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Lagarta-das-vagens

Maruca vitrata

Atualizado em

Lagarta 15 a 20 mm; mariposa 20 a 27 mm de envergaduraTamanho
Grãos e flores de leguminosas, sobretudo vagensAlimentação
Metamorfose completa em 20 a 35 diasCiclo de vida
Lavouras e hortas em regiões quentes e úmidasHabitat
Não pica, não queima e não é venenosaPerigo para humanos
Lagarta-das-vagens Maruca vitrata com corpo claro e pontos pretos sobre vagem de soja

A lagarta-das-vagens é a fase larval da mariposa Maruca vitrata, um inseto da família Crambidae conhecido por atacar vagens de soja, feijão, feijão-caupi e outras leguminosas. Pequena, clara e com pontos escuros, ela se esconde dentro da vagem e se alimenta dos grãos em formação, o que a torna uma praga difícil de ver no início.

Apesar do tamanho discreto, o prejuízo pode ser grande em lavouras e hortas. O adulto é uma mariposa noturna de voo rápido, enquanto a lagarta age de forma silenciosa, tecendo teias e fechando flores e vagens para se proteger de predadores e inseticidas.

Também conhecido como: Broca-das-vagens, Lagarta-da-vagem, Maruca, Bean pod borer (inglês), Spotted pod borer (inglês)

Faz parte de: Insetos do Brasil, Insetos Voadores, Pragas de Jardim

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Galeria de fotos de Lagarta-das-vagens

Lagarta-das-vagens Maruca vitrata com corpo claro e pontos pretos sobre vagem de soja
Lagarta-das-vagens com coloração clara e pontos pretos característicos.
Close extremo da cabeça da lagarta-das-vagens mostrando cabeça marrom e pontos pretos
Detalhe da cabeça marrom e dos pontos dorsais da lagarta.
Mariposa adulta da lagarta-das-vagens com asas marrons e manchas brancas
Adulto noturno da lagarta-das-vagens, mariposa de 20 a 27 mm.
Lagarta-das-vagens dentro de vagem aberta se alimentando dos grãos com teia
Lagarta abrigada dentro da vagem, onde consome os grãos.
Flores de soja unidas por teia de seda da lagarta-das-vagens
Teia que une flores e vagens, abrigo típico da espécie.
Lagarta-das-vagens ao lado de folha de soja para comparação de tamanho
Tamanho real da lagarta comparado à folha, cerca de 15 a 20 mm.

Perfil rápido de Lagarta-das-vagens

Calendário

Maior atividade da lagartaJFMAMJJASOND
Postura e voo da mariposaJFMAMJJASOND
Período crítico para monitoramentoJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsNão tóxica
  • PessoasNão tóxica

Não possui cerdas urticantes nem veneno; o risco é agrícola, por dano às vagens. Lave as mãos após manusear lagartas e vagens.

Vida útil

Ciclo total (ovo a adulto)
20 a 35 dias, dependendo da temperatura
Fase de lagarta
10 a 16 dias (5 ínstares)
Fase de pupa
5 a 9 dias no solo ou na teia
Vida do adulto
5 a 10 dias, com atividade noturna

Reprodução

Tipo de reprodução
Sexuada, com acasalamento noturno
Fecundidade
80 a 150 ovos por fêmea, postos isoladamente
Local de postura
Flores, botões e vagens jovens
Eclosão
2 a 4 dias após a postura
Metamorfose
Completa: ovo, lagarta, pupa e mariposa
Pico reprodutivo
Florescimento pleno da cultura hospedeira

Habitat

Ambientes

  • Lavouras de soja, feijão-comum e feijão-caupi
  • Hortas domésticas com leguminosas
  • Áreas com guandu, crotalária e mucuna
  • Bordas de mata e vegetação espontânea com feijão-bravo

Biomas

  • Mata Atlântica
  • Cerrado
  • Caatinga
  • Amazônia
  • Pampa

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Grãos em formação dentro de vagens de leguminosas
  • Flores e botões florais de soja, feijão e feijão-caupi

Outros alimentos

  • Pétalas e pólen
  • Vagens jovens e tenras
  • Guandu, ervilha e crotalária como hospedeiros alternativos

Encontrado em 6 países

  • Brasil
  • Nigéria
  • Índia
  • Austrália
  • Estados Unidos
  • Tailândia

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Arthropoda
Classe
Insecta
Ordem
Lepidoptera
Família
Crambidae
Gênero
Maruca
Espécie
Maruca vitrata

Resumo

  • A lagarta-das-vagens é a larva da mariposa Maruca vitrata, praga de leguminosas como soja, feijão e feijão-caupi.
  • Vive dentro de flores e vagens, onde tece teias e consome grãos, sendo difícil de detectar no início da infestação.
  • Não pica e não é venenosa para pessoas e pets, mas exige manejo integrado para evitar perdas na produção.

