🐍 Serpentes

Boipeva

Xenodon merremii

Atualizado em

50 a 80 cm (até 1 m)Tamanho
BaixoPerigo para humanos
Não peçonhentaVeneno
8 a 12 anosExpectativa de vida
Campos e CerradoHabitat
Boipeva adulta (Xenodon merremii) enrolada no solo do Cerrado

A boipeva (Xenodon merremii) é uma serpente não peçonhenta da família Dipsadidae, muito comum em áreas abertas do Brasil. Apesar da fama de brava, ela não oferece perigo relevante para pessoas e pets.

Ela chama atenção porque, quando se sente ameaçada, achata a cabeça e o corpo, fica com aspecto triangular e pode dar botes falsos, imitando jararacas. É justamente essa encenação que causa a maioria dos acidentes por confusão e mortes desnecessárias da espécie.

De hábitos diurnos e terrestres, vive em Cerrado, Caatinga, bordas de Mata Atlântica, Pampa e áreas agrícolas, onde se alimenta sobretudo de sapos e rãs, ajudando a regular populações de anfíbios.

Também conhecido como: Boipeva, Capinaboa, Boipevaçu, Cobra-chata, Wagler's Snake

Faz parte de: Serpentes do Brasil, Serpentes Não Peçonhentas

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Galeria de fotos de Boipeva

Boipeva adulta (Xenodon merremii) enrolada no solo do Cerrado
Boipeva adulta mostrando padrão acinzentado com manchas escuras.
Close da cabeça da boipeva mostrando pupila redonda e escamas
Cabeça oval em repouso; só fica triangular quando achatada na defesa.
Detalhe das escamas e padrão dorsal da boipeva
Padrão em selas escuras bordeadas de claro sobre fundo acinzentado.
Boipeva em habitat natural de campo e brejo
Habitat típico: campos abertos e bordas de brejo.
Filhote de boipeva sobre folhiço
Filhote com 15 a 20 cm e padrão mais contrastado.
Boipeva em postura defensiva achatando o corpo
Postura de blefe que imita jararaca para afugentar predadores.

Perfil rápido de Boipeva

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

Espécie amplamente distribuída e comum, sem risco global de extinção.

População
Estável
Protegido por
Sim, fauna silvestre protegida por lei no Brasil

Calendário

Maior atividadeJFMAMJJASOND
Reprodução e postura de ovosJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsNão peçonhenta relevante
  • PessoasNão peçonhenta

Peçonha leve de Duvernoy só afeta anfíbios; mordida em pessoas causa no máximo dor e inchaço leve. Não requer soro.

Vida útil

Na natureza
8 a 12 anos
Em cativeiro
Até 15 anos, mas raramente mantida; criação exige autorização

Reprodução

Tipo de reprodução
Ovípara
Época de acasalamento
Setembro a dezembro (final da seca/início das chuvas)
Número de ovos
10 a 30 ovos por postura
Incubação
60 a 80 dias
Tamanho dos filhotes
15 a 20 cm ao nascer
Maturidade sexual
1,5 a 2 anos

Habitat

Ambientes

  • Campos naturais e pastagens
  • Cerrado e bordas de mata
  • Caatinga e áreas semiáridas
  • Brejos, várzeas e margens de lagoas
  • Áreas agrícolas e periurbanas

Biomas

  • Cerrado
  • Caatinga
  • Mata Atlântica
  • Pampa
  • Pantanal
  • Amazônia (bordas)

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Sapos e rãs
  • Pererecas

Outros alimentos

  • Lagartos pequenos
  • Pequenos roedores
  • Peixes ocasionais

Encontrado em 8 países

  • Brasil
  • Argentina
  • Bolívia
  • Paraguai
  • Uruguai
  • Guiana
  • Suriname
  • Guiana Francesa

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Reptilia
Ordem
Squamata
Família
Dipsadidae
Gênero
Xenodon
Espécie
Xenodon merremii

Resumo

  • A boipeva (Xenodon merremii) é uma serpente não peçonhenta de 50 a 80 cm, comum em campos e Cerrado, que imita jararaca ao se defender mas não oferece risco relevante a humanos.
  • Vive em quase todo o Brasil e países vizinhos, é ativa de dia, ovípara e se alimenta principalmente de sapos e rãs, sendo imune às toxinas de espécies como o cururu.
  • Não deve ser morta nem manuseada: ao encontrar uma, mantenha distância e acione bombeiros ou órgão ambiental; em caso de picada de qualquer serpente, busque atendimento médico imediato sem torniquete ou cortes.

