🌿 Plantas

Pacová

Philodendron martianum

Atualizado em

60 cm a 1 m de alturaTamanho
Meia-sombra e luz difusaLuminosidade
Moderada, sem encharcarRega
PereneCiclo de vida
FácilDificuldade
Pacová adulto em vaso grande com folhas largas e brilhantes em ambiente interno iluminado

O pacová (Philodendron martianum) é uma herbácea perene nativa da Mata Atlântica brasileira, muito usada como folhagem ornamental para ambientes de meia-sombra, varandas cobertas e interiores bem iluminados. Chama atenção pelas folhas grandes, grossas e brilhantes, com textura quase coriácea, que formam uma roseta elegante e resistente.

Diferente de muitos filodendros trepadores, o pacová tem crescimento ereto e compacto, sem precisar de tutor, e se adapta bem a vasos médios e grandes. É uma planta de crescimento lento, rústica e longeva, que tolera bem o cultivo em apartamento desde que receba luz difusa e rega equilibrada.

É também uma espécie com história no paisagismo brasileiro, especialmente no Rio de Janeiro, onde foi amplamente usada por Roberto Burle Marx. Contém oxalato de cálcio e é considerada tóxica se ingerida por pets e pessoas.

Também conhecido como: Pacová, Babosa-de-pau, Philodendron-pacová, Pacova philodendron (inglês)

Faz parte de: Plantas de Sombra, Plantas Ornamentais, Plantas para Jardim, Plantas para Vasos

Explore a wiki

Galeria de fotos de Pacová

Pacová adulto em vaso grande com folhas largas e brilhantes em ambiente interno iluminado
Pacová adulto em vaso: porte ereto e folhas coriáceas brilhantes.
Close das folhas grossas e brilhantes do pacová com nervura central marcada
Detalhe das folhas espessas e brilhantes, marca registrada do pacová.
Base do pacová mostrando pecíolos grossos e rizoma sobre substrato aerado
Pecíolos carnudos e rizoma curto na base da planta.
Pacová cultivado em canteiro sombreado no jardim sob árvores
No jardim, o pacová funciona como forração nobre para sombra.
Inflorescência do pacová com espata branco-creme e espádice
Inflorescência discreta em espata, típica da família Araceae.
Divisão de touceira do pacová para propagação com broto enraizado
Propagação por divisão de touceira, método mais eficaz.
Ideal para

Ideal para quem busca uma folhagem nativa, elegante e de baixa manutenção para meia-sombra. Funciona muito bem para quem mora em apartamento com boa luz indireta ou tem jardim sombreado e quer um vaso escultural que não exige tutor nem podas constantes.

Pode não ser ideal para

Pode não ser ideal para quem tem cachorro ou gato que costuma morder plantas, pois é tóxica se ingerida e precisa ficar fora de alcance. Também não é indicada para varandas com sol forte o dia todo ou para quem procura uma espécie de crescimento rápido e floração vistosa.

Cultivo rápido

Luz
Meia-sombra ou luz difusa intensa; evitar sol pleno direto, especialmente das 10h às 15h
Rega
Moderada; regar quando 2 a 3 cm do substrato secarem; reduzir no inverno; nunca encharcar
Solo
Leve, aerado e rico em matéria orgânica; mistura de terra vegetal, casca de pinus/fibra de coco e perlita/areia grossa; pH 5,5 a 6,5
Temperatura
18 °C a 28 °C; sensível a frio abaixo de 12 °C e a geada; proteger no inverno no Sul e Sudeste
Adubação
Húmus de minhoca ou bokashi a cada 45-60 dias na primavera-verão; ou NPK 10-10-10 diluído a cada 2 meses
Poda
Apenas limpeza de folhas velhas ou danificadas; limpar pó das folhas com pano úmido quinzenalmente
Propagação
Divisão de touceira na primavera, separando brotos com raízes próprias; sementes possíveis mas pouco práticas

Perfil rápido de Pacová

Calendário

Plantio e transplanteJFMAMJJASOND
FloraçãoJFMAMJJASOND
AdubaçãoJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsTóxica
  • PessoasTóxica

Contém cristais de oxalato de cálcio que causam irritação oral, salivação e inchaço se ingerida; mantenha fora do alcance de pets e crianças e use luvas ao manusear.

Encontrado em 1 país

  • Brasil

Classificação científica

Reino
Plantae
Filo
Tracheophyta
Classe
Liliopsida
Ordem
Alismatales
Família
Araceae
Gênero
Philodendron
Espécie
Philodendron martianum Engl.

