Resumo
- O Pastor-Islandês é um spitz de pastoreio de tamanho médio (42 a 48 cm, 9 a 14 kg), única raça nativa da Islândia, com pelagem dupla e cauda enrolada.
- De temperamento alegre, afetuoso e muito vocal, é altamente sociável, ótimo com crianças e outros animais, mas sofre com longos períodos sozinho e precisa de exercícios diários.
- Possui duas variedades de pelo (curto e longo) e exige escovação 2 a 3 vezes por semana, com queda intensa na primavera e no outono; vive em média 12 a 14 anos.
Características
Ficha da raça
| Origem | Islândia |
|---|---|
| Grupo | FCI Grupo 5 – Spitz e Tipo Primitivo (cães de pastoreio nórdicos) |
| Tamanho | Médio |
| Altura | 42 a 46 cm (fêmeas) e 44 a 48 cm (machos) |
| Peso | 9 a 14 kg |
| Expectativa de vida | 12 a 14 anos |
| Pelagem | Dupla, densa e resistente ao clima; subpelo espesso |
| Cores | fulvodouradocastanhocinzapretocom branco predominante |
| Tipos ou variedades | 2: pelo curto e pelo longo |
| Escovação | 2 a 3 vezes por semana; diária na troca de pelo |
| Principais problemas de saúde | displasia coxofemoral, luxação de patela, catarata, distiquíase, criptorquidismo |
Perfil e comportamento
| Nível de afeto | Muito alto |
|---|---|
| Simpatia | Muito alto |
| Adequado para crianças | Muito alto |
| Aceita outros animais | Muito alto |
| Necessidade de exercício | Alto |
| Ludicidade | Muito alto |
| Nível de energia | Alto |
| Treinabilidade | Alto |
Origem viking: o único cachorro da Islândia
O Pastor-Islandês, ou Íslenskur Fjárhundur, é a única raça nativa da Islândia. Foi levado pelos colonizadores vikings entre 874 e 930, provavelmente descendente do mesmo tronco que originou o Buhund Norueguês e o Vallhund Sueco.
Isolado por mais de mil anos, ele foi moldado para um trabalho completo: pastorear ovelhas, reunir cavalos e pôneis islandeses, controlar gado e alertar sobre aves e intrusos. Não era um cão de condução silenciosa. Ele precisava latir para espantar pássaros dos campos e para manter o rebanho em movimento em terrenos de lava e neve.
A raça quase desapareceu no século XX. Parasitas, cinomose e a queda da criação de ovinos reduziram a população a poucas dezenas. Nos anos 1960, um esforço conjunto do Kennel Club da Islândia e criadores ingleses salvou o Pastor-Islandês a partir de menos de 20 exemplares. Todo o plantel atual descende desse gargalo genético, o que explica alguns cuidados de saúde específicos.
Como reconhecer um Pastor-Islandês: tamanho e aparência
À primeira vista parece um spitz fofo, mas a estrutura entrega o cão de trabalho. É médio, retangular e bem equilibrado, ligeiramente mais comprido que alto, com peito profundo e pernas firmes para trotar o dia todo.
A cabeça é em forma de cunha, com orelhas triangulares eretas, focinho de comprimento médio e expressão atenta e sorridente. Os olhos são amendoados, castanhos escuros, e as orelhas se movem o tempo todo para captar sons. A cauda é o cartão de visita: grossa, muito peluda e enrolada sobre o dorso, tocando as costas.
Um detalhe que distingue a raça de outros spitzes é a presença frequente de ergôs duplos (esporões) nos posteriores, herança de cães nórdicos que precisavam de tração extra em terreno irregular. Não é defeito, é característica desejada no padrão FCI.
| Medida | Fêmea | Macho |
|---|---|---|
| Altura na cernelha | 42 a 46 cm | 44 a 48 cm |
| Peso | 9 a 13 kg | 11 a 14 kg |
| Proporção | Corpo retangular, cauda enrolada, orelha ereta | |
Pelagem e cores: dupla, densa e feita para o frio
A pelagem é dupla e impermeável: subpelo denso e macio que isola do frio, e pelo de cobertura mais áspero e reto que repele chuva e neve. Mesmo no Brasil, ele mantém essa troca sazonal intensa.
Existem duas variedades oficiais: pelo curto e pelo longo. Ambas têm o mesmo subpelo abundante. A diferença está no comprimento do pelo de cobertura.
- Pelo curto: comprimento médio, mais justo ao corpo, com cauda bem emplumada. Parece mais atlético.
- Pelo longo: mais comprido no pescoço, peito, atrás das coxas e na cauda, formando juba e franjas. Dá aspecto mais cheio, mas não chega a ser pelo esvoaçante.
