🍊 Frutíferas

Pixirica

Miconia albicans

Atualizado em

1 a 3 m de alturaTamanho
Sol pleno a meia-sombraLuminosidade
ModeradaRega
1 a 2 anosPrimeiros frutos
BaixaDificuldade
Frutos de pixirica inteiros e cortado mostrando polpa roxa e sementes

A pixirica é um arbusto frutífero nativo do Brasil, muito comum no Cerrado e na Mata Atlântica, conhecido pelos cachos de frutinhos roxos quase pretos, pequenos e doces, que lembram jabuticabas em miniatura. Apesar do tamanho discreto, de 1 a 3 metros, ela é extremamente rústica e produtiva.

Pertence à família Melastomataceae e atende por vários nomes, como canela-de-velho e pixiricão. É uma planta de múltiplo uso: alimenta pássaros, serve para recuperação de áreas degradadas e tem folhas muito usadas na medicina popular. Para quem busca uma frutífera nativa, de baixa manutenção e que frutifica rápido, é uma escolha excelente.

Também conhecido como: Pixiricão, Canela-de-velho, Pixirica-do-cerrado, Folha-branca

Faz parte de: Frutíferas do Brasil, Lista de Frutíferas

Explore a wiki

Galeria de fotos de Pixirica

Frutos de pixirica inteiros e cortado mostrando polpa roxa e sementes
Frutos maduros de pixirica, pequenos e roxos, com polpa adocicada.
Folhas de pixirica mostrando face esbranquiçada e pilosa
Folhas características da pixirica, esbranquiçadas na face inferior.
Arbusto de pixirica carregado de frutos roxos no quintal
Arbusto de pixirica em frutificação no verão.
Flores brancas pequenas da pixirica em cachos
Floração da pixirica, polinizada por abelhas por vibração.
Cesta com colheita de frutos de pixirica
Colheita de pixirica para consumo in natura.
Pixirica cultivada em vaso grande em varanda ensolarada
Cultivo de pixirica em vaso grande com sol pleno.
Ideal para

Ideal para quem tem quintal pequeno, sítio no Cerrado ou Mata Atlântica e busca uma frutífera nativa rústica e de baixa manutenção. Vai muito bem para iniciantes, para quem quer atrair pássaros e abelhas nativas e para projetos de restauração ou cerca viva produtiva.

Pode não ser ideal para

Pode não ser ideal para quem espera frutos grandes, muito polposos e doces como manga ou jabuticaba para venda. Também não é a melhor escolha para quem tem pouco sol, mora em apartamento sombreado ou quer colheita fora do verão, já que frutifica em janela curta e tem bagas pequenas com muitas sementes.

Cultivo rápido

Luz
Sol pleno (6h+) ideal; tolera meia-sombra com menos frutos
Rega
Moderada; 2 a 3 vezes por semana no início, depois tolera seca
Solo
Ácido, bem drenado, arenoso a argiloso, pH 4,5 a 6,0
Temperatura
18 °C a 28 °C; tolera seca e frio leve, não tolera geada forte
Adubação
Orgânica anual no início das chuvas; NPK leve se necessário
Poda
Apenas limpeza após colheita; não precisa de poda de formação intensa
Propagação
Sementes frescas e estaquia de ramos semilenhosos

Perfil rápido de Pixirica

Calendário

PlantioJFMAMJJASOND
FloraçãoJFMAMJJASOND
ColheitaJFMAMJJASOND

Encontrado em 1 país

  • Brasil

Classificação científica

Reino
Plantae
Filo
Magnoliophyta
Classe
Magnoliopsida
Ordem
Myrtales
Família
Melastomataceae
Gênero
Miconia
Espécie
Miconia albicans

Resumo

  • Pixirica é um arbusto frutífero nativo do Brasil da família Melastomataceae, com 1 a 3 metros de altura e frutos roxos pequenos e adocicados.
  • Frutifica entre dezembro e março, começa a produzir com 1 a 2 anos e se adapta bem a sol pleno, solo ácido e clima tropical do Cerrado e Mata Atlântica.
  • É rústica, produtiva e vai bem em quintais e vasos grandes, mas tem frutos pequenos e com muitas sementes, mais para consumo in natura e para a fauna do que para pomar comercial.

