🐛 Insetos

Formiga-cortadeira

Atta spp. e Acromyrmex spp.

Atualizado em

3 a 15 mm (operárias); 20 a 25 mm (rainha/içá)Tamanho
Fungo cultivado com folhas e floresAlimentação
Metamorfose completa; rainha vive 15 a 20 anosCiclo de vida
Solo; de jardins urbanos a lavouras e matasHabitat
Baixo; mordida dolorida, sem venenoPerigo para humanos
Formiga-cortadeira saúva carregando pedaço de folha verde na trilha

A formiga-cortadeira é o nome popular das formigas dos gêneros Atta (saúvas) e Acromyrmex (quenquéns), famosas por recortar folhas e carregá-las em fila até o ninho. Elas não se alimentam das folhas, mas usam o material para cultivar o fungo Leucoagaricus gongylophorus, do qual realmente se nutrem.

São insetos eusociais nativos das Américas, com colônias que podem ultrapassar 5 milhões de indivíduos e ninhos subterrâneos que chegam a 6 metros de profundidade. No Brasil são encontradas em todos os biomas e são consideradas a principal praga agrícola nativa, mas também importantes engenheiras do solo.

Também conhecido como: Saúva, Quenquém, Saúva-limão, Formiga-cortadeira, Leafcutter ant, Hormiga arriera, Fourmi coupe-feuille

Faz parte de: Insetos do Brasil, Pragas de Jardim

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Galeria de fotos de Formiga-cortadeira

Formiga-cortadeira saúva carregando pedaço de folha verde na trilha
Saúva carregando fragmento de folha até o ninho subterrâneo.
Close extremo da cabeça e mandíbulas da formiga-cortadeira
Detalhe das mandíbulas fortes usadas para recortar folhas.
Içá, rainha alada da formiga-cortadeira, com asas
Içá, a rainha alada, sai na revoada para fundar nova colônia.
Jardim de fungo branco cultivado por formigas-cortadeiras dentro do ninho
Jardim de fungo cultivado dentro da câmara subterrânea.
Olheiros e monte de terra solta do ninho de formiga-cortadeira saúva
Olheiros do sauveiro, entrada do ninho subterrâneo.
Coluna de formigas-cortadeiras quenquéns carregando folhas em fila
Quenquéns em fila, seguindo trilha de feromônio até a planta.

Perfil rápido de Formiga-cortadeira

Calendário

Revoada (içás e bitus)JFMAMJJASOND
Maior atividade de corteJFMAMJJASOND
Fundação de novos ninhosJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsBaixa
  • PessoasBaixa

Sem ferrão ou veneno. A mordida com mandíbulas pode causar dor e ferimento superficial. Lave o local e procure atendimento se houver alergia ou infecção.

Vida útil

Na natureza
Colônia perene; operárias 6 meses a 2 anos, rainha 15 a 20 anos
Em área urbana
Adapta-se bem a jardins e terrenos baldios, com atividade durante todo o ano e pico na primavera-verão

Reprodução

Tipo de reprodução
Sexuada, com voo nupcial de rainhas e machos alados
Estrutura social
Eusocial monogínica: uma rainha por colônia e castas de operárias
Padrão sazonal
Revoada na primavera/início do verão, após chuvas (outubro a dezembro)
Fecundidade
Rainha põe milhares de ovos por dia; fundação claustral sem alimentação por até 90 dias
Metamorfose
Completa: ovo, larva ápoda, pupa e adulto

Habitat

Ambientes

  • Solo com ninhos subterrâneos
  • Bordas de mata, cerrados e campos
  • Pomares, hortas, jardins e áreas urbanas
  • Pastagens e reflorestamentos

Biomas

  • Mata Atlântica
  • Cerrado
  • Caatinga
  • Pampa
  • Amazônia
  • Pantanal

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Fungo Leucoagaricus gongylophorus cultivado

Outros alimentos

  • Fragmentos de folhas jovens
  • Flores e pétalas
  • Frutos e brotos
  • Gramíneas

Encontrado em 10 países

  • Brasil
  • Argentina
  • Paraguai
  • Bolívia
  • Peru
  • Colômbia
  • Venezuela
  • Panamá
  • México
  • Estados Unidos

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Arthropoda
Classe
Insecta
Ordem
Hymenoptera
Família
Formicidae
Gênero
Atta e Acromyrmex
Espécie
Atta spp. e Acromyrmex spp. (ex.: Atta sexdens, Atta laevigata)

Resumo

  • A formiga-cortadeira recorta folhas não para comer, mas para cultivar um fungo subterrâneo que é seu verdadeiro alimento.
  • Saúvas (Atta) e quenquéns (Acromyrmex) se diferenciam pelo tamanho, pelos espinhos no dorso e pelo tipo de ninho que constroem.
  • Colônias podem viver mais de 15 anos e revirar toneladas de solo, com grande impacto ecológico e agrícola.

