🍊 Frutíferas

Pera-do-cerrado

Eugenia klotzschiana

Atualizado em

2 a 4 m de alturaTamanho
Sol plenoLuminosidade
Baixa a moderadaRega
2 a 4 anosPrimeiros frutos
MédiaDificuldade
Frutos de pera-do-cerrado inteiros e cortado ao meio mostrando polpa amarelo-alaranjada

A pera-do-cerrado (Eugenia klotzschiana) é um arbusto frutífero nativo do Cerrado brasileiro, da família Myrtaceae. Apesar do nome, não tem parentesco com a pera europeia (Pyrus): o fruto lembra uma pera pequena pelo formato, mas tem casca fina e aveludada, polpa amarelo-alaranjada e sabor ácido-adocicado.

Na natureza ocorre como arbusto de 2 a 4 metros, muito ramificado, com folhas brilhantes e flores brancas. É planta de sol pleno, extremamente adaptada a solos pobres e secos, mas de cultivo ainda raro fora de coleções e quintais do Centro-Oeste e Sudeste. O fruto é delicado, não aguenta transporte longo e por isso quase não chega ao comércio.

Também conhecido como: Pera-do-campo, Cabacinha, Araçá-pêra

Faz parte de: Frutíferas do Brasil, Lista de Frutíferas

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Galeria de fotos de Pera-do-cerrado

Frutos de pera-do-cerrado inteiros e cortado ao meio mostrando polpa amarelo-alaranjada
Fruto da pera-do-cerrado com casca aveludada e polpa suculenta.
Arbusto de pera-do-cerrado carregado de frutos em forma de pera
Arbusto de pera-do-cerrado em frutificação no Cerrado.
Close da casca aveludada da pera-do-cerrado
Detalhe da casca fina e aveludada da pera-do-cerrado.
Flores brancas da pera-do-cerrado com muitos estames
Flores brancas da pera-do-cerrado no fim da seca.
Cesto com colheita de pera-do-cerrado recém-colhida
Colheita de pera-do-cerrado: safra curta entre outubro e dezembro.
Muda jovem de pera-do-cerrado em saquinho de viveiro
Muda de pera-do-cerrado pronta para plantio nas chuvas.
Ideal para

Ideal para quem tem quintal com sol pleno no Centro-Oeste e Sudeste e busca frutíferas nativas do Cerrado de baixa manutenção. É perfeita para colecionadores de Myrtaceae, projetos de restauração e quem valoriza sabores ácidos para sucos e geleias. Também funciona para quem quer uma arvoreta rústica que aguenta seca, solo pobre e dispensa pulverizações constantes. Em vasos grandes, atende quem mora em casa na cidade e quer ter uma espécie rara sem precisar de muito espaço.

Pode não ser ideal para

Pode não ser ideal para quem espera frutos doces como pera europeia ou produção grande para venda. A safra é curta, o fruto estraga em poucos dias e não tem mercado estabelecido. Também não é indicada para apartamentos sem sol, áreas sombreadas ou solos encharcados. Quem tem pouco tempo para colher na época certa vai perder boa parte dos frutos, que caem e fermentam rápido.

Cultivo rápido

Luz
Sol pleno, mínimo 6 horas diretas por dia
Rega
2 a 3 vezes por semana no 1º ano; depois apenas em estiagens longas ou na floração
Solo
Arenoso, leve e bem drenado, pH 5,0 a 6,5; não tolera encharcamento
Temperatura
20 °C a 30 °C; tolera seca prolongada e frio leve até cerca de 5 °C
Adubação
Orgânica anual no início das chuvas; evitar excesso de nitrogênio
Poda
Formação no 1º ano e limpeza leve após a colheita (dez-jan)
Propagação
Sementes frescas (20 a 45 dias para germinar); estaquia com baixa taxa

Perfil rápido de Pera-do-cerrado

Calendário

Plantio (muda no local definitivo)JFMAMJJASOND
FloraçãoJFMAMJJASOND
ColheitaJFMAMJJASOND

Habitat

Ambientes

  • Cerrado stricto sensu
  • Cerradão
  • Campo sujo

Biomas

  • Cerrado

Encontrado em 1 país

  • Brasil

Classificação científica

Reino
Plantae
Filo
Tracheophyta
Classe
Magnoliopsida
Ordem
Myrtales
Família
Myrtaceae
Gênero
Eugenia
Espécie
Eugenia klotzschiana O. Berg

Resumo

  • A pera-do-cerrado (Eugenia klotzschiana) é um arbusto nativo do Cerrado com frutos em forma de pera, casca aveludada e polpa ácida e aromática.
  • Frutifica entre outubro e dezembro após floração no fim da seca, com produção concentrada e frutos que amadurecem e caem rapidamente.
  • É planta de sol pleno e solo bem drenado, que frutifica em 2 a 4 anos quando plantada por semente e pode ser cultivada em quintal e em vasos grandes.