Características

Ficha da serpente

Ordem e famíliaSquamata | Dipsadidae
Origem e distribuiçãoAmérica do Sul; ampla no Brasil
Tamanho (comprimento)50 a 80 cm, máximo cerca de 100 cm
Peso150 a 400 g em adultos
Cores e padrãoCinzamarrombegepretoolivacom manchas escuras em zigue-zague ou faixas transversais
Veneno (peçonhenta ou não)Não peçonhenta (glândula de Duvernoy com peçonha leve só para presas)
DentiçãoOpistóglifa (dentes inoculadores no fundo da boca)
ReproduçãoOvípara
AlimentaçãoAnfíbios (sapos e rãs), lagartos e pequenos roedores
HabitatTerrestre, áreas abertas, Cerrado, bordas de mata e brejos
AtividadeDiurna e crepuscular
Expectativa de vida8 a 12 anos na natureza
Estado de conservaçãoPouco Preocupante (LC - IUCN)

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito baixo
AgressividadeBaixo
Presença perto de casasMédio
Importância no controle de anfíbiosMuito alto
Facilidade de criação em cativeiroMuito baixo
Atividade noturnaBaixo

Como identificar a boipeva sem confundir com jararaca

A boipeva é uma serpente de corpo robusto e cabeça pouco distinta do pescoço quando relaxada. O padrão mais comum é fundo acinzentado, amarronzado ou bege-oliva com manchas escuras irregulares em forma de selas ou zigue-zague ao longo do dorso.

O detalhe que mais confunde é a defesa. Acuada, ela achata e alarga a cabeça, infla o corpo e achata o pescoço, ficando com silhueta triangular muito parecida com a de uma jararaca. Também pode dar botes com a boca fechada e vibrar a cauda na folhagem.

Para diferenciar com segurança, observe o conjunto sem se aproximar. A boipeva tem pupila redonda, escamas da cabeça grandes e lisas e cauda que afina gradualmente. Jararacas (Bothrops) têm fosseta loreal (orifício entre olho e narina), pupila vertical e cauda mais curta. Na dúvida, nunca tente manipular: trate toda serpente como potencialmente peçonhenta e mantenha distância.

Sinais rápidos que indicam boipeva

  • Cabeça só fica triangular quando está irritada; em repouso é ovalada.
  • Desenho dorsal em manchas escuras bordeadas de claro, sem o padrão bem definido de triângulos da jararaca.
  • Comportamento de achatar o corpo lateralmente e bufar, mas raramente morde de verdade.
  • Tamanho médio de 50 a 80 cm, raramente passa de 1 metro.

Onde vive e distribuição no Brasil

A boipeva tem uma das distribuições mais amplas entre as serpentes brasileiras. Ocorre em quase todos os biomas: Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica (bordas), Pampa, Pantanal e áreas de transição amazônica.

Prefere áreas abertas e semiabertas: campos naturais, pastagens, capoeiras, plantações, beira de brejos, lagoas e córregos. É terrestre e raramente sobe em vegetação.

Por tolerar ambientes antropizados, aparece com frequência em chácaras, sítios, periferias urbanas e terrenos baldios, especialmente na estação chuvosa, quando há mais sapos disponíveis. Não é uma serpente de floresta densa e fechada.

Boipeva é venenosa? Risco real para pessoas e pets

Não, a boipeva não é considerada peçonhenta para humanos. Ela possui glândula de Duvernoy e dentição opistóglifa, com dentes inoculadores no fundo da boca, mas a peçonha é de baixa toxicidade e ação restrita às suas presas naturais, principalmente anfíbios.

Acidentes com mordida são raros porque ela prefere fugir ou blefar. Quando morde, a inoculação é ineficiente: precisaria mastigar por alguns segundos para injetar algo. Relatos de inchaço leve e dor local existem, mas sem gravidade e sem necessidade de soro antiofídico.