Características

Ficha do inseto

OrdemHymenoptera
FamíliaFormicidae
Origem e distribuiçãoNeotropical; do sul dos Estados Unidos ao norte da Argentina
TamanhoOperárias 3–15 mm; rainhas (içás) 20–25 mm; machos (bitus) 15–18 mm
Coresmarrom-avermelhadomarrom-escuropretoalaranjado
Asas e vooApenas rainhas e machos têm asas, só na revoada nupcial; operárias são ápteras
AlimentaçãoFungo Leucoagaricus gongylophorus cultivado com fragmentos vegetais
MetamorfoseCompleta (ovo > larva > pupa > adulto)
Expectativa de vidaOperárias 6 meses a 2 anos; rainha 15 a 20 anos
HabitatNinhos subterrâneos em matas, cerrados, pastagens, pomares e áreas urbanas
Comportamento socialEusocial, com castas e divisão de trabalho; colônias com milhares a milhões de indivíduos
Principais predadoresTamanduás, tatus, aves, lagartos, aranhas e outras formigas

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito baixo
Importância para o ecossistemaMuito alto
Presença em casasMédio
Benefício para a agriculturaMuito baixo
Dano às plantasMuito alto
Vida em grupoMuito alto

Como identificar a formiga-cortadeira: saúva ou quenquém?

A formiga-cortadeira não é uma espécie única, mas um grupo. No Brasil, são dois gêneros principais: Atta, as saúvas, e Acromyrmex, as quenquéns. Saber diferenciar evita confusão e manejo errado.

As saúvas são maiores e mais robustas, com operárias de até 15 mm e rainhas de 25 mm. Têm 3 pares de espinhos no dorso do tórax e cabeça muito grande nas soldadas. As quenquéns são menores (3 a 9 mm), mais discretas e apresentam 4 a 6 pares de espinhos bem visíveis, com corpo mais áspero e espinhoso.

Outro ponto é o rastro. Saúvas formam trilhas largas e bem limpas, como estradas, com fluxo intenso de formigas carregando pedaços de folhas em forma de meia-lua. Quenquéns fazem trilhas mais estreitas e ninhos menores, muitas vezes com palha e restos vegetais na superfície.

Onde vive e como é o ninho por dentro

A distribuição é exclusivamente americana. Ocorrem de forma natural em todos os biomas brasileiros, do Pampa à Amazônia, e são mais visíveis em bordas de mata, pastagens, pomares e jardins urbanos.

O ninho da saúva é uma obra de engenharia. Pode ocupar até 250 m² de área superficial e atingir 6 metros de profundidade, com centenas de câmaras interligadas por túneis. Estima-se que uma colônia adulta remova até 40 toneladas de terra ao longo da vida. O monte de terra solta com vários olheiros é o sinal mais evidente.

Já o ninho da quenquém é raso, com uma única panela de fungo e um pequeno monte de terra ou palha, às vezes quase invisível sob folhas secas. Por isso, muita gente só percebe a quenquém quando vê as folhas recortadas.

O que ela realmente come: a fazenda de fungos

É o erro mais comum achar que ela come folhas. A formiga-cortadeira é agricultora. Ela recorta fragmentos vegetais, carrega até o ninho, mastiga e forma uma pasta que serve de substrato para o fungo Leucoagaricus gongylophorus.

Esse fungo produz hifas inchadas chamadas gôngilos, ricas em carboidratos e proteínas, que alimentam larvas e adultas. Sem o fungo, a colônia morre. Sem as formigas, o fungo não sobrevive na natureza. É uma simbiose obrigatória de cerca de 50 milhões de anos.

A seleção do material é criteriosa. Elas preferem folhas jovens de roseiras, citros, eucalipto, jabuticabeira, hibisco e aroeira, mas também levam pétalas, frutos e até capim. Usam antibióticos produzidos por bactérias do gênero Pseudonocardia em seu corpo para proteger o fungo de parasitas.

Ciclo de vida e a revoada das içás

A colônia tem metamorfose completa. Ovo, larva branca e ápoda, pupa e adulto. Todo o desenvolvimento ocorre em câmaras climatizadas do ninho, com temperatura e umidade controladas pelas operárias.