Características

Ficha da frutífera

Nome popularPera-do-cerrado
Nome científicoEugenia klotzschiana O. Berg
Família botânicaMyrtaceae
OrigemCerrado brasileiro (Centro-Oeste e Sudeste)
Tamanho2 a 4 m de altura (arbusto a arvoreta)
Tempo até frutificar2 a 4 anos (semente); 1,5 a 2 anos (muda enxertada)
Época de frutificaçãoOutubro a dezembro
LuminosidadeSol pleno (mínimo 6 h/dia)
RegaModerada na formação; baixa após estabelecida
SoloArenoso a argilo-arenoso, bem drenado, pH 5,0 a 6,5, pobre em matéria orgânica
ClimaTropical sazonal; tolera seca e frio leve, não tolera encharcamento
PropagaçãoSementes (principal) e estaquia
Cultivo em vasoSim, em vasos acima de 80 litros
Espaçamento3 x 3 m a 4 x 4 m

Perfil e comportamento

Necessidade de solMuito alto
Necessidade de águaBaixo
Facilidade de cultivoMédio
Adequação a vasosMédio
ProdutividadeMédio
Resistência a pragasAlto

Como reconhecer a pera-do-cerrado: não é uma pera de verdade

A pera-do-cerrado é Eugenia klotzschiana, da mesma família da pitanga e da goiaba. O nome vem só do formato: fruto piriforme, com base mais larga e pescoço estreito, como uma pera em miniatura.

O fruto mede 3 a 6 cm de comprimento, pesa de 20 a 40 g e tem casca fina, amarelo-esverdeada a amarelo-alaranjada quando madura, coberta por pelos curtos e aveludados. Ao toque lembra um pêssego pequeno, não uma pera lisa.

A polpa é amarelo-alaranjada, suculenta e aromática, com sabor que mistura acidez cítrica e doçura leve. Há 1 a 3 sementes grandes no centro, que ocupam boa parte do fruto. Quando muito madura, a polpa amolece em 1 a 2 dias.

A planta é um arbusto retorcido de 2 a 4 m, com casca acinzentada que descama em placas finas. As folhas são opostas, coriáceas, elípticas e brilhantes, com 5 a 9 cm, e as flores são brancas, pequenas e com muitos estames, típicas de Myrtaceae.

Onde ela vive e por que é tão difícil de encontrar

A pera-do-cerrado é endêmica do Cerrado, ocorrendo em Goiás, Distrito Federal, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e oeste da Bahia e São Paulo. Cresce em cerrado stricto sensu, cerradão e campo sujo, em solos arenosos, ácidos e bem drenados.

É uma espécie de sol pleno e clima sazonal, que enfrenta 5 a 6 meses de seca. Por isso desenvolveu raízes profundas e folhas que seguram água. Não ocorre naturalmente em Mata Atlântica úmida ou em áreas alagadas.

Fora do bioma, só aparece em coleções de frutíferas nativas, viveiros especializados e quintais de entusiastas. O fruto é extremamente perecível e não entra em cadeia comercial, o que explica a raridade nas feiras. Quem quer provar precisa plantar ou conhecer quem tem.

Quando e como frutifica: safra curta e fruto que cai

A floração acontece no final da estação seca, de agosto a outubro, logo após a brotação de folhas novas avermelhadas. As flores brancas são polinizadas principalmente por abelhas nativas, como mamangavas.

A frutificação é rápida e concentrada entre outubro e dezembro, no início das chuvas. Os frutos amadurecem de forma desuniforme no mesmo arbusto e caem ao chão quando maduros. A janela de colheita é curta, de 3 a 5 semanas.

Uma planta adulta bem conduzida produz 5 a 15 kg por safra, mas a produção varia muito ano a ano. Por ser de polpa mole, o fruto dura 2 a 3 dias em temperatura ambiente e até 5 dias refrigerado. Não amadurece bem se colhido totalmente verde.

  • Ponto ideal de colheita: casca amarelo-alaranjada, levemente macia ao toque e perfume adocicado.
  • Sinal de que passou: polpa escurecida e fermentação rápida.
  • Dica de campo: colha de manhã e consuma ou processe no mesmo dia.