Características

Ficha do inseto

OrdemLepidoptera
FamíliaCrambidae
Origem e distribuiçãoPantropical; muito comum no Brasil, África, Ásia e Austrália
TamanhoLagarta 15 a 20 mm; adulto 20 a 27 mm de envergadura
Coresverde-clarocrememarrom-claropreto (pontos dorsais)
Asas e voo2 pares de asas; voo noturno, rápido e baixo
AlimentaçãoFitófaga; flores, botões e grãos dentro de vagens de leguminosas
MetamorfoseCompleta (ovo, lagarta, pupa e adulto)
Expectativa de vidaAdulto 5 a 10 dias; ciclo total 20 a 35 dias conforme temperatura
HabitatLavouras, hortas e áreas com leguminosas cultivadas ou espontâneas
Comportamento socialSolitária; pode haver várias lagartas na mesma planta, mas sem colônia
Principais predadoresVespas parasitoides, percevejos predadores, joaninhas e pássaros

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito baixo
Importância para o ecossistemaBaixo
Presença em casasMuito baixo
Benefício para a agriculturaMuito baixo
Dano às plantasMuito alto
Vida em grupoBaixo

Como identificar a lagarta-das-vagens sem confundir

A lagarta-das-vagens é a larva de Maruca vitrata, também chamada de broca-das-vagens. O corpo é semitransparente, de tom verde-claro a creme, com pontos pretos bem marcados em cada segmento e pelos finos e claros.

Quando jovem, mede menos de 5 mm e é quase branca. No último ínstar chega a 15 a 20 mm, com cabeça marrom-escura e manchas pretas mais evidentes. Esse padrão de pintas a diferencia da lagarta-da-soja (Anticarsia gemmatalis), que é mais escura e sem pontos pretos tão regulares.

O adulto é uma mariposa discreta, com asas marrons com manchas brancas translúcidas e envergadura de 20 a 27 mm. Voa à noite e raramente é vista de dia. Se você encontra vagens com furinhos de 1 a 2 mm, teia fina unindo flores e fezes escuras granuladas dentro da vagem, é sinal clássico de Maruca.

Onde vive e por que é tão comum no Brasil

A espécie é pantropical e está presente em praticamente todo o Brasil, com maior pressão no Centro-Oeste, Sudeste e Nordeste, onde soja, feijão-comum e feijão-caupi são cultivados em larga escala.

Prefere clima quente e úmido, entre 25 °C e 30 °C. Por isso, populações explodem na safra das águas e na safrinha irrigada. Fora da lavoura, sobrevive em hospedeiros alternativos como guandu, crotalária, mucuna e feijão-bravo.

Não é inseto domiciliar. Aparece em casas apenas quando a mariposa é atraída por luz à noite. No campo, fica escondida dentro de flores e vagens, o que dificulta o contato com predadores e com pulverizações.

O que a lagarta-das-vagens come

É oligófaga de leguminosas. Ataca preferencialmente soja, feijão-comum, feijão-caupi, ervilha, guandu e feijão-de-corda. A preferência é por estruturas reprodutivas: botões florais, flores e grãos em formação dentro da vagem.

A lagarta raspa a flor, entra na vagem ainda nova e consome os grãos por dentro. Uma única lagarta pode danificar 3 a 6 vagens durante seu desenvolvimento. Em feijão-caupi, estudos da Embrapa relatam perdas de 20% a 80% quando o controle falha no florescimento.

  • Alimento principal: grãos leitosos dentro de vagens
  • Secundário: pétalas, botões e vagens secas
  • Não consome: folhas maduras, gramíneas ou raízes

Por se alimentar abrigada, o dano só é notado quando a vagem já está chocha, torta ou com orifício de saída.

Ciclo de vida e reprodução: rápido e difícil de alcançar

Tem metamorfose completa e ciclo curto. Em temperatura de 28 °C, vai de ovo a adulto em 20 a 25 dias; em clima mais ameno, até 35 dias.