Para cachorro e gato, o risco também é baixo. O maior perigo é a confusão: tutores matam a boipeva achando que é jararaca, ou o pet é picado por uma jararaca de verdade enquanto tenta atacar a boipeva. Em qualquer mordida de serpente, leve o animal imediatamente ao veterinário e, se for pessoa, ao pronto-socorro.

Não existe soro para boipeva porque ela não é peçonhenta. Soro antiofídico só é indicado para acidentes com jararaca, cascavel, surucucu e coral-verdadeira, sempre com avaliação médica.

Comportamento e temperamento: por que ela parece tão brava

A boipeva é famosa pelo comportamento de intimidação. Ao ser encurralada, ela achata o corpo, triangulariza a cabeça, abre a boca, dá botes curtos sem abrir a boca de verdade e pode liberar almíscar com cheiro forte pela cloaca.

Esse teatro é eficiente. Predadores e pessoas recuam achando que se trata de uma víbora. Se o blefe não funciona, ela tenta fugir rapidamente para a vegetação ou para dentro d’água rasa. Morder é o último recurso.

É uma serpente diurna e crepuscular, mais ativa nas horas mais frescas do dia e após chuvas. Na estação seca, pode ficar mais reclusa, abrigada sob troncos, cupinzeiros, entulhos e touceiras de capim.

O que a boipeva come e como caça sapos venenosos

A dieta é especializada em anfíbios. Mais de 70% da alimentação em vida livre são sapos, rãs e pererecas, incluindo espécies com pele tóxica como o sapo-cururu (Rhinella). Complementa com lagartos pequenos e eventualmente roedores e peixes.

Ela tem resistência fisiológica às toxinas de sapos bufotoxinas, o que poucas serpentes possuem. Captura a presa com bote rápido, segura com a boca e, se necessário, usa a peçonha de Duvernoy para auxiliar na deglutição, engolindo o anfíbio ainda vivo.

Por caçar anfíbios em brejos e áreas alagadas, tem papel importante no controle populacional de sapos e rãs, evitando superpopulação em áreas agrícolas e periurbanas. Não é uma grande controladora de ratos, ao contrário de jiboias e caninanas.

Reprodução e ciclo de vida

A boipeva é ovípara. O acasalamento ocorre principalmente no final da estação seca e início das chuvas, entre setembro e dezembro. Machos podem entrar em combate ritual, entrelaçando o corpo sem morder.

A fêmea deposita 10 a 30 ovos alongados e esbranquiçados em locais úmidos e protegidos: sob folhiço, troncos em decomposição, cupinzeiros ou buracos no solo. A incubação dura cerca de 60 a 80 dias, dependendo da temperatura.

Os filhotes nascem com 15 a 20 cm e já são independentes, com o mesmo padrão de cores do adulto, porém mais contrastado. A maturidade sexual é atingida com cerca de 1,5 a 2 anos. Não há cuidado parental após a postura.

Papel ecológico e por que não matar

Matar boipeva é crime ambiental e um desserviço ecológico. Como predadora de anfíbios, ela regula cadeias alimentares de brejos e campos, e serve de alimento para gaviões, seriemas, gambás e outras serpentes.

Ao eliminar boipevas, aumenta-se a chance de desequilíbrio: mais sapos em excesso em alguns locais e, paradoxalmente, mais espaço para jararacas ocuparem o mesmo habitat, já que a boipeva compete por abrigo e alimento.

Além disso, a boipeva é um excelente indicador de ambiente saudável. Sua presença indica que ainda há brejos, insetos e anfíbios em equilíbrio, mesmo em áreas agrícolas.

Encontrou uma boipeva em casa ou na trilha? O que fazer

Mantenha distância mínima de 2 metros e não tente tocar, prender ou matar. Isole o local, afaste crianças e pets e observe de longe por onde ela está indo.

Em quintal ou dentro de casa, acione o Corpo de Bombeiros (193) ou o órgão ambiental municipal. Eles fazem a captura e soltura em local adequado. Não jogue água, não bata e não use veneno.

Para prevenir novos aparecimentos, limpe o terreno: corte capim alto, remova entulhos, telhas e madeiras empilhadas, vede frestas de muros e mantenha a área sem acúmulo de sapos (evite luz acesa atraindo insetos à noite perto da casa). Em trilhas, use bota alta, calça comprida e lanterna, e nunca coloque a mão onde não pode ver.

