🐟 Peixes

Sardinha

Sardinella brasiliensis

Atualizado em

13 a 27 cmTamanho
Salgada marinhaTipo de água
3 a 4 anosExpectativa de vida
Pacífico e gregárioTemperamento
Não é de aquárioDificuldade
Sardinha filtrando plâncton com a boca entreaberta

A sardinha é um peixe marinho pelágico, pequeno e extremamente gregário, que vive em grandes cardumes na plataforma continental. No Brasil, o nome se refere principalmente à sardinha-verdadeira (Sardinella brasiliensis), a espécie mais pescada e consumida no país.

Ela se destaca pelo corpo alongado e prateado, crescimento rápido e ciclo de vida curto, o que a torna base da cadeia alimentar marinha e da indústria pesqueira. É um peixe filtrador de plâncton, rico em ômega-3, cálcio e proteínas, e com papel ecológico essencial entre o plâncton e predadores maiores.

Também conhecido como: Sardinha-verdadeira, Sardinha do Atlântico, Brazilian sardinella (inglês), Sardinelle du Brésil (francês)

Faz parte de: Peixes de Água Salgada

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Galeria de fotos de Sardinha

Sardinha filtrando plâncton com a boca entreaberta
Alimentação por filtração de zooplâncton e fitoplâncton.
Sardinhas frescas sobre gelo após a pesca
Sardinhas frescas: olhos brilhantes e guelras vermelhas indicam frescor.
Comparação entre sardinha-verdadeira, sardinha-laje e sardinha-cascuda
Diferenças entre as principais espécies chamadas de sardinha no Brasil.
Sardinha filtrando plâncton com a boca entreaberta
Alimentação por filtração de zooplâncton e fitoplâncton.
Sardinhas frescas sobre gelo após a pesca
Sardinhas frescas: olhos brilhantes e guelras vermelhas indicam frescor.
Comparação entre sardinha-verdadeira, sardinha-laje e sardinha-cascuda
Diferenças entre as principais espécies chamadas de sardinha no Brasil.

Perfil rápido de Sardinha

Estado de conservação

VU
Vulnerável

Estoque brasileiro com histórico de colapso por sobrepesca e dependente de defeso e cotas.

População
Em declínio
Protegido por
Sim, com defeso e tamanho mínimo de 17 cm no Brasil

Calendário

Reprodução (desova)JFMAMJJASOND
Defeso no Sudeste-SulJFMAMJJASOND
Safra principalJFMAMJJASOND

Valor nutricional (100 g)

Energia (100 g crua)
~185 kcal
Proteína
~20 g
Gordura total
~11 g
Ômega-3 EPA+DHA
~1,8 g
Cálcio (com espinha)
~240 mg
Vitamina D
~5 mcg
Vitamina B12
~8 mcg
Selênio
~35 mcg

Vida útil

Na natureza
3 a 4 anos, raramente 5 anos em áreas pouco pescadas
Em cativeiro
Não se aplica – espécie pelágica marinha não mantida em aquários comerciais

Reprodução

Maturidade sexual
10 a 12 meses, com 17 cm
Tipo de desova
Ovípara pelágica, desova parcelada em mar aberto
Fecundidade
20.000 a 60.000 ovos por fêmea por temporada
Época de pico
Primavera-verão, de outubro a março no Sudeste-Sul
Ovos e larvas
Planctônicos, eclosão em 2 a 3 dias, alta mortalidade natural

Habitat

Ambientes

  • Zona pelágica costeira
  • Plataforma continental entre 10 e 70 m
  • Águas de ressurgência ricas em nutrientes

Biomas

  • Marinho Costeiro
  • Oceano Atlântico Sudoeste

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Zooplâncton (copépodes)
  • Fitoplâncton (diatomáceas)

Outros alimentos

  • Ovos de peixes
  • Larvas de crustáceos
  • Pequenos cladóceros

Encontrado em 3 países

  • Brasil
  • Argentina
  • Uruguai

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Actinopterygii
Ordem
Clupeiformes
Família
Clupeidae
Gênero
Sardinella
Espécie
Sardinella brasiliensis

Resumo

  • A sardinha-verdadeira (Sardinella brasiliensis) é um peixe marinho de até 27 cm que vive em grandes cardumes na costa do Atlântico Sudoeste.
  • É filtradora de plâncton, tem ciclo de vida curto de 3 a 4 anos e reprodução com desova parcelada que sustenta toda a cadeia alimentar oceânica.
  • Espécie de enorme importância econômica no Brasil, já sofreu colapso por sobrepesca e hoje tem defeso e cotas para conservação.