A fêmea põe 80 a 150 ovos isolados, brilhantes e amarelados, na face inferior de folhas jovens, flores e vagens. A eclosão ocorre em 2 a 4 dias.

A fase de lagarta dura 10 a 16 dias e passa por 5 ínstares. Nos dois primeiros, alimenta-se de flores; depois perfura a vagem e completa o desenvolvimento lá dentro, tecendo teia que une flores, folhas e vagens. A pupa, marrom-clara, forma-se no solo ou dentro da própria teia e dura 5 a 9 dias. O adulto vive 5 a 10 dias e já acasala na primeira noite.

Esse hábito de se abrigar explica por que a lagarta escapa de muitos inimigos naturais e por que o monitoramento precisa ser feito abrindo flores e vagens, não só olhando a planta por fora.

Comportamento: noturna, tecelã e estrategista

A mariposa tem hábito noturno e voo baixo, entre o dossel da cultura. É atraída por luz e por flores de leguminosas. Durante o dia fica imóvel na vegetação.

A lagarta é solitária, mas gregária na planta: várias podem estar na mesma haste, cada uma em sua vagem. Não forma colônia organizada. Quando perturbada, recua rapidamente para dentro da vagem ou se deixa cair por um fio de seda.

A teia tem função de defesa. Ela une botões florais e fecha a entrada da vagem, mantendo umidade e dificultando a entrada de parasitoides. Esse comportamento é a marca registrada de Maruca e ajuda a distingui-la de Etiella zinckenella, que não tece tanto.

Como se defende

Não tem cerdas urticantes nem veneno. A defesa é comportamental: esconderijo e teia. Se exposta, contorce o corpo com movimentos bruscos.

Pica, queima ou é venenosa? Riscos para pessoas e pets

Não pica, não morde, não queima e não tem veneno. A lagarta-das-vagens é inofensiva para pessoas, cachorros e gatos, mesmo se tocada. Não possui pelos urticantes como a lagarta-de-fogo.

O contato pode causar apenas irritação leve em pele muito sensível pelo atrito, sem necessidade de tratamento específico. Lave com água e sabão se houver incômodo.

O risco real é econômico e alimentar: vagens furadas podem abrigar fungos e apodrecer, e grãos danificados perdem valor. Para pets, a ingestão acidental de uma lagarta não é tóxica, mas evite que cachorros e gatos comam plantas recém-pulverizadas.

Em caso de alergia, falta de ar ou ingestão de grande quantidade de lagartas ou de vagens estragadas, procure atendimento médico ou veterinário por precaução.

É praga ou tem papel benéfico?

É considerada praga primária de leguminosas. O adulto até visita flores e pode transportar pólen, mas o dano da lagarta supera qualquer benefício como polinizador.

Na soja, o ataque no início da formação de vagens (R3 a R5) é o mais crítico. Em feijão-caupi no Nordeste, é historicamente a praga mais importante da cultura, capaz de inviabilizar a colheita se não manejada no florescimento.

No ecossistema natural, serve de alimento para vespas parasitoides como Phanerotoma e Apanteles, percevejos predadores e pássaros. Preservar esses inimigos naturais é parte do controle.

Característica Lagarta-das-vagens (Maruca vitrata) Lagarta-da-soja (Anticarsia gemmatalis)
Cor Creme a verde-claro com pontos pretos Verde a marrom, sem pontos pretos regulares
Hábito Dentro de flores e vagens, com teia Em folhas, exposta
Dano principal Grãos dentro da vagem Desfolha
Período crítico Florescimento e enchimento de vagens Vegetativo e reprodutivo

Como conviver e controlar com manejo integrado

O controle começa no monitoramento. Vistorie a lavoura ou horta duas vezes por semana no florescimento, abrindo 10 a 20 flores e vagens por ponto amostrado. O nível de ação usado na pesquisa para feijão-caupi é de 5% de flores ou vagens atacadas; para soja, ajuste com técnico local.

  • Medidas culturais: rotação com não-leguminosas, destruição de restos culturais, plantio em época que escape do pico da praga e uso de cultivares com florescimento mais uniforme.
  • Controle biológico: preserve parasitoides evitando inseticida de amplo espectro no início do ciclo; produtos à base de Bacillus thuringiensis (Bt) são eficazes contra lagartas jovens e poupam inimigos naturais.
  • Controle mecânico em horta: catação manual de flores com teia e vagens furadas, descarte em saco fechado longe da plantação.
  • Químico, quando necessário: use apenas com receituário agronômico, priorizando inseticidas seletivos e aplicação no início da infestação, antes da lagarta entrar na vagem. Depois que entra, a eficiência cai muito.