O que nunca fazer em acidente com serpente

  • Não faça torniquete, não corte, não sugue e não aplique nada no local (óleo, pó de café, ervas).
  • Não tente capturar a serpente para levar ao hospital; se possível, tire foto de longe.
  • Procure atendimento médico imediato; se for jararaca ou outra peçonhenta, o tempo até o soro é decisivo.

Diferença rápida: boipeva x jararaca

Característica Boipeva (Xenodon merremii) Jararaca (Bothrops spp.)
Cabeça Oval em repouso, triangular só quando achatada Triangular bem marcada sempre, com fosseta loreal
Pupila Redonda Vertical (fenda)
Cauda Longa e afina gradualmente Mais curta, às vezes com ponta clara em jovens
Comportamento Blefa muito, morde pouco Mais reclusa, mas peçonhenta e perigosa
Risco Não peçonhenta Peçonhenta, requer soro

Perguntas frequentes

Boipeva é venenosa?

Não. É considerada não peçonhenta para humanos. Tem peçonha leve de Duvernoy que só afeta sapos e rãs, sem gravidade para pessoas ou pets.

Boipeva é perigosa para cachorro?

O risco é baixo. A mordida pode causar dor local, mas não é grave. O maior perigo é o cachorro atacar uma jararaca achando que é boipeva.

Como diferenciar boipeva de jararaca?

A boipeva só fica com cabeça triangular quando achatada e tem pupila redonda e sem fosseta loreal. Jararaca tem cabeça triangular sempre, fosseta entre olho e narina e pupila vertical. Nunca se aproxime para conferir.

O que fazer se encontrar uma boipeva no quintal?

Mantenha distância, afaste crianças e pets e acione bombeiros (193) ou órgão ambiental. Não tente matar ou manusear.

Boipeva pode ser criada como pet?

Não é recomendada e não há criação legal comum. Serpentes só podem ser adquiridas de criadouros autorizados pelo IBAMA; capturar animal silvestre é crime.

Onde a boipeva vive?

Em áreas abertas de quase todo o Brasil, como Cerrado, Caatinga, campos do Sul e bordas de Mata Atlântica, perto de brejos e pastagens.

O que a boipeva come?

Principalmente sapos, rãs e pererecas, inclusive espécies venenosas como o cururu. Também come lagartos e, raramente, pequenos roedores.

Você sabia?

1

Atriz que imita jararaca

A boipeva é um dos melhores exemplos de mimetismo defensivo no Brasil: ela copia postura, formato de cabeça e até o bote da jararaca para espantar predadores, mesmo sem ter veneno perigoso.

2

Imune a veneno de sapo

Ela pode comer sapo-cururu sem se intoxicar, pois possui resistência às bufotoxinas da pele desses anfíbios, que são letais para a maioria dos predadores.

3

Vibra a cauda como cascavel

Quando nervosa, bate a cauda rapidamente contra folhas secas, produzindo um chocalhado que imita o som da cascavel e assusta quem está por perto.

4

Nome que entrega o hábito

Boipeva vem do tupi mboi-peva, que significa cobra chata ou achatada, referência direta ao hábito de achatar o corpo quando se defende.

Fontes

  1. Instituto Butantan
  2. Reptile Database
  3. IUCN Red List
  4. Sociedade Brasileira de Herpetologia

Prós e contras: Boipeva

Prós

  • Não peçonhenta e de baixo risco para humanos e pets
  • Controla populações de sapos e rãs em áreas agrícolas
  • Comum e fácil de observar na natureza sem grande perigo
  • Comportamento defensivo fascinante para educação ambiental
  • Não exige soro nem internação em caso de mordida

Contras

  • Imita jararaca e é morta por confusão com frequência
  • Pode dar botes e bufar, assustando quem não conhece
  • Libera almíscar com cheiro forte quando manipulada
  • Aparece perto de casas em época de chuva, gerando sustos
  • Mordida pode causar dor e inchaço leve em pessoas sensíveis
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a boipeva é uma das serpentes mais injustiçadas do Brasil: paga com a vida por imitar jararaca tão bem. É inofensiva, útil no controle de anfíbios e um ótimo exemplo de como o medo vem da falta de informação, não do risco real.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 17.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.