Resumo
- O Asturcón é um pônei ibérico milenar das Astúrias, na Espanha, de tamanho pequeno, pelagem quase sempre preta e marcha amblada cômoda.
- Rústico e resistente, vive semisselvagem em montanha úmida e fria, é dócil, sociável e ideal para sela leve e trilhas.
- Quase extinto com apenas 22 exemplares nos anos 1970, foi recuperado e hoje é raça protegida e símbolo cultural asturiano.
Características
Ficha da raça
| Origem | Astúrias, norte da Espanha |
|---|---|
| Tipo | Pônei ibérico (sangue frio/misto) |
| Tamanho | Pequeno |
| Altura na cernelha | 1,25 a 1,47 m (12 a 14,2 mãos) |
| Peso | 300 a 350 kg |
| Expectativa de vida | 25 a 30 anos |
| Pelagens | Preta (majoritária), castanha |
| Cores | pretocastanhoalazão |
| Temperamento | Dócil, corajoso e sociável |
| Principais usos | Sela, turismo equestre, conservação ambiental |
| Andamentos | Passo, trote, galope e marcha amblada natural |
| Principais problemas de saúde | Laminite, cólica, sensibilidade a excesso de concentrado |
Perfil e comportamento
| Docilidade | Muito alto |
|---|---|
| Nível de energia | Médio |
| Velocidade | Médio |
| Resistência | Muito alto |
| Facilidade de manejo | Alto |
| Indicado para iniciantes | Alto |
| Adequado para crianças | Alto |
| Custo de manutenção | Baixo |
O que é o Asturcón e por que ele não é um pônei qualquer
O Asturcón é um pônei de montanha, não um cavalo grande em miniatura. Ele pertence ao tronco dos pôneis celtas da fachada atlântica, mesmo grupo do Garrano português e do Pottok basco, e isso explica sua rusticidade extrema.
A resposta direta: é um equino pequeno, compacto, de 1,25 a 1,47 m, quase sempre preto, com marcha amblada natural muito cômoda. Foi selecionado por séculos para viver solto, sem ferradura e sem abrigo, na chuva e no frio cantábrico.
Na nossa avaliação, o que o distingue não é a beleza refinada, mas a funcionalidade rústica. É um cavalo feito para durar, não para impressionar em pista.
Origem celta nas montanhas das Astúrias: história de 2 mil anos
A raça nasce com os ástures, povo celta do norte da Península Ibérica. Autores romanos como Plínio, o Velho e Marcial, no século I, já citavam o asturco como um cavalo pequeno, forte e de andadura suave, muito valorizado por damas e oficiais romanos.
Durante a Idade Média, o Asturcón foi cavalo de guerra leve e de transporte nas montanhas. Com a mecanização e o êxodo rural, perdeu função e entrou em colapso.
Em 1973 restavam cerca de 22 exemplares identificados na Serra do Sueve. Em 1981 foi criada a ACPRA (Asociación del Poni Asturcón), que organizou o livro genealógico, marcou os animais e iniciou a criação em semiliberdade. O reconhecimento oficial como raça autóctone em perigo de extinção veio do Ministério da Agricultura da Espanha.
Hoje a população supera 3.000 animais, concentrados nas Astúrias, Cantábria e País Basco, ainda em sistema extensivo. A Festa do Asturcón, todo mês de agosto em Espina (Parres), celebra a marcação dos potros no monte, tradição que mantém o vínculo cultural.
Tamanho e aparência: como reconhecer um Asturcón na hora
O Asturcón é brevilíneo e compacto. Cabeça de perfil reto ou levemente côncavo, fronte larga, orelhas pequenas e muito móveis, olhos grandes e expressivos.
O pescoço é forte, com crina abundante e grossa, muitas vezes em arco. O tronco é profundo, dorso curto, garupa inclinada e levemente dupla, peito amplo. Os membros são curtos, de ossatura densa, com articulações largas e cascos pequenos, duros e pretos, que raramente precisam de ferrageamento em terreno natural.
A altura oficial varia de 1,25 m a 1,47 m na cernelha. Na prática, a maioria dos exemplares puros fica entre 1,28 e 1,35 m. É considerado pônei pelo padrão internacional, mas na Espanha é tratado como cavalo de pequeno tamanho.
- Marca da raça: estrela branca muito pequena na testa é tolerada, mas manchas extensas desclassificam.
- Cauda: inserção média a baixa, com pelos longos e densos.
- Dimorfismo: machos com pescoço mais arqueado e crina mais cheia.
Pelagens e cores: por que quase todo Asturcón é preto
A seleção natural e humana fixou o preto uniforme como padrão. Mais de 90% do rebanho registrado é preto, com variações de preto azeviche a preto desbotado pelo sol.
A pelagem castanha (castaña) é aceita, mas minoritária. O alazão aparece raramente e, para muitos criadores, indica cruzamento antigo. Tordilho e pelagens malhadas não são admitidas no livro genealógico.
O pelo de inverno é duplo e denso, com subpelo lanoso que protege da chuva constante da Cordilheira Cantábrica. No verão, o pelo fica curto e brilhante, o que ajuda a identificar a saúde do animal a olho nu.
Temperamento e andamentos: a marcha que fez fama em Roma
O temperamento é o ponto forte. O Asturcón é dócil, sociável e corajoso, sem ser apático. Lida bem com crianças e iniciantes quando bem manejado, mas mantém instinto de hierarquia e precisa de liderança consistente.
É um cavalo atento e pouco assustado, acostumado a cães, gado e trânsito de montanha. Em grupo semisselvagem, forma haréns estáveis liderados por um garanhão, com éguas que defendem os potros com agressividade.