Como plantar pera-do-cerrado do zero

A forma mais viável é por semente fresca. Sementes de pera-do-cerrado são recalcitrantes: perdem viabilidade em 2 a 3 semanas se secarem. Plante logo após retirar da polpa.

Lave as sementes, deixe secar à sombra por algumas horas e semeie a 1 a 2 cm de profundidade em saquinhos com areia + terra de Cerrado + esterco curtido (2:1:1). A germinação leva 20 a 45 dias e a taxa costuma ser alta quando a semente é nova.

Mantenha os saquinhos a meia-sombra nos primeiros 60 dias e depois vá levando para sol pleno. Transplante para o local definitivo quando a muda tiver 30 a 40 cm, no início da estação chuvosa, de novembro a janeiro.

Escolha cova de 40 x 40 x 40 cm, com mistura de terra, areia grossa e 3 a 5 litros de esterco curtido. Não enterre o colo da muda e regue bem na primeira semana. A estaquia é possível, mas com enraizamento baixo e pouco usada.

Luz, solo e rega ideais no quintal

A pera-do-cerrado exige sol pleno o dia todo. Com menos de 6 horas de sol, cresce estiolada e quase não frutifica. É planta para quintal aberto, não para sombra de muro ou varanda fechada.

O solo ideal é leve, arenoso e muito bem drenado, com pH entre 5,0 e 6,5. Ela tolera solo pobre e até cascalhento, mas morre em solo encharcado ou muito argiloso. Se seu solo for pesado, plante em camalhão de 30 cm de altura.

Na fase de muda, regue 2 a 3 vezes por semana sem encharcar. Após 1 ano no chão, a planta aguenta bem a seca e só precisa de rega nos verões muito secos ou na floração. Excesso de água na maturação racha e apodrece o fruto.

Cultivo em vaso funciona?

Funciona, mas com limitações. Use vaso de 80 a 150 litros, com camada de drenagem e substrato arenoso. A planta ficará menor, com 1,5 a 2 m, e produzirá menos, de 1 a 4 kg por safra.

Em vaso, a rega precisa ser mais frequente e o sol ainda mais garantido. É uma boa opção para quem quer ter a espécie na cidade e não tem quintal grande, desde que aceite produção menor.

Poda, adubação e condução do arbusto

A pera-do-cerrado tem crescimento naturalmente arbustivo e desordenado. Faça uma poda de formação no primeiro ano, escolhendo 1 a 3 hastes principais e eliminando ramos cruzados e rentes ao solo.

Após isso, a poda é leve e anual, logo após a colheita, em dezembro a janeiro. Remova ramos secos, doentes e ladrões da base. Não faça poda drástica, pois ela frutifica em ramos do ano.

A adubação deve ser modesta. No plantio, use matéria orgânica. Na manutenção, aplique uma vez ao ano, no início das chuvas, composto orgânico + pequena dose de calcário se o pH estiver abaixo de 5,0. Excesso de nitrogênio gera muita folha e pouco fruto.

Cubra o pé com palhada ou folhas secas para manter umidade e imitar a serapilheira do Cerrado. Evite gramado colado ao tronco, que compete por água.

Pragas, doenças e por que quase não adoece

Por ser nativa e rústica, a pera-do-cerrado é pouco atacada por pragas quando bem exposta ao sol e sem encharcamento. O maior problema é cultural, não fitossanitário.

Podem ocorrer mosca-das-frutas (Anastrepha spp.) nos frutos maduros e cochonilhas em plantas sombreadas. A antracnose aparece em anos muito chuvosos, manchando folhas e frutos. Nenhuma costuma matar a planta.

  • Prevenção mais eficaz: colher rápido, não deixar fruto caído no chão e manter copa arejada.
  • Controle caseiro: ensacamento de frutos com saquinho de TNT e catação manual resolvem a maioria dos casos.
  • Evite: irrigação por aspersão na copa e adubação química pesada.

Plantas em solo encharcado podem sofrer podridão de raiz. Se as folhas amarelarem e murcharem mesmo com solo úmido, suspenda a rega e melhore a drenagem imediatamente.

Como consumir e conservar: o que fazer com a polpa ácida

A pera-do-cerrado é fruta para consumo imediato e processamento, não para guardar. O sabor ácido e perfumado lembra maracujá com toque de goiaba. Muita gente estranha comer pura, mas aprova em preparações.

Consuma in natura com açúcar ou sal, como se faz no interior de Goiás, ou bata a polpa coada para suco, geleia e sorvete. A polpa rende bem quando peneirada para remover as sementes. Congelada, dura até 6 meses sem perder aroma.

Na cozinha do Cerrado, entra em doces em pasta, licores e compotas. Por ter pectina natural, dá ponto de geleia com facilidade. Evite cozinhar demais para não amargar.