Não aplique inseticida preventivo sem monitoramento. Além de matar polinizadores como abelhas, seleciona lagartas resistentes. Em pequenas hortas domésticas, barreira física com tela fina no florescimento reduz a postura da mariposa.

Curiosidades que ajudam no manejo

A mariposa consegue migrar centenas de quilômetros com ventos, o que explica surtos repentinos mesmo em áreas isoladas. Outro detalhe pouco comentado é que a fêmea prefere pôr ovos em flores já abertas, por isso o pico de oviposição coincide exatamente com a floração plena.

Apesar do nome no singular, o prejuízo vem do efeito cumulativo de poucas lagartas bem escondidas, não de grandes infestações visíveis. É por isso que abrir a vagem é mais confiável que contar lagartas na folha.

Perguntas frequentes

Lagarta-das-vagens pica ou queima?

Não. Maruca vitrata não tem cerdas urticantes, não pica e não é venenosa para pessoas e pets.

Como saber se a vagem está atacada?

Procure furinhos de 1 a 2 mm, teia fina unindo flores e vagens e fezes escuras granuladas dentro da vagem. Abra a vagem para confirmar a lagarta clara com pontos pretos.

Qual a diferença para a lagarta-da-soja?

A lagarta-da-soja (Anticarsia) come folhas e fica exposta; a das vagens é clara com pontos pretos, vive dentro de flores e vagens e tece teia.

Quando o ataque é mais grave?

No florescimento e início de formação de vagens (R3 a R5 na soja). É quando a fêmea põe ovos e a lagarta entra na vagem.

Como controlar em horta caseira sem veneno?

Faça catação manual de flores com teia e vagens furadas, destrua restos culturais, use tela fina no florescimento e, se precisar, produto à base de Bacillus thuringiensis (Bt) com orientação técnica.

A mariposa da lagarta-das-vagens é perigosa?

Não. O adulto é uma mariposa noturna marrom com manchas brancas que não morde nem transmite doença; o dano vem apenas da lagarta.

Você sabia?

1

Tecelã de berçário

A lagarta une flores e vagens com teia de seda para criar um abrigo úmido onde se alimenta protegida de predadores e de pulverizações.

2

Postura cirúrgica

A fêmea põe ovos isolados, quase sempre em flores abertas, e não em folhas velhas, garantindo que a larva recém-nascida já encontre pólen e pétalas macias.

3

Viajante noturna

A mariposa adulta migra longas distâncias à noite com ajuda do vento, podendo recolonizar lavouras a centenas de quilômetros em poucos dias.

4

Confusão comum

Muita gente confunde Maruca vitrata com Etiella zinckenella, mas só Maruca faz teia densa que cola flores e vagens, um detalhe que facilita a identificação no campo.

Fontes

  1. Embrapa - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
  2. GBIF - Global Biodiversity Information Facility
  3. Universidade de São Paulo - ESALQ / Departamento de Entomologia

Prós e contras: Lagarta-das-vagens

Prós

  • Ataca quase só leguminosas, não danifica a maioria das hortaliças e frutíferas
  • Fácil de identificar pela teia e pelos pontos pretos na lagarta
  • Possui inimigos naturais eficientes que ajudam no controle biológico
  • Ciclo curto permite monitoramento e ação rápida no florescimento
  • Não oferece risco de picada, queimadura ou veneno para pessoas e pets

Contras

  • Causa perdas altas em soja e feijão-caupi quando não manejada no florescimento
  • Vive escondida dentro da vagem, o que reduz a eficácia de inseticidas
  • Fêmea põe ovos isolados e bem camuflados, difícil de detectar
  • Mariposa migra longas distâncias e reinfesta áreas rapidamente
  • Dano facilita entrada de fungos e apodrecimento das vagens
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a lagarta-das-vagens é o exemplo clássico de praga que perde no tamanho e ganha na estratégia: poucas lagartas escondidas dentro da vagem causam mais prejuízo que muitas lagartas expostas nas folhas. Por isso, o manejo mais inteligente não é pulverizar por calendário, mas abrir flores e vagens no florescimento e agir cedo, preservando parasitoides.

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Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

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Última revisão em 17.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.