 a 6 meses. Mudas precisam de 50% de sombra no primeiro ano e sol pleno depois. O plantio definitivo deve ser feito no início da estação chuvosa, em cova grande (60 x 60 x 60 cm) com matéria orgânica.

Enxertia com clones produtivos pode antecipar a frutificação de 12-15 anos para 6-8 anos, mas ainda exige área grande e manejo florestal. No Brasil, o plantio deve respeitar o Código Florestal e, em áreas nativas, a coleta de sementes precisa de autorização.

Clima ideal no Brasil

Clima equatorial quente e úmido, com temperatura média de 24 a 28 °C, precipitação de 1.500 a 2.800 mm anuais e estação seca de no máximo 3 a 4 meses. Não tolera geada nem frio prolongado abaixo de 15 °C.

Como cuidar nos primeiros anos

Nos primeiros 3 anos, a muda precisa de rega regular na estação seca, capina ao redor e proteção contra formigas cortadeiras e fogo. A competição com gramíneas agressivas como braquiária pode matar a planta jovem.

A adubação deve ser leve e orgânica, com esterco curtido e cobertura morta. Excesso de nitrogênio favorece crescimento fraco. Solo compactado ou encharcado causa podridão radicular.

Não há poda de formação como em frutíferas de quintal. Apenas remoção de ramos secos ou danificados. A árvore define sozinha sua arquitetura emergente.

O crescimento inicial é de 0,8 a 1,5 metro por ano em condições boas, mas desacelera após os 10 anos. É um investimento de longo prazo, não de retorno rápido.

Tamanho, copa e raízes na prática

Adulta, a castanheira atinge 30 a 50 metros, com registros de 60 metros. O DAP (diâmetro à altura do peito) varia de 1 a 3 metros. A copa pode cobrir mais de 400 m².

As raízes são pivotantes e profundas, com poucas raízes superficiais agressivas. Não costuma levantar calçadas como ficus, mas o porte e a queda de ouriços inviabilizam uso urbano. A área de projeção da copa deve ficar totalmente livre de casas, fiações e circulação intensa.

A sombra é densa e fresca, mas o risco de queda de frutos de 2 kg de grande altura torna a árvore incompatível com áreas de permanência. Em SAFs, é plantada em espaçamento de 10 x 10 m a 20 x 20 m.

Característica Medida real
Altura adulta 30 a 50 m (até 60 m)
Diâmetro do tronco 1 a 3 m
Peso do ouriço 0,8 a 2,5 kg
Sementes por ouriço 10 a 25
Idade para primeira frutificação 8 a 15 anos (enxertada) ou 12 a 20 anos (pé-franco)

O principal uso é a amêndoa comestível, rica em selênio, magnésio, gorduras boas e proteínas. É consumida in natura, em farofas, doces, óleos e leite vegetal. Uma única castanha pode suprir a necessidade diária de selênio.

O óleo é usado na cosmética e na indústria alimentícia. A madeira, extremamente dura e resistente, já foi muito explorada, mas hoje seu corte é proibido por lei em todo o território nacional pelo Decreto nº 5.975/2006. Só é permitida a exploração de árvores caídas naturalmente com autorização.

Economicamente, sustenta o extrativismo de comunidades tradicionais. O Brasil, a Bolívia e o Peru são os maiores produtores. A coleta é manual, na floresta, entre dezembro e março, e exige manejo para deixar parte dos ouriços para regeneração.

Riscos, pragas e erros comuns

A castanheira adulta é rústica, mas mudas sofrem com formigas saúvas, lagartas, antracnose e podridão de raízes em solo mal drenado. Em viveiro, o fungo Fusarium pode dizimar lotes.

O maior erro é plantar esperando produção rápida em área pequena. Outro erro comum é achar que basta plantar uma árvore isolada: sem outras castanheiras próximas e sem abelhas nativas, a polinização cruzada falha.

Consumo excessivo da amêndoa (mais de 3 a 4 por dia por longos períodos) pode causar selenose por excesso de selênio. E nunca colete ouriços diretamente da copa ou permaneça sob a árvore na época de queda. A coleta deve ser feita após a queda natural.

Por ser espécie ameaçada e protegida, nunca compre muda de origem duvidosa nem tente retirar sementes de unidades de conservação sem autorização do ICMBio.