O andamento mais famoso é a marcha amblada natural, descrita pelos romanos como tolutarius. Não é trote: o animal move as pernas laterais quase ao mesmo tempo, gerando um passo de quatro tempos sem suspensão, sem solavancos para o cavaleiro. Nem todo indivíduo a expressa com a mesma qualidade, mas a predisposição é genética.
Além da marcha, apresenta passo, trote curto e galope reunido. A velocidade não é alta, mas a resistência é excepcional: faz trilhas de 30 km em montanha sem perder fôlego.
Para quem a marcha importa
Para quem busca conforto em longas cavalgadas ou tem sensibilidade na coluna, a marcha do Asturcón é decisiva. Para esporte de velocidade ou salto, ela é irrelevante.
Para que serve hoje: sela leve, trilhas e engenheiro do ecossistema
O uso principal atual é sela de lazer e turismo equestre. Carrega com facilidade 70 a 80 kg em trilhas de montanha, com pé firme em pedra escorregadia e barro.
O segundo uso, cada vez mais importante, é conservação ambiental. Rebanhos semisselvagens são usados para controle de biomassa e prevenção de incêndios na Serra do Sueve e no Parque Natural de Redes, pastejando tojo e urze que nenhuma máquina alcança.
Historicamente serviu para tração leve e carne, mas hoje o abate é marginal. Não é cavalo de tração pesada nem de hipismo clássico. Em equoterapia e iniciação infantil, destaca-se pela altura acessível e paciência.
| Atividade | Adequação do Asturcón |
|---|---|
| Trilhas e cavalgadas longas | Excelente |
| Escola de equitação infantil | Muito boa |
| Salto e adestramento clássico | Baixa |
| Trabalho de campo leve | Boa |
| Conservação de pastagens | Excelente |
Saúde, rusticidade e cuidados essenciais
A rusticidade não significa ausência de cuidados. O Asturcón é muito resistente a doenças respiratórias e a problemas de casco, mas é sensível a excesso de energia na dieta.
Os problemas mais vistos são laminite e cólica quando recebe muito concentrado ou pasto muito rico, obesidade e síndrome metabólica equina em regime de baia. Cascos duros racharam menos, mas precisam de casqueamento a cada 6 a 8 semanas, mesmo desferrados.
A alimentação ideal é feno de gramíneas, pasto de montanha e sal mineral. Ração só se houver trabalho intenso e com orientação de médico-veterinário de equinos. Água limpa e vermifugação estratégica são obrigatórias.
O manejo deve respeitar a vida em grupo. Isolamento prolongado gera estresse e vícios como aerofagia. Abrigo simples contra vento e chuva forte basta; baia fechada e quente prejudica o pelo de inverno.
Asturcón no Brasil e para quem vale a pena
No Brasil não há criação oficial registrada de Asturcón. A importação de equinos da Espanha exige quarentena e é cara, então o contato aqui é quase sempre em viagens ou por sêmen congelado para cruzamentos experimentais.
Vale a pena para quem busca um pônei rústico para trilha, sítio pequeno ou projeto de conservação e valoriza temperamento dócil acima de altura. Não é indicado para quem quer cavalo alto para salto, laço ou que precise ficar estabulado em centro urbano sem piquete.
Na nossa avaliação, o Asturcón é uma raça de nicho perfeita para o turismo de montanha brasileiro – como Serra da Mantiqueira ou Campos de Cima da Serra – mas que exige tutor que entenda manejo extensivo, não manejo de cocheira de luxo.
Perguntas frequentes
Qual a altura do cavalo Asturcón?
De 1,25 m a 1,47 m na cernelha, com média entre 1,28 e 1,35 m. É classificado como pônei, mas chamado de cavalo pequeno na Espanha.
Qual a cor do Asturcón?
Quase sempre preto uniforme. Castanho é aceito e alazão é raro; tordilho e malhados não são permitidos no registro.
Asturcón tem marcha?
Sim, muitos têm marcha amblada natural de quatro tempos, muito cômoda e sem solavancos, já citada por autores romanos no século I.
Asturcón é bom para iniciantes e crianças?
Sim, quando bem domado. É dócil, corajoso e de altura acessível, ideal para iniciação e equoterapia, desde que com supervisão.
Existe Asturcón no Brasil?
Não há criação oficial no Brasil. A raça é concentrada nas Astúrias e a importação exige quarentena e autorização do MAPA.
Quanto tempo vive um Asturcón?
De 25 a 30 anos em manejo extensivo com pasto, casqueamento e vermifugação em dia.
Asturcón precisa de ferradura?
Na maioria dos usos em campo e trilha não. Tem cascos duros e compactos e trabalha bem desferrado; ferrageamento só para uso intenso em piso duro.
Você sabia?
O cavalo citado por Marcial
O poeta romano Marcial, no século I, descreveu o asturco como o cavalo de andadura tão suave que a amazona não desmanchava os cabelos, referência direta à marcha amblada da raça.
Sobreviveu com 22 animais
No início dos anos 1970, criadores contaram apenas 22 Asturcóns puros na Serra do Sueve. Todo o rebanho atual descende desse núcleo salvo pela ACPRA.
Marca a fogo na Festa do Sueve
Todo agosto, na Fiesta del Asturcón em Espina, potros nascidos no monte são reunidos, marcados e chipados diante do público, em tradição que mistura manejo e celebração cultural asturiana.
Casco que dispensa ferradura
Criado desferrado em pedra calcária úmida, o Asturcón desenvolveu cascos extremamente duros e compactos, característica que o torna um dos poucos equinos europeus que trabalha bem sem ferradura em montanha.