As cores são sempre combinadas com branco predominante em focinho, peito, barriga, patas e ponta da cauda. As cores base aceitas são fulvo, dourado, castanho-avermelhado, cinza e preto. Manchas pretas, fulvas ou cinzas são comuns, e o preto com marcações fulvas e brancas (tricolor) é bem típico. Focinho escuro e olhos bem pigmentados são valorizados.
Erro comum é confundir com o Shetland ou o Collie. O Pastor-Islandês é mais baixo, mais compacto e tem orelha sempre ereta e cauda enrolada, enquanto Shetland tem orelha semiereta e cauda pendente.
Temperamento: alegre, falante e grudado no tutor
Se existe um spitz que foi feito para conviver, é este. O Pastor-Islandês é extrovertido, curioso e extremamente afetuoso. Foi selecionado para trabalhar colado ao fazendeiro, então cria vínculo forte e quer participar de tudo dentro de casa.
É confiável com estranhos e raramente agressivo. Em vez de desconfiar, ele costuma receber visitas abanando a cauda e latindo de alegria. Essa simpatia é ótima para família, mas péssima para quem busca cão de guarda silencioso.
A inteligência é prática e rápida. Ele aprende comandos em poucas repetições quando o treino é curto, divertido e com petisco ou brinquedo. Por ser sensível, não responde bem a broncas duras. Pressão excessiva o faz se fechar em vez de obedecer.
Latido, energia e necessidade de companhia: o ponto mais importante
Este é o traço que mais pega tutores desprevenidos. O Pastor-Islandês late muito e por motivos variados: alegria, tédio, para pedir brincadeira, para avisar que alguém passou na rua, para reunir o rebanho. Na fazenda islandesa, latir era trabalho. Na cidade, vira queixa de vizinho se não for manejado desde filhote.
Em energia, está no meio-termo entre um Border Collie e um Spitz Alemão. Precisa de 60 a 90 minutos diários de atividade divididos entre caminhada, corrida leve, jogos de faro e treino. Sem isso, inventa o próprio serviço: cavar, mastigar ou latir sem parar.
Ele não tolera ficar sozinho por muitas horas. É propenso à ansiedade por separação e pode uivar ou destruir objetos quando isolado. Na nossa avaliação, é uma raça para quem trabalha em casa, tem rotina flexível ou pode levar o cachorro junto. Deixá-lo o dia todo no quintal é receita para frustração.
Como manejar o latido sem brigar com a raça
- Ensine o comando “silêncio” ou “chega” recompensando a pausa no latido, nunca gritando por cima.
- Ofereça enriquecimento diário: tapete de fuçar, brinquedos recheáveis, esconder petiscos pela casa.
- Evite deixá-lo horas olhando a rua da janela ou do portão, gatilho clássico para latido em série.
Cuidados no dia a dia: escovação, exercícios e treino
A rotina do Pastor-Islandês é simples, mas exige constância. A pelagem não precisa de tosa, apenas de escovação 2 a 3 vezes por semana com rasqueadeira e pente de dentes largos. Na troca de pelo, na primavera e no outono, a queda é intensa e a escovação deve ser diária para evitar nós atrás das orelhas e nas coxas.
Banho a cada 30 a 45 dias é suficiente. O subpelo demora para secar, então seque muito bem para evitar dermatite. Orelhas eretas ventilam melhor, mas ainda precisam de checagem semanal, assim como dentes e unhas.
Na alimentação, é um cachorro guloso e que engorda fácil se ficar sem exercício. Prefira ração de qualidade para porte médio e energia moderada a alta, com porções controladas e petiscos contabilizados. Água fresca sempre à disposição, principalmente em clima quente, já que a pelagem densa esquenta.
Para treino, aposte em sessões de 5 a 10 minutos, várias vezes ao dia. Ele brilha em agility, rally-obediência, faro e truques. Socialização precoce com sons urbanos, pessoas diferentes e outros cachorros é essencial para equilibrar a vocalização e a excitação.
Saúde: o que observar e expectativa de vida
É uma raça robusta e longeva, com média de 12 a 14 anos, mas o gargalo genético deixou predisposições que todo tutor deve conhecer. Check-up anual e acompanhamento veterinário são indispensáveis.
- Displasia coxofemoral: comum em cães médios. Mantenha peso ideal, evite saltos excessivos em filhotes e faça raio-X preventivo se indicado.
- Luxação de patela: pode causar claudicação intermitente. Fortalecimento muscular e controle de peso ajudam.
- Problemas oculares: catarata, distiquíase (cílios extras que irritam a córnea) e distrofia corneana. Exame oftalmológico anual é recomendado.
- Criptorquidismo: em machos, um ou ambos os testículos podem não descer. Exige avaliação veterinária e castração quando indicada.