Resumo

  • O pacová é um Philodendron nativo da Mata Atlântica com folhas grandes, espessas e brilhantes, de crescimento ereto e sem necessidade de tutor.
  • Prefere meia-sombra ou luz difusa intensa, solo rico e bem drenado e rega moderada, sem encharcar, com melhor desenvolvimento entre 18 °C e 28 °C.
  • É tóxico para cachorros, gatos e humanos se ingerido por conter cristais de oxalato de cálcio e se propaga principalmente por divisão de touceira.

Características

Ficha da planta

Nome popularPacová
Nome científicoPhilodendron martianum Engl. (sin. Philodendron cannifolium)
Família botânicaAraceae
OrigemMata Atlântica do Brasil (do Espírito Santo ao Rio Grande do Sul)
Tipo de plantaHerbácea perene, epífita, rupícola ou terrestre
Ciclo de vidaPerene
Tamanho60 cm a 1 m de altura; 60 a 80 cm de diâmetro
LuminosidadeMeia-sombra, luz difusa intensa; não tolera sol pleno direto
RegaModerada; manter solo levemente úmido
SoloRico em matéria orgânica, leve, aerado e bem drenado
Temperatura18 °C a 28 °C; sensível a geada
PropagaçãoDivisão de touceira e sementes
Toxicidade para petsTóxica (oxalato de cálcio)

Perfil e comportamento

Necessidade de luzBaixo
Necessidade de águaMédio
Facilidade de cultivoMuito alto
Adequação a vasosMuito alto
Resistência a pragasAlto
Tolerância ao frioBaixo
Tolerância ao calorAlto
Valor ornamentalMuito alto

Como identificar o pacová verdadeiro: folhas grossas que não deixam dúvida

O pacová se reconhece de longe pela roseta ereta de folhas espessas, brilhantes e com textura de couro. Cada folha mede de 30 a 60 cm de comprimento por 10 a 20 cm de largura, com formato oblongo-lanceolado, ápice agudo e base que afunila em direção ao pecíolo grosso e carnoso. A nervura central é bem marcada e mais clara na face inferior.

Diferente de filodendros como o Philodendron bipinnatifidum (guaimbê), o pacová não tem folhas recortadas e não forma tronco lenhoso. Ele cresce a partir de um rizoma curto, quase rente ao solo, e mantém porte compacto. Adulto, raramente passa de 1 metro, o que o torna ideal para vaso. A inflorescência, quando aparece, é uma espata branco-creme envolvendo um espádice, típica da família Araceae, mas pouco vistosa e de curta duração.

Na natureza, o pacová é encontrado como epífita sobre árvores, rupícola sobre pedras ou terrestre no sub-bosque da Mata Atlântica e restingas, sempre em locais sombreados e úmidos. Essa plasticidade explica por que ele se adapta tão bem ao cultivo doméstico: tolera vaso apertado, mas cresce melhor quando as raízes têm substrato aerado para respirar.

Luz, rega e solo: o acerto que faz o pacová ficar bonito por anos

O pacová precisa de luz difusa intensa ou meia-sombra. A luz ideal é aquela de varanda coberta, perto de janela voltada para leste ou norte com cortina fina, ou sob a copa de árvores no jardim. Sol direto queima as folhas, deixando manchas amareladas e depois marrons e secas, principalmente entre 10h e 15h. Sombra total também prejudica: a planta fica estiolada, com folhas menores e escuras demais.

A rega deve ser moderada e regular. Mantenha o substrato levemente úmido, mas nunca encharcado. Na prática, regue quando os 2 a 3 cm superficiais do solo estiverem secos. Em apartamento, isso costuma ser 1 a 2 vezes por semana no verão e a cada 7 a 10 dias no inverno. Use vaso com furos e camada de drenagem com argila expandida. Folhas amolecidas e amareladas na base quase sempre indicam excesso de água e início de podridão de raízes.

O solo ideal é leve, rico em matéria orgânica e muito bem drenado. Uma mistura que funciona bem é 1 parte de terra vegetal + 1 parte de casca de pinus ou fibra de coco + 1 parte de perlita ou areia grossa + húmus de minhoca. O pH levemente ácido, entre 5,5 e 6,5, favorece a absorção de nutrientes. O pacová aprecia umidade do ar acima de 60%; em ambientes muito secos, borrife água nas folhas pela manhã ou agrupe vasos para criar microclima.

Temperatura e ventilação

A faixa de conforto é de 18 °C a 28 °C. Tolera calor úmido, mas sofre com frio intenso e não resiste à geada. Temperaturas abaixo de 12 °C podem causar manchas escuras e paralisar o crescimento. Mantenha longe de vento encanado e de ar-condicionado direto, que resseca as bordas das folhas.

