🐴 Cavalos

Asturcón

Equus ferus caballus

Atualizado em

PequenoTamanho
300 a 350 kgPeso
25 a 30 anosExpectativa de vida
Sela e trilhaUso
Dócil e rústicoTemperamento
Cavalo Asturcón adulto preto de corpo inteiro em pastagem de montanha

O Asturcón é um pônei ibérico originário das montanhas das Astúrias, no norte da Espanha. Pequeno, forte e quase sempre preto, é famoso pela resistência ao clima úmido e frio e pela marcha amblada extremamente cômoda para o cavaleiro.

Criado durante séculos em regime semisselvagem na Serra do Sueve, quase desapareceu nos anos 1970 e foi salvo por criadores locais. Hoje é símbolo cultural das Astúrias, usado para sela, trilhas e manejo conservacionista, com temperamento dócil e corajoso.

Também conhecido como: Asturian Pony, Poni Asturcón, Asturcon

Faz parte de: Cavalos de Sela, Pôneis, Raças de Cavalos Pequenos

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Galeria de fotos de Asturcón

Cavalo Asturcón adulto preto de corpo inteiro em pastagem de montanha
Asturcón adulto: pônei compacto e quase sempre preto, típico das montanhas asturianas.
Retrato da cabeça de cavalo Asturcón preto mostrando perfil reto e orelhas pequenas
Cabeça do Asturcón: perfil reto, fronte larga e orelhas pequenas e móveis.
Égua Asturcón com seu filhote pastando na montanha
Égua Asturcón com potro na Serra do Sueve, onde vivem semisselvagens.
Cavalo Asturcón em marcha amblada natural na trilha
A famosa marcha amblada do Asturcón: cômoda e sem solavancos.
Manada de cavalos Asturcón pastando livremente na montanha cantábrica
Manada semisselvagem de Asturcóns em manejo extensivo nas Astúrias.
Detalhe dos cascos pretos e duros do cavalo Asturcón
Cascos pequenos, pretos e muito duros: marca da rusticidade do Asturcón.
Ideal para

O Asturcón é ideal para famílias, iniciantes bem orientados e projetos de turismo equestre em sítios ou fazendas de montanha. Sua docilidade, altura acessível e marcha cômoda dão segurança para crianças e adultos leves, e sua rusticidade reduz o manejo intensivo. Também é excelente para quem busca um equino para conservação de pastagens e prevenção de fogo, pois vive bem em regime semisselvagem e mantém o terreno limpo com pouca intervenção.

Pode não ser ideal para

Não é ideal para quem mora em cidade sem piquete, quer cavalo alto para hipismo clássico, salto ou trabalho pesado de tração. Por ser gregário e precisar de espaço e companhia, sofre isolado em baia pequena. Também não serve para quem espera um cavalo de alta velocidade ou para quem não pode oferecer pastagem e casqueamento regular, pois o excesso de concentrado e a falta de movimento geram laminite e obesidade.

Como cuidar

Alimentação
Base de pasto e feno de gramíneas, sal mineral à vontade e água limpa; concentrado só com trabalho intenso e prescrição veterinária
Casco e ferrageamento
Casqueamento a cada 6 a 8 semanas; muitos trabalham desferrados em terreno natural, ferrageamento só para uso intenso em asfalto ou pedra abrasiva
Abrigo
Galpão simples contra vento e chuva forte; precisa de piquete com sombra, espaço para galope e convívio em grupo
Saúde
Vermifugação estratégica, vacinas contra tétano, influenza e encefalomielite, controle de peso para evitar laminite; acompanhamento veterinário anual

Perfil rápido de Asturcón

Estado de conservação

EN
Em Perigo

Raça autóctone espanhola classificada como em perigo de extinção pelo MAPA da Espanha.

População
estável
Protegido por
sim

Vida útil

Em semiliberdade
25 a 30 anos
Em manejo intensivo
20 a 27 anos

Reprodução

Maturidade sexual
18 a 24 meses, cobertura recomendada após 3 anos
Gestação
11 meses (320 a 345 dias)
Potros por gestação
1, raramente 2
Época de nascimentos
Primavera, entre março e junho na Espanha
Estrutura social
Harém com garanhão, 5 a 15 éguas e potros, hierarquia matriarcal entre éguas