Por ser sensível ao calor, evite exercícios nas horas mais quentes e nunca deixe sem sombra e ventilação. A pelagem dupla, ao contrário do que parece, ajuda a isolar tanto do frio quanto do calor, por isso não deve ser raspada.
Convivência com crianças, outros cachorros e vida na fazenda
Com crianças, é um dos melhores spitzes. Paciente, brincalhão e pouco possessivo, aguenta bem a agitação e adora jogos de buscar e esconder. Como todo cachorro, precisa de supervisão com crianças pequenas e de ensinar a criança a respeitar o espaço do animal.
Com outros cachorros e até gatos, a convivência costuma ser excelente, desde que socializado cedo. Foi criado para trabalhar em matilha solta, então tende a ser cooperativo e não territorial. Em casa com galinhas ou ovelhas, o instinto de pastoreio pode aparecer: ele tenta agrupar os animais latindo e circulando.
Em apartamento, é possível criar, mas não é o cenário ideal sem manejo. Ele precisa de passeios diários, janelas com barreira visual para não latir para tudo e rotina de companhia. Em casa com quintal seguro e tutor presente, ele floresce. Sítio ou chácara são perfeitos, desde que tenha acesso ao interior da casa.
Vale a pena ter um Pastor-Islandês no Brasil? Para quem ele é indicado
No Brasil a raça ainda é rara e pouco conhecida, com poucos canis especializados e ninhadas pequenas. Isso significa fila de espera e necessidade de pesquisar criadores registrados no CBKC/FCI que façam exames de saúde dos pais.
É uma escolha excelente para quem busca um cachorro médio, alegre, muito apegado e que topa esporte e aventura, mas que também curte colo no sofá. Famílias ativas, casais que trabalham em casa e tutores que gostam de treinar truques vão se apaixonar.
Por outro lado, quem mora em apartamento pequeno, passa o dia fora, tem pouca tolerância a latido e a pelos pela casa ou busca um cão independente e silencioso vai se frustrar. Na nossa avaliação, o Pastor-Islandês não é um cachorro para ser deixado de lado. Ele exige presença, e devolve essa dedicação com lealdade absoluta.
Perguntas frequentes
Pastor-Islandês late muito?
Sim. Foi selecionado para latir ao pastorear e alertar, então é naturalmente vocal. Com treino de silêncio, enriquecimento e evitando gatilhos como ficar horas na janela, o latido fica controlável.
Qual o tamanho do Pastor-Islandês?
É de tamanho médio: fêmeas de 42 a 46 cm e machos de 44 a 48 cm, pesando entre 9 e 14 kg. Corpo retangular, orelhas eretas e cauda enrolada sobre o dorso.
Ele solta muito pelo?
Sim, queda moderada o ano todo e intensa duas vezes ao ano na troca de subpelo. Escovação 2 a 3 vezes por semana, diária na muda, ajuda muito.
Pastor-Islandês se dá bem com crianças e outros animais?
Muito bem. É paciente, brincalhão e sociável, ótimo com crianças e outros cachorros quando socializado desde filhote. Supervisão com crianças pequenas é sempre necessária.
Pode viver em apartamento?
Pode, mas exige passeios diários, estímulos mentais e treino para latido. Casas com quintal e tutor presente são mais adequadas para a raça.
Qual a diferença entre pelo curto e pelo longo?
Ambos têm subpelo denso. O pelo curto é mais justo ao corpo e o longo tem juba no pescoço, franjas nas pernas e cauda mais cheia. Os cuidados são iguais.
Pastor-Islandês é bom para tutor de primeira viagem?
Pode ser, se o tutor for dedicado, presente e disposto a treinar com reforço positivo e lidar com latido e pelos. Para quem busca cão independente e silencioso, não é a melhor escolha.
Você sabia?
Salvo da extinção com menos de 20 cães
No final dos anos 1950, restavam cerca de 10 a 15 Pastores-Islandeses puros na Islândia. O inglês Mark Watson e o criador S. Petursson reuniram os últimos exemplares e recomeçaram a raça, base de todos os cães atuais.
Ergôs duplos nas patas traseiras
Muitos exemplares nascem com dois esporões nos posteriores, característica herdada de cães nórdicos para melhor tração na neve e na lava. O padrão FCI considera desejável e pontua a presença.
Latido como ferramenta de trabalho
Diferente de pastores que conduzem em silêncio, ele foi selecionado para latir ao pastorear e para espantar aves que atacavam cordeiros. Por isso, o latido frequente não é defeito, é instinto.
Parente próximo do Corgi?
Estudos de linhagem mostram que o Pastor-Islandês compartilha ancestrais com o Buhund e pode ter influenciado raças britânicas levadas por vikings, o que explica semelhanças pontuais com cães de pastoreio de perna curta.