Características

Ficha da frutífera

Nome popularPixirica, pixiricão, canela-de-velho
Nome científicoMiconia albicans (Sw.) Triana
Família botânicaMelastomataceae
OrigemBrasil (Cerrado e Mata Atlântica)
Tamanho1 a 3 m de altura (arbusto a arvoreta)
Tempo até frutificar1 a 2 anos após o plantio
Época de frutificaçãoDezembro a março
LuminosidadeSol pleno a meia-sombra
RegaModerada, tolera seca após estabelecida
SoloÁcido, bem drenado, arenoso a argiloso, pH 4,5 a 6,0
ClimaTropical e subtropical, tolera seca e frio leve
PropagaçãoSementes e estaquia
Cultivo em vasoSim, em vasos com 50 L ou mais
Espaçamento2 a 3 m entre plantas

Perfil e comportamento

Necessidade de solAlto
Necessidade de águaBaixo
Facilidade de cultivoMuito alto
Adequação a vasosAlto
ProdutividadeAlto
Resistência a pragasMuito alto

O que é a pixirica e por que ela se destaca

A pixirica é um arbusto frutífero nativo e não uma árvore de grande porte. O nome mais aceito hoje é Miconia albicans, mas você ainda vai encontrar como Leandra albicans em livros antigos. É da família Melastomataceae, a mesma da quaresmeira.

O que a torna única é a combinação de rusticidade extrema com frutos comestíveis. Ela cresce em solos pobres e ácidos do Cerrado onde poucas frutíferas vingam, aguenta seca, rebrota bem após fogo e ainda produz cachos de frutinhas roxas que alimentam pássaros e podem ser consumidas por pessoas.

Como identificar a pixirica corretamente

Não confunda pixirica com açaí ou jamelão. A identificação é pelas folhas e frutos. As folhas são verde-acinzentadas na face superior e bem esbranquiçadas embaixo, cobertas por pelos finos e ásperos ao toque. Essa é a marca da canela-de-velho.

As flores são pequenas, brancas ou rosadas, em cachos terminais. Os frutos são bagas de 0,6 a 1 cm, redondos, que mudam de verde para roxo-escuro quase preto quando maduros. A polpa é pouca, roxa, doce e levemente adstringente, com muitas sementes minúsculas.

O arbusto tem tronco fino, ramificado desde a base e casca clara. Quando adulta, forma moita densa de 1 a 3 metros, muito diferente de uma jabuticabeira ou pitangueira.

Quando dá frutos e qual o sabor

A pixirica frutifica uma vez ao ano, no verão, entre dezembro e março na maior parte do Brasil. Em regiões mais quentes, pode estender até abril. A floração ocorre de agosto a novembro.

Cada cacho rende dezenas de frutinhos. A produção é abundante mas de frutos pequenos. O sabor é doce e suave quando bem maduro, com leve adstringência se colhido antes da hora. Não espere polpa carnosa: é fruta para comer direto do pé, como quem come amora-do-mato.

Aves como sabiás, sanhaços e bem-te-vis adoram e ajudam a espalhar as sementes. Para consumo humano, o melhor uso é in natura, em sucos, geleias ou fermentados misturada com outras frutas mais polposas.

Como plantar pixirica: passo a passo

O plantio por sementes é o mais fácil. Retire sementes de frutos bem maduros, lave e semeie em seguida, pois perdem viabilidade rápido. Use substrato leve com areia e matéria orgânica, mantenha úmido e à meia-sombra. A germinação leva de 20 a 45 dias.

Para muda mais rápida, compre muda já formada de viveiro de nativas. Plante no início da estação chuvosa, de outubro a dezembro, em cova de 40 x 40 x 40 cm com esterco curtido e um pouco de calcário se o solo for muito ácido. O espaçamento ideal é de 2 a 3 metros.

Se for plantar em vaso, escolha um de 50 a 80 litros, com furos e camada de drenagem. Use substrato ácido para frutíferas ou para azaleias, com pH entre 4,5 e 6,0. A pixirica não tolera encharcamento prolongado.