Como plantar e propagar pacová em vaso ou no jardim

Para plantar no vaso, escolha um recipiente médio a grande, com 30 a 40 cm de diâmetro e boa profundidade, já que as raízes são grossas e ocupam espaço. Forre o fundo com manta e argila expandida, complete com o substrato aerado e posicione a muda com o colo levemente acima do nível do solo. Firme sem compactar demais e regue até escorrer pelos furos.

No jardim, o pacová funciona como forração de sombra, bordadura sob árvores ou composição com pedras. Plante com espaçamento de 50 a 70 cm entre mudas e em local onde receba apenas sol filtrado. Em canteiros, enriqueça a cova com composto orgânico e garanta drenagem, pois o solo argiloso e compactado é a principal causa de perda da planta no exterior.

A propagação mais segura é por divisão de touceira. Plantas adultas formam brotações laterais na base que podem ser separadas na primavera:

  • Retire a planta do vaso e limpe o excesso de substrato para visualizar os rizomas.
  • Separe um broto que já tenha 3 a 4 folhas e raízes próprias, usando faca limpa e desinfetada.
  • Polvilhe canela em pó ou carvão moído no corte para ajudar na cicatrização.
  • Plante em substrato úmido e mantenha à sombra por 2 a 3 semanas, sem adubar até pegar.

A multiplicação por sementes é possível, mas lenta e pouco usada domesticamente, pois exige frutos maduros e germinação em ambiente úmido e sombreado. Divisão é mais rápida e mantém as características da planta-mãe.

Adubação, limpeza e manutenção sem exageros

O pacová não é esfomeado, mas responde bem à adubação leve. Na primavera e no verão, aplique adubo orgânico como húmus de minhoca ou bokashi a cada 45 a 60 dias, ou NPK 10-10-10 bem diluído a cada 2 meses, sempre com solo úmido. No outono e inverno, suspenda ou reduza pela metade. Excesso de adubo causa acúmulo de sais e pontas queimadas.

A poda é apenas de limpeza: remova folhas velhas, amareladas ou danificadas cortando o pecíolo rente à base com tesoura limpa. Não é necessário podar para controlar tamanho, pois o crescimento é naturalmente contido. Limpe o pó das folhas com pano úmido a cada 15 dias; isso melhora a fotossíntese e evita ácaros. Evite usar produtos de brilho foliar, que obstruem os estômatos.

Transplante a cada 2 a 3 anos ou quando as raízes começarem a sair pelos furos. Aproveite para renovar parte do substrato e verificar a saúde das raízes: raízes brancas e firmes são saudáveis; raízes escuras e moles indicam podridão e devem ser removidas.

Problemas comuns, pragas e por que as folhas amarelam

O pacová é bastante resistente a pragas quando bem cultivado, mas pode ser atacado por cochonilhas, ácaros e pulgões, sobretudo em ambiente seco e sem ventilação. Cochonilhas aparecem como pontinhos brancos ou marrons no pecíolo e na face inferior; ácaros deixam aspecto opaco e teia fina. Remova manualmente com algodão e álcool isopropílico diluído e, se necessário, use óleo de neem conforme rótulo.

Folhas amarelas têm causas diferentes e a posição da mancha ajuda no diagnóstico:

  • Amarelamento nas folhas mais velhas, da base: geralmente excesso de água ou substrato compactado.
  • Pontas secas e marrons: ar muito seco, falta de água ou excesso de adubo.
  • Manchas descoloridas com centro seco: queimadura de sol direto.
  • Folhas novas pequenas e pálidas: falta de luz ou de nutrientes na primavera.

Doenças fúngicas como antracnose e podridão de raiz por Phytophthora surgem com encharcamento e pouca circulação de ar. Previna com drenagem eficiente, rega pela manhã e evitando molhar o colo da planta. Se houver mau cheiro no substrato, retire a planta, corte raízes podres e replante em substrato novo e seco.

Pacová é tóxico? O que tutores de cachorro e gato precisam saber

Sim. Como toda Araceae, o pacová contém cristais de oxalato de cálcio (ráfides) em folhas, pecíolos e raízes. A mastigação libera esses cristais que causam irritação intensa na boca, língua e garganta, salivação, dor, inchaço e dificuldade para engolir. Em cachorros e gatos, a ingestão pode provocar vômito e apatia. Em pessoas, o contato com a seiva também pode irritar pele e olhos sensíveis.

Isso não impede o cultivo, mas exige cuidado: mantenha o vaso fora do alcance de pets e crianças que possam morder a planta e use luvas ao manusear divisões ou podas. Em caso de ingestão, não provoque vômito e procure atendimento veterinário ou médico levando uma amostra da planta.