Encontrado em 1 país

  • Espanha

Como animal de estimação

Adequação
Alta para sítio com pasto; baixa para apartamento ou baia urbana sem piquete
Legalidade no Brasil
Permitida a criação de equinos; importação exige GTA, exames e quarentena do MAPA
Nível de cuidado
Médio a baixo se em pasto; exige casqueamento, vermifugação e companhia de outros equinos
Custo de manutenção
Baixo a moderado: feno/pasto, sal mineral, casqueamento e veterinário; sem necessidade de ração intensa ou ferrageamento constante

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Mammalia
Ordem
Perissodactyla
Família
Equidae
Gênero
Equus
Espécie
Equus ferus caballus

Resumo

  • O Asturcón é um pônei ibérico milenar das Astúrias, na Espanha, de tamanho pequeno, pelagem quase sempre preta e marcha amblada cômoda.
  • Rústico e resistente, vive semisselvagem em montanha úmida e fria, é dócil, sociável e ideal para sela leve e trilhas.
  • Quase extinto com apenas 22 exemplares nos anos 1970, foi recuperado e hoje é raça protegida e símbolo cultural asturiano.

Características

Ficha da raça

OrigemAstúrias, norte da Espanha
TipoPônei ibérico (sangue frio/misto)
TamanhoPequeno
Altura na cernelha1,25 a 1,47 m (12 a 14,2 mãos)
Peso300 a 350 kg
Expectativa de vida25 a 30 anos
PelagensPreta (majoritária), castanha
Corespretocastanhoalazão
TemperamentoDócil, corajoso e sociável
Principais usosSela, turismo equestre, conservação ambiental
AndamentosPasso, trote, galope e marcha amblada natural
Principais problemas de saúdeLaminite, cólica, sensibilidade a excesso de concentrado

Perfil e comportamento

DocilidadeMuito alto
Nível de energiaMédio
VelocidadeMédio
ResistênciaMuito alto
Facilidade de manejoAlto
Indicado para iniciantesAlto
Adequado para criançasAlto
Custo de manutençãoBaixo

O que é o Asturcón e por que ele não é um pônei qualquer

O Asturcón é um pônei de montanha, não um cavalo grande em miniatura. Ele pertence ao tronco dos pôneis celtas da fachada atlântica, mesmo grupo do Garrano português e do Pottok basco, e isso explica sua rusticidade extrema.

A resposta direta: é um equino pequeno, compacto, de 1,25 a 1,47 m, quase sempre preto, com marcha amblada natural muito cômoda. Foi selecionado por séculos para viver solto, sem ferradura e sem abrigo, na chuva e no frio cantábrico.

Na nossa avaliação, o que o distingue não é a beleza refinada, mas a funcionalidade rústica. É um cavalo feito para durar, não para impressionar em pista.

Origem celta nas montanhas das Astúrias: história de 2 mil anos

A raça nasce com os ástures, povo celta do norte da Península Ibérica. Autores romanos como Plínio, o Velho e Marcial, no século I, já citavam o asturco como um cavalo pequeno, forte e de andadura suave, muito valorizado por damas e oficiais romanos.

Durante a Idade Média, o Asturcón foi cavalo de guerra leve e de transporte nas montanhas. Com a mecanização e o êxodo rural, perdeu função e entrou em colapso.

Em 1973 restavam cerca de 22 exemplares identificados na Serra do Sueve. Em 1981 foi criada a ACPRA (Asociación del Poni Asturcón), que organizou o livro genealógico, marcou os animais e iniciou a criação em semiliberdade. O reconhecimento oficial como raça autóctone em perigo de extinção veio do Ministério da Agricultura da Espanha.

Hoje a população supera 3.000 animais, concentrados nas Astúrias, Cantábria e País Basco, ainda em sistema extensivo. A Festa do Asturcón, todo mês de agosto em Espina (Parres), celebra a marcação dos potros no monte, tradição que mantém o vínculo cultural.

Tamanho e aparência: como reconhecer um Asturcón na hora

O Asturcón é brevilíneo e compacto. Cabeça de perfil reto ou levemente côncavo, fronte larga, orelhas pequenas e muito móveis, olhos grandes e expressivos.

O pescoço é forte, com crina abundante e grossa, muitas vezes em arco. O tronco é profundo, dorso curto, garupa inclinada e levemente dupla, peito amplo. Os membros são curtos, de ossatura densa, com articulações largas e cascos pequenos, duros e pretos, que raramente precisam de ferrageamento em terreno natural.