Luz, rega e solo ideais

Em luz, ela é flexível. Produz mais em sol pleno, com pelo menos 6 horas de sol direto, mas tolera meia-sombra leve, onde frutifica menos. Em varanda sombreada, não vai bem.

A rega deve ser moderada. Nos primeiros 6 meses, regue 2 a 3 vezes por semana. Depois de estabelecida, aguenta períodos de seca e só precisa de rega em veranicos longos. Em vaso, regue quando o topo do substrato secar.

O solo ideal é bem drenado, ácido e pobre em nutrientes, exatamente o oposto da maioria das frutíferas exigentes. Ela prefere solos arenosos ou latossolos do Cerrado. Evite solo compactado ou calcário em excesso, que amarela as folhas.

Poda e adubação sem complicação

A pixirica quase não precisa de poda. Faça apenas poda de limpeza após a colheita, removendo galhos secos, cruzados e brotações da base para manter a copa arejada. Não faça poda drástica, pois ela frutifica nos ramos do ano.

Na adubação, menos é mais. Uma adubação anual com matéria orgânica no início das chuvas já basta. Use composto, húmus ou esterco curtido ao redor da copa. Excesso de nitrogênio estimula folha e reduz fruto. Se o solo for muito pobre, complemente com adubo rico em fósforo e potássio.

Em vaso, adube duas vezes ao ano com orgânico e, se necessário, uma dose leve de NPK 4-14-8 na primavera.

Cultivo em vaso e em quintal pequeno

Por ser arbusto compacto, a pixirica é uma das melhores nativas para vaso grande. Em apartamento com sacada ensolarada ou quintal pequeno, ela funciona melhor que muitas frutíferas de grande porte.

Em vaso, atente para três pontos: sol direto, drenagem perfeita e vaso com volume. Vasos pequenos travam o crescimento e a frutificação. Faça rotação do vaso a cada 3 meses para a copa não entortar buscando luz.

No quintal, use a pixirica como cerca viva frutífera ou para recuperação de canto degradado. Ela atrai polinizadores e pássaros, melhora o solo e não exige pulverizações.

Pragas, doenças e resistência

Este é um dos pontos fortes da espécie. A pixirica é altamente resistente a pragas e doenças. Raramente sofre ataque severo de cochonilhas, pulgões ou lagartas, e quando ocorre, é pontual.

O maior problema é fungo por encharcamento em solo mal drenado ou vaso sem furo, que causa apodrecimento de raízes. Evite molhar as folhas à noite e mantenha boa circulação de ar.

Por ser nativa e rústica, dificilmente precisa de defensivos. Se notar folhas enroladas ou fumagina, lave com jato de água e faça poda de arejamento. Na nossa avaliação, é uma frutífera ideal para quem quer evitar veneno no quintal.

Tipos, nomes e confusões comuns

O nome pixirica é popular e genérico. No Brasil, chama-se de pixirica pelo menos três espécies parecidas de Miconia e Leandra. A mais comercializada como canela-de-velho é a Miconia albicans, mas Miconia chamissois e Leandra melastomoides também recebem o mesmo nome em algumas regiões.

Todas têm frutos roxos comestíveis e folhas pilosas, mas a Miconia albicans é a mais arbustiva e de folhas mais brancas embaixo. Na hora de comprar muda, peça pelo nome científico para não levar outra melastomatácea ornamental sem fruto comestível.

Não confunda com pixirica ornamental de flor rosa vendida em garden centers, que muitas vezes é Tibouchina. Pergunte sempre se a muda é frutífera e de origem nativa.

Usos, curiosidades e importância ecológica

Além do fruto, as folhas são famosas no chá da canela-de-velho, usado popularmente para dores articulares. Estudos apontam ação anti-inflamatória, mas o uso deve ser com orientação, pois não substitui tratamento.

Ecologicamente, a pixirica é pioneira e restauradora. Coloniza áreas degradadas, segura erosão e serve de alimento para fauna na entressafra de outras frutas. É muito usada em projetos de restauração do Cerrado.