Características

Ficha da espécie

Nome científicoSardinella brasiliensis (Steindachner, 1879)
FamíliaClupeidae
OrigemAtlântico Sudoeste – costa do Brasil, Uruguai e Argentina
Tipo de águaSalgada, marinha pelágica costeira
Tamanho13 a 27 cm (adulto, comum 18 a 22 cm)
Coresprateadodorso azul-esverdeadoventre branco-prateado
Expectativa de vida3 a 4 anos na natureza
AlimentaçãoPlanctófaga filtradora
ReproduçãoOvípara com desova parcelada em mar aberto
Variedades no BrasilSardinha-verdadeira, sardinha-laje (Opisthonema oglinum), sardinha-cascuda (Harengula clupeola)

Perfil e comportamento

Facilidade de criaçãoMuito baixo
AgressividadeMuito baixo
SociabilidadeMuito alto
Nível de atividadeMuito alto
Exigência com a qualidade da águaAlto
Adequação a aquários pequenosMuito baixo

Como identificar a sardinha de verdade

A sardinha-verdadeira tem corpo fusiforme, alongado e levemente comprimido, com escamas grandes, prateadas e muito caducas, que se soltam com facilidade.

O dorso é azul-esverdeado escuro e o ventre é branco-prateado brilhante. Não há linha lateral evidente e a boca é pequena, terminal, sem dentes visíveis.

O detalhe que mais ajuda na identificação é a mancha escura difusa atrás da abertura branquial, presente em Sardinella brasiliensis, e o opérculo com estrias radiadas. As nadadeiras são translúcidas e a caudal é bem furcada.

Adultos medem em média 18 a 22 cm, raramente chegando a 27 cm e 70 g. É menor que a sardinha-laje, que tem um filamento alongado no último raio da nadadeira dorsal.

Onde vive e como se distribui no Brasil

É um peixe pelágico costeiro, que vive na coluna d’água entre 10 e 70 metros de profundidade, sobre a plataforma continental.

No Brasil, ocorre de forma contínua do Rio de Janeiro ao Rio Grande do Sul, com maior abundância entre Cabo Frio (RJ) e Cabo de Santa Marta (SC). É a área de ressurgência e enriquecimento por nutrientes.

Prefere águas com temperatura entre 18 °C e 26 °C e salinidade oceânica estável. Forma cardumes imensos, com milhares a milhões de indivíduos, que se deslocam horizontal e verticalmente em busca de plâncton.

  • Habitat principal: zona pelágica nerítica, sobre plataforma interna e média.
  • Evita: estuários muito dessalinizados e águas oceânicas profundas além do talude.
  • Migração: deslocamentos sazonais curtos, acompanhando massas d’água frias e ricas em nutrientes.

Comportamento em cardume e migrações verticais

A sardinha é o exemplo clássico de peixe gregário obrigatório. Sozinha, fica desorientada e vulnerável; em cardume, sincroniza natação, filtração e fuga.

Durante o dia, o cardume fica mais compacto e profundo. À noite, sobe para perto da superfície para se alimentar, fazendo migração vertical diária de dezenas de metros.

A coesão do cardume é mantida por visão e linha lateral. Quando atacada por atuns, cavalas ou golfinhos, o cardume forma bolas de isca (bait balls) que giram rapidamente para confundir o predador.

É um peixe muito ativo, que nada constantemente com a boca entreaberta filtrando água. Um único indivíduo pode filtrar vários litros por hora.

O que a sardinha come e seu papel na cadeia alimentar

A alimentação é exclusivamente por filtração de plâncton. Usa rastros branquiais longos e numerosos como peneira.