Para conservar, colha, lave, retire a polpa e congele em porções no mesmo dia. Não tente armazenar o fruto inteiro por mais de 3 dias fora da geladeira: ele fermenta rápido.

Curiosidades e confusões comuns

Muita gente confunde pera-do-cerrado com pera-do-campo (Eugenia dysenterica, a cagaita) ou com araçás. A diferença está no fruto: a pera-do-cerrado é piriforme e aveludada, a cagaita é achatada e lisa.

Outro erro é esperar sabor de pera europeia. Não é doce e macia como Pyrus. É ácida, aromática e com sementes grandes, mais próxima de um araçá azedo. Quem planta esperando pera de supermercado se decepciona.

Na nossa avaliação, a pera-do-cerrado vale o cultivo justamente por ser o oposto das frutíferas comerciais: rústica, sem veneno, com safra curta e sabor que só quem planta conhece. É fruta de quintal e de memória, não de prateleira.

Perguntas frequentes

Pera-do-cerrado é a mesma coisa que pera comum?

Não. A pera comum é Pyrus communis (Rosaceae), de clima temperado. A pera-do-cerrado é Eugenia klotzschiana (Myrtaceae), nativa do Cerrado, com fruto menor, ácido e aveludado.

Quanto tempo leva para dar frutos?

De semente, de 2 a 4 anos em sol pleno e solo bem drenado. Mudas já formadas podem frutificar em 1,5 a 2 anos.

Pode plantar em vaso?

Sim, em vasos de 80 a 150 litros com muito sol e substrato arenoso, mas a planta fica menor e produz menos, de 1 a 4 kg por safra.

Qual o gosto da pera-do-cerrado?

Polpa amarelo-alaranjada, suculenta, ácida e aromática, lembrando maracujá com goiaba. Fica melhor com açúcar, em sucos, geleias e sorvetes.

Quando colher?

Entre outubro e dezembro, quando a casca estiver amarelo-alaranjada, levemente macia e perfumada. Colha e consuma em até 2 a 3 dias.

Precisa de muita água?

Não. Após o primeiro ano, é muito tolerante à seca. Regue apenas na formação da muda e em estiagens na floração; solo encharcado apodrece a raiz.

Onde comprar mudas ou sementes?

Em viveiros de nativas do Cerrado e de frutíferas raras, principalmente em Goiás, Distrito Federal e Minas Gerais. Sementes só frescas, pois perdem viabilidade em poucas semanas.

Você sabia?

1

Semente que não pode secar

As sementes são recalcitrantes e morrem se ficarem secas por mais de 15 a 20 dias. Por isso não são vendidas em sachês comuns e precisam ser semeadas frescas, logo após a colheita.

2

Casca de pêssego, não de pera

A casca é coberta por pelos finos e aveludados, como a de pêssego. Essa penugem protege o fruto do sol forte e da desidratação no Cerrado.

3

Folha que muda de cor

As brotações novas nascem avermelhadas ou arroxeadas e só depois ficam verde-brilhantes. Essa coloração ajuda a planta a se proteger do excesso de luz na seca.

4

Parente da pitanga, não da pera

Apesar do nome popular, pertence à família Myrtaceae, a mesma da pitanga, jabuticaba e goiaba. A pera europeia é da família Rosaceae, sem parentesco botânico.

Fontes

  1. Embrapa Cerrados
  2. Flora e Funga do Brasil - Jardim Botânico do Rio de Janeiro
  3. Instituto Plantarum - Lorenzi

Prós e contras: Pera-do-cerrado

Prós

  • Extremamente rústica à seca e a solos pobres do Cerrado
  • Pouca incidência de pragas e doenças quando em sol pleno
  • Fruto aromático e diferente, ótimo para geleias e sucos
  • Boa para quintais pequenos e até vasos grandes
  • Valor ecológico alto, atrai abelhas nativas

Contras

  • Fruto muito perecível, dura 2 a 3 dias fora da geladeira
  • Safra curta e desuniforme, entre outubro e dezembro
  • Sabor ácido que não agrada quem espera pera doce
  • Sementes recalcitrantes, difíceis de armazenar e transportar
  • Pouca oferta de mudas e quase nenhum mercado comercial
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a pera-do-cerrado é uma das Myrtaceae nativas mais injustamente esquecidas: rústica, bonita e com fruto de sabor marcante, mas punida pela perecibilidade. Vale plantar não pela produtividade, e sim pelo resgate de um sabor do Cerrado que o mercado não entrega.

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Última revisão em 17.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.