  • Apomixia: grande parte das sementes se forma sem fecundação, gerando clones da planta mãe.
  • Polinização por vibração: as flores precisam de abelhas que vibram para liberar o pólen, como mamangavas.
  • Indicadora de solo ácido: onde há muita pixirica nativa, o solo costuma ser ácido e com alumínio.

Perguntas frequentes

Pixirica pode comer? O fruto é comestível?

Sim. Os frutos roxos bem maduros são comestíveis, doces e levemente adstringentes, com muitas sementinhas. Consuma in natura ou em sucos e geleias.

Qual o nome científico da pixirica?

O mais aceito atualmente é Miconia albicans (Sw.) Triana, sinônimo Leandra albicans. Há outras espécies chamadas pixirica, por isso confirme o nome ao comprar a muda.

Quanto tempo a pixirica leva para dar frutos?

De 1 a 2 anos após o plantio da muda. Quando plantada por semente, pode levar até 2 anos; muda de viveiro frutifica mais rápido.

Pixirica dá em vaso?

Sim, em vasos de 50 litros ou mais, com sol pleno e solo bem drenado e ácido. Em vaso pequeno a produção cai muito.

Qual a diferença entre pixirica e canela-de-velho?

São a mesma planta, Miconia albicans. Canela-de-velho é o nome popular quando o uso é medicinal das folhas; pixirica quando se fala do fruto.

Precisa de duas plantas para frutificar?

Não. A espécie faz apomixia e produz frutos mesmo isolada, sem precisar de outra planta para polinização cruzada.

Pixirica precisa de muita água?

Não. Após estabelecida é tolerante à seca. Regue apenas nos primeiros meses e em estiagens longas; encharcamento prejudica as raízes.

Fatos que pouca gente sabe

1

Clone sem fecundação

Miconia albicans faz apomixia: produz sementes viáveis sem precisar de pólen, gerando mudas geneticamente idênticas à mãe, um fenômeno raro em frutíferas.

2

Chá que não é da fruta

A fama medicinal da pixirica vem das folhas, vendidas como canela-de-velho, e não dos frutos. O chá é usado popularmente para inflamações articulares.

3

Polinização por zumbido

As flores só liberam pólen quando abelhas nativas como mamangavas vibram as anteras em alta frequência, técnica chamada buzz pollination.

4

Termômetro de solo ácido

No Cerrado, a presença espontânea de pixirica indica solo ácido, pobre e com alumínio, onde poucas frutíferas comerciais sobreviveriam sem correção.

Fontes

  1. Embrapa Cerrados
  2. Flora e Funga do Brasil - Jardim Botânico do Rio de Janeiro
  3. Instituto de Pesquisas Ambientais - São Paulo

Prós e contras: Pixirica

Prós

  • Extremamente rústica e resistente a pragas e seca
  • Frutifica rápido, em 1 a 2 anos
  • Vai bem em vaso grande e quintal pequeno
  • Atrai pássaros e abelhas nativas, ótima para biodiversidade
  • Não exige solo fértil nem pulverizações

Contras

  • Frutos muito pequenos e com muitas sementes
  • Polpa pouca, não serve para produção comercial em larga escala
  • Sabor adstringente se colhida antes da maturação completa
  • Frutifica em janela curta, só no verão
  • Pode ser confundida com outras melastomatáceas sem fruto comestível
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a pixirica é uma das frutíferas nativas mais subestimadas: entrega rusticidade e valor ecológico que nenhuma exótica de supermercado oferece. Não é fruta para pomar comercial, mas é perfeita para quem quer um quintal vivo, com pouco trabalho e muita visita de pássaros.

Continue explorando: Frutíferas

Feliciano Murene
Escrito porFeliciano MureneVeterinário

Feliciano Murene é professor e criador de conteúdo. Formado em Biologia, possui cerca de 5 anos de experiência em sala de aula e atua na produção de conteúdos…

Cacilda Massema
Revisão especializadaCacilda MassemaEngenheira Agrônoma

Com experiência no universo das plantas, dedica-se à pesquisa e produção de conteúdos sobre cultivo, identificação de espécies, plantas ornamentais, flores, árvores e frutíferas. Partilha conhecimentos práticos sobre…

Última revisão em 17.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.