A dieta varia com a idade: larvas consomem fitoplâncton e pequenos ovos, jovens e adultos filtram principalmente copépodes, larvas de crustáceos e diatomáceas.

Esse hábito a coloca como elo essencial entre a produção primária e predadores de topo. Sem sardinha, atuns, cavalas, pescadas, aves marinhas e mamíferos perdem sua principal fonte de energia.

Por se alimentar na base da cadeia, acumula menos mercúrio que predadores grandes, o que a torna uma das opções mais seguras entre os peixes marinhos para consumo frequente.

Reprodução e ciclo de vida curto e intenso

A sardinha tem vida curta e estratégia reprodutiva de alta fecundidade e crescimento rápido. Atinge maturidade sexual com apenas 1 ano e cerca de 17 cm.

A desova é parcelada e pelágica, em mar aberto, principalmente na primavera e verão, quando a água está mais quente e produtiva. Cada fêmea libera 20 mil a 60 mil ovos por temporada, em lotes.

Ovos e larvas são planctônicos e derivam com as correntes por 2 a 3 dias até a eclosão. O crescimento é explosivo nos primeiros meses, e a mortalidade natural é altíssima.

Essa biologia explica por que a população pode dobrar rapidamente em anos bons e também colapsar em poucos anos se a pesca remover muitos reprodutores antes da primeira desova.

Calendário reprodutivo no Sudeste-Sul

O pico vai de outubro a março, com defeso oficial de 15 de junho a 31 de julho e de 1º de novembro a 15 de fevereiro em parte da costa, para proteger recrutamento e desova.

Pesca, importância econômica e risco de colapso

A sardinha-verdadeira é o peixe marinho mais pescado no Brasil, responsável por mais de 30% do desembarque da frota de cerco no Sudeste-Sul.

A pesca é feita com rede de cerco (traineira) que cerca o cardume inteiro. Por isso, o manejo precisa ser muito preciso: se a rede captura muitos jovens abaixo de 17 cm, a renovação do estoque falha.

O Brasil já viveu um colapso histórico: entre 1973 e 1990, a captura caiu de mais de 200 mil toneladas para menos de 30 mil por sobrepesca e mudanças oceanográficas. O estoque só se recuperou parcialmente após moratórias e cotas.

Na nossa avaliação, a sardinha é o melhor termômetro da saúde do oceano costeiro brasileiro. Quando ela some, o problema não é só econômico, é ecológico.

Espécie chamada de sardinha no Brasil Nome científico Diferença marcante
Sardinha-verdadeira Sardinella brasiliensis Mancha escura atrás da brânquia, sem filamento dorsal
Sardinha-laje Opisthonema oglinum Último raio dorsal em filamento longo
Sardinha-cascuda Harengula clupeola Corpo mais alto e escamas mais ásperas

Sardinha no prato: valor nutricional e como escolher

É um dos peixes mais nutritivos e acessíveis. Rica em proteína completa, cálcio (quando consumida com espinha), selênio, vitamina D e B12.

O destaque é o ômega-3 EPA e DHA, com cerca de 1,5 a 2,5 g por 100 g de sardinha fresca, um dos maiores teores entre peixes consumidos no Brasil.

Na feira ou mercado, prefira exemplares com olhos brilhantes, guelras vermelho-vivo, cheiro suave de mar e escamas firmes. Carne deve estar firme ao toque, sem manchas amareladas na barriga.

Sardinha fresca estraga muito rápido por ter muita gordura insaturada. Mantenha sempre refrigerada e consuma em até 24 horas ou congele imediatamente.

Curiosidades que pouca gente sabe

A sardinha não bebe água: ela obtém toda a hidratação filtrando o plâncton e excretando o excesso de sal pelas brânquias.

As escamas se soltam como mecanismo de defesa, ficando na boca do predador enquanto o peixe escapa, parecido com a cauda da lagartixa.

Apesar do nome, a sardinha em lata vendida no Brasil nem sempre é Sardinella brasiliensis. Em anos de escassez, a indústria importa Sardina pilchardus europeia.