A altura oficial varia de 1,25 m a 1,47 m na cernelha. Na prática, a maioria dos exemplares puros fica entre 1,28 e 1,35 m. É considerado pônei pelo padrão internacional, mas na Espanha é tratado como cavalo de pequeno tamanho.

  • Marca da raça: estrela branca muito pequena na testa é tolerada, mas manchas extensas desclassificam.
  • Cauda: inserção média a baixa, com pelos longos e densos.
  • Dimorfismo: machos com pescoço mais arqueado e crina mais cheia.

Pelagens e cores: por que quase todo Asturcón é preto

A seleção natural e humana fixou o preto uniforme como padrão. Mais de 90% do rebanho registrado é preto, com variações de preto azeviche a preto desbotado pelo sol.

A pelagem castanha (castaña) é aceita, mas minoritária. O alazão aparece raramente e, para muitos criadores, indica cruzamento antigo. Tordilho e pelagens malhadas não são admitidas no livro genealógico.

O pelo de inverno é duplo e denso, com subpelo lanoso que protege da chuva constante da Cordilheira Cantábrica. No verão, o pelo fica curto e brilhante, o que ajuda a identificar a saúde do animal a olho nu.

Temperamento e andamentos: a marcha que fez fama em Roma

O temperamento é o ponto forte. O Asturcón é dócil, sociável e corajoso, sem ser apático. Lida bem com crianças e iniciantes quando bem manejado, mas mantém instinto de hierarquia e precisa de liderança consistente.

É um cavalo atento e pouco assustado, acostumado a cães, gado e trânsito de montanha. Em grupo semisselvagem, forma haréns estáveis liderados por um garanhão, com éguas que defendem os potros com agressividade.

O andamento mais famoso é a marcha amblada natural, descrita pelos romanos como tolutarius. Não é trote: o animal move as pernas laterais quase ao mesmo tempo, gerando um passo de quatro tempos sem suspensão, sem solavancos para o cavaleiro. Nem todo indivíduo a expressa com a mesma qualidade, mas a predisposição é genética.

Além da marcha, apresenta passo, trote curto e galope reunido. A velocidade não é alta, mas a resistência é excepcional: faz trilhas de 30 km em montanha sem perder fôlego.

Para quem a marcha importa

Para quem busca conforto em longas cavalgadas ou tem sensibilidade na coluna, a marcha do Asturcón é decisiva. Para esporte de velocidade ou salto, ela é irrelevante.

Para que serve hoje: sela leve, trilhas e engenheiro do ecossistema

O uso principal atual é sela de lazer e turismo equestre. Carrega com facilidade 70 a 80 kg em trilhas de montanha, com pé firme em pedra escorregadia e barro.

O segundo uso, cada vez mais importante, é conservação ambiental. Rebanhos semisselvagens são usados para controle de biomassa e prevenção de incêndios na Serra do Sueve e no Parque Natural de Redes, pastejando tojo e urze que nenhuma máquina alcança.

Historicamente serviu para tração leve e carne, mas hoje o abate é marginal. Não é cavalo de tração pesada nem de hipismo clássico. Em equoterapia e iniciação infantil, destaca-se pela altura acessível e paciência.

Atividade Adequação do Asturcón
Trilhas e cavalgadas longas Excelente
Escola de equitação infantil Muito boa
Salto e adestramento clássico Baixa
Trabalho de campo leve Boa
Conservação de pastagens Excelente

Saúde, rusticidade e cuidados essenciais

A rusticidade não significa ausência de cuidados. O Asturcón é muito resistente a doenças respiratórias e a problemas de casco, mas é sensível a excesso de energia na dieta.

Os problemas mais vistos são laminite e cólica quando recebe muito concentrado ou pasto muito rico, obesidade e síndrome metabólica equina em regime de baia. Cascos duros racharam menos, mas precisam de casqueamento a cada 6 a 8 semanas, mesmo desferrados.

A alimentação ideal é feno de gramíneas, pasto de montanha e sal mineral. Ração só se houver trabalho intenso e com orientação de médico-veterinário de equinos. Água limpa e vermifugação estratégica são obrigatórias.

O manejo deve respeitar a vida em grupo. Isolamento prolongado gera estresse e vícios como aerofagia. Abrigo simples contra vento e chuva forte basta; baia fechada e quente prejudica o pelo de inverno.

Asturcón no Brasil e para quem vale a pena

No Brasil não há criação oficial registrada de Asturcón. A importação de equinos da Espanha exige quarentena e é cara, então o contato aqui é quase sempre em viagens ou por sêmen congelado para cruzamentos experimentais.