Perguntas frequentes

Quanto tempo a castanheira-do-pará demora para produzir?

De semente, de 12 a 20 anos. Mudas enxertadas com material produtivo podem começar entre 6 e 8 anos, mas ainda precisam de porte grande e polinizadores.

Pode plantar castanheira-do-pará no quintal?

Não é recomendado. Ela atinge 30 a 50 m, tem copa enorme e derruba ouriços de até 2 kg de grande altura, com risco grave de acidente.

Por que a castanheira não produz quando plantada isolada?

Porque depende de polinização cruzada feita por abelhas grandes nativas e de outras castanheiras próximas. Sem floresta e sem essas abelhas, a frutificação falha.

É proibido cortar castanheira-do-pará?

Sim. O corte é proibido em todo o Brasil pelo Decreto 5.975/2006. Só é permitido o aproveitamento de árvores caídas naturalmente com autorização do órgão ambiental.

Quando é a safra da castanha-do-pará?

Os ouriços amadurecem e caem entre dezembro e março, e a coleta vai de janeiro a abril, no auge da estação chuvosa amazônica.

Como germinar semente de castanheira-do-pará?

Use sementes frescas de ouriços recém-caídos, sem deixar secar. Plante em substrato úmido e sombreado; a germinação leva de 1 a 6 meses e é desuniforme.

Castanha-do-pará faz mal se comer muito?

Em excesso pode causar selenose por excesso de selênio. O consumo moderado, de 1 a 3 castanhas por dia, é considerado seguro para adultos saudáveis.

Você sabia?

1

O ouriço é uma bomba natural

O fruto cai de até 50 metros e pesa até 2,5 kg, atingindo o solo a mais de 80 km/h. Extrativistas usam capacete e nunca acampam sob a copa na safra.

2

Só a cutia consegue abrir

Entre todos os animais da floresta, apenas a cutia tem dentes e força para roer o ouriço lenhoso. Ela enterra as sementes e, ao esquecer parte, planta novas castanheiras.

3

Uma castanha por dia basta

A amêndoa é o alimento mais rico em selênio conhecido. Uma única unidade pode conter 2 a 3 vezes a dose diária recomendada, por isso o consumo deve ser moderado.

4

Precisa de outra castanheira para frutificar

A espécie é predominantemente de polinização cruzada. Árvores isoladas, sem outra castanheira num raio de até 1 km e sem abelhas Euglossini, produzem pouquíssimo ou nada.

Fontes

  1. Flora e Funga do Brasil - Jardim Botânico do Rio de Janeiro
  2. Embrapa Amazônia Oriental
  3. IUCN Red List - Bertholletia excelsa
  4. ICMBio / Ministério do Meio Ambiente

Prós e contras: Castanheira-do-pará

Prós

  • Vive séculos e se torna patrimônio natural da propriedade
  • Produz castanhas de altíssimo valor nutricional e comercial
  • Atrai e sustenta fauna amazônica (cutias, araras, abelhas nativas)
  • Excelente para reflorestamento, SAFs e projetos de carbono
  • Sombra densa e copa emergente majestosa

Contras

  • Porte gigante incompatível com área urbana e quintal pequeno
  • Crescimento lento e frutificação tardia (anos de espera)
  • Queda de ouriços pesados oferece risco grave
  • Depende de floresta, polinizadores específicos e outra castanheira por perto
  • Corte proibido por lei e mudas de boa origem são difíceis de encontrar
Nossa opinião

A castanheira-do-pará é o melhor argumento vivo de que floresta em pé vale mais que pasto. Não é árvore para paisagismo urbano, e forçar esse uso esvazia seu sentido ecológico e econômico.

Continue explorando: Árvores

Feliciano Murene
Escrito porFeliciano MureneVeterinário

Feliciano Murene é professor e criador de conteúdo. Formado em Biologia, possui cerca de 5 anos de experiência em sala de aula e atua na produção de conteúdos…

Cacilda Massema
Revisão especializadaCacilda MassemaEngenheira Agrônoma

Com experiência no universo das plantas, dedica-se à pesquisa e produção de conteúdos sobre cultivo, identificação de espécies, plantas ornamentais, flores, árvores e frutíferas. Partilha conhecimentos práticos sobre…

Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.