Como conservar e por que ela importa

Por ser filtradora e viver pouco, a sardinha responde muito rápido a variações de temperatura, poluição e pesca. É considerada espécie-chave e indicadora ambiental.

O manejo atual no Brasil inclui defeso, tamanho mínimo de captura de 17 cm e limite anual de captura definido pelo Ministério da Pesca. Sem fiscalização, o risco de novo colapso é real.

Para o consumidor, escolher sardinha de época e respeitar o defeso é a forma mais direta de ajudar na conservação e garantir preço e qualidade melhores.

Perguntas frequentes

Sardinha é peixe de água doce ou salgada?

É exclusivamente de água salgada marinha, pelágica costeira. Não vive em rios, lagos ou aquários de água doce.

Qual o tamanho da sardinha-verdadeira?

O tamanho comum de captura é de 18 a 22 cm, podendo chegar a 27 cm e cerca de 70 g. Abaixo de 17 cm ainda é jovem e não se reproduziu.

Sardinha tem muita espinha?

Sim, mas as espinhas são finas e, quando cozida sob pressão ou em conserva, ficam moles e são fonte importante de cálcio.

Qual a diferença entre sardinha-verdadeira e sardinha-laje?

A sardinha-laje (Opisthonema oglinum) tem o último raio da nadadeira dorsal alongado em forma de filamento, ausente na sardinha-verdadeira.

Quando é o defeso da sardinha no Brasil?

Há dois períodos principais no Sudeste-Sul: de 15 de junho a 31 de julho e de 1º de novembro a 15 de fevereiro, podendo variar por instrução normativa anual.

Sardinha acumula mercúrio?

Muito pouco. Por ser planctófaga e de vida curta, está na base da cadeia e acumula menos mercúrio que atuns e outros predadores grandes.

Pode criar sardinha em aquário?

Não. É um peixe pelágico que precisa de cardumes enormes e natação constante em mar aberto, inviável em aquário doméstico.

Você sabia?

1

Escamas que salvam a vida

As escamas da sardinha são extremamente caducas e se desprendem em nuvem quando ela é mordida, ajudando o cardume a escapar enquanto o predador fica com a boca cheia de escamas.

2

Filtra litros sem parar

Uma sardinha adulta filtra de 10 a 20 litros de água por hora com seus rastros branquiais, retendo copépodes de menos de 1 mm como se fosse uma peneira viva.

3

Colapso que parou o país

Em 1990 a captura de sardinha-verdadeira despencou para 32 mil toneladas, menos de 15% do pico de 1973, forçando o fechamento de fábricas de conserva em Santa Catarina e Rio de Janeiro.

4

Nome emprestado na lata

A sardinha europeia (Sardina pilchardus) deu nome à ilha da Sardenha, e seu nome é usado no Brasil para latas importadas quando a sardinha-verdadeira está em defeso.

Fontes

  1. ICMBio - Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada
  2. FishBase - Sardinella brasiliensis
  3. FAO - Species Fact Sheets

Prós e contras: Sardinha

Prós

  • Rica em ômega-3, cálcio, vitamina D e B12
  • Baixo acúmulo de mercúrio por ser da base da cadeia
  • Crescimento rápido e alta fecundidade quando o estoque é respeitado
  • Preço acessível e versátil na culinária
  • Papel ecológico essencial como alimento de atuns e aves marinhas

Contras

  • Estoque vulnerável à sobrepesca e a variações climáticas
  • Carne muito perecível, estraga em poucas horas fora da refrigeração
  • Pesca de cerco pode capturar muitos jovens se não fiscalizada
  • Confusão comercial entre espécies vendidas como sardinha
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a sardinha é o peixe mais subestimado do Brasil: barata, sustentável quando respeitado o defeso e nutricionalmente superior a muitos peixes nobres. Entender seu ciclo curto é entender por que manejo rigoroso não é burocracia, é sobrevivência do estoque.

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Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

Sou uma entusiasta do universo dos peixes e da vida aquática. Dedico-me a pesquisar e partilhar informações sobre espécies de peixes, alimentação, comportamento, habitat e cuidados, ajudando os…

Última revisão em 17.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.