Vale a pena para quem busca um pônei rústico para trilha, sítio pequeno ou projeto de conservação e valoriza temperamento dócil acima de altura. Não é indicado para quem quer cavalo alto para salto, laço ou que precise ficar estabulado em centro urbano sem piquete.

Na nossa avaliação, o Asturcón é uma raça de nicho perfeita para o turismo de montanha brasileiro – como Serra da Mantiqueira ou Campos de Cima da Serra – mas que exige tutor que entenda manejo extensivo, não manejo de cocheira de luxo.

Perguntas frequentes

Qual a altura do cavalo Asturcón?

De 1,25 m a 1,47 m na cernelha, com média entre 1,28 e 1,35 m. É classificado como pônei, mas chamado de cavalo pequeno na Espanha.

Qual a cor do Asturcón?

Quase sempre preto uniforme. Castanho é aceito e alazão é raro; tordilho e malhados não são permitidos no registro.

Asturcón tem marcha?

Sim, muitos têm marcha amblada natural de quatro tempos, muito cômoda e sem solavancos, já citada por autores romanos no século I.

Asturcón é bom para iniciantes e crianças?

Sim, quando bem domado. É dócil, corajoso e de altura acessível, ideal para iniciação e equoterapia, desde que com supervisão.

Existe Asturcón no Brasil?

Não há criação oficial no Brasil. A raça é concentrada nas Astúrias e a importação exige quarentena e autorização do MAPA.

Quanto tempo vive um Asturcón?

De 25 a 30 anos em manejo extensivo com pasto, casqueamento e vermifugação em dia.

Asturcón precisa de ferradura?

Na maioria dos usos em campo e trilha não. Tem cascos duros e compactos e trabalha bem desferrado; ferrageamento só para uso intenso em piso duro.

Você sabia?

1

O cavalo citado por Marcial

O poeta romano Marcial, no século I, descreveu o asturco como o cavalo de andadura tão suave que a amazona não desmanchava os cabelos, referência direta à marcha amblada da raça.

2

Sobreviveu com 22 animais

No início dos anos 1970, criadores contaram apenas 22 Asturcóns puros na Serra do Sueve. Todo o rebanho atual descende desse núcleo salvo pela ACPRA.

3

Marca a fogo na Festa do Sueve

Todo agosto, na Fiesta del Asturcón em Espina, potros nascidos no monte são reunidos, marcados e chipados diante do público, em tradição que mistura manejo e celebração cultural asturiana.

4

Casco que dispensa ferradura

Criado desferrado em pedra calcária úmida, o Asturcón desenvolveu cascos extremamente duros e compactos, característica que o torna um dos poucos equinos europeus que trabalha bem sem ferradura em montanha.

Fontes

  1. ACPRA - Asociación del Poni Asturcón
  2. MAPA España - Catálogo Oficial de Razas de Ganado
  3. FAO - Domestic Animal Diversity Information System (DAD-IS)
  4. Real Federación Hípica Española

Prós e contras: Asturcón

Prós

  • Marcha amblada extremamente cômoda para trilhas longas
  • Rusticidade alta: resiste a frio, chuva e vive bem semisselvagem
  • Temperamento dócil, corajoso e sociável, ótimo para crianças
  • Cascos duros que dispensam ferrageamento constante
  • Baixo custo de manutenção quando em pasto
  • Ideal para conservação ambiental e prevenção de incêndios

Contras

  • Tamanho pequeno não serve para cavaleiros muito pesados ou hipismo clássico
  • Velocidade e salto limitados
  • Quase inexistente no Brasil, difícil de encontrar
  • Pode desenvolver laminite e obesidade se receber muito concentrado
  • Precisa de espaço, pasto e companhia; sofre isolado em baia
  • Marcha nem sempre bem marcada em todos os indivíduos
Nossa opinião

O Asturcón é a prova de que pequeno não é inferior: sua marcha cômoda e rusticidade superam muitos cavalos altos em trilha real. Na nossa avaliação, é a escolha mais inteligente para quem quer um equino parceiro e econômico, não um troféu de altura.

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Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

Sou uma entusiasta do universo dos peixes e da vida aquática. Dedico-me a pesquisar e partilhar informações sobre espécies de peixes, alimentação, comportamento, habitat e cuidados, ajudando os…

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Última revisão em 16.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.