Onde usar o pacová: do vaso na sala ao jardim de sombra

Na nossa avaliação, o pacová é uma das melhores folhagens nativas para quem quer impacto com pouca manutenção. Em interiores, funciona como planta escultural isolada em vaso de chão, ao lado de sofá ou em hall de entrada com luz natural. No paisagismo externo, brilha em jardins de sombra, varandas, quintais úmidos e áreas sob pergolado, combinado com samambaias, marantas e lírios-da-paz.

Por ser nativa e adaptada ao clima brasileiro, tolera bem o calor úmido e exige menos correções que folhagens importadas. Seu crescimento lento é uma vantagem para quem não quer trocar de vaso todo ano, mas exige paciência: não espere touceira cheia em poucos meses. Com luz correta e rega equilibrada, uma mesma planta pode permanecer bonita por mais de uma década.

Perguntas frequentes

Pacová precisa de sol?

Não. Precisa de meia-sombra ou luz difusa intensa. Sol direto queima as folhas e sombra total enfraquece a planta.

Pacová pode ficar dentro de casa?

Sim, desde que perto de janela bem iluminada sem sol direto e com boa ventilação. É uma das melhores nativas para interiores claros.

Como regar o pacová corretamente?

Regue quando os 2 a 3 cm superficiais do solo secarem, mantendo leve umidade sem encharcar. No inverno, espaçe mais as regas.

Pacová é tóxico para cachorro e gato?

Sim, é tóxico se ingerido por conter oxalato de cálcio. Mantenha o vaso fora do alcance e procure veterinário se houver ingestão.

Como propagar o pacová?

Por divisão de touceira na primavera, separando brotos laterais que já tenham folhas e raízes próprias.

Por que as folhas do pacová ficam amarelas?

Geralmente excesso de água e substrato encharcado, mas também pode ser falta de luz, queimadura de sol ou ar muito seco nas pontas.

Qual o melhor vaso para pacová?

Vaso médio a grande (30 a 40 cm) com furos, camada de drenagem e substrato leve e aerado à base de casca de pinus e húmus.

Você sabia?

1

Escolha de Burle Marx

O pacová foi uma das folhagens nativas favoritas de Roberto Burle Marx, que o usava para criar volumes verdes e brilhantes em jardins sombreados, valorizando a flora brasileira.

2

Folha que armazena água

As folhas grossas e coriáceas e os pecíolos carnudos funcionam como reserva de água, estratégia da planta para suportar períodos curtos de seca no sub-bosque.

3

Epífita que vira terrestre

Na Mata Atlântica o pacová pode nascer sobre árvores ou pedras e, com o tempo, emitir raízes que alcançam o solo, mudando de hábito epífito para terrestre.

4

Confusão no comércio

Muito do que é vendido como pacová é na verdade Philodendron martianum, mas a espécie já foi chamada de Philodendron cannifolium, nome ainda usado em viveiros e etiquetas antigas.

Fontes

  1. Flora e Funga do Brasil - Jardim Botânico do Rio de Janeiro
  2. Embrapa - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
  3. Jardim Botânico do Rio de Janeiro

Prós e contras: Pacová

Prós

  • Folhagem nativa, escultural e muito ornamental o ano todo
  • Adapta-se bem a vasos e a interiores com luz difusa
  • Crescimento compacto, não precisa de tutor
  • Rústico e resistente a pragas quando bem cultivado
  • Longevo e de manutenção simples

Contras

  • Tóxico se ingerido por pets e pessoas
  • Não tolera sol pleno direto nem geada
  • Crescimento lento, demora para formar touceira cheia
  • Exige substrato bem drenado; sofre com encharcamento
  • Floração pouco ornamental e pouco frequente em vaso
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o pacová é a folhagem nativa mais subestimada para sombra: entrega presença escultural com manutenção mínima e dura anos no mesmo vaso. Se você tem luz difusa e quer fugir das mesmas jiboias e zamioculcas de sempre, ele é uma escolha superior e mais autêntica para o clima brasileiro.

Continue explorando: Plantas

Feliciano Murene
Escrito porFeliciano MureneVeterinário

Feliciano Murene é professor e criador de conteúdo. Formado em Biologia, possui cerca de 5 anos de experiência em sala de aula e atua na produção de conteúdos…

Cacilda Massema
Revisão especializadaCacilda MassemaEngenheira Agrônoma

Com experiência no universo das plantas, dedica-se à pesquisa e produção de conteúdos sobre cultivo, identificação de espécies, plantas ornamentais, flores, árvores e frutíferas. Partilha conhecimentos práticos sobre…

Última revisão em 20.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.