O evento mais conhecido é a revoada nupcial, na primavera e início do verão, entre outubro e dezembro, após as primeiras chuvas fortes. Rainhas virgens (içás ou tanás) e machos (bitus) com asas saem em massa para o voo nupcial.

Após o acasalamento no ar, o macho morre e a rainha fecundada perde as asas, cava um pequeno buraco e funda uma nova colônia. Ela carrega na cavidade bucal um pequeno pellet do fungo materno para iniciar o cultivo. Uma rainha de saúva pode viver 15 a 20 anos e pôr até 30 mil ovos por dia no auge.

Quanto tempo leva para o ninho aparecer?

Nos primeiros meses, o ninho é minúsculo e vulnerável. Só após 2 a 3 anos ele se torna visível na superfície e começa a causar desfolha perceptível. Colônias maduras podem ter 3 a 8 milhões de operárias.

Organização social: quem faz o quê na colônia

A divisão de trabalho é por tamanho e idade (polietismo). Não há uma rainha que manda, há um sistema auto-organizado por feromônios.

  • Jardineiras: as menores, cuidam do fungo, das larvas e da rainha dentro do ninho.
  • Cortadeiras e carregadeiras: de tamanho médio, saem para cortar e transportar folhas.
  • Soldadas: as maiores, com cabeça desproporcional, defendem a colônia e trituram folhas mais duras.
  • Rainha: única reprodutora, fica restrita à câmara real.

Trilhas de forrageamento podem se estender por mais de 100 metros do ninho. Elas usam feromônio de trilha para marcar o caminho e recrutar companheiras rapidamente quando encontram uma planta atrativa. Por isso uma roseira pode amanhecer totalmente desfolhada.

Morde ou é venenosa? Riscos para pessoas e pets

Formiga-cortadeira não tem ferrão e não inocula veneno como formigas lava-pés. A defesa é a mordida com mandíbulas fortes, que pode cortar a pele e doer, principalmente a da saúva soldada.

Para pessoas e para cachorro e gato, o risco é baixo. Não há toxina sistêmica. A dor é local e passageira, com possível vermelhidão. Reações alérgicas são raras e geralmente ligadas a infecções secundárias por coçar o local. Lave com água e sabão e observe.

Atenção diferente para quem tem alergia a picadas de himenópteros em geral. Se houver inchaço excessivo, falta de ar ou dor que não passa, procure atendimento médico ou veterinário. Nunca deixe pets cavarem ninhos ativos, pois podem ser mordidos no focinho.

Praga ou engenheira do ecossistema? O duplo papel

Na agricultura e no jardim, é praga de alto impacto. Uma colônia adulta de Atta pode desfolhar 1 tonelada de material vegetal por ano, equivalente ao consumo de uma vaca. Em reflorestamentos de eucalipto e pomares, o prejuízo é histórico.

Na natureza, porém, é engenheira do ecossistema. Ao revolver o solo, melhora aeração, infiltração de água e ciclagem de nutrientes. As câmaras abandonadas viram abrigo para outros animais. E a coleta seletiva de folhas ajuda na dispersão e poda natural da vegetação.

Na nossa avaliação, o erro é tratar toda cortadeira como inimiga a ser exterminada. Em mata nativa, ela é parte do equilíbrio. Em área produtiva ou jardim doméstico, o manejo deve ser pontual e integrado, não erradicação indiscriminada com produtos que afetam polinizadores.

Característica Saúva (Atta) Quenquém (Acromyrmex)
Tamanho da operária 8 a 15 mm 3 a 9 mm
Espinhos no tórax 3 pares 4 a 6 pares
Ninho Grande, com muitos olheiros Pequeno, 1 panela, monte baixo
Trilha Larga, bem limpa Estreita, discreta

Como conviver e manejar sem desequilíbrio

Antes de agir, confirme se é cortadeira e avalie o dano. Desfolhas ocasionais em plantas adultas e nativas raramente matam a planta. Mudas recém-plantadas e hortas são mais vulneráveis e merecem proteção física.

Medidas culturais funcionam bem em quintais: barreiras físicas com cones de plástico ou lã de vidro no tronco, plantio de espécies menos preferidas ao redor e manutenção de inimigos naturais como pássaros e besouros predadores. Manter o solo coberto e diversificado reduz a atratividade.

Para controle, o manejo integrado preconizado pela Embrapa prioriza iscas formicidas à base de sulfluramida ou fipronil em porta-iscas, aplicadas no período seco e fora do alcance de crianças e pets, apenas nas trilhas ativas. Nunca aplique inseticida líquido direto no olheiro em área urbana, pois contamina solo e água e mata outros insetos. Em caso de infestação grande, busque orientação técnica agronômica.

O que torna a cortadeira única entre as formigas

Poucos insetos cultivam alimento como humanos. As cortadeiras praticam agricultura há 50 milhões de anos, muito antes de nós. Elas ainda carregam bactérias antibióticas no corpo para proteger a lavoura, um uso de antimicrobianos natural.

Outro detalhe pouco conhecido: as operárias têm bolsas infrabucais onde filtram e descartam esporos de fungos parasitas, mantendo o jardim limpo. E a rainha, ao fundar o ninho, não se alimenta por até 3 meses, vivendo das reservas do corpo e do próprio fungo inicial até as primeiras operárias nascerem.

Perguntas frequentes

Formiga-cortadeira come folhas?

Não. Ela corta e carrega folhas para cultivar um fungo subterrâneo, que é seu alimento de verdade. As folhas são o substrato da fazenda.

Qual a diferença entre saúva e quenquém?

Saúva (Atta) é maior, tem 3 pares de espinhos e ninho grande com muitos olheiros. Quenquém (Acromyrmex) é menor, tem 4 a 6 pares de espinhos e ninho pequeno com uma panela.

Formiga-cortadeira morde ou pica?

Ela morde com mandíbulas fortes, não pica com ferrão nem inocula veneno. A mordida dói, mas não é perigosa para pessoas e pets, salvo alergia.

Como acabar com formiga-cortadeira no jardim?

Proteja mudas com barreira física no tronco e use isca formicida em porta-iscas nas trilhas ativas, no período seco. Evite veneno líquido no solo e busque orientação técnica se a infestação for grande.

Quando aparece a içá?

Na revoada nupcial, geralmente entre outubro e dezembro, após as primeiras chuvas fortes da primavera. É quando rainhas e machos alados saem para acasalar.

Formiga-cortadeira faz mal para cachorro ou gato?

O risco é baixo. Pode morder focinho ou patas se o pet mexer no ninho, causando dor local. Lave o local e observe; leve ao veterinário se houver inchaço intenso.

Por que ela escolhe sempre a mesma planta?

Porque operárias marcam trilhas com feromônio e recrutam muitas companheiras para a fonte mais atrativa. Folhas jovens e macias são preferidas.

Fatos surpreendentes sobre a cortadeira

1

Agricultoras há 50 milhões de anos

Muito antes dos humanos, elas já cultivavam fungos em monocultura subterrânea e usavam antibióticos naturais de bactérias Pseudonocardia para proteger a plantação.

2

Içá é iguaria e tem dia certo

A revoada de içás ocorre quase sempre após chuva forte entre outubro e dezembro. No interior do Brasil, a farofa de içá torrada é prato tradicional e caro.

3

Carregam 10 vezes o peso

Uma operária carrega fragmentos de até 10 vezes seu peso por mais de 100 metros, seguindo trilhas químicas invisíveis que podem durar dias.

4

Ninho que vira adubo

A terra escavada de um sauveiro é rica em matéria orgânica e nutrientes. Agricultores tradicionais usam essa terra como adubo natural para hortas.

Fontes

  1. Embrapa - Formigas-cortadeiras
  2. GBIF - Atta e Acromyrmex
  3. Universidade de São Paulo - Museu de Zoologia

Prós e contras: Formiga-cortadeira

Prós

  • Engenheira do solo: melhora aeração, infiltração e ciclagem de nutrientes
  • Indicadora de ambiente: presença mostra solo vivo e biodiversidade
  • Fascinante para educação ambiental sobre simbiose e agricultura
  • Fonte alimentar tradicional: içá é apreciada na culinária regional
  • Ajuda na decomposição e dispersão de material vegetal

Contras

  • Desfolha intensa pode matar mudas, hortas e plantas ornamentais
  • Prejuízo histórico em reflorestamentos, pomares e pastagens
  • Ninhos grandes dificultam manejo em áreas urbanas e agrícolas
  • Trilhas e montes de terra afetam estética de jardins
  • Controle químico mal feito contamina solo e prejudica polinizadores
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a formiga-cortadeira é o melhor exemplo de que praga é conceito humano: na mata ela é engenheira essencial, no pomar é prejuízo real. O manejo inteligente não é exterminar, mas proteger mudas e conviver com o restante.

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Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

Sou uma entusiasta do universo dos peixes e da vida aquática. Dedico-me a pesquisar e partilhar informações sobre espécies de peixes, alimentação, comportamento, habitat e cuidados, ajudando os…

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Última revisão